Incorporadoras devem ter resultado fraco

(Valor Econômico) – 29/07/15

Os números que a Tecnisa divulga hoje abrem a temporada de balanços do segundo trimestre do setor. A expectativa é de resultados mais fracos do que os do mesmo período do ano passado para as incorporadoras em geral, em decorrência de menores lançamentos e vendas, da queda da confiança do consumidor, do aumento das taxas de juros, das restrições de crédito imobiliário e dos distratos. Por outro lado, há tendência de continuidade da geração de caixa.

Nem a faixa alta mostra disposição de consumir

(Estadão) – 28/07/15

O desestímulo ao consumo já não afeta apenas as famílias de renda baixa e média, muito atingidas pela recessão e pela perda do poder aquisitivo dos salários. Neste mês, alcançou as famílias com renda superior a 10 salários mínimos mensais, como mostrou a pesquisa nacional de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador dá ideia das aflições dos consumidores com a volta dos preços altos, o temor de desemprego e as incertezas com o futuro.

Os números da ICF caíram sem interrupção neste ano. Em julho, a queda foi de 5,3% em relação a junho e de 27,9% em relação a julho de 2014. Em números absolutos, a ICF registrou 86,9 pontos no mês, muito abaixo da zona de indiferença (100 pontos).

A pesquisa da CNC tem grande abrangência, alcançando 18 mil famílias em todas as unidades da Federação. São poucos os quesitos em que a ICF ainda está no campo positivo, caso da (relativa) satisfação com o emprego atual (111,9 pontos), da perspectiva profissional (103,7 pontos) e da renda atual (104,8 pontos). Nos três casos houve quedas em relação a julho de 2014, de 12% para 23,1%, mas a maioria dos entrevistados ainda acredita na preservação da atividade e em melhora futura. É um dado positivo numa conjuntura marcada por dificuldades.

Mas em outros itens a situação é crítica. O momento de compra para bens duráveis, por exemplo, está na pior posição e caiu 43,4% em relação a julho de 2014. Chega a dois terços a proporção de famílias que consideram o momento ruim para comprar bens duráveis.

O nível de consumo atual caiu 32,5% em relação a 2014 e a maior parte das famílias (51,5%) declarou que está fazendo menos compras.

A situação dos consumidores é pior justamente na Região Sudeste, onde a ICF caiu 34,1% entre os meses de julho de 2014 e de 2015 e onde são mais elevados a renda média e o PIB. Explica-se, pois, o descontentamento expresso nas pesquisas de opinião realizadas nos últimos meses.

Com a inflação acima de 9% ao ano e o desemprego em mais de 8%, o consumo cede lugar à decisão das famílias de recompor as reservas para enfrentar os tempos difíceis que poderão se estender até o ano que vem, na melhor das hipóteses.

A CNC prevê queda real de 1% nas vendas no varejo de 2015, evidência do estrago imposto sobre o padrão de vida das famílias pelos erros de política econômica da era Dilma.

Queda da confiança da construção em julho tem menor valor desde 2010

(G1) – 28/07/15

Frente a julho de 2014, o indicador recuou 32,5%. Expectativas para os próximos meses pioraram.

A confiança do setor da construção civil recuou na passagem de junho para julho, com queda de 4,7%. É o menor nível da série iniciada em julho de 2010. No ano, o índice acumula queda de 26,5%, segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Frente a julho de 2014, o indicador recuou 32,5%.

Confiança da Construção
“A queda do indicador de confiança não surpreende, na medida em que não ocorreram fatos capazes de alterar o quadro de declínio da atividade no setor observado desde o ano passado. Vale notar que para a grande maioria das empresas (60,0%), a carteira de contratos está abaixo do normal. A pequena melhora das expectativas observada no mês anterior não teve respaldo da situação dos negócios. Enfim, a percepção dominante no setor é de que retração na atividade ainda deve prosseguir”, disse Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/IBRE.

O resultado sucede a relativa estabilidade de junho (0,1%) e uma queda em maio (4,7%).

De junho para julho, houve queda de 7% no índice de expectativas, influenciada pelo recuo de 9,1% no subindicador que mede as perspectivas para a situação dos negócios nos seis meses seguintes.

A visão sobre a situação atual apresentou a 8ª queda consecutiva, de 1,2%, influenciada pelo recuo de 3,7% no indicador que mede o grau de satisfação das empresas com a situação atual dos negócios.

Custo da construção
O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou, em julho, taxa de variação de 0,66%, abaixo do mês anterior, de 1,87%. O índice relativo a materiais, equipamentos e serviços registrou variação de 0,17%. No mês anterior, a taxa havia sido de 0,47%. Já o índice referente à mão de obra registrou variação de 1,10%. No mês anterior, a variação registrada havia sido de 3,16%.

Cinco capitais apresentaram desaceleração em suas taxas de variação: Salvador, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em contrapartida, Brasília e Porto Alegre registraram aceleração.

Lei Brasileira de Inclusão reforça importância do desenho universal

(Arcoweb – 27/07/2015)

Sancionado no início do mês, o Estatuto da Pessoas com Deficiência, estabelece as garantias para a criação de ambientes acessíveis

A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146), sancionada no dia 6 de julho deste ano, é destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
O estatuto, que entra em vigor a partir de janeiro de 2016, prevê atendimento prioritário em órgãos públicos e enfatiza políticas públicas de educação, saúde e trabalho para a população com deficiência, entre outras medidas.
O texto reforça ainda a aplicação do conceito de desenho universal, que é a concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.
A arquiteta e cadeirante Silvana Cambiaghi, que é Conselheira titular e integra o Grupo de Trabalho de Acessibilidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP) e também a Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), órgão da administração municipal de São Paulo, explica que o conceito busca atender não só pessoas com deficiência, mas também pessoas idosas, gestantes, obesas, carregando pacotes, entre outras condições.
Para ela, trata-se de estabelecer parâmetros de projetos capazes de se adequarem às necessidades de indivíduos com características físicas diferentes daquelas estabelecidas para o chamado “homem padrão”, sem necessidade de adaptação ou de ser especializado.
“Infelizmente, o que temos hoje são adequações e acessibilidade pontuais, sem integrar ações cotidianas como moradia, passeios, transporte, edificações, serviços”, pontua.
arq_69854

Publicada originalmente em ARCOweb em 24 de Julho de 2015

Estratégias de incorporadoras para acelerar vendas são questionadas

(Valor Econômico) – 22/07/15

Na tentativa de acelerar vendas e evitar mais rescisões neste momento, incorporadoras têm lançado mão de uma série de estratégias por vezes, questionáveis para queimar os imóveis em estoque. As manobras vão desde financiamento direto, em que a incorporadora assume o papel do banco no financiamento ao cliente; bônus para quem paga em dia; compromisso de recompra da unidade de quem o banco negar o crédito; até aceitar o décimo-terceiro salário deste ano e o de 2016 como “entrada” para compra de imóveis, além dos já recorrentes descontos de preços das unidades prontas ou quase concluídas.

Cyrela, PDG, JHSF, Helbor, EZTec e Trisul compõem a lista de quem está financiando o cliente diretamente. Quando os empreendimentos que estão sendo entregues foram lançados, as companhias não consideraram que iriam carregar dívidas dos clientes nesta etapa do ciclo imobiliário. Em geral, as taxas cobradas pelas incorporadoras são superiores às do crédito bancário.

Até a última sexta-feira, a venda de unidades prontas enquadradas na linha de financiamento direto oferecida pela EZTec somou R$ 19 milhões, da linha ofertada de R$ 100 milhões. A incorporadora avalia a possibilidade de incluir novas unidades prontas na campanha, assim como produtos a serem concluídos nos próximos trimestres.

Outras estratégias adotadas para elevar a liquidez do segmento são o compromisso de recompra, sem desconto, de imóveis prontos, em caso de distrato decorrente da não aceitação do recebível pelo banco, e bônus para clientes adimplentes, caso de PDG e Rossi. “As duas precisam de caixa para pagar as obrigações de curto prazo. Com essas iniciativas, ganham um fôlego, mas isso não é sustentável, nem saudável”, diz um analista setorial.

Essa está longe de ser a única crítica feita às manobras. “É uma loucura. As incorporadoras já deviam ter aprendido que as vendas têm de ser firmes”, diz uma fonte que atua há anos no segmento imobiliário. Vendas feitas com menos rigor podem significar incentivo paliativo à comercialização e um empréstimo ponte, mas representam riscos adicionais de distratos futuros e de inadimplência, na avaliação de fontes ouvidas pelo Valor.

“O que nos preocupa nas incorporadoras não é tanto a existência dos estoques, mas o que tem sido feito para se livrar deles”, afirma executivo responsável pela área de risco de um banco nacional, que tem entre suas atribuições analisar o perfil de crédito dessas companhias. Ele afirma que houve queda nos desembolsos a essas empresas.

A adoção de medidas criativas para estimular a decisão de compra não se restringe às incorporadoras listadas em bolsa. A Danpris, por exemplo, aceitará, a partir do fim do mês, os décimos terceiros salários deste ano e de 2016 como entrada na compra de imóveis que ficarão prontos no prazo de 18 a 20 meses.

Há quem aponte ainda o risco para a incorporadora nas situações em que o financiamento direto é concedido como complemento ao crédito bancário, para que a fatia alcance 80% do valor do imóvel. Se a unidade é dada em garantia ao banco, a empresa têm de assumir a perda se o cliente não fizer o pagamento.

BB espera liberar R$ 1 bilhão em financiamento imobiliário

(Exame) – 21/07/15

O Banco do Brasil passou a oferecer, esta semana, a linha de financiamento imobiliário Pró-Cotista com as novas condições definidas em maio pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A estimativa do banco é disponibilizar cerca R$ 1 bilhão para novas operações.

O Pró-Cotista é uma linha de financiamento que utiliza os recursos do Programa Especial de Crédito Habitacional ao Cotista do FGTS. O programa prevê que o imóvel novo ou usado seja adquirido com prazo de 30 anos para pagar.

O Banco do Brasil identificou 2,2 milhões de clientes que reúnem condições para se habilitar ao financiamento imobiliário por essa linha. Para contratar empréstimos como Pró-Cotista, é necessário possuir conta ativa do FGTS e um mínimo de 36 contribuições, consecutivas ou não.

No caso em que o cliente não possua conta ativa, é necessário que o seu saldo total no FGTS seja igual ou superior a 10% do valor do imóvel ou de compra e venda, o que for maior.
A linha de crédito financia até 90% de imóveis avaliados em até R$ 400 mil, pelo prazo máximo de 360 meses. A taxa de juros é 9% ao ano.

A carteira de crédito imobiliário do Banco do Brasil atingiu, em abril, R$ 42,06 bilhões, crescimento de 45,9% em 12 meses.

Nova fase do Minha Casa Minha Vida terá reajuste de 10% a 11% nos imóveis, diz Kassab

(Reuters) – 16/07/15

A terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida, que será lançada entre agosto e setembro, terá um reajuste de ao menos 10 a 11 por cento nos valores dos imóveis, disse em entrevista à Reuters o ministro das Cidades, Gilberto Kassab.

Os valores máximos dos imóveis enquadrados no programa habitacional do governo federal variam por região e também entre as diferentes faixas de renda dos beneficiários. O reajuste mencionado pelo ministro atingirá todas as faixas. “Temos um grupo de trabalho com construtoras, entidades e governo, coordenado pelo ministério, para definir os valores quando do lançamento (da terceira fase). Não será menor do que 10 ou 11 por cento o reajuste”, afirmou Kassab.

Apesar do setor privado reivindicar algum mecanismo automático de reajuste dos preços, Kassab descartou criar um gatilho para os valores dos imóveis.

“É melhor levar por etapas, por fases. É um programa muito grande e se ele não nasce engessado você tem problemas. Você tem de formatar, engessar e cumprir o programa”, disse.

O ministro confirmou que a terceira fase do programa terá uma faixa intermediária de renda, entre as atuais faixas 1 e 2. Essa nova faixa deve ser destinada a famílias com renda entre 1,6 mil e 2,3 mil reais por mês.

O ministro disse que a nova faixa terá subsídio “mais próximo da faixa 1 do que da faixa 2″, mas evitou dar mais detalhes. A atual faixa 1, que beneficia famílias com renda mensal de até 1,6 mil reais, oferece subsídio de até 95 por cento do valor do imóvel.

Apesar do corte de 5,6 bilhões de reais no orçamento deste ano do programa habitacional, Kassab reiterou que a terceira fase contemplará a contratação de 3 milhões de unidades, porém com os desembolsos mais concentrados nos últimos anos do mandato da presidente Dilma Rousseff.

“É evidente que com essa contenção você vai ter uma concentração maior de investimentos na fase final, em 2017 e 2018. Mas o processo se inicia esse ano, com a contratação dessas 3 milhões (de unidades) restantes”, disse o ministro.

Este ano, até 30 de junho, o programa contratou 202.064 unidades e entregou 64.483 moradias. Ao todo, desde seu início, o Minha Casa Minha Vida contratou mais de 3,9 milhões de unidades e entregou cerca de 2,3 milhões.

Renúncia do CEO da PDG

17/07/15

PDG acaba de informar ao mercado que o seu CEO, Carlos Piani, renunciou. Isso ocorre logo após a renúncia do CFO da PDG, Marco Kheirallah. Foi nomeado o Marcio Trigueiro como novo CEO e o Mauricio Teixeira como novo CFO. Marcio Trigueiro é engenheiro eletrônico pelo ITA e tem MBA em Harvard. Trigueiro foi associado do GP Investimentos e CEO da Sascar. Mauricio Teixeira teve diversas posições como executivo na Telemar/Oi and foi CFO da Sascar e Allied. Piani permanecerá no cargo de CEO até 17 de agosto.

Primeira ponte estaiada em curva do País é inaugurada em Laguna, Santa Catarina, com cerca de três km de extensão

(Infraestrutura Urbana) – 14/07/15

Construída desde 2012 pelo consórcio liderado pela Camargo Corrêa, obra contou com equipamento inédito no Brasil para a execução do tabuleiro

g491933

Após ser adiada por falta de pagamentos, a Ponte Anita Garibaldi, na cidade de Laguna, em Santa Catarina será inaugurada nesta quarta-feira (15). A estrutura sobre o Canal de Laranjeiras é a primeira estaiada em curva do Brasil e foi construída desde 2012 pelo consórcio formado pelas construtoras Camargo Corrêa, Aterpa M. Martins e Construbase para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Ao todo são 2,8 km de extensão entre os bairros Cabeçuda, em Laguna, e Estaiada, em Pescaria Brava, incluindo três vãos sustentados por cabos, sendo o principal com 200 metros e mais dois secundários com 100 metros cada. Já a largura é de aproximadamente 25 metros, permitindo a implantação de pistas Norte e Sul com duas faixas de rolamento de 3,6 metros cada, além de acostamento e uma faixa central de segurança.

A obra consumiu cerca de 20 mil toneladas de aço e 100 mil m³ de concreto. A principal inovação foi o uso de uma treliça lançadeira (BERD), trazida de Portugal, que permitiu a execução de cada aduela da ponte, prevista inicialmente para uma semana, em apenas quatro dias. Segundo o consórcio construtor, a treliça lançadeira é capaz de erguer um vão com 48 metros de comprimento, pesando 1.211 toneladas. No sistema convencional seriam necessários 10 equipamentos para executar no tempo igual à BERD.

O consórcio construtor dividiu a execução da ponte em quatro etapas. A primeira foi a fundação, com escavações de 2,5 metros de diâmetro sob uma lâmina d’água de até 3,5 metros. A estaca mais profunda chegou a 65 metros de profundidade, com armação em vergalhões e preenchimento em concreto. Na segunda fase foram construídos os pilares para sustentar as mais de 500 unidades de aduelas e na terceira os mastros de 50 metros de altura em relação ao pavimento da ponte. Cada um deles suspende 30 estais de aço. Por fim, na quarta e última etapa de construção, foram instaladas as proteções laterais e centrais da estrutura, além de outros serviços de acabamento.

Cerca de 1.800 profissionais trabalharam na construção da estrutura. A área total do canteiro foi de aproximadamente 96 mil m², incluindo uma área de reserva de 11.793 m² e mais três auxiliares. Foi montada uma estrutura com central de concreto, funcionando 24 horas por dia, pátio de fabricação de pré-moldados, porto náutico, alojamentos, áreas de apoio e convivência, estação de tratamento de água, estação de tratamento de efluentes, refeitório e outros serviços de apoio. O planejamento previu a dragagem ao longo do canal, uma vez que a lagoa não possuía profundidade que permitisse navegação.

O investimento calculado na construção da estrutura é de aproximadamente R$ 600 milhões. A Ponte Anita Garibaldi agora é considerada a maior travessia elevada da duplicação da rodovia BR-101 Sul em Santa Catarina, amenizando o intenso tráfego da região, facilitando o escoamento de mercadorias entre os estados do Sul e do Centro do Brasil e proporcionando melhor integração comercial com os países do Mercosul.

Reação do mercado imobiliário só deve vir a partir de 2016

(Época Negócios) – 13/07/15

Os plantões de vendas de imóveis devem continuar pouco movimentados, pelo menos, até meados do ano que vem, de acordo com empresários e analistas ouvidos pela Agência Estado. A retomada de lançamentos e do comércio de unidades novas só deve vir com uma recuperação de cenário macroeconômico, quando a oferta de financiamento for ampliada e os consumidores se sentirem mais seguros frente às oscilações de renda e emprego. Até lá, a estratégia das incorporadoras é evitar riscos e adotar uma postura mais cautelosa, concentrada principalmente na geração de caixa e redução de unidades em estoque.

“Para o setor melhorar, temos de ver uma reversão no pessimismo dos consumidores em relação a esse conjunto de fatores, seja com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), queda no desemprego ou controle da inflação”, afirmou o analista Marcelo Motta, do JPMorgan. “O caminho mais lógico é que, em algum momento, quando as medidas do governo surtirem efeito, os juros comecem a recuar, o que pode melhorar as expectativas econômicas”, acrescentou.

Confiança e crédito são frequentemente citados como os principais fatores para o desenvolvimento do mercado imobiliário no Brasil. Desde o ano passado, entretanto, os consumidores têm se mostrado cada vez mais hesitantes em se comprometer com uma compra tão grande quanto um imóvel ou um processo tão longo quanto um financiamento imobiliário, diante de um cenário de recessão econômica e inflação em alta.

Neste ano, as dificuldades do setor foram acentuadas com a escassez de financiamento. Para intensificar o combate à inflação, o Banco Central se apoiou num acentuado ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, que já está no patamar de 13,75%. O problema é que o rendimento da poupança, principal fonte de recursos para o crédito imobiliário, se tornou relativamente baixo em comparação com outros investimentos, levando a saques líquidos seguidos das cadernetas.

Vale lembrar também que o próprio enfraquecimento da economia fez com que os brasileiros tirassem dinheiro para pagar contas e outras obrigações. Na primeira metade de 2015, o total líquido resgatado da aplicação foi de R$ 38,542 bilhões, com um total de R$ 6,261 bilhões só no mês de junho. Nos dois casos, foram os maiores volumes dos últimos 20 anos para os períodos (mês de junho e primeira metade do ano), desde quando a instituição começou a compilar as informações disponíveis até hoje, em 1995.

Sem “funding”, a Caixa Econômica Federal, que encabeça essa linha de crédito, e outras instituições elevaram os custos dos empréstimos e restringiram a oferta. Para Jorge Rucas, diretor de Negócios da João Fortes, há poucas soluções para a falta de crédito imobiliário: a redução da Selic após uma melhora da economia ou o crescimento da participação de bancos privados. Já o papel das incorporadoras é “fazer uma análise profunda do crédito dos clientes e firmar parceria com bancos comerciais, para amenizar a situação do crédito”, avalia.

As medidas do governo para ajustar as contas federais são consideradas essenciais para a retomada do crescimento, mas algumas delas têm efeitos negativos no setor de imóveis, tornando ainda mais árida a situação no curto prazo. “Apesar do entendimento da importância dos ajustes, algumas medidas podem pressionar ainda mais as margens das empresas ou elevar os preços no futuro”, afirmou Renato Ventura, diretor executivo da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc).

Entre os “efeitos colaterais” está a revisão na política de desoneração da folha de pagamento da construção, que pode aumentar os custos da incorporação. O presidente do Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), Claudio Bernardes, afirmou em entrevista recente ao Broadcast que a medida poderia inviabilizar o lançamento de alguns projetos imobiliários.

Para Bernardes, as empresas não devem conseguir repassar todo o custo adicional para os preços dos imóveis e garantir, ao mesmo tempo, uma margem mínima de ganho sobre novos projetos. “Chega uma hora que a margem de lucro é tão pequena, por causa dos contínuos aumentos de custos, que não vale mais a pena operar”, disse.

Estoques – A pressão sobre as margens tende a acentuar a estratégia atual das incorporadoras, que já têm lançado poucos empreendimentos novos e se concentram na venda de estoques. Segundo Eduardo Muszkat, diretor executivo da incorporadora You,Inc, o volume de lançamentos deve ser reduzido para “adequá-lo a uma velocidade de vendas menor”. Já analista sênior de Relações com Investidores da Trisul, Michel Christensen, citou ainda que o mercado tende a realizar “ajustes na estrutura de despesas ante a geração de receita”.

O período até a reação poderá ser marcado também por campanhas de descontos, principalmente, nas vendas de empresas mais endividadas, que precisam de capital no curto prazo para saldar suas obrigações. Para Marcelo Motta, do JPMorgan, PDG e Rossi são casos que exemplificam os problemas decorrentes do alavancagem elevada. No fim do primeiro trimestre, a PDG tinha um índice de dívida líquida sobre patrimônio de cerca de 120%, enquanto a Rossi estava em um patamar de 110%.

Essas empresas devem perder espaço no mercado, pois precisam trabalhar para pagar dívida e acabam se concentrando apenas em acelerar as vendas. “A estabilização nesses casos deve ser, no mínimo, mais demorada”, acrescentou o especialista. No segmento de imóveis mais populares, há também a vulnerabilidade de companhias que trabalham com a faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, a exemplo da Direcional. O risco para essa categoria é o atraso de pagamentos às incorporadores participantes do programa e o ritmo de contratações de novas obras. O lançamento da terceira fase do MCMV está prometida para agosto, mas a expectativa é que o programa só volte a ganhar força em 2016.

Na contramão do resto mercado, há as empresas, como a MRV, que trabalham com imóveis mais populares e tem funding de crédito oriundo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “O setor de baixa renda tem liquidez e demanda, o que garante um bom momento do segmento, mas também pode sofrer com um futuro aumento do desemprego. É preciso acompanhar de perto as pressões”, disse Gabriel de Gaetano, analista do Besi Securities.