SP terá condomínio ‘gourmet’ no Minha Casa, Minha Vida

(Folha de São Paulo) – 22/05/15

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A capital de São Paulo ganhará, em junho, o primeiro empreendimento “gourmet” financiado pelo programa Minha Casa, Minha Vida.

Trata-se do “br caetano”, da incorporadora Bracon. Localizado na região central de São Paulo, na rua Caetano Pinto, no Brás, o condomínio contará com serviços como lavanderia, bicicletário e espaço para animais, para atender à nova classe média.

Serão 214 apartamentos, com tamanhos que vão de 29 m² a 39 m², que custam de R$ 171 mil a R$ 210 mil.

Nas áreas comuns, haverá academia, área externa para exercícios físicos, piscina, quadra, salão de festas, espaço gourmet e churrasqueira, entre outros atrativos. O valor do condomínio será R$ 189.

Haverá ainda serviços como os de hotel, que incluem mensageiro, arrumadeira e faxineira por R$ 75 mensais.

As vendas começam em junho. O projeto deve ser entregue em dezembro de 2017.

Poupança terá saque de R$ 50 bilhões em 2015 e afetará o crédito de imóveis

(DCI) – 21/05/15

A caderneta de poupança poderá ter resgates líquidos de R$ 50 bilhões em 2015 e afetar a formação de recursos para o financiamento imobiliário nos bancos. Até o último dia 14 de maio, os saques da caderneta somavam R$ 31 bilhões.

“Os recursos disponíveis para financiamento imobiliário são suficientes para todo o ano de 2015, sem a necessidade de funding adicional, mas há uma preocupação para 2016. Uma liberação de parte do compulsório, 5%, produz entre R$ 25 bilhões a R$ 27 bilhões em recursos”, sugeriu o presidente da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari Jr.

Atualmente, os bancos são obrigados a repassar até 65% (compulsório) dos depósitos em caderneta de poupança para operações de crédito imobiliário e do Sistema Financeiro da Habitação (SFH). “Com essa saída expressiva recursos da poupança, o sistema terá que se financiar de outra forma”, diz o executivo.

Lazari Jr. aponta que devido à restrição dos recursos, no máximo, o setor irá repetir os números de 2014 (R$ 114 bilhões) e no pior cenário um volume de financiamento imobiliário de R$ 100 bilhões em 2015, uma queda de 10%. “No primeiro quadrimestre do ano foram R$ 33 bilhões.”

Como tendência para o futuro, o presidente da Abecip acredita que cada vez mais, os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) serão direcionados para moradias populares (como as do programa Minha Casa Minha Vida); que os recursos da poupança ficaram mais restritos ao SFH para imóveis até o valor de R$ 750 mil.

“Já para imóveis acima de valor e empreendimentos comerciais terão que depender de outros instrumentos financeiros como as letras de crédito imobiliário [LCIs], os certificados de recebíveis imobiliários [CRIs] e de covereds bonds como a letra imobiliária garantida [LIG]”, disse.

O executivo aponta que a regulamentação da LIG pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) poderá ser divulgada até setembro próximo. “Os primeiros testes no mercado devem acontecer em 2016″, diz.

A letra imobiliária garantida (LIG), também chamada de covered bond brasileiro, foi criada em outubro de 2014 pela medida provisória n° 656 e será mais uma alternativa de formação de funding (recursos) imobiliário aos bancos.

Mas para o subsecretário de regulação do Ministério da Fazenda, Pablo Fonseca, a LIG, a exemplo da experiência com os CRIs e LCIs precisará de um tempo de maturação para gerar recursos adicionais ao mercado de crédito imobiliário. “Mesmo que a regulação fique pronta no CMN, vai demorar um tempo de maturação para se desenvolver, vão aparecer dúvidas que não se tinham. A LIG não é uma solução de curto prazo”, afirmou Pablo Fonseca aos participantes do 5° Seminário Abecip realizado ontem, em São Paulo.

Fonseca explicou que a LIG é um título de crédito emitido por instituições financeiras com dupla garantia, a do emissor e depois por um “pool” de ativos da carteira imobiliária, o prazo mínimo é de 2 anos.

Para o diretor comercial e de produtos da Cetip, Carlos Ratto, a LIG poderá ser emitida em moeda estrangeira. “Diferentemente do varejo em LCI, a LIG será produto voltado para investidores de maior porte, institucionais e estrangeiros.”

Caixa corta 20% do crédito para casa própria em 2015

(Folha de São Paulo) – 21/05/15

Deve chegar a R$ 25 bilhões a redução neste ano no valor destinado a financiar casas próprias pela Caixa Econômica Federal, maior financiadora habitacional do país.

O corte representa 20% do que foi desembolsado no ano passado. Será o segundo ano seguido de recuo nos desembolsos para a habitação do banco e o mais acentuado desde o início do ciclo de expansão nos financiamentos imobiliários em 2002.

O banco estima emprestar neste ano cerca de R$ 103,8 bilhões, já somando os financiamentos com recursos da poupança e aqueles com o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

mapa, grafico, fluxograma…

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A previsão inicial da Caixa era de, pelo menos, repetir neste ano o desempenho do crédito imobiliário em 2014, de R$ 128,8 bilhões (R$ 70,4 bilhões com o dinheiro da poupança e R$ 49,4 bilhões com FGTS e subsídios).

Mas as expectativas foram frustradas após a forte saída de recursos da caderneta de poupança. De janeiro a abril, a poupança teve saques de R$ 29,2 bilhões. A expectativa do setor é que a caderneta perca R$ 50 bilhões em depósitos neste ano, o que deve comprometer os financiamentos imobiliários no país.

Se a escassez de recursos persistir, as taxas cobradas dos mutuários podem chegar perto do teto de 12% mais TR, segundo executivos do banco estatal. Com essas taxas, a Caixa perde a vantagem em termos de custo em relação aos demais bancos, especialmente os privados.

Diante das limitações da poupança, a Caixa focou os novos empréstimos neste ano nos imóveis novos, com o objetivo de desovar os estoques das construtoras, e limitou o financiamento de usados.

Desde abril, o banco só financia até 50% do valor desses imóveis. O banco tem sido ainda mais seletivo na aprovação de financiamentos e priorizado imóveis de menos de R$ 400 mil.

JUROS MAIORES
Para viabilizar os novos empréstimos, a Caixa tem complementado o dinheiro disponível da poupança captando recursos por meio de LCI (Letras de Crédito Imobiliário), que pagam cerca de 80% do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro, que está em 13,14% ao ano).

O problema é que a remuneração está bastante acima da poupança, que tem pago menos de 8%.

Por esse motivo, a Caixa teve de elevar duas vezes neste ano as taxas de juros cobradas dos mutuários da habitação. No banco, estima-se que as LCI já respondem por 40% do dinheiro captado para financiar imóveis dentro do SFH (Sistema Financeiro da Habitação), que se utiliza do dinheiro da poupança e que tem juros tabelados de até 12% ao ano mais TR.

Para reverter a situação, bancos e construtoras querem que o BC libere pelo menos parte do depósito compulsório da poupança, que soma cerca de R$ 120 bilhões. O órgão, porém, é contra.

Construtoras reduzem lançamentos de imóveis em 2015

(Folha de São Paulo) – 19/05/15

Com menos brasileiros dispostos a comprar imóveis, seis das 13 maiores incorporadoras de capital aberto do país decidiram não lançar empreendimentos novos nos três primeiros meses do ano. A ausência de lançamentos de tantas empresas ao mesmo tempo num único trimestre não ocorria desde pelo menos 2007, segundo levantamento feito pela Folha. A pesquisa considerou as incorporadoras brasileiras cuja receita líquida superou R$ 100 milhões no trimestre.

De janeiro a março deste ano, Brookfield, Even, Tecnisa, Rossi, João Fortes e Rodobens optaram por permanecer com o mesmo portfólio. A última vez que mais de uma companhia da lista decidira não colocar à venda um novo empreendimento fora no primeiro trimestre de 2008. Ainda assim, apenas duas: Helbor e João Fortes.

Neste ano, o cenário mudou. Além do recorde de incorporadoras sem lançamentos, as que ofertaram novas unidades, decidiram reduzir o ritmo. A exceção foi a Gafisa, que aumentou marginalmente o número (veja quadro). No total, o grupo ofereceu ao mercado menos 14.662 imóveis, uma queda de quase 57% frente aos três primeiros meses de 2014.

“As empresas estão fazendo de tudo para tentar ajustar os estoques, que ficaram muito altos. Estoque elevado gera custo e elas precisam cortar”, diz Daniel Cobucci, analista do BB Investimentos.

Após a onda de aberturas de capital na Bolsa, entre 2006 e 2007, as incorporadoras investiram pesado em lançamentos. Capitalizadas, tentavam aproveitar o momento de bonança econômica.

A velocidade de vendas, contudo, começou a cair de 2012 para cá e a desistência de clientes, os chamados distratos, a aumentar. Quando isso acontece, a empresa tem de investir em propaganda e equipe de vendas até encontrar um novo interessado, o que aumenta seus custos.

Com a economia parada, o problema agravou-se neste ano. Se por um lado a confiança dos consumidores caiu, por outro, o governo restringiu o acesso ao crédito.

A Caixa Econômica Federal, que tem 70% do crédito imobiliário do país, subiu os juros duas vezes e aumentou a exigência de entrada para imóveis usados.

Estudo do Secovi-São Paulo, sindicato das empresas do setor imobiliário, mostrou que há 27.471 unidades à espera de comprador na capital paulista. Considerando o tempo médio de venda este ano, seriam necessários três anos e dois meses para que todas fossem adquiridas.

RESULTADOS
Para tentar acelerar as vendas, as empresas vêm concedendo descontos que chegam a 15%. Mas algumas incorporadoras, como Even e Rossi, já alertaram a seus investidores que, caso a demanda siga fraca, há chance de não lançarem mais nada até o final deste ano.

Com custos mais altos e tendo de baixar os preços, o lucro das companhias ficou menor. Das 13 analisadas, só MRV, Gafisa e Eztec tiveram resultado melhor que o do início de 2014. Três delas registraram prejuízos milionários (PDG, Brookfield e João Fortes). O lucro das 13, no total, caiu mais de R$ 400 milhões.

Para a Moody´s, o setor lançará menos e terá queda de 10% nas receitas.

No primeiro trimestre, outras incorporadoras como JHSF, CR2 e Viver também deixaram de lançar unidades.

Lucro da atividade de incorporação desaba no ano

(Valor Econômico) – 19/05/15

O desempenho do setor de incorporação despencou no primeiro trimestre, com retração de 97,9% no resultado líquido consolidado das companhias de capital aberto ante o mesmo período do ano passado, para R$ 8,4 milhões. O desempenho reflete a queda de 14,5% na receita líquida, para R$ 6,24 bilhões, a redução das vendas contratadas, os distratos elevados e as margens pressionadas de parte das empresas do setor.

Com o desempenho do trimestre, o grande volume de entregas previsto para o ano e a piora das condições de crédito para a produção e a compra de imóveis, a cautela das incorporadoras aumenta, e os lançamentos tendem a se retrair acima do que já era esperado. A retomada da melhora do resultado líquido e da receita do setor passa a ser ainda mais desafiadora.

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Não há consenso nas expectativas de quando o setor voltará a crescer. Há quem diga que, se a demanda por imóveis aumentar no fim de 2015 e as incorporadoras passarem a lançar mais, o reflexo nos balanços será sentido só em 2017. A receita do setor é composta pela média móvel dos lançamentos e das vendas dos últimos três anos. Desde 2012, o desempenho operacional do setor tem encolhido, situação que se repetirá neste ano.

No trimestre, as companhias lançaram, em conjunto, R$ 1,74 bilhão, 68,4% a menos do que no mesmo período de 2014. As vendas líquidas caíram 37%, para R$ 4,23 bilhões, pressionadas pelas rescisões. Durante a divulgação de resultados, as incorporadoras sinalizaram que o desempenho de vendas em março foi superior ao dos dois primeiros meses do ano.

Algumas incorporadoras de capital aberto ainda não lançaram nada neste ano, como Rossi Residencial, Tecnisa e Trisul. A Rossi já informou que não fará lançamentos no segundo trimestre e que pode não apresentar nenhum novo projeto neste ano, conforme estiverem as condições de mercado. Apenas a Tenda divisão de baixa renda da Gafisa lançou, no primeiro trimestre, mais do que o mesmo intervalo de 2014.

Em teleconferência para comentar os resultados do primeiro trimestre, o copresidente da Cyrela, Raphael Horn, afirmou que a companhia será “muito mais seletiva” em relação a lançamentos do que já estava nos últimos anos. Os lançamentos da Cyrela previstos para o segundo trimestre superam os do primeiro trimestre.

Seletividade, cautela e acompanhamento das condições de mercado têm sido palavras de ordens no discurso das incorporadoras nos comentários sobre decisão de lançamentos. É o caso da PDG Realty e da divisão Gafisa, entre outras. Há quem afirme que vai lançar menos do que em 2014, caso da Even. Já a MRV informou que mantém a expectativa de lançamentos e vendas em linha com os de 2014.

Apesar dos esforços das incorporadoras para diminuir estoques e da redução acentuada de lançamentos, o volume de unidades prontas e em via de serem concluídas continua elevado, por conta dos distratos, da desaceleração da demanda e da concentração da entrega de empreendimentos de algumas incorporadoras em cidades com menos liquidez de vendas.

Horn, da Cyrela, afirmou que a companhia busca “estoque pronto zero”, mas que ainda está muito longe da meta. O estoque de imóveis concluídos da maior incorporadora de capital aberto do país cresceu 17% em unidades no primeiro trimestre, ante o fim de 2014. “Cabe a nós aumentar os esforços para resolver este assunto”, disse o copresidente da Cyrela.

Cautela das companhias aumenta, e lançamentos tendem a se retrair no ano, acima do que já era esperado pelo mercado
No empenho para acelerar vendas, incorporadoras concedem descontos, oferecem melhores condições de pagamento e incentivos a corretores. Para parte do setor, os abatimentos de preços resultam em queda expressiva das margens. A PDG, por exemplo, teve margem bruta de 15,6% no trimestre, ante 21,1% um ano antes. A redução da margem da PDG resultou, principalmente, dos descontos concedidos, em março, na campanha de vendas “Na Ponta do Lápis”. Na Rossi, a queda foi de 17,9% para 9,4%.

A Helbor divulgou queda da margem bruta de 31,9% para 26,6% devido ao volume de distratos. A redução na Direcional Engenharia foi em patamar menor, de 23,3% para 21,1%. O vice-presidente da Direcional, Ricardo Ribeiro, disse que a companhia pode conceder descontos na venda de unidades de projetos específicos, mas sem “machucar” a margem bruta.

O foco na venda de estoques prontos e quase concluídos e a redução de lançamentos e da compra de terrenos têm possibilitado a geração de caixa pelo setor. Mesmo assim, algumas incorporadoras continuam com alavancagem muito elevada.

A PDG registrou sua maior geração de caixa operacional, de R$ 410 milhões, no trimestre e, no fim do período, tinha alavancagem medida pelo indicador dívida líquida sobre patrimônio líquido de 128%, abaixo dos 133,9% de dezembro. A Tecnisa teve geração de caixa de R$ 91 milhões e encerrou março com alavancagem de 115%, registrando a quarta queda trimestral consecutiva desse patamar. A Rossi, que gerou caixa de R$ 121,8 milhões, fechou o trimestre com dívida líquida sobre patrimônio líquido de 110,9%.

As recentes mudanças no crédito imobiliário tornam ainda mais difícil o reaquecimento do mercado imobiliário. O crédito está mais caro e mais difícil para as incorporadoras e para o comprador. Na ponta da produção, a Caixa Econômica Federal informou às empresas que fechou a torneira para o financiamento de novos projetos. Os bancos privados não seguiram o movimento, mas aumentaram juros e estão mais cautelosos para conceder crédito.

O aumento das taxas de juros para os compradores tende a elevar o número de distratos, pois o enquadramento das prestações à renda do consumidor fica mais difícil. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela, Eric Alencar, os bancos têm aprovado os repasses dos recebíveis dos clientes, mas companhia avalia a possibilidade de voltar a financiar clientes após a entrega das chaves dos empreendimentos.

Outra preocupação do mercado é com a menor diluição das despesas gerais e administrativas na receita das incorporadoras, em um ambiente de menos atividade operacional. Apesar dos cortes de pessoal que vêm sendo anunciados, o indicador continua pressionando os resultados, pois não é possível, devido ao ciclo longo do setor, reduzir o número de funcionários em algumas áreas, como a de repasses, neste momento de muitas entregas de empreendimentos.

Minha Casa Minha Vida deve ser atingido por corte orçamentário

(Estadão) – 18/05/15

O corte de R$ 78 bilhões no Orçamento de 2015 sugerido pelo Ministério da Fazenda certamente incidirá sobre investimentos e não poupará programas prioritários, obrigando o governo a rever metas, conforme integrantes do alto escalão do governo Dilma Rousseff. Uma das principais vitrines das gestões petistas, até o Minha Casa Minha Vida deve ser atingido pelo congelamento de despesas, que visa ao cumprimento da meta de superávit primário. Incomodados com a severidade do bloqueio previsto, ministros pressionam o Planalto para, ao menos, salvar suas pastas da paralisia, mantendo as ações essenciais.

Neste domingo, a presidente Dilma Rousseff se reúne com os ministros da junta orçamentária (Casa Civil, Planejamento e Fazenda) para debater o tamanho do contingenciamento, que tem de ser anunciado até sexta-feira (22). No encontro, os ministros vão analisar o peso das modificações promovidas pela Câmara nas medidas provisórias do ajuste fiscal e trabalharão com possíveis cenários para a votação do projeto de lei que revê a política de desoneração da folha.

Se os deputados também flexibilizarem as regras da proposta, que será analisada pela Câmara na quarta-feira, a tendência é que a “tesourada” radical seja confirmada, disseram ao Broadcast auxiliares da presidente. A previsão inicial da Fazenda era de economizar R$ 5,35 bilhões em 2015. Conflitos com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atrasaram a tramitação da proposta no Congresso e já obrigam o governo a refazer a projeção.

O Planalto dá como certo que a severidade do bloqueio causará reações não só na base aliada, mas também dos ministros de Dilma, que lutam para preservar seus projetos prioritários.
“No atual cenário, é difícil algum programa ficar a salvo inteiramente”, admitiu um ministro, para quem não será possível restringir o corte apenas ao custeio da máquina pública. “No nosso orçamento, infelizmente, é no investimento onde há espaço para cortar.”

O impacto no Minha Casa Minha Vida deve ser sobre novos contratos, previstos na terceira fase do programa, anunciada na campanha de 2014 pela presidente Dilma. O esforço do governo será o de preservar contratos em vigor.

Outro titular da Esplanada afirmou que o governo vai cumprir a promessa de manter os programas sociais, mas será necessário revisar metas, que não deverão ser implantadas na “intensidade” e na “velocidade” do primeiro mandato. Além do contingenciamento de despesas, o ministro Joaquim Levy também pressiona por aumentos em taxas de juros de algumas linhas de crédito subsidiadas. Uma das ações que está na mira da Fazenda é o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que, segundo revelaram técnicos da Fazenda, deverá sofrer “ajustes”.

Infraestrutura
Na área de transportes, a expectativa é de que o pacote de concessões a ser anunciado alivie o peso político do corte no orçamento, que deve afetar investimentos do governo na construção de novos trechos rodoviários e ferroviários. No projeto de orçamento para este ano, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec dividiriam R$ 12,461 bilhões para construção, adequação e manutenção de estradas e trilhos.

De acordo com uma fonte da área, como o corte ainda não foi divulgado, não é possível ainda dizer quais projetos serão mais afetados, mas os gastos com manutenção das vias devem ser preservados. No caso das rodovias, dos R$ 9,872 bilhões previstos no orçamento federal para o modal de transportes, R$ 3,607 bilhões estão listados como manutenção. Os outros R$ 6,265 bilhões previstos em obras de adequação e construção de novos trechos estariam mais vulneráveis ao corte.

No transporte ferroviário, o orçamento já é menor – de R$ 2,589 bilhões – e diz respeito principalmente a três obras do PAC que tem grande importância para o governo, que são as ferrovias Norte-Sul e Transnordestina, além da ferrovia de integração Oeste-Leste. O Ministério dos Transportes ainda teria mais quase R$ 1,1 bilhão para obras voltadas para o escoamento de cargas pela água, sendo R$ 400 milhões para hidrovias e R$ 696 milhões para o transporte marítimo.

Construção deve ter pior ano desde 2003, com juros altos e gasto menor

(Folha de São Paulo) – 17/05/15

A construção civil enfrenta seu pior momento em mais de dez anos, depois de um período de crescimento acelerado, em que foi beneficiada pela expansão do crédito e da renda e por programas de investimento do governo.

A alta dos juros, aliada a uma retraçáo dos gastos públicos, abalou a demanda por imóveis e empreendimentos de infraestrutura (veja gráfico abaixo). Nos últimos meses, o quadro foi agravado pela fuga de recursos da poupança, principal fonte de financiamento para moradia.

Neste ano, o PIB do setor vai encolher 5,5%, no pior desempenho desde 2003, projeta Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção da FGV/lbre.

Segundo a economista, a retraçáo, se confirmada, vai gerar uma queda de 0,3 ponto percentual do PIB nacional.

Com o fim do ciclo de crescimento que teve seu auge em 2012, já haveria um ciclo de ajustes. Com o cenário económico mais complicado, esse ajuste pode se prolongar.”

Se há pouco mais de um ano a construção civil era vista como um símbolo dos gargalos de crescimento do Brasil, dada a escassez de mão de obra especializada no setor, hoje é um dos setores que lideram as demissões no país.

Nos primeiros três meses do ano, as construtoras cortaram 50 mil vagas formais de trabalho. Em 12 meses, foram 250 mil postos fechados.

No primeiro trimestre, os empréstimos com dinheiro da poupança tiveram a primeira queda para o período desde 2002. A Caixa, maior agente financeiro na área, elevou o percentual de entrada para obtenção desses empréstimos e colocou os clientes interessados em uma fila de espera.

Os juros subiram de 7% para 9% anuais nos últimos dois anos. O valor dos imóveis, que aumentar acima de inflação entre 2006 e 2011 , apresentou rentabilidade abaixo do índice de preços ao consumidor nos 12 meses até fevereiro.

RETOMADA
Economistas e construtoras não preveem crescimento das contratações até o fim do ano. A avaliação é que o mercado vai seguir em dificuldade enquanto durar a fase mais austera do ajuste fiscal e monetário do governo.

Depois, é esperada uma retomada dos financiamentos, em ritmo menor que o verificado entre o fim do governo Lula e o inicio do de Dilma. “Chegamos ao fundo do poço, mas a tendência é de uma retomada na sequência”, diz José Carlos Martins, presidente da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), destacando a importância de o governo definir o quanto antes investimentos que pretende fazer no Minha Casa, Minha Vida e também regras para as novas concessões.

O governo deve lançar em julho mais uma etapa do Minha Casa, Minha Vida. Também estão em estudo medidas para destravar financiamentos habitacionais para as classes média e alta.

O diretor-executivo da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), Renato Ventura, diz que a recuperação vai depender do fim do ajuste promovido pelo governo e da melhora nas condições de crédito e na confiança do consumidor. “Em algum momento esse ciclo vai se reverter. A demografia do país faz com que seja necessário construir mais imóveis. Tem gente que acha que será no segundo semestre e gente que acha que vai demorar um pouco mais.”

Para Octavio de Lazari Junior, presidente da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), o setor não pode ter taxas de crescimento acima de 30% ao ano, com se verificou até 2012.

Uma expansão entre 5% e 10% nesse crédito é algo saudável e suficiente para atender à demanda por imóveis.

Os executivos defendem a adoção de medidas emergenciais, como a liberação de parte do dinheiro da poupança retido no BC (compulsório) e o uso do FGTS para imóveis acima do limite de R$ 190 mil, neste momento mais difícil.

Enquanto isso, esperam mais demissões e redução da oferta de crédito e de imóveis. Descartam, no entanto, uma crise de queda de preços, quebra de empresas ou estouro de inadimplência.

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Estacionamento solar brasileiro se torna o maior do país ao gerar 22 MWh de energia

(FSB Comunicação – Blog AEC) 15/05/2015

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Um estacionamento solar projetado dentro da sede do grupo Enel, em Niterói (RJ), tornou-se o maior do país ao alcançar a marca de 22 MWh de geração de energia solar em apenas quatro meses de funcionamento. O volume é suficiente para abastecer simultaneamente cerca de 30 residências com consumo médio de 155 kWh/ mês.
A geração solar evitou a emissão de 13 toneladas de CO² na atmosfera – o que seria emitido por mês, em média, por 13 carros que percorrem 17 quilômetros por dia. Para transformar essa quantidade de carbono e não despejá-la na atmosfera seria necessário o plantio de aproximadamente 76 árvores.  Além disso, a produção do estacionamento solar representou, até agora, uma economia de 26 milhões de litros de água, que seriam utilizados caso essa quantia de energia fosse gerada por hidrelétricas.
O projeto consiste na instalação de 175 painéis solares em uma área de 260 m², que comporta 20 carros. A energia gerada pelas placas tem abastecido o próprio prédio da companhia.
O estacionamento solar foi idealizado pela Prátil, empresa de serviços do grupo, do qual também faz parte a distribuidora de energia Ampla. Apenas quatro meses após sua implantação, o grupo tornou-se o maior do Brasil em geração distribuída, modalidade que permite a geração de energia para consumo próprio. Caso haja excedente, este pode ser compartilhamento com o sistema elétrico, de acordo com a Resolução 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Crédito/fonte da foto: Divulgação
Fonte do post: FSB Comunicação

Bancos privados acompanham Caixa e elevam juros da casa própria

(Folha de São Paulo ) – 15/05/15

Diante de recursos cada vez mais escassos da poupança, principal fonte de financiamento da habitação, os bancos que ainda têm dinheiro para financiar a compra da casa própria estão cobrando juros mais altos e exigindo condições mais rigorosas para a aprovação de crédito.

Entre as grandes instituições, Bradesco, Itaú e Santander reajustaram as tabelas em relação às taxas cobradas no mês passado, quando a Caixa Econômica Federal subiu pela segunda vez no ano os juros e reduziu o percentual máximo de financiamento de imóveis usados para 50% do bem.

No Itaú, o percentual máximo de financiamento foi reduzido de 80% para 70%. O banco não informou as taxas, mas corretores de crédito imobiliário afirmam que o banco também mexeu nos juros.

O Bradesco elevou a chamada taxa de balcão para o financiamento de imóveis de até R$ 750 mil de 9,6% para 9,8% mais TR (Taxa Referencial), enquanto no Santander os juros informados passaram de 9,6% para 10,1% mais TR. As taxas de balcão são uma referência do banco, que pode elevá-las ou reduzi-las de acordo com o relacionamento com o cliente.

Na semana passada, o Banco do Brasil anunciou aumento de 9,9% para 10,4% ao ano mais TR para os imóveis até R$ 750 mil. O aumento vale a partir da segunda (18).

Um dos motivos alegados pelos bancos para elevar os juros é o aumento da taxa Selic, os juros básicos do país. Além de influir no retorno da poupança, a alta dos juros eleva o custo de captação por meio de LCI (Letras de Crédito Imobiliário), que pagam um percentual das taxas de mercado.

No BB, as LCI respondem por 41% dos recursos captados para habitação.

Governo prepara pacote habitacional, mas inflação e ajuste limitam alcance

(Estadão) – 15/05/15

Para amenizar a falta de dinheiro para financiamento imobiliário, o governo deverá buscar recursos no FGTS e liberar depósitos retidos no Banco Central, mas em volume menor do que o pedido pelas construtoras, para não pressionar a inflação

O governo prepara um pacote de medidas para resolver a questão da falta de recursos para os financiamentos imobiliários. Falta determinar qual o tamanho exato dos mecanismos para não comprometer dois pontos cruciais para a equipe econômica de Dilma Rousseff: o combate à inflação e o ajuste fiscal.

O mais provável é que sejam adotadas ações propostas tanto pelo Banco Central como pela Caixa, a principal prejudicada com os saques recordes da poupança. A Caixa ficou praticamente sem recursos para financiar a compra de imóveis avaliados em até R$ 750 mil.

“Esse conjunto de medidas – porque não basta apenas uma – é importante para mantermos o crédito imobiliário no País. Isso vai ser muito proximamente resolvido”, disse a presidente da Caixa, Miriam Belchior.

Liberação de recursos. O Estado apurou que o BC sugeriu liberar uma parte dos 20% dos recursos da poupança que os bancos são obrigados a deixar na instituição (chamados de depósitos compulsórios), desde que os bancos usem esse dinheiro para conceder financiamentos a casas populares.

Essa prerrogativa, que já foi adotada para o setor automobilístico, é importante para não aquecer a economia como um todo e dificultar o combate à inflação. Mas não há hipótese, segundo fontes ouvidas pela reportagem, de o BC liberar os R$ 44,3 bilhões de compulsórios como as construtoras pediram.

Ao mesmo tempo, o BC deve apertar a fiscalização para que os bancos apliquem realmente os 65% dos depósitos das cadernetas nos financiamentos de casas próprias. Isso porque as instituições conseguem burlar essa regra com o uso de títulos e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). Na prática, o dinheiro da poupança, que era para ser usado na construção de casas, também financia imóveis comerciais.

Se os bancos privados, que ainda têm “gordura” para queimar, não quiserem seguir a nova flexibilização, eles podem ceder esses recursos mais “baratos” para os bancos menores, que assumiriam os riscos dos empréstimos.

Já a Caixa trabalha para que o conselho curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) libere uma parte maior do orçamento para esses financiamentos. Isso faria com que se pudesse ampliar o valor dos imóveis que podem ser financiados pelo fundo e cobrar taxas menores. Hoje, o limite é de R$ 190 mil para imóveis nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio e no Distrito Federal. A ideia é ampliar para financiamentos de até R$ 300 mil a R$ 400 mil. A preocupação é que esse dinheiro não pode ser usado para financiar imóveis muito caros, o que seria uma distorção na função de distribuição de renda do FGTS.

Em meio à contenção dos gastos e sem poder fazer novos aportes no banco estatal, não restou outra alternativa ao governo do que recorrer ao FGTS. Dessa forma também se evita o “patrimonialismo” de subsidiar um setor com dinheiro público, recorrentemente criticado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Catástrofe. O governo acredita que as construtoras e imobiliárias estão aproveitando a falta de recursos com o saque da poupança para pintar um cenário catastrófico. “Mesmo que não houvesse esse problema de fonte de recursos, haveria um desaquecimento do mercado que o governo considera saudável, porque estava muito acelerado”, disse uma fonte, sob condição de anonimato. “O setor quer amenizar um impacto comercial que já estava previsto.”

“Uma coisa é pousar o Boeing. Outra é desligar as turbinas quando o avião está nas alturas”, rebateu Ronaldo Cury de Capua, vice-presidente de habitação popular do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP). Para ele, as medidas aliviam no curto e médio prazo porque o grosso da falta de recursos é para financiamento de imóveis de R$ 300 mil a R$ 400 mil. “Liberando um pouco do compulsório e deixando o FGTS financiando essa faixa de imóveis, resolveria o problema. Isso é suficiente para agora, mas não podemos desistir de criar uma nova fonte de recursos para longo prazo.”

Os integrantes do governo que discutem o problema da falta de recursos para esses financiamentos defendem que a Caixa adote medidas para diversificar as fontes de recursos para o crédito imobiliário. Como esse é o carro-chefe da Caixa, a captação de recursos com custo maior – como a letra de crédito imobiliária (LCI) – vai comprometer a rentabilidade do banco, o que preocupa o governo, uma vez que a União é a única acionista da instituição.