Queda do volume da poupança levará à expansão o mercado de recebíveis

(DCI) – 03/09/15

A queda do volume de recursos depositados em caderneta de poupança poderá incentivar o mercado de certificados de recebíveis no médio prazo, mas o elevado patamar de juros reais (mais de 7% ao ano) no curto prazo atrapalha esse processo de expansão.

Na avaliação do diretor de relações com investidores (RI) da Barigui Securitizadora, Paulo de Paula Abreu, para voltar a crescer, o mercado de certificados de recebíveis terá que encontrar um equilíbrio nas taxas, entre a pretensão do investidor do mercado de capitais em receber, e o quanto o tomador dos recursos estará disposto a pagar. “Na medida em que esse funding [recurso para financiamento] vinculado à caderneta de poupança diminui, a tendência é que se vá buscar outras fontes de financiamento, entre os quais, o segmento de recebíveis”, aponta.

De acordo com dados do relatório do Banco Central, desde o início do ano, o saldo em cadernetas de poupança recuou mais de R$ 21 bilhões, do montante de R$ 662,72 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 641,63 bilhões em 26 de agosto de 2015.

Ao mesmo tempo, o estoque em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) aumentou cerca de R$ 3,04 bilhões, do volume de R$ 55,7 bilhões em dezembro para R$ 58,74 bilhões em 26 de agosto último.

Na mesma base de comparação, o volume de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) evoluiu R$ 1,68 bilhão para o estoque de R$ 3,72 bilhões ao final de agosto, ante R$ 2,04 bilhões em dezembro.

Em resumo, enquanto o funding da poupança caiu mais de R$ 21 bilhões até o momento, o mercado de recebíveis (CRIs e CRAs) mostrou um avanço de mais de R$ 4,7 bilhões.

Mas segundo Abreu, o ano de 2015 – em particular – será um período de transição para o mercado de securitização. “Até 2014, esse mercado estava muito calcado em operações corporativas, ou seja, eram estruturas de financiamento corporativo, ou voltadas para grandes grupos, ou para shoppings ou para centros logísticos”, lembrou o diretor.

Mas agora, ele diz que o sistema financeiro de habitação (SFH), basicamente movido com recursos da caderneta de poupança está num processo de constrangimento e de redução de volume muito forte. “Isso reduz a oferta de crédito imobiliário no mercado”, diz.

Por outro ângulo, Abreu constata que o mercado de recebíveis hoje está fazendo muito menos operações corporativas do que fazia antes. “Seja por uma mudança na legislação, seja porque o apetite de investimento das empresas é muito menor do que no ano passado”, observa o diretor.

Quanto ao horizonte de médio prazo, ele vê potencial no mercado de recebíveis pulverizados. ” O financiamento de aquisições imobiliárias tende a crescer na medida que o funding prioritário para essas transações, que é o dinheiro vindo a caderneta de poupança está passando um processo de redução”, afirma.

O diretor admite que o problema atual para a estruturação de operações de recebíveis são os juros altos. “Dos mais de R$ 600 bilhões na poupança, se tem alocado em financiamento imobiliário entre R$ 350 bilhões a R$ 400 bilhões. A origem desse recurso é a aplicação em poupança que rende 6,17% ao ano mais a TR [taxa referencial, calculada com base na diferença de rentabilidade dos 20 principais CDBs]. É uma taxa muito baixa, e esse funding sai na forma de financiamento imobiliário com taxas entre 8% ao ano a 12% ao ano, mais TR, que está em torno de 1%”, compara.

Já o mercado de certificados de recebíveis (CRIs e CRAs) reúne recursos de R$ 62,46 bilhões, ou seja, tem uma menor participação no financiamento imobiliário e do agronegócio. “Para o investidor que irá aportar em CRI, o custo de oportunidade dele é outro. Ele vê uma aplicação de longo prazo como a NTN-B [Tesouro Inflação], um título público indexado ao IPCA, que hoje paga a inflação mais 7% ao ano, e pedirá uma remuneração maior no CRI”, conta.

Na argumentação dele, enquanto essa oferta de poupança era abundante, ninguém ia para o mercado de CRI, pois o dinheiro da caderneta era mais barato. “Mas como a oferta de funding de poupança está restrita, quem precisa de dinheiro, vai pagar o preço que o mercado pedir, e irá buscar o investidor de CRI, assumindo que terá que pagar uma taxa maior de juros”, observa.

Ofertas em análise – Na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) há oito ofertas públicas de certificados de recebíveis em análise pelo regulador no montante de R$ 1,33 bilhão, sendo 5 ofertas de CRIs (Octante Securitizadora, RB Capital Securitizadora, Acrux Securitizadora e Brazilian Securities) e 3 de CRAs, da Eco Secutizadora de Direitos Creditórios do Agronegócio.

No ano até o final de julho último, a Anbima registra 64 operações de certificados de recebíveis, ante 66 realizadas em igual período de 2014. Em volume emitido, no entanto, houve uma queda de 35,4% para R$ 5,638 bilhões frente ao valor de R$ 8,738 bilhões em igual período do ano passado.

Preço médio dos imóveis cai pela primeira vez desde 2008

(Exame) – 03/09/15

O preço médio do metro quadrado dos imóveis anunciados para venda registrou baixa de 0,01% entre julho e agosto deste ano, segundo o Índice FipeZap, que acompanha a variação de preços do mercado imobiliário de 20 cidades brasileiras. Essa é a primeira queda nominal registrada pelo índice desde sua criação, em janeiro de 2008.

O índice mostra o comportamento dos preços dos imóveis anunciados para venda na internet, mais especificamente no site Zap Imóveis. Por isso, ele serve apenas como um indicador e pode não refletir exatamente as variações nos preços das regiões analisadas.

Nos sete primeiros do ano, o índice registra alta de 1,50%. Como a inflação esperada pelo IBGE para o IPCA no mesmo período é de 7,1%, é possível dizer que o metro quadrado dos imóveis apresenta uma queda real de 5,2% entre janeiro e agosto.

A queda real é registrada quando o preço de um determinado bem, como é o caso dos imóveis, registra variação inferior à alta generalizada de preços, medida por índices inflacionários, como o IPCA.

Nos últimos 12 meses encerrados em agosto, a variação nos preços foi de 3,32%, o que representa uma queda real de 5,69% no período, já que a inflação esperada para o mesmo intervalo é de 9,56%, segundo estimativas do IBGE. Essa foi a oitava vez seguida que o indicador apresentou queda real nessa base de comparação.

Nesta semana foi divulgado também o Boletim FipeZap, relatório trimestral também elaborado pela Fipe e pelo Zap Imóveis, que faz uma análise mais aprofundada sobre o cenário do mercado imobiliário. De acordo com o boletim, as projeções indicam que em junho de 2016 os preços dos imóveis devem retornar ao patamar de 2011 (confira os dados do relatório).

Em baixa
Além do resultado geral, entre agosto e julho, seis das 20 cidades acompanhadas pelo índice apresentaram queda nominal individualmente: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Niterói e Goiânia.

Nenhuma das cidades registrou variação superior à inflação no acumulado de 2015, ou seja, todas registraram queda real no período.

O valor médio do metro quadrado anunciado nas 20 cidades em agosto de 2015 foi de 7.613 reais. A cidade mais cara continua sendo o Rio de Janeiro, cujo metro quadrado médio ficou em 10.593 reais, seguida por São Paulo, onde o preço médio registrado foi de 8.607 reais.

Os dois municípios que apresentaram os menores preços foram Contagem, com média de 3.575 reais e Goiânia, com preço médio de 4.179 reais.

Veja, na tabela a seguir, a variação dos preços dos imóveis à venda nas 20 cidades acompanhadas pelo FipeZap. A lista foi ordenada da maior para a menor variação de preços em agosto.

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Suíça conclui a perfuração do túnel mais longo do mundo, com 53 km de extensão até a Itália

(Portal PINIweb) – 31/08/15

Túnel de Base de Gothard foi construído a dois mil metros abaixo do solo nos Alpes Suíços para abrigar instalações ferroviárias

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Após 15 anos desde o início das obras, foram concluídos na última semana os serviços de perfuração do Túnel de Base de Gothard, nos Alpes Suíços, com 57 km de extensão. A estrutura, que abriga instalações ferroviárias e liga as cidades de Zurique, na Suíça, e Milão, na Itália, desbancou o Seikan Tunnel, no Japão, com 53 km, e é agora o maior túnel do mundo.

O empreendimento, que foi construído a dois mil metros abaixo do solo para modernizar o túnel já existente de 15 km de extensão, está orçado em mais de 12 bilhões de francos suíços, o equivalente a 12,58 bilhões de dólares.

A partir de 2016, quando entrará em operação, o túnel poderá receber até 300 comboios, sendo que os comboios de passageiros poderão circular a uma velocidade de 250 km por hora, e as composições de carga atingirão 160 km por hora, o dobro da velocidade atual.

A previsão é de que a viagem entre Zurique e Milão seja feita em menos de duas horas. Segundo a estatal suíça CFF, mil pessoas serão selecionadas em janeiro para fazer a primeira viagem no novo túnel.

As obras mobilizaram 2.500 trabalhadores diretos, sendo que oito foram mortos em acidentes durante os trabalhos.

PDG renegocia data de pagamento de debêntures que ocorreria nesta terça-feira

(IstoÉ Dinheiro) – 01/09/15

A PDG Realty, que passa por um processo de reestruturação de dívidas, informou que a assembleia geral de debenturistas de sua 1ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, aprovou por unanimidade a rolagem da data de pagamento da primeira parcela da amortização das debêntures, que iria ocorrer nesta terça-feira, 1, para 10 de outubro deste ano.

Foi aprovada ainda a alteração da data de pagamento da remuneração das debêntures da emissão, a ser paga juntamente com a primeira parcela de amortização das debêntures, também prevista anteriormente para hoje, para 10 de outubro próximo.

Recentemente, a companhia contratou assessores financeiros para direcionar o processo de reestruturação de dívidas, o que resultou num temor no mercado com relação à sua saúde financeira. Para se ter uma ideia, o papel, que atualmente vale alguns centavos, acumula queda de cerca de 90% neste ano. Há pouco, operava estável, a R$ 0,09. A PDG Realty tinha por desafio amortizar um montante de dívida corporativa de aproximadamente R$ 1,358 bilhão apenas na segunda metade deste ano.

A empresa escolhida pela PDG nessa empreitada foi a Rothschild, cuja contratação marcou a primeira mensagem pública da nova diretoria da incorporadora. Márcio Tabatchnik Trigueiro e Maurício Fernandes Teixeira assumiram os cargos de diretor presidente e diretor vice-presidente financeiro.

De acordo com o ITR do segundo trimestre deste ano, na análise da composição de debêntures a pagar por vencimento, o valor referente à primeira emissão com prazo de 2015 era de R$ 79,450 milhões, com um saldo total a pagar de R$ 266,950 milhões (considerando todos os anos de vencimento).

Even cria “test drive” para imóvel

(Exame) – 28/08/15

As pessoas testam carros, degustam vinhos e experimentam sapatos antes de comprar. Por que não fazer o mesmo com o imóvel onde vão passar anos de suas vidas?

Para oferecer aos clientes a experiência de testar como é morar em um apartamento da Even, a construtora lança o Test Life, uma espécie de test drive de imóveis.

Criada pela mcgarrybowen, o programa permite que os possíveis compradores usufruam dos apartamentos e das áreas comuns como se fossem moradores, sem a presença de um corretor ou qualquer pessoa da empresa.

Os interessados podem escolher um jantar do Paris 6, usufruir do salão de festas para assistir a um jogo de futebol, degustar queijos e vinhos na sala de um apartamento, participar de um churrasco na área social e até assistir a pockets shows com artistas famosos. Ou ainda aprender dicas de organização com uma Personal Organizer.

Além do investimento para montar os apartamentos decorados, a campanha terá o suporte de inserções nas rádios Alpha, Nova Brasil, 89 FM, BandNews e Antena 1, mídia impressa com página dupla ou tripla em jornais, além da sobrecapa especial na revista São Paulo.

A ação também marcará presença em mídia digital com filme no Youtube e redes sociais.

Para saber mais basta acessa o hotsite (http://www.testlife.com.br/) e conhecer o regulamento.

Propostas na Câmara querem desestimular o uso do carro em Curitiba

(Gazeta do Povo) – 28/08/15

Nove das 27 emendas apresentadas ao novo Plano Diretor estão em linha com o planejamento da prefeitura para desestimular grandes deslocamentos pela cidade

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Uma cidade na qual o cidadão possa optar por deixar o carro em casa, ou em algum ponto próximo dela durante a semana. Ir trabalhar a pé, de bicicleta ou de transporte público confortavelmente e sem risco de se atrasar. E ainda por cima poder andar no centro em vias de trânsito calmo e sem grandes engarrafamentos.

Esse é o cenário imaginado pelo novo Plano Diretor de Curitiba, que recebeu 27 emendas até o momento nas discussões ocorridas na Câmara Municipal – nove delas para melhorar ou diminuir os deslocamentos na cidade.

O texto está sendo discutido pelos vereadores desde o início de março. De lá para cá, foram realizadas cinco oficinas temáticas. Agora, ele passa pela Comissão de Urbanismo, Obras Públicas e Tecnologias de Informação, e deve receber emendas até o próximo dia 10 de setembro. Na semana seguinte, a Câmara realizará uma nova audiência pública que antecederá a votação do projeto em dois turnos, antes de ele seguir para sanção do prefeito.

As emendas apresentadas pelos vereadores na área de mobilidade pretendem criar o bilhete único com integração temporal na cidade, dar um prazo de três anos para formação de uma rede de compartilhamento de bicicletas e incentivar a construção de estacionamentos próximos aos terminais de ônibus, com a possibilidade de o usuário pagar com o cartão transporte e obter desconto caso se integre ao transporte público.

Há também uma proposta para impulsionar novas áreas comerciais na cidade, permitindo a construção de um andar a mais além do permitido pelo zoneamento, desde que metade do pavimento térreo atenda ao comércio. Essa proposta vai ao encontro da ideia do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) de o cidadão poder escolher não fazer grandes deslocamentos. O instituto quer adensar e verticalizar a cidade ao longo de novos eixos estruturantes, com ocupações nos moldes da Avenida Sete de Setembro.

Apesar de o Ippuc ainda não ter divulgado quais serão essas vias, a Gazeta do Povo localizou algumas das mais prováveis em reportagem publicada em julho passado.

Outra emenda deve diminuir a quantidade de carros no centro, mas não sem causar polêmica. Os vereadores propõem a descentralização da Rodoferroviária de Curitiba – algo apontado como positivo por especialistas em mobilidade urbana e tendência nas grandes cidades. Mas, sob o pretexto da realização da Copa do Mundo, a cidade acabou de investir mais de R$ 47 milhões em uma reforma no local e em seus acessos.

Para o vereador Jony Stica, o Plano Diretor é a possibilidade de Curitiba voltar a inovar antes que o caos se instale. “A cidade tem um acréscimo de 50 mil carros por ano e isso vai gerando congestionamentos. Ou Curitiba mantém uma política de inovação que era característica do passado ou a cidade vai ficar caótica. E o plano diretor vem para resolver isso.”

Aluguel de bike vira emenda no Plano Diretor
O Plano Diretor é o instrumento que planeja a cidade para os próximos dez anos. Pode parecer estranho uma emenda propor o aluguel de bicicletas. Mas o histórico de Curitiba mostra que a proposta tem lá o seu valor. Curitiba nunca teve um sistema consolidado. A última tentativa, iniciada ainda na gestão Luciano Ducci, concluiu a licitação de três bicicletários que estavam abandonados. Mas também não deu certo. Os espaços foram sendo desativados ao longo dos últimos anos devido a um desacordo comercial entre a concessionária e a prefeitura.

Para o vereador Jonny Stica, autor da emenda, os projetos não prosperaram porque o sistema não foi pensado em rede. “Nunca houve uma política de indução à bicicleta. Mobilidade só funciona se tiver rede. Em Paris, a cada 300 metros há um ponto. Somente assim a iniciativa privada topa irá participar, diminuindo os riscos de investir em um projeto que possa falir.”

Pela emenda, seriam instalados pontos de bike sharing em um sistema compartilhado nos terminais de ônibus, principais pontos turísticos e locais de interesse. O prazo para implantação é de três anos após a promulgação da lei.

Jovens brasileiros ainda não aderiram ao ‘kuruma banare’
Tendência entre jovens de países mais desenvolvidos, o ‘kuruma banare’ – expressão em japonês que define a ‘desmotorização’ – ainda está longe de se massificar no Brasil. O país viu sua frota de veículos praticamente dobrar entre 2005 e 2015 – chegando a 49 milhões de automóveis particulares em julho deste ano.

Em Curitiba, nos últimos dez anos, a frota cresceu 63% — ultrapassando a marca de 1 milhão de automóveis. Proporcionalmente, há mais carros por habitantes na capital paranaense do que em São Paulo – onde há 5,2 milhões de automóveis para 11,8 milhões de pessoas. Reportagem publicada em dezembro de 2012 pela revista Super Interessante já mostrava a tendência de desmotorização dos jovens de países europeus, asiáticos e até dos Estados Unidos, onde a indústria automobilística sempre foi das mais respeitadas.

De acordo com a publicação, de 2001 a 2009, os jovens dirigiram 23% menos, andaram 24% a mais de bicicleta, 16% a pé e 40% de transporte público. A revista conclui que a crise econômica global contribuiu para isso, mas também há a percepção de que os jovens querem viver mais experiências, como viagens e shows, do que adquirir bens materiais.

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As perspectivas (sombrias) para o crédito habitacional

(Abecip) – 24/08/15

De janeiro a julho deste ano a poupança apresentou sucessivas perdas de captação líquida, com redução do estoque de R$ 522,3 bilhões, em dezembro de 2014, para R$ 504,6 bilhões em julho de 2015. Isto indica a retração da oferta de crédito pelo SBPE, justamente porque a Caixa já se encontra muito alavancada e a regulamentação permite que os bancos privados apliquem apenas 38% (abril-15) dos recursos captados em poupança no financiamento habitacional nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

A alteração recente na regulamentação é pouco efetiva no sentido de ampliar a oferta de crédito pelo SFH e aponta para a piora nas suas condições. Esta Resolução (4410/2015) revogou a possibilidade de os bancos computarem no direcionamento:

1- certas aplicações em Fundos (FIIs, FIDCs) e outros papéis, porém com efeito nulo sobre a disponibilidade de recursos, pois já não eram utilizadas pelos agentes para cumprir exigibilidade;
Tendência é de exclusão de famílias que precisam de condições mais acessíveis de crédito para adquirir moradia;

2- os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) sem lastro no SFH e, ainda, o multiplicador que permitia aos bancos contabilizarem os CRIs/SFH adquiridos por 20% a mais do seu valor. Esta medida vai liberar R$ 14,9 bi nos bancos privados – R $11,4 bi em CRIs sem lastro no SFH e mais R$ 3,5 bi pelo efeito do fator multiplicador (abril-15) – porém apenas no médio e longo prazos, já que os CRIs em carteira podem permanecer computados até seus vencimentos.

Já os CRIs com lastro em financiamentos pelo SFH continuam valendo para cumprimento da exigibilidade (os bancos privados tinham R$ 17,6 bi em carteira, em abril). A manutenção do cômputo desses CRIs permite que os bancos utilizem recursos captados em poupança não para a concessão direta de crédito, mas para a compra de recebíveis de créditos concedidos por outros bancos ou incorporadoras. Um paradoxo, já que a poupança é mantida alheia às altas da Selic e segue captando a apenas 6% mais TR ao ano, o que possibilita a oferta de crédito habitacional relativamente barato. Perde-se assim, a oportunidade criada pelo SBPE de atender famílias que não conseguem contrair crédito a taxas de juros mais elevadas.

Os bancos privados nacionais não têm tanto apetite para o crédito habitacional e não pretendem ampliar a carteira; pelo contrário, a tendência é de redução. Na resolução 4410, ao elevar o compulsório em 4,5% (transferindo parte do antes obrigatoriamente encarteirado em títulos públicos) e, ao mesmo tempo, conceder redução desses 4,5% por meio da dedução de parte do saldo dos financiamentos habitacionais, o Banco Central dá aos bancos privados a escolha entre aumentar sua carteira de crédito habitacional ou comprar CRIs com lastro SFH para recompor o direcionamento. Estamos falando de cerca de R$ 11 bilhões. Caso não sejam utilizados de uma ou outra forma, o BC os recolhe a um custo bem mais barato que Selic.

O que se vê, já, é a retração, o encarecimento e a elitização do crédito habitacional no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Tudo aponta para o aumento da pressão sobre o FGTS, que já sofreu ampliação do orçamento do ProCotista para vir ao socorro da redução dos financiamentos pela poupança.

O FGTS também apresenta contradições e perdas de oportunidade. Ao longo da última década, restrito a rendas de até R$ 5,4 mil, o FGTS vinha expandindo o financiamento downmarket, permitindo o acesso a famílias antes excluídas. As aplicações em financiamento habitacional aumentaram de 29% dos ativos em dezembro de 2008 para 43% em dezembro de 2013. Ainda há, portanto, espaço para crescer sua carteira de crédito habitacional e para baixar as taxas de juros cobradas, dado o seu baixo custo de captação (3% a.a. +TR).

O conjunto de aplicações do Fundo – que compreende, além dos empréstimos, títulos públicos, aplicações financeiras e o FIFGTS – proporciona um mix de rentabilidade, cuja diferença em relação ao rendimento pago aos cotistas vem construindo um patrimônio líquido bilionário, de R$ 64,6 bi (dezembro de 2013), que, segundo matéria recente do Valor, saltou para R$ 77,5 bilhões em 2014 (graças ao lucro líquido de R$ 12,9 bilhões no ano). O acúmulo de PL não faz sentido em um Fundo com as características e o papel do FGTS.

A tendência do FGTS de investir crescentemente em Fundos Imobiliários, debêntures, CRIs e os empréstimos via FIFGTS, que envolvem maior risco que as aplicações em títulos públicos, só se justifica se oferecerem retorno que compense a elevação do risco. Maiores rentabilidades em parte das aplicações deveriam permitir empréstimos habitacionais a taxas de juros menores, mais próximas do custo de captação, e/ou a elevação da rentabilidade dos depósitos, já que a produção de lucro e o acúmulo de PL não devem constituir objetivos em si.

Ainda, a taxa de administração paga anualmente ao seu agente operador, a Caixa, de 1% dos ativos (R$ 3,5 bilhões em 2013), tampouco encontra justificativa neste que é um Fundo compulsório, de grande porte, com baixa exigência de rentabilidade e função social. Esta alta remuneração eleva as despesas operacionais, pressionando as margens e dificultando a concessão de crédito a taxas de juros menores.

A diversificação de aplicações sem a compensação do risco no retorno, a busca pela produção de margens elevadas e aumento de PL e, ainda, a alta remuneração do agente operador que detém monopólio sobre o Fundo são estratégias de gestão que precisam ser revistas e incorporadas na discussão sobre o aumento da rentabilidade para os trabalhadores. O debate centrado exclusivamente no dilema do custo dos financiamentos habitacionais, que não é tão baixo, a partir de 7,16% mais TR, está equivocado.

Não obstante, considerando a estrutura de distribuição de renda e conjuntura econômica atual, a discussão sobre a alteração da correção não pode negligenciar o papel potencial do FGTS para atender famílias que não conseguem financiamento a juros mais elevados. O FGTS é uma instituição da sociedade brasileira, criada com o duplo objetivo de instituir pecúlio para o trabalhador e fomentar a habitação social.

Esta análise indica, infelizmente, que a tendência é de exclusão das famílias que dependem de condições mais acessíveis de crédito para adquirir sua moradia. É hora de centrar os debates sobre o real uso que fazemos da oportunidade criada pelo SFH e suas fontes, que juntas somam quase R$ 1 trilhão, de forma a equacionar os problemas habitacionais do país, que ainda ostenta um déficit superior a 6 milhões de unidades.

Apartamento ‘mais caro do mundo’ em Mônaco tem metro quadrado a R$ 300 mil

(UOL) – 24/08/15

O Tour Odéon está sendo construído em Mônaco e é considerado o prédio com metro quadrado mais caro do mundo. A média de preço é de 75 mil euros por metro quadrado (cerca de R$ 299,3 mil).

O Tour Odéon está sendo construído em Mônaco e é considerado o prédio com metro quadrado mais caro do mundo. A média de preço é de 75 mil euros por metro quadrado (cerca de R$ 299,3 mil).

Desde que teve seu projeto lançado, em 2013, o edifício Tour Odéon começou a ser chamado de “o apartamento mais caro”. Localizado em Mônaco, o prédio conta com 70 apartamentos de luxo, dos quais 31 já foram vendidos. A média de preço: 75 mil euros por metro quadrado (cerca de R$ 299,3 mil).

Para se ter uma ideia, a cobertura mede 3.400 metros quadrados. Considerando esse preço médio por metro, seu valor pode ser estimado em pouco mais de R$ 1 bilhão. Inclui cinco andares, com tobogã e piscina exclusivos.

O edifício também conta com dois apartamentos duplex, com 1.200 metros quadrados cada. Com o metro quadrado a esse preço, eles devem custar em torno de R$ 359 milhões cada.

A construção deve estar totalmente pronta até meados de setembro (fim do verão no hemisfério norte), mas já há moradores se mudando para lá desde meados de junho, segundo a assessoria de imprensa da empresa responsável.

Terraço com vista panorâmica
O edifício tem 170 metros de altura e é o segundo maior prédio da costa do Mediterrâneo.

Os apartamentos têm de um a seis quartos. Todos os apartamentos têm terraço com vista panorâmica e janelas do teto ao chão.

Os moradores podem acionar limpeza doméstica e serviços de valet por meio de controles touchscreen instalados nos apartamentos.

O condomínio oferece saunas, várias piscinas, spas exclusivos, porteiros 24 horas, limusines com motorista particular e cinema.

O design do edifício, a cargo do arquiteto Alexander Giraldi, é inspirado pelo movimento da “belle époque” francesa. O interior dos apartamentos será decorado pela agência Alberto Pinto.

Fontes: PDG Realty planeja emitir R$ 460 milhões em debêntures em setembro

(Agência Estado) – 20/08/15

Em meio a esforços para reestruturar seu perfil de dívida, a PDG Realty pretende emitir R$ 460 milhões em debêntures e os papéis deverão ser encarteirados pelo Bradesco, de acordo com fontes do mercado. O plano da companhia é realizar a emissão em setembro e obter recursos para o pagamento de dívidas com vencimento iminente.

De acordo com informe de resultados do segundo trimestre, a empresa teria de amortizar um total de R$ 907 milhões em dívida corporativa que vence no terceiro trimestre. Para ajudar na reestruturação de suas obrigações, a PDG Realty informou na segunda-feira a contratação do Rothschild como assessor financeiro, que deverá auxiliar na renegociação de contratos, reforçar o capital de giro e fortalecer a estrutura de capital.

Na semana passada, a PDG comunicou que foi aprovada a realização da segunda emissão de notas promissórias comerciais para distribuição pública com esforços restritos. A emissão compreende 95 notas promissórias, com valor nominal unitário de R$ 5 milhões, em um montante total de R$ 475 milhões.

De acordo com a fonte, a nota promissória deverá ser substituída por uma debênture, que será emitida no ano que vem e ficará na carteira do banco Votorantim.

Com isso, afirmou a fonte, a PDG Realty conseguirá prolongar seus prazos de vencimento de dívida. Procurada, a empresa não se pronunciou sobre o assunto até a conclusão da matéria.