Imóvel popular força maior expansão

21 02 2008
Cristiano Viana
21/02/2008 18:25

A forte expansão geográfica registrada nos últimos dois anos entre grandes players do mercado imobiliário como Gafisa, MRV, Rodobens e Rossi Residencial continuará este ano, tendo como o principal motor os investimentos das empresas em lançamentos populares. Ao longo do ano, as dez maiores construtoras e incorporadoras do País devem lançar cerca de 140 mil novas unidades habitacionais neste segmento, segundo estimativa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), que projeta um crescimento de 15% a 20% deste mercado.

A Gafisa, que passou a investir no setor com as subsidiárias Fit Residencial, para lançar imóveis econômicos em regiões metropolitanas, e Bairro Novo, joint venture formada com a Odebrecht para projetos residenciais em áreas menos urbanizadas, vem apostando nesse modelo de parceria para alcançar novas praças e ampliar ainda mais seu estoque de terrenos. Até o mês de setembro, 51% dos lançamentos da incorporadora foram feitos fora de São Paulo. No mesmo período, 61% do banco de terrenos também está fora do eixo Rio-São Paulo. “Em 2008, além de consolidar nossa presença nos estados em que já atuamos, vamos continuar o trabalho de expansão, seja para outros estados, seja para outras cidades nos estados em que já estamos. Também vamos avaliar a entrada em outras cidades fora das capitais”, explica Antônio Ferreira, diretor de Novos Mercados da Gafisa.

A companhia está presente em 19 estados, com predomínio das marcas voltadas ao médio e alto padrão Gafisa e Alphaville, adquirida há um ano e que garantiu presença em 16 estados.

No entanto, com a aquisição da Cipesa, no ano passado, a companhia estenderá sua atuação no segmento popular, através da Bairro Novo, a 118 regiões nos estados de Alagoas e Sergipe. Líder no mercado de Alagoas, a incorporadora acrescentou R$ 1,1 bilhão ao banco de terrenos da Gafisa, que até setembro totalizava R$ 8,9 bilhões. “A Bairro Novo é o Alphaville com a Fit em cima”, definiu Roberto Senna, diretor da empresa, durante uma apresentação a analistas de mercado. A explicação refere-se ao fato de a companhia atuar com planejamento urbanístico, assim como a Alphaville faz no segmento de alto padrão, porém no segmento popular.

Embora tenha terrenos, a empresa só fez um lançamento em Cotia (SP) e está prestes a lançar o segundo em Camaçari (BA), conforme adiantado pelo DCI em novembro.

Com oito meses de existência e foco em áreas já urbanizadas, a Fit Residencial iniciou sua expansão chegando a Curitiba (PR), Belém (PA) e Maceió (AL). “Em 2008, pretendemos continuar este avanço, seguindo o que a Gafisa vem fazendo, ou seja, usando as parcerias”, adianta Daniela Ferrari, diretora da Fit Residencial, que até setembro totaliza um estoque de terrenos de R$ 560 milhões.

A subsidiária seguiu as parcerias firmadas pela Gafisa com Franere Construções, no Maranhão, Premium Incorporação, no Pará, grupo Marcos, em Goiás, Cipesa, em Alagoas e com a OAS, em Salvador. “Nessas cidades havia poucos produtos para o segmento econômico, com bons prazos de financiamento. Eles tiveram resultados muito interessantes para a empresa”, completa a diretora.

Rodobens

Após ter iniciado sua expansão pelas Regiões Sul e Sudeste e concentrado sua atuação em cidades do interior, aos poucos a Rodobens Negócios Imobiliários começa a se expandir para novas regiões. Em 2007, a empresa fez sua estréia na Região Nordeste, com um lançamento em Fortaleza (CE), e afirma estar à procura de terrenos na Bahia e no Mato Grosso do Sul. No último trimestre do ano passado, a companhia adquiriu 14 terrenos em 13 cidades e oito estados. “Começamos a atuar no Nordeste e temos terrenos e projetos lançados em Várzea Grande e em Cuiabá (MT). Também temos a intenção de atuar na Bahia e no Mato Grosso do Sul, onde estamos prospectando áreas. Tivemos boa aceitação nas regiões onde entramos em 2007″, diz Jamil Nassif, diretor administrativo da Rodobens.

MRV

Uma das líderes do segmento popular e pioneira na estratégia de expansão, a mineira MRV, afirma que irá reforçar sua atuação nos estados em que está presente, buscando novas cidades, porém com menor intensidade do que a expansão realizada nos últimos dois anos. A construtora fechou 2007 com a atuação em 54 cidades e um estoque de terrenos superior a R$ 11 bilhões, 63% deles localizados em cidades do interior e 37% em capitais e cidades de regiões metropolitanas.

“Entraremos em estados novos, mas já temos um grande volume global. Do ponto de vista econômico, já estamos nos principais mercados em relação a população e renda”, disse Leonardo Corrêa, vice-presidente da MRV.

Questionado sobre a busca de mercados fora do Brasil, o executivo reafirma o interesse pela demanda interna. “Ainda não estamos considerando outros países para a nossa expansão. Há muita coisa no Brasil para darmos esse passo”, completa, considerando que os bons resultados da empresa devem-se à combinação da oferta de um produto padronizado com a avaliação das regiões.

A forte expansão geográfica registrada entre grandes players do mercado imobiliário, como Gafisa, MRV, Rodobens Negócios Imobiliários e Rossi Residencial, continuará este ano, tendo como o principal motor os investimentos em lançamentos populares. Ao longo do ano, as dez maiores construtoras e incorporadoras do País devem lançar 140 mil novas unidades habitacionais neste segmento, segundo estimativa do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), que projeta um crescimento de 15% a 20%.

Apostando em joint ventures e parcerias para alcançar novas praças e ampliar seu estoque de terrenos, a Gafisa estima manter a estratégia. “Vamos continuar o trabalho de expansão, seja para outros estados, seja para outras cidades nos estados em que já estamos. Também vamos avaliar a entrada em outras cidades fora das capitais”, explica Antônio Ferreira, diretor de Novos Mercados da empresa.

A Rossi Residencial, que lançou 2.142 unidades no segmento popular, também intensificou sua expansão geográfica com o acréscimo de nove cidades em seu estoque de terrenos. Com isso, a companhia encerrou 2007 presente em 52 cidades e 14 estados do Brasil.

Com atuação especializada neste segmento, a Rodobens Negócios Imobiliários e a MRV também apostam nas novas regiões. Após estrear no Nordeste pelo Ceará, a Rodobens está prospectando terrenos na Bahia e no Mato Grosso do Sul. Em 54 cidades, a MRV diz que ainda há muito território no Brasil.





Facilidades à vista – Pronto para Morar

18 02 2008

A unidade residencial de 27m² do New Concept (Rua Visconde de Nacar, esquina com a Rua Emiliano Perneta) – decorada para exposição, sugere aos clientes a compra de um studio mobiliado, decorado e pronto para morar. Uma inusitada parceria firmada entre a Thá e a Florense, formulou um produto que contempla um preço bastante atrativo para quem pretende investir ou morar.

A novidade garante a tranqüilidade dos clientes que não dispõem de tempo hábil para se preocupar em encontrar bons fornecedores, orçar, negociar, contratar e gerenciar uma equipe de profissionais. A parceria entre as duas empresas promete tornar a aquisição destas “unidades especiais” muito atrativa.

As unidades podem ser adquiridas através do financiamento imobiliário no prazo de até 30 anos, enquanto, os extras que contemplam: mobília, objetos de decoração e equipamentos e eletrodomésticos instalados podem ser pagos em até três anos. No entanto, a mordomia vai além. A parceria propõe a instalação de extras como: ar condicionado e cook top. Informações pelo telefone (41) 3223-6521.





Decreto nº 212/2007 – Consolidação da legislação de uso do solo

18 02 2008

Aprova o Regulamento de Edificações do Município de Curitiba e dá outras providências.

Decreto nº 212/2007 e Anexo I

Anexo II

Anexo III

Anexo IV





Oferta pública para aumento de capital da Rossi Residencial (2003)

18 02 2008

Fevereiro de 2003

Apresentação utilizada no road show do IPO da Rossi Residencial S.A.

Luciana Rossi Cuppoloni – Diretora de Planejamento e de Relações com Investidores.

lucianarossi@rossiresidencial.com.br





Balanço e Perspectivas da Indústria Imobiliária em Curitiba

16 02 2008

Normando Antônio Baú
Vice-presidente do Sinduscon-PR
Março 2007

Apresentação de dados do mercado imobiliário de Curitiba em 2006:

a) alvarás concedidos, concessão de CVCOs (Habite-se) por categoria de imóvel e bairro.

b) evolução do preço de venda dos imóveis.

c) velocidade de vendas de imóveis.

d) evolução do custo de construção.

e) emprego no setor.

f) concessão de crédito imobiliário (mutuário final e produção).

Apresentação completa





Indústria Imobiliária – A Espera do Boom (de Demanda Efetiva…)

16 02 2008
Marco Túlio Kalil Ferreyro
Economista/SINDUSCON-RS

Indubitavelmente, os agentes econômicos que atuam no âmbito da cadeia de negócios da indústria imobiliária estão vivendo e sentindo um verdadeiro frenesi imobiliário em relação às condições que vêm sendo formadas no mercado, ao menos no que diz respeito ao lado da oferta, dado a crescente ampliação do volume de recursos ofertados pelos agentes financeiros no âmbito do SBPE, além do próprio acirramento da concorrência entre os mesmos, vis à vis, o movimento de redução de juros, ampliação de prazos de amortização e elevação da quota de financiamento em relação ao valor do imóvel.

Contudo, é preciso antes de mais nada, muita cautela na leitura e interpretação deste novo cenário, uma vez que, no tocante ao ambiente de formação de expectativas que estamos observando hoje sobre o estabelecimento de um provável boom imobiliário no país, é preciso perceber com indispensáveis lucidez e bom senso, que, ao menos em termos das reais condições de demanda(nível de emprego, renda, poder aquisitivo e capacidade de poupança), ainda estamos na ante-sala de um fenômeno desse tipo.

Sob a ótica da demanda, pois, o Brasil ainda está muito distante daquilo que se observou recentemente em países como Espanha, México e Estados Unidos. Neste último, vale ressaltar que a renda percapita é mais de 10 vezes superior à brasileira e, principalmente, a propensão marginal a poupar dos norte-americanos é de cerca de 12% da renda marginal. Em outras palavras: a cada um dólar de aumento na renda de um cidadão norte-americano, doze centavos são poupados em prol do consumo de um bem com maior valor agregado no futuro, como por exemplo, um imóvel novo.

Neste aspecto, vale lembrar que nos USA, o setor imobiliário tem sido o dínamo da economia, desde o começo da década, período no qual, o valor de mercado do total de residências americanas aumentou mais de US$ 9 trilhões, totalizando US$ 22 trilhões! Entre os fatores condicionantes desta virtuosidade econômica, estão as taxas de juros anuais, extremamente competitivas, em média, abaixo de 7%. Além disso, em boa parte dos estados dos USA, os juros pagos nos financiamentos imobiliários são integralmente deduzidos do imposto de renda, tanto pelas pessoas físicas, quanto jurídicas.

Esta é, sem dúvida, a grande alavanca que impulsionou o mercado imobiliário norte-americano, gerando efeito multiplicador em toda a economia em termos da geração de negócios imobiliários, lucros, investimentos, empregos, renda, impostos, bem-estar,enfim, um círculo virtuoso. É comum também, na economia dos USA, os proprietários de imóveis utilizarem o valor de suas hipotecas como garantia para novos empréstimos direcionados para o consumo de outros bens, que são produzidos e comercializados fora do âmbito da cadeia produtiva da indústria da construção, gerando o consumo de móveis, eletro-eletrônicos, automóveis, etc. É este na prática, o que nós economistas chamamos de “efeito induzido” ou “efeito-renda”. Entretanto, nem tudo são flores, uma vez que, a simples sensação de valorização dos seus bens imobiliários, acabou criando nos cidadãos norte-americanos, a sensação de riqueza (efeito-riqueza), motivando-os ao consumo por vezes, exacerbado.

Tá e daí, qual é o problema? Este surge, pois, quando os preços dos imóveis acabam atingindo patamares insustentáveis. É quando o boom pode virar bubble (bolha). Tal situação, torna praticamente inevitável um nefasto efeito deflacionário (queda abrupta no preço dos imóveis), podendo resultar em quebradeira e recessão. Por sinal, lá nos USA, os economistas e analistas são incansáveis em tentar alertar (por vezes até em tom de catástrofe) para os efeitos negativos que a formação de uma bolha imobiliária pode trazer ao país.

Todavia, a experiência dos outros, não somente pode, mas sim, DEVE nos servir de lição no sentido de que não incorramos em tal risco. Afinal, não é para menos, uma vez que, alguns dos mais conhecidos setores de fabricantes e fornecedores de materiais de construção do país, que atuam em estruturas de mercado caracterizadas como oligopólios, já vem “colocando suas mangas de fora”, acenando com aumentos de preços de seus produtos, como é o caso das empresas que atuam no ramo de commodities minerais, tais como, aço, clinquer (cimento),cobre, tintas, pvc’s, etc. Por enquanto, é apenas um alerta, sem querer pretender-se fazê-lo num tom profético. Por ora, pretendemos simplesmente suscitar o interesse por uma boa, lúcida e sensata reflexão por parte dos agentes econômicos que atuam na cadeia produtiva da indústria imobiliária nacional.

Logicamente, feitas estas ressalvas comparativas com a recente experiência internacional, isto não quer dizer que a atual conjuntura e perspectivas não sejam extremamente alvissareiras, principalmente quando comparamos o atual momento com aquele registrado nos últimos 25 anos ao menos, quando, após a extinção do BNH (que começou a fraquejar das pernas no início dos anos 80’ e sendo extinto oficialmente por lei em 1986), situação que praticamente acorrentou o mercado imobiliário nacional.

Ressalvando-se as devidas proporções e, aterrisando na realidade local, somente para se ter uma idéia do efeito BNH no mercado, basta por exemplo, examinar-se os dados referentes à série histórica das economias vistoriadas(número de unidades aptas ao habite-se)de Porto Alegre, indicador este que serve como uma proxy do volume de produção imobiliária na cidade. Com base nestes dados, observa-se que entre o final dos anos 70 e início dos anos 80(1978 a 1983) –período no qual ainda existia o BNH e o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo – SBPE, funcionava a pleno vigor, foram produzidas em média, 17.648 unidades por ano em Porto Alegre. Já nos anos recentes(entre 2001 e 2006), este número caiu para uma média de 5.135 unidades/ano.

Entre os principais fatores explicativos de tal comportamento está a queda drástica em igual período comparativo do volume de crédito habitacional concedido efetivamente no âmbito do SFH. Para se ter uma idéia da importância do volume de financiamento habitacional(com juros e prazos compatíveis com o “bolso do comprador”)concedido à época áurea do setor(final dos anos 70 e início dos anos 80), como fator determinante do maior volume de produção habitacional, basta lembrar que, em 1980, por exemplo, o BNH financiou sozinho, 366.808 unidades e o SBPE, mais 260.534 unidades. Somando-se as duas fontes, tem-se um total de 627.342 unidades habitacionais financiadas no país, em um único ano!

Outro fator explicativo para o grande volume de produção de moradias naquela época, é o “pico” do processo de migração ruro-urbana (êxodo rural), que ocorreu fortemente naqueles anos, fenômeno este, que certamente não se repetirá, dado o elevado grau de urbanização da população hoje já existente. Portanto, com base nesta análise retrospectiva (sob a ótica do “retrovisor”), cabe ressaltar que, numa análise prospectiva, ou seja, sob a ótica do “pára-brisa” (para frente)mesmo que um novo “boom” se instale no mercado habitacional de Porto Alegre, do Rio Grande do Sul e do Brasil, dificilmente ultrapassaremos, em Porto Alegre, do patamar de produção imobiliária de cerca de 10 mil unidades/ano, sob pena de não haver efetiva absorção pela demanda potencial, haja visto que as taxas de incremento populacional tem caído alo longo das última década, sendo que, Porto Alegre, por exemplo, exibe a segunda menor taxa de crescimento vegetativo da sua população, cerca de 0,8% ao ano, a segunda menor do Brasil, atrás somente de Vitória (ES), com 0,5% ao ano.

E este “admirável mundo novo” que vem por aí, em terras tupiniquins, como será? Com base na crescente ampliação do volume de oferta de financiamentos concedidos no âmbito do SBPE, que atingiu a R$ 11 bilhões nos últimos doze meses acumulados entre maio de 2006 e abril de 2007, totalizando 131,8 mil unidades financiadas (R$ 83,7 mil de valor unitário médio por financiamento concedido), são bastante animadoras as perspectivas para a cadeia de negócios da indústria imobiliária em 2007. Com base no comportamento observado no primeiro quadrimestre de 2007, período no qual foram concedidos pelo SBPE, R$4.097.180 bilhões, pode-se projetar para o fechamento do corrente ano, um volume de R$12,3 bilhões, que, a um valor médio de financiamento de R$83,7 mil, permitiria financiar um total de 147 mil unidades no país em 2007. Todavia, as condições de oferta podem melhorar ainda mais se, por exemplo, o prazo de amortização for ampliado para até 30 anos, com o financiamento cobrindo até 100% do valor do imóvel, taxa de juros de 7% com prestações fixas e com a desburocratização na concessão do crédito e a padronização de contratos de financiamento.

Por fim, fechando estes alvissareiros números que surgem pelo lado da oferta de recursos para aplicação no mercado imobiliário, vale destacar que, assim como ocorreu em 2006, a abertura de capitais para o mercado acionário de diversas empresas dentre as maiores do mercado imobiliário (operações estas que geraram nos últimos 20 meses uma captação da ordem de R$ 12 bilhões apenas por meio de oferta primária de ações), terá continuidade ao longo de 2007, uma vez que diversas outras empresas estão se preparando para realizarem ofertas iniciais de ações (IPO – Initial Purchansing Offer) na bolsa de valores.

E quais são os fatores que estão condicionando o vislumbre de um cenário tão positivo? Em primeiro lugar, sem dúvida, a trajetória de persistente queda da taxa básica de juros do país, a taxa SELIC, hoje no patamar de 12,5% ao ano e com expectativa de atingir já ao final de 2007, a 10,75% e, ao final de 2008, o patamar de um dígito (9,5% ao ano em termos nominais). Isto, somado ao novo arcabouço regulatório (Lei 10.931/2004), maior segurança jurídica para as operações de crédito imobiliário, que dele resultou e as resoluções do Conselho Monetário Nacional – CMN, que ampliaram o efetivo direcionamento de recursos do sistema para financiamentos habitacionais, tem sido, inexoravelmente, o eixo sob o qual gravita o acirramento da concorrência entre os agentes financeiros, uma vez que a análise de custo de oportunidade que é feita pelos bancos começa a inclinar-se favoravelmente a um maior carregamento das suas carteiras imobiliárias, dado que, nesse ambiente macroeconômico de taxa prime num patamar mais baixo, o produto financiamento imobiliário passa a ser considerado como um produto âncora para fidelização de clientes e a comercialização de outros produtos/serviços bancários, como cheque especial, cartões de crédito, seguros diversos, planos de previdência, etc. Todavia, há ainda muito espaço para melhoria das condições de oferta para que o financiamento imobiliário caiba no bolso de mais potenciais adquirentes.

Todavia, é preciso considerar-se as dificuldades existentes pelo lado da demanda, uma vez que, além do historicamente baixo poder aquisitivo da população, em média, no Brasil, há uma baixíssima propensão média a poupar nos lares brasileiros, sendo que em inúmeros casos, a propensão média familiar a poupar, é até negativa, se considerar-se o uso do cheque especial, cartão de crédito, etc. No intento de melhorar-se as condições de demanda, seria bastante oportuno que voltasse a vigorar no mercado uma condição que já existiu em tempos passados (e que é a grande alavanca do mercado imobiliário norteamericano como já destacado aqui nesta análise), qual seja, a de permitir aos adquirentes de imóveis deduzirem do IRPF a integralidade ou pelo menos parte dos juros pagos nos financiamentos habitacionais. Diga-se de passagem, que tal medida não resultaria em renúncia fiscal, uma vez que o incremento no volume de comercialização de imóveis novos e, conseqüente aumento, também, da produção imobiliária, geraria um efeito multiplicador de empregos, renda e impostos em toda a economia, o que compensaria econômica e financeiramente, uma possível perda de arrecadação inicial.

Logicamente que todo o esforço que vem sendo feito nacionalmente no sentido de melhorar-se as condições de oferta dos financiamentos habitacionais, deve ser saudado. Entretanto, somente através do crescimento econômico duradouro, sustentável (controle da inflação) e a taxas elevadas, será possível melhorar-se as condições de emprego, renda e poupança da população, de forma a transformar-se o que é hoje apenas demanda potencial, em demanda efetiva por imóveis, principalmente, no caso das classes média baixa e baixa renda, segmentos que demarcam um novo mercado potencialmente emergente em termos da chamada habitação econômica e popular, respectivamente. Eis, aí, portanto, uma boa aposta empreendedora.

PROGRAMA “O PRIMEIRO IMÓVEL” – A HORA É AGORA
Quando analisamos a atual composição da pirâmide etária do país e as projeções dessa para o ano de 2010, que está logo ali, constatamos que é altamente expressivo o contingente populacional na faixa etária de 25 a 39 anos(ou que estarão nessa faixa nos próximos anos), cerca de 24% da população total, onde se incluem jovens recém formados ingressando na vida profissional(que ainda residem com os pais ou pagam aluguel) e iniciando uma trajetória de ascensão econômica e social que permitirá que os mesmos possam, a partir de um programa como o Primeiro Imóvel, adentrar no mercado imobiliário na condição de adquirentes e com forte potencial para exercerem “upgrade imobiliário”, devido à promissora capacidade de mobilidade econômica e social ascendente que tais jovens possuem, durante o curso de suas vidas, compatibilizando a ascendência social e econômica, com formação e/ou aumento da família, adquirindo outros imóveis mais adequados a cada estágio de vida.

Na verdade, o programa “Primeiro Imóvel”, se constituirá na ignição que dará partida a uma nova dinâmica no mercado imobiliário, resgatando a aposta em um comportamento salutar da economia, qual seja, a crença na prosperidade econômica e social dos indivíduos e atendimento aos anseios de bem estar dos mesmos. Esta foi a essência da idéia e proposição de desenvolvimento do programa “Primeiro Imóvel”.

No tocante à formatação e estabelecimento dos pilares de tal programa, propõe-se que ele possa funcionar como piloto do retorno de uma condição de demanda há muito clamada pelo setor, qual seja, a de permitir a dedução no imposto de renda(IRPF)da integralidade ou pelo menos parte dos juros pagos no financiamento imobiliário. Diga-se de passagem, que tal medida não resultaria em renúncia fiscal, uma vez que o incremento no volume de comercialização de imóveis novos e, conseqüente aumento, também, da produção imobiliária, geraria um efeito multiplicador de empregos, renda e impostos em toda a economia, o que compensaria econômica e financeiramente o fisco, em relação a uma possível perda de arrecadação inicial.

Imagina-se, também, que o programa Primeiro Imóvel deva contar com uma especial condição de financiar 100% do valor da unidade habitacional, uma vez que o público potencial demandante, não teria no seu estágio de vida, poupança suficiente para bancar a entrada no negócio. Sobretudo, é preciso considerar-se as dificuldades existentes pelo lado da demanda, uma vez que além do historicamente baixo poder aquisitivo da população nos últimos anos, em média, no Brasil, há uma baixíssima propensão média a poupar nos lares brasileiros, sendo que em inúmeros casos, a propensão média familiar a poupar, é até negativa, se considerar-se o uso do cheque especial, cartão de crédito, os quais criam, em muitas situações, dívidas que acabam comprometendo até mesmo a renda que será auferida no futuro.

Por sua vez, o valor do imóvel e do financiamento deve ser compatível com a realidade média de ganhos do público potencial demandante (na média, entre 6 e 20 salários mínimos mensais). Além disso, o prazo de amortização dos financiamentos no âmbito de tal programa, deve ser mais amplo, propondo-se por exemplo, 25 anos ou 30 anos.
Também os juros devem ser compatíveis, cerca de 7% ao ano – considerando-se as condições macroeconômicas hoje existentes -, mantendo-se neste patamar pelo prazo pleno de amortização, se durante este período, o mutuário mantiver um histórico de adimplência e pontualidade no pagamento das prestações.

Logicamente, os agentes financeiros que vierem a ser parceiros e operarem tal programa, deverão fazer uma aposta inteligente, aceitando uma redução de margem aqui para recuperá-la logo ali adiante, acreditando justamente na potencialmente elástica capacidade de mobilidade sócio-econômico do público-alvo do programa, de forma a cativá-lo para seus planos de fidelização, clientes que poderão contratar outros tradicionais produtos do setor financeiro, como seguros nas diversas modalidades, portfólios de investimentos e aplicações financeiras, planos de previdência privada, e tantos outros mais. Ou seja, é a economia do ganha-ganha.

Já no sentido de vislumbrar-se a movimentação futura de um mercado de “up grade”, para aqueles que foram contemplados no programa Primeiro Imóvel, pode-se por exemplo, conceder-se uma redução na taxa de juros e/ou alargamento do prazo de amortização para aqueles adquirentes que mantiverem um histórico de adimplência e pontualidade no pagamento das prestações referentes ao programa Primeiro Imóvel.

Tal condição, deverá, oportunamente, após termos uma formatação final do programa, ser negociada com os agentes financeiros, públicos ou privados, os quais forem convidados para serem parceiros.

Enfim, tem-se aí, apenas algumas idéias em relação aos pilares que poderão formatar um programa que permite vislumbrar uma boa oportunidade de movimentar a cadeia produtiva imobiliária, dado o seu notável padrão de articulação intersetorial que liga, desde fornecedores de matérias-primas, insumos diversos e equipamentos(que estão para trás na cadeia), até aquelas atividades de serviços(aluguéis, hotéis, consultorias, indústria e comércio de móveis e decoração, etc.), que estão para frente, considerando-se o seu impacto multiplicador sobre a economia em termos da geração de produto, renda, emprego, impostos, etc.





Insolação e a Legislação de Uso do Solo de Curitiba

16 02 2008
Artigo completo
DAYLIGHTING AND INSOLATION IN HIGH DENSITY URBAN ZONES: HOW SIMULATION SUPPORTED A NEW LAW IN CURITIBA
Aloísio Leoni Schmid
Universidade Federal do Paraná (UFPR), Curitiba, Brazil.

ABSTRACT Building Performance Simulation can record av significant victory. In the city of Curitiba, Brazil, situations of poor access to both diffuse daylight and direct solar radiation in high density zones led the City Hall to consider the adoption of a simplified solar envelope concept. In order to evaluate the effectiveness of such change over a broad range of possible situations, a computer simulation code based on the raytracing technique was developed. Results were presented to the City Council in December, 1999 and supported the issue of new zoning regulations in January, 2000, despite the resistance offered by the building industry.





Os novos nomes da construção no Paraná

15 02 2008

(Gazeta do Povo) – 16/12/07

Capitalizadas, grandes empresas do Rio e São Paulo assumem investimentos pesados no mercado local

Com uma verdadeira fortuna em caixa e obrigação de colocar este dinheiro para girar, grandes construtoras e incorporadoras brasileiras estão girando os olhos para fora do eixo Rio-São Paulo. O movimento é nacional, mas pode ser observado com bastante força em Curitiba, o mais novo alvo do ataque das grandes companhias. Recentemente, elas anunciaram parcerias, fusões e joint ventures com empresas locais – que conhecem o mercado curitibano mas não têm, nem de perto, seu poder de fogo. E agora vêm com tudo.

As parcerias firmadas entre Rossi e Thá, PDG Realty e LN e, mais recentemente, a Goldsztein Cyrela e o Grupo Dória vão culminar no lançamento, no ano que vem, de empreendimentos que devem somar R$ 1 bilhão no chamado Valor Global de Venda (VGV).

Entraram sozinhas (em parceria com imobiliárias) a Gafisa e a Abyara, de São Paulo. Esta última acaba de lançar um mega-empreendimento de 500 unidades no Cristo Rei, cujo investimento não divulga, com uma tática pouco usual no mercado curitibano. Tática de guerrilha, frise-se.

“Estas empresas não conseguiriam, só em São Paulo e Rio de Janeiro, abastecer uma demanda por resultados que elas mesmas criaram. Elas tiveram que entrar em regiões inóspitas por meio de parcerias”, avalia Sandro Westphal, diretor financeiro do grupo paranaense Thá, que há dois anos firmou joint venture com a Rossi, uma das três maiores incorporadoras do Brasil.

Esta demanda por resultados de que fala Westphal refere-se à abertura de capital das incorporadoras. Só este ano, 18 empresas lançaram ações em bolsa, e captaram cerca de R$ 11,5 bilhões. Em 2006, foram 9 companhias, e captação de quase R$ 6 bilhões. Com tanto dinheiro no bolso, chegou a hora de investir para dar retorno aos acionistas.

“Elas viriam de qualquer maneira. Não tem como impedir uma Cyrela ou uma Rossi de vir para Curitiba. Se não investem, elas perdem valor e não sobrevivem”, afirma Marlus Cesar Dória, diretor comercial do grupo Dória. O grupo acaba de se juntar à Goldsztein Cyrela para investir R$ 150 milhões no ano que vem em Curitiba e região. A própria Goldsztein Cyrela é resultado de outra parceria, entre o grupo gaúcho Goldsztein e a gigante Cyrela, maior empresa do setor no país, com valor de mercado que ultrapassa os R$ 10 bilhões. A Cyrela captou R$ 838 milhões em seu IPO (oferta pública inicial de ações) no ano passado.

Na tentativa de “abrir o mercado a foice”, o caminho mais fácil para as grandes foi a união com empresas locais – o que parece ser bom negócio para ambas. “Elas precisam rapidamente de inteligência local”, diz Sandro Westphal, da Thá. “Não adianta chegar simplesmente com recursos financeiros em Curitiba sem fazer um bom trabalho”, completa Marlus Dória. Ele desconfia da viabilidade em Curitiba de empreendimentos no estilo “condomínio-clube”, que são sucesso em São Paulo. “Curitiba é um mercado muito diferente. A idéia é que a gente não caia no exagero.”

Michel Wurman, vice-presidente da PDG Realty – que acaba de se unir à paranaense LN – reforça que o mercado imobiliário é cheio de peculiaridades, e chegar a uma praça sem um parceiro que conheça bem a realidade pode não ser bom negócio. A PDG captou, este ano, quase R$ 1,5 bilhão com lançamento de ações e debêntures, e planeja lançar com a LN entre dois e cinco empreendimentos por ano em Curitiba, continuamente. “No Brasil inteiro o mercado imobiliário está pronto para decolar, principalmente pelo financiamento de longo prazo.”

Amaryllis Romano, da consultoria Tendências, lembra que o assédio das grandes empresas sobre outras menores tem ocorrido em nível nacional. “Não é um movimento diferenciado em Curitiba. As empresas estão diversificando de maneira geral. É diversificação de renda.” Ela frisa que os grandes centros imobiliários, como São Paulo e Rio de Janeiro, continuam bastante aquecidos. A corrida para novos mercados encontra explicação principalmente no bom momento econômico vivido pelo Brasil, com estabilidade, aumento da massa real de salários, crédito abundante e queda na taxa de juros. “O futuro morador vê horizonte para colocar um imóvel no orçamento dele.”

O diretor comercial do grupo Dória também não vê saturação no eixo Rio-São Paulo. “Há bastante concorrência. Mas o mercado lá pra cima tem muito espaço para crescer. Se compararmos o Brasil com México e Chile, dá para ver que nosso mercado ficou muito tempo parado.”





Caixa reduz juros para imóveis financiados

12 02 2008

(Folha Online) – 12/02/2008

A Caixa Econômica Federal anunciou nesta terça-feira a redução das taxas de juros para financiamentos de imóveis com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). A redução da taxa efetiva pode chegar a 1,5 ponto percentual ao ano, em relação aos menores valores cobrados em 2007.


As taxas de juros são mais atrativas para quem, além de optar pelo débito da prestação, possuir o pacote básico, composto por conta corrente com cheque especial e cartão de crédito da Caixa. Segundo o banco, a redução foi feita porque caiu também a taxa de inadimplência. No ano passado, o volume de pagamentos com mais de 30 dias de atraso ficou na casa de 4%.
Para compra de imóveis com valor até R$ 130 mil, a menor taxa efetiva cai para 8,4%, ante taxa de 9% cobrada pela Caixa em 2007 – àqueles que têm pacote básico e conta na Caixa. Se a pessoa optar por débito automático ou pagamento em boleto, a taxa é de 8,9% e 9,4%, respectivamente.


Para imóveis de R$ 130,01 mil a R$ 200 mil, a menor taxa efetiva cai de 10,5% para até 9,5%. Para valores de R$ 200 mil a R$ 350 mil (ou valores financiados até R$ 245 mil), a taxa efetiva cai de 11,5% para 10,5%. Acima de R$ 350 mil (ou valores financiados superiores a R$ 245 mil), a taxa foi reduzida de 12,5% para 11%.


A Caixa também anunciou que para financiamentos enquadrados fora do SFH (Sistema de Financiamento Habitacional) – valores de imóveis acima de R$ 350 mil ou valor financiado superior a R$ 245 mil -, haverá aumento do prazo máximo de financiamento de 180 para até 360 meses. A cota de financiamento, por sua vez, subirá de 70% para até 80%.

FGTS


A Caixa informou, ainda, que titulares de conta no FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) serão beneficiados com a concessão de financiamento sem estar sujeitos às limitações de renda – é obrigatório ter contribuído por pelo menos três anos. O financiamento pode chegar a R$ 245 mil para imóveis avaliados em até R$ 350 mil, com taxa nominal de juros de 8,66% ao ano e prazo de até 30 anos.A cota de financiamento será de 85% para imóvel novo e 80% para imóvel usado.

2007

Em todo o ano passado, a Caixa emprestou R$ 15,2 bilhões em financiamentos habitacionais, quantia 14,37% superior ao registrado em 2006. Segundo ao banco, 2007 terminou com recorde de contratação em habitação: R$ 21,5 bilhões. Para 2008, o orçamento inicial em habitação é de financiar R$ 20,3 bilhões. A Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) projeta que os financiamentos para a casa própria feitos com recursos da poupança atinjam R$ 25 bilhões. Segundo José Pereira Gonçalves, superintendente da associação, a expectativa é que fique entre R$ 23 bilhões e R$ 25 bilhões em 2008.








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