Entrevista: Germán Quiroga, diretor de TI da Cyrela

29 04 2008

Cristiano Viana

A convergência permite que Germán Quiroga, diretor de TI e marketing da incorporadora Cyrela, coloque todas as suas paixões no bolso – tecnologia, música, cinema, fotografia, viagens e leitura. “Você já viu esse brinquedinho aqui?”, pergunta ao sacar do bolso o iPhone que trouxe dos EUA.

Enquanto mostra os recursos preferidos do telefone da Apple, o executivo revela que prefere consultar a web a comprar livros quando se trata de conteúdo técnico. “Quando saem, os livros já estão desatualizados. As novidades estão nos fóruns de discussão, nas comunidades.” A cultura de internet de Quiroga não é à toa.

Ele foi um dos mentores da operação das Americanas.com, uma das sobreviventes da bolha da internet, que, em novembro de 2006, se fundiu com seu principal concorrente, o Submarino. Com a experiência acumulada, Quiroga foi convidado para integrar a área de vendas pela internet no setor de construção. O que era visto com um pouco de ceticismo pelo mercado deu certo e tornou-se um importante canal. Hoje, 30% do faturamento da Cyrela (R$ 1,5 bilhão, em 2007) é resultado das iniciativas no mundo digital.

IWB – O setor de construção civil está aquecido e, de acordo com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a expectativa é de que o segmento impulsione o crescimento do Brasil.

German Quiroga – Existe toda uma conjuntura das políticas econômicas do Brasil nos últimos dez anos, com mérito para o governo anterior e para o atual. Estas políticas levaram o País para uma linha de maior estabilidade, princípios de governança, tudo isto tem contribuído para uma melhora na taxa de juros. Dessa maneira, as prestações dos imóveis caíram de valor.

IWB – Existe uma dúvida sobre a concessão de linhas de crédito pelo governo, por medo da inflação. Qual é a posição do setor a respeito disso?

Quiroga – O mercado se auto-regula. Os bancos perceberam oportunidades e o público que atendemos (classes alta e média) utiliza mais os serviços de crédito dos bancos privados do que os dispositivos públicos.

IWB – Por conta do crescimento da indústria de construção, existem empresas que enfrentam dois anos na fila por insumos. Como a Cyrela lida com essa questão?

Quiroga – Retomando a pergunta anterior, que citava a ministra, este é um segmento que vai aquecer a economia, segundo todos os estudos que temos consultado. Mais de 20 empresas lançaram seus papéis na bolsa de valores e estão capitalizadas, o que gera uma pressão forte por serviços e insumos. Mas quem trabalha com visão de longo prazo e planejamento já tem os principais insumos e a mão-de-obra mapeados em contratos que já estão fechados.

IWB – A Cyrela online saltou de R$ 36 milhões para R$ 450 milhões em faturamento em dois anos. Que tipo de cliente procura os serviços online?

Quiroga – Em 2004, quando começamos esse processo, algumas empresas estavam tateando esse mercado, mas mantinham atendentes de call center que encaminhavam o cliente para um corretor. Percebemos que quem chega à Cyrela via web é uma pessoa ansiosa e sem tempo, que quer informações precisas e rapidamente. Passamos a fazer o atendimento via chat, diretamente com os corretores. Instalamos conteúdo e ferramentas para que os profissionais pudessem acessar informações rapidamente e fornecê-las aos clientes.

IWB – A web representa 30% das vendas da empresa. A idéia é manter essa proporção ou aumentar?

Quiroga – Acreditamos que existe a possibilidade de ampliar esse porcentual. Vamos deixar o mercado regular esse valor, não estamos com uma pressão muito grande.





Pressionadas, construtoras e incorporadoras negociam fusão

25 04 2008

Conversas incluem companhias que abriram capital recentemente, como Company, Agra, Tecnisa e Even

Ao divulgar os resultados ontem, a construtora Company não escondeu do mercado suas intenções. O diretor financeiro e de relações com investidores, Luiz Rogelio Tolosa, disse que a empresa deverá se fundir com uma concorrente de mesmo porte ou um pouco menor. E que essa eventual operação poderia ocorrer ainda neste ano. “Por já termos cinco sócios, juntos há mais de 20 anos, entendemos que somos candidatos a esse processo (de consolidação)”, afirmou Tolosa.

A revelação é um sinal de novos tempos nessa indústria. A Company não está sozinha. Segundo o Estado apurou, quase todas as empresas do ramo já discutiram, pelo menos internamente, possibilidades de venda, fusão ou aquisição.

A incorporadora Agra foi oferecida à construtora Tecnisa, segundo fontes do setor imobiliário. A Tecnisa, por sua vez, teria desistido da proposta porque a Agra estaria negociando com outra companhia. A Tecnisa negou que tenha conversas formais sobre operações do gênero. A reportagem procurou a área de relações com o investidor, mas não obteve resposta até o fechamento da edição. “Esse mercado está igual festa de adolescente. Todo mundo quer namorar todo mundo”, diz o executivo de uma construtora.

A concentração é um fato inevitável. O Brasil tem 21 empresas do ramo listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os Estados Unidos tem menos de 10. Os dados não deixam dúvidas: vão sobrar poucas construtoras e incorporadoras de capital aberto no País.

Esse é um setor que vai exigir cada vez mais capital intensivo. Enquanto o mercado estava aberto para captação de recursos, a situação era mais tranqüila. Agora, com a retração dos investidores, as empresas serão vendidas ou obrigadas a juntar forças para crescer.

A questão é como isso vai acontecer. Segundo executivos do setor, grandes empresas como Gafisa, Cyrela, MRV e Rossi estariam apostando numa queda do valor de mercado das companhias médias para fazerem suas ofertas de compra mais adiante. No ano passado, circularam rumores sobre o interesse da Cyrela pela Company. O forte da Company é a construção, o que faria bem para a empresa fundada por Elie Horn, segundo fontes do mercado.

VAIDADE

Na teoria, a fusão entre empresas de porte semelhante como Agra, Company, Even e Tecnisa pode até ser boa sob o ponto de vista econômico. Mas, na prática, juntar empresas com múltiplos (lucro dividido pelo preço da ação) parecidos para aproximar-se das maiores, como quer Tolosa, pode não ser tão simples quanto parece.

Os executivos apontam que a grande barreira é a vaidade dos empreendedores. “Nesse setor todo mundo está acostumado a mandar. Se houver fusão, um vai ter que mandar e outro, abaixar a crista”, diz um executivo de uma grande construtora. “Uma coisa é você obedecer alguém melhor. Outra é obedecer alguém igual.”

O próprio diretor financeiro da Company reconheceu que a união de empresas depende de fatores como preço, complementaridade, mercados de atuação e ego. “As fusões nesse setor estão sendo pensadas de uma foram um pouco afobada. É preciso que as empresas demonstrem sinergia. Dois e dois nem sempre são quatro”, diz o consultor econômico na área imobiliária, Mauro Peixoto.

Nem todas as companhias do porte da Company são complementares. Há várias combinações possíveis. Juntar Agra e Company pode ser mais simples porque ambas não são familiares. “Se a Cyrela, que tem participação relevante na Agra, vende a sua parte, facilitaria a operação”, acredita um executivo. “Seria uma fusão de iguais.”

A união de EZTec, Agra e Even também poderia fazer sentido, segundo empresário ligado a uma dessas empresas. O problema é que a EZTec, embora tenha capacidade de construção e capital, está com as ações depreciadas. Até ontem, seus múltiplos eram menores que o das outras duas.





Global Equity lança FIP com foco em pequena construtora

25 04 2008
Gazeta Mercantil – SP – 02.04.2008

Para concorrer no mercado imobiliário com grandes empresas do setor, que recentemente conseguiram captar recursos com o ingresso no mercado de capitais, as construtoras e incorporadoras de pequeno e médio porte começam a buscar a parceria com os fundos de private equity.

Com foco nesse nicho de mercado ainda descapitalizado, a Global Equity está lançando um FIP (Fundo de Investimento em Participações), o Global Equity Properties FIP, destinado a investidores qualificados nacionais e internacionais, com a previsão de captação de R$ 500 milhões. A operação deve ser fechada até o dia 30 de abril. Segundo o diretor de private equity da gestora, Carlos Cesar Ruiz, cerca de 30% desse montante deve ser captado com um fundo de private equity estrangeiro e o restante será aportado por investidores institucionais brasileiros. “O objetivo é alcançar uma taxa de performance do fundo de 20% do que exceder o IPCA mais 8%”, afirma Ruiz.

O fundo terá como foco o investimento em projetos imobiliários de construtoras e incoporadoras de pequeno e médio porte de até R$ 50 milhões de VGV (Valor Garla de Vendas), que possam oferecer um retorno de cerca de 30% ao ano. “Fechamos inicialmente com um grupo de 20 construtoras que atuam fora do eixo Rio de Janeiro/São Paulo, com presença no interior desses Estados, em Minas Gerais e na região Nordeste”, afirma.

Ele destaca que, dentro desse setor, o fundo poderá investir nas áreas de imóveis comerciais, residenciais, de rede hoteleiras e do setor turístico no Nordeste. “Nós vamos investir nos projetos através da criação de uma SPE (Sociedade de Propósito Específico), em que o fundo poderá deter 51% de participação”, afirma.

Ruiz ressalta que o setor imobiliário ainda tem um grande potencial para crescer no Brasil, com um déficit habitacional de cerca de 8 milhões de residências e alongamento dos prazos de financiamento.

Alternativa de capitalização

Além disso, esse fundo constitui uma alternativa que as construtoras poderão contar para buscar captação de recursos para viabilizar seus projetos de maneira competitiva. Até então, a opção para essas empresas era se associar a grandes construtoras para desenvolver seus empreendimentos ou vender seus projetos para esse grupos, o que acarretava desde perda de autonomia para seus projetos, até conflitos de cultura. Agora elas podem contar, segundo Ruiz, com os fundos de private equity como sócios para seus investimentos como uma forma de conseguir financiamento mais barato.

“Trata-se de um fundo inovador por ser o primeiro FIP imobiliário voltado para projetos diversos, diferente da maioria dos FIPs que acabam investindo apenas em um projeto de grande porte”, destaca.

Ruiz afirma que esse fundo preenche uma lacuna no mercado e dá ao investidor a possibilidade de investir diretamente em projetos, em vez de aplicar na empresa, o que proporciona uma alta taxa de retorno, com menor volatilidade, por apresentar baixa correlação com a bolsa. Aquecimento do mercado

O lançamento do fundo Global Equity Properties FIP marca a retomada da atuação da Global Equity no mercado de private equity. Segundo Ruiz, esse setor deve estar bastante aquecido neste ano, com a redução das emissões no mercado de capitais, com a crise no cenário externo. “É uma forma de as empresas obterem financiamento mais barato e de os investidores alcançarem um alto rendimento”, afirma.

Ele destaca que, mesmo com a crise no mercado imobiliário norte-americano, muitos fundos de private equity estrangeiros começaram a voltar seus interesses para o investimento em mercados emergentes. “Só que, ao contrário do nosso fundo, que oferece uma diversificação dos riscos com a inclusão de diferentes projetos no portfólio, os grandes fundos estrangeiros costumam entrar apenas em grandes empreendimentos imobiliários”, afirma.





Fit e Monarca

25 04 2008

 

As incorporadoras Fit Residencial e Monarca anunciaram, ontem (10),  a parceria firmada para atender o segmento econômico na construção civil. Juntas desenvolverão empreendimentos que variam entre R$ 70 mil e R$ 200 mil, destinados a famílias com renda entre 5 e 20 salários mínimos. 

A Incorporadora Monarca, tradicionalmente conhecida no Paraná, com 10 anos de atuação, até então focava seu trabalho em imóveis considerados de luxo. “Para a Monarca, a parceria firmada com a Fit Residencial, marca a entrada neste mercado ainda não explorado pela empresa e que indica ser o mais promissor neste momento que o setor está passando”, afirma o Presidente da Incorporadora Monarca, Seme Raad Filho.

A Fit Residencial é uma subsidiária criada pela Gafisa em março de 2007 para atuar especificamente no segmento econômico. Ainda no primeiro trimestre de 2007, a empresa assinou um protocolo de intenções junto a Caixa Econômica Federal, de um ano de duração, que permite que os interessados usem uma taxa de juros a partir de 6% e financie em até 100% do valor do imóvel no prazo máximo de 30 anos.

Segundo Newman Brito, presidente da Fit Residencial, Curitiba é um mercado potencialmente atrativo para a oferta de um produto de dois e três dormitórios até R$ 200 mil, “durante muito tempo esse nicho de mercado ficou sem oferta por conta da falta de financiamento bancário. Entendemos que existe uma demanda reprimida neste produto”, salienta.

“A parceria que está sendo firmada será de uma gestão de negócios compartilhada, sendo cada uma das incorporadoras responsáveis por determinados setores”, explica Seme.

A Monarca que já possui outros modelos de parceria no mercado paulista, acredita que o foco da parceria firmada junto a Fit Residencial poderá maximizar e potencializar os negócios imobiliários para os dois lados. “O grande benefício desta parceria será a soma da expertise de cada uma das empresas. A troca de experiências faz com que o sucesso do produto seja outro. As demais atividades da Monarca seguirão inalteradas, e a parceria será para os futuros empreendimentos”, avalia o presidente da Monarca.

A união entre Monarca e Fit Residencial se deve grande demanda reprimida da oferta do produto econômico e de bons terrenos para incorporar. “A Fit investe em regiões com boa infra-estrutura e serviços, onde há uma expectativa de crescimento deste mercado além de perspectivas de atuação em longo prazo”, comenta Brito.

A parceria realizada entre as incorporadoras vem em um momento de consonância entre a oferta de crédito e a procura do primeiro imóvel próprio. “É esse o perfil do nosso consumidor. Alguém que mora de aluguel, pretende ter o seu imóvel e pode se apoiar em facilidades como linhas de financiamento, que até então não era atendido”, enfatiza Seme.

“Nossa parceria, ao longo do tempo, tem como objetivo consolidar a Fit Residencial como líder de mercado no Paraná”, finaliza Brito.





Encol diz ter R$ 200 milhões em caixa, mas não encontra credores

25 04 2008

Quase dez anos depois de a construtora e incorporadora Encol ter ido a bancarrota, os administradores da massa falida daquela que foi a maior empresa de construção civil no segmento residencial do país têm nas mão um problema não muito comum para uma companhia que foi à falência com dívidas de mais de R$ 1 bilhão: dinheiro em caixa e falta de credores.

Com mais de R$ 20 milhões em seus cofres e outros R$ 180 milhões em recebíveis de curto e médio prazos, a massa falida da Encol não consegue pagar os débitos trabalhistas – os primeiros a serem quitados, de acordo com a lei – porque simplesmente não faz idéia de onde estejam os mais de quatro mil ex-funcionários que entraram na Justiça contra a empresa. “O dinheiro está disponível, queremos pagar, mas esse pessoal não aparece e, por isso, o processo de liquidação dos débitos está praticamente parado”, diz Olvanir Carvalho, síndico da massa falida da Encol. “Estamos até pensando em colocar um anúncio no intervalo do Jornal Nacional para ver se achamos essa gente”, diz.

Pelas estimativas dos administradores do que sobrou da Encol, cerca de R$ 1,3 mil ex-funcionários já ganharam o processo na Justiça, estão com a decisão homologada, mas não se habilitam a receber a quantia a que têm direito. Pela lei, em casos como esse, os trabalhadores precisam enviar a decisão judicial que lhes deu a vitória nesses processos para o juízo universal do caso, que vem a ser a 11ª Vara Cível de Goiânia, cidade que foi a sede da Encol. “É simples, é só o advogado enviar a decisão para o juízo universal, que as envia para nós e, se tudo estiver correto, fazemos o cheque nominal para esses ex-funcionários”, diz Carvalho.

Cerca de outros três mil ex-empregados da empresa também ganharam o direito na justiça e não tiveram a decisão homologada, porque desapareceram ou estão com os processos parados porque simplesmente desistiram de dar continuidade, acreditando que não ganhariam nada. “Esse é um problema grande para nós, porque sem pagá-los não podemos continuar com o processo”, afirma o síndico da massa falida da Encol.

Pelas estimativas de Olvanir Carvalho, cerca de R$ 40 milhões serão gastos para quitar os débitos desses funcionários desaparecidos. Cerca de 10 mil ex-empregados já receberam ao que tinham direito, o que totalizou cerca de R$ 60 milhões. “Mas esses valores foram pagos sem juros e correção, pode ser que após o pagamento de todos os débitos, a Justiça determine que os valores sejam revistos, o que pode fazer com que os cerca de R$ 200 milhões que temos hoje fiquem integralmente com os trabalhadores”, afirma Carvalho.

Quando faliu, há exatos nove anos, a Encol tinha 15 mil trabalhadores espalhados por todo o país. E é exatamente essa diversificação regional que fez da empresa a única construtora verdadeiramente nacional de sua época uma das causas dos problemas enfrentados pelos administradores da massa falida hoje. “Era gente demais, em lugares demais e a maior parte desses que não aparecerem era pessoal de canteiro de obras, que tradicionalmente migra muito”, afirma Carvalho.

Os ex-funcionários de áreas administrativas, por exemplo, já receberam suas indenizações. Quase todos que têm direito, mas não se habilitam a receber, são pedreiros, mestre-de-obras, pintores, eletricistas, enfim, funcionários que trabalhavam diretamente nos mais de 700 edifícios que a companhia estava construindo na época de sua falência. “Para completar, a administração deles era caótica, os cadastros eram mal feitos, não havia controle de nada”, diz o síndico.

Exemplo mais claro disso é o número de ativos que constavam nos registros da empresa quando esta foi a falência e os que de fato existiam, espalhados por todo o país. Quando os administradores assumiram a massa falida, acreditava-se que a Encol possuía 1,5 mil imóveis, terrenos, lotes, galpões industriais e esqueletos de edifícios. Após uma busca pelos cartórios das principais cidades onde a empresa atuava, esse número cresceu quatro vezes. “Nós vendemos, via leilões judiciais, mais de seis mil imóveis, desde fazendas até esqueletos de fábricas de portas”, diz o síndico da massa falida. Mais de 40 mil itens de escritório foram a leilão, assim como automóveis, 500 monitores de computador e dez caminhões repletos de fichas cadastrais, que foram digitalizadas pela massa falida.

Hoje, a Encol continua com uma dívida de R$ 1,4 bilhão, sendo que R$ 1 bilhão são devidos ao fisco. Essa dívida, por certo, nunca será paga. Os 42 mil mutuários que foram abandonados pela companhia há nove anos conseguiram, na maior parte, construir os prédios com empréstimos bancários. Mas muitos deles lutam na justiça para serem ressarcidos. “Apesar de todos os dramas pessoais que a empresa causou ao menos os trabalhadores terão seus direitos pagos, mas isso só se eles parecerem, né?”, afirma o síndico da massa falida da Encol.





Alta de escritórios em Curitiba supera São Paulo

25 04 2008

Arquivo com recorte do artigo publicado: Alta de escritórios em Curitiba supera SP





O retrato dos novos consumidores brasileiros

25 04 2008

Exame – SP – 17.04.2008

O Brasil passa por uma transformação sem precedentes no perfil de seus consumidores — são eles que ditarão as regras de um mercado próximo de chegar a 1 trilhão de dólares por ano (…)

No setor imobiliário, a evolução das mulheres como consumidoras tem tradução em números. Há dez anos, 5% dos apartamentos de dois ou três dormitórios estavam no nome delas. Hoje são 38%. Para conquistar esse mercado em ascensão, a construtora Tecnisa pesquisou os gostos femininos e se adaptou a eles. Desde 2005, a empresa possui um programa de relacionamento com os clientes que envolve o envio de mimos em uma caixa.

“Mulheres adoram caixas”, diz Carlos Alberto Julio, presidente da empresa. Uma semana após fechar um negócio, a Tecnisa manda à casa de seus novos clientes, por exemplo, uma caixa com duas taças e uma garrafa de champanhe. “Cada vez mais, vemos as mulheres tomando as decisões de consumo em vários setores”, diz Franck Rosez, diretor de marketing da financeira Cetelem. (…)

 





Quatro novos espigões na avenida Faria Lima

25 04 2008

O terreno de 17.350 m em plena avenida Brigadeiro Faria Lima, endereço mais valorizado para empreendimentos corporativos na capital paulista, foi arrematado pelas incorporadoras Brascan Residential Properties, Company e Grupo Victor Malzoni. Enquanto o mercado suscitava uma transação de R$ 500 milhões, montante que teoricamente o fundo inglês McCafferty estaria disposto a pagar e que as consultorias imobiliárias já apontavam como irreal, o acerto foi de R$ 125 milhões, pagos pela Brascan, mais um adicional em permuta de participação no empreendimento a ser desenvolvido.

A negociação foi feita com o investidor Wafic Said, ligado à família real saudita, que adquiriu a área (à altura do nº 3.601) em 2003, do empresário Naji Nahas. Apesar de ser o último grande espaço disponível na avenida, a movimentação imobiliária no “miolo nobre” da Faria Lima promete seguir intensa. A Tishman Speyer adquiriu a área em frente, onde ficava a lanchonete Richard’s, e vai erguer uma torre corporativa, plano que também tem o Grupo Birmann para a área que comprou, ocupada hoje pela Playtennis. Além disso, um fundo imobiliário está finalizando a compra do terreno ocupado pelo Posto Ipiranga, esquina com a Av. Juscelino Kubistchek.

Na transação com Wafic Said, os acertos couberam à Company e ao grupo Malzoni, que chamaram a Brascan na rodada final. A idéia é construir um edifício corporativo de alto padrão (“triple A”) e um shopping de pequeno porte, somando 77.464 m de área, potencial construtivo máximo do terreno.

“Compramos o terreno com o projeto aprovado pela Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano, mas faremos algumas modificações. Estamos avaliando o melhor produto para o local”, disse Marcos Levy, presidente da Brascan Residential Properties. O valor do aluguel para escritórios de alto padrão nesta avenida já chega a picos de R$ 130 por m². “O novo empreendimento deve ultrapassar essa quantia”, avalia André Strumpf, gerente de escritórios e varejo da consultoria Colliers International. “Num prazo de dois anos, quando deve ser entregue, a oferta de escritórios de alto padrão terá aumentado, mas a Faria Lima segue como endereço mais valorizado.”

As transações de terreno ali têm média de R$ 10 mil a R$ 15 mil por m – a estimativa é que o negócio total do consórcio represente quase R$ 20 mil/m de chão, o que demandaria, conforme o especialista, valor de locação superior a R$ 150/m de laje. “Pode chegar ao dobro no shopping”, estima Strumpf. Os preços só não devem disparar pelo equilíbrio de oferta. Segundo a Colliers, serão entregues mais de 300 mil m de laje de alto padrão em São Paulo este ano. Levy afirma que o consórcio ainda não tem a escritura definitiva do terreno, finalizando detalhes com o proprietário. Enquanto Company e Brascan são abertas e têm recursos do mercado financeiro, Malzoni está capitalizado com a venda de seus shoppings, em dezembro, por cerca de R$ 1 bilhão.

Na sexta, a Brascan confirmou ainda a compra da MB Engenharia, antecipada aos investidores em março, e anunciou programa de recompra de ações. Os fatos renderam alta de 7,92% de suas ações. Os papéis da Company subiram 0,89%.