MRV destina todo seu banco de terrenos para o pacote habitacional

21 04 2009

Mercado Imobiliário (Mirian Blanco)

 Vice-presidente da construtora admite destinar todos os terrenos da construtora para o programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal

“Pretendemos direcionar todo o landbank [da companhia] para o pacote habitacional do Governo Federal.” A afirmativa é de Leonardo Corrêa vice-presidente de Relações com Investidores da MRV, construtora mineira especializada no segmento econômico e que detém hoje cerca de R$ 9 milhões em bancos de terras, segundo dados de dezembro de 2008. O executivo afirmou que 95% dos empreendimentos atuais da empresa se enquadram no plano Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo Governo Federal e que vai destinar R$ 34 bilhões para a construção de um milhão de casas. No raio de oportunidades almejadas pela construtora entram todas as faixas de atuação do pacote: de zero a três; de três a seis e de seis a dez salários mínimos. “A faixa abaixo de três mínimos interessa muito a MRV porque é onde está o maior déficit, e com os subsídios do governo ficará muito interessante para as construtoras que souberem trabalhar”, diz. Segundo o executivo, a empresa foi a primeira a apresentar à Caixa Econômica Federal uma planilha detalhada com os projetos já aprovados ou em fase de aprovação, prontos ou em fase de lançamento. No total, somam-se 90 mil unidades espalhadas nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, com preços que variam entre R$ 46 mil e R$ 130 mil.





A banda pede passagem

21 04 2009

O uso de fibra óptica na construção de condomínios de alto padrão começa a ganhar espaço no Brasil. O Paraná deverá ter ainda em 2009 o lançamento de um empreendimento com a novidade

Um dos desafios de arquitetos, engenheiros e outros profissionais ligados ao espaço urbano é projetar e reestruturar as edificações levando em conta o avanço da tecnologia das comunicações. A convergência das mídias faz com que os usuários procurem por serviços que reúnam telefonia, internet ultra-rápida e tevê. Nessa onda, algumas construtoras e incorporadoras passam a considerar o uso de modernas tecnologias de infraestrutura que atendam a essa necessidade.

Uma das formas de utilizar essa tecnologia é prevendo no projeto o uso de cabos estruturados de fibra óptica que permitem a transmissão de dados em alta velocidade. “A fibra óptica é utilizada no Brasil desde 1995, mas apenas até as centrais das companhias de telefonia. Os cabos que levam o serviço até a casa dos usuários é de cobre”, diz o gerente de desenvolvimento de novos clientes da Furukawa, Edmond Ayvazian.

A empresa, que detém 50% do mercado de cabos estruturados de fibra óptica, tenta popularizar o uso da fibra, aculturando o mercado da construção civil para a adoção de tecnologias avançadas de infraestrutura de redes de comunicação em novos empreendimentos, especialmente os de alto padrão.

Para Ayvazian, as construtoras que não pensarem em soluções modernas ficarão para trás. “Há um crescimento vertiginoso na adesão da banda larga no Brasil e a indústria do entretenimento se mobiliza para ofertar novos serviços digitalizados. O Brasil precisa se antecipar para prover infraestrutura adequada e atender aos desejos e necessidades da população”, alerta.

A empresa pretende distribuir tecnologia triple-play, que reúne tevê, internet de banda ultra-larga (algo em torno de 100 mega bites de velocidade) e telefonia no ambiente residencial. “A ausência de soluções para as necessidades presentes e futuras dos moradores resultará em insatisfação, porque uma comunicação rápida e eficaz tornou-se parte inseparável do conceito de condomínio inteligente”, diz o executivo.

A implantação de redes compostas por fibra óptica é chamada de fiber to the home (FTTH) e leva o cabeamento óptico até uma central dentro da casa do assinante. Dessa central é feita a distribuição de dados. Todas as aplicações (tevê, internet, etc) são providas através dessa rede óptica.

Ayvazian comenta que no Japão o FTTH está em 35% dos domicílios, com 100 mega bites de velocidade por um custo de US$ 40 por mês. “Essa realidade ainda é distante do Brasil, mas na próxima década com certeza teremos um uso extensivo desse tipo de serviço”, analisa. A Furukawa não revela valores precisos, mas reconhece que por enquanto o custo elevado limita o uso apenas para os condomínios de alto padrão.

No Paraná não há nenhum empreendimento com FTTH. “O perfil das construtoras paranaenses é conservador. Mas estamos em negociação no interior do estado. Provavelmente em 2009 haverá o anúncio de um lançamento em Londrina com essa tecnologia agregada”, garante sem revelar o nome da construtora.

Em outros estados a empresa promoveu a instalação de sistemas ópticos em três condomínios residenciais de alto padrão, um em São Paulo e dois na Bahia. A diferença de valores da rede óptica para a metálica chegou a 30%.

Existem mais três condomínios no nordeste em construção e outros projetos de pequeno porte, cujos custos variam de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, de acordo com a empresa. “Esses condomínios no nordeste são destinados a estrangeiros que estão acostumados com qualidade de acesso a internet, por exemplo. Para as construtoras de lá o investimento é obrigatório para garantir o sucesso de venda”, ressalta o Ayvazian que defende que a tecnologia agregada deve se tornar um argumento de venda.

Um dos empreendimentos baianos com a tecnologia é o Casas de Sauípe, na Costa do Sauípe, com 113 residências. A concepção do projeto é da construtora Odebrecht. O gerente de obra da construtora, Moacyr Cardoso, diz que os resultados obtidos no projeto são inéditos no Brasil. “Os moradores têm uma solução de infraestrutura de comunicação muito avançada e pronta para qualquer evolução tecnológica que venha a ocorrer, com qualidade de sinal, durabilidade das instalações e capacidade de expansão.”

De acordo com a Furukawa, as construtoras Odebrecht e Record, ambas com ampla atuação no nordeste, utilizam em seus empreendimentos as redes de comunicação para viabilizar também itens de segurança, como o controle de acesso de pessoas e veículos com o uso de cartões magnéticos, elevadores e escadas rolantes com gerenciamento informatizado e detecção e alarme de incêndio automatizados.

O que é fibra óptica?

A fibra óptica é um excelente meio de transmissão utilizado em sistemas que exigem alta largura de banda, tais como: o sistema telefônico e redes locais (LANs). Há basicamente duas vantagens das fibras ópticas em relação aos cabos metálicos: a fibra óptica é imune a interferências eletromagnéticas, o que significa que os dados não serão corrompidos durante a transmissão.

Outra vantagem é que a fibra óptica não conduz corrente elétrica não sofrendo interferência quando há problemas com raios, por exemplo. O princípio que rege o funcionamento das fibras ópticas é a reflexão total da luz.





Resistentes à crise

10 04 2009

(Construção e Mercado) – 04/09

Conheça cinco localidades que seguem com boas oportunidades na construção civil

Não existe ilha de tranqüilidade na crise financeira global. E mesmo se existisse, não seria ela a construção civil, cuja engrenagem é movida a investimentos vultosos e de longo prazo, realizáveis, portanto, mediante condições econômicas minimamente favoráveis. Entretanto, é absoluto que o impacto das pressões atuais exerça influência distinta a depender das características de cada mercado, região, segmento, faixa consumidora etc. E são exatamente nessas variáveis que a construção civil também tem encontrado, Brasil afora, a prerrogativa do crescimento.

Construção Mercado foi atrás dessas oportunidades, perguntando: “onde a crise não chegou”. Na apuração, identificou localidades com capacidade reforçada de resistir ao desaquecimento: Cuiabá, impelida pela força do agronegócio, assim como Goiânia; Baixada Santista, impulsionada pela exploração de reservas de petróleo e gás natural; capital federal, Brasília, protegida por mais de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura; e Curitiba, com uma demanda de empreendimentos residenciais ainda pouco suprida.

Em todas, há uma série de indicadores – de emprego, produção industrial, consumo, velocidade de vendas – que se destacam frente aos números do restante do País, apontando perfis de investimento, segmentos específicos e públicos demandantes. Não, essas localidades não estão blindadas. Trata-se de resiliência – aquela habilidade de superar-se frente ao desafio. Confira, nas próximas páginas, as características de cada região e descubra onde há focos de prosperidades para o decorrer do ano.

Curitiba: da cautela ao crescimento
Empresas locais foram mais conservadoras no boom imobiliário e agora sentem pouco o desaquecimento
Ao final de 2008, o estoque de unidades habitacionais da região metropolitana de Curitiba acumulava 6.894 residências. Três meses depois, ou seja, em março de 2009, enquanto grande parte das capitais brasileiras amargava um trimestre com força de vendas moderadas, a capacidade de compra dos curitibanos se manteve fortalecida, fazendo despencar para 2.200 unidades a reserva de imóveis disponíveis. Considerando que a demanda média anual da capital gira em torno de 9.429 habitações e que, portanto, há ainda espaço potencial, neste ano, para 8.800 novas moradias, dá para se concluir que a construção civil curitibana não vive exatamente o que pelo Brasil (e mundo) afora tem se chamado de crise.

De acordo com Gustavo Selig, presidente da Ademi-PR (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná), a profundidade da estagnação do mercado imobiliário paranaense entre 1999 a 2004 explica o fôlego de crescimento atual. Naqueles anos, a capital do Estado registrou o valor por metro quadrado mais baixo dentre as capitais brasileiras e índices de lançamentos muito inferiores às médias do País, forçando a falência de empresas locais tradicionais.

O cenário começou a mudar em 2004, mas foi apenas em 2007 e, principalmente, em 2008, com um princípio de correção de valores, preços e lançamentos em escalas numerosas, que o mercado ingressou num ciclo de crescimento. Em 2004, 765 unidades verticais com três dormitórios foram lançadas em Curitiba, contra 3.605 apartamentos (quase cinco vezes mais) colocados à venda em 2008. “Mas por conta de tantos anos de estagnação, a oferta, que vem sendo de 3.304 unidades por ano, ainda não supre a necessidade do mercado de nove mil unidades por ano, com carência grande em todas as faixas de renda e de imóveis”, afirma Selig.

Para o presidente do Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná), Hamilton Frank, que não acredita em imunidade frente à crise – “quando ela vem, vem para todos” -, foi exatamente o sofrimento do setor que hoje garante o crescimento. “Vacinadas com o que ocorreu cinco ou seis anos atrás, as empresas locais foram mais conservadoras, até porque não deu tempo de as incorporadoras transnacionais chegarem até aqui, e, por isso, não houve excesso de lançamentos e o crescimento ainda é consistente”, explica. “Os negócios continuam normalmente e quem lançou um pouco menos em 2008, terá um mercado mais regulado em 2009.”

Por todos esses motivos, o mercado de construção imobiliária em Curitiba deve crescer, segundo expectativa da Ademi-PR, 38% em 2009. Apenas nos três primeiros meses do ano, historicamente fracos de venda, já se registra um aprimoramento de 13% no número de imóveis comercializados. Além disso, a região metropolitana de Curitiba registrou acréscimo de 504 empregos formais (+0,06%), o melhor desempenho entre as regiões do Paraná, sendo que a construção civil, em janeiro, registrou maior índice de aumento em contratação (1,50%) em relação ao mês anterior, na comparação com outras atividades econômicas.

Lançamentos mantidos
O otimismo é tanto que, na contramão da maioria das incorporadoras brasileiras, em Curitiba não se fala em protelação de novos produtos. “As empresas locais não recuaram das intenções que tinham no ano passado”, comenta Frank, do Sinduscon-PR.

“Na primeira quinzena de março, tivemos uma reunião com os empresários locais e todos confirmaram novos lançamentos para este ano”, diz Selig, da Ademi. O que tem ocorrido, segundo ele, é uma readequação de projetos: em vez de lançar um apartamento com quatro dormitórios, lança-se um de três para aumentar o potencial de consumidores, por exemplo.

Em números de alvarás, a prefeitura já aprovou, no primeiro trimestre do ano, 31 novas obras. A própria empresa de Gustavo Selig, a Héstia Construções e Empreendimentos, comprova a boa fase da capital dos empresários locais. “Os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram 70% melhores que no ano passado, não tenho nada do que reclamar”, diz.

Na Apolar Imóveis, os resultados também são positivos. “No mês passado, cinco dias depois do lançamento de um prédio, já tínhamos negociado um terço do total”, alegra-se Daniel Galiano, diretor da divisão vendas da imobiliária. De acordo com ele, as transações de apartamentos à vista tiveram um aumento de 15% do total de negócios realizados no início do ano.

O único índice que revela algum impacto negativo frente ao receio de instabilidade econômica do mercado atual, segundo o dirigente, refere-se à velocidade de efetivação de negócios. “Há seis meses, o tempo médio de fechamento de contrato era de cinco dias. Hoje, passou para 18 dias”, conta.

Regiões e tipos de imóvel
Os profissionais consultados concordam que a demanda da capital paranaense contempla todas as classes sociais e padrões de imóveis. Dos populares (de R$ 60 a R$ 90 mil) e econômicos (de R$ 90 a R$ 150 mil) aos de médio (até R$ 350 mil) e alto padrão (a partir de R$ 350 mil). Mas também todos afirmam que a carência maior da região remete ao público com renda de até cinco salários mínimos, que procura apartamentos de cerca de R$ 150 mil. “Por outro lado, 10% da demanda refere-se a consumidores com renda acima de 20 salários mínimos para apartamentos acima de R$ 600 mil”, diz Selig.

Dados atualizados da Ademi-PR mostram que cerca de 60% dos lançamentos de Curitiba e região metropolitana se concentram na região do entorno do centro da capital. Outras áreas satisfatoriamente supridas são os bairros nobres de Cabral, Centro Cívico, Batel, Vila Isabel e Água Verde. Já as novas oportunidades – ou focos de baixa concentração imobiliária – localizam-se, ainda segundo a entidade, na região de Pinhais – área metropolitana que ainda não registra nenhum lançamento, e São José dos Pinhais.

Indústria segue estável
Dados recentes do IBGE mostram que entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os índices regionais brasileiros da produção industrial ajustados sazonalmente avançaram em apenas oito dos 14 locais pesquisados. Entre esses, Paraná foi o que obteve melhor resultado, de 6,8%, crescimento muito acima da média nacional (2,3%), embora tivesse vindo de dois meses consecutivos de queda, acumulando perda de 13,7% nesse período. Com isso, a média móvel trimestral (-2,8%) reduziu o ritmo de queda em relação ao mês anterior (-4,4%).

Ainda assim, por se tratar de uma região metropolitana com refinarias da Petrobras, o potencial construtivo em infraestrutura e, principalmente, em ampliação de plantas continua expressivo. O Sinduscon-PR também informa que tanto os municípios quanto o Estado têm licitado um número significativo de obras, que abrangem saneamento, conservação de rodovias e construção de hospitais e escolas.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
Contextual: a estagnação do mercado imobiliário local por mais de cinco anos provocou um déficit habitacional ainda demandante e não suprido;
Mercado: ao contrário de regiões de euforia do boom da construção, Curitiba manteve um crescimento conservador, embora perene, com estoques baixos.
Principais investimentos na região: Lançamentos imobiliários de todos os portes, com destaque para o segmento popular voltado às famílias com renda de até cinco salários mínimos.
Oportunidades: Imóveis econômicos, com preço de venda de até R$ 150 mil, em regiões afastadas do perímetro central de Curitiba, como São José dos Pinhais e Pinhais.

Brasília em obras
Mais de R$ 1 bilhão em obras de infraestrutura já licitadas, novo bairro de 200 hectares e estabilidade do funcionalismo público sustentam a construção brasiliense
O nível salarial e a estabilidade do funcionalismo público, assim como as obras de infraestrutura previstas pelo governo do Distrito Federal garantem à capital do País uma perspectiva de crescimento no mercado de construção acima da média nacional em meio à crise de crédito e de confiança na economia.

Quarenta e oito anos depois de construída, a cidade vive ainda a expectativa de uma nova grande onda de obras. A espera pode ser desencadeada pela provável escolha de Brasília como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de futebol de 2014 e pela abertura de uma área de expansão imobiliária. Por ser capital e ter feito investimentos de cerca de R$ 50 milhões no estádio do Bezerrão, a cidade é considerada uma das favoritas.

Mas representantes do setor de construção reconhecem que Brasília não está imune aos efeitos da crise e reduziram as expectativas altas de crescimento do setor, que continuam maiores à média nacional.

“Nossa expectativa, antes da crise se manifestar, era de que tivéssemos um crescimento de 20 e poucos por cento este ano. Agora trabalhamos com a previsão de 15% de aumento sobre o ano passado”, afirma Elson Ribeiro e Póvoa, presidente do Sinduscon-DF (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal).

Salários e infraestrutura
Póvoa diz que esse crescimento se dá sobre um patamar elevado, já que em 2008 o setor de construção já havia crescido cerca de 20% em relação a 2007. O salário da elite do funcionalismo federal, que está em torno de R$ 10 mil, em média, mas pode chegar a R$ 24 mil, continua a ser determinante para a estabilidade do mercado na capital.

Entretanto, o empresário Gil Pereira, diretor presidente da construtora Emplavi – voltada para o segmento de alta renda – pondera a suposta estabilidade do mercado consumidor. “Do meu público, compradores de imóveis classe A, apenas 16% são funcionários públicos federais”, diz o empresário, cujo principal lançamento este ano, um residencial para as classes A e B na cidade satélite de Águas Claras, está seguindo, segundo ele, esse padrão de vendas.

Para o construtor, a economia da capital se diversificou e se tornou mais complexa nos últimos anos, com o crescimento dos setores de serviços, comércio e indústria não poluente. O diretor conta que o choque inicial da crise financeira levou a uma redução de 30% nas vendas nos meses seguintes a setembro de 2008 em relação à igual período no ano anterior. Porém, meses depois a procura de clientes por novos empreendimentos oscilou, sem tendência muito forte.

Mas é na independência em relação aos mecanismos de financiamento bancários que reside uma das vantagens de certas empresas do setor de construção brasiliense para tocar obras e garantir condições de crédito a clientes. “O efeito da crise é avassalador sobre os agentes financeiros, mas nossa situação é mais tranquila porque essa é uma crise de crédito e financiamos com recursos próprios tanto a obra quanto a venda para o cliente final”, explica o empresário.

Outro fator de aquecimento desse mercado é o conjunto de construções de infraestrutura previsto para o Distrito Federal em 2009 e nos próximos anos. “Temos mais de mil obras públicas sendo realizadas, mais de R$ 1 bilhão em obras licitadas”, calcula o presidente do Sinduscon-DF. “Temos, por exemplo, as obras do metrô, que já têm recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e as obras do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que vai ligar o aeroporto e as áreas da W3 Sul e Norte, que também têm recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).”

Em uma cidade tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade e na qual as terras são monopólio do Estado, 2009 começou com uma medida longamente aguardada pelo setor imobiliário da capital e que deve ter efeitos “anticíclicos” em relação à crise financeira. Em janeiro, o governo do Distrito Federal licitou uma área no Setor Noroeste, em que 43 lotes residenciais e 11 comerciais foram vendidos por R$ 537 milhões.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
Nível salarial superior ao funcionalismo público nacional; investimentos em infraestrutura garantidos e potencial de construção de um bairro de 200 hectares – o Setor Noroeste, recentemente licitado

Principais investimentos na região
Mais de mil obras públicas sendo realizadas e cifra superior a R$ 1 bilhão em projetos licitados, segundo o presidente do Sinduscon-DF. Entre os empreendimentos, destacam-se: investimento de R$ 260 milhões na compra de 12 novos trens do metrô do DF e mais R$ 600 milhões para construção de cinco novas estações; construção do VLT (Veículo Leve sobre Trilho) e de um terminal no final da Asa Sul; R$ 232 milhões na construção do VLP (Veículo Leve sobre Pneus), que ligará o Gama a Santa Maria; construção de 43 lotes residenciais e 11 comerciais já vendidos por R$ 537 milhões

Oportunidades
Imóveis de alto padrão e projetos de infraestrutura, em especial de saneamento e transporte, e expansão imobiliária caso seja escolhida como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de futebol de 2014

Setor Noroeste em trâmite
Anunciada pelo governo do Distrito Federal como a “maior licitação da história” da Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), a venda de lotes do Setor Noroeste, em janeiro deste ano, abriu uma nova área de expansão na cidade, que é apontada como uma oportunidade de investimento para empreendedores imobiliários e prestadores de serviço de construção.

Localizado em área nobre, no final da Asa Norte, entre o Parque Ecológico Burle Marx e o Parque Nacional de Brasília (Água Mineral), o Setor Noroeste tem 200 ha e está sendo apresentado pelo governo brasiliense como o primeiro bairro ecológico do Brasil. A venda dos lotes deve aquecer o setor de construção não apenas devido aos novos imóveis particulares, mas porque o governo prometeu investir 100% dos R$ 537 milhões obtidos na licitação.

Segundo o diretor técnico e de fiscalização da Terracap, Luís Antônio Reis, 10% do valor arrecadado será investido em infraestrutura do próprio Setor Noroeste, 5% usado para urbanizar o Parque Burle Marx e outros 85% serão destinados às áreas em desenvolvimento do Distrito Federal, como a Estrutural, Sol Nascente, Pôr do Sol e Itapuã. “O Setor Noroeste ainda não tem nenhuma infraestrutura, tudo vai precisar ser construído e já há recursos para isso, que é o dinheiro da própria venda dos lotes”, diz Elson Ribeiro e Póvoa, do Sinduscon-DF.

Ele diz acreditar que a venda dos imóveis a serem construídos no setor será um sucesso devido à grande demanda de pessoas que desejam morar no Plano Piloto. Gil Pereira, da Emplavi, adquirente de lotes no Setor Noroeste, afirma, entretanto, que nenhuma construção começou no local porque os novos proprietários ainda não receberam escrituras e não foi aprovado o alvará para nenhuma obra. “As pessoas pagaram, mas não têm escritura, norma de gabarito, nenhum prédio foi lançado ainda”, reclama.

A assessoria da Terracap nega que haja qualquer problema na liberação da documentação. Para o presidente do Sinduscon-DF, é natural que o trâmite burocrático não seja imediato, mas ele acredita que os primeiros lançamentos devem ser feitos ainda em 2009.

Petróleo e gás protegem a Baixada
Investimentos da Petrobras na Bacia de Santos e melhoria na infraestrutura da região alavancam os negócios na Baixada Santista e ajudam a diluir os efeitos negativos da crise
O litoral de São Paulo, em especial a Baixada Santista, mantém, no fundo do mar, um seguro contra a crise. A exploração de reservas de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, imprescindível para garantir a oferta de energéticos no País em níveis adequados nos próximos anos, exigirá da Petrobras investimentos de US$ 25 bilhões até 2013.

Alguns dados já revelam essa blindagem da região contra crise, como a manutenção dos empregos, constatada pela Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Estado de São Paulo. De setembro a dezembro de 2008, a Baixada Santista registrou aumento das contratações de 0,75%. Pode parecer pouco, mas das 15 macroáreas que compõem o Estado, essa foi a única que não registrou queda no número de vagas no período.

Na construção civil, embora alguns efeitos do desaquecimento econômico tenham sido sentidos, como a queda das vendas de imóveis, muitos negócios continuam sendo fechados. “As vendas diminuíram, mas não estão paradas, sobretudo quando se tratam de produtos bem desenvolvidos”, afirma Carlos Alberto Campilongo Camargo, vice-presidente do Secovi, atuante principalmente nas cidades de Bertioga e Guarujá. Segundo Camargo, após o período de euforia, o mercado vive um momento de ajuste entre vendas e obras e entre oferta e demanda. “Isso significa que as oportunidades continuarão existindo, ainda mais para as empresas com tradição, qualidade e foco na região”, acredita Campilongo.

“Com o anúncio de investimentos no setor petrolífero, muitos profissionais e empresas ligadas a esse setor já demonstram interesse em reservar o local onde instalarão um escritório ou para onde se transferirão daqui a no máximo três anos”, comenta Marcelo Lima Bonanata, diretor de vendas da Helbor. Em Santos, a construtora e incorporadora lançou, no final do ano passado, uma torre comercial no bairro de Vila Rica e, em cerca de dois meses, já havia comercializado metade das 506 salas comerciais colocadas à venda. “Atualmente trabalhamos no pré-lançamento de um residencial de alto padrão com Valor Global de Vendas de R$ 29,2 milhões. Também temos outros terrenos já adquiridos e em prospecção para futuros lançamentos residenciais e comerciais”, revela Bonanata.

Em Santos, as oportunidades se voltam principalmente para espaços comerciais com boa localização. Flávio Martins, diretor da MM Negócios Imobiliários, explica que isso se deve à pouca oferta disponível, sobretudo de lajes corporativas com amplas metragens. “Seja pelo potencial de construção, seja pelos investimentos da Petrobras, Santos parece ser a bola da vez”, afirma Martins. Para ele, nesse momento de readequação, outro segmento que desponta com potencial de crescimento é o econômico para segunda residência, em especial na Praia Grande.

Contribui muito o fato de alguns municípios terem feito a sua lição de casa, investindo em infraestrutura e em planos de requalificação urbana, caso da Praia Grande. A qualidade de vida, por exemplo, deu um salto, com destaque para Santos, que nos últimos anos vem se mantendo entre as cinco cidades com melhor Índice de Desenvolvimento Humano do País, segundo levantamento do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). “Ao mesmo tempo, registramos um avanço considerável das condições de acesso a esses municípios que deve melhorar ainda mais com a inauguração do Rodoanel, que encurtará as distâncias entre o interior do Estado e o litoral”, acrescenta Campilongo, lembrando que tais progressos, para o mercado imobiliário, costumam ser ótimos impulsionadores do segmento de segunda residência.

Logística, saneamento e transporte
Além das plataformas, gasodutos e de toda infraestrutura necessária para exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, a Petrobras anunciou a construção da sede de sua Unidade de Negócios no bairro do Valongo, uma área degradada do Centro Histórico santista. Composto por três torres, a primeira delas a ser entregue até o início de 2011, o empreendimento será erguido em um terreno de 25 mil m² adquirido da Prefeitura e poderá abrigar seis mil trabalhadores a partir de 2012.

Paralelamente aos planos da Petrobras, recursos públicos e privados já comprometidos injetam ânimo na economia do litoral paulista. Só na reformulação e ampliação do Porto de Santos, onde algumas obras já começaram, a soma de investimentos derivados do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e de empresas privadas chega a R$ 3,6 bilhões.

Destacam-se, também, grandes projetos de terminais privados, como o da BTP (Brasil Terminais Portuários) e o da Embraport (Grupo Coimex), ambos na margem esquerda do Porto. Esse último, a um custo de US$ 900 milhões, deverá se tornar o maior terminal portuário privado do País, com capacidade para movimentar 1,2 milhão de contêineres e 2 milhões de m3 de etanol por ano. Previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2011, terá as obras executadas por um consórcio liderado pela Odebrecht.

Para o vice-presidente executivo do Grupo Coimex, Orlando Machado Junior, o País não pode deixar a crise financeira internacional atravancar novos investimentos em infraestrutura logística e energética, assim como em educação. “Esta é uma oportunidade de encurtar a distância que temos em relação a outras economias mais desenvolvidas e mais afetadas pelos problemas recentes”, ressalta Machado Júnior.

Essa visão pauta, ainda, os aportes do Governo do Estado, que mantém o plano de investimentos de R$ 1,47 bilhão, no período 2007-2010, do Programa Onda Limpa. Desenvolvido pela Sabesp para beneficiar cerca de 3,5 milhões de pessoas, entre residentes e visitantes, a iniciativa contempla os quatro municípios do litoral Norte (Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba) e toda a região metropolitana da Baixada Santista (Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente).

Na área de transportes, outra ação do Governo do Estado muito aguardada é a construção do túnel submerso que ligará os municípios de Santos e Guarujá. A construção, que irá descongestionar a travessia por balsas, está orçada em cerca de R$ 450 milhões. A licitação, segundo os planos do Palácio dos Bandeirantes, deve ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
A região conta com investimentos públicos em infraestrutura (saneamento, estradas e urbanização, principalmente) e tem localização estratégica, por conta da proximidade com a capital paulista e de suas instalações portuárias.

Principais investimentos na região: Estão em basicamente quatro áreas: 1) Energia – Exploração de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, em especial na camada pré-sal; 2) Infraestrutura portuária – Ampliação e modernização dos Portos de Santos (e de São Sebastião), além da construção de terminais privados no Porto de Santos (Embraport e BTP); 3) Saneamento – Tratamento e abastecimento de água na Baixada Santista e no litoral Norte, além da construção de emissários; e 4) Transporte – Túnel Santos-Guarujá.

Oportunidades: Estão nas obras de infraestrutura, em especial portuárias, de saneamento e na área de petróleo e gás; nos empreendimentos residenciais de luxo (tanto na Baixada Santista, quanto litoral Norte); nos edifícios de escritórios (em Santos, sobretudo com lajes amplas); e em empreendimentos econômicos no litoral Sul para segunda residência (Praia Grande, principalmente).

Campo impulsiona Cuiabá
Números do agronegócio fomentam construção civil em Cuiabá e região, ao lado de demanda por infraestrutura e recursos federais para habitação de baixa renda
Ao mesmo tempo em que lidam com as questões particulares de seus setores, os empresários do Mato Grosso se mantêm de olho no desempenho do agronegócio no Estado. Compreensível: é do campo que saem as riquezas que dão sustentação à economia local.

Ainda que a crise mundial coloque os produtores em estado de alerta, não há indícios de que a região vá perder o destaque que conquistou em diversas culturas. O Estado é o maior produtor de soja e algodão do País, além de possuir o segundo maior rebanho bovino e a segunda maior produção nacional de milho. As exportações do agronegócio mato-grossense ficaram em quarto lugar no ranking brasileiro de 2008, somando US$ 7,7 bilhões, em 2007, esse número foi de US$ 5,03 bilhões.

Apoiada na liquidez difundida por tais resultados, a construção civil em Cuiabá e cidades próximas segue alheia à onda de restrições que tomou conta da maioria dos mercados. Ao menos por enquanto, os efeitos do novo cenário revelam inclusive facetas positivas. “Acho que essa crise foi até boa porque acabou aquele negócio de falta de cimento, falta de aço”, afirma Luiz Carlos Richter, presidente do Sinduscon-MT (Sindicato das Indústrias da Construção do Estado de Mato Grosso).

Segundo o dirigente, se o setor continuasse no ritmo de expansão galopante em que vinha até setembro do ano passado, a escassez de materiais e a inflação nos preços seriam cada vez mais problemáticas. “Hoje o custo do aço e do cimento já diminuiu. Estamos com um crescimento mais sustentado, o pessoal colocou mais o pé no chão”, analisa.

A previsão da entidade é de que em 2009 o setor cresça 10% em relação a 2007 – que “já foi um ano muito bom”, de acordo com Luiz Richte. O ano passado não entraria na conta devido ao seu caráter excepcional; seria inviável, na atual conjuntura, igualá-lo e ainda superá-lo – o que não indica necessariamente retração. As porcentagens são calculadas com base no consumo das principais matérias-primas da construção, volume de empregos no setor e também pela somatória de projetos aprovados, em metros quadrados, nas prefeituras.

Vendas na crise
Quando os problemas no crédito começaram a surgir, dando origem a dificuldades no setor por todo o Brasil, as construtoras do Mato Grosso não estavam nem endividadas, nem alavancadas. A observação é do empresário Júlio Cesar de Almeida Braz, sócio-diretor da Ginco Empreendimentos, que atua no ramo de condomínios horizontais em Cuiabá desde 2001. “Estávamos com projetos em andamento e, de certa forma, não mudamos nada”, garante.

A afirmação é comprovada no lançamento pela Ginco, em novembro de 2008 (período de latência da crise), de um conjunto de três condomínios que somam 860 casas na faixa dos 60 m². “Apenas em 90 dias, vendemos mais de 700 unidades”, comemora Braz. “Tínhamos a expectativa de concluir a comercialização em um ano e meio, e vamos conseguir antecipar o encerramento das vendas para menos de seis meses.”

No outro segmento de atuação da Ginco, o de imóveis de padrão mais elevado, o reflexo imediato da turbulência mundial foi uma elevação nas vendas, nos meses de setembro e outubro do ano passado. “Muita gente que estava investindo no mercado financeiro, na bolsa de valores, tirou rapidamente o dinheiro e buscou um porto seguro, caso do imóvel”, explica Braz.

Depois dos meses de novembro e dezembro estabilizados no que toca à procura dos compradores, o sócio-diretor da Ginco voltou a experimentar incremento nas vendas em janeiro e fevereiro deste ano. “A leitura que faço é a seguinte: estamos um pouco distantes desse processo que vem ocorrendo nos grandes centros”, diz Júlio Cesar Braz.

Como conseqüência mais evidente do freio do setor, o mercado imobiliário de Cuiabá e arredores sentiu o sumiço das grandes empresas que haviam entrado na região. A novidade não está sendo exatamente lamentada pelos construtores locais. Havia queixas quanto à concorrência predatória de algumas incorporadoras de capital aberto, oriundas, sobretudo, de São Paulo. “Toda semana tinha alguém aqui. Estávamos avaliando uma área por R$ 3 milhões, chegavam e ofereciam R$ 10 milhões”, lembra Braz. “Isso acabou completamente.”

Mais investimentos
Se por um lado companhias fortes do ramo alimentício, como Sadia e Perdigão, congelaram investimentos polpudos que fariam no Mato Grosso, prejudicadas pela crise financeira, por outro lado o ano de 2009 corre recheado de boas perspectivas. Uma delas está ligada à reativação das obras de PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) no Estado, várias das quais paralisadas no ano passado por questões ambientais, de invasão de áreas indígenas, entre outros motivos.

Na seara da habitação de interesse social, as previsões são também muito otimistas, baseadas no volume de financiamentos a serem liberados pela Caixa Econômica Federal. “Em 2008, a Caixa investiu mais de R$ 300 milhões no Estado, por meio de diversas linhas de crédito. Este ano, a notícia é de que serão mais de R$ 600 milhões”, relata Luiz Richter, do Sinduscon-MT. Os recursos viriam do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e da Caderneta de Poupança, além de integrarem o escopo do PAR (Programa de Arrendamento Residencial).

“O Governo do Estado também contribui por meio do Fethab (Fundo Estadual de Transporte e Habitação), entrando principalmente com recursos necessários para a infraestrutura dos bairros, enquanto a Caixa financia as habitações”, esclarece Júlio Cesar Braz, da Ginco.

Outro fator de intensa expectativa dos empresários mato-grossenses é o anúncio (adiado para o mês de maio) das cidades que serão sede da Copa do Mundo no Brasil, em 2014. Cuiabá é uma das candidatas à escolha da Fifa (Federação Internacional de Futebol). Caso se confirme, a paisagem local mudará radicalmente. “Há tudo por fazer, ainda”, resume Braz.

Para o presidente do Sinduscon-MT, a confirmação do evento no município vai repercutir num aspecto já delicado hoje: a falta (em volume e qualificação) de mão-de-obra na construção civil do Estado. “Esse é o nosso principal gargalo hoje”, acredita Luiz Richter. “Nos grandes centros, há possibilidade de se tirar mão-de-obra de alguma outra área para trabalhar na construção. Aqui não dá, temos uma limitação. Outros setores, como o agronegócio, estão remunerando muito bem os funcionários.”

O sócio-diretor da Ginco Empreendimentos confirma a dificuldade. “Para se ter ideia, um empresário do setor chegou a fazer uma promoção: os funcionários que permanecessem na empresa iriam participar, no final do ano, do sorteio de uma motocicleta por cada obra”, relata Braz. “Esse é o caminho: cada construtora segurar seus operários como puder”.

Sobre o tema da qualificação profissional, vale mencionar a Escola da Construção, inaugurada em dezembro de 2007 em Cuiabá pelo Senai-MT (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Mato Grosso). A unidade oferece mais de 60 cursos, como apontador de obras, pintor, instalador hidráulico e predial, assentador de revestimento cerâmico, armador de ferros, pedreiro, entre outros.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
A construção civil na região tem sido “protegida” pela força do agronegócio no Estado.

Principais investimentos na região: Perspectiva de R$ 600 milhões em 2009, para financiamento habitacional, oriundos da Caixa Econômica Federal.

Oportunidades: Imóveis para baixa renda são a principal janela no momento. Caso a cidade se confirme como sede da Copa do Mundo, investimentos gerais em infraestrutura serão necessários, uma vez que “há tudo por fazer”, incluindo obras viárias, de transporte público e empreendimentos comerciais e hoteleiros.

Goiânia: na esteira de 2008
Pesados investimentos realizados no ano passado garantem crescimento da região
Em meio ao pânico dos mercados mundiais, os ventos de crise parecem ter atingido apenas brandamente a região de Goiânia. Incrustada no coração do Planalto Central, a jovem cidade – 75 anos de idade – de pouco mais de dois milhões de habitantes segue firme. Goiás foi um dos oito Estados brasileiros que apresentaram saldo positivo de emprego em fevereiro. Quais as razões dessa paz?

O fato de Goiânia não ter uma cultura de mercado financeiro como o eixo Rio- São Paulo talvez seja um primeiro indicativo para responder à questão. Assim, os setores que mais sofreram são os mais dependentes do mercado externo e que operam com moeda estrangeira, e os que atuam pesado no mercado financeiro, que representam uma parcela pequena da economia goiana.

“Passamos um 2008 com muitos investimentos em vários segmentos da economia, como agronegócio, mineração e indústrias alcooleiras”, afirma Roberto Elias, presidente do Sinduscon-GO (Sindicato da Indústria da Construção do Estado de Goiás). “Isso teve um efeito residual que perdurou e ainda se mantém nesse início de 2009.”

Essa solidez fica evidente quando se olha para os números da construção. Uma pesquisa da Ademi-GO (Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário) sobre lançamentos imobiliários mostra que entre janeiro de 2008 e janeiro de 2009 Goiânia teve um total de 8.077 unidades vendidas, média de 642 por mês. O total de recursos movimentados nessas transações foi de R$ 1.711.224.975.

“O que percebemos de saída ao olhar para esses resultados é que a demanda existe e é real”, analisa Ilézio Ferreira, presidente da Ademi-GO. “As expectativas para esses meses se mantêm nos mesmos patamares.” Como aconteceu nos demais mercados, os imóveis de mais alto padrão tiveram uma retração, mas que foram compensados com folga pelos lançamentos para as classes mais baixas. Elias aponta os imóveis entre 50 m2 e 75 m2 e com valor de venda até R$ 150 mil como um filão importante.

O mercado imobiliário de Goiânia comporta outro segmento que também tem sentido pouco os efeitos da crise: compra e venda de imóvel usado e locação. A desaceleração enfrentada no segundo semestre, sobretudo nos meses de mais incerteza (entre setembro e novembro), foi completamente superada já em janeiro, principalmente nos imóveis residenciais; os comerciais, naturalmente, sofreram um pouco mais.

“A análise que temos feito é que a necessidade de locação é perene”, diz Marcelo Baiocchi, presidente do Secovi-GO (Sindicato da Habitação do Estado de Goiás). “A pessoa pode até passar a morar em um imóvel menor e mais barato, mas não vai deixar de ser inquilina”, explica. Na avaliação de Baiocchi, isso garante aquecimento constante do setor, e a procura por imóveis para locação como fonte de renda é um importante alvo de investimentos.

Cultura do financiamento
Uma peculiaridade do mercado imobiliário goiano, especialmente distinta quando comparada à realidade dos mercados do Sudeste, é a ainda incipiente participação dos financiamentos bancários no total de transações imobiliárias. Esse é um desafio apontado pelos profissionais do setor para dar um salto no número de empreendimentos, sobretudo nas classes mais baixas. Há quem especule, até, que o fato de a Encol – construtora que faliu em 1997 – ter nascido em Goiânia seja um fator psicológico que influa o mercado até os dias de hoje.

“Para atender à demanda das classes mais baixas é fundamental ter financiamentos bancários, prazos longos e juros baixos”, afirma Roberto Elias, do Sinduscon. Ele também avalia que os recursos do PAC que ainda não vieram são de suma importância para que a construção ganhe vulto. “O mercado imobiliário quer empreender principalmente no entorno de Goiânia, mas esbarra na não liberação das AVTO’s (Análise de Viabilidade Técnica Operacional). Sem elas, não aprovamos os projetos e não se pode construir para a população de renda mais baixa.”

Em meio a esse cenário, há expectativa considerável em torno do pacote do presidente Lula para fomentar a habitação entre as classes mais baixas. “Estamos aguardando essas ações com ansiedade”, diz Ilézio Ferreira, da Ademi.

“A nosso ver, os principais benefícios para a iniciativa privada advindos desse projeto devem ser colhidos no longo prazo”, avalia Marcelo Baiocchi, do Secovi. “Num espaço de cinco ou dez anos essas pessoas devem começar a procurar novos imóveis, o que também vai gerar um impacto positivo no setor.” Ele também espera que a Caixa Econômica Federal atue mais no fomento à produção, não só concentrando os esforços na figura do adquirente de imóveis. “É preciso estimular toda a cadeia do negócio.”

Em consonância com o sentimento geral dos agentes imobiliários e da construção por todo o País, os goianos são unânimes em apontar um esforço para uma desburocratização geral: no acesso ao crédito, na aprovação de projetos, no licenciamento ambiental. “Temos que simplificar e facilitar a vida de quem quer empreender no País”, diz Roberto Elias, do Sinduscon. “Perdemos muito tempo e dinheiro.”

“Hoje todas as nossas obras têm uma série de valores agregados que demandam custos”, explica Ferreira. “Também temos uma expectativa muito grande de que os juros pagos ao financiamento habitacional possam ser deduzidos do IR, de uma redução na taxa de juros e no IOF para o setor imobiliário, além do IPI sobre os materiais, principalmente para as habitações de baixa renda.”

Copa do mundo
Por fim, há uma grande expectativa para a nomeação de Goiânia como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de futebol de 2014. Em se confirmando, ela trará uma série de pesados investimentos em infraestrutura. “Goiânia vai virar um grande canteiro de obras”, diz Ferreira.

Há uma lista grande de obras que vão movimentar toda a cidade, caso eleita: a ampliação do aeroporto, a construção do anel viário, uma nova estação de tratamento de água, duplicação de rodovias, a reforma do estádio e do autódromo, um novo zoológico e um novo parque agropecuário, entre diversas outras.

Além disso, a estrutura hoteleira necessariamente terá que passar por uma radical ampliação – em Goiânia, hoje, só há um hotel cinco estrelas. O potencial turístico da região ainda é muito pouco explorado, com baixas taxas de permanência de turistas. Mesmo que a seleção brasileira não ganhe a taça, os goianos terão muito o que comemorar se a cidade for uma das sedes.

RESUMO DA REGIÃO
Por que não sentiu a crise?
De acordo com as fontes da reportagem, os investimentos em 2008 em Goiânia se concentraram principalmente em produção e infraestrutura, notadamente em agronegócio e usinas sucroalcooleiras. Os setores mais sensíveis às turbulências do mercado seriam os atrelados a recursos estrangeiros.

Principais investimentos na região: Na construção, os principais investimentos estão concentrados no setor de habitação, sobretudo para as classes C e D.

Oportunidades: Embora haja demanda considerável para imóveis de alto padrão, as residências de classe média e baixa são a atração do setor. Há grande expectativa, também, para o possível anúncio de Goiânia como uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, o que atrairia pesados investimentos na infraestrutura da cidade, desde aeroportos e avenidas até estrutura hoteleira e turística.





A vida sem limitações

3 04 2009

(Arquitetura & Urbanismo) – 2009

O desafio de desenvolver um projeto que promova a qualidade de vida de portadores de alzheimer

A vida humana, especialmente a dos idosos, encarada com respeito e dignidade. Essa filosofia foi a tônica do Hiléia, residencial dirigido a pessoas da terceira idade, projetado pelo escritório de arquitetura Aflalo & Gasperini. Situado no Morumbi, bairro nobre da zona Sul de São Paulo, o Hiléia integra as funções de hotel, residencial e clube, com especialização em pessoas com mal de Alzheimer. Tal composição de atividades resultou de um trabalho de muita pesquisa realizado pela administradora e diretora presidente do empreendimento, Cristiana D’Andrea, que visitou centros de idosos de países como Canadá, Estados Unidos, França e Holanda para encontrar o modelo brasileiro ideal: um lugar que une lazer, hotelaria e saúde, levando sempre em conta a qualidade de vida das pessoas que o frequentam ou habitam.

Os projetos holandeses foram os que ficaram mais próximos do desejo da administradora, que há 18 anos trabalha na área hospitalar e descartou de imediato o modelo de alguns dos espaços visitados porque, apesar da excelência de serviços e tratamentos, eram afastados das cidades e apresentavam certo isolamento nada favorável à saúde dos idosos.

Estava delineado o perfil conceitual do Hiléa, nome pelo qual o naturalista alemão Alexander Humbolt se referia à floresta amazônica e que, em linhas gerais, remete à diversidade e riqueza da vida. O idoso precisa estar inserido no contexto urbano, em ambientes especialmente projetados para seu conforto e que prevejam soluções para suas dificuldades de locomoção, visão ou discernimento. Para o Hiléa, a intenção era que o idoso tivesse três opções: passar somente o dia e voltar para sua casa à noite, ficar hospedado no final de semana ou nas férias ou ainda morar no hotel que oferece todas as condições de segurança e tratamentos de saúde. A ideia de sua construção foi encampada pela Stan Empreendimentos Imobiliários e logo se iniciaram as reuniões para a concepção do projeto arquitetônico.

O sociólogo, arquiteto e professor norte-americano John Zeisel, consultor do Hiléa na área de arquitetura comportamental, disse em entrevista publicada em AU 162 (set/2007), que “em centros de tratamento de portadores de Alzheimer há inúmeras especificidades. Os corredores, por exemplo, devem mostrar um destino claro, que conduza o paciente a andar com objetivo, e não a vagar, ação muito comum em quem sofre dessa doença”. Segundo Zeizel, também é importante estimular a identificação do paciente com o local, conferindo ao edifício uma aparência semelhante à de suas residências. “Somado a isso, temos o controle de saídas perigosas, a multiplicidade de espaços públicos, os jardins e o ideal de proporcionar independência ao idoso.”

“Os espaços foram estudados nos mínimos detalhes, foi um grande desafio para nós, já que o programa era extenso para atender a todas as necessidades dos idosos”, conta o arquiteto Luiz Felipe Aflalo Hermann. Num terreno de 2.600 m², com declive de cerca de seis metros, o complexo é composto por dois volumes: um embasamento horizontal com três pavimentos de áreas comuns do hotel e da clínica; o segundo é totalmente verticalizado e foi implantado no alto do terreno, onde se eleva como um prédio laminar com 50 m de comprimento por 17 m de largura, com oito pavimentos onde se distribuem as suítes. Na cobertura foi instalada uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A frente do terreno foi ocupada por um volume como se fosse uma caixa quadrada, onde se encontram espaços destinados a lazer e múltiplas atividades. No térreo, há restaurante, sala para reuniões e festas, estar com lareira, bilhar, praça, recepção e um porte cochere para entrada de carros.

O primeiro pavimento é dedicado aos pacientes com Alzheimer e às suas necessidades especiais. Aqui os espaços não podem ter muita transparência para evitar que os pacientes percebam o cair da tarde e se deprimam. Outro dado importante é que eles precisam ter referências do passado, visto que sua memória é bastante remota.

Assim, a praça com pé-direito duplo tem cobertura com iluminação zenital e é ambientada como um cenário de 50 anos atrás – postes antigos, piano de cauda, cinema com programação de filmes antigos, barbearia, livraria e mesinhas.

Um pavimento inteiro foi ocupado com consultórios de várias especialidades, como gerontologia, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição e terapia ocupacional, entre outras. Todo um esquema de segurança foi montado com cuidados especiais para os pacientes com Alzheimer, com postos de enfermagem e de apoio estrategicamente colocados em vários pontos, banheiros amplos, câmeras, sensores e dois elevadores privativos com espaço para maca, além dos quatro elevadores sociais existentes no edifício.

Cada pavimento reservado aos idosos com Alzheimer tem posto de enfermagem, refeitório, sala íntima com TV e 18 apartamentos de 36 m². Cada suíte pode acomodar uma pessoa ou um casal é está totalmente equipada para suprir as necessidades de conforto e também de locomoção dos pacientes tendo, inclusive, um trilho no teto que facilita o transporte do idoso. Na parede atrás da cama, um quadro camufla toda a parafernália de equipamentos hospitalares para casos de emergência. Para bem-estar emocional de internos e familiares, mobília e objetos de decoração pessoais podem ser instalados nos quartos.

Os idosos que frequentam o Hiléa como um clube têm à disposição inúmeras atividades de lazer. Aproveitando o declive do terreno, os arquitetos utilizaram o primeiro subsolo, que se abre para os jardins, e ali instalaram piscina coberta, sauna, salas de musculação, salas de fisioterapia e massagem, ateliês de pintura, cabeleireiros e sala para crianças – estas, um estímulo para que filhos e netos visitem seus pais e avós sem aborrecer as crianças, e sem que elas aborreçam os mais velhos.

Com 13.400 m² de área construída, o Hiléa apresenta arquitetura contemporânea e materiais práticos e funcionais, porém houve o cuidado de aquecer visualmente a edificação com o uso de madeiras, como o ipê nos ripados colocados no térreo, nos terraços e na cobertura, estabelecendo unidade plástica ao conjunto. A mesma madeira reveste os pilares estruturais aparentes. Promovendo contraste de tonalidades, o volume da frente recebeu revestimento de placas pré-moldadas de laminado melamínico em cor clara. Um modo de filtrar a intensidade da luz natural foi instalar pergolados no térreo e na cobertura, criando, assim, identidade além de sombrear o local.

“Foi emocionante fazer esse projeto, pois além de lembrarmos de nossos pais, passamos também a refletir sobre nossa própria velhice. Como seremos? Bem, por enquanto, o importante é oferecer o melhor de nossos corações e mentes a esses idosos”, diz Luiz Felipe Aflalo Hermann.

FICHA TÉCNICA
Arquitetura: Aflalo & Gasperini – Luiz Felipe Aflalo Hermann, Gian Carlo Gasperini, Roberto Aflalo Filho
Coordenação: Luana de Alencar Radesco
Arquitetos: Flavio Garcia, Marcos Pi Bertoncello
Estagiário: Camila Hirota
Desenhos para publicação: Eduardo Mizuka
Incorporação: Stan Empreendimentos Construtora: RFM
Fundação: Fundacta
Acústica: Acústica e Sônica
Pressurização: Willem Scheepmaker & Associados
Impermeabilização: Proassp
Automação: MHA Engenharia
Cozinha industrial: Cocicov
Caixilharia: AEC
Elevador: Empro Engenharia
Estrutura: Pasqua & Graziano
Paisagismo: Isabel Duprat
Luminotecnia: Mingrone Iluminação
Combate a incêndio: Ofos Engenharia e Consultoria





Construções econômicas e sustentáveis

2 04 2009

(Gazeta do Povo) – 29/03/09

Produtos para obras mais rápidas e a busca por edificações eficientes, que respeitem o meio ambiente e proporcionem conforto ao usuário, foram o foco da 17ª edição da Feira Internacional da Indústria da Construção Civil, a Feicon

A 17ª edição da maior feira da construção civil da América Latina, a Feira Internacional da Indústria da Construção Civil (Feicon Batimat), que movimentou o Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, ao longo dessa semana, centrou seus esforços em produtos que barateiam obras e fazem economia de recursos naturais, como água e luz, ajudando também o bolso do consumidor final.

A Feicon 2009 trouxe cerca de dois mil lançamentos em produtos de todos os tipos, de fios elétricos a metais sanitários – grande parte com foco na sustentabilidade, palavra que tem significado complexo, mas pode ser resumida em um conjunto de ações que minimizam o impacto ambiental e o uso de recursos naturais. Produtos de alto desempenho e com recursos inovadores, como uma ducha que, além de cromoterapia, tem sistema de som e aromatização, também fizeram sucesso.

Ao todo, foram 650 expositores de 21 países – 23 empresas do Paraná. O volume de negócios ainda não foi estimado, mas a julgar pelos números do ano passado (mais de R$ 400 milhões) serão altos.

No primeiro dia do evento, na última terça-feira, o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, abriu a feira falando da “importância do setor para a economia do país, como locomotiva do desenvolvimento brasileiro, principalmente em tempos de crise”. O prefeito parabenizou os organizadores e participantes da feira pela preocupação com o bolso do brasileiro. Esse pensamento esteve presente em muitos produtos e, em especial, em uma casa que foi a sensação da Feicon e foi motivo de interesse do secretário estadual de Habitação de São Paulo, Lair Krähenbühl, durante uma visita monitorada, para um estudo mais apurado para a construção de residências populares: a Casa Acqua.

Ecologicamente correta

A Casa Acqua é uma edificação conceito com 100 metros quadrados, sete cômodos e dois andares e foi construída no pavilhão da Feicon em 15 dias com uma série de produtos e técnicas sustentáveis que consideraram as condições climáticas da capital paulista como base. O projeto, uma ação conjunta da Missão Econômica da França no Brasil, da Fundação Vanzolini e da Reed Exhibitions Alcântara Machado (organizadora da Feicon), é do arquiteto Rodrigo Mindlin Loeb e a execução da obra da Inovatech Engenharia. A construção da obra seguiu os critérios do Referencial Técnico de Certificação da Construção Sustentável – Processo Acqua (Alta Qualidade Ambiental), programa de certificação inspirado no sistema francês HQE (Haute Qualité Environnementale) e adaptado pela Fundação Vanzolini à realidade climática e econômica brasileira.

O sistema foi desenvolvido por professores do departamento de Engenharia de Construção Civil da USP, pela Inovatech Engenharia e outros pesquisadores a partir da cooperação do Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB) – instituto francês que é referência mundial em pesquisas da construção civil.

Construída com a frente voltada para a face norte, a Casa Acqua recebe a luz do sol o dia todo, porém com um anteparo (uma pequena parede atravessada na janela) que, embora deixe passar a claridade, não permite a incidência direta dos raios solares no interior do imóvel, o que colabora para o conforto térmico. Tijolos de solo cimento (mistura de argila e cimento que não exige queima), placas de OSB (aglomerado) de reflorestamento e madeira certificada cobertas por embalagens longa vida recicladas completam o visual “natureba” da casa, que ainda tem outro detalhe chamativo: um telhado invertido.

“A inclinação para dentro do telhado (feito com fibra de celulose reciclada impermeabilizada com betume e protegida com resina) permite um acúmulo maior de água da chuva para o sistema de reaproveitamento (para tarefas que não exigem água potável, como lavar a calçada). Além de colaborar com o conforto térmico da edificação, já que não fica em contato direto com o forro, criando um “bolsão de ar” que diminui a influência climática externa na ambientação interna da casa, deixando a temperatura agradável”, explica o coordenador da Casa Acqua pela Inovatech Engenharia, Luiz Henrique Ferreira.

O piso da casa é elevado alguns centímetros do chão para facilitar a manutenção da residência. “Quando preciso basta levantar algumas das placas de madeira e trocar qualquer encanamento ou rede elétrica danificada. O piso elevado facilita a obra como um todo e a manutenção da casa depois. Em caso de qualquer defeito basta levantar algumas placas de madeira do piso, sem a necessidade daquela quebradeira de alvenaria e desperdício de material de construção”, exemplifica Ferreira.

Outros produtos como torneiras e válvulas de descarga econômicas, divisórias de dry-wall (gesso acartonado) para deixar os ambientes acusticamente agradáveis e iluminação planejada e automatizada, que evita desperdício de energia elétrica, são algumas das várias características que fazem da Casa Acqua um modelo prático e com bom custo-benefício (entre R$ 1.200 e R$ 1.600 o metro quadrado) de moradia brasileira.

Entre os fornecedores que ajudaram a construir a edificação conceito está a Leroy Merlin, a Mobix (medidores individuais de água e gás), a HP Pisos Elevados e Onduline do Brasil (telhado de celulose) e os grupos Lafarge (dry-wall) e Legrand (iluminação automatizada).

Importados: França se destaca

Entre os 21 países que estiveram presentes na Feicon, China e França tiveram espaços reservados especialmente para eles que, em um momento de crise mundial, viram no Brasil uma perspectiva de bons negócios. Só a França, segundo a Ubifrance, agência francesa semelhante à nossa Agência Brasileira de Promoção às Exportações e Investimentos (Apex), trouxe 14 empresas (quatro a mais que no ano passado) com novidades em tecnologia construtiva e decoração, boa parte voltada para a sustentabilidade.

Um revestimento de placas cerâmicas externo para paredes e telhados, de rápida instalação e durabilidade (não é preciso trocar nunca), foi um dos destaques franceses. Vendidas pela Terreal, as placas têm vários formatos e tons naturais, obtidos com a mistura de mais de uma tonalidade de argila e podem ser instaladas, segundo o representante da empresa no Brasil Yannick Laporte, por qualquer empresa já acostumada com processos como o das fachadas inteiras de vidro. “O sistema não exige nenhuma preparação especial da alvenaria ou estrutura metálica antes da aplicação, não precisa de manutenção (a não ser limpeza por causa do pó) e é 100% reciclável.” O custo do produto importado é de R$ 130 a R$ 500 o metro quadrado, fora os valores de instalação.

Painéis de madeira made in Ponta Grossa

Entre as 23 empresas paranaenses na Feicon Batimat 2009, a LP Building Products Brasil, com fábrica em Ponta Grossa e escritório em Curitiba, foi destaque, com uma “simulação” de uma casa de 100 metros quadrados construída com o método “framing” ou de “molduras” de metal, em que painéis de madeira tipo OSB (Oriented Strand Board, em inglês) são encaixados e parafusados. A empresa comprou a divisão de OSB da Masisa no ano passado.

Uma das grandes possibilidades desse tipo de construção, que já é largamente utilizada nos Estados Unidos, é a aplicação para habitações populares. “A construção no método framing com os painéis OSB é mais rápida, mais limpa e, se feita em grande escala, também mais barata”, explica o engenheiro civil e técnico da LP Brasil, André Morais da Silva.

Segundo Silva, a construção de uma casa popular de 40 metros quadrados levaria de 10 a 15 dias para ficar pronta nesse sistema. “Acredito até que é justamente uma aplicação assim que falta para divulgar o sistema no Brasil, quebrar paradigmas e formar mão-de-obra. Uma obra de 1.000 casas formaria cerca de 500 profissionais nesse sistema que não é difícil, apenas diferente.” Os painéis de OSB podem receber qualquer tipo de acabamento, tinta, cerâmica, etc.

Para a fachada externa a LP Brasil também lançou o LP SmartSide, linha de painéis que reproduz a aparência de madeira natural e vem pronto para pintar, com proteção contra fungos e cupins. Os painéis têm 20 anos de garantia estrutural.

Outro produto lançado na feira com foco nas construções residenciais é o LP Membrana, produto que vem dos Estados Unidos que nada mais é do que uma manta que, colocada entre os painéis e o revestimento, funciona como uma barreira à umidade externa, ao mesmo tempo em que deixa o vapor interno de água sair para fora da construção. Com isso, o produto evita a formação de fungos e mofo no interior da residência.

Loft tecnológico

Além da Casa Acqua e da construção em painéis OSB da LP Brasil, o Loft Hi-tech da iHouse, empresa de automação brasileira com 10 anos de mercado e sede em São Paulo, também foi uma das sensações da Feicon Batimat 2009. O loft de 150 metros quadrados mostrou todo o leque de opções em automação, que oferece pelo celular o controle, à distância, de todos os recursos de uma residência (controle de entrada e saída da porta e também de um condomínio, iluminação, climatização, acionamento de equipamentos como o chuveiro e assim por diante).

Assinado pelo arquiteto Márcio Guirado, o projeto, que tem sala, cozinha gourmet, sauna e banheiro (além de um espaço de destaque para a banheira Smarthydro, assinada pelo designer Guto Índio da Costa), custou cerca de R$ 500 mil. “É a primeira vez na Feicon que recursos de automação tão modernos ficam acessíveis a um público tão grande”, comentou o gerente comercial da iHouse, Daniel Hornos.

Torneira Smartfaucet

Torneira Smartfaucet

Entre as mil possibilidades de programação e cenários do loft, um lançamento chama a atenção. Inédita no mundo, a torneira eletrônica Smartfaucet é acionada por reconhecimento facial e a sua tela permite o acesso ao email, à previsão de tempo e a uma agenda.

Além da automação, o loft também traz outros luxos, como um painel de pedra ônix translúcido semiprecioso (R$ 24 mil o metro quadrado) da Galleria della Pietra, que fica sobre a cabeceira de uma cama de design holandês (a Royal M4IR da Auping), com atestado de qualidade da coroa real holandesa.








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