MRV aumenta em 50% projeção de vendas no ano

20 05 2009

João Marcos Rosa/Ag. Nitro, Daniela D’Ambrosio, (Jornal O Valor)

Menin, presidente da MRV, empresa hoje tem 9,1 mil pessoas nos canteiros de obras e deve encerrar o ano com 16,5 mil
O pacote habitacional do governo já coloca as empresas de construção especializadas na baixa renda em um novo patamar. Embora o plano tenha entrado em vigor no dia 13 de abril e, portanto, sem impacto nas vendas do primeiro trimestre, as companhias aproveitaram o momento de falar ao mercado para divulgar novas estimativas de lançamento e vendas.

Depois de a PDG Realty aumentar sua estimativa de lançamentos em 25% em média e de a Gafisa prever que a Tenda venderá mais do que ela própria – R$ 1,5 bilhão contra R$ 1,1 bilhão – a mineira MRV aumentou em 50% sua projeção de vendas diante da demanda adicional criada pelo “Minha Casa, Minha Vida”. A companhia, que sempre atuou no segmento econômico, estima vender este ano entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,9 bilhões, contra previsão anterior de vender entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões. No ano passado, a MRV vendeu R$ 1,54 milhão. A meta é comercializar entre 25 mil e 30 mil unidades, contra 14,5 mil em 2008. “O ritmo da empresa mudou totalmente”, diz Rubens Menin, presidente da MRV. “Já temos 60 mil clientes cadastrados em nosso site interessados no programa.”

Além das projeções, os números de abril divulgados por algumas das companhias já dão o tom do novo cenário. A MRV vendeu, no mês de abril, R$ 270 milhões. O número representa quase 63% de tudo o que foi vendido no primeiro trimestre inteiro pela companhia – R$ 430 milhões. “Estamos otimistas porque o primeiro trimestre já havia sido muito bom para a companhia, apesar do ambiente econômico”, diz Menin. Na PDG Realty, as vendas aumentaram 36% em unidades em relação ao mesmo mês do ano passado e na Rodobens, as vendas de abril quase dobraram.

Embora as empresas não queiram aumentar suas despesas administrativas, o que impacta diretamente o resultado, estão contratando pessoal – mas em escalões mais baixos, onde os salários são menores. A equipe de vendas on-line da MRV saiu de 230 corretores para 330 corretores. A empresa mineira possui construtora própria e também deve aumentar os número de funcionários nos canteiros de obras. No primeiro trimestre de 2009, contava com 9,1 mil funcionários nas obras. Até dezembro, a meta é chegar a 16,5 mil empregados.

Mesmo quem já atuava no segmento econômico precisou se “enquadrar” melhor ao programa e está reduzindo os valores dos apartamentos – para aproveitar, principalmente, o universo de famílias entre três e seis salários mínimos, onde o subsídio do governo pode chegar a R$ 23 mil. O preço médio da MRV que era de R$ 110 mil no ano passado deve encerrar o ano em cerca de R$ 90 mil. A PDG aumentou de 14% para até 34% a estimativa de lançamentos entre R$ 70 mil e R$ 100 mil.

A receita líquida da MRV foi de R$ 272 milhões, 44% acima do mesmo período de 2008. O lucro líquido foi de R$ 49 milhões (com margem líquida de 18%), alta de 15% sobre o ano passado.





Conheça o plano “Minha Casa, Minha Vida”

8 05 2009

(Construção e Mercado) – maio/09

Objetivos
1) Construir um milhão de moradias, das quais:

  • 400 mil para famílias com renda até três salários mínimos (SM)
  • 200 mil para faixa de renda familiar entre três e quatro SM
  • 100 mil para faixa de quatro a cinco SM
  • 100 mil para famílias com renda entre cinco e seis SM
  • 200 mil para famílias com renda entre seis e dez SM

2) Gerar emprego e renda por meio do aumento do investimento na construção. Segundo o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), a construção de um milhão de habitações em dois anos poderia gerar 500 mil vagas.

Valores

  • Unidades para famílias de zero a três SM:

R$ 52 mil (apartamentos) e R$ 48 mil (casas) para os municípios das regiões metropolitanas do Estado de São Paulo, municípios de Jundiaí, de São José dos Campos e Jacareí. Para os demais municípios, os valores são de R$ 46 mil (apartamentos) e R$ 42 mil (casas)

  • Unidades para famílias de três a 10 SM:

R$ 80 a R$ 130 mil para imóveis localizados nas regiões metropolitanas do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Para as outras capitais e cidades limítrofes e também para os municípios com mais de 500 mil habitantes, o teto para o financiamento é de R$ 100 mil. Nos demais municípios, o valor é de R$ 80 mil

Distribuição dos recursos

  • Segue a composição do déficit habitacional medido pelo IBGE (mas sujeita a alterações em função da maior ou menor contribuição de Estados e municípios)
  • Espera-se que o Plano reduza em 14% o déficit habitacional brasileiro que atualmente é de 7,2 milhões de moradias

Como será implementado?
1) Por meio de subsídios e desonerações que somam R$ 34 bilhões. Desse total:

  • 20,5 bilhões da União (para moradia, financiamentos, seguros)
  • 7,5 bilhões do FGTS
  • 5 bilhões da União (para infraestrutura)
  • 1 bilhão do BNDES (financiamento à cadeira produtiva)

2) Pela diminuição dos custos cartorários
Para mutuários:

  • Cartório gratuito – famílias com renda de até três SM
  • Redução de 90% dos custos – famílias com renda entre três e seis SM
  • Redução de 80% dos custos – famílias com renda de seis a dez SM

Para empreendedores, redução de:

  • 90% nos custos cartoriais para imóveis de até R$ 60 mil
  • 80% para imóveis de até R$ 80 mil
  • 75% para imóveis de até R$ 130 mil

Redução dos custos de incorporação: as matrículas abertas a partir do registro da incorporação não resultarão em novos custos para o empreendedor.

3) Dando agilidade à aprovação dos projetos

  • Prazo de 15 dias para o cartório conceder o número do registro que permita o início do empreendimento e mais 15 dias para emissão do registro definitivo
  • Análise total pela Caixa em 30 a 45 dias
  • Até 30 dias para as prefeituras aprovarem os projetos
  • Redução de prazos e procedimentos para obtenção da licença ambiental. Espera-se que em no máximo 60 dias possa ser expedida

4) Desonerando o setor. Redução da alíquota do RET (Regime Especial de Tributação da Construção Civil), que substitui PIS, Cofins, IRPJ e CSLL:

  • De 7% para 1% para imóveis de interesse social de até R$ 60 mil
  • De 7% para 6% para o demais imóveis incluídos no Plano

Operação

  • A Caixa Econômica Federal é responsável pela gestão e fiscalização do Plano Habitacional
  • Empreendimentos para famílias de até três SM – As construtoras apresentam projetos à Caixa, podendo fazê-los em parceria com Estados, municípios, cooperativas ou movimentos sociais
  • Empreendimentos para atender famílias de três a dez SM – As construtoras apresentam projetos à Caixa para pré-análise e autorização do lançamento e comercialização. Após conclusão do processo e comprovação da comercialização mínima exigida, é assinado o Contrato de Financiamento à Produção

Linhas de incentivo
1) Cartão BNDES

  • Para micro, pequenas e médias empresas
  • Itens financiáveis – materiais, componentes e sistemas construtivos e serviços de certificação. Limite de crédito: até R$ 500 mil a serem parcelados em até 48 vezes

2) Qualidade na Construção

  • Para construtoras, fornecedoras de materiais, componentes e sistemas construtivos, em conformidade com o PBQP-H
  • Itens financiáveis: avaliação da conformidade; capacitação técnica de pessoal; implementação de sistemas de gestão da qualidade; melhoria da qualidade de processos e produtos

3) Construção Industrializada

Para empresas interessadas no desenvolvimento de alternativas construtivas de menor custo, prazo de entrega, impacto ambiental e maior qualidade construtiva

Loteamento e infraestrutura

  • O Plano promete acelerar a regularização fundiária em áreas urbanas para a construção de habitações de interesse social
  • Em caso de lotes ocupados, cabe aos municípios promover a regularização fundiária
  • União, Estados e municípios poderão doar terras para construção de residências de interesse social no âmbito do Plano
  • Criação de linha de financiamento para obras de infraestrutura de R$ 5 bilhões corrigida por TJLP + 1% a.a

Outros pontos importantes

  • Criação do Fundo Garantidor (com aporte de R$ 2 bilhões da União) para refinanciamento de parte das prestações em caso de perda da renda
  • O Plano prevê utilização de sistema de captação de energia solar nas residências
  • Não há garantias da continuidade do Plano após 2010

Acesse slides de apresentação do plano “Minha Casa, Minha Vida”, além de cartilha explicativa com detalhes das desonerações tributárias previstas, tipologias das unidades e outras informações:
SLIDES – Minha Casa, Minha Vida
CARTILHA EXPLICATIVA – Minha Casa, Minha Vida





Tecnologia orçamentária

8 05 2009

(Construção e Mercado) – maio/09

Especialista em BIM (Building Information Modeling),Eduardo Toledo Santos, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é coordenador do Grupo BIM e especialista em Tecnologias da Informação aplicadas à Construção Civil; explica como o conceito pode revolucionar os processos de orçamentação

O que é o BIM (Building Information Modeling)?
BIM é um conceito que fundamentalmente envolve a modelagem das informações do edifício, criando um modelo digital integrado de todas as disciplinas, e que abrange todo o ciclo de vida da edificação. A modelagem 3D paramétrica e a interoperabilidade são características essenciais que dão suporte a esse conceito.

Como ele pode alterar a orçamentação?
O uso do BIM pode proporcionar quantificação automática e precisa e, consequentemente, reduzir a variabilidade na orçamentação e aumentar sua velocidade, permitindo a exploração de mais alternativas de projeto sem sobrecarregar a atividade de orçamentação. Com ferramentas BIM, ao modificar o projeto em 3D, da mesma forma que todos os desenhos de documentação (plantas, cortes e detalhes) são automaticamente atualizados, também os quantitativos são instantaneamente recalculados. Isso permite que a análise de custos se estenda por todas as fases do empreendimento, apoiando o processo de decisão.

Como está a implantação desse conceito?
O BIM, por suas muitas vantagens potenciais, tem atraído cada vez mais a atenção dos profissionais de AEC [arquitetura, engenharia e construção] no mundo todo e também no Brasil. À parte de alguns esforços organizados de associações profissionais, o que se vê são iniciativas individuais de escritórios de projetos, grandes incorporadoras e construtoras no sentido de experimentar essa tecnologia no Brasil, procurando utilizá-la em projetos-piloto. Há registro de vários casos de sucesso, mas o BIM ainda não faz parte da rotina do processo de trabalho das empresas nacionais e da maioria no exterior. No entanto, já está claro que a tendência de adoção dessa tecnologia é irreversível.

Quais são as perspectivas para a implantação do conceito BIM nos orçamentos?
O natural é que os quantitativos sejam extraídos dos modelos produzidos pelos projetistas das várias disciplinas que integram o projeto. Assim, o uso eficiente do BIM na orçamentação depende da ampliação da adoção dessa tecnologia por arquitetos e projetistas, que tem sido paulatina.

Quais as barreiras para a adoção do BIM no Brasil?
Vejo três obstáculos principais no Brasil. O primeiro é a falta de padrões de classificação brasileiros como o OmniClass americano, por exemplo. O IFC (padrão internacional aberto usado nas aplicações BIM) chega até certo nível de detalhe, razoavelmente genérico. Para uma orçamentação detalhada e mais precisa, é necessário que o sistema saiba classificar componentes e materiais na forma de códigos que ainda não existem para a indústria da construção nacional. Um segundo obstáculo é a necessidade de desenvolvimento de processos e padronizações dentro dos empreendimentos que estabeleçam qual o nível de detalhe para a modelagem que deve ser adotado em cada fase do projeto. Como isso envolve diferentes escritórios, empresas e profissionais, tende a ser mais difícil a obtenção de consenso, especialmente na ausência no Brasil de um profissional cada vez mais demandado no exterior, o Gerente BIM (BIM Manager), que seria o responsável por essa coordenação. Por fim, a imaturidade dos padrões para troca de informações nessa área ainda dificulta o intercâmbio de dados entre aplicativos de projeto BIM e software de orçamentação, de forma confiável e completa.

Quais são os softwares que suportam o BIM?
Na parte de projeto, os três principais são o Revit da Autodesk, o ArchiCAD da Graphisoft [distribuído no Brasil pela PINI] e o Bentley Architecture, da Bentley. Especificamente para orçamentação, o Affinity da Trelligence e o DProfiler da Beck têm como diferencial serem voltados às fases de planejamento e projeto preliminar nas quais outros aplicativos têm dificuldade para produzir estimativas. Há ainda o Visual Estimating da Innovaya e o BuildingExplorer, da empresa de mesmo nome, que são focados em oferecer apoio visual ao orçamentista, facilitando a visualização do modelo para extração de quantitativos. Todos esses produtos são estrangeiros e, obviamente, ainda não trabalham diretamente com bases de dados de custo ou composição usados no Brasil, mas podem ser adaptados.





Construtoras avançam na securitização

5 05 2009

(Gazeta Mercantil) – 29/04/09

O retorno gradual do volume de emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), com reajustamento das taxas cobradas pelas securitizadoras e oferecidas aos investidores, pode estimular empresas que atuam na construção e incorporação de imóveis a atuar diretamente em securitização. A atuação “casada” não é novidade, mas estava sendo incrementada com o boom imobiliário brasileiro e, especialmente, o aumento de empresas focadas em projetos “built to suit” (construção sob encomenda para locação) e “sale and leaseback” (venda seguida de locação pelo então proprietário).

A construtora WTorre é uma das mais tradicionais nesse modelo, mas já é acompanhada por companhias de investimento que atuam em incorporação, como Pátria e Prosperitas, e mais recentemente a Bracor, com sua BRC Securitizadora, e PDG Realty, que estruturou a PDG Companhia Securitizadora. Até a incorporadora Cyrela Brazil Realty se originou da união dessas duas pontas – a Cyrela construtora e a Brazil Realty Companhia Securitizadora de Crédito Imobiliário. A subsidiária ainda existe, segundo a companhia, mas permanece inoperante.

Com um volume bilionário de recebíveis negociados, a carteira da Cyrela é cortejada por todos os grandes securitizadores independentes. Mas, segundo um executivo dessas empresas, a postura do fundador e controlador da incorporadora, Elie Horn, é que, se a securitizadora lucra com o negócio, por que a empresa mesmo não fica com esse lucro? Por enquanto, a companhia mantém a carteira em casa, utilizando o rendimento dos recebíveis para quitar os serviços de dívida, equilibrando o resultado financeiro. Mas o pensamento de Horn é exatamente a tônica que estimulou outros pares no mercado a operar na securitização.

Uma securitizadora independente compra uma carteira de recebíveis que rende IGP-M mais 12% e vende o CRI com rendimento do índice mais 10%, por exemplo, tendo a diferença de dois pontos percentuais como receita. Esse rendimento dos CRIs se mantém atrativo para compra porque é isento de Imposto de Renda para pessoa física, ao mesmo tempo em que é acima da média de índice mais 6% da meta atuarial de fundos de pensão – dois importantes compradores dos certificados. A idéia do braço próprio para fazer o serviço é capitalizar a incorporadora mas ao mesmo tempo ficar com essa fatia de rentabilidade no “empacotamento” dos créditos.

“Não sei se é uma tendência, mas é uma alternativa. Tem outras formas de fazer, que é a venda de carteira para as securitizadoras que já existem, que são muitas”, diz Carlos Augusto Lopes, da consultoria especializada Uqbar.

Fatores

Para ser vantajoso ter operação própria, segundo incorporadores, o momento econômico e o balanço financeiro da companhia são determinantes. Em certas situações, a empresa precisa repassar a carteira imediatamente para ter recursos à vista – que teria que desembolsar, na securitizadora própria, e aguardar a distribuição dos títulos. “Troco a carteira de recebíveis de clientes que já tenho histórico de comportamento e perfil de risco baixo por dinheiro se estes recursos me renderem mais em outra aplicação ou se tiver endividamento corporativo em que seja mais interessante vender recebíveis porque o rendimento (juros e correção do contrato de venda do imóvel parcelado) deles não está cobrindo o juros do meu endividamento financeiro”, explica um incorporador de posição conservadora.

Embalar os créditos para emissões de CRI só faz sentido para empresas que saibam negociá-los no mercado, que tenham clientes praticamente garantidos – caso das securitizadoras independentes. A empresa deve considerar ainda que o valor unitário de fazer uma CRI é alto para a securitizadora. Este incorporador diz que a unidade custa em média R$ 2 mil – ou seja, se tiver um crédito de R$ 100 mil referente ao apartamento vendido, vender o CRI custará 2% disso, além de emissões de boletos, gerenciamento mensal e taxas de fiscalização.

Para as securitizadoras independentes e para alguns grandes investidores institucionais, o modelo casado não parece adequado. “De alguma forma, reflete um conflito de interesse”, considera Marcelo Michaluá, diretor-executivo da RB Capital.

Ele ressalta que o princípio da securitização é de “pass-through”, ou seja, fazer a passagem do fluxo de caixa por uma companhia independente – supervisionada pelo agente fiduciário e prestadora de contas para a CVM e para o investidor. “Com patrimônio de afetação, as operações podem estar sob a mesma securitizadora, mas os riscos não se comunicam. São várias séries de CRIs emitidas pelo mesmo CNPJ, mas com segregação de risco garantida na base de capital e crédito pelo regime fiduciário”, diz Michaluá. “Ao verticalizar essa operação, essa independência pode ser comprometida. A securitizadora zela pelos investidores, e não pela companhia que fez os lastros.”

Por si só, o fato de a emissão ser feita por uma empresa ligada à geradora do lastro não implica em maior risco, ao menos na avaliação de rating feita por uma agência de classificação de risco. “A existência de uma securitizadora vinculada à construtora ou incorporadora é um passo natural, tal como um banco montar um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios)”, considera Jean-Pierre Cote Gil, analista de operações estruturadas da Standard & Poor’s. “O cotista está investindo em um fundo que leva o nome do banco, que o banco faz a administração e emite boletos. Mas, como na securitização imobiliária, o risco do FIDC é o lastro que está sendo dado.”

Cote Gil considera que haver ou não conflito de interesse depende da percepção do investidor. “Para a incorporadora, muitas vezes o nome é uma ferramenta de vendas, que pode ser usada nos imóveis e nos certificados. Mas a decisão do investidor não vai ser tomada só pelo originador, e sim pela supervisão do agente fiduciário, do relatório de rating, da auditoria realizada e, principalmente, pelo lastro da operação.”

Definição estratégica

Os acionistas majoritários da Rossi Residencial detinham participação na Brazilian Securities, mas como pessoas físicas, e não pela empresa. Cássio Audi, diretor financeiro e de relações com investidores da Rossi Residencial, não vê sentido numa participação direta da companhia numa securitizadora . “Não avaliamos ter uma securitizadora própria e não faz parte do negócio. Afinal, se securitizar é para tirar do balanço, não faz sentido securitizar e ser sócio lá na frente”, avalia. Segundo Audi, a Rossi hoje faz repasse de toda a sua carteira de recebíveis.

Já a Prosperitas Investimentos, criada em 2003, gere fundos de crédito privado e private equity, que investem no mercado imobiliário. Além dos fundos, a companhia gere três securitizadoras de recebíveis imobiliários – Altere, Aetatis e Aster. Para Felipe Gaiad, executivo da empresa, são negócios que se complementam. “Nossas securitizadoras atendem apenas às demandas dos nossos próprios investimentos. Não fazemos emissões para terceiros, ou seja, nosso principal negócio não é a securitização, que para nós é apenas mais uma possibilidade estratégica dos investimentos”, afirma Gaiad.

Na avaliação de Vicente Nogueira, diretor presidente da Habitasec, securitizadora independente criada no ano passado, a viabilidade é para algumas empresas de grande porte, minoria no mercado brasileiro. “O volume de incorporadoras com securitizadora no mesmo grupo ainda não é expressivo. É claro que se passar a ser, vai ficar mais difícil comprar boas carteiras”, avalia o executivo. “Mas depende da taxa que a empresa colocar, como administra custos, quanto entende no negócio. Para as grandes incorporadoras pode ser viável, mas temos um mercado de construção muito pulverizado entre empresas pequenas.”





Crescimento na crise e futuro em condições seguras

5 05 2009

Mercado de construção civil prevê fechamento de 2009 com crescimento de 3% e criação de condições de produção mais sólidas para 2010

Analistas de mercado e o próprio governo federal já admitiram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país pode não crescer este ano ou até apresentar crescimento negativo, revelando uma desaceleração da economia bastante significativa. Mesmo com esse cenário, o mercado imobiliário vislumbra crescimento para o ano de 2009. Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon-PR) mostra que o desempenho do setor no Brasil deve ser pelo menos 3% melhor em 2009 na comparação com o ano passado. “Para o Paraná o crescimento será maior, porque historicamente apresentamos índices melhores”, comenta o consultor econômico da entidade, Marcos Kahtalian.

Ele admite, no entanto, que os empresários do setor não ignoram a crise. “É claro que a crise existe e sem ela seria possível crescer mais”, explica.

Entre os fatores que permitem a análise positiva está o anúncio do incentivo do governo à construção, com a redução de impostos, criação de novas e atraentes linhas de crédito e concessão de subsídio para que famílias de baixa renda tenham acesso à casa própria.

Esse cenário, aliado ao fato de a construção civil não depender da disponibilidade de crédito externo, permitem aos empresários do setor prever novos investimentos em lançamentos. “Temos certeza que haverá crescimento, porque estamos vendo esse processo já no primeiro trimestre”, diz Gustavo Selig, presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR). Ele afirma que as vendas apresentam aumento de 12% na comparação com 2008 e prevê que esse desempenho deve se manter pelos próximos meses.

Para Sinduscon e Ademi, os propulsores do crescimento são a demanda latente e a disponibilidade de crédito para o mercado imobiliário e da construção civil. “Poucas empresas trabalham com capital externo, o que garante que, caso a crise piore no exterior, há condições de tocar as obras. Além disso, as incorporadoras que atuam no Paraná são sólidas e têm o apoio dos bancos”, diz Selig.

Os órgãos divulgam que são necessárias 225 mil unidades residenciais para suprir o déficit habitacional do Paraná. “Com o programa do governo e as mudanças na legislação, teremos aumento de venda também para a classe média”, diz Selig referindo-se às mudanças nas regras para o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na compra de imóveis. Antes era possível utilizar o Fundo para comprar imóveis de até R$ 350 mil. Esse valor passou para R$ 500 mil.

Outro aspecto que favorece o mercado imobiliário é a migração de investidores. “Muitos estão deixando a Bolsa de Valores para comprar imóvel, que é um investimento seguro e, no médio e longo prazo, com boa rentabilidade”, analisa o economista e professor do Centro Universitário FAE, Carlos Ilton Cleto.

Crescimento e ajustes

Para 2010 o presidente da Ademi-PR vislumbra continuidade do crescimento. “O PIB do país deve crescer e com isso a confiança também, favorecendo o mercado.”

Jorge Kuser, consultor da Go4! Consultoria, explica que a construção civil tem perfil de projetos com tempo maior de maturação. “Os próximos dois anos ainda terão reflexos positivos, porque os projetos demoram 15 ou 20 meses para serem concluídos.”

O professor Carlos Ilton Cleto é cauteloso quanto as expectativas futuras. Ele acredita que a explosão das novas linhas de crédito será em 2009. “Sempre que há crescimento, ele é seguido de acomodação e manutenção. Em 2010 é provável que o mercado apresente um cenário mais realista.”

Para Kahtalian este ano será de ajustes para as incorporadoras e construtoras paranaenses. “Em 2008 nós discutíamos os problemas do crescimento exagerado. Agora temos a oportunidade de organizar o setor para ter condições de crescer com segurança pelos próximos anos.”








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