Galpões industriais em condomínios

26 08 2009

(Gazeta do Povo) – 18/08/09

Instalados dentro de espaços amplos, os galpões têm custo menor com segurança. Número de lançamentos deve aumentar nos próximos meses

Construídos de acordo com a demanda de empresas e preparados para recebê-las, os condomínios industriais se apresentam co­­mo tendência no mercado imo­­biliário de Curitiba. Sidney Fer­rei­­ra Ribas, conselheiro do Sin­­­di­cato da Habitação e Condo­mínios do Paraná (Secovi-PR), explica que o mercado de galpões em Curitiba mudou bastante na última década. “Hoje notamos estabilidade no mercado, não há crescimento, mas também não há desocupação”. De janeiro de 2008 a julho de 2009 a metragem alugada se manteve estabilizada, de acordo com Ribas. Ele aponta que o mercado de galpões é um dos in­­vestimentos mais procurados. “Ganha-se na locação e na valorização do imóvel. O rendimento nunca será inferior a 1% ao mês”, diz.

O Portal do Porto, localizado no Contorno Leste, em São José dos Pinhais, por exemplo, terá 100 mil metros quadrados nos quais serão construídos 30 galpões onde poderão ser instaladas unidades de produção ou depósitos para redes de distribuição, diz a arquiteta Mônica Sciarra Mandelli, que é responsável pela obra junto com a engenheira Ales­­sandra Bonacin. “Os galpões serão alugados o que viabiliza o investimento”, comenta Mônica. O aluguel custará entre R$ 12 e R$15 o metro quadrado (o preço de barracões fora de condomínio fica entre R$ 6,5 e R$ 7 o metro qua­­drado).

Outra facilidade é a possibilidade de modulação dos barracões. É possível ter espaços entre 1.800 e 10 mil metros quadrados. Haverá segurança 24 horas, estacionamento para 500 automóveis e 70 caminhões, unidade administrativa com ambulatório, restaurante, academia, vestiário, auditório, sala de treinamento, café e conveniências. O con­­domínio deve ser concluído em três anos.

Gabriel Raad, diretor da Cons­trutora Laguna, que atua na área de condomínios industriais em São Paulo e lançará empreendimentos desse tipo em Curitiba nos próximos meses, comenta que a tendência segue os mesmos motivos que levaram ao crescimento dos condomínios residenciais: custo e segurança. “O valor da segurança, por exemplo, ficará rateado en­­tre todos os condôminos e o em­­presário não precisará se preocupar com o contrato dos profissionais”, avalia.

A Construtora Laguna lançou em julho o Condomínio Logístico São Carlos, que está localizado na cidade que deu o nome ao comple­xo no estado de São Paulo. Im­­plan­­tado em um terreno com área de 120 mil metros quadrados, o complexo foi projetado sob medida para um primeiro inquilino. Neste caso, a Electrolux, que já instalou o seu centro de distribuição em uma área construída de 25 mil metros quadrados.

Localizado na Cidade Indus­trial de Curitiba e voltado para in­­vestidores, o HP Centro de Dis­­tri­­buição Logística da Jorasa In­­corporadora é composto por 26 terrenos, com área privativa de cerca de dois mil metros quadrados, para futuras edificações de barracões que poderão ser alugados pelos investidores. José Luiz Muggiatti, diretor da incorporadora, conta que cada terreno custará em torno de R$ 1 milhão. “Para construir um barracão, gasta-se cerca de R$ 1,6 milhão e o investidor poderá cobrar um aluguel mensal de R$ 25 mil”, calcula. O condomínio será entregue com refeitório, área de administração, centro de convenções e portaria 24 horas. A entrega da infraestrutura está prevista para junho de 2010.





Prédio com planta flexível

26 08 2009

(Gazeta so Povo) – 23/08/09

O edifício Clarice Lispector, da construtora Plaenge, que está sendo construído no Ecoville, pode ter a distribuição dos cômodos mudada de acordo com o desejo do cliente

Os apartamentos do edifício Clarice Lispector, prédio da construtora Plaenge, com projeto do escritório Bohrer Arquitetura, de Londrina, já começou a ser er­­guido em um terreno de mais de cinco mil me­­tros quadrados no Ecoville. Os apartamentos têm planta flexível. “Ao todo são cinco formas de distribuir cômodos como quarto, sala e banheiro, de acordo com as necessidades do cliente”, descreve o gerente comercial da construtora, Aloízio Henrique Pereira.

O prédio que leva o nome da grande escritora, terá 96 unidades de 131 metros quadrados de área útil (218 de área total), três quartos (podendo ser quatro em uma das opções de planta) e com uma sacada de 12 metros quadrados com churrasqueira, conforme se vê na Central de Apartamentos Decora­­dos da construtora, situada também na região. Cada unidade tem duas vagas de garagem.

Todos os apartamentos vêm com o material de acabamento já colocado (revestimentos, como mármore e porcelanato, louças e metais sanitários).

Na área comum são dez itens de lazer, alguns já usuais, como piscina coberta e espaço gourmet, outros não tão fáceis de encontrar em condomínios residenciais, como uma quadra tênis.

O preço médio das unidades é de R$ 488 mil. “Pode-se parcelar a compra direto com a construtora até a entrega da obra, ou ainda pagar 40% até a entrega das chaves e financiar o saldo de 60% com uma instituição financeira”, explica Pereira. No site www.plaenge.com.br é possível acompanhar o andamento da obra.

Perfil

Endereço: Rua Deputado Heitor Alencar Furtado, 3.520, Ecoville – Curitiba

Apartamentos: unidades com 218m² de área total (131m² de área privativa), 3 quartos (1 suíte com closet e hidromassagem) e 2 vagas de garagem

Área Comum: quadra de tênis, espaço gourmet com churrasqueira e forno de pizza, salão de festas, sala de jogos, brinquedoteca, piscina coberta e aquecida, quadra de esportes, academia, sauna, etc.

Terreno: 5.000m²

Preço: média de R$ 488 mil

Condições: financiado totalmente até a entrega direto com a Plaenge ou ainda 40% durante a construção e saldo de 60% depois da entrega com um banco

Previsão de entrega: 30 de junho de 2011

Plantão: na Central de Apartamentos Decorados da Plaenge, na Rua Pedro V. Parigot de Souza, 2.001 – Ecoville, diariamente das 8h30 às 18h30. Fone: (41) 3317-1717

Registro de Incorporação: matrícula nº 134.778 do Registro de Imóveis da 1ª Circuncrição





Estimando o custo de capital de companhias fechadas no Brasil

26 08 2009

IBMEC, SP – fevereiro/2005

Autores: Andrea Minardi, Antônio Zoratto Sanvicente, Carlos Mauro Gali Montenegro, Danielle Hatem Donatelli, Fernando Graciano Bignotto

Arquivo em pdf: Custo de capital -IBMEC-SP





Metodologia de cálculo do custo médio ponderado de capital

25 08 2009

Aplicável à atividade de transporte de gás natural no brasil

Agência Nacional do Petróleo, Superintendência de Comercialização e Movimentação de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural – Novembro 2006

Arquivo em pdf: WACC-ANP





O cartão de visitas dos prédios

16 08 2009

(Gazeta do Povo) – 16/08/09

A velha máxima de que “a primeira impressão é a que fica” pode ser empregada no caso dos halls dos edifícios. Esses espaços dão uma noção da personalidade dos apartamentos e conjuntos comerciais de um empreendimento

Apesar de serem ambientes de passagem, e não de permanência, os halls têm importância no planejamento e decoração de um edifício, porque é a partir desse espaço que se tem noção dos apartamentos ou conjuntos comerciais.

Além disso, explica Mariane Caponi, diretora de Marketing do grupo LN, para quem está vendendo o imóvel, o hall comprova a funcionalidade do empreendimento. Uma das preocupações do grupo é entregar o espaço decorado, para que os condôminos não tenham a preocupação extra de se reunirem para planejar a decoração dessa área comum.

Manuel Baggio Pereira, da Baggio Pereira & Schiavon Arquitetura, responsável pela arquitetura de interiores dos empreendimentos da Construtora San Remo, como o Maison Classique e o Grand Palais, diz que 90% dos moradores sobem em seus apartamentos pela garagem. “A nossa idéia é modificar o subsolo da garagem, criando um hall para o morador, porque muitas vezes ele pode chegar com um amigo”, conta.

A mesma tendência foi sentida pelo Grupo Thá, que começa a valorizar a garagem de acesso aos moradores com um hall, aponta Valdecir Scharnoski, gerente de Produto do Grupo Thá. Dois empreendimentos da empresa já contam com essa proposta: o Hampton Village e o Palácio Real, que inclusive possui uma escada redonda que liga o hall da garagem ao edifício.

Pereira ressalta que esse espaço “definitivamente deve seguir a linha, a personalidade do edifício. É como no caso de uma loja, se a vitrine é feia, não atrai ninguém para dentro da loja”, diz.

Um dos projetos de Pereira é o hall do edifício Maison Classique, empreendimento com apartamentos de até 725 metros quadrados (área total). O que mais chama a atenção são o mezanino que liga o hall à área de lazer, o pé-direito duplo – que segue as colunas altas da parte externa – e o lustre clássico e imponente.

Outro empreendimento é o Grand Palais. A principal característica é o grande átrio com os apartamentos voltados para o vão central. Segundo Pereira, isso foi possível por se tratar de um prédio baixo, com seis pavimentos. O pé-direito tem aproximadamente 18 metros. O paisagismo é bem elaborado e o átrio ainda tem iluminação natural – além da artificial. O estilo é neoclássico, com o predomínio de cores mais claras.

Michelle Beber, gerente de projetos da Invespark, acredita que o hall já dá a idéia do apartamento. “Se o edifício é mais voltado para o pú­­blico single, o hall pode seguir o estilo mais moderno. Se for mais conservador, segue essa linha”, diz. Ela co­­menta que no caso dos edifícios re­­sidenciais, o hall deve ser mais intimista e com uma área de estar para as pessoas se relacionarem.

Há ainda os empreendimentos que contam com várias torres, como no caso do Breeze Ecoville, da Thá, que possui quatro. Scharnoski explica que cada torre tem um hall e o edifício possui uma portaria central. Cada hall foi decorado com pequenas diferenças em relação ao outro para caracterizar cada torre.

Scharnoski diz que o uso do pé-direito duplo e às vezes triplo nos halls de edifícios de alto padrão ocorre porque “o apartamento do primeiro andar não fica no primeiro, mas no segundo, o que é um diferencial para a venda.”

Contramão

Os empreendimentos comerciais também devem destinar a atenção para o hall. Michelle, da Invespark, lembra que é um cartão de visitas da pessoa e da empresa que representa. A Invespark apresenta o hall decorado, junto com o estande de vendas do edifício Workspace Emiliano. O objetivo da Invespark ao decorar o hall foi fazer com que as pessoas conheçam como o empreendimento ficará depois de concluído. Jayme Bernardo foi o arquiteto que decorou o hall.

Michelle diz que a entrada do Workspace é sofisticado e inspirado no art déco. Ela considera que um hall comercial deve ter alguns itens, como um diretório para identificação, controle de acesso e área de estar para quem espera.

Workspace Emiliano, da Invespark: sofisticação e inspiração art déco (Andréa Paccini/Divulgação)

Workspace Emiliano, da Invespark: sofisticação e inspiração art déco (Andréa Paccini/Divulgação)

No caso desse espaço, a transparência é a peça-chave, com o uso do vidro como uma grande vitrine do prédio para a rua e do vidro colorido, para aquecer o lobby. Além disso, o arquiteto criou uma luminária especialmente para o local, com estilo que remete ao déco e feita com inox polido e chapas da pedra semipreciosa ônix Giallo Laura. O piso é em mármore nacional em tons de bege, branco e rosa. A altura do pé-direito é valorizada pelas colunas revestidas em madeira wengué. A madeira – de reflorestamento – dá vida a algumas peças do mobiliário. Pelo hall, se tem acesso ao plantão de vendas que fica localizado dentro da sala multifuncional do empreendimento.

Os profissionais concordam que o hall tem a importância de ser a primeira impressão ou cartão de visitas e, portanto, requer atenção na hora da decoração. “Não adianta superdecorar o hall, porque em pouco tempo pode se deteriorar”, alerta Manuel Baggio Pereira, da Baggio Pereira & Schiavon Arquitetura. Ele sugere móveis com qualidade e compatíveis com o tamanho do ambiente. Se o espaço conta com iluminação natural, os moradores podem lançar mão de plantas, mas de fácil manutenção, já que dão “vida” ao ambiente.

A iluminação deve ser equilibrada. “No caso de residencial, mais agradável e aconchegante. Já para empreendimentos comerciais, iluminação mais cênica, que valorize o espaço”, aponta. Quanto aos revestimentos, sugere Pereira, devem ser duráveis, mas não precisam necessariamente ser em pedra – pode ser uma cerâmica. Porém, o carpete deve sempre evitado.

Mariane Caponi, diretora de Marketing do grupo LN, diz que se deve privilegiar pisos de alto tráfego, com limpeza fácil e que sejam antiderrapantes. Ela aconselha que se escolha elementos de boa qualidade. “Se não tiver verba, um “tapete” de granito, uma arandela com iluminação indireta ou ainda a pintura de uma das paredes com outra cor podem fazer a diferença”, diz. Outra dica é o uso de poltronas individuais, para que os visitantes possam esperar o morador, já que não são todos que se sentem confortáveis em um sofá dividido com outras pessoas.

Scharnoski, do Grupo Thá, ressalta que a decoração e os materiais devem ser atemporais para não “datarem” a decoração ou para não cairem em modismo. Pé-direito duplo, revestimento em madeira e pisos perenes, como granito, são algumas das indicações de Scharnorski.





Imobiliárias Entram no Segmento de Comerciais

15 08 2009

(Valor Econômico) – 12/08/09

A queda das taxas de juros e o aumento da demanda por imóveis comerciais criou uma segunda onda no mercado – depois das construtoras, agora as imobiliárias e consultorias migram para o nicho de escritórios de pequeno e médio porte. A Local Imóveis acaba de criar um novo braço de negócios, a Local Business, e a multinacional CB Richard Ellis está atuando na locação e gerenciamento de conjuntos comerciais de até 500m².

Tradicional no mercado paulista no segmento residencial, a Local Imóveis tinha planos de abrir uma área apenas para salas comerciais, casas e galpões no ano passado. Adiou os planos por conta da crise e, com o reaquecimento do mercado, resolveu inaugurar a nova divisão, que terá uma equipe de 40 corretores. A área residencial, que existe há 36 anos, tem 270 corretores.

A Local fechou uma parceria com a BM Sua Casa, empresa de crédito imobiliário para pessoas físicas do grupo Brazilian Capital, que terá uma linha de crédito especial. A BM Sua Casa irá financiar até 70% do valor do imóvel – tradicionalmente as linhas para imóveis comerciais chegam a 50% – por até 30 anos a uma taxa de 1% ao mês mais IGPM. “Esse tipo de iniciativa cria uma nova dinâmica para imóveis comerciais, com mais liquidez na revenda”, afirma Elyseu Mardegan Jr, da BM Sua Casa. “A compra pode ser mais competitiva que o aluguel, principalmente agora que os juros estão caindo.”

Nos próximos 12 meses, a Local Business estima atingir R$ 5 milhões em receita e um valor geral de vendas de R$ 100 milhões em cerca de 200 transações. “Acreditamos que haja muita demanda para esse tipo de negócio, há uma carência de profissionais especializados em comerciais de médio porte”, diz Sara Sguillaro, sócia diretora da Local, que pretende atender o mercado entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão. “São necessários dois anos para consolidar o negócio”, avalia.

O mercado de escritórios e casas para fins comerciais é muito pulverizado e atendido por imobiliárias com atuação regional, muitas vezes restritas a determinados bairros. Já o segmento de corporativos, que envolve a venda de andares e prédios inteiros, além de terrenos para imóveis industriais, está nas mãos de grandes empresas.

A própria CB Richard Ellis é mais conhecida por atuar na intermediação de grandes negócios, mas há cinco anos criou uma divisão para comerciais de menor porte. Inicialmente, o objetivo era chegar a áreas de até mil metros quadrados, mas a empresa está atuando mais em transações de imóveis de, no máximo, 500 m2. “Estamos dobrando o faturamento da área a cada ano”, afirma Walter Cardoso, presidente da CB Richard Ellis. A empresa tem feito uma média de 150 negócios por ano.

Nesse caso, o foco está na locação. A empresa está começando um trabalho junto com as construtoras para ajudar os investidores a atrair ocupantes no final da obra. “Estamos atuando desde a concepção do produto até na elaboração do marketing para dar suporte a quem compra o imóvel para renda”, diz.

O mercado de conjuntos comerciais pequenos está crescendo rapidamente e, no caso da venda, a concorrência com imóveis novos é enorme. Apenas este ano, em São Paulo, foram lançados onze edifícios, que movimentaram R$ 800 milhões, segundo dados da CB Richard Ellis.





Correndo atrás do Twitter

13 08 2009

(Amanhã) – 16/07/09

AMANHÃ solicitou a dois especialistas em comunicação digital exemplos de empresas que estão fazendo um uso adequado e inteligente do microblogging. Conclusão: as empresas brasileiras estão atrasadas

Luciana van Deursen Loew, editora de tecnologia, cultura pop e gadgets do Blue Bus, site especializado em mídia e assuntos relacionados

O Twitter é a prova de que as pessoas precisam de informação rápida, curta, objetiva. Na era da informação, não dá para ler matérias enormes, não dá para divagar. As pessoas são viciadas em novidade, verificam o e-mail a cada segundo. Então, nada melhor do que um serviço rápido, no qual se pode escolher a quantidade de informação que se vai receber. E o que começou como um ingênuo site através do qual eram narradas as atividades do dia-a-dia virou um fenômeno de acessos e uma ferramenta poderosa de comunicação.

Assim como aquelas que utilizam os blogs para se aproximar dos consumidores, as empresas que já usam o Twitter completam o que hoje é a tríade eletrônica necessária para falar com o consumidor (principalmente, o jovem): o site, o blog e o Twitter. As três ferramentas se completam, oferecendo ao consumidor três tipos de informação que ele precisa para se relacionar com uma empresa: as permanentes, ou mais duradouras, no site; as novidades detalhadas, os “extras”, as curiosidades, no blog; e as informações resumidas – muitas vezes, apenas chamadas para o blog – no Twitter.

Essa tríade está sendo descoberta agora e não são muitos os exemplos de empresas que a usam de forma completa. Fora do Brasil, essas ferramentas são mais exploradas e as empresas já estão mais avançadas nesse caminho. Uma pizzaria americana substituiu o tradicional totem com telefone de delivery pela identidade do Twitter. Os clientes tinham direito a descontos especiais pela ferramenta e a pizzaria descobriu aí uma ótima forma de aumentar as vendas. Outro exemplo, excelente, foi o de um serviço, o BakerTweet www.bakertweet.com, que oferece às padarias um sistema simples para avisar seus clientes via microblogging quando sai pão quentinho do forno. Uma ironia é que, justamente um serviço que torna o mundo todo mais próximo – incluindo aí a redução na distância entre celebridades e seus fãs – está favorecendo a comunicação local, dos negócios de bairro com seus consumidores. Explico: não adianta uma rede global usar o Twitter para comunicar ofertas aos clientes do mundo todo (haja logística!). Mas adianta, e muito, a padaria que fica na esquina do escritório enviar um aviso de que saiu do forno aquele pão de queijo que você adora.

Estamos em uma transição de gerações que, ao mesmo tempo, obriga as empresas a manter seus canais tradicionais de comunicação com seus clientes mais velhos, mas também exige que sejam usados novos canais – eletrônicos – para o público jovem que está chegando. As empresas estão apenas começando a descobrir as infinitas possibilidades que um serviço como o Twitter pode oferecer.

Pesquisando exemplos nacionais, encontrei não uma grande empresa, mas um pequeno negócio usando esses novos canais de forma exemplar (o que foi uma ótima surpresa). É uma kebaberia na Rua Augusta, em São Paulo, a Kebab Salonu www.kebabsalonu.com.br. A empresa usa as ferramentas disponíveis na medida certa: tem um site com blog, no qual estão todas as informações úteis e também as atualizações relevantes, e um perfil no Twitter, que manda mensagens como esta, que acho genial: “Ei, com esse friozinho, que tal um cappucino salonu, com água de flor de laranjeira?”. Imagine que você é um cliente desse estabelecimento, e ele fica a poucas quadras de onde você está. A chance de que você passe lá pra tomar o tal cappucino é enorme. Assim, as ferramentas mais modernas se aproximam dos nossos desejos mais humanos, de forma a facilitar a vida e torná-la mais prazerosa.

Vinicius Lobato, diretor do Gad Brívia, empresa de comunicação digital do Grupo Gad

O meu canal preferido de empresa no Twitter é o da Camiseteria.

www.twitter.com/camiseteria
Para quem não sabe, a Camiseteria é um site de e-commerce de camisas em que as estampas são criadas pelo público e apenas produzidas pela empresa. O site não tem nada de muito inovador, mas reúne uma série de iniciativas muito bacanas e que, somadas, o tornam um negócio muito diferenciado. O resultado final é uma marca que criou uma legião de “embaixadores” e uma comunidade bastante engajada em sua propagação. São pessoas que acompanham todos os movimentos da marca. É uma marca cool.

O interessante do canal Twitter da marca é que ele reforça ações e o “jeito de ser” do negócio. Não é nada artificial ou desconectado do todo, muito pelo contrário, é mais um reforço, apenas utilizando os atributos específicos do Twitter. O canal serve para divulgar promoções, tirar dúvidas de consumidores (serviço de SAC), comunicar novos produtos, dar descontos especiais, oferecer condições diferenciadas de pagamento, entre outros. Também faz referência a outros conteúdos relacionados a valores da marca, como atitudes “cool”, design, fun, entre outros. Com isso, vai além do negócio “venda de camisetas” e reforça sua “atitude”.

Há outras empresas fazendo um uso interessante da ferramenta:

www.twitter.com/tecnisa
Inteligente na promoção de seus empreendimentos e na entrega de informações relacionadas ao tema “morar”. Sem falar que está no Twitter desde o começo de 2008, ou seja, a Tecnisa soube perceber muito bem o canal antes mesmo de virar “moda”.

www.twitter.com/novo_submarino
O canal do Submarino também é efetivo. Mostra a força de um grande varejo, mesmo que a empresa tenha sido negligente no começo, acreditando pouco na força do canal. A nova versão já está mais dinâmica.

www.twitter.com/mundowalmart
O domínio ruim não prejudica o uso do canal neste caso, apenas demonstra uma estratégia desintegrada de uma gigante como o Wal-Mart. Nada tão problemático, mas que poderia ser bem usado se pensado antecipadamente (canal integrador, com relacionamento com os demais). Quem acha o Wal-Mart no Twitter vê um bom canal, equivalente ao das grandes redes de varejo. Muita promoção. Vale o registro para mostrar que o canal não é só coisa de marca descolada ou de nanicos.

www.twitter.com/greenpeace
Muitas ONGs usam bem a ferramenta. O Greenpeace não poderia ser diferente. Ótimo uso do canal, com muitas referências para “protestos” virtuais, denúncias, informações sobre temas ecológicos, entre outros. Vale conferir, mesmo que seja em inglês.





A construtora que cruzou a Cordilheira

13 08 2009

(Amanhã) – 12/08/09

Em meio à crise internacional, a Plaenge compra a chilena CVPSA – mas nem por isso está desatenta ao mercado brasileiro. “Estamos analisando possibilidades”, revela Fernando Fabian, diretor da empresa

Ninguém duvida que uma boa rede de contatos seja capaz de mover montanhas. Foi quase isso o que aconteceu com a construtora Plaenge, de Londrina (PR), que resolveu cruzar a Cordilheira dos Andes. Tudo começou cinco anos atrás, durante um evento no México, quando dois diretores da Plaenge conheceram Sergio Yanes, então presidente da construtora chilena Fourcade. A amizade tomou corpo e a troca de experiências profissionais também. Em 2007, quando a Fourcade foi vendida, Yanes abriu sua própria construtora, a CVPSA. Hoje, a CVPSA tem outro de nome: Plaenge Chile.

Em abril deste ano, a Plaenge oficializou a compra de 51% das ações da CVPSA e deu início à sua internacionalização. “Tudo começou por causa de um relacionamento pessoal, coisa de networking”, conta Fernando Fabian, diretor da Plaenge. Segundo ele, a primeira aquisição da empresa em 39 anos de história foi feita de maneira bastante consciente. “Sob vários aspectos, o Chile é um mercado onde várias coisas acontecem antes do Brasil”, explica. Uma delas está relacionada ao core business da Plaenge – afinal, o boom do mercado imobiliário chileno aconteceu bem antes do Brasil, entre 2001 e 2002. “O financiamento para compra de imóveis lá é bem mais desenvolvido que aqui”, afirma Fabian.

Apesar de não revelar o valor desembolsado, o diretor da construtora diz que parte da quantia foi paga com recursos próprios. Outra parcela tem origem em créditos afiançados no Brasil e uma terceira parte será paga conforme o desempenho das vendas no Chile. Ao comprar a CVPSA, a Plaenge entrou num negócio com 13 empreendimentos verticais e centenas de residências, localizados em sete cidades do sul do Chile, como Temuco, Frutillar e Osorno.

Fabian diz que a entrada no mercado chileno ganhou força em outubro do ano passado, exatamente na fase mais aguda da crise internacional. “Por ser uma empresa nova, a CVPSA encontrou dificuldades para conseguir crédito e foi aí que as conversas começaram a evoluir”, conta Fabian. Desde então, foi feita uma due dilligence e um escritório de direito internacional aparou qualquer possível aresta no negócio. Como política, a empresa não divulga o valor da operação. Assim, fica difícil dimensionar que impacto o Chile terá no faturamento da Plaenge, valor que, em 2008, foi de R$ 800 milhões.

Para este ano, Fabian prevê crescimento de 15% na receita, chegando aos R$ 920 milhões. Em 2010, a empresa superará a marca de R$ 1 bilhão, “mas só se o mercado continuar como está”. O empresário, que pertence a uma das quatro famílias fundadoras da Plaenge, lembra que a empresa vinha crescendo em média 40% ao ano até 2007. Em 2008, o ritmo diminuiu em função da crise global. Mas o pior já passou. Fabian diz que desde junho as vendas têm atingido níveis inclusive melhores que no mesmo período do ano passado.

A retomada do setor imobiliário no Brasil dá fôlego para a empresa crescer não apenas fora das fronteiras, mas também no mercado interno. Nesta semana, a Plaenge anunciou a construção de dois empreendimentos residenciais em Joinville (SC). Este é o primeiro passo da companhia em Santa Catarina. Atualmente, a Plaenge atua no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – além do Chile, é claro. Segundo Fabian, a escolha da cidade decorreu de uma série de avaliações, entre elas a presença de concorrentes, a viabilidade econômica e o possível retorno financeiro. “Vislumbramos as tendências de mercado da região”

Em Joinville, serão construídas 12 torres de apartamentos com valores médios entre R$ 180 mil e R$ 200 mil, e que devem ser entregues em 2012. Por estarem nesta faixa de preço, os imóveis não se enquadram nos moldes daqueles que serão financiados pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal. Mas isso não será problema, segundo Fabian: “Tem demanda”. O Valor Geral de Vendas (VGV) é estimado em R$ 100 milhões. Já o investimento da Plaenge nas obras gira em torno de R$ 60 milhões, de acordo com Fabian.

Agora, com a experiência chilena, a Plaenge não descarta crescer no Brasil com estratégia semelhante – ou seja, por meio de aquisições. Fernando Fabian confirma que a empresa está “analisando possibilidades” no mercado interno, com atenção voltada especialmente às regiões onde já atua: centro-oeste e sul.

Depois de resistir à onda de abertura de capital em 2007, a Plaenge não cogita fazer IPO. “Naquela época, quando várias companhias do nosso porte entraram na Bolsa, resolvemos nos manter como empresa de capital fechado. Falava-se muito das vantagens de um IPO, mas também existem vantagens de não fazê-lo”, explica Fabian. Segundo ele, caso a Plaenge estivesse hoje na Bovespa, “a internacionalização talvez nem tivesse acontecido, ou então demoraria muito mais”. “Os processos são muito mais rápidos numa empresa fechada”, diz.








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 128 other followers