Telhado Verde em Nova York

13 09 2009

(Revista Techne) – set/09

Telhado verde em Nova York

Telhado verde em Nova York


O Serviço Postal dos Estados Unidos (U.S. Postal Service) concluiu as obras do telhado verde do correio de Morgan, primeira estrutura do tipo instalada em um dos seus prédios da cidade de Nova York. Segundo Sam Pulcrano, vice-presidente de sustentabilidade da empresa, o telhado verde deve ajudar a empresa a alcançar a meta de redução de 30% do consumo de energia até 2015. O telhado possui árvores, arbustos de pequeno porte, grama e 14 bancos feitos de madeira certificada. Sua vida útil é estimada em 50 anos, duas vezes mais do que a estrutura substituída.

O telhado verde adotado pelo Serviço Postal dos Estados Unidos é uma entre várias estratégias sustentáveis utilizadas pela empresa, como o uso de materiais renováveis, programas de redução no consumo de energia e de água, utilização de sistemas de aquecimento solar, entre outros.





ABNT elabora normas para o BIM e Coordenação Modular

13 09 2009

(Revista Techne) – set/09

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Governo Federal solicitou à ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) a elaboração de normas para Coordenação Modular e para o BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem de Informações para a Construção. No caso da nova norma modular, a Comissão de Estudo de Coordenação Modular para Edificações revisará as normativas brasileiras que estão em vigor desde os anos 1970 e 1980 e se baseará também em outras seis normas internacionais. São elas: ISO 1791:1983, que define os termos necessários para a concepção e construção de edifícios de acordo com a coordenação modular; ISO 1006:1983, que estabelece o valor do módulo básico para ser usado na coordenação modular de edifícios; ISO 2848:1984, princípios e regras da coordenação modular; ISO 6513:1982, séries de medidas multimodulares preferíveis para dimensões modulares; ISO 6514:1982, que determina os valores dos incrementos submodulares; e ISO 1040:1983, que define as medidas dos multimódulos para dimensões coordenadoras horizontais. Já no caso da norma para o BIM, que não existe no País, a proposta é adaptar as normas ISO 12006-2:2001 e ISO 12006-3:2007 para a realidade brasileira. Apesar de a ABNT estipular o prazo médio de um ano para a conclusão dos novos textos, o superintendente do Comitê Brasileiro de Construção Civil, Carlos Alberto Borges, acredita que as normativas poderão ficar prontas ainda em 2009.





Compra Segura

13 09 2009

(Vera Fernandes Hachich, Tesis)

Alguns produtos empregados na construção de habitações do segmento econômico podem exigir uma atenção maior no momento da aquisição. São produtos não avaliados por Programas Setoriais de Qualidade (PSQs) ou fabricados por uma indústria pulverizada – o que dificulta a aferição da qualidade de todos os materiais. Confira as compras que o construtor pode fazer com mais segurança e as que ele deve faz

Roteiro para verificação de conformidade do produto

1. Entrar no site do PBQP-H – www.cidades.gov.br/pbqp-h

2. Clicar sobre o link Materiais Avaliados ou SiMaC

3. Na tabela “Programas Setoriais da Qualidade”, clicar sobre o produto desejado

4. Aparecerá uma síntese do programa, com todos os documentos para a consulta: Relatório Setorial; Como Participar; Texto Completo PSQ; Fundamentos PSQ; Lista de fabricantes

5. Clicar na lista de fabricantes para consulta das empresas qualificadas e não conformes.





Linhas populares

13 09 2009

(Revista Techne) – ago/09

Seleção dos materiais empregados na construção de empreendimentos do segmento econômico deve considerar primeiro desempenho, depois custo. Uso de produtos de qualidade evita multiplicação de patologias

Se a crise financeira mundial provocou um terremoto no mercado imobiliário brasileiro no final de 2008, levando as incorporadoras a reduzirem drasticamente o número de lançamentos, desde os primeiros meses de 2009 essas empresas têm apostado ainda mais no segmento de habitação econômica, estimuladas pelo programa Minha Casa, Minha Vida, criado pelo Governo Federal com o objetivo de construir um milhão de unidades até o fim de 2010.

Mas não é qualquer empreendimento econômico que poderá receber financiamento do programa. Para participar do Minha Casa, Minha Vida, a construtora deverá comprovar o atendimento às exigências técnicas da Caixa Econômica Federal quanto à qualidade e desempenho dos produtos e sistemas construtivos empregados na construção dos imóveis.

Os empreendimentos do segmento econômico têm características peculiares – as principais delas são a padronização dos projetos, a produção em larga escala e a margem de lucro apertada na venda dos imóveis. Para não ter problemas com a multiplicação de patologias, a seleção de materiais e fornecedores das obras deverá ser bastante criteriosa. O desafio nesse tipo de empreendimento é buscar produtos baratos, mas com desempenho adequado às suas funções.

Seleção de fornecedores
Dentro da cesta básica de materiais de construção, há itens em que não existe liberdade para especificação de produtos ditos “econômicos”. Incluem-se no grupo o concreto e o aço estrutural, por exemplo. Outros produtos, no entanto, são ofertados em linhas de padrões diferenciados, como revestimentos cerâmicos e metais sanitários. É sobre eles que os construtores se debruçam para tentar reduzir ao máximo o custo de construção dos empreendimentos.

Um grupo montado recentemente na Rossi Residencial está estudando a padronização de alguns materiais utilizados nas obras do segmento econômico. Há três meses, as gerências de planejamento, orçamento, suprimentos e engenharia, além da nova diretoria específica para o segmento econômico, se reúnem para discutir as soluções mais vantajosas para itens como portas e batentes, esquadrias de alumínio e ferro, estrutura das coberturas e telhas, entre outros.

A maior parte desses itens é avaliada periodicamente nos PSQs (Programas Setoriais da Qualidade) do PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat), que relaciona as empresas que fabricam produtos em conformidade com as normas técnicas vigentes. O programa também divulga os fabricantes de produtos não conformes. Segundo o gerente de suprimentos da Rossi Residencial, Celso Henrique Ribeiro, essa é a primeira triagem feita pela empresa durante o processo de seleção de fornecedores. “Nosso primeiro trabalho é verificar quais as empresas certificadas pelo PBQP-H”, explica. A qualidade também é aspecto eliminatório na MRV.

Outra preocupação da Rossi é com a capacidade do fabricante em atender à grande demanda para os diversos empreendimentos espalhados pelo País. Por isso, a etapa seguinte da seleção é a análise minuciosa da empresa. “Nós ligamos para construtoras concorrentes para avaliar sua reputação, visitamos suas fábricas, verificamos sua capacidade de produção mensal, de atendimento de prazos, se trabalha com estoque”, revela Ribeiro. A avaliação considera também a capacidade de atendimento da empresa em regiões diferentes do País. Essa é uma preocupação também da MRV. “A questão logística é importante. Se o fornecedor em Porto Alegre não tiver capacidade de entregar no Nordeste, o negócio é inviabilizado”, afirma Juliana Lopes, gestora de projetos da construtora.

Aprovado o fornecedor, a Rossi estuda os modelos dos produtos oferecidos pela empresa e solicita um orçamento, com base na quantidade média necessária até o final de 2010. “Se eu lhe mostrar que garantimos em contrato a compra de seus produtos até o ano que vem, conseguimos tirar dele algo mais para que nos ajude com nosso orçamento”, explica Ribeiro. Para Giorgio Vanossi, diretor técnico da construtora Living, a redução dos preços devida à aquisição dos produtos em grandes volumes permite até a compra de produtos com design mais sofisticado. “Isso é possível porque a escala reduz o preço”, afirma.

Especificidades
Apesar da tentativa de se padronizar o máximo possível de produtos utilizados nos empreendimentos de todo o País, nem sempre isso é possível. Os principais entraves são a disponibilidade de fornecedores em cada região e as características climáticas específicas desses locais. A tipologia da construção – casa térrea, sobrado ou edifício multipavimentos – também influi nas especificações.

A escolha das esquadrias exemplifica bem o problema. “Não se pode dizer que uma escolha adequada para o Rio Grande do Sul também será para o Nordeste. No Chuí, por exemplo, o problema dos ventos é crítico; na região Nordeste não é”, afirma a engenheira Vera Fernandes Hachich, gerente técnica da Tesis Engenharia. Da mesma forma, exemplifica, serão necessárias esquadrias com desempenhos diferentes em casas térreas e em andares mais altos de edifícios residenciais. “A padronização das esquadrias é um dos itens que estão exigindo mais tempo de estudos na Rossi”, revela Celso Ribeiro.

Além das janelas, a padronização da cobertura também tem se mostrado um desafio para a construtora. Os nós estão na estrutura e nas telhas. “Desde o Plano 100 (primeira linha de habitações econômicas da Rossi) a construtora usa estrutura de madeira na cobertura”, afirma Ribeiro. “No entanto, está cada vez mais difícil encontrar produtos de origem certificada, por isso estamos fazendo levantamentos sobre o uso de estruturas metálicas.” Quanto às telhas, o fornecimento também não é garantido. “Alguns fabricantes não estão presentes em todas as regiões de nossas obras, por isso trabalhamos com três tipos de produto: telhas cerâmicas, telhas de concreto e telhas asfálticas.”

Desempenho
Vera Hachich chama atenção também para os metais sanitários. A engenheira acredita que os sistemas hidráulicos brasileiros são dos mais complexos do mundo, do ponto de vista técnico. “Nosso fornecimento de água não é constante. Por isso, criou-se por aqui o hábito de instalar reservatórios residenciais”, explica. Isso faz com que a pressão da água nos registros e conexões apresente alta variabilidade – de 3 mca a 40 mca (metros de coluna d’água). Ao mesmo tempo, os metais sanitários devem ser produzidos de modo a, mesmo sob condições tão variáveis, apresentarem desempenho adequado em vazão mínima, torque de operação, resistência à corrosão. Por isso, o uso de produtos importados pode não ser um bom negócio. “Os metais são fabricados para um mercado com fornecimento de água constante, com pressão constante, e podem não funcionar bem no Brasil”, explica Vera.

E por falar em importação, os construtores brasileiros mostram-se cautelosos quando o assunto são os produtos chineses. “Nunca fizemos compra direta com eles. Sempre há o risco de que os materiais importados fiquem travados na Aduana”, afirma Juliana Lopes, da MRV. “Isso poderia atrasar nossas obras, inviabilizando o empreendimento.” Além disso, há o risco de a construtora não ter para quem reclamar em caso de problemas futuros. “Se isso acontecer, o que ele faz? O usuário fica à mercê da aventura.”

Revestimentos cerâmicos – pisos
Os revestimentos cerâmicos para piso diferem pouco dos revestimentos para paredes. Como ocorre com esses, também o acabamento superficial, o design e a geometria das placas diferenciam os produtos populares dos produtos mais sofisticados. No caso dos pisos, em particular, os produtos considerados de padrão mais alto são os porcelanatos. São peças que, segundo Maria Luiza Salomé, da Anfacer, apresentam absorção de água muito baixa, excelentes propriedades mecânicas, químicas e resistência ao congelamento. “São produtos de alto valor agregado e muito diferenciados”, explica. Na especificação dos pisos, devem ser consideradas as seguintes características técnicas das peças cerâmicas: classe de absorção de água – relacionada com a porosidade e com a resistência mecânica a que a placa suportará -, classe PEI (Porcelain Enamel Institute) – relacionada com a resistência ao tráfego e ao desgaste por abrasão, classe de resistência ao ataque químico de produtos de limpeza, classe de limpabilidade e coeficiente de atrito dinâmico.

Revestimentos cerâmicos – paredes
As principais diferenças entre os revestimentos cerâmicos para paredes de linhas populares e de alto padrão ficam por conta da qualidade do acabamento superficial, do design e da geometria das placas. De acordo com Maria Luiza Salomé, consultora técnica da Anfacer (Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimento), os revestimentos cerâmicos são classificados conforme seu grupo de absorção de água, que indica o grau de porosidade dos produtos (veja tabela abaixo). Os produtos classificados como BIII (absorção de água maior que 10%) são os destinados exclusivamente para uso em paredes. Todos os demais grupos de absorção também podem ser utilizados em parede, embora tenham características técnicas que superam as exigências de desempenho para essa utilização. No PBQP-H, o PSQ de Placas cerâmicas para revestimento avalia tanto as peças destinadas à aplicação em paredes quanto em pisos. A Anfacer, coordenadora do PSQ, considera como qualificados todos os produtos certificados por organismos acreditados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia).

Revestimentos cerâmicos - grupos de absorção de água

Revestimentos cerâmicos - grupos de absorção de água

Tintas econômicas
As tintas látex econômicas são indicadas para ambientes internos, já que sua resistência a lavagens e intemperismos é menor do que a das tintas Standard e Premium. A norma que determina as especificações mínimas de desempenho das tintas econômicas é a NBR 15079, revisada no ano passado. É ela que norteia as avaliações feitas pelo PSQ de Tintas Imobiliárias. Segundo Gisele Bonfim, supervisora técnica da Abrafati (Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas), as principais não conformidades das tintas látex econômicas, quando aparecem, são o baixo rendimento e baixa resistência à abrasão. O baixo rendimento implicará maior gasto de material e de tempo de mão de obra; a baixa resistência à abrasão, patologias que exigirão reparos.

Janelas
Quando se fala em esquadrias padronizadas conformes, os produtos populares geralmente têm desenhos mais simples do que os equivalentes de alto padrão. Podem apresentar, também, desempenhos diferentes nas trocas térmicas, sempre dentro das exigências normativas. As janelas de aço são mais presentes no segmento econômico, mas as esquadrias de alumínio ganham espaço no mercado. O custo de produção mais elevado ainda tira a competitividade das janelas em PVC nos empreendimentos populares. O construtor deve estar atento para evitar as não conformidades mais comuns entre as janelas, avaliadas em dois PSQs (Esquadrias de Alumínio e Caixilhos, Janelas e Portas de Aço): resistência mecânica, estanqueidade à água e permeabilidade ao ar.

Metais sanitários
Os metais sanitários integram os sistemas de abastecimento de água residenciais. Suas principais funções são controlar, restringir, bloquear ou permitir a passagem da água num volume adequado ao uso, evitando desperdício. São os registros de gaveta, registros de pressão, torneiras de pia e de lavatório. A diferenciação entre produtos populares e de alto padrão geralmente se dá em seu design e em seu acabamento. Eles são avaliados no PSQ de Metais Sanitários segundo as normas NBR 10281, NBR 10283, NBR 14162, NBR 15704-1 e NBR 15705. Na especificação, o profissional deve estar atento à conformidade do produto nos seguintes pontos:

Dimensões – os principais problemas causados por produtos com dimensões que não atendem às normas são a dificuldade no manuseio do produto, principalmente no caso de torneiras muito curtas, em que o jato de água cai muito próximo da borda da cuba. Roscas fora dos padrões normativos também dificultam o acoplamento do metal sanitário com a tubulação, impedindo a vedação perfeita.

Estanqueidade – o comprometimento da função de bloqueio da passagem da água, ou seja, a falta de estanqueidade do produto, leva ao desperdício de água.

Perda de carga – no caso dos registros de pressão, quanto maior a perda de carga, menor é o fluxo de água que passa pelo produto, o que pode comprometer o uso adequado.

Dispersão do jato – um dos grandes pontos de desperdício são as torneiras com grande dispersão do jato d’água. A água efetivamente usada é aquela cujo jato está concentrado num determinado diâmetro. O que cai fora desse diâmetro, além de não ser utilizado, causa desconforto ao usuário.

Louças sanitárias
Os tipos de louça existentes são as bacias convencionais independentes (para uso com válvula de descarga ou com caixa de descarga não acoplada) e com caixa acoplada, bidês, mictórios, tanques e lavatórios com e sem coluna de sustentação. Como lembra a engenheira Vera Hachich, a norma técnica NBR 15097 estabelece os requisitos mínimos que qualquer bacia sanitária deve atender. Esses requisitos estão associados a um volume de água consumido na descarga (6,8 l + 0,3 l no caso das bacias sanitárias convencionais e 5,8 l a 7,1 l no caso das bacias sanitárias com caixa acoplada). Além de funcionar com esses volumes de água, todas as bacias sanitárias comercializadas no mercado brasileiro devem atender aos seguintes requisitos de desempenho: remoção de esferas, remoção de mídia composta, remoção de grânulos, lavagem de parede, transporte de sólidos, reposição do fecho hídrico, respingos de água, além da análise visual e dimensional. Também no caso das louças, a diferença entre um produto econômico e um produto de alto padrão – conformes à norma – geralmente está associada à forma e ao design do produto.

Fechaduras
Outro item avaliado em PSQ específico. Na especificação, o profissional não apenas deve procurar produtos conformes, como também deve estar atento às condições de exposição a agentes corrosivos, de tráfego e de segurança do ambiente em que a fechadura será instalada. Determinadas essas condições, o construtor irá procurar os produtos que melhor se adéquam ao orçamento do empreendimento – geralmente aqueles de design menos sofisticado. Atenção às não conformidades mais comuns no produto: baixa resistência mecânica em testes contra arrombamentos e baixa resistência do acabamento contra corrosão.





Grupo de trabalho quer homologar construção em Light Wood Frame na Caixa

13 09 2009

(Revista Techne) – 09/09/09

Profissionais trouxeram da Alemanha proposta de modelo construtivo com estrutura leve de madeira para a construção de casas industrializadas sustentáveis

Um grupo de fabricantes e projetistas especializados em madeira está trabalhando na especificação e normalização do Light Wood Frame (ou estrutura leve de madeira) para a construção de casas industrializadas. O objetivo é obter a homologação do sistema pela Caixa Econômica Federal, para que o produto possa ser utilizado também nos créditos de financiamento imobiliário do banco.

O grupo realizou em junho uma visita técnica à Alemanha, a convite do Governo do Estado de Baden-Würtenberg e de indústrias locais, para saber mais sobre o sistema. “O objetivo da viagem era conhecer essa tecnologia com o foco na construção sustentável, um ponto bem forte na Alemanha. Lá, a construção de casas sustentáveis está diretamente associada à utilização da madeira proveniente de reflorestamento ou de manejo sustentável”, afirma Guilherme Stamato, um dos integrantes do grupo e diretor da Stamade Projeto e Consultoria em Madeira.

Segundo ele, a comitiva foi composta por 19 empresários do setor madeireiro e da construção civil dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo, bem como diretores do Senai de Curitiba, Rio de Janeiro e Caxias do Sul.

A diferença entre o Light Wood Frame desenvolvido pelos alemães e o fabricado nos Estados Unidos, que também é aplicado no Brasil, é a industrialização do sistema. De acordo com Stamato, na Alemanha as paredes recebem já na fábrica desde a sua estrutura interna até os acabamentos finais, incluindo aplicação das janelas, portas, tubulações hidráulicas e elétricas, entre outros. “Nesses painéis são instalados dispositivos de ligação e ancoragem que permitem, ao mesmo tempo, a correta fixação e agilidade de montagem, fazendo com que uma casa de mais de 200 m² seja montada em apenas um dia”, afirma o empresário.

Para trazer o sistema ao Brasil, o grupo vem se reunindo mensalmente em Curitiba. O primeiro encontro, realizado no dia 1º de setembro, reuniu cerca de 50 pessoas e serviu basicamente para a apresentação do método construtivo. “Formamos uma espécie de Associação e temos organizado várias ações para a aprovação do sistema junto à Caixa”, conta Stamato. As principais exigências do banco são a regulamentação do sistema de construção segundo o Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas) e ensaios técnicos elaborados pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

A próxima reunião do grupo está prevista para o dia 7 de outubro, também na capital paranaense. “A nossa expectativa é apresentar todos os documentos necessários para a homologação até março de 2010, praticamente daqui a seis meses”, finaliza Stamato.





Steel frame – Como Especificar

13 09 2009

(Revista Arquitetura e Urbanismo) – ago/09

Quando o assunto é o sistema construtivo light steel frame, em perfis de aço galvanizado, o que se costuma lembrar é da rapidez de execução da obra, de como o sistema permite calcular precisamente a quantidade de material utilizado, e da limpeza da obra e do canteiro, por ser um sistema seco. Mas, na hora de projetar pensando em construir neste sistema, o arquiteto precisa tomar alguns cuidados para que o resultado seja satisfatório.

O primeiro é saber que se trata de um sistema industrializado e que, por isso, é formado por materiais com medidas específicas. Se o arquiteto trabalhar as medidas conforme a modulação desses materiais, conseguirá melhor aproveitamento, evitando cortes e emendas que significariam desperdício de dinheiro e de tempo. E também evitam futuras patologias.

“O projeto ideal em steel frame é aquele que trabalha em cima da modulação do sistema”, afirma o arquiteto Luciano Andrades, do escritório gaúcho Studio Paralelo. As placas cimentícias usadas para revestimento, por exemplo, possuem 1,20 m de largura x 2,40 m de altura. Por isso é possível trabalhá-lhas em conjunto com as placas de gesso acartonado de 40 a 60 cm que, multiplicadas, atingem a medida de 1,20 m.

Andrades afirma que somente as placas OSB fogem um pouco ao padrão por serem medidas em polegadas e ficam um pouco maiores que as cimentícias (1,44 m x 2,44 m), o que não chega a ser um problema. “Seguindo a modulação é possível estimar o número exato de material que será utilizado, sem sobras ou desperdício”, confirma o arquiteto que está realizando o segundo projeto em steel frame do Studio Paralelo. O primeiro foi bem-sucedido, resultando em uma casa industrializada na Mata Atlântica, em São Francisco de Paula, a 100 km de Porto Alegre (AU 177). “Essa primeira experiência foi suficiente para conhecermos todos os componentes do sistema e fornecedores. Agora estamos projetando uma residência que será toda em steel frame. A laje será totalmente seca, ao contrário da casa anterior que tinha laje de concreto”, confirma.


Implantação em meio à mata

A casa industrializada na serra próxima a Porto Alegre (AU 177) foi modulada em 1,20 m x 1,20 m. A construção foi rápida e com mínima agressão ao entorno: desconsiderando o tempo para cura da laje de concreto, a obra foi executada em pouco mais de dois meses.

fotos Eduardo Aigner

FICHA TÉCNICA
ARQUITETURA Studio Paralelo
ANO
2006/2007
EXECUÇÃO
Sull Frame
STEEL FRAME
Formac Brasil
GESSO ACARTONADO E LÃ DE ROCHA
Placo Center
OSB
Masisa
MEMBRANA IMPERMEABILIZANTE Tyvec/DuPont

Mas se o projeto não foi pensado inicialmente para o steel frame, isso não significa que seja impossível executá-lo nessa técnica. Tudo depende do tamanho da obra. “Para uma única edificação não faz grande diferença projetar com medidas padrão para steel frame, porque se perde pouco material nas adaptações. A diferença será considerável em um conjunto habitacional ou condomínio com muitas casas, por exemplo”, afirma o arquiteto Alexandre Kokke Santiago, da empresa Flasan, especializada em sistemas construtivos de aço.

Essa característica foi comprovada pelo arquiteto Rodrigo Marcondes Ferraz, do escritório FGMF, que está desenvolvendo um conjunto de cerca de mil casas com a tecnologia steel frame no interior do Estado de São Paulo. “Neste caso, não basta fazer um projeto qualquer e depois construí-lo em steel frame. As questões da modulação, da estrutura dos fechamentos e das aberturas devem ser levadas em conta para se obter um projeto coeso e com um custo de construção viável”, explica, frisando que optaram pelo sistema pela grande quantidade de casas e pela repetição de modelos e de tipologias, que variam de 50 a 100 m². “Por ser um sistema industrializado, permite-se que todas as casas sejam construídas em um curto espaço de tempo, com pouca mão de obra e, consequentemente, menor custo”, enumera.

O steel frame, mesmo sendo um sistema com seus próprios materiais de fechamento, piso e cobertura, permite a utilização de acabamentos comuns em outros sistemas construtivos. “Os acabamentos podem ser os mesmos da obra de alvenaria, como o mármore, texturas, pastilhas de vidro e cerâmica, desde que o cálculo esteja correto”, afirma o arquiteto Alexandre Santiago. Dessa forma, o resultado pode ser mais familiar ao gosto nacional. O que não pode faltar é a estrutura, em perfis de aço galvanizado, colocadas com espaçamento definido em cálculos estruturais e seguindo normas bem específicas quanto ao dimensionamento de perfis e forma de construção. Aliás, como em todo projeto, os cálculos devem ser seguidos à risca e refeitos em caso de quaisquer mudanças como troca de paredes e de materiais.

A instalação de tubulações de água, energia e gás utilizam materiais comuns no mercado, mas são mais fáceis e rápidas de executar no sistema steel frame. “Os profissionais de elétrica e hidráulica que conhecem a construção em frames costumam cobrar menos pelo serviço, pois sabem que terão menos trabalho em instalar”, explica Santiago.

Outra facilidade está no uso de mantas de isolamento acústico. Pode-se colocar maior quantidade de mantas de lã de rocha para isolar melhor uma sala que será um estúdio musical, por exemplo, sem precisar reforçar a estrutura das paredes. E, com o aumento do uso do steel frame no País, alguns erros do passado não acontecem mais. “No início soubemos de obras em que vizinhos que dividiam a mesma parede ouviam todas as conversas um do outro, porque as paredes estavam ocas, por falha da obra que foi feita sem o devido isolamento acústico”, conta Andrades.

Aos poucos a construção em steel frame está se popularizando e cada vez mais os profissionais têm acesso a informações sobre o sistema. “Existem diversos manuais sobre como projetar com esta tecnologia, disponíveis na internet ou em publicações do setor. Além disso, as empresas siderúrgicas dão suporte a este tipo de construção, tecnologia ainda pouco utilizada no Brasil. No nosso caso, por exemplo, os fornecedores dão total suporte”, confirma Rodrigo Marcondes Ferraz.

Também existem poucas limitações para projetar em steel frame. Segundo Alexandre Santiago, uma delas é a altura: uma obra pode ter até cinco pavimentos, seguindo cálculos rigorosos, lembrando que mesmo em andares múltiplos as paredes continuam sendo autoportantes.





Condomínio residencial Vila Gardner, de Gustavo Penna, em Nova Lima, MG

13 09 2009

(Revista Arquitetura e Urbanismo) – set/09

Conjunto de prédios de apartamentos desenvolve-se orgânica e pontualmente, assim como a topografia do lugar

Mais um projeto arquitetônico de destaque em Nova Lima, Minas Gerais. A cidade localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, mais precisamente no centro sul, tem atraído investimentos imobiliários e nomes de grandes arquitetos justamente por fazer divisa com uma das regiões mais ricas da capital mineira. Dessa vez nossa atenção volta-se para um condomínio de apartamentos incrustados no Vale dos Cristais, região montanhosa de difícil implantação, dentro de uma reserva natural protegida. Trata-se do Vila Gardner, conjunto de seis edifícios de construção e incorporação da Odebrecht, e projeto de Gustavo Penna.

Condomínio residencial Vila Gardner, de Gustavo Penna, em Nova Lima, MG

Condomínio residencial Vila Gardner, de Gustavo Penna, em Nova Lima, MG

O condomínio é o primeiro de um total de doze que serão erguidos pela construtora na região. Como estão em uma área de preservação, somente 20% da área total pode ser destinada à construção. “O que me entusiasmou no convite feito pela construtora foi a possibilidade de conceber um projeto de baixo impacto, com poucas superfícies impermeabilizadas”, diz Penna. De fato, o terreno reservado aos edifícios tem 28 mil m², enquanto a área construída dos seis soma 14,8 mil m².

A primeira questão endereçada ao arquiteto foi sobre o conceito dos edifícios: como seria um apartamento de transição entre a cidade e a montanha? “O maior desafio foi criar um tipo de habitação compatível com esses dois momentos”, explica Penna. A resposta está nas principais características do projeto: poucos pavimentos, poucos apartamentos, muitas áreas envidraçadas, varandas e grande permeabilidade. Os edifícios são perfeitamente adaptados às curvas de nível acentuadas do terreno, suas principais aberturas voltam-se para a vista exuberante dos vales ao redor. Cada bloco possui garagem, térreo mais quatro pavimentos com dois apartamentos cada, sendo que o último andar é reservado às coberturas dúplex com piscina, que não carregam a extrema verticalidade como característica principal. A planta de cada pavimento é curva, ora côncava, ora convexa, e organiza-se a partir de um eixo de circulação central. “As janelas se abrem para as áreas preservadas, os prédios não são geometrizados, reticulados, ao contrário, apresentam uma arquitetura mais orgânica, sinuosa”, define.

O número reduzido de apartamentos conferiu uma escala precisa e harmoniosa ao condomínio. Um edifício não faz sombra no outro, e a implantação criou uma ambientação interna ilimitada, enquadrada pela extensa natureza do entorno. “O projeto de arquitetura existe graças à topografia, e não apesar dela”, diz Penna, que completa “ela inaugura um pensamento, pois os prédios nascem escalados nos espigões”.

A área dos apartamentos varia entre 270m² e 450m², sempre com quatro suítes e varanda inserida em meio às áreas íntima e social. Essa permeabilidade reforça a ideia de liberdade proposta pela implantação, onde os limites estendem-se para onde a vista alcança, e a mata e seus ruídos penetram os apartamentos. A garagem eleva-se no corpo da construção, e o fato de não ser enterrada libera mais área permeável.

Há uma pequena licença poética na área de lazer: com “nascente” na piscina, uma fenda de água revela as curvas de uma cobertura em balanço vazada, por onde se ergue a caixa d’água geometrizada. A imagem remete à beleza mais voluptuosa da arquitetura brasileira, talvez um tanto esquecida.

Todo o conjunto é monocromático e harmônico em relação à materialidade das montanhas. O granito impera em piso e fachadas, e também toma forma de maneira irregular, como saliências, em painéis estrategicamente localizados. Os edifícios não agridem a montanha, simplesmente organizam e enquadram vales e escarpas, na forma de molduras possíveis da generosa natureza do lugar.

Desenhos

Corte AA - Implantação

Corte AA - Implantação

Corte BB e CC - Edifício tipo 1

Corte BB e CC - Edifício tipo 1

Implantação e Corte AA do Edifício tipo 1

Implantação e Corte AA do Edifício tipo 1

Cortes AA, BB e CC - Edifício tipo 2

Cortes AA, BB e CC - Edifício tipo 2


Planta dos pavimentos - Edifício tipo 2

Planta dos pavimentos - Edifício tipo 2





Grupo A. Yoshii cria empresa voltada para o segmento econômico

13 09 2009

(Pini Web) – 08/09/09

Yticon vai construir imóveis de dois ou três dormitórios, com área total de até 90 m²

O Grupo A. Yoshii lançou uma nova empresa para atuar exclusivamente na baixa renda, a Yticon Construção e Incorporação. A marca entrou em operação no mês de setembro na cidade de Londrina, no Paraná, e atuará no segmento de imóveis de dois ou três dormitórios, com área total de até 90 m².

Os empreendimentos da Yticon serão construídos sob regime tributário do Patrimônio de Afetação. “Cada obra é individualizada das demais, com controles específicos auditados pela Comissão de Representantes dos Compradores. O regimento prevê que os futuros moradores tenham acesso às demonstrações financeiras, relatórios de acompanhamento da obra e da utilização dos recursos”, explica Leonardo Yoshii, diretor de marketing da empresa.

O primeiro lançamento da Yticon é o empreendimento Marco dos Pioneiros, que será construído na Zona Leste de Londrina. O projeto terá cinco torres com 13 pavimentos cada e seis apartamentos por andar, totalizando 380 unidades.








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