Shopping centers voltam para a Bovespa

25 09 2009

(Valor Online) – 24/09/09

Com a melhora do humor dos investidores, as empresas de shopping centers – BR Malls, Multiplan e Iguatemi – voltaram recentemente à bolsa para uma segunda rodada de venda de ações. A boa receptividade aos papéis e a classificação de grau de investimento concedida ao Brasil por uma terceira empresa de avaliação de risco devem encorajar outras companhias a retomar o projeto de abertura de capital, engrossando o time de empresas de shopping centers na Bovespa.

A próxima da fila a acessar o mercado de capitais deve ser a Aliansce, a quarta maior empresa do ramo em área bruta locável (ABL) do país, atrás atrás apenas da BR Malls, Multiplan e do grupo Savoy. Com 20 shoppings em seu portfólio e três projetos em desenvolvimento, a Aliansce é maior que duas outras companhias que já abriram o capital, o grupo Iguatemi e a General Shopping.

Os empreendimentos que a empresa controla ou possui participação acionária incluem os shoppings fluminenses Leblon, Via Parque, Carioca e Grande Rio, além do Iguatemi Salvador (BA) e o Iguatemi Campina Grande (PB). A Iguatemi ainda aceita que Aliansce utilize a sua marca nesses dois empreendimentos no Nordeste devido à relações de amizade entre os fundadores dos dois grupos, as famílias Jereissati e Rique, afirmam fontes do setor.

Segundo apurou o Valor com pessoas próximas à empresa, a Aliasnce avalia retomar os procedimentos para a realização de uma oferta pública de ações. O processo encontrava-se em uma fase adiantada em 2007, mas foi suspenso com a eclosão da crise econômica, em 2008.

Os problemas enfrentados nos Estados Unidos pela maior acionista da Aliansce, o grupo General Growth Properties (GGP), também atrapalharam os planos. A companhia americana, a segunda maior rede de shopping centers do mundo, comprou 49% do capital da Aliansce em 2005, associando-se ao empresário brasileiro Renato Rique e ao fundo Gávea, de Armínio Fraga.

Em entrevista concedida ao Valor em junho deste ano, o presidente da GGP, Adam Metz, foi enfático ao dizer que a empresa não tem planos de vender sua participação na Aliansce. Segundo ele, não seria bom negócio deixar o mercado brasileiro no momento em que as perspectivas são, ao contrário, de valorização dos ativos no país, onde há ainda boas oportunidades de investimento.

Metz é o executivo que está à frente do plano de recuperação da GGP, cujos ativos são avaliados em quase US$ 30 bilhões. Após o colapso no mercado americano de crédito a empresa procurou abrigo no “Chapter 11″, capítulo da Lei de falências americana, por não conseguir renegociar suas dívidas. Isso não quer dizer que empresa seja inviável ou esteja sendo liquidada, disse Metz.

Segundo o analista da Fator Corretora, Eduardo Silveira, o setor de shopping centers é atraente para os investidores por ser um negócio sem grandes riscos e com potencial de crescimento. A receita com os aluguéis dos empreendimentos não costumam apresentar oscilações repentinas. Além disso, ainda existe um amplo espaço para concentração no setor – a participação de mercado das quatro empresas listadas na Bovespa é inferior a 50%.

As empresas do ramo, que já não haviam sido muito afetadas pela crise no começo do ano, devem ser favorecidas agora pela retomada da economia e, consequentemente, do consumo, diz Silveira. As lojas âncoras, como a Renner, Riachuelo e Marisa, estão apresentando sinais de melhora nas vendas e têm planos de voltar a acelerar a expansão. Com isso, os shoppings podem reativar os projetos de construção de novos empreendimentos que foram colocados em banho-maria com a crise.

Como a Multiplan, a Iguatemi e a BR Malls não apresentam um alto nível de endividamento, os recursos captados na bolsa devem ser destinados para realização de investimentos, seja em aquisições ou em projetos a partir do zero (”greenfield”).

A primeira que testou o mercado foi a BR Malls, que vendeu em julho 55,7 milhões de ações ON por R$ 835 milhões. Deste total, R$ 454 milhões engrossaram o caixa da empresa. O processo de venda de ações da Multiplan está em fase de subscrição. A oferta de ações da empresa deve ficar em torno de R$ 700 milhões, mas esse valor pode chegar a R$ 940 milhões. Nesta semana, foi a vez da Iguatemi. A empresa divulgou que estima levantar R$ 400 milhões com uma nova oferta de ações ordinárias.





Industria imobiliária importa o “know how” do varejo e do consumo

25 09 2009

(Valor Econômico) – 23/09/09

A mentalidade agressiva e a agilidade do varejo e da indústria de consumo estão migrando para o cartesiano e ainda conservador mercado da construção civil. Com novas tecnologias que reduzem o ciclo de construção para até 30 dias, não tarda e o setor imobiliário terá casas e apartamentos para pronta-entrega. Produto pronto, só falta a prateleira para vendê-lo? Já não falta mais. As lojas são o mais novo canal de distribuição das incorporadoras que não querem depender apenas do bom e velho estande de vendas.

Dois movimentos complementares da indústria imobiliária importam o know-how do varejo e do consumo. De um lado, a contratação de executivos que carregam na bagagem chancelas corporativas que dispensam maiores apresentações, tais como Walmart, AmBev e Avon. De outro, uma estratégia e ações de marketing, de fato, mais parecida com a dessas empresas, como o uso de garotos-propaganda – algo típico desses mercados.

Formada por gerações de engenheiros civis, nos últimos anos, o setor deu espaço para profissionais do mercado financeiro, especialmente depois das aberturas de capital. Agora, vale contratar a experiência em inteligência de mercado, conhecimento de ponto de venda e distribuição. Trata-se, porém, de um movimento diferente do que aconteceu no boom dos IPO, quando as empresas inflacionaram o mercado e contrataram profissionais a peso de ouro. É muito mais uma estratégia para engordar as vendas.

Depois que foi comprada pela Gafisa no auge da sua crise, em setembro de 2009, a Tenda despertou a curiosidade no mercado ao contratar Carlos Trostli para presidir a companhia. Sem nenhuma passagem pelo setor imobiliário, Trostli construiu sua carreira em marketing e vendas de produtos de consumo. Foi o principal executivo das subsidiárias brasileiras da Reckitt Benckiser, America Online e Quaker.

Um ano depois da compra da Tenda, o novo perfil da empresa começa a ficar mais delineado. Além do presidente, dois executivos da linha de frente vieram do setor de consumo. “Queremos trazer a visão de logística e manufatura para suplementar o conhecimento de engenharia e arquitetura com maior eficiência”, afirma Carlos Trostli. “Cada canteiro de obra é uma fábrica”, diz o presidente da empresa, que atualmente conta com mais de duzentos canteiros.

Em maio, a Tenda contratou a diretora de marketing, Dirce Amaral, que teve passagens por empresas como Avon e Reckitt Benckiser. Há duas semanas, começou na Tenda o novo diretor de vendas, Flávio Fernandes, que trabalhou por 14 anos na AmBev e chegou a ser o responsável pelas operações do Paraguai e Equador. “O que me chamou atenção foi a enorme transformação pela qual esse mercado tem passado nos últimos anos e especialmente agora, depois do programa habitacional do governo”, afirma Fernandes. “O setor imobiliário não tem o foco no consumidor”, diz Dirce, a responsável por mudanças radicais nas rotinas dos cerca de 50 engenheiros da companhia. Já fez de tudo para estimular a criatividade desses profissionais. Para ativar o lado direito do cérebro da turma, que prima pela racionalidade, já os fez montar um filme completo e colocou até uma mulher nua na sala para que eles desenhassem. “É uma quebra de paradigmas”, diz.

Ao lado de Trostli, Dirce costurou uma importante parceria para a empresa. A Tenda e as Casas Bahia se uniram para vender, respectivamente, casas, móveis e eletrodomésticos. Na primeira vez em que sentaram com Rafael Klein, da Casas Bahia, em 29 de maio, já fecharam a parceria, que não envolve dinheiro. A Tenda construiu uma casa dentro da loja da Casas Bahia na Praça Ramos de Azevedo, no centro de São Paulo, onde durante anos foi a sede do Mappim. Nas lojas da Tenda, os produtos expostos são das Casas Bahia. “Temos o mesmo cliente e produtos complementares”, diz Trostli. Por enquanto, trata-se de um projeto piloto que pode ser ampliado caso se comprove bem-sucedido dos dois lados.

Quem vai por um caminho parecido, embora não tenha colocado profissionais do varejo e de consumo para dentro de casa é a a Living, braço de baixa renda da Cyrela. A Living abriu suas primeiras duas lojas, nos shoppings Aricanduva e Penha e espera abrir pelo menos mais uma este ano. Também contratou o apresentador global Luciano Huck como garoto-propaganda da marca e o colocou na TV em um filme institucional. Entre suas ações de marketing está a circulação de vans adesivadas em lugares de grande circulação e a montagem de quiosques em supermercados. “Estamos indo onde o público está, não dá mais para ter o corretor sentado no estande esperando o comprador”, afirma Antonio Fernando Guedes, diretor da Living.

Para os mais céticos e menos ávidos a mudanças, as novidades podem soar cosméticas se não garantirem um aumento considerável das vendas. As despesas gerais e administrativas, que incluem os gastos com marketing, são olhadas com lupa pelos investidores das empresas de capital aberto. Despesas muito altas podem corroer as margens e comprometer os resultados finais. Apesar do aumento recente das vendas e do aumento da demanda por conta do pacote habitacional do governo, o setor imobiliário foi um dos mais machucados na crise. “A disciplina de custo e execução são olhadas à risca”, diz Fernandes, da Tenda.

Para Guedes, da Cyrela, para ter loja é preciso ter escala e um volume de empreendimentos que compensem o custo de manutenção das lojas. “Não aumentamos a verba de marketing, é o mesmo bolo dividido de forma diferente”, diz. “O que estamos buscando é velocidade de vendas”, completa.

Fora do segmento das incorporadoras, também há espaço para profissionais com experiência de varejo. A Scopel Desenvolvimento Imobiliário, empresa de loteamentos populares, contratou o executivo Ciro Schmeil para ser seu diretor de operações. Schmeil trabalhou durante quase dez anos no Walmart, como vice-presidente de desenvolvimento imobiliário. Na Scopel, coordena a busca e escolha de novas áreas e de projetos para a expansão dos loteamentos. “A expansão do varejo está muito relacionado à demografia e renda e, nesse ponto, pode contribuir muito com o setor imobiliário”, afirma Eurico Carvalho, diretor administrativo financeiro da Scopel. “Há um link muito importante quando se olha os drivers de consumo da baixa renda”, completa.





Construtora agiliza burocracia atuando como correspondente bancário da CEF

25 09 2009

(Valor Econômico) -25/09/09

A palavra não ajuda, mas a operacionalização do programa, traduzida pela capacidade de atuação da Caixa Econômica Federal (CEF), é o fator que pode acelerar ou emperrar o Minha Casa, Minha Vida. Para tentar eliminar as barreiras burocráticas e agilizar o programa, foi criada a figura do correspondente bancário, adotada por praticamente todas as grandes construtoras. Entre 60% e 70% do processo burocrático é adiantado dentro das empresas, que deixam para a CEF somente a palavra final sobre a concessão do crédito.

Atualmente a instituição possui cerca de 12 mil correspondentes – batizados de Caixa Aqui – sendo cerca de 3 mil na recepção do crédito imobiliário. De acordo com a Caixa, podem atuar como correspondente estabelecimentos com produtos ou serviços que tenham relação com o banco, mas que não sejam concorrentes. A preferência, segundo a entidade, está nas áreas de construção e serviços relacionados à atividade imobiliária.

Toda a primeira fase do processo, que inclui a apresentação de documentos, análise do cadastro e até as primeiras entrevistas com clientes de renda comprovada são feitas pelos correspondentes imobiliários. No caso de mutuários sem comprovação de renda – que começaram a ser aceitos pela CEF há cerca de cinco anos – o processo de aprovação é mais complexo e fica nas mãos do banco.

A mineira MRV foi a primeira construtora a atuar como correspondente imobiliário da Caixa. O primeiro projeto piloto foi feito em 1997 e atualmente a empresa atua em 60 cidades. São cerca de 150 profissionais que fazem 1,6 mil processos mensais. “Essa parceria é fundamental para o sucesso do plano e sem ela não conseguiríamos atingir os números atuais”, afirma Rubens Menin, presidente da companhia, que já tem 14 mil unidades aprovadas pela Caixa dentro do Minha Casa, Minha Vida. “Quanto mais a Caixa puder delegar, melhor”, afirma.

No primeiro trimestre, a Tenda conseguiu suas primeiras quatro certificações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal e agora também atua como correspondente no Rio Grande do Sul e na Baixada Santista. Juntas, essas regiões representam 80% das vendas contratadas durante o primeiro semestre de 2009. “Durante o primeiro semestre de 2009, transferimos 2.026 clientes para a Caixa, 150% superior ao número de clientes transferidos durante todo o ano de 2008″, afirmou a empresa em relatório de resultados do segundo trimestre. No começo do ano passado, a empresa teve problemas de repasse e cancelamento de vendas por conta da avaliação de crédito fora dos padrões da Caixa. “Agora, só vendemos para quem atende o perfil da Caixa.”

Outras empresas como Rodobens, PDG Realty e Cyrela também estão iniciando como correspondentes e devem ampliar sua atuação este ano.








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