Casa verde certificada recebe toques de alta tecnologia

17 12 2009

(CNET News) – 15/12/09

A proprietária de imóvel Kim Hageman queria se tornar “verde” em casa sem deixar de lado qualquer conforto digital. Há três semanas, a executiva de marketing e relações públicas, seu marido e seus dois filhos se mudaram para uma casa construída do chão para ser baixa consumidora de energia e com alta tecnologia. Esta é a primeira casa em Rhode Island a conseguir o certificado de Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED, na sigla em inglês) para Casas, do U.S. Green Building Council. Ela é bem mais eficiente energeticamente em relação à maioria porque a construção é altamente isolada e utiliza bombeamento de calor geotérmico, para aquecer e refrigerar. Os construtores e os proprietários seguiriam algumas orientações ambientais para conseguir a certificação LEED, incluindo o uso de materiais reciclados de fontes locais e uma grande cisterna. Por meio da reciclagem, o projeto inteiro da construção, incluindo a demolição do que existe, só enviou uma caçamba para o lixão.

A construção também é pioneira no quesito alta tecnologia. Ela possui um sistema de automação residencial para acessar filmes e músicas na televisão e telas touch-screen em várias partes. O sistema também funciona como console de gestão de energia, dando à família a oportunidade de controlar a temperatura e a iluminação, além de receber em tempo real dados sobre o consumo de eletricidade. Desde que a família se mudou, Hageman não pode dizer se o sistema de monitoramento da energia já ajudou a conservar eletricidade. Mas, pelo menos, Hageman sabe o quanto ela está gastando em média por dia. Teoricamente, essa informação permitirá aos Hagemans notificações sobre alto consumo e eles poderão desligar os aparelhos e lâmpadas que não estiverem em uso.

Hageman disse que decidiu criar a casa verde com certificação LEED porque queria fazer algo pelo meio ambiente e também porque achou que isto seria bom para seus negócios de marketing e relações públicas. Um dos maiores desafios do projeto inteiro, que durou 14 meses, foi encontrar empreiteiras qualificadas peritas em produtos e design de construção verde. Agora, ela espera que a casa sirva como recurso para que outros proprietários de imóveis busquem incorporar algumas de suas características, como o uso de madeira sustentavelmente florestada, eletrodomésticos eficientes hidricamente, e sistemas de coleta de águas da chuva.

As empreiteiras seguiram as orientações da Associação de Eletrônicos para uma instalação audiovisual “verde”, na qual a fiação é mínima e a tecnologia otimizável. Hageman estima que o sistema use quase a metade da fiação em relação a outras casas de alta tecnologia. A casa ainda tem uma pegada ambiental significativa simplesmente por causa de seus 418m². Mas os Hagemans tem feito escolhas eficientes energeticamente, como isolamento com espuma e eletrodomésticos com o selo Energy Star. Eles também estão considerando a possibilidade de instalar um sistema elétrico solar, que pode tornar sua casa net zero em energia.





Família cria casa que gira 360° na Austrália

11 12 2009

(UOL Notícias) – 11/12/09

Uma família australiana colocou em prática uma maneira de acordar todos os dias com uma vista diferente. Fazer girar a própria casa.

A casa é octogonal e está amparada por um grande círculo no chão, controlado por computador

Os Everinghams, família que se mudou para sua casa dos sonhos há três anos, podem fazer a casa ficar virada em direção ao sol sem sair da poltrona.

“Você já acorda pensando para que lado estará olhando de manhã”, diz Luke Everingham, engenheiro de som, que teve a ideia junto da mulher, Deb, depois de uma conversa com os vizinhos.

A casa é octogonal e está amparada por um grande círculo no chão, que gira movido a motor elétrico conforme a vontade dos donos. Tudo controlado por computador.

A construção de três cômodos custou A$ 888.638 (dólares australianos), cerca de R$ 1.426.311, e a residência pode completar uma volta de 360º em cerca de 30 minutos.





As oportunidades das Olimpíadas [Rio 2016] para cada agente do setor

11 12 2009

(Construção Mercado) – 12/09

Como cada segmento – e classe profissional – pode participar dos preparativos para as Olimpíadas

Construtora de obra pública
A maior parte dos investimentos para os Jogos Olímpicos deverá sair dos cofres públicos. O gasto inicialmente previsto pelo Comitê Organizador é de R$ 23 bilhões, dos quais, cerca da metade será aplicada na expansão e no aperfeiçoamento do sistema de transporte de massa. “Como boa parte dos equipamentos esportivos já terá sido construída, sobretudo por herança do Pan-Americano de 2007 e da Copa do Mundo de 2014, a maior parcela dos recursos deverá ser utilizada em obras de infraestrutura”, afirma o presidente do Sinicon (Sindicato Nacional da Construção Pesada), Luiz Fernando Reis.

O pacote inclui a modernização de ferrovias, a duplicação de vias e a ampliação do Aeroporto Internacional Tom Jobim, este último a ser concluído antes da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Embora não tenha sido inserido no relatório apresentado ao COI (Comitê Olímpico Internacional), a intenção dos governos estadual e municipal é a de que o sistema metroviário também seja ampliado, para ligar a zona Sul e a Barra da Tijuca, uma das regiões da cidade a sediar os jogos.

Entre os projetos que podem gerar oportunidades para as construtoras de obras públicas destacam-se, também, a implementação do BRT (Bus Rapid Transit) e a construção do corredor viário T-5 com 30 km de extensão, ligando bairros da zona Oeste da cidade. Segundo anúncio da prefeitura, essa obra deve ser iniciada no primeiro semestre de 2010. Inicialmente, estão previstos três trajetos: Barra-Penha, Barra-Deodoro e Barra-Santa Cruz.

“Paralelamente aos programas de mobilidade urbana, o segmento de saneamento básico deverá receber a atenção dos governantes”, acredita Paulo Godoy, presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Nesse sentido, um dos projetos mais críticos é a despoluição da Baía de Guanabara, programa que vem se arrastando há décadas e que já consumiu mais de US$ 1 bilhão sem muito sucesso. A recuperação da Lagoa de Jacarepaguá também está no escopo de medidas impulsionadas pela realização das Olimpíadas.

“Mas para que os projetos saiam do papel é preciso atentar para a gestão dos recursos públicos e para a criação de um modelo que torne mais ágil os processos de licitação, licenciamento ambiental e liberação do dinheiro”, ressalta Paulo Godoy, lembrando que o desafio é justamente aliar o respeito aos preceitos legais à agilidade necessária.

Dos modelos de contratação
Como os recursos para as obras públicas virão das esferas federais, governamentais e municipais, o modelo de contratação variará conforme o órgão contratante. Como informa Amandio da Silva Machado, diretor geral da Balman Consultores Associados, algumas construções são objeto de concessão de serviços públicos, como os estádios de propriedade pública (Engenhão e Maracanã), a linha 4 (a concessão já foi realizada por leilão em 1998) e a linha 3; outras, em casos de concessão pública pela União, serão regidas pela lei federal 8.987/95 e alterações posteriores. Em projetos viabilizados via concessões pelo Estado do Rio de Janeiro, há a lei 2.470/95, regulamentada pelo decreto no 22.453/96.

O Estado do Rio instituiu o PPP (Programa Estadual de Parcerias Público-Privada), chamado Propar, pela lei 5.068/2007, que pode ser aplicada a projetos de valor superior a R$ 20 milhões e prestação de serviço com prazo maior que cinco anos, englobando: construção de transportes públicos, rodovias, terminais de passageiros e plataformas logísticas, habitação, urbanização, meio ambiente, esporte e turismo, dentre outros.

Construtoras do mercado privado
O setor hoteleiro é um dos principais atrativos, trazidos pela Copa e Olimpíadas, para construtoras de obras privadas, com atuação no Rio de Janeiro. Até 2016, espera-se que as 28 mil vagas ofertadas atualmente pela capital carioca sejam acrescidas, por exigência do COI (Comitê Olímpico Internacional), a novos 11 mil quartos. Ao total, a cidade se comprometeu a oferecer 52,7 mil leitos, sendo 17.500 quartos em hotéis, 25 mil em Vilas de Hospedagem, 8.500 em navios e 1.700 em apart-hotéis.

Para dar conta desse compromisso, a Prefeitura do Rio de Janeiro planeja um pacote de incentivos, entre eles fiscais, como redução do ISS (Imposto Sobre Serviço) e do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), e isenção do Imposto de Transmissão de Bens Intervivos em transações imobiliárias cujos terrenos ou prédios sejam destinados à ampliação da oferta de leitos na cidade para as Olimpíadas de 2016. O tributo corresponde a 2% do valor de mercado do imóvel. O legislativo fluminense também estuda estímulos à criação de condo-hotéis (hotéis construídos por meio da venda dos apartamentos a investidores individuais e disponibilizados, aos turistas, por meio de um sistema especial de locação).

“As boas notícias dos Jogos estão trazendo a aceleração necessária, com construção e ampliação de alguns hotéis”, diz Alfredo Lopes de Souza Junior, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, no Rio de Janeiro. A rede Windsor de hotéis pretende construir mais quatro unidades hoteleiras e disponibilizar 1.600 apartamentos, até 2016. A expansão é quase 70% maior que a capacidade atual da Windsor, que oferece 2.300 quartos, distribuídos em nove edifícios. Segundo o gerente de marketing da rede, Paulo Marcos, as recentes vitórias do Rio não decidiram os investimentos, mas foram um estímulo importante.

Apesar do impulso às construções no setor hoteleiro, falta, na opinião de Souza Júnior, um modelo de financiamento mais adequado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que alongue as condições de pagamento ao perfil do segmento, permitindo uma melhor capitalização pelas incorporadoras. Outro desafio, segundo ele, é aumentar, de forma perene, o total de eventos da cidade, para abastecer os leitos pós-Jogos e evitar a criação do que se tem chamado de “elefantes brancos”. “Esse crescimento sustentado envolve a criação planejada de um calendário de eventos robusto, a começar por trazer, de volta ao Rio, a Fórmula Indy.”

Subempreiteiros
Nos próximos sete anos, que antecedem os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos na capital fluminense, o início das obras obrigatórias para a realização do evento promete aguçar ainda mais o apetite dos subempreiteiros de mão de obra do Rio de Janeiro. Já animados com a proximidade da Copa do Mundo, em 2014, eles agora esperam as definições do COI (Comitê Olímpico Internacional) para descobrirem as reais oportunidades de negócios que surgirão.

Roberto Kauffmann, presidente do Sinduscon-RJ (Sindicado da Indústria da Construção Civil no Rio de Janeiro) comenta que o setor privado desconhece os detalhes das obras que tomarão conta da cidade. Contudo, acredita que os subempreiteiros abocanharão significativa fatia nos aportes que devem ser alocados nas obras de infraestrutura, nos complexos olímpicos e na construção de dez mil quartos para acomodar atletas e turistas. “As oportunidades serão muito grandes. Se já havia uma euforia por conta da Copa, as Olimpíadas também fizeram crescer o ânimo do mercado”, disse. Ele acredita que em cinco anos, devam ser despendidos R$ 2 bilhões com a criação de 100 mil empregos diretos e indiretos.

Para João Fernandes, presidente da Cofix, que executa fôrmas para concreto, os empreendimentos que tomarão conta do Rio de Janeiro aumentam enormemente as oportunidades para os subempreiteiros. “As Olimpíadas devem inaugurar uma nova fase de crescimento para os subempreiteiros. Primeiramente, as construtoras serão impactadas. Mas como parte indissociável desse mercado, logo a seguir, os subempreiteiros serão demandados para materializar todos esses projetos em tempo hábil”, acredita. Nessa arena de oportunidades, porém, há um desafio pela frente, complementa Fernandes. “Aumentará muito a necessidade de pessoal qualificado para tocar essas obras. Precisaremos criar no Rio uma plataforma de trabalho condizente com a grandeza do evento”, acentua.

Com 90% das obras executadas por subempreiteiros locais, a construtora Galwan (ES) também deve despejar no Rio novas oportunidades para as subempreiteiras cariocas que atendam obras em hotelaria. José Luis Galvêas Loureiro, presidente da empresa, diz que pelo menos cinco novos hotéis da Rede Accor estão entre os investimentos já confirmados – o primeiro já está pronto e o segundo, em fase de finalização. As demais unidades estão previstas para os próximos três, quatro anos. “Certamente, essas obras estimularão o caixa de pequenas e médias subempreiteiras. Acreditamos também que deve surgir ainda mais espaço para investirmos na esteira das Olimpíadas”, complementa.

Arquitetos e urbanistas
Mais de dois milhões de metros quadrados de obras e melhorias para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, estão nos estudos preliminares produzidos pelo escritório BCMF Arquitetos, de Belo Horizonte, que integram o Sumário Executivo apresentado ao COI (Comitê Olímpico Internacional). Do Parque Olímpico e da Vila da Mídia, na Barra da Tijuca, ao Parque para esportes radicais, em Deodoro, são mais de 40 equipamentos esportivos.

Mas as maiores oportunidades referem-se às obras urbanísticas e de infraestrutura, que abrangem transporte e mobilidade, obras viárias, aeroportos, estradas, estacionamentos, sinalização, saneamento básico, meio ambiente, limpeza urbana e proteção do patrimônio histórico.

Cerca de 90% dos estudos preliminares são assinados pelo BCMF, que venceu em 2008 licitação realizada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Segundo o arquiteto Marcelo Fontes, cada federação esportiva julgou e aprovou as especificações técnicas propostas para os equipamentos antes da apresentação do projeto básico para o COI. Esses estudos, esclarece, servem como orientação para que sejam feitos os projetos executivos, a partir dos quais começarão as contratações via licitação pública. Também os projetos operacionais e de infraestrutura – pré-aprovados pelo COI – somente serão transformados em projetos executivos numa segunda fase.

Ainda assim, os procedimentos para a etapa de contratação já causam polêmica. Para o presidente da regional São Paulo do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), João Alberto Manaus Corrêa, “o concurso público é o caminho mais adequado para a escolha dos projetos por privilegiar a qualificação técnica, permitindo melhores soluções”. O arquiteto Eduardo Castro Mello, diretamente envolvido nas obras do Maracanã para a Copa 2014, também entende que o menor preço não pode ser decisivo em projetos de tamanha importância. Já para Fontes, do BCMF, apesar de considerar o concurso público mais democrático, vale a realização de licitações, com o argumento de que a habilitação técnica também é valorizada nessa situação.

O que ninguém discorda é quanto à necessidade de se separar projeto de obra, ou seja, ter prazos adequados para o desenvolvimento dos projetos antes de se iniciar sua execução. “Se não for dessa forma, estaremos comprometendo qualidade e custo”, adverte Manaus. Risco possível na opinião de Mello, para quem somente depois da Copa e das eleições de 2010 haverá definições.

Perguntados sobre as oportunidades trazidas pela realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, profissionais da área respondem com desafios. “A comunidade técnica não tem notícias sobre o que está acontecendo. Estamos sem interlocutores”, dispara o presidente da Abece (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural), Marcos Monteiro.

Entre as principais preocupações dos consultores estão os prazos, já exíguos, para a realização de projetos e execução das obras. “A data dos eventos não vai mudar e o equilíbrio de qualquer projeto depende de tempo”, assinala o diretor do setor de construção civil da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial), Edenir Artur Veiga, para quem a compressão de prazos gera todo tipo de imperfeição nos resultados, qualidade e custo das obras. Como caminhos críticos, elenca a morosidade das decisões políticas e licitações e as dificuldades na liberação de licenças ambientais.

Pablo Ibañez, diretor de operações da CH2M Hill no Brasil – multinacional norte-americana de engenharia consultiva e responsável pela gestão da implantação de infraestrutura, equipamentos e logística do parque olímpico de Londres para os jogos de 2012 – afirma que, para as Olimpíadas de 2016, “não há definição nenhuma de como o modelo de consultoria será montado, já que cada sede define suas próprias regras” (e o Brasil ainda não teria definido o seu). Para ele, o planejamento é um ponto decisivo, já que é fundamental que o gestor do projeto possa garantir a interface entre todos os envolvidos. “Um projeto esportivo desse porte, que trabalha com um conjunto de projetos interligados, tem um grau de exposição e risco muito altos.”

Gerenciadores de obras
“As obras que demandarão gerenciamento, até mesmo por exigência dos financiadores como os bancos de fomento, são aquelas de alto risco, de alta especificação, de complexa tecnologia, e cuja qualidade afeta diretamente o uso da população.” Quem afirma é Amandio da Silva Machado, diretor geral da Balman Consultores Associados, que aponta, como principais oportunidades, a construção de metrôs, de corredores de ônibus, do sistema ferroviário e de aeroportos.

Tudo vai depender do projeto básico de cada obra. Como os empreendimentos complexos – e que, portanto, demandam gerenciamento – serão contratados pelas três esferas do governo, o escopo de cada projeto variará conforme a legislação que lhe compete (federal, estadual ou municipal), definindo as exigências e demandas às gerenciadoras.

O modelo de contratação também variará de acordo com o contratante. Para não haver conflito de interesses, primeiro são realizadas as licitações para definição das construtoras e, posteriormente, para as gerenciadoras, cujo trabalho representa, em média, de 10% a 15% de todo o valor contratado, de acordo com Machado.

Para o presidente do Sinaenco (Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva), José Roberto Bernasconi, o modelo ideal é o da contratação de um gerenciador máster, responsável pela subcontratação de gerenciadores setoriais e locais. Com esse formato – inspirado, por exemplo, na gestão das obras das Olimpíadas de Londres – as oportunidades, acredita o executivo, seriam multiplicadas para gerenciadores de implantação, de qualidade, de cronograma, financeiro/administrativo, jurídico, dentre outras especialidades.

“Tenho esperança e confiança de que teremos um modelo de gerenciamento e fiscalização com projetos nas mãos, cronogramas e verba prevista. Mas ainda não há nada pronto. O que houve até agora foi apenas uma campanha para ganhar as Olimpíadas”, diz Bernasconi.

Sem os modelos de gerenciamento definidos, as concorrências ainda não estão no domínio público. Mas algumas obras que impactarão indiretamente a realização dos jogos, como a construção da rodovia paralela à Av. Brasil, no Rio de Janeiro, terá o edital de licitação no início de 2010. No caso da concessão do projeto TAV – trem de alta velocidade entre Rio, São Paulo e Campinas -, estima-se que o edital seja lançado em fins de 2009. “É de se esperar que a maioria das concorrências seja do tipo técnica e preço”, diz Machado.

Estrangeiros
A entrada de gerenciadoras estrangeiras deve acirrar a competitividade no mercado de consultorias. “Muitas gerenciadoras de fora estão de olho nas oportunidades de grandes obras no Brasil e todas estão se associando a gerenciadoras brasileiras ou contratando profissionais locais”, diz Bernasconi.

Embora não sejam poucos os que defendem que o mercado nacional tem plenas condições de atender aos projetos previstos, Machado afirma que “a escolha deve ser baseada na experiência específica da contratada para cada tipo de obra e preço”, diz. Para isso, remete-se à lei federal 8.666/93 de licitação pública, que exige concorrência na escolha de consultoras para elaboração de projeto básico das obras, observando-se: normas de qualificação e habilitação jurídica, técnica e econômica das licitantes à execução do projeto; critérios de julgamento das suas propostas e tipo de leilão a ser utilizado. “Essa lei será aplicada sempre que o contratante for um ente público em qualquer esfera (União, Estado, Município), como é o caso dos projetos requeridos nas Olimpíadas”, explica Machado.

Fornecedores de materiais
A continuidade de obras por pelo menos sete anos (até a realização das Olimpíadas) é oportuna para os fornecedores e produtores de materiais de construção, mas tudo vai depender do investimento que eles estão dispostos a realizar. De acordo com fontes ouvidas pela Construção Mercado, a atual produção industrial é capaz de atender demandas de curto prazo, provavelmente até 2011. Para as obras que envolverem a Copa e as Olimpíadas, portanto, a indústria terá que elevar a produção de todos os produtos, principalmente os insumos básicos.

A boa notícia é que os investimentos, paralisados durante período de crise entre o final de 2008 e primeiro semestre de 2009, voltaram a ser anunciados. Segundo Melvyn David Fox, presidente-executivo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), a indústria chegou, nos últimos meses, a um patamar baixo de investimento, cerca de 30%. Mas hoje, apesar de o setor ainda trabalhar com uma capacidade ociosa em torno de 20%, cerca de 50% das empresas consideram novos investimentos. O que se refletirá também no desenvolvimento do setor logístico. “Não dá só pra investir em produção. Tem que investir também em distribuição, estocagem, facilitação do transporte aos fornecedores e aos clientes. A logística é preponderante nesses investimentos”, afirma Fox.

De fato, a logística de fornecimento de materiais será decisiva não apenas para as obras da Copa do Mundo, que ocorrerão em nível nacional, mas, também, para as obras das Olimpíadas, que se concentrarão na capital fluminense. “O que existe é uma produção nacional. O que o Rio de Janeiro não puder produzir ele vai comprar de outros Estados que têm capacidade de atender a essa demanda”, afirma Cláudio Conz, presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção.

Incorporadoras
Os imóveis localizados nos bairros onde serão construídos os principais equipamentos esportivos para as Olimpíadas, em especial na Barra da Tijuca, que concentrará metade das instalações, irão valorizar até 50%. Essa é a expectativa traçada por um estudo feito pela FIA (Fundação Instituto de Administração), da USP (Universidade de São Paulo), a pedido do Ministério do Esporte, para o mercado imobiliário carioca nos próximos anos.

Desde o anúncio da escolha da cidade como sede das Olimpíadas de 2016, a especulação imobiliária elevou de 10% a 20% o preço, já reajustado, dos imóveis na Barra. A alta se explica pelo total de projetos de infraestrutura que deverão melhorar a rede de transporte público do bairro, duplicar vias e aprimorar o sistema de saneamento. Entre as promessas, o T-5, corredor expresso para ônibus na Barra, que ligará o bairro à Penha, e outra via expressa (para ônibus e carros de passeio) entre a Barra e Deodoro. No ponto final das duas linhas, o terminal rodoviário Alvorada.

À época da confirmação do Rio como sede dos Jogos Olímpicos, a imprensa local chegou até a divulgar que haveria filas de espera para aquisição de imóveis empreendidos na Avenida Abelardo Bueno, onde será erguido o Parque Olímpico. Outras vias que deverão impulsionar o mercado imobiliário são as avenidas das Américas e Salvador Allende, a serem ampliadas e mais facilmente acessadas com a chegada da linha 4 do Metrô.

Nas proximidades do autódromo de Jacarepaguá, onde será construído um dos complexos olímpicos, agentes do setor vislumbram forte valorização dos conjuntos de escritórios já instalados, e perspectiva de lançamentos, com necessidade de um novo plano urbanístico. Novos núcleos em torno dos centros esportivos deverão ser criados, valorizando os terrenos nessas regiões. Outros pólos de investimentos serão os bairros de Deodoro, Copacabana e área em torno do Maracanã.

Mesmo com todos esses anúncios, Roberto Kauffmann, presidente do Sinduscon-Rio (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Rio de Janeiro), analisa, com cautela, o aquecimento dos preços dos imóveis. “A Barra da Tijuca já é uma das principais áreas de intensa expansão imobiliária no Rio.”

Pós-Jogos
O estudo da FIA analisou que o setor de serviços imobiliários e aluguel tende a concentrar 20,1% de toda a movimentação da economia na década seguinte aos jogos, entre 2017 e 2027. Os principais segmentos beneficiados serão, de acordo com a pesquisa, os negócios de compra, venda e aluguel dos apartamentos das vilas olímpicas – inicialmente financiados pela Caixa Econômica Federal e, depois, vendidos para pessoas físicas.





Escassez de mão de obra deve ser o maior problema das construtoras em 2010

11 12 2009

(Pini Web) – 09/12/09

Construtoras já encontram dificuldades para a contratação de engenheiros, carpinteiros, eletricistas e gesseiros

A falta de mão de obra na construção civil, em todos os níveis de escolaridade, já é apontada por construtoras e incorporadoras como o principal gargalo a ser enfrentado pelo setor em 2010. A expectativa do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) é de que o PIB (Produto Interno Bruto) da construção civil registre um crescimento de 8,8% no próximo ano, número muito superior ao 1% de aumento previsto para 2009.

“O mais preocupante é que o Brasil inteiro está aquecido, diferentemente de 2006 a 2008, período em que as construções aconteceram em sua maioria no Sul e Sudeste do País”, afirma Paulo Sanchez, diretor de engenharia da Sinco Engenharia. “Agora, estão lançando (empreendimentos) no Norte, Centro-Oeste e Nordeste e vamos precisar de muita mão de obra”, completa.

Para o presidente da Even Construtora e Incorporadora, Carlos Terepins, a escassez de profissionais já é enfrentada pelas empresas. “Hoje a Even está com 55 canteiros de obras em todo o Brasil e existe notoriamente falta de engenheiros, carpinteiros, eletricistas, gesseiros etc. Em 2010, isso deve piorar muito”, acredita Terepin.

Obras em expansão
Construtoras e incorporadoras de vários segmentos já anunciaram um grande volume de construção e expansão para o próximo ano, um prenúncio das dificuldades que o setor deve enfrentar. A Rossi Residencial, por exemplo, pretende chegar a 40 novas cidades em 2010. A PDG Realty planeja lançar novos projetos em regiões como o Nordeste e Centro-Oeste, que ainda pouca atua. Já a Matec Engenharia possui 350 mil m² de empreendimentos industriais contratados para construir em 2010.

A Tecnisa, por sua vez, pretende aumentar, junto com seus parceiros, o número de funcionários dos atuais 2.500 para 6 mil para conseguir construir tudo o que vai lançar em 2010. “O aumento de mão de obra fez com que a empresa até aprovasse a contratação de um engenheiro de treinamento. Esse profissional será o responsável por coordenar as novas equipes de trabalhadores e de mostrar como os sistemas são executados na empresa”, contou Fabio Villas Boas, diretor de engenharia da construtora.

Além de cursos de treinamento, muitas empresas planejam adotar cada vez mais sistemas industrializados, que demandam menos mão de obra, para minimizar as implicações da falta de profissionais. “Em minha opinião, o uso de tecnologias diferentes, que dependam menos de mão de obra, como paredes de concreto, fôrmas de concreto e pré-moldados é uma boa solução. Esses sistemas demandam equipamentos especiais, como as gruas, mas em caso de falta, até podemos trazer de outros países, o que não é possível com a mão de obra”, acredita Sanchez.





Four Seasons define investimento de US$ 235 milhões para o Brasil

11 12 2009

(Valor Econômico) – 03/12/09

Conhecida como uma das redes hoteleiras mais luxuosas do mundo, a canadense Four Seasons concluiu seu plano estratégico para aportar no Brasil, após uma tentativa sem sucesso em meados de 1997. Com 82 hotéis em 34 países e faturamento anual de US$ 3,5 bilhões, a marca pretende alavancar US$ 235 milhões de investimentos no país nos próximos cinco anos, com a construção de três empreendimentos. Um em São Paulo, outro no Rio e um resort no litoral.

Quem executa o plano da Four Seasons no Brasil é um brasileiro de 33 anos, nascido em Natal (Rio Grande do Norte). Diretor de desenvolvimento da rede para a América Latina, Alinio Azevedo conta que está em contato com parceiros locais, como empresas do setor imobiliário, para formar consórcios, por exemplo. Segundo ele, ainda não há nada fechado, mas a expectativa é que o primeiro contrato seja fechado em 2010 e as obras comecem em 2011.

Em 1997, problemas contratuais com alguns grupos que haviam demonstraram interesse em investir na bandeira Four Seasons adiaram a estreia da rede no país.

“O que estamos trazendo ao Brasil é um produto em que o nosso hóspede vai ao Four Seasons em Paris, em Tóquio e seja familiar a ele. São Paulo é uma cidade do mundo e vai completar a nossa oferta”, diz Azevedo, que concedeu entrevista ao Valor em rápida passagem de dois dias a São Paulo.

Azevedo estima que o investimento em São Paulo será de US$ 100 milhões para um hotel com 200 quartos. Cada quarto do padrão Four Seasons custa em torno de US$ 500 mil. No Rio, serão mais US$ 75 milhões para um empreendimento com até 150 unidades. Já no resort o desembolso seria de US$ 60 milhões, ou 120 quartos.

“Seria arrogante para nós dizer que a Four Seasons está chegando e que vai significar um conceito totalmente novo”, acrescenta o vice-presidente de desenvolvimento global da Four Seasons, Scott Woroch, que acompanha Azevedo na viagem a São Paulo. De acordo com os executivos, a marca canadense entra no mercado brasileiro para competir com bandeiras como Hyatt (onde eles se hospedaram) e competidores de menor porte como Fasano.

“Temos discutido como melhorar a qualidade da rede hoteleira no Brasil. A Four Seasons é conhecida como empresa de serviços de excelência. Sua chegada vai trazer clientes de outras partes do mundo”, afirma o diretor da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Alexandre Sampaio.

A Four Seasons ficará com uma participação de 10% em cada hotel, além de gerir o empreendimento. Os outros 90% poderão ser rateados por mais de um investidor. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá ser procurado, diz Azevedo. A instituição deve anunciar até o fim do ano uma linha específica para reformas e construção de hotéis.





Venda legal

4 12 2009

(Construção Mercado) – 12/09

Saiba como evitar impasses jurídicos recorrentes nas vendas de imóveis na planta

A venda de imóveis na planta ganhou o mercado por sua atratividade em levantar capital a custos baixos para o início das obras. A operação, do ponto de vista jurídico, exige cautela para evitar contestações jurídicas. Entre os pontos mais contestados estão a cobrança de juros dos compradores na fase de construção – os chamados juros “no pé” – e os valores da comissão de corretagem. Para evitar contratempos, a regra é sempre manter o comprador devidamente informado do que foi acordado, e incluir tudo em contrato. “Em caso de decisão favorável ao comprador do imóvel, a empresa pode acabar perdendo todo seu lucro”, alerta o advogado Antonio Ricardo Correa, diretor jurídico da construtora Carvalho Hosken.

A cobrança de juros na construção é o ponto mais delicado. A prática é arriscada, visto que não há consenso nem mesmo entre os especialistas sobre sua legalidade. E até mesmo as jurisprudências nessa área são contraditórias.

Na interpretação do advogado e professor de direito imobiliário Melhim Chalhub, a prática não é proibida pela justiça. “Há contratos nos quais a cobrança foi expressamente pactuada e, vez por outra, um comprador ajuíza ação sustentando a ilegalidade dessa cláusula e requerendo a restituição das quantias pagas a título de juros durante a construção”, afirma.

Já no entendimento do advogado Edwin Britto, secretário da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de São Paulo), a cobrança se tornou ilegal com a publicação de uma portaria da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça, em março de 2001. “Além disso, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo) assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público Estadual, na mesma época, comprometendo-se a não cobrar juros durante a construção”, lembra Britto.

No Rio de Janeiro, segundo Melhim Chalhub, também houve assinatura de TAC com o Ministério Público, em que as empresas assumiram o compromisso de cobrar juros apenas sobre o saldo existente depois do Habite-se. No entanto, ele adverte: “Há divergência na jurisprudência a esse propósito, mas o Superior Tribunal de Justiça, no único processo que lá foi julgado, reconheceu a legalidade dessa cobrança. Em decisão recente, de junho de 2009, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro também reconheceu essa legalidade”, completa Chalhub. Para evitar a polêmica judicial, é preciso observar a inclusão no contrato de todos os termos acordados com o cliente.

Comissão de corretagem
O cuidado com o contrato também é regra para não ter problemas relativos à comissão de corretagem. De acordo com Antonio Ricardo Correa, há mais de mil ações abertas, no Estado do Rio de Janeiro, relacionadas à corretagem imobiliária. É comum, segundo Correa, que a incorporadora não atente para o valor correto da unidade comercializada, na hora de passar a escritura. “Combina-se que o cliente pagará à empresa apenas R$ 180 mil, por exemplo, para adquirir um imóvel de R$ 200 mil, e destinará os outros R$ 20 mil ao corretor envolvido na negociação. Acaba entrando o valor de R$ 180 mil na escritura”, conta.

O resultado é que, após meses de pagamento de parcelas, o comprador se mostra insatisfeito, diante do saldo devedor, e resolve contestar judicialmente o valor cobrado. “Ele diz que comprou a unidade por R$ 180 mil, não por R$ 200 mil”, completa Correa.

Para ele, a maior preocupação da incorporadora deve ser com a transparência de seus procedimentos. “A empresa deve tomar cuidado com tudo aquilo que aparece no panfleto e com o que o corretor fala no estande”, aconselha. Descrições dos atrativos de um prédio e até a indicação precisa do preço do imóvel em uma fase em que o projeto mal começou são práticas temerárias, que podem ser apresentadas à Justiça por adquirentes insatisfeitos com eventuais mudanças no futuro.

O advogado também diz que as empresas não devem estimular a compra por impulso. “É preciso que todas as informações necessárias sejam transmitidas ao cliente, de modo que ele não tenha surpresas no decorrer da obra”, explica.

Um acompanhamento contínuo do contrato e da situação do comprador deve ser feito desde o início do processo. “É importante fazer uma análise de crédito do candidato à compra, não só para se assegurar de sua capacidade de pagamento, mas, sobretudo, para estabelecer um limite rigoroso da parcela de sua renda mensal que será comprometida com o pagamento das prestações. Esse cuidado é especialmente importante se o incorporador pretender ceder os créditos para fins de securitização”, acrescenta Melhim Chalhub.

Principais procedimentos
A segurança jurídica do incorporador e do comprador é assegurada, de início, pelo registro do Memorial de Incorporação – sem o qual nenhum passo seguinte pode ser dado.

“Antes do início do lançamento, o cartório faz algo como uma auditoria da empresa e do empreendimento, verificando a regularidade e liquidez de domínio, examinando os últimos 20 anos de atividade e o conceito econômico-financeiro do empreendedor – com análise dos títulos protestados, ações judiciais e eventuais crimes cometidos”, descreve Flauzilino Araújo dos Santos, presidente da Arisp (Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo).

“É no Memorial que se encontram articulados os elementos constitutivos do conteúdo econômico-financeiro e jurídico do negócio incorporativo. São elementos essenciais dos futuros contratos de comercialização das unidades a construir ou em construção”, acrescenta Chalhub.

No Memorial de Incorporação constam documentos como a certidão da matrícula do terreno do futuro edifício e a certidão de ônus reais (ambas expedidas pelo Registro de Imóveis), o projeto de construção aprovado pelas autoridades competentes, o orçamento da construção, a identificação das frações ideais do terreno e das unidades a elas vinculadas e a minuta da futura convenção de condomínio, entre outros. “Sem esses elementos, não há como formular um contrato de venda de imóvel em construção. A lei veda a efetivação de vendas antes de arquivado esse conjunto de documentos no Registro de Imóveis”, explica Chalhub.

Segundo o advogado Mauro Antonio Rocha, coordenador de contratos habitacionais da Caixa Econômica Federal, há casos em que a empresa não registra o Memorial e comercializa os imóveis assim mesmo. “Não há incorporação de fato – ocorre, na verdade, uma venda ‘disfarçada’”, explica.

Depois de acabada a obra, a construtora lavra uma escritura de atribuição e realiza-se a instituição do condomínio. “Se a obra termina, o comprador acaba não sendo afetado. Mas ele não teve garantia legal nenhuma durante o processo”, conclui Rocha.





A contrução civil também é afetada pelas novas normas contábeis

4 12 2009

Viviene Alves Bauer *

A Lei 11.638/07, conhecida como Nova Lei das S/A, trouxe dores de cabeça para diversas empresas brasileiras. Entre os principais entraves está a adequação aos pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) que estão alinhados aos padrões internacionais de contabilidade, o IFRS. Um setor em especial tem sofrido bastante neste processo de adaptação.

Por mais incrível que possa parecer, as pequenas e médias construtoras, que não são obrigadas a seguir as novas normas, enfrentam inúmeras dificuldades com as mudanças. Isso porque a grande maioria dessas empresas mantém parceria com as grandes do setor.

As pequenas e médias construtoras não se enquadram nos padrões em que são exigidas as mudanças por não serem consideradas entidades de grande porte. Na verdade, sempre foi complicada a elaboração de balanços societários (de acordo com as práticas contábeis) e fiscais (Regulamento do Imposto de Renda/99) deste tipo de empresa. Elas vendem um tipo de bem muito específico e que, na grande maioria das vezes, não é pago à vista.

Para que não ocorresse um descasamento em seu fluxo financeiro, a Instrução Normativa 84/79 e artigos 410 a 414 do Regulamento do Imposto de Renda/99 permitem o registro de suas operações pelo regime misto: caixa e competência. Isso porque como o recebimento ocorre em longo prazo, não seria justo sua tributação integral no momento da venda, mas sim no momento da entrada no caixa.

Esta instrução normativa é interpretada pelos auditores e contadores como tecnicamente incorreta, pois os balanços e resultados de empresas que exploram essa atividade não são compatíveis com sua situação efetiva e não são comparáveis com as demonstrações financeiras de outros setores.

A partir de 2003, a Resolução 963 do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou a NBC T 10.5, estabeleceu que se aplicam às entidades imobiliárias as normas e os princípios fundamentais de contabilidade. Isso agora ficou ainda mais claro com os novos pronunciamentos, como o CPC 17, que estabelece o tratamento contábil das receitas e despesas associadas a contratos de construção que normalmente iniciam em um período contábil e terminam em outro. E também com o OCPC 01, que esclarece as principais dúvidas quanto às práticas contábeis adotadas, como formação do custo, despesas com comissões de venda, propaganda e marketing, permutas físicas, entre outros.

Desta forma, a principal diferença na contabilização é a receita, que pelo critério fiscal é reconhecida pelo regime de caixa (recebimento) e pelo societário, conforme o regime de competência (andamento da obra).

As adaptações tornam-se positivas. No entanto, a exigência para as pequenas e médias do setor tem causado grandes problemas para as empresas. A maioria possui parceria com grandes companhias, que normalmente têm capital aberto, o que indiretamente as obriga a seguir as novas regras. O que ocorre é que elas não têm estrutura para absorver todas essas mudanças, uma vez que nunca tiveram que passar por auditoria ou elaborar esse tipo de balanço. Geralmente são atendidas por pequenos escritórios de contabilidade que também não fazem esse tipo de serviço.

O impacto tem sido muito grande, mas os esforços também, haja vista que as parcerias com as grandes construtoras e incorporadoras dependem disso. Embora colocar todos os balancetes em dia e elaborar balanços em concordância com as novas regras não seja uma tarefa fácil, as empresas do setor já começam a se mexer para entrar na linha.

A contratação de empresas com capacidade de auditá-las pode até ser dispendioso, mas é positiva em diversos aspectos. As regras favorecem as empresas, que certamente verão as suas receitas aumentarem, além de aumentar a transparência.

Toda corporação que passa por uma auditoria, ainda mais em conformidade com as normas internacionais, torna-se mais transparente e, por conseqüência, aumenta sua capacidade de atrair investidores e novos parceiros. A auditoria deve ainda ser um importante instrumento para assegurar a confiabilidade das informações utilizadas pela gestão.

O serviço pode representar um verdadeiro raio-X do negócio e a partir desse diagnóstico, o gestor pode saber por onde escorrem os recursos e de onde vêm as suas receitas. Coisa que parece óbvia, mas em pequenas e médias empresas, o controle não é tão efetivo assim. Transparência e melhoria na gestão são os resultados finais do que, no início, era apenas adequação às regras.

* Viviene Alves Bauer é gerente da divisão de auditoria contábil da Crowe Horwath RCS
Fonte: SEGS





Abyara e Gafisa vão atuar juntas em Curitiba

2 12 2009

(Gazeta do Povo) – 01/12/09

A Abyara e a Gafisa vão atuar juntas no mercado de Curitiba. As duas empresas fecharam uma parceria inédita no país para construir e vender três empreendimentos na cidade. Cada empresa terá 50% dos projetos. Entre eles estão o o Reserva Ecoville, que já era da Abyara e que está em construção, o edifício comercial Office Life, que vai funcionar no mesmo bairro, e um terceiro empreendimento, ainda sem nome, que será lançado em 2010.

“Esta é uma primeira experiência conjunta das duas empresas. As duas vão dividir a gestão e a construção vai ficar a cargo da Gafisa”, diz Antonio Carlos Ferreira, diretor de incorporação da Gafisa.

A principal aposta da parceria é o Office Life, primeiro empreendimento comercial de grande porte do Ecoville, com valor geral de vendas de R$ 56 milhões e que deve ficar pronto no segundo semestre de 2012. “Existe um potencial para aquela região muito semelhante ao que se viu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e no Morumbi, em São Paulo, bairros de alto padrão que agregam tanto empreendimentos residenciais quanto comerciais ”, afirma. O terceiro lançamento será um empreendimento de seis torres residenciais também no Ecoville, diz o presidente da Abyara, Astério Safatle.

A Abyara – que em fevereiro foi comprada pela Agra e pela Veremonte depois de passar por um período de turbulência financeira – já havia fechado uma outra parceria com a construtora JL para viabilizar a execução de outro empreendimento do grupo, o Botânica, no Cristo Rei.

Com a aquisição, foi criada a Agre, holding que reúne, além da Abyara, a Agra e a Klabin Segall. Astério adianta que em janeiro deve ser aberto um escritório da Agre em Curitiba.

A Gafisa também tem planos de expansão para a cidade, eleita, junto com Porto Alegre, um dos mercados prioritários de expansão da empresa. A Gafisa foi uma das poucas a ingressar em Curitiba sem firmar parceria com uma construtora local. A idéia é atuar também em novos mercados, segundo Ferreira. Não está descartada, por exemplo, a entrada por aqui no segmento do Minha Casa, Minha Vida, voltado para habitação popular do governo federal. A Gafisa reforçou sua aposta no segmento econômico com a compra da construtora Tenda.





Centro abriga moradas compactas

1 12 2009

(Gazeta do Povo) – 29/11/09

Área é de intenso interesse tanto para quem compra como para quem constrói

Central Park da incorporadora Invespark

Um grande empreendimento (Central Park, Invespark) foi um dos impulsionadores da produção imobiliária próximo da Praça Osório

Para quem pensava que o mercado imobiliário não investia mais na região central, os números apontados pelo Perfil Imobiliário de Curitiba mostram o Centro e o Centro Cívico como áreas de intenso interesse, tanto para quem compra quanto para quem constrói. A quantidade de serviços e comércio disponíveis e a facilidade de locomoção a outras partes da cidade são excelentes atrativos, sobretudo para grupos específicos, como solteiros e casais sem filhos.

O perfil do consumidor dessa região é bem definido. A média de habitantes por domicílio é apenas 2,4. No resto da cidade, essa média é 3. “Há muita gente, como estudantes e trabalhadores, que opta por viver próximo a seu emprego ou sua faculdade. Por isso, os empreendimentos lançados costumam ser menores, projetados para famílias pequenas”, define Nilton Antonietto, diretor da Thá Incorporação, que recentemente lançou três diferentes empreendimentos na região.

A idade média populacional da região é bem superior à verificada em Curitiba, (37,3 anos), e a população acima dos 70 anos é de 9,8% (bate os 3,6% do resto da cidade), o que indica uma presença forte de idosos nesses bairros.

Como apontou o diretor da Thá Incorporação, para atender esse público, os apartamentos – que são o principal segmento imobiliário de ambos os bairros –, são, em sua maioria, de um ou dois dormitórios. Esse fator derruba o tamanho dos imóveis da região. Na média, são 90 metros quadrados de área total contra 168 metros quadrados da cidade.

Mesmo com área média menor, o preço na região para os apartamentos de um e dois dormitórios é mais elevado do que a média da cidade. Para os de um quarto, o valor médio é R$ 149 mil (em Curitiba, a média desse perfil de apartamento é R$ 139 mil). Nos de dois dormitórios, o preço médio é de R$ 250 mil (contra R$ 213 mil da cidade). Além da grande procura, a alta nos preços é explicada também pelos empreendimentos recentes, que têm alto preço de venda.

Levando-se em conta todas as configurações de apartamentos, a oferta de imóveis na região central é mais forte em padrões mais baratos. Existem à venda 16 empreendimentos, com um total de 1.919 unidades. Delas, 47,1% classificam-se como econômicas (entre R$ 120 mil e R$ 200 mil), padrão com boa venda: mesmo representando quase metade de tudo que é lançado, apenas 24% (que corresponde a 57 apartamentos) ainda não foram vendidos.

No total de todos os padrões, somente 237 das unidades ofertadas na região central estão disponíveis – com maior concentração no padrão standard, com 46% do total, seguido do médio (28,7%) e o econômico (24,1%).

0,2% ao ano…
…é a taxa de crescimento populacional do centro de Curitiba. No Centro Cívico, esse valor é igualmente baixo: 0,4% ao ano. A pouca expansão populacional é o motivo para um aquecimento menor da construção na área central, quando comparado a outras regiões.

R$ 4,6 mil é a renda média familiar dos moradores da região central. O valor é acima da média da cidade (R$ 2,6 mil) e indica um poder de compra para imóveis de padrões acima do econômico.








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