Projeto transforma letreiro de Hollywood em hotel

29 04 2010

(Arcoweb- Ana Paula Rocha) – 20/04/10

Empreendimento projetado pelo escritório dinamarquês Bay Arch abriga 308 quartos, teatro, restaurantes, além de um Museu sobre a história de Hollywood.
O escritório dinamarquês Bay Arch apresentou uma proposta para transformar o famoso letreiro de Hollywood, em Los Angeles, Estados Unidos, em um hotel. O projeto sugerido pelo escritório de arquitetura prevê que as letras dobrem de altura e largura, abrigando em seu interior quartos de luxo, teatro, museu e restaurantes, entre outros ambientes.


Visão aérea do projeto

“Com este hotel, queremos convidar povos para conhecer o símbolo e o mundo de entretenimento de Hollywood. Imagine permanecer em uma destas letras, apreciando a vista espetacular de Los Angeles e explorando o mundo de Hollywood?”, afirma Christian Bay-Jorgensen, dono do escritório.

Segundo o projeto, o hotel de Hollywood teria 308 quartos divididos em dez pavimentos. “Cada quarto poderia ter um tema diferente que mostrasse a história de Hollywood. O empreendimento também poderia receber perfeitamente eventos grandes do cinema, tais como o Globo de Ouro e o Oscar”, acredita o arquiteto.

O projeto ainda prevê a criação de uma plataforma de observação no edifício, já que a vista do letreiro é considerada uma das melhores de Los Angeles, um museu sobre Hollywood, um teatro, sala de conferência, cinema, área de circulação, restaurantes e cafés.

Além de inovador, o projeto teria como objetivo arrecadar dinheiro para cidade. Segundo estimativas do arquiteto, durante um ano o hotel poderia alcançar um ganho de cerca de 290 milhões de dólares, incluindo o preço de hospedagem e as visitas ao deck de observação, ao museu de Hollywood e aos bares e restaurantes do empreendimento.

O projeto do escritório dinamarquês Bay Arch ainda não foi aprovado na cidade.


Letreiro dobraria de tamanho


Entrada do hotel


Edifício aproveitará desnível do terreno


Vista do letreiro de Hollywood para a cidade de Los Angeles


Quartos de hotel seriam localizados dentro do letreiro e áreas públicas atrás


Interior do edifício de 10 pavimentos


Corte do hotel





Como reduzir o IR sobre venda e aluguel

29 04 2010

(Gazeta do Povo) – 28/04/10

Com a declaração é hora de pagar o que não foi recolhido antes e prestar atenção nas regras que ajudam a diluir o imposto nos próximos anos

O prazo para a declaração do im­­posto de renda termina nesta sexta-feira, 30 de abril, e é nesta hora que muitos se dão conta dos tributos devidos sobre a venda e a locação de imóveis. “O pagamento do imposto referente à venda de um imóvel deve ser feito no mês se­­guin­­te ao da negociação e não na declaração do imposto de renda, no outro ano. É nisso que muitas pessoas erram, deixando passar o prazo e pagando mais caro depois (multa de 20% sobre o valor, mais taxa Selic, que tem ficado em 11% ao ano)”, alerta o advogado Ro­­dri­go Arruda Sanchez.

No caso da locação de imóveis, o imposto deve ser recolhido mês a mês, ou, mais precisamente, até o último dia útil do mês seguinte do recebimento do aluguel. “Aqui ca­­be um porém: se receber o aluguel de uma pessoa jurídica (empresa), o imposto referente à operação é retido na fonte e não é preciso se preocupar em recolhê-lo. Agora se recebe de uma pessoa física é seu papel pagar o imposto”, frisa a economista e professora da área contábil do UniFae, Maria do Carmo Godoy Ehlke.

Para não pagar imposto a mais é importante deduzir do ganho do aluguel as despesas que teve na operação. “A taxa de administração da imobiliária e outras que ve­­nham a ser de sua responsabilidade e não do inquilino entram aí”, lem­­bra Maria do Carmo.

Para os proprietários de vários imóveis, Sanchez sugere que eles sentem com seu contador e vejam, na ponta do lápis, se é melhor locar os bens como pessoa física ou jurídica. “Dependendo de cada caso, uma condição pode ter menos in­­cidência de imposto que a ou­­tra.”

Venda
Na comercialização de imóveis (ex­­ceto terrenos), o tamanho da mordida pode ser reduzido a zero em duas situações: imóveis residenciais e únicos de até R$ 440 mil e aqueles cujo dinheiro foi aplicado, totalmente, na compra de um ou­­tro imóvel residencial, no prazo de seis meses.

Nas operações que fogem dessas duas situações ainda é possível pagar menos. Como? “Deduzindo toda e qualquer despesa com a operação de venda do imóvel, como a comissão da imobiliária”, indica Sanchez. O imposto sobre a venda de um imóvel é de 15% sobre a diferença entre o preço de venda e o de compra, atualizado. O cálculo de quanto isso significa exatamente pode ser feito preenchendo o aplicativo Programa de Apuração do Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital (GCAP), disponível para download no site da Receita Federal (www.receita.fazenda.gov.br). O mesmo caminho é seguido por quem não pagou o imposto no mês seguinte da venda e não se enquadra nas situações de isenção, com o porém de que o valor obtido no GCAP deve ser atualizado por outro aplicativo, o Sicalc.

Saiba como agir diante de algumas situações envolvendo imposto de renda pessoa física e a venda e locação de imóveis:
1. Se vendi um imóvel residencial de menos de R$ 440 mil ano passado: se este não era um terreno, era seu único imóvel nos cinco anos anteriores à venda e ele não esteve envolvido em nenhum tipo de alienação, você está isento. Se não cumpre um dos requisitos, deve pagar os 15% sobre o ganho da venda, normalmente.

2. Se vendi um imóvel residencial no ano passado e apliquei todo o dinheiro na compra de um outro residencial, dentro de 180 dias da negociação: você está isento do imposto, exceto se o imóvel vendido ou comprado for um terreno. Caso usasse apenas uma parte do dinheiro em um novo imóvel teria de pagar a alíquota de 15% sobre a quantia não aplicada.

3. Se vendi um imóvel residencial ano passado e pretendo aplicar o dinheiro na compra de um outro, mas ainda não o fiz e se passaram 180 dias: você pagará o imposto de 15% mais a correção do valor pela Selic e uma multa de 20%. Se, porém, ainda estiver dentro do mês seguinte ao término do prazo (o 7º mês após a venda), pague somente a correção da Selic.

4. Se vendi um imóvel este ano: deve pagar o imposto de renda sobre o ganho no mês seguinte ao recebimento (e não na declaração de renda do ano seguinte).

5. Se vendi um imóvel em 2008 e não declarei em 2009: em 2010 deve recolher o imposto com juros Selic e multa de 20% pelo atraso. Para verificar o valor a ser pago use o GCAP e atualize pelo Sicalc. As informações usadas no aplicativo GCAP devem ser expor­­tadas para a declaração de ajuste do imposto de renda de 2008 – não há outra maneira de preencher a declaração de ajuste.

6. Se vendi um imóvel ano passado e doei o dinheiro para um parente ou amigo: você pagará imposto federal e estadual sobre a quantia e o recebedor, nada. Se ainda não fez isso deve apurar o ganho de capital pelo GCAP e atualizar pelo Sicalc, gerando a guia e pagando. No Paraná, quem doa também paga um tributo estadual, o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD), de 4%. Quem recebeu a quantia deve informar essa receita como “rendimentos isentos e não tributáveis”, porque não há incidência de imposto sobre ela. No caso de doação do imóvel em si, o trâmite é o mesmo.

7. Se tenho uma renda vinda do aluguel de um imóvel locado: se ela vier de uma empresa, já tem o imposto retido na fonte. Se vier de uma pessoa física você deve recolhê-la mês a mês. Caso não o tenha feito, a renda do aluguel deve ser colocada junto com os outros rendimentos mensais no aplicativo Carnê-Leão da Receita, que serão tributados segundo uma tabela de imposto de renda para pessoa física.

Fontes: Leonardo de Paola, advogado; Maria do Carmo Godoy Ehlke, economista e professora do UniFae; e Rodrigo Arruda Sanchez, advogado.





Lançado bairro sustentavel em Florianópolis

28 04 2010

(Noticenter) – 28/04/10

Pedra Branca e Grupo Espírito Santo anunciam parceria em Florianópolis e investem R$82 milhões em bairro sustentável

As empresas Pedra Branca e Espírito Santo Property Brasil (ESPB), braço imobiliário brasileiro do Grupo Espírito Santo – um dos maiores do setor financeiro de Portugal – deram início no dia 13 de abril, a parceria para construção do primeiro bairro sustentável da América Latina, em Florianópolis. Concebido para ser o centro de bairro da Cidade Universitária Pedra Branca, o empreendimento receberá investimentos de R$ 82 milhões na primeira quadra.

O ponto de partida da parceria é a apresentação do projeto pelos investidores Valério Gomes Neto (Pedra Branca) e Sergio Luiz dos Santos Vieira (ESPB) na Convenção de Vendas do empreendimento, que acontece no showroom de 1,2 mil metros quadrados que mostra em detalhes os primeiros prédios. “Ao identificar princípios e objetivos similares aos nossos, nos associamos à Pedra Branca para realizar este projeto de urbanismo sustentável. Com isso estamos agregando expertises e experiências nacionais e internacionais na realização e gestão de empreendimentos diferenciados, além dos capitais a serem investidos na infraestrutura e na construção dos edifícios”, diz Sergio Vieira.

Para Valério Gomes, presidente da Pedra Branca e idealizador do bairro-cidade na Grande Florianópolis, a parceria com o Grupo Espírito Santo viabilizará este projeto que colocará Santa Catarina na vitrine mundial do urbanismo sustentável. O centro de bairro foi selecionado pela Fundação Clinton para participar do Programa de Desenvolvimento Positivo do Clima.

LANÇAMENTO DAS DUAS PRIMEIRAS QUADRAS INICIA EM 2010
Estão previstas 47 quadras na Nova Pedra Branca, que não ficarão restritas às residências – uma mesma quadra contará com edifícios para habitação e escritórios. A primeira quadra, projetada pelo escritório de arquitetura Marchetti + Bonetti com a consultoria da empresa norte-americana DPZ Latin América, começa a ser construída ainda neste ano. Totalmente sustentável, o condomínio terá captação de água da chuva, energia solar e o reuso de água. A quadra terá o perfil de todo o empreendimento, incorporando em uma mesma área espaços para trabalho, moradia e lazer. Serão quatro edifícios, que terão um total de 217 apartamentos. No segundo semestre será lançada a segunda quadra, com habitação e escritórios.

O projeto do bairro sustentável fugirá do conceito dos condomínios fechados, criando uma comunidade que privilegia o pedestre e a preservação do meio ambiente local e das áreas verdes. No bairro-cidade as pessoas poderão morar, trabalhar, estudar e se divertir ao alcance de uma caminhada. O empreendimento conta com a chancela do conselho nacional de prédios verdes (GBC Brasil) e nos próximos 15 anos deve comportar até 30 mil habitantes em uma área de 1,7 milhão de metros quadrados e gerar aproximadamente 15 mil empregos.





História que se destaca

26 04 2010

(Gazeta do Povo) – 25/04/10

Projetos no centro de Curitiba aproveitam casarões antigos na concepção de prédios novos. Benefício vem em forma de conservação e valorização das construções

Estrutura da casa foi reforçada e as características arquitetônicas mantidas no projeto do escritório Slomp e Busarello Arquitetos

Construtoras e incorporadoras que têm como foco de seus lançamentos a região central frequentemente se de­­param com terrenos onde há construções de interesse histórico: patrimônios tombados pelo Estado ou Unidades de Interesse de Pre­­servação (UIPs), um tipo de tombamento feito pelo município. Mais 600 imóveis possuem essa característica em Curitiba.

Como não são permitidas in­­tervenções que descaracterizem as construções, que por vezes estão em estado precário de conservação, a saída é a restauração e incorporação do espaço ao novo empreendimento.

“O centro de Curitiba é guardião da maior parte das edificações que enriquecem, dão vida e atuam de forma cronológica para a história e a cultura da cidade”, afirma a gerente de Gestão de Projetos da In­­vespark Empreendimentos Imo­­biliários, Michelle Beber. A empresa tem dois projetos com essa ca­­racterística na região central.

Para o supervisor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ricardo Bindo, Curitiba é uma capital com loteamentos antigos consideravelmente profundos ou largos. Mesmo que haja um imóvel histórico é possível aproveitar o terreno para uma nova obra junto à edificação antiga.

Vantagens
A Lei Municipal 6.337 de 1982 trata dos incentivos construtivos quan­­do da preservação de imóveis históricos. “As UIPs e os imóveis tom­­bados têm descontos no Im­­posto Predial Territorial Urbano (IPTU), que variam de acordo com seu estado de conservação e pode chegar a 100%, apenas para a área do prédio preservado”, diz Bindo.

Outra vantagem são os parâmetros especiais de ocupação. O prédio histórico não conta como área construída e nem como taxa de ocupação. “Isso é feito para não limitar as possibilidades do novo empreendimento. Mas é importante lembrar que o ideal é que a UIP fique de certa forma isolada da nova construção. A ligação entre os imóveis pode acontecer com elementos arquitetônicos, como corredores ou passarelas”, comenta.

Antes da construção é preciso obter aprovação do poder público para incorporar um imóvel tombado pelo patrimônio a uma obra nova e é preciso assumir o compromisso da restauração, considerando a história do edifício e levando em consideração desde o tipo de pintura à conservação dos pisos e portas.

Para Michelle, na nova construção deve ser observada a coerência entre o novo e o antigo, seguindo parâmetros que não apaguem a visualização da UIP.

Entre os projetos incorporados pela Invespark está o Lifes­pa­ce Es­­tação, que será construído na rua Barão do Rio Branco. Uma casa da­­tada de 1890, em frente à Praça Eu­­frásio Correia, será preservada e servirá como hall e área de convívio para os condôminos. O imóvel é um patrimônio tombado pelo Estado e, segundo Mi­­chelle, houve a exigência para que o espaço não fosse explorado co­­mercialmente.

O projeto arquitetônico, feito pelo escritório Dória Lopes Fiuza, definiu a torre em formato escalonado, para não impedir a visualização do complexo histórico do entorno.

A arquiteta responsável pelo projeto de interiores, Mônica Thá, conta que particularidades do imó­­vel histórico serão aproveitadas para destacar o novo. “No piso do hall do prédio novo utilizaremos paginação igual a do piso que será preservado no hall da casa”, explica.

Outro exemplo da empresa é o edifício Le Parc, em obras na rua Emiliano Perneta, entre a Visconde do Rio Branco e a Visconde de Ná­­car. À frente do edifício há um ca­­sarão, considerado uma UIP, que, após a restauração, será locado pa­­ra uma livraria ou café.

O arquiteto responsável pelo projeto, Orlando Busarello, conta que as intervenções no imóvel histórico respeitam e valorizam as ca­­racterísticas do estilo arquitetônico, além dos materiais e sistemas construtivos da casa antiga. “A infraestrutura elétrica, hidráulica e de telefonia foi feita com tecnologia para atender as necessidades de uso de uma construção con­­temporânea. Foram feitos reforços estruturais e fabricadas novas es­­quadrias, de acordo com o modelo e materiais originais”, detalha.

Michelle afirma que a incorporadora, por trabalhar com foco em apartamentos compactos, precisa de áreas centrais, onde há mais demanda por esse tipo de imóvel. “Com a possibilidade de usar áreas onde estão instalados imóveis históricos, há um ganho tanto para empresa, quanto para a cidade”, avalia.

Obras concluídas juntam passado e presente
Entre os empreendimentos concluídos no centro de Curitiba que cumpriram com o propósito que as obras da Invespark estão buscando está a antiga sede do Clube Rio Bran­­co, na esquina das ruas Doutor Car­­los de Carvalho e Visconde do Rio Branco.

A construção do final do século 19 é um bem tombado pelo Estado e a restauração se deu durante a construção do prédio anexo. Ambos es­­tão alugados e abrigam o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. “Acredito que o restauro nesses casos deve manter o máximo possível de características e adequar as instalações (elétricas, hidráulica e de ar condicionado) propiciando segurança, funcionalidade e conforto para os usuários”, diz o arquiteto Thiago Flo­­renzano, que assinou o projeto. En­­tre as adaptações estão os vidros du­­plos colocados nas esquadrias iguais às originais para minizar o barulho .

O novo prédio possui pé-direto du­­­plo na área térrea e grandes janelas de vidro, através dos quais é possível visualizar uma das faces da casa antiga.

Florenzano diz que a negociação com a Comissão de Avaliação de Pa­­­trimônio de Curitiba é flexível. “Há uma exigência grande com relação a pesquisa histórica e de materiais, mas algumas coisas são concedidas”, comenta o arquiteto, que conseguiu autorização para que o estacionamento do prédio anexo passasse por baixo da casa restaurada.

Bem próximo dali, no número 499 da Comendador Araújo, está instalado o Hotel Pestana, parte do complexo Evolution Towers, que tem outras duas torres, e é integrado pela antiga residência do professor e historiador David Carneiro, uma construção do início do século 20. “A solução para esse projeto foi trabalhar com a identidade moderna do empreendimento de forma harmônica, levando em consideração a preservação da casa histórica”, explica o arquiteto Flávio Schiavon, do escritório Baggio Pereira & Schiavon, um dos responsáveis pelo projeto.

Hoje, a casa abriga um espaço cultural – onde estão livros, textos, fotos, objetos e documentos pessoais da vida de Carneiro – administrado em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba.

Outro hotel que ocupa um imóvel antigo é o Johnscher, da rede San Juan, na Barão do Rio Branco. O prédio que abrigou, desde 1917, o hotel da família Johnscher, foi doado à Prefeitura em 1995 e recuperado a partir do projeto dos arquitetos Humberto Fogassa e Carlos Lobo. A rede de hotéis tem a concessão de uso por 25 anos, de acordo a administradora da unidade, Cláudia Belloni Passerino.

Neste caso, em que não houve a construção de um anexo, as características contemporâneas estão na decoração dos quartos e do hall, com detalhes como uma intervenção moderna do artista plástico Clever­son de Oliveira.





Normas técnicas focam o desempenho de edificações

24 04 2010

(Arcoweb) 2009

As normas ABNT NBR 15.575 são as primeiras do país a estabelecer parâmetros que permitem avaliar o desempenho de edificações. Dirigidas a prédios habitacionais de até cinco pavimentos, também devem se tornar referência dos contratantes para outros tipos de edifício. Entre as novidades, elas definem responsabilidades dos agentes envolvidos, do incorporador ao usuário, e trazem novos parâmetros de projeto e especificação.
Os arquitetos tiveram pequena e discreta presença no grupo de 110 especialistas responsáveis pela elaboração das normas ABNT NBR 15.575, que definem o desempenho mínimo para edifícios habitacionais de até cinco pavimentos. Publicadas em maio de 2008, porém, devem mudar a rotina dos profissionais que projetam e especificam itens para edificações. “Elas estabelecem o papel de cada agente envolvido, definem responsabilidades e criam condições de rastreabilidade. Até agora, somente o construtor era responsabilizado, mesmo que o problema estivesse no projeto. A partir desse momento, passam a existir a responsabilidade mais compartilhada e parâmetros para regular o mercado e ações judiciais”, destaca o engenheiro Carlos Alberto de Moraes Borges, coordenador da Comissão de Estudo da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), responsável pela elaboração das normas.

Já em vigor em estágio probatório, as normas devem se tornar válidas a partir de maio de 2010. “Esse prazo serve para o mercado se adaptar às novas exigências, mas até lá nada impede que o poder público e clientes privados passem a exigir seu cumprimento. É o contratante que estabelece as regras para o fornecedor”, ressalta Ércio Thomaz, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo e integrante do grupo que desenvolveu a série NBR 15.575. Embora elas abordem exclusivamente os edifícios habitacionais de até cinco pavimentos, a expectativa é que também sirvam como referencial para a construção de outros tipos de prédios e estimulem a elaboração de normas específicas para eles.

Os níveis de desempenho colocados pelas novas normas são considerados “higiênicos” por Borges, uma vez que elas determinam apenas o mínimo. “Mesmo assim já é um começo, pois também indicam parâmetros superiores, que podem ser adotados por quem quiser. Mas quem afirmar que uma edificação tem desempenho superior terá de provar”, explica o engenheiro. “O documento dá os níveis mínimos e acréscimos a partir de 20% já se traduzem em parâmetros superiores de desempenho”, completa Thomaz.

As normas foram estabelecidas visando as demandas dos usuários quanto ao comportamento dos sistemas para garantir seu desempenho ao longo de determinada vida útil, independentemente dos materiais constituintes e do sistema construtivo utilizado. Elas são aplicáveis aos sistemas que compõem edifícios projetados, construídos, operados e submetidos a intervenções de manutenção que atendam às instruções específicas do respectivo manual de operação, uso e manutenção. Ao contrário das normas prescritivas, que definem como os sistemas devem ser construídos, as que visam o desempenho exploram aspectos como durabilidade de sistemas, manutenabilidade da edificação ou conforto dos usuários.

Complementares entre si, devem ser aplicadas simultaneamente para viabilizar o atendimento às exigências dos usuários a partir de soluções tecnicamente adequadas. O conjunto de normas NBR 15.575 está dividido em seis partes (leia o quadro “Normas NBR 15.575”), que somam 251 páginas e abordam, respectivamente, requisitos gerais, sistemas estruturais, pisos internos, sistemas de vedações verticais internas e externas, sistemas de coberturas e sistemas hidrossanitários – o sistema elétrico foi excluído por já integrar um conjunto mais amplo de normas com base na NBR 5.410. Para definir o desempenho desses sistemas sem entrar em aspectos subjetivos, cada item da norma é dividido em subitens que definem os requisitos (de caráter qualitativo) e critérios (quantitativos ou premissas) e estabelecem os métodos de avaliação que permitem sua mensuração. A norma também faz referência a todas as normas prescritivas que devem ser adotadas conjuntamente.

Além de introduzir conceitos, explicar objetivos e apresentar um glossário de termos e definições, a primeira parte (ABNT NBR 15.575-1 – Edifícios habitacionais de até cinco pavimentos – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais) refere-se inicialmente às exigências dos usuários em termos de segurança, habitabilidade e sustentabilidade (leia o quadro “Exigências dos usuários”), bem como aos requisitos gerais comuns aos diferentes sistemas, estabelecendo as diversas interações e interferências entre eles. “Na primeira parte o foco está no desempenho global e no comportamento em uso do edifício. As demais isolam determinados sistemas, mas o isolamento é meramente didático, pois a edificação só vai funcionar se todos eles estiverem integrados”, ressalta Borges.

Vida útil em questão

Atingir determinado desempenho ao longo da vida útil depende de uma série de agentes, dos incorporadores aos usuários. Portanto, a norma define as responsabilidades de cada um, além daquelas já previstas pela NBR 5.671. A mais importante diz respeito à vida útil dos sistemas da edificação e deve ser especificada pelos projetistas de arquitetura, sempre em acordo com o mínimo previsto na NBR 15.575. Por conseqüência, os componentes devem ser especificados considerando-se a vida útil estabelecida para o sistema. Se é exigida vida útil de 20 anos do sistema hidrossanitário, por exemplo, o projeto deve determinar a periodicidade de inspeções, prazos para a substituição de peças e condições de manutenção geral de modo a se atingir a longevidade esperada.

Elementos não manuteníveis, tais como a fundação ou algumas partes estruturais, devem prever a mesma vida útil da edificação. “Esse é o principal impacto da norma. Os projetos passam a ser concebidos em função dessa vida útil e os sistemas, elementos e componentes especificados devem ter durabilidade compatível”, resume Borges. Na ausência da indicação da vida útil no projeto, para todos os efeitos consideram-se os prazos estabelecidos como mínimos pela NBR 15.575 (leia o quadro “Vida útil mínima dos sistemas”). “A moradia talvez seja o bem mais durável existente hoje na sociedade, mas até agora não havia uma norma que estabelecesse o tempo que ela deve durar”, destaca Thomaz. Ao adquirir o imóvel, o comprador é informado sobre a vida útil da edificação e sabe também que terá a responsabilidade de usar e fazer a manutenção conforme o previsto no manual elaborado pelos construtores e incorporadores. “É como um carro. A fábrica dá a garantia, mas o comprador sabe que vai precisar trocar óleo na quilometragem certa”, compara o pesquisador. Um dos exemplos citados na norma é o revestimento em argamassa de uma fachada, projetado para vida útil de 25 anos, considerando repinturas a cada cinco anos. Se a pintura não for realizada nesses intervalos, as patologias que surgirem podem ser atribuídas ao uso e à manutenção incorretos, e não a falhas construtivas.

A nova normatização tem em vista o desempenho geral do sistema e não avalia a qualidade de cada item isoladamente. “Essa é uma das principais novidades introduzidas pela norma. Ela não dita se a edificação deve ser feita com paredes de tijolo e telhas metálicas, ela está concentrada no desempenho do conjunto. Isso serve como balizador para o desenvolvimento de novos produtos que comprovem ter o desempenho exigido. Supondo que um fornecedor venha a oferecer peças estruturais de plástico reforçado por fibras, ele deverá provar a qualidade e caberá ao órgão que faz a avaliação de desempenho prever o processo de envelhecimento desse material e a durabilidade que ele terá nesse tipo de uso”, exemplifica Thomaz.

Regras do jogo

Para cada sistema, a norma baseia-se em uma série de itens em acordo com a ISO 6.241, uma das mais importantes referências adotadas pelas normas de desempenho das edificações. O resultado são parâmetros para cada quesito que a partir de agora passam a regular o mercado. Na NBR 15.575-1 estão relacionadas diversas exigências dos usuários no que diz respeito ao conjunto da edificação. Nesse rol estão incluídas diretrizes de implantação, entorno, segurança e estabilidade estrutural, com limites máximos para deformações e defeitos, e premissas de projeto. Entre os itens relacionados estão a segurança contra incêndio e condições que reduzem os riscos de sinistro, incluindo proteções contra vazamento de gás.

Aspectos de saúde e salubridade também foram contemplados. Entre os diversos exemplos possíveis, destacam-se a estanqueidade à água de chuva e à umidade do solo e do lençol freático. O conforto termoacústico no interior das unidades também está na pauta. As edificações devem ser planejadas com índices que atendam às características climáticas da região e em acordo com as condições do entorno. Também deve ser considerada a transmissão sonora de um ambiente para outro. Tanto no inverno como no verão, o ambiente interno deve apresentar condições térmicas melhores que as do externo.

Os pequenos apartamentos geralmente destinados à população de baixa renda ganham um limite oficial contra a redução de metragem que visa a diminuição de custos, garantindo ao usuário realizar atividades essenciais com um nível mínimo de conforto. A norma não especifica a área mínima para cada unidade nem para cada ambiente, mas exige cômodos com dimensões capazes de acolher móveis e equipamentos de tamanho padrão, cujas medidas estão relacionadas no documento. O quarto de casal, por exemplo, deve oferecer área suficiente para cama de casal, guarda-roupa e dois criados-mudos. Já a cozinha deve obrigatoriamente acomodar fogão, geladeira, pia, armário, gabinete e apoio de refeição para duas pessoas.

Cada uma das demais partes da norma determina parâmetros mínimos para os sistemas que abrange. O pesquisador Thomaz destaca alguns deles, como, por exemplo, a resistência ao desgaste por abrasão e o coeficiente de aderência de pisos internos estabelecidos pela NBR 15.575-3. Já a NBR 15.575-5 torna obrigatórios dispositivos de segurança a fim de evitar quedas do telhado durante a montagem ou manutenção da cobertura.

Efeito positivo

Toda novidade traz insegurança. Um dos receios é que a sociedade venha a confundir os conceitos de vida útil e garantia. A lei dá garantia de cinco anos em termos de solidez e segurança. “Depois desse período, as responsabilidades só recairão sobre os profissionais se ficar comprovado que a edificação não foi projetada para a vida útil prevista pelas normas”, explica Borges. Outra questão é se a adoção da norma pode elevar o preço da construção. “Se fizermos a decomposição em preço inicial, mais os custos de operação e manutenção, veremos que a tendência é empatar ou reduzir custos”, afirma Thomaz.

A NBR 15.575 deve ter impacto positivo sobre o segmento da construção civil e sobre o comprador, que na maioria das vezes arcava com um financiamento de longo prazo sem a garantia de durabilidade do imóvel. Ao estabelecer critérios e requisitos de desempenho e de sua mensuração, a norma também define um padrão de qualidade objetivo, a ser cumprido por todas as construtoras. Aqueles que atenderem às exigências ficarão com a maior parcela do mercado e os demais terão que se adaptar. “A construção civil brasileira ainda é composta por uma maioria informal e cabe à parcela formal regular essa questão”, finaliza Borges.





Uma nova maneira de projetar e modelar

24 04 2010

(Arcoweb- Heloisa Medeiros) -2009

O BIM provê toda informação necessária aos desenhos, à expressão gráfica, à análise construtiva, à quantificação de trabalhos e tempos de execução, desde a fase inicial do projeto até a conclusão da obra. Com isso, os dados para a validação do projeto são automaticamente associados a cada um dos elementos que o constituem.
Divisor de águas, salto tecnológico, novo paradigma para projetar e construir edificações são algumas das expressões que profissionais do setor usam para definir os softwares para desenvolvimento de projetos com a tecnologia Building Information Modeling (BIM). A ferramenta cria informações e documentações coordenadas, que permitem utilizar com maior precisão elementos para prever desempenhos, aparência e custos do edifício. O BIM abrange geometria, relações espaciais, indicadores geográficos, quantidades e propriedades de componentes e produtos empregados na obra. Contém todos os dados sobre a construção, seu ciclo de vida, operação, processos construtivos e instalações.


Fases da renderização das imagens do projeto da Biblioteca da PUC/RJ

Quando o projeto de arquitetura modela o edifício, utilizando ferramentas tridimensionais como Archicad, Tekla Structures, Active 3D, MicroStation, VectorWorks, Autodesk Revit, entre outros, o Building Information Modeling provê todos os dados necessários aos desenhos, à expressão gráfica, à análise construtiva, à quantificação de trabalhos e tempos de mão de obra, desde a fase inicial do projeto até a etapa de conclusão da obra e seu uso. A partir do momento em que a edificação é projetada, toda informação necessária para a sua validação se encontra, automaticamente, associada a cada um dos elementos constituintes.

Apesar do uso ainda pouco difundido da ferramenta no Brasil, profissionais que começaram a utilizá-la comemoram as melhorias proporcionadas a seus projetos. Segundo Arthur Assis, gerente de área da TK Brasil (Tekla Structures), escritório responsável pelo suporte do software na América Latina, os arquivos BIM são pequenos e podem ser facilmente enviados por correio eletrônico. “Projetos completos contêm poucos megabites, ao contrário de qualquer desenho pequeno em CAD, que pode ter centenas de megabites por folha de desenho, o que inviabiliza o envio pela internet”, afirma.


Perspectiva da biblioteca da PUC/RJ: uso do BIM trouxe vantagens na compatibilização de informações dentro do projeto e na extração de informações do modelo


Imagem do térreo da biblioteca da PUC/RJ, projetada pelo escritório SPBR com tecnologia BIM, no Autodesk Revit

ECONOMIA DE TEMPO
Uma das principais vantagens da tecnologia BIM é a economia de tempo, graças à emissão automatizada de desenhos com as dimensões da obra, à verificação do projeto e à eliminação de conflitos entre os desenhos. Segundo o arquiteto João Paulo Meirelles de Faria, sócio da SPBR Arquitetura, o BIM é ainda um poderoso banco de dados. “Ele integra processos na elaboração do projeto de arquitetura, desde a produção de um modelo de apresentações até o desenvolvimento dos desenhos de construção e a compatibilização de informações entre os diferentes projetos complementares. Além disso, integra tarefas como orçamentos e quantificações”, explica.

Assis garante que o ganho de tempo é enorme, com sobra para que os profissionais aprofundem conceitos construtivos e definam projetos com melhores soluções, mais econômicos e sustentáveis. “Acabam as preocupações com o antigo gargalo da emissão de desenhos”, ressalta.

De acordo com o engenheiro Pedro Badra, da empresa SBD Planejamento, especializada em orçamento e planejamento de obras, as principais mudanças no processo de projeto introduzidas pelo BIM são o conceito e a incorporação de elementos construtivos, recurso possível apenas com softwares que produzem representação em 3D. A vantagem é a possibilidade de visualizar e fornecer cortes e elevações de múltiplas localizações. Além disso, podem-se armazenar na base de dados do programa as bibliotecas de elementos construtivos e até o conhecimento do projetista, a serem empregados em trabalhos semelhantes no futuro. Muda a forma de projetar para arquitetos e engenheiros, avalia Arthur Assis, pois o BIM trabalha em ambiente 3D sólido, diferentemente do CAD, que utiliza plataformas 2D.

O BIM facilita também as etapas de especificação e orçamento. Ele evita a desgastante fase que corresponde à interpretação de memoriais descritivos, já que suas descrições estão contidas nas peças de projeto como elementos construtivos de fácil identificação nos layers . “Em relação a orçamentos, outra vantagem do Building Information Modeling relaciona-se ao projeto estrutural, pois a tecnologia fornece cálculos mais precisos de volume de concreto e área de fôrmas, possibilitando definir as interseções entre vigas, pilares e lajes”, destaca Badra, que utiliza a ferramenta BIM há seis anos.

Na engenharia de custos, enfatiza Badra, com o uso do BIM pode-se chegar à redução de 60% no tempo de elaboração da quantificação. “No planejamento, em razão da interpretação geral do projeto e da interação de todas as disciplinas proporcionadas pelo BIM, as análises necessárias para definir tempos e sequências executivas também se reduzem. Em nossos trabalhos de planejamento e orçamento de obras, conseguimos redução de até 70%, com precisão de até 95% em relação à análise e à quantificação de projetos”, calcula.

PROJETOS COORDENADOS
A nova tecnologia provoca mudanças no processo de projeto e de produção de edificações na construção civil. O BIM pode trazer ainda vantagens durante a elaboração dos projetos, sobretudo no gerenciamento, minimizando erros decorrentes da falta de compatibilização. No entanto, Faria afirma que o projeto não deve ser produzido apenas em função de um software ou outro, pois a questão principal não é minimizar o tempo, mas aumentar a eficácia para obter melhores resultados.

De acordo com o arquiteto do SPBR, num projeto de arquitetura, com utilização do BIM, os desenhos (plantas, cortes e elevações) são visualizações de um modelo em 3D. “Constrói-se o modelo e o software extrai as vistas no modo como se costuma ler um projeto. Dessa maneira, a base de dados é sempre uma só, o modelo, e, consequentemente, se este for alterado todas as vistas são modificadas automaticamente”, explica.

“O mais interessante é que o BIM pode abastecer de informações a produção da edificação de maneira industrial e direta. As informações podem ir do computador diretamente para a obra e até para as linhas de produção de elementos construtivos”, considera Faria. Porém, no Brasil, os desenhos ainda são impressos em papel e depois direcionados aos fornecedores e construtores, ele lembra.

TRABALHO INTEGRADO
Em alguns pontos, as diferenças entre o BIM e outros softwares de projeto, como o CAD, não são grandes. Os programas de CAD atuais realizam muitas das operações que também são efetuadas com a tecnologia BIM. Porém, os softwares com a tecnologia BIM trabalham de maneira mais integrada e direcionada para a arquitetura, avaliam usuários.

“A diferença é que no modelo do BIM, além das informações da geometria dos elementos da construção, podem-se acrescentar outros parâmetros, como a densidade de uma viga em aço, com informações sobre seu peso e volume, gerando até simulações sobre o seu comportamento”, explica Faria. A viga não é mais mostrada com valores apenas representativos, por meio de linhas, mas como objeto com todas as suas propriedades, características físicas e geométricas. O mesmo ocorre com as alvenarias, que são definidas pelo tipo de bloco, espessura de revestimento, fabricante etc., o que permite estudos estruturais, tecnológicos e arquitetônicos.

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA
Para o escritório SPBR Arquitetura, foi muito positiva a experiência de projetar com o BIM a nova biblioteca da PUC/RJ, trabalho premiado com a medalha de prata no concurso Holcim de construção sustentável, em 2008. “Ele ainda não foi desenvolvido completamente, em todas as suas etapas. Mas, até onde pudemos perceber, o BIM trouxe vantagens na compatibilização de informações dentro do projeto e na extração de informações do modelo”, diz Faria. E apesar de a tecnologia facilitar a coordenação de projetos, resolver as interferências entre os sistemas e reduzir erros, o arquiteto conta que não conseguiu ter ainda a experiência completa do uso do BIM com outros projetistas, pois poucos escritórios no país o utilizam.

Dessa maneira, o SPBR precisou utilizar o BIM em conexão com as ferramentas de CAD tradicionais. “Sei que existem escritórios de cálculo de estruturas e de instalações que utilizam o BIM, mas até o momento não trabalhamos com nenhum. Com isso, todos os desenhos produzidos no BIM serão lidos pelos projetistas como desenhos de CAD 2D. No sentido contrário, toda informação produzida por eles em CAD 2D precisa, se for o caso, ser modelada para que se possam utilizar, de maneira completa, as vantagens da ferramenta BIM”, completa Faria.

O BIM facilita ainda a especificação, já que permite a inserção de diversos parâmetros nos elementos do modelo 3D. Com isso, é possível extrair tabelas de quantidade, estimativas de custo, peso e volume. “A vantagem disso no BIM, com relação ao CAD tradicional, é a facilidade de operação que a nova interface oferece. No entanto, inserir dados ou elementos componentes de um projeto no modelo 3D é sempre mais trabalhoso que fazer um projeto só em duas dimensões”, revela Faria.





Etiquetagem energética classifica edificações

24 04 2010

(Arcoweb- Heloisa Medeiros) – 2009

O Brasil já pode ser considerado um país de ponta em relação à busca por edificações sustentáveis. A Eletrobrás e o Inmetro lançaram, no início de julho, em São Paulo, a Etiqueta de Eficiência Energética para edifícios comerciais, de serviços e públicos. As primeiras etiquetas já foram entregues a cinco prédios.

A Etiqueta de Eficiência Energética em edificações faz parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) e foi desenvolvida em parceria entre a estatal Eletrobrás e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). O objetivo é incentivar a iluminação e a ventilação naturais, reduzindo o consumo de energia elétrica. Para que os edifícios recebam a classificação, os projetos devem ser analisados e contemplados com etiquetas de A a E, de acordo com o consumo de energia.

  

(1) Níveis de classificação de eficiência energética para edificações, abrangendo envoltória, iluminação e condicionamento de ar.
(2) Limites definidos pelo inmetro em condicionadores de ar do tipo split, para cada nível de eficiência

“A iniciativa de criar soluções sustentáveis para as construções é mundial, e gradualmente o Inmetro está adotando ações nesse sentido. O grande desafio da eficiência energética nas edificações é garantir a qualidade do ambiente interno, sem prejudicar o dia a dia dos usuários e privilegiando a economia de energia. As construtoras que aderirem ao programa terão a certificação como diferencial competitivo”, disse o presidente do Inmetro, João Jornada, presente ao evento de lançamento do selo Procel Edifica, realizado na sede do Sinduscon/SP. “A adesão é voluntária e abrangerá, inicialmente, apenas as construções públicas e de serviços. Mas, no futuro é provável que os prédios residenciais também venham a ter seus projetos avaliados e classificados”, afirmou Alfredo Lobo, diretor da Qualidade do Inmetro. Em cada um dos níveis, os prédios são classificados de A (o maior nível de eficiência energética) a E. “A diferença de consumo entre as classificações pode representar economia de até 40%”, ele completou. Inicialmente, a regulamentação foi criada para os edifícios comerciais de área superior a 500 metros quadrados, explicou Frederico Souto Maior, técnico do Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações (Procel Edifica), da Eletrobrás. Para receber a etiqueta, as edificações serão avaliadas em três níveis de eficiência: envoltória (fachada), sistemas de iluminação e de condicionamento de ar. O objetivo é aproveitar de maneira mais eficiente as tecnologias passivas, tais como a iluminação e a ventilação naturais, além de incentivar o uso racional de água e de energia solar. Inicialmente implantada de forma gradual e voluntária, a etiquetagem passará a ser obrigatória no futuro. A validade da etiqueta é de cinco anos, prazo em que os edifícios certificados deverão passar por novas avaliações do Inmetro.

A metodologia aplicada para a certificação foi desenvolvida por convênio entre a Eletrobrás, por meio do Procel Edifica, e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE), da Universidade Federal de Santa Catarina, com a participação de uma comissão formada por membros do Inmetro, do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel), do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), da Caixa Econômica Federal (CEF), de universidades e de associações de fabricantes de materiais de construção. Depois de aprovada pelo Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de Eficiência Energética (CGIEE), do Ministério de Minas e Energia, a metodologia foi submetida a consulta pública, tendo incorporado sugestões encaminhadas por representantes de diversos setores da construção civil e da sociedade em geral. Como subsídio à regulamentação, foi gerado um conjunto de publicações que orientam sobre o regulamento técnico da qualidade do nível de eficiência energética dos edifícios, o regulamento de avaliação da conformidade e o manual para aplicação desses regulamentos.

Redução no consumo
As edificações residenciais, comerciais e públicas são responsáveis por aproximadamente 45% do consumo de energia elétrica no Brasil, advindo da iluminação artificial e da climatização de ambientes. “Apostar na chamada arquitetura bioclimática, escolher materiais e equipamentos que valorizem o uso inteligente da energia e optar por tecnologias construtivas que privilegiem a redução de gastos com eletricidade são medidas desejáveis”, acrescentou Solange Nogueira, chefe da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobrás. Segundo ela, a economia de eletricidade conseguida com a arquitetura bioclimática pode chegar a 30% em edifícios já existentes, se eles passarem por readequação e modernização, e a 50% em prédios novos, que contemplem essas tecnologias desde o projeto. A agência da CEF em Curitiba, em comparação com as demais unidades do banco no país, apresenta redução de 24% no consumo de energia e de 65% no de água, desde a inauguração, há seis meses.

Segundo Marcelo Takaoka, presidente do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), a importância do projeto é enorme para a eficiência energética do edifício. “As possibilidades de reduzir o consumo de energia nas edificações passam tanto pelas soluções simples, como o sombreamento das fachadas por árvores no entorno, para evitar o calor, como por outras mais técnicas, que incluem estudos de insolação, materiais que não absorvam calor, vidros eficientes, iluminação e ventilação naturais, entre outras”, ele explicou. Takaoka acredita que, dentro de alguns anos, as construtoras que não aderirem à conservação energética ficarão fora do mercado. “O menor custo de operação e o aumento da vida útil do imóvel compensarão largamente o pequeno custo a mais da construção sustentável”, ele previu.

“Agora, o desafio é disseminar a etiquetagem dos edifícios em todo o país”, acredita o presidente do Sinduscon/SP, Sérgio Watanabe. Ele considera a avaliação de eficiência energética, explicitada pela etiquetagem, uma ferramenta didática. “Tal como já acontece com a etiqueta dos eletrodomésticos, o comprador passará a compreender que o pequeno custo a mais, pago em um imóvel ambientalmente sustentável, será largamente compensado, em três ou quatro anos, pela economia no consumo de energia na operação e na administração do edifício.” Nesse aspecto, o Procel Edifica deverá ter grande impacto. Basta lembrar, por exemplo, que só o programa governamental de estímulo à substituição de 10 milhões de geladeiras ineficientes energeticamente, de acordo com Danilo Vieira Furtado, assessor especial do gabinete do ministro de Minas e Energia, vai gerar economia equivalente a uma turbina de Itaipu nos seus dez anos de vigência.

Nova cultura
O vice-presidente de Meio Ambiente do Sinduscon/SP, Francisco Vasconcellos, afirmou que a construção civil deve estimular uma nova cultura de sustentabilidade, mudando a forma de elaborar os projetos de edificações, o planejamento urbano, a habitação popular e a infraestrutura do país. Vasconcellos representou a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) no Grupo de Trabalho de Edificações do Ministério de Minas e Energia, que desenvolveu a etiqueta. “O uso racional de recursos naturais e de materiais e sistemas de baixo carbono, a utilização de fontes renováveis de energia, a eliminação do desperdício e o correto gerenciamento de resíduos são armas que temos para enfrentar a ameaça das mudanças climáticas”, destacou.

Já o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, afirmou que o governo dá à eficiência energética a mesma importância que dá à segurança na geração de energia. “O Brasil tem a geração de energia mais limpa do mundo”, garantiu. Ele disse ainda que a adequação das construções brasileiras à necessidade de sustentabilidade ambiental gera um impacto enorme no papel do Brasil como player na questão da emissão de gases causadores do efeito estufa.

No evento foram entregues também as primeiras etiquetas a cinco edifícios, que receberam a placa de aço em tamanho real A4 das mãos do presidente do CGIEE, Paulo Leonelli, do Ministério de Minas e Energia. Os prédios são a agência curitibana da Caixa Econômica Federal, já concluída, e os projetos da sede administrativa da CEF em Belém; da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina, em Criciúma; da Faculdade de Tecnologia Nova Palhoça, em Nova Palhoça (SC); e do Laboratório de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.





Novo selo ambiental

24 04 2010

(Arcoweb) 2009

Lançada pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini, a certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental) é baseada em normas européias, com indicadores adequados à realidade brasileira. A iniciativa decorre de parceria entre a entidade, o Departamento de Engenharia de Produção da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e o Centre Scientifique et Technique du Bâtiment (CSTB), instituto francês considerado referência mundial em pesquisas na construção civil. Uma das diferenças entre o Aqua e o selo norte-americano Leed, lançado recentemente no Brasil, é a avaliação e a certificação do edifício em fases, atendendo a requisitos.

No total, o Aqua estabelece 14 itens que precisam ser atendidos dentro de três níveis de classificação: bom, superior e excelente. No mínimo, precisam ser atendidos três requisitos no grau excelente e, no máximo, sete no nível bom. Essa é a diferença em relação ao sistema americano, que soma pontos. “Se, por exemplo, o solicitante cumprir três requisitos no nível excelente, quatro no superior e sete no bom, ele se enquadrará no perfil mínimo para a emissão do certificado”, explica o engenheiro civil Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo Aqua.

Segundo ele, por meio de convênio com o CSTB, que faz a certificação de construções sustentáveis na França, adaptaram-se a metodologia e o referencial franceses aos processos internos da Fundação Carlos Alberto Vanzolini. O referencial técnico final, acertado por professores da Poli/USP, especifica quais os parâmetros de desempenho ambiental e de conforto e saúde dos usuários de edifícios de escritórios e escolas. Os critérios, no entanto, podem ser ajustados e aplicados em outros segmentos. A Método Engenharia pretende adotá-los, por exemplo, na construção de um resort em Pernambuco, o que permitirá definir o referencial brasileiro para hotel. Também existe pré-entendimento com o instituto Qualitel, da França, que aplica os mesmos princípios para edifícios residenciais.

Por ser entidade certificadora, a Fundação Carlos Alberto Vanzolini não pode prestar assessoria. Mas já começam a surgir no Brasil escritórios de projetos e gerenciamento de empreendimentos. “O próprio pessoal da Universidade de São Paulo pode dar esse apoio”, comenta o coordenador do Processo Aqua. Além disso, muitos projetistas já possuem visão de sustentabilidade em sua formação e experiência profissional. O lançamento do Aqua ocorreu durante o Seminário Internacional Brasil-França – Construção Sustentável, realizado em abril na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Informações sobre esse novo modelo de certificação estão disponíveis no site www.geaconstruction.com.





Venda de Materiais de Construção cresce 20%

22 04 2010

(Gazeta do Povo) 21-04-2010

Depois de 12 meses de queda, março marcou o quinto mês consecutivo de alta nas vendas do setor de construção.

Crescimento é reflexo do bom momento do setor de construção civil e da base de comparação baixa

A indústria de materiais de construção apresentou crescimento de quase 20% no acumulado do primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo apetite das grandes construtoras, estimuladas pelos incentivos governamentais no setor da construção civil, como a extensão do prazo de desoneração do IPI dos materiais de construção até o fim do ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa Minha Casa, Minha Vida.

O resultado superou as expectativas do setor, que esperava um resultado de 15% para os três primeiros meses do ano. Os números, no entanto, mostram um quadro de recuperação da indústria de materiais de construção, que chegou a acumular queda anualizada de 17% com a crise econômica – resultando em uma base de comparação baixa.

Março foi o quinto mês consecutivo com variação positiva do faturamento das vendas do setor na comparação com o mesmo período do ano anterior, após 12 meses consecutivos de quedas. Na comparação anual, março apresentou crescimento de 25,8%. Frente a fevereiro o avanço foi de 22,6%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice ainda apresenta queda de 4,89%.

“O crescimento elevado foi observado tanto nos materiais básicos como nos de acabamento, refletindo a expansão da atividade do setor como um todo”, avalia a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A entidade aposta na continuidade do crescimento acelerado nos próximos meses.

Projeto quer reduzir a informalidade

Taiana Bubniak, especial para a Gazeta do Povo

Foi lançado ontem, em Curitiba, um projeto que busca promover a formalização de empregados por meio da articulação de redes locais. A iniciativa, chamada de “Redução da Informalidade por meio do Diálogo Social”, é do Departamento Instersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e conta com financiamento do Fundo Multilateral de Investimento (Fumin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O valor estimado do investimento é de US$ 1,12 milhão.
Na capital, o setor da construção civil vai ser o foco do projeto. A meta é formalizar no mínimo 1.250 trabalhadores nos próximos 3 anos. De acordo com a coordenadora do programa, Rosane Maia, o segmento emprega cerca de 137 mil pessoas na região metropolitana de Curitiba, mas a taxa de informalidade chega a 47%.

“Nosso objetivo é fazer um trabalho coletivo para mobilizar a redução de trabalhadores desprotegidos dos direitos trabalhistas, dando visibilidade ao tema e construindo propostas e políticas que apontem para uma solução”, afirma o diretor técnico do Dieese, Clemente Gunz Lúcio.

Pesquisa
Setor prevê crescimento nos próximos seis meses

A indústria brasileira da construção civil está otimista, e aguarda um bom nível de atividade e de novos empreendimentos para os próximos seis meses. É o que revela a pesquisa Sondagem da Construção Civil, realizada mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No último levantamento, feito em março, o otimismo do setor se manteve estável em relação aos índices observados nos meses anteriores. A expectativa de atividade para os próximos seis meses caiu 1,1 ponto, para a marca de 67,3 pontos; mesmo assim, ficou bem acima da linha dos 50 pontos, que separa as tendências de otimismo e pessimismo. O mesmo ocorre com a expectativa em relação a novos empreendimentos, que caiu de 68,2 para 67,4 pontos.

Para o presidente da Fecomaco-PR, Adriano Montanari, o mercado aquecido não deve resultar na inflação dos preços para o consumidor. “[No varejo] os preços estão estáveis, e devem continuar assim nos próximos meses”, avalia.

Rogério Martini, da Acomac, avalia que a prorrogação da redução do IPI ajudou a estabilizar o mercado. A desoneração proporcionou uma queda média entre 3% e 5% no preço dos itens beneficiados. “[A prorrogação do IPI reduzido] evitou uma corrida às lojas, que poderia ter resultado na falta de alguns produtos e consequentemente no aumento dos preços”, avalia. (ACN)

“Basicamente, não é apenas a construção formal que anima o setor. Quando a economia está estável, as pessoas se encorajam e a tão sonhada reforma do imóvel acaba saindo do papel. Tudo isso alimenta a cadeia e tem reflexos na economia como um todo”, avalia o consultor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kahtalian.

Segundo o presidente da Federação das Associações dos Comerciantes de Materiais de Construção do Paraná (Fecomaco-PR), Adriano Montanari, apesar de aquecidas, as vendas do varejo não acompanham o mesmo ritmo apontado pela indústria. Isso porque cerca de 90% das vendas no varejo são formadas pelo chamado “consumidor formiguinha”, que compra materiais em pequenas quantidades para reformas e benfeitorias em imóveis próprios, com gasto médio de R$ 400 por compra.

Este é o caso do casal Juliana Silva Merege e Márcio Salmos, que desde novembro do ano passado vem tentando concluir a reforma da casa. “Compramos de acordo com o que precisamos no momento. Devido ao preço, achamos melhor ir gastando aos poucos, por isso a reforma está demorando para sair”, explica Salmos, que agora pretende terminar a rerorma do banheiro.

Já a professora Luciane de Albuquerque optou por comprar de uma só vez todo o material de acabamento para finalizar a construção de sua casa nos próximos dois meses. Como a compra ficou em R$ 10 mil, ela financiou o valor no cartão de crédito da própria loja, em dez vezes sem juros.

Segundo o vice-presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Curitiba (Acomac), Rogério Martini, o varejo da construção teve crescimento médio de 5% no ano passado, e espera um acréscimo de 8% em 2010.

“A melhoria do padrão de renda e a recuperação de empregos têm ajudado o mercado. Boa parte dos consumidores que migrou de uma classe social para outra está aproveitando os incentivos governamentais para recuperar o consumo reprimido”, avalia.

Martini aponta o financiamento através do Construcard, da Caixa Econômica Federal, como grande alavancador das vendas. “Seguramente, grande parte do crescimento está relacionado à essa forma de crédito. Isso vale para as pequenas, médias e grandes lojas.”





Dicas para comprar a casa própria e investir

22 04 2010

(Fabiane Ziolla Menezes – Gazeta do Povo)  21-04-2010

De linguagem fácil e direta, o livro Imóveis, seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio acaba de ser lançado pela Editora Saraiva. A publicação é de autoria de Luiz Ca­­lado, economista, mestre em Ad­­mi­­nistração, vice-presidente do Ins­­tituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (IBEF) e gerente da área de educação da Associação Brasilei­ra de Entidades dos Mercados Fi­­nan­­ceiros e de Capitais (Anbima).

Com material vasto, mas tratado de forma objetiva, o livro auxilia o leitor na busca pelo primeiro imóvel da família, passando por como se preparar para o processo da documentação e do financiamento, e segue dando conselhos para quem pretende investir nessa área. À Gazeta do Povo, Calado respondeu algumas dúvidas cruciais de quem está na luta pela casa própria. Confira:

Sair para visitar alguns imóveis à venda é um bom caminho para procurar a casa própria?

Não. Se você procura um imóvel para morar, antes de iniciar as visitas precisa entender bem o quanto você pretende gastar, e quais as características do imóvel que deseja comprar, em termos de tamanho, número de quartos, dentre ou­­tros. O ideal é escrever o que pretende fazer num papel. Como o lado emocional conta muito na hora da compra, se você não tiver mapeado bem o que quer a chance de fazer um péssimo negócio é muito grande. O que mais ocorre é a compra de um imóvel acima do valor que se consegue pagar.

Quais os principais erros que as pessoas cometem ao comprar o primeiro imóvel?

É raro acertar na primeira vez, em tudo na vida. Apenas a experiência nos permite melhorar. Um grande erro que as pessoas cometem é não se preparar adequadamente para o desafio que é fazer um bom ne­­gócio com imóveis. É essencial ler muito a respeito, manter-se atualizado e conversar com pessoas que compraram imóveis. Sinto que o assunto ainda é tabu na nossa so­­ciedade, as pessoas não se sentem bem em falar sobre o financiamento que obtiveram, sobre a negociação para tentar obter um preço melhor, etc. Sem essa conversa franca e um estudo mais dedicado, é muito difícil aprender sobre o assunto.

No Brasil, a compra de um imóvel é, na maioria das vezes, um processo de endividamento, já que a maior parte dos brasileiros só consegue adquirir a casa própria por meio de financiamento. Qual a dica para deixar essa dívida a menor possível?

Economizar para dar uma entrada parruda. Assim se consegue uma parcela menor, ou ainda um prazo para quitação menor.

Os economistas e especialistas em Finanças Pessoais sempre recomendam que as parcelas do financiamento não devem ultrapassar 30% da renda da família. O que seria um exemplo prático de quanto uma família pode gastar sem correr o risco de ficar sem caixa?

Mais do que esse valor (30%), as fa­­­mílias têm até dificuldade em obter financiamento. Para uma família com renda de R$ 3 mil, uma parcela razoável seria R$ 900, considerando que eles pos­suam uma reserva para emergências.

Há uma hora certa para vender o imóvel?

Sim. As famílias vivem ciclos. Nos­­sos filhos nascem, o que nos motiva a morar em um lugar maior. Depois chega a hora dos filhos deixarem o lar, fazendo com que seu quarto fique sem utilização. A hora certa para vender o imóvel é bem antes desses acontecimentos. Só com tempo se consegue fazer um bom negócio. A pior coisa é uma família precisar, desesperadamente, vender um imóvel porque percebeu que está numa casa menor (ou maior) do que gostaria.

E para comprar o segundo imóvel?

O fato de já ter passado pela experiência de comprar um imóvel, pode fazer com que a aquisição do segundo, geralmente para investimento, torne-se equivocada. A dica é não comprar um imóvel pensando no que é bom para a sua família, mas sim pensar em algo que o mercado irá demandar. Por exemplo, algumas regiões têm falta de apartamentos pequenos, de um quarto. Aqueles que se anteciparam à demanda por essas residências, estão muito contentes, possuem algo com boa renda de aluguel e que se valorizou.








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