Vale o desempenho (sobre a nova Norma de Desempenho)

31 05 2010

(Techne) – maio/10

Nova norma deve ser um marco na construção, mas o atendimento requer mecanismos de gestão da qualidade de projetos e execução, além de rigor nas compras.

A NBR 15.575 – Norma de Desempenho para Edificações Habitacionais de até Cinco Pavimentos, em vigor desde o dia 12 de maio, difere-se substancialmente das normas existentes, pois não trata de sistemas construtivos ou materiais constituintes do edifício. Sua atuação é sobre o desempenho do edifício habitacional, ou seja, seu comportamento global. Diferente do que foi concebido quando surgiu, a Norma de Desempenho tem requisitos válidos não só para edificações de até cinco pavimentos, mas sim de qualquer altura. Isso afeta todas as construções habitacionais.

A Norma estabelece requisitos e critérios de desempenho considerando as exigências do usuário. Essas exigências, antes subjetivas, viraram requisitos técnicos, com parâmetros determinados. Por isso, muitos conceitos presentes não são considerados em normas prescritivas, como, por exemplo, a durabilidade dos sistemas, a manutenibilidade da edificação, o conforto tátil e antropodinâmico dos usuários.

O prazo para adequação de projetos à Norma é de seis meses. Portanto, a partir de 12 de novembro, todos os projetos protocolados nas prefeituras devem estar de acordo com a Norma de Desempenho. Vale lembrar que a NBR 15.575 não se aplica a obras de reforma ou retrofit.

Elaboração e natureza da Norma
Idealizada a partir de um pedido da Caixa Econômica Federal, a Norma inicialmente foi concebida para atuar sobre edifícios residenciais de até cinco pavimentos, para guiar uma análise qualitativa dos edifícios de interesse social. “Havia uma necessidade de atender a essas famílias, e a Norma veio cobrir essa lacuna”, explica Inês Battagin, secretária do comitê de estudos da Norma.

Porém, os conceitos colocados na Norma tornaram-na bem mais abrangente. No final, a Norma de Desempenho pode ser aplicada a qualquer edifício residencial, exceto nos requisitos influenciados pela altura. E isso vai impactar, de alguma forma, todas as novas construções de edifícios.

O conceito de normalizar o desempenho segue uma vertente internacional, iniciada na década de 1980. Em 1992 foi criada uma norma britânica (BS 7543), que versa sobre a durabilidade para edifícios e elementos componentes, com conceitos de desempenho. Essa norma britânica, segundo Battagin, guiou os critérios de durabilidade e vida útil da NBR 15.575.

Inês Battagin resume da seguinte maneira: “Existem três atores importantes. Quem faz o projeto, que deve pensar em todos os conceitos; quem executa, que deve agir na direção do desempenho; e o usuário, que deve usar da maneira correta. Estamos aliando esses três atores”.

A Norma de Desempenho brasileira, porém, é mais avançada que muitas outras internacionais. Ainda, segundo Battagin, internacionalmente evoluiu-se muito em questões de desempenho acústico, térmico e um pouco de lumínico, “mas queríamos uma visão mais plena, mais inteira”. Carlos Alberto Borges, coordenador da comissão de estudos, destaca o item da vida útil de projeto: “No Brasil, é a primeira norma que coloca a obrigação da vida útil em projeto”. Para Borges, de certa forma, isso obriga o setor a não pensar apenas em custo inicial de construção, mas em custos de operação e manutenção.

Construtores também concordam que a Norma de Desempenho trará benefícios à indústria da construção em geral. Para Maria Luiza Wolf, coordenadora de projetos da Goldsztein, a normativa irá melhorar a qualidade dos produtos.

Cláudio Mitidieri, gerente do Laboratório de Sistemas Construtivos do IPT (Instituto de Pesquisas Técnológicas do Estado de São Paulo), também colaborador da Norma, acredita que as construtoras aprimorarão seus sistemas de gestão internos de qualidade e seus relacionamentos com fornecedores. “Será necessário uma interação maior, e o impacto da Norma é positivo”, diz ele.

Daqui para frente
Mesmo sendo um grande primeiro passo, a Norma de Desempenho deve sofrer muitos questionamentos. Construtoras e os integrantes da comissão de estudos concordam que agora é que as dúvidas devem começar a surgir. Para Mitidieri, ainda há um desconhecimento muito grande. “A Norma é complexa, por isso é necessário uma organização setorial para um estudo dirigido e um entendimento da Norma de Desempenho”, aponta ele. Se alguns setores sentirem algum exagero nas exigências, se houver justificativa técnica e consenso, a Norma poderá ser revista.

Estrutura da Norma
A Norma divide-se em seis partes: Requisitos gerais; Requisitos para os sistemas estruturais; Requisitos para os sistemas de pisos internos; Sistemas de vedação verticais externas e internas; Requisitos para sistemas de coberturas; e Sistemas hidrossanitários. Não são contemplados os sistemas elétricos, que fazem parte de um conjunto de normas com base na NBR 5.410.

Nos requisitos gerais são definidas as exigências dos usuários que se transformaram em requisitos. São eles: segurança (estrutural, contra o fogo, no uso e na operação), habitabilidade (estanqueidade; conforto térmico; conforto acústico; conforto lumínico; saúde, higiene e qualidade do ar; funcionalidade e acessibilidade; conforto tátil e antropodinâmico) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade, impacto ambiental). Cada requisito tem seus critérios mínimos definidos (veja resumo na tabela 1) ou, se for o caso, são indicadas as normas a serem consideradas.

Na parte de sistemas estruturais, explica-se que o desempenho estrutural deve ser avaliado a partir do estado limite último e estado limite de serviço. A Norma apresenta os deslocamentos limites e flechas máximas para pilares, paredes, lajes, forros etc., tanto por critérios técnicos – evitar destacamentos, fissuras e outros – como por motivos de insegurança psicológica do usuário.

Para os sistemas de pisos internos há muitas definições, pois os pisos abarcam muitos critérios como segurança contra incêndio, resistência ao escorregamento, estanqueidade, desempenho acústico, entre outros. É definido, por exemplo, o tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF) de no mínimo 30 minutos. Em relação a conforto tátil e antropodinâmico, o fator de planeza deve ser de no mínimo 13 para acabamento não liso e 15 para liso.

A parte de vedações verticais apresenta, como era de se esperar, muitas exigências sobre estanqueidade. Para vedações não estruturais, são indicados os deslocamentos e danos toleráveis sob ação de carregamentos. A Norma abrange solicitações de cargas suspensas, ações transmitidas por impactos nas portas, resistência dos guarda-corpos e parapeitos, umidade interna e externa. Os ensaios de estanqueidade devem se contextualizar em uma das cinco regiões brasileiras de exposição ao vento.

Sobre sistemas de coberturas, a Norma trata da resistência e durabilidade (com exigências correlatas às de estrutura), ação do granizo, deslizamento de componentes e arrancamento pelo vento, escoamento de águas pluviais, estanqueidade, absortância térmica, estabilidade da cor de telhas, entre outros. Admite-se manchas de umidade na face inferior das telhas, mas sem ocorrência de gotejamentos.

Para os sistemas hidrossanitários, são definidos parâmetros como sobrepressão nas válvulas de descarga, com valor máximo de 0,2 MPa; resistência das tubulações, que deve ser de cinco vezes a pressão de serviço; sobrepressão máxima da parada de bombas de recalque, com velocidade do fluido até 10 m/s. São indicadas as vazões mínimas de água nas diferentes peças: chuveiros e duchas 0,25 l/s; mictório 0,15 l/s; torneiras (lavatório, pia, tanque, uso geral, torneira automática economizadora) 0,12 l/s; torneiras para jardim 0,25 l/s.

Linha do tempo

Níveis de desempenho
A norma define três níveis de desempenho: Mínimo (M), Intermediá­rio (I) e Superior (S). Todos os sistemas devem ter um desempenho que atinja pelo menos o nível M. Os prazos de garantia mínimos, por exemplo, devem ser aumentados em 25% ou 50% para se atingir os níveis I e S, respectivamente.

No impacto de corpo mole em pisos, um impacto de 480 J atende ao nível M se não ocasionar ruínas, sendo admitidas falhas localizadas (como fissuras, destacamento e outras). Porém, só serão alcançados os níveis I e S se não houver nem ruína nem falhas. Em outro exemplo, no desempenho de vedações, os ensaios de campo para níveis de ruído determinam nível M para índice de redução sonora na faixa de 30 a 34 dB. O nível I é alcançado com desempenho melhor, com redução de 35 a 39 dB, e, o S, acima de 39 dB.

Essa classificação deve ser um diferencial para a comercialização do imóvel, pois se pode cobrar mais por um empreendimento que tenha melhor desempenho e durabilidade, e que possivelmente trará menos custos, por exemplo, com economia de energia.

Implementação
Algumas construtoras vêm se preparando há mais de um ano para a implementação dos critérios de desempenho em seus empreendimentos. Mas o trabalho é extenso. A ­Goldsztein, uma das primeiras construtoras a iniciar estudos sobre a nova Norma, em agosto de 2008, ainda está formatando seu memorial de desempenho padrão, que compila todas as normas aplicáveis a cada etapa da construção, e também realizando controle e especificação em cada setor da empresa.

Segundo Maria Luiza Wolf, a empresa, em um primeiro diagnóstico, atendia a 50% dos itens da Norma, o que foi muito satisfatório, segundo ela. “Hoje já atendemos a 75%, pois já evoluímos quanto a fornecedores, projetistas, suprimento e assistência técnica”, completa Luiza. A Gafisa também preparou um manual que indica, para todos os procedimentos de obra, quais estão de acordo com a Norma e quais não estão (veja tabela 2). Porém, a empresa ainda está na fase de cruzar custos com desempenho, e ainda não concluiu, por exemplo, se o custo de alguns itens irão subir.

Tabela 1

Ensaios e fornecedores
Uma das dificuldades mais apontadas para adequação à Norma é em relação aos ensaios necessários. O gerente do departamento de Desenvolvimento de Operações e Tecnologia da Gafisa, Thiago Leomil, levanta a questão: “O mercado não está preparado para essa demanda. Há poucos laboratórios”. Luiza Wolf vai além: “Os laboratórios cadastrados estão quase todos em São Paulo”.

Materiais com uso consagrado, como aço, não precisam de testes, pois já vêm certificados. Basta a construtora exigir os parâmetros necessários para atender aos requisitos de vida útil, por exemplo. Por outro lado, sistemas ou materiais construtivos inovadores necessitarão de mais ensaios. Um bom modo de se guiar é verificar se o produto está no Programa Setorial da Qualidade do PBQP-H (Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat).

Tabela 2

A adequação dos fornecedores também pode ser uma etapa trabalhosa. “Muitos não atendiam [aos requisitos da Norma de Desempenho]. Nós pedimos laudos, ensaios, e agora parte deles já mudou”, conta Luiza. Leomil, da Gafisa, acrescenta que, dependendo do estudo de viabilidade, pode-se chegar à conclusão de que não será mais possível trabalhar com determinado material.

Mas o maior desafio para adequação à Norma, segundo Leomil, será não só nas etapas da obra, mas também no setor de produto. “As áreas de produto, desenvolvimento e os projetistas terão que se desdobrar para preservar a estética, ou isso exigirá uma adaptação do consumidor. Por exemplo, para os guarda-corpos atingirem certa rigidez, pode ser necessário um número maior de montantes por metro, e, se não encontrada a melhor técnica para preservar a estética, os modelos poderão sofrer adaptações”, diz ele.

Segurança contra o incêndio
A segurança da estrutura contra incêndios foi pensada em seis partes: dificultar o princípio do incêndio, evitar a inflamação generalizada, dificultar a propagação do incêndio, minimizar o risco de um colapso estrutural, facilitar a fuga e, por fim, dispor a edificação de sistemas de extinção e sinalização de incêndio. A Norma estabelece que, para dificultar o princípio do incêndio, deve-se proteger a edificação contra descargas atmosféricas, ignição nas instalações elétricas e vazamentos nas instalações de gás. O projeto e execução desses itens devem seguir as normas existentes.

Tabela 2A

Para dificultar a inflamação generalizada, deve-se avaliar todos os materiais que compõem tanto a face interna como a externa do edifício, de tal forma que eles tenham características de propagação de incêndio controladas. Já para a propagação do incêndio para fora da unidade, deve-se atentar para a distância entre os edifícios, as medidas de proteção (como portas corta-fogo) e sistemas que assegurem a estanqueidade e isolamento. Para evitar o colapso estrutural, a avaliação das estruturas deve ser feita segundo normas já existentes. As rotas de fuga e os equipamentos de extinção, sinalização e iluminação de emergência também devem atender a norma própria.

Isolamento de ruído
Há critérios tanto para ruído de impacto em piso como para ruído aéreo entre unidades. O nível de pressão sonora (para o impacto) deve ser no máximo de 80 dB, e o valor mínimo é o correspondente a um piso de concreto maciço com espessura de 10 cm. Para a análise, podem ser utilizados tanto o método de engenharia como o método simplificado, ambos descritos na Norma.

Para isolamento de ruído aéreo, a Norma prevê ensaios em laboratório e em campo. Em laboratório, a redução sonora deve ser de 40 dB para paredes que separam áreas privativas de áreas comuns e 45 dB para paredes e pisos que separam unidades habitacionais. Para avaliação em campo, o requisito é a diferença de nível entre ambientes, que deve ser de 35 dB para paredes que separam áreas privativas de áreas comuns e 40 dB para paredes e pisos que separam unidades habitacionais.

Método de avaliação do desempenho térmico
São três procedimentos que avaliam a adequação da habitação às oito regiões bioclimáticas do Brasil, definidas na NBR 15.220-3: o simplificado, que consiste na verificação de que os sistemas de vedação e cobertura atendem aos requisitos da própria Norma de Desempenho; e os procedimentos globais, de simulação computacional e medição – “in loco” ou em protótipos.

A edificação que não atender ao procedimento simplificado pode ser aprovada por uma avaliação global. Para a medição, são estabelecidos os recintos para medição, a orientação para simulação ou construção do protótipo, entre outros. Para a simulação computacional, há critérios de avaliação tanto para condições de verão quanto para inverno. Há orientações para a especificação dos dados de entrada no programa em relação à ventilação, absortância das paredes, recintos adjacentes etc., tanto para o verão como para o inverno, e tanto para edificações térreas como multipiso.

Vida útil de projeto x garantia
A norma define o que é a VUP (Vida Útil de Projeto), conceito que difere de prazo de garantia. A VUP é o tempo dentro da qual o edifício e seus sistemas devem atender aos requisitos de desempenho estabelecidos. Já o prazo de garantia é o período de tempo no qual a ocorrência de defeitos não pode ser justificada por mau uso ou envelhecimento natural, garantido pelo construtor ou incorporador.

São oferecidas diretrizes para as definições dos prazos mínimos de garantia por parte dos construtores e incorporadores. Já os prazos mínimos de VUP para cada sistema da edificação são definidos conforme tabela abaixo:

Sistema/VUP mínima (anos)
- Estrutura ≥ 40
- Vedação vertical externa ≥ 40
- Vedação vertical interna ≥ 20
- Cobertura ≥ 20
- Hidrossanitário ≥ 20
- Pisos internos ≥ 1

Tire suas dúvidas

A Norma deve acarretar aumento de custo para os construtores? Qual a estimativa? Quais os principais fatores de pressão de custo? Requisitos de desempenho estrutural, de segurança contra incêndio e outros que remetem para normas existentes não causarão impacto. No caso da isolação acústica a ruído de impactos em piso, isolação acústica de paredes entre unidades privativas, as empresas que não atendem ao requisito terão aumento de custo.

Se todos os produtos que compõem um sistema construtivo forem normalizados, o resultado será um sistema que atende à Norma de Desempenho? Não necessariamente. O atendimento às normas de desempenho tem uma forte participação de premissas e critérios de projeto. Por exemplo: para atender aos requisitos de desempenho térmico é essencial que o projeto resolva bem a implantação do empreendimento, as áreas de ventilação, o pé-direito etc.

Quando a cidade não tiver laboratório acreditado pelo InMetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) para ensaiar um sistema “in loco”, o produto poderá ser simulado em outra cidade? Os ensaios de caracterização de desempenho se dividem em duas categorias: ensaios de laboratório e ensaios de campo, além de simulações computacionais e medições em campo. Ensaios de laboratório e simulações podem ser feitos em qualquer cidade; os ensaios e medições de campo precisam ser feitos no local da obra.

Há laboratórios capacitados para avaliarem desempenho de todos os sistemas de um edifício residencial ou há sistemas que nunca foram avaliados, sob o ponto de vista do desempenho, pelos laboratórios brasileiros? Os laboratórios brasileiros estão capacitados em sua maioria apenas para os ensaios de controle tecnológico de concreto, aço, argamassas etc. Os ensaios de desempenho térmico, desempenho acústico, segurança contra incêndio, estanqueidade, segurança no uso e outros são realizados em poucos laboratórios.

A Norma poderá aumentar a industrialização das obras? Obter o desempenho adequado é mais fácil com sistemas industrializados, pois há mais controle sobre as variáveis que determinam o desempenho. Mas não é impossível ter bom desempenho com sistemas moldados ” in loco”.

Antes da entrega do empreendimento, os condomínios realizarão ensaios para verificar se o desempenho foi atendido? Não é função do condomínio ensaiar para essa verificação. É responsabilidade de quem projeta, incorpora e constrói atender o que a Norma estabelece.

Essa Norma deverá aumentar o trabalho de peritos e gerar uma demanda homologatória de desempenho, como um cartel? Nos países desenvolvidos, o seguro exige que o atendimento a normas seja demonstrado pelas empresas. Existem instituições técnicas que avaliam o projeto, e os fabricantes só podem fornecer produtos que atendam às normas de especificações e/ou de desempenho.

Com a falta de laboratórios e critérios de aferição de ensaios pouco claros, os resultados de desempenho poderão ser muito diferentes? Quem dá a palavra final? Os métodos de ensaios estão integralmente associados a métodos previstos em normas brasileiras ou estrangeiras. Quem deve avaliar são instituições idôneas tecnicamente para realizar os ensaios e avaliações previstas na Norma para cada requisito.

Para manter seus empreendimentos em conformidade, todas as construtoras precisarão criar um departamento de gestão do sistema de desempenho? Não. Basta que os profissionais se atualizem. Desempenho é “conhecimento tecnológico”. Será preciso se atualizar para projetar de acordo com a conceituação que, por exemplo, era comum nas décadas de 1960 e 1970.

Para sistemas construtivos industrializados, será preciso toda vez fazer os testes de desempenho ou, uma vez homologado o produto, o sistema está permanentemente aprovado? Se o produto for utilizado dentro das condições de exposição e de uso para as quais foi avaliado, uma vez caracterizado seu desempenho, não será necessário avaliar mais. Se a condição de uso influir sobre o desempenho, deverá ser novamente avaliado.

O consumidor poderá exigir a troca de um elemento construtivo baseado na norma de desempenho? O consumidor que comprar um apartamento ou casa cujo projeto tenha sido protocolado em prefeitura seis meses após a entrada em vigor da Norma poderá exigir o integral cumprimento da Norma (amparado pelo Código de Defesa do Consumidor).

Existe norma similar em outros países? A norma que estabeleceu as bases da metodologia de desempenho foi a ISO 6241 – Performance Standards in Building – Principles for Their Preparation and Factors to be Considered, de 1984. A partir dela vários países elaboraram suas normas para tratar de todos os aspectos do desempenho.

É verdade que a exigência de desempenho acústico no Brasil é metade da exigida na Europa? Cite outras referências de países que adotaram a Norma. No caso dos requisitos de acústica, estamos muito abaixo porque, principalmente em países do Hemisfério Norte, a exigência de grande estanqueidade ao ar e à água, no caso de caixilhos e paredes, leva a um alto isolamento acústico.

Os fornecedores que fabricam produtos fora de norma serão naturalmente excluídos do mercado? Se as empresas que compram materiais e componentes se dispuserem a exigir o cumprimento de normas, os fornecedores precisarão se ajustar à conformidade necessária. Produtos em não conformidade não podem estar no mercado, pois apresentam desempenho inadequado e riscos.

Que cláusulas adicionais deverão constar, por regra, dos memoriais descritivos? Os memoriais descritivos devem dar evidências de que as normas de projeto foram seguidas, e os produtos especificados nos memoriais devem ser especificados quanto ao desempenho, não mais com nome de marca e modelo. O desempenho especificado deve permitir que se busque o fornecedor que demonstre atender a esse desempenho.





Conheça detalhes do projeto referencial do Trem de Alta Velocidade elaborado por consultoria britânica

31 05 2010

(PiniWeb) – 27/05/10

PINIweb teve acesso ao estudo encomendado pelo BNDES à consultoria Halcrow. Projeto aguarda aprovação do TCU para ser licitado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) espera que até o fim de maio o TCU (Tribunal de Contas da União) aprove os estudos referenciais e a minuta do edital de licitação do TAV (Trem de Alta Velocidade), a ser instalado entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A previsão inicial do governo brasileiro era de que o sistema entrasse em operação já na Copa do Mundo de 2014.

Segundo informações da ANTT, o principal questionamento do TCU é a falta de detalhamento do projeto, que definiu apenas o traçado, a demanda de passageiros e as previsões de construção do trem alta velocidade. Porém, segundo o estudo elaborado pela empresa britânica Halcrow, no qual a reportagem da PINIweb teve acesso, o projeto detalhado só é possível com a definição do tipo de tecnologia que será empregada, o que será feito apenas pela concessionária vencedora da licitação.

O estudo da Halcrow foi contratado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2008 e elaborado em parceria com a Sinergia Estudos e Projetos. Após a liberação do TCU, a ANTT tem prazo de 15 dias para finalizar o edital e publicá-lo. O leilão ocorrerá 60 dias após a publicação do edital. Confira alguns detalhes do projeto:

Traçado
O traçado referencial do TAV foi simulado por meio do software Quantm, que permite aos planejadores integrarem questões ambientais, da comunidade, culturais, do planejamento e de custo em uma única análise. A ferramenta também calcula os custos da implementação do sistema, considerando serviços como terraplenagem, construção, compra de terrenos e deslocamentos residenciais, entre outras coisas.

Software definiu, inicialmente, traçado que poderia variar em 20 km para baixo ou para cima

A rota foi definida pelo software em duas etapas. Na primeira, o traçado criado poderia variar em cerca de 20 km para cima ou para baixo. Assim, na segunda fase, os engenheiros puderam estudar em detalhes os melhores locais para a rota do TAV (Trem de Alta Velocidade).

No estudo da Halcrow, o traçado de 511 km começa na cidade de Campinas e passa pelas cidades de São Paulo, Guarulhos (SP), São José dos Campos (SP), Volta Redonda/Barra Mansa (RJ) até chegar ao Rio de Janeiro. O estudo também considerou a criação de estações intermediárias em Resende (RJ), em Jundiaí e Aparecida do Norte (SP).

A avaliação e a seleção de alinhamentos preferidos foram realizadas em comum acordo entre Halcrow, BID e ANTT nas oficinas realizadas em janeiro e em abril 2009.

Localização das estações
Definido o traçado referencial, a empresa britânica passou a estudar os melhores locais para a construção das estações nas cidades. No Rio de Janeiro, optou-se por aproveitar a estação em desuso de Barão de Mauá (Leopoldina), situada proximamente a estação do metrô Dom Pedro II. “Barão de Mauá foi escolhido para permitir que os passageiros de TAV e do Metrô sejam mantidos separados, mas, ao mesmo tempo, possam fazer o intercâmbio entre as duas linhas”, diz o documento.

Ao centro, estação Barão de Mauá que deverá ser reaproveitada pelo TAV

Já em São Paulo, segundo o estudo, a situação foi mais complexa. Inicialmente, a Halcrow analisou as regiões da Luz, no centro, e da Barra Funda, na zona oeste da cidade. Porém, em ambos os casos, não há espaço suficiente para a construção da estação. Os engenheiros optaram, então, pela região do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. “O tamanho de sua área e a possibilidade de adquiri-la com mais facilidade fez o Campo de Marte se tornar um local atrativo para uma estação do TAV”, explicam os engenheiros no documento.

Estação do TAV no Campo de Marte ficaria próxima aos principais meios de transporte e centros de negócios de São Paulo

No caso de Campinas, por fim, o terminal do trem de alta velocidade ficará no centro da cidade, em uma estação ferroviária abandonada.

Casos complexos
O estudo da Halcrow enumerou quatro regiões como as mais complexas para a passagem do TAV: a Serra das Araras, a cidade de Barra Mansa e a Represa do Funil, no Rio de Janeiro, e a área compreendida entre as cidades de Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro e Cachoeira Paulista, em São Paulo.

Na Serra das Araras, o problema foi ultrapassar as montanhas, que tem picos elevados e inclinações laterais íngremes. “Para desenvolver uma linha de alta velocidade, a geometria de inclinação teve que ser restringida a 2,5% e o alinhamento desenvolvido para minimizar o comprimento da escavação de um túnel”, diz o estudo.

Serra das Araras

Em vermelho, traçado proposto pelo software

Já em Barra Mansa os engenheiros tiveram que desviar o traçado do centro da cidade, que é densamente povoada, para o norte do Rio Paraíba do Sul, próximo a Volta Redonda. “O processo de Quantm permitiu a solução a mais barata para o alinhamento, passando pelas montanhas e evitando as áreas povoadas.”

Na Represa do Funil, por sua vez, o problema foram as opções limitadas de espaço para criação da linha, pois a região tem uma grande bacia hidrográfica. A solução encontrada foi desviar, ao máximo, o traçado da água e, nos locais onde isso não era possível, criar pontes e trilhos elevados.

Na região de Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro e Cachoeira Paulista, por fim, os engenheiros precisaram ajustar o comprimento e a profundidade mínima dos cortes, por causa do risco potencial de deslizamento de terras. “Quantm foi usado para criar o melhor contrapeso entre as opções, com cortes profundos, e túneis que fornecem proteção para deslizamento de terras, minimizando o risco”, diz o estudo.





Nova regra derruba lucro e patrimônio de construtora

30 05 2010

(Valor Econômico) – 05/05/10

Marcello Milman, analista do Credit Suisse: alterações não devem ter efeito no valor das companhias, uma vez que o fluxo de caixa será o mesmo

Já faz um tempo que os investidores estão receosos sobre o impacto do novo padrão contábil sobre os resultados das incorporadoras imobiliárias brasileiras e até agora nenhuma empresa divulgou o que vai mudar no seu balanço a partir de 2010. Elas adiam a divulgação por temer a reação do mercado e também porque ainda tentam reverter a mudança na contabilidade.

Se antecipando às empresas, analistas do Credit Suisse fizeram os cálculos e a notícia é que os lucros devem cair em todo o setor – e bastante.

Tendo como base a expectativa do banco para os números deste ano, a baixa média no ganho líquido será de 43%, enquanto o patrimônio líquido das empresas deve cair 25%. Há dispersão nas estimativas, mas há piora em todos os casos.

Considerando a regra contábil que está em vigor, o estudo do Credit Suisse aponta que a Brookfield seria a mais afetada em termos de resultado em 2010, com baixa de 84% no ganho líquido. Entre as sete empresas analisadas, a Rossi terá o menor impacto no lucro, que mesmo assim deve ser 17% menor.

Em termos de patrimônio líquido (PL) o estudo foi mais abrangente e envolveu dez companhias. Por esse critério, o maior impacto será na Cyrela, com uma baixa de 33% no valor contábil da companhia, e menor na Inpar, que terá queda de 14% no PL.

Como consequência dessas mudanças, os múltiplos usados por analistas para verificar se uma empresa está cara ou barata na Bolsa devem subir, o que pode assustar alguns investidores.

Entretanto, na visão de Marcello Milman e Marcelo Telles, analistas do Credit Suisse, as mudanças contábeis não deveriam mudar o valor de mercado das companhias, uma vez que o fluxo de caixa não será alterado.

Segundo o estudo, a relação média entre o valor de mercado e o patrimônio líquido deve subir de um índice de 1,5 para 2,0. Já a razão entre o preço da ação na bolsa e o lucro por ação deve saltar de 10,3 vezes para 18,4 vezes.

A principal mudança contábil que afetará as construtoras refere-se ao critério para reconhecimento da receita. Até agora, as empresas registram a receita levando em conta o percentual realizado da obra (chamado de método POC) – ainda que nem todo o caixa seja recebido.

No modelo usado no IFRS, que passa a ser obrigatório a partir de 2010, as incorporadoras reconhecem a receita com a venda de um imóvel toda de uma vez, no momento da entrega das chaves. Esse é a regra mesmo que elas tenham recebido uma parcela importante deste valor durante as obras.

Segundo Milman, os efeitos são maiores nas empresas que cresceram muito nos últimos anos, naquelas com margem maior e nas incorporadoras com projetos de ciclo mais longo.

Mas o fato é que todas as empresas possuem ao menos um dessas características, em especial o crescimento acelerado. No ano passado, por exemplo, a receita das companhias abertas do setor avançou 44%.

Do lado empresarial, enquanto as incorporadoras se articulam nos bastidores para tentar evitar a mudança contábil, também pensam em criar instrumentos paralelos para dar indicações aos investidores do que está acontecendo. “O investidor não quer esperar três anos para saber se a empresa chegou ao céu ou ao inferno”, afirma uma fonte do setor.

Outro executivo de incorporadora aponta uma consequência adicional que considera negativa com a implantação do IRFS, ligada às cláusulas de limites de alavancagem previstas nas emissões de debêntures. Com a mudança do patrimônio líquido, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido – usada como parâmero nos contratos – também se altera. As debêntures representam 25% do endividamento total das empresas e somaram R$ 6,4 bilhões em 2009.

Impacto das mudanças contábeis

Alterações ainda podem ser evitadas
O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) se reúne hoje, em São Paulo, com membros do Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês). Um dos temas da pauta da reunião técnica está justamente ligado à regra contábil das incorporadoras.

Um grupo de trabalho coordenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) analisa o caso das incorporadoras desde o início do ano e encontrou argumentos técnicos favoráveis à manutenção do critério antigo de reconhecimento de receita.

No encontro de hoje, o CPC pretende apresentar esses argumentos ao Iasb, para que o órgão avalie se os contratos de compra e venda de imóveis no Brasil se enquadram como venda de um bem (que exige o reconhecimento da receita apenas na entrega das chaves) ou como contrato de construção (que prevê o reconhecimento da receita ao longo da obra).

Entre os argumentos favoráveis à regra antiga estão o de que a parcela paga pelo comprador durante as obras não é depositada em uma conta separada, como ocorre em outros países, e o dinheiro é efetivamente usado pela incorporadora.

Além disso, o contrato é visto como um compromisso firme de compra e venda, e não apenas como uma reserva de imóvel.

Segundo o professor Eliseu Martins, especialista em contabilidade e ex-diretor da CVM, a norma internacional diz que se os riscos e benefícios são transferidos ao comprador é possível enquadrar o contrato como de construção e usar a regra antiga.

No entender dele, a jurisprudência jurídica tem firmado fortemente que, se houver um problema durante a construção, o imóvel é do comprador.

Eliseu argumenta ainda que um único comprador não tem poder para alterar o projeto (o que seria uma evidência da propriedade), mas que o conjunto de compradores pode.

Representadas pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) no CPC, as incorporadoras começaram a montar o que chamam de “estratégia de defesa” no início deste ano. E a visão é que as articulações estão dando algum resultado. “A chance de não implantarmos o IFRS é pequena, na casa de uns 20%, mas já foi nula”, afirma um executivo do setor.

Consultada sobre o assunto, a superintendência de normas contábeis da CVM disse, em nota, que o estudo da regra está em curso e que, portanto, ainda não pode “emitir uma opinião ou orientação que seja levada para debate no âmbito do CPC ou da própria CVM”.

Diante disso, o órgão regulador diz que sua posição “é aquela que está nos pronunciamentos aprovados e referendados que estão plenamente alinhados com as normas internacionais”.

A autarquia destaca ainda que “não há possibilidade de adoção de normas, por parte da CVM, diferentes daquelas previstas pelo Iasb e pelo CPC”.

Do ponto de vista do mercado, Marcello Milman, analista do Credit Suisse, diz que os argumentos para se manter a regra antiga são mais evidentes, principalmente nos contratos de baixa renda, em que a Caixa Econômica Federal paga quase todo o valor do imóvel durante o período de obras. Dessa forma, o reconhecimento da receita na regra antiga se aproximaria do fluxo de caixa do projeto.

Nas vendas do segmento de médio e alto padrão, o comprador costuma pagar de 20% a 30% do valor do imóvel no período de construção, enquanto a receita e os custos são todos reconhecidos.

O risco nesse caso, segundo Milman, é que, com base num custo estimado, se reconheça uma margem maior que a efetiva.





Fórmula matemática para obter preço de m2 de usado é imprecisa

24 05 2010

(Edson Valente – Folha de São Paulo) 23-05-2010

A alta média do valor dos imóveis usados na cidade de São Paulo é precisamente mensurável -18,36% no primeiro trimestre deste ano, segundo pesquisa do Creci-SP (conselho de corretores).

Calcular o preço do imóvel que se quer negociar, contudo, passa por uma matemática nem tão exata. Especialistas destacam as limitações de uma fórmula criada com esse fim. “As variáveis são muitas”, frisa Celso Amaral, diretor da empresa de pesquisas imobiliárias Geoimovel.

Não basta considerar a depreciação, que envolve rede elétrica e hidráulica envelhecendo, além de áreas comuns malcuidadas, cita João da Rocha Lima, professor do Núcleo de Real State da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo).

É preciso incluir a inserção urbana da unidade, afirma. “Alguns equipamentos e a facilidade de transporte são elementos de valorização, como quando chega uma linha do metrô ou surge um shopping nas imediações.”

O método mais indicado para chegar a um valor é a comparação. “Com ao menos cinco imóveis semelhantes, à venda ou vendidos recentemente na mesma região”, ensina Nelson Nór Filho, membro do Ibape-SP (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia).

“Para uma estimativa rápida, porém apenas aproximada, parte-se do preço praticado para imóveis novos semelhantes, depreciando-os em relação à idade e à conservação da construção”, diz Nór.

Nesse caso, é necessário aplicar um fator de depreciação sobre o valor do metro quadrado da construção nova equivalente; confira ao lado como estimar o preço de um apartamento usado.





Hotel na Holanda projetado pelo escritório alemão WAM Architecten é formado por 70 casas “empilhadas”

24 05 2010

(Ana Paula Rocha- PineWeb) 21-05-2010

Recentemente foi inaugurado o hotel Inntel, na cidade de Zaandam, Holanda. O prédio de 12 andares projetado pelo escritório alemão WAM Architecten é formado por cerca de 70 pequenas casas “empilhadas”, que foram inspiradas nas tipologias e cores tradicionais da região. A obra custou 15 milhões de euros.


Hotel Inntel

Segundo os arquitetos, foram reproduzidas no hotel diferentes tipos de casas, que variam da residência de um político à casa de campo de um trabalhador. “Nesse caso, a arquitetura faz naturalmente uma apelação direta às emoções dos moradores da cidade”, afirma Wilfried van Winden, um dos arquitetos do escritório.

A fachada, principal destaque do projeto, utiliza quatro tons diferentes de verde e um de azul, cores típicas da arquitetura local. Quanto aos materiais, os arquitetos optaram por revestir os dois primeiros andares em madeira e os outros pavimentos com fibrocimento.

Internamente, o empreendimento possui 160 quartos, além de um restaurante, auditório, piscina e um centro de ginástica com uma sauna. O escritório ainda finaliza a construção de um centro de conferências no terreno do hotel, com previsão de conclusão até o fim de 2010.

A construção do Hotel Inntel faz parte de um plano de reurbanização do centro da cidade de Zaandam. O projeto prevê mudanças na disposição histórica do bairro, a reabertura de um canal e a restauração da atmosfera tradicional da cidade. O hotel foi a primeira edificação concluída dentro desse projeto.


Detalhe da fachada





Consumidor brasileiro busca alimentos práticos e rápidos, aponta pesquisa da Fiesp e Ibope

20 05 2010

(Fiesp) – 18/05/10

Estudo mostra que a preferência é por marcas conhecidas. Contudo, brasileiros respeitam mais as empresas que investem em qualidade e projetos sociais

O Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp elaborou uma pesquisa, junto com o Ibope, que revela o perfil do consumo brasileiro de alimentos e bebidas. O objetivo é avaliar as características do consumidor e se ele está alinhado às tendências mundiais do setor. Os resultados indicam que sim.

Mas não é por isso que o País deixa de ter seu próprio jeitinho: o arroz e o feijão ainda são a prioridade nacional, pois na hora da escolha os brasileiros ainda optam por marcas mais conhecidas. Outro dado interessante é o destacado interesse pelo lançamento de iogurtes, biscoitos e sucos prontos para o consumo.

Apresentado durante o Brasil Food Trends 2020, nesta terça-feira (18), na sede da Fiesp, o levantamento é o primeiro a disponibilizar gratuitamente informações estratégicas de mercado e de comportamento a 22 mil empresas do setor de alimentos e bebidas. A expectativa é que a competitividade das micro e pequenas indústrias, principalmente, seja a mais beneficiada.

O estudo mostrou que a maior parte das pessoas, 34% do total de entrevistados, prioriza a conveniência e a praticidade dos alimentos, em resposta às necessidades do cotidiano apressado e ao pouco tempo que dispõem.

“É o tipo que trabalha em tempo integral e não tem tempo para preparar comidas mais sofisticadas. Por isso, adere a pratos congelados e semiprontos”, explicou Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro e um dos coordenadores do projeto. Segundo ele, o consumo destes produtos tende a aumentar ainda mais caso os preços se tornem mais atraentes.

Outra tendência dos consumidores do Brasil está na confiança e qualidade que veem nos alimentos. O estudo indica que 23% da população é composta por consumidores fiéis às suas escolhas por marcas, produtos ou empresas. Para Costa, este público prefere marcas que conhece e confia, mesmo que tenham que pagar mais caro por elas. “É um comportamento muito presente na classe C, principalmente entre donas de casa com crianças menores de 12 anos”, acrescentou.

Segundo o gerente, entre os que acham mais importante que a comida seja “gostosa e atraente” também se encontram 23% dos entrevistados – ou seja, os que priorizam a sensorialidade e o prazer nos alimentos. “Eles têm um estilo mais impulsivo para comer. ‘Prazer sem culpa’ é seu lema”.

Diferentemente da disposição geral do resto do mundo, dois grupos se unem para dar a cara do Brasil ao consumo de alimentos. Segundo constatou a pesquisa, saúde e bem-estar e sustentabilidade e ética convergem no momento de escolha por produtos alimentícios. “O mesmo bem-estar que o brasileiro exige que seus produtos proporcionem a si próprio, quer ver na responsabilidade que possuem com a sociedade e com causas ambientais”, atestou Costa.

Ainda apoiado no estudo, disse que o consumidor brasileiro tem uma ideia confusa a respeito do conceito de sustentabilidade. Apesar disso, 80% daqueles que se dizem familiarizados com o termo estão dispostos a comprar produtos que seguem a prática responsável, mesmo por preços mais elevados.

A pesquisa foi feita em nove capitais brasileiras e se baseou em 1.512 entrevistas, com pessoas acima de 16 anos. Foram elaboradas 30 perguntas para medir a preferência dos consumidores, que levaram em consideração os grupos de tendência citados.

Na hora da compra
Além de mapear estas tendências, os dados também demonstram o que é mais importante para os consumidores na hora de comprar um produto. Conhecer e confiar na marca foi o aspecto mais destacado, com 59% de preferência da população.

Mesmo quando questionados sobre os critérios que usarão futuramente para escolher os produtos, a confiança continua sendo o maior diferencial, com 42%.

Arroz e feijão são os produtos em que o conhecimento da marca mais pesa para a decisão – 44% e 36%, respectivamente. Isto ocorre porque são os alimentos básicos do dia a dia dos brasileiros e com eles “não pode ter erro”, esclareceu Costa.

Gosto e sabor influenciam, atualmente, a compra de 47% dos entrevistados; futuramente, esta porcentagem cai para 31%. Alimentos nutritivos e enriquecidos com vitaminas são os terceiros da lista e praticamente não variam entre as expectativas de consumo atual e futura: hoje 32% das pessoas dão prioridade a eles e no futuro, 33%. A qualidade dos alimentos é determinante para 29% da população, atualmente, e sobe para 35%, futuramente.

Por fim, para surpresa do gerente do Deagro, o quesito preço foi o menos significativo na hora da opção por produtos e, pelo que a pesquisa indica, tende a perder ainda mais importância. Se hoje é decisivo para 28% das pessoas, no futuro será para 23% delas.

“Ficamos surpresos com o resultado, achávamos que no Brasil o consumidor tinha outras prioridades. Mas o bom momento econômico e a inclusão de milhares de famílias no nível de consumo mudaram este quadro”, destacou.

O material também trouxe a relação dos produtos que mais despertam o desejo do consumidor quando lançados no mercado. Os iogurtes lideram, com 32%; bolachas e biscoitos estão em segundo lugar (28%); logo atrás vêm os sucos pronto para beber, 27%. Por fim, aparecem chocolates e bombons (25%), queijos (24%) e alimentos congelados ou semiprontos (21%).

Legitimidade Social
O último, mas não menos importante, dado assinalado pelo documento diz respeito às posturas que as empresas de alimento assumem e que despertam o respeito e admiração dos consumidores. Outro resultado interessante, na opinião do gerente.

A qualidade é o fator que mais agrega respeito aos produtos: 21% dos consumidores sustentam essa ideia. Muito próximo a este número encontra-se o investimento em projetos sociais, que garante o respeito de 19% dos entrevistados a empresas que aderem à prática.

Para Costa, este comportamento sustenta a mesma tese de que saúde e ética são valores cada vez mais indispensáveis aos produtos brasileiros, na visão da sociedade.

“O consumidor está preocupado, sim, com o bem-estar de sua família, mas também se importa com o ambiente onde está inserido. Com segurança podemos dizer que marcas ligadas à melhoria social se destacam entre a população”, garantiu.

Para acessar o estudo completo, clique aqui (arquivo em PDF).





Mercado brasileiro confirma favoritismo para investidores

17 05 2010

(PINIweb, por Pâmela Reis) – 12/05/10

Para representante de fundo português, força do mercado interno coloca o Brasil à frente de outros países.

O Brasil está equiparado a mercados europeus na confiança dos investidores. Essa é a avaliação de Manuel Mota, CEO da Imópolis, empresa que gerencia fundos de investimento imobiliário de Portugal. “Para nós, o Brasil representa um mercado que amadureceu muito nos últimos anos e conseguiu eliminar um conjunto de riscos e passar para o exterior uma imagem de segurança”, afirma.

Mota participou nesta quarta-feira de um painel sobre ferramentas para o investimento estrangeiro no Brasil, durante o terceiro dia do Nordeste Invest. Ele frisa que o mercado brasileiro conta com a vantagem de estar longe da saturação. “O Brasil é uma janela de oportunidades, um local onde há muita coisa para fazer. A vantagem é a dimensão do próprio mercado”, avalia Mota.

O executivo acrescenta que a estagnação do mercado internacional e a falta de perspectiva de melhora conferem ao Brasil mais um diferencial, devido à força do mercado interno e à ascensão da classe C. “O Brasil é um país que tem potencial de mercado local, que não vai ficar dependente do mercado internacional. O país tem muitas necessidades a satisfazer e as pessoas que estão na base da pirâmide estão subindo e alimentando o mercado”.

A presença maciça de investidores europeus no Nordeste Invest deste ano confirma as observações de Mota. O evento acontece entre os dias 10 e 12 de maio no Centro de Convenções de Natal (RN) e reúne investidores e executivos dos ramos turístico e imobiliário.





Cidade do México constrói série de empreendimentos em antigas áreas industriais

17 05 2010

(Pineweb, por Renato Faria) 29-04-2010

PINIweb acompanha visita técnica para conhecer as medidas de remediação das regiões contaminadas e de sustentabilidade das construções.

Realizado em abril na Cidade do México, o Holcim Forum for Sustainable Construction reuniu profissionais de todo o mundo para apresentar e debater soluções que minimizem os impactos ambientais decorrentes das atividades produtivas do segmento da Construção Civil. A PINI esteve no evento e participou das palestras e excursões realizadas durante o período. Destaque para a visita aos bairros de Azcapotzalco e Nuevo Polanco, onde diversos empreendimentos estão sendo executados em antigas áreas industriais. Confira alguns projetos apresentados na excursão técnica:

Tecnoparque
Localizado no antigo bairro industrial de Azcapotzalco, na Cidade do México, o Tecnoparque (foto) é um condomínio empresarial construído em um terreno onde funcionava uma fábrica de autopeças para ônibus e caminhões. Ao apresentar o projeto do empreendimento ao poder público, os investidores se depararam com algumas condições impostas pela prefeitura. Por um lado, a cidade não aumentaria a quantidade de água fornecida ao lote; por outro, não teria condições de tratar o esgoto produzido pelo condomínio, pois o bairro não conta com infraestrutura de coleta. As limitações obrigaram o empreendimento a reciclar toda a água consumida, reaproveitando-as em atividades internas. Foi implantado um sistema de tratamento de águas residuais, que são reutilizadas na irrigação dos jardins externos do Tecnoparque. Outro sistema, de captação, armazenamento e filtragem de águas pluviais, viabilizou o escoamento do material coletado diretamente para o lençol freático, 65 m abaixo do nível do terreno.

Parque bicentenário
O Parque Bicentenário ocupará o espaço em que funcionava uma refinaria da Pemex, também na Cidade do México. A intervenção no terreno começou pela descontaminação do solo, que apresentava alta concentração de benzinas, realizada pela ex-proprietária da área. A remediação, feita in loco, incluiu técnicas como lavagem de solo e aspersão de gases. O parque também contará com uma central de tratamento de água, e a iluminação das vias será feita com lâmpadas alimentadas por painéis solares. O projeto está sendo desenvolvido por um consórcio que inclui o escritório do arquiteto mexicano Ricardo Legorreta.

Nuevo Polanco
A recuperação de antigas áreas industriais também ocorre no bairro de Nuevo Polanco. A região era ocupada por fábricas – General Motors e Chrysler, por exemplo – localizadas às margens de uma ferrovia de Cuernavaca. Com a desconcentração industrial na capital mexicana, essas áreas foram abandonadas. Sua localização privilegiada na cidade, porém, atraiu a atenção de incorporadores, que começaram a instalar ali novos condomínios comerciais e residenciais. O rápido crescimento do mercado imobiliário no bairro, contudo, agravou os problemas de trânsito na região – fato que, recentemente, tem freado novos investimentos. Ainda assim, Nuevo Polanco abriga um dos maiores empreendimentos imobiliários em execução na América Latina, a Plaza Carso. Realizado pelo Grupo Carso, do bilionário Carlos Slim, o complexo de uso misto contará com imóveis residenciais, comerciais, de escritórios e o Museu Soumaya.





Norma de Desempenho entra em vigor neste mês.

12 05 2010

(Construção Mercado, por Pâmela Reis e Mirian Blanco) 05/2010

    

Cerca de dez engenheiros da Gafisa debruçaram-se nos últimos seis meses sobre o texto da chamada “Norma de Desempenho” (ABNT NBR 15.575), que entra em vigência em 12 de maio de 2010. O objetivo era identificar quais, dentre todos os procedimentos executivos da construtora – padronizados nacionalmente – atendem aos pré-requisitos da normativa.

Embora de fôlego, o esforço do levantamento, que resultou num caderno técnico de 300 páginas, foi apenas a primeira ação de uma estratégia mais ampla: “para conseguirmos atender à Norma, todas as áreas da empresa, do produto ao pós-obra, estão agora e a todo vapor tendo que ser mobilizadas e integradas”, conta Thiago Leomil, gerente de desenvolvimento de operações e tecnologia da empresa.

A mobilização observada na Gafisa também tem sido aplicada, com estratégias diferentes, em pelo menos dez incorporadoras de grande e médio portes. Cinco delas – Cyrela, Tecnisa, Tecnum, Tarjab e BKO Engenharia – iniciaram um grupo de discussão, coordenado pela consultoria NGI (Núcleo de Gestão e Inovação), para interpretar a Norma e suas implicações, e preparar reestruturações internas a fim de responder, em tempo, às exigências.

A Cyrela Goldsztein começou o trabalho no início de 2009. A Odebrecht Residencial está padronizando seus procedimentos técnicos conforme critérios de desempenho. A Goldfarb, a Schaih Desenvolvimento Imobiliário e a construtora Plano & Plano também se adiantam nos estudos dos impactos técnicos e de projeto da normativa. “É muita coisa para estudar num espaço muito curto de tempo”, diz Leomil.
 
O motivo de tanta correria é que depois de ter ficado dois anos em período de carência para adaptação das construtoras, a Norma de Desempenho, que entra agora em vigor pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), se tornará obrigatória para projetos protocolados nas prefeituras a partir de 12 de novembro deste ano (Para detalhes da normativa, veja boxe Entenda a Norma de Desempenho.)

No curto prazo, não é exatamente o risco de os projetos serem barrados nas instâncias públicas municipais o que assusta as construtoras, até porque o alcance da avaliação do poder público restringe-se aos parâmetros do código de edificações do município. O que tem motivado de fato as empresas a correrem atrás do desempenho é o fortalecimento de um agente fiscalizador ainda mais perigoso: o consumidor.

“Quem está se mexendo para trabalhar no atendimento da Norma de Desempenho é porque está preocupado com o consumidor; as empresas sabem que eles vão cobrar. Até porque a mídia não especializada está fazendo um trabalho de conscientização bastante forte e isso tende a se intensificar”, diz a engenheira civil Maria Angelica Covelo, coordenadora técnica do CTQ (Comitê de Tecnologia e Qualidade) do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo).

Informado por veículos de comunicação da grande imprensa e por ferramentas de marketing e de publicidade das incorporadoras interessadas, o consumidor que adquirir imóveis cujos projetos tenham sido protocolados a partir de novembro de 2010 terá balizas objetivas para escolher qual bem adquirir, além de um instrumento, amparado pela Lei de Defesa do Consumidor, para, no pós-chaves, reivindicar seus direitos.

“Na Tarjab, quero ter segurança de que vou cumprir a Nor­ma, pois vou perder mercado se não seguir. Por isso, é do meu interesse que o consumidor cobre”, afirma Carlos Borges, diretor técnico da construtora paulista Tarjab e superintendente do CB-02 (Comitê Brasileiro da Construção Civil) na ABNT. “A intenção é usar o desempenho como um diferencial de vendas”, revela Mauricio Bernardes, gerente de desenvolvimento tecnológico da Tecnisa.
 
A tendência é que se crie uma linha de corte baseada na preferência dos consumidores a partir de graus de desempenho padronizados e de níveis diferenciados de produtos (mínimo, intermediário e superior). “Poderei vender um apartamento mais caro, mas que está enquadrado numa categoria superior” comenta Luis Eduardo Mangini, diretor de engenharia da BKO Engenharia.

Pente fino
Com a maior exposição da qualidade das obras será difícil sobreviver no mercado ignorando a Norma de Desempenho, concordam os agentes consultados. É por isso que mais do que andar conforme a ABNT – o que blinda especialmente as construtoras líderes contra questionamentos de peritos e de clientes – o empenho das empresas em atender à nova exigência também exprime outra motivação estratégica: nivelar o mercado.

“Hoje as grandes incorporadoras têm uma preocupação com qualidade que às vezes nosso concorrente regional, pequeno, não tem. Por isso, no sentido comercial, a Norma vai ser muito boa, vai equilibrar o mercado”, afirma Júlio Hornos, diretor de suprimentos da Goldfarb. Leomil, da Gafisa, vai mais longe: “A Norma poderá tirar do mercado aquela construtora despreparada, que não tem nenhum controle técnico e está competindo com uma empresa grande”, diz.

Consultadas em abril pela reportagem, pequenas e médias construtoras de diferentes Estados sequer conheciam a Norma de Desempenho ou ainda não sabiam se ou como seriam afetadas por ela. “Há um desconhecimento geral sobre a responsabilidade no atendimento de normas no Brasil”, diz Maria Angélica.
 
Mas nem mesmo as incorporadoras capitalizadas e com estrutura de ponta têm respondido com facilidade aos desafios impostos pela normativa. A problemática se inicia na própria gestão das informações contidas no texto-base, uma vez que a obrigatoriedade de atender aos requisitos mínimos de desempenho atravessa os diversos departamentos das construtoras – do terreno e do desenvolvimento do produto até o atendimento pós-chaves -, distribuindo responsabilidades e, ao mesmo tempo, desafiando os gestores a coordenar esse processo.

“Se o projeto conceber um produto conforme a Norma, isso vai acrescentar novas especificações à área de suprimentos e poderá mudar procedimentos de execução no canteiro; se o morador identificar qualquer problema de desempenho em relação ao previsto no Memorial, ele poderá acionar o pós-obra, que, por sua vez, deverá ter uma equipe técnica preparada para diagnosticar se o erro é de desempenho ou de manutenção.

E tudo isso vai explodir no jurídico, com possíveis processos onerosos para quem não cumprir a Norma. A informação, portanto, deve estar alinhada em todos os departamentos da empresa”, afirma Leomil, da Gafisa. Hornos, da Goldfarb, também acredita na necessidade de integração.

“Na busca de atender aos requisitos da Norma, não dá para o projetista especificar qualquer produto porque isso pode impactar o custo previsto pela área de suprimentos. Do mesmo modo, o profissional de suprimentos não pode decidir pelo melhor material do ponto de vista da área dele porque ele não sabe de que maneira essa escolha vai impactar o projeto. Em termos de desempenho, não dá para tomar uma postura sozinho”.

Como atender
Por conta da complexidade das implicações da Norma de Desempenho, cada empresa tem encontrado soluções próprias. A recomendação de Maria Angélica Covelo ao grupo de cinco empresas que estão estudando as implicações da Norma é iniciar pela uniformização do conhecimento das equipes internas seguida da capacitação dessas equipes para as ações necessárias.

Na Schahin, os capítulos da Norma foram divididos em grupos de trabalho, orientados por consultores terceirizados. “Atualmente, os gerentes das áreas de projeto, planejamento, orçamento, de operação e de manutenção estão estudando os capítulos e formulando perguntas que são repercutidas junto aos consultores”, diz Marco Sarge Figueiredo, diretor técnico da Schahin.

Na BKO, a organização das informações está partindo das lideranças. “Os profissionais da diretoria de engenharia e da gerência de projetos estão atualmente interpretando a norma e entendendo como atendê-la. Em seguida, eles vão replicar e divulgar esse conhecimento na empresa, envolvendo até fornecedores.”

Na Gafisa, o primeiro passo foi a realização de treinamentos para as gerências de todos os departamentos. Em seguida, a área de desenvolvimento de operações e tecnologia checou a conformidade (ou não) das 30 especificações técnicas padronizadas pela empresa em 2009, identificando quais áreas serão impactadas por cada item.

Os tópicos (entre estrutura, cimbramento, fôrma, concreto etc.) foram segmentados então em grupos de cinco, e hoje estão sendo debatidos, área por área, em reuniões sistemáticas e periódicas. “A partir das informações compreendidas nessas reuniões, a área de projetos, por exemplo, transmite o escopo de informações aos projetistas terceirizados”, comenta Leomil. Paralelamente, a empresa tenta mensurar os custos de todas as implicações investigadas. “Interligar tudo isso é o grande ‘x’ do negócio”, diz.

Leia a matéria na íntegra: http://revista.construcaomercado.com.br/negocios-incorporacao-construcao/106/voce-esta-pronto-norma-de-desempenho-entra-em-vigor-170921-1.asp








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