Ministério do Planejamento divulga metodologia de gerenciamento de projetos

8 05 2012

(Mundo PM) 8/05/2012

O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão através da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação(SLTI) está divulgando a Metodologia de Gerenciamento de Projetos do SISP (MGP-SISP). A MGP-SISP está publicada no endereço, www.sisp.gov.br/mgpsisp , onde está disponível a metodologia e os artefatos para download, os processos em formato interativo e outras informações sobre a obra.

Auxiliar os órgãos públicos a melhorar suas práticas de gestão e governança. Esta é a proposta da Metodologia de Gerenciamento de Projetos do Sistema de Administração de Recursos de Tecnologia da Informação (SISP), disponibilizada, nesta sexta-feira (30), no portal do SISP.

A proposta da publicação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) é fornecer subsídios para os órgãos alinharem os processos de trabalho, criarem a documentação adequada e padronizarem o gerenciamento de projeto de TI por meio de boas práticas na área. “O objetivo é aumentar a eficiência e efetividade em projetos e assim melhorar a governança no setor”, explica Delfino Natal de Souza, secretário de logística e tecnologia da informação.

Para elaborar a metodologia, foram realizadas visitas aos órgãos da administração pública federal. Essas permitiram aos técnicos da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação (SLTI) conhecer a realidade do gerenciamento de projetos nessas instituições, captar as melhores práticas e consolidá-las na metodologia. De acordo com o secretário, a ideia é que a publicação se torne uma referência para as organizações que planejam implantar metodologia de gerenciamento de projetos, podendo criar um escritório específico para a disciplina.

O SISP é a estrutura de governança pública utilizada pelo governo federal para a organização do trabalho, controle, supervisão e coordenação da área de TI na administração direta, autárquica e fundacional. A SLTI é o órgão central do sistema, que conta com a participação de mais de 180 organizações.

Link de acesso para metodologia de gestão de projetos: Metodologia GP ministério





Lançamentos imobiliários caíram 38,4% na região metropolitana de São Paulo

8 05 2012

(Piniweb, Aline Rocha) 8/05/2012

Construtoras lançaram 6.327 mil unidades no primeiro trimestre do ano

Os lançamentos residenciais na capital paulista caíram 29,2% nos primeiros meses de 2012, segundo informações da Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). Até março de 2011, foram 5.133 mil unidades lançadas, enquanto neste ano, o número total é de 3.635 mil. A empresa acredita que estes dados indicam processo de ajuste ao desequilíbrio entre o volume de lançamentos e vendas do ano passado.
Já a arrecadação com as vendas de residenciais novos na cidade subiu 27% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2011. De acordo com pesquisa sobre o mercado imobiliário divulgada pelo Secovi-SP nesta terça-feira (8), foram vendidos em 2012 R$ 2,73 bilhões, contra R$ 2,15 bilhões no primeiro trimestre do ano passado.

O Departamento de Economia e Estatística, responsável pela pesquisa, encontrou dado semelhante a respeito do número de unidades vendidas. O aumento na capital paulista foi de 26,6%, com 5.400 imóveis comercializados. De janeiro a março de 2011, foram comercializados 4.265 imóveis. Em relação às vendas anuais (de abril de 2011 a março de 2012), o número foi superior ao mesmo período anterior: 29,4 mil unidades vendidas neste último ano contra 28,3 mil.

As unidades de dois e três dormitórios tiveram participação considerável nas vendas deste primeiro trimestre, com salto de 72,9% para 81,9%. Só os residenciais de dois dormitórios representaram 50% das vendas este trimestre, com 2.702 mil unidades vendidas. Os apartamentos com somente um dormitório foram os que tiveram menor representação nas vendas, com 7,8%.

Região metropolitana
O cenário muda na região metropolitana de São Paulo, que inclui a capital e mais 38 municípios, com queda de 4,5% no período. No trimestre foram vendidas 9.703 unidades, contra 10.162 mil no mesmo período do ano passado. Os lançamentos apresentaram maior queda. Com retração de 38,4%, foram lançadas 6.327 mil unidades (no primeiro trimestre de 2011, este número chegou a 10.277 mil). A pesquisa ressalta que a contribuição de São Paulo nos dados metropolitanos é relevante, pois foi ampliada para 55,65% este ano (em 2011, a cidade representava 41,97% do total de vendas).

De acordo com a pesquisa do Secovi-SP, a perspectiva é de que o mercado busque um equilíbrio entre a oferta e a demanda nos próximos meses, com 5% de redução nos lançamentos e crescimento de 10% nas vendas. O setor também espera melhorias no mercado a partir da redução dos juros, geração de emprego formal e crescimento da renda média.

 





Eólica cresce em progressão geométrica

23 03 2012

(Redação Arcoweb)23/03/2012

Até 2020, 10% da energia distribuída no país será de fonte eólica, o que poderá reduzir custos dos insumos para a construção civil, com forte dependência de energia em seu processo produtivo.


No mês de abril de 2008, foi inaugurado no Bahrein o primeiro edifício comercial do mundo equipado com turbinas de vento para gerar eletricidade, que proverá de 11% a 15 % da energia elétrica que consome.

Aos poucos, a energia eólica conquista espaço na construção civil com objetivo de reduzir os custos no consumo de energia dos edifícios comerciais e residenciais. Há exemplos – todos bem sucedidos – em várias partes do mundo, como em Bahrein, na Arábia Saudita, em Londres, em Porto Alegre ou na Praia Grande no Litoral Paulista. No Brasil, a empresa que tem atuado fortemente na instalação de equipamentos de micro geração de energia para o mercado residencial e comercial é a Energia Pura, responsável pela implantação do sistema de geração eólica no edifício Eolis, em Porto Alegre; na Câmara Municipal de São José, em Santa Catarina; no condomínio de 58 residências na Praia Grande, São Paulo; e na Mormaii, empresa localizada na cidade de Garopava, em Santa Catarina, a primeira fábrica brasileira a utilizar energia eólica.

Caio Martins, diretor comercial da Energia Pura, diz que a procura maior tem sido por empreendimentos comerciais e que a geração é sempre complementar e geralmente atende ao consumo das áreas comuns dos edifícios. Segundo ele a implantação não é complicada. Precisa de uma torre de aço galvanizado cuja altura depende da geografia do terreno, fundação, gerador complementar e cabeamento. Ronald Thomé, proprietário da Energia Pura, explica que o custo para instalar um equipamento de geração eólica num edifício de dez andares fica entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. “Temos projetos para área rural e litorânea. No litoral fica um pouco mais caro porque as torres de sustentação recebem tratamento de galvanização a fogo, para evitar a corrosão provocada pela maresia”, explica.

Com esse investimento, afirma, é possível gerar 300 kWh/mês, podendo chegar até a 900 kWh/mês, suficiente para abastecer com folga o consumo das áreas comuns, toda área externa do edifício, da escadaria de incêndio e até elevador, se for pouco utilizado. Ele diz que este rendimento precisa levar em conta o tipo de uso em cada projeto e a implantação da iluminação com lâmpadas e equipamentos que consomem pouca energia. Segundo Martins, “estes dados são genéricos, apenas para dar uma idéia das vantagens de se optar pela energia eólica”, afirma.


Edifício Eólis, em Porto Alegre, é o primeiro no Brasil a funcionar com energia eólica.

gerador instalado no edifício Eólis localizado na Avenida Carlos Gomes, considerada a “Avenida Paulista” de Porto Alegre pela grande concentração corporativa, tem capacidade para gerar 2600 watts, ou 2,6 kWh/mês. Segundo o engenheiro civil Christian Voelcker, vice-presidente e diretor de operações da Auxiliadora Predial, criadora e administradora do projeto, o investimento, em 2006, foi em torno de R$ 40 mil com previsão de amortização em oito anos. “O projeto do Eolis é de 2003, início da construção. Naquela época ninguém falava em sustentabilidade. Hoje estamos estudando a implantação de outra torre, podendo até triplicar a capacidade geradora”, conta.
O engenheiro explica que o sistema implantado no Eolis não depende de bateria. A energia gerada entra direto na rede distribuidora do edifício. O maior consumo de energia em todo o país se dá das 18h às 21h, quando os ventos na região de Porto Alegre são mais fortes, garantindo o fornecimento de energia barata ao edifício. “Nesse horário, podemos dizer que a energia pública é que é complementar ao nosso sistema”, afirma.

PIONEIRISMO

“A geração de energia eólica no país cresce em progressão geométrica”, afirma Telmo Magadan, presidente da Ventos do Sul e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). Segundo ele, o Brasil chegou tarde, mas está recuperando o tempo perdido. “O Proinfra – programa do governo federal para a infraestrutura dos municípios – começou em 2004. Tivemos leilões de energia em 2009 e 2010 e devemos ter outros leilões até 2013 ou 2014. Já foram contratados 5.200 MW de energia de matriz eólica para o sistema. Acreditamos que até 2020, em torno de 10% da energia distribuída será de fonte eólica,” afirma.

Magadan ressalta que o Parque Eólico de Ozório, no Rio Grande do Sul, é pioneiro no país. “Colocamos 150 MW no sistema. Somos o maior parque eólico do Brasil e da América Latina”, diz ao defender maiores investimentos para o Rio Grande do
Sul. “O Nordeste recebe mais investimentos, gerando um grande contraste. O maior consumo é no Sul e Sudeste, mas os investimentos ficam concentrados no Nordeste e não se dá incentivos para instalação de eólicas no Sul e Sudeste”, reclama. Ele acredita que, em breve, a política energética do país tenha de rever esse quadro. “No Nordeste sobra energia enquanto que o Rio Grande do Sul, que é importador e tem condições favoráveis para desenvolver a matriz eólica, não recebe incentivos. Lá tem fundos de apoio, incentivos estaduais, o que gera distorção”, comenta.

Segundo Renato Rolim, coordenador de Energia e Comunicações da Secretaria de Infraestrutura do Ceará (Seinfra), o maior volume de investimento vai para o Nordeste porque os índices de eficiência dos ventos são mais favoráveis. “Conforme comprovaram os estudos do primeiro Atlas Eólico, o potencial de energia eólica do Ceará é um dos maiores do Brasil em virtude do grande favorecimento dos ventos. Essa potência chega a 6 mil MW e, juntando-se ao litoral do Rio Grande do Norte, o potencial eólico-elétrico dessa área equivaleria à hidrelétrica de Itaipu, ou seja de 12 mil MW, o que corresponde a 25% da oferta de energia para todo o Brasil,” afirma, ao reforçar que o Ceará e o Rio Grande do Norte são líderes em potencial eólico no País.


O Strata Building, em Londres, é um edifício de 42 andares em Londres e obtém 8% de seu consumo de energia das três turbinas eólicas instaladas em sua cobertura. Elas devem gerar até 50 MWh de eletricidade por ano.
Segundo Rolim, no futuro a energia eólica poderá reduzir o custo final de produtos de empresas que tenham na energia seu principal insumo, como a indústria de cimento e a de alumínio, devido a contínua redução dos custos de investimento. Ele informa que, hoje, o investimento para se produzir um Mega Watt (MW) de energia elétrica de fonte eólica é de US$ 2 milhões, superior ao que é necessário para produzir por fonte hidrelétrica, atualmente a US$ 600 mil. Entretanto, o Brasil depende muito dos componentes importados, o que ainda encarece a implantação das usinas. “Não temos uma produção 100% nacionalizada nem dominamos essa tecnologia em sua totalidade. Por conta dessa situação, o governo federal eliminou as exigências de percentual de nacionalização dos equipamentos para as eólicas instaladas no País”, diz. Na opinião de Rolim, o investimento privado no setor pode ser benéfico para as grandes empresas. “A instalação de usinas eólicas pelas próprias indústrias poderia reduzir o custo da produção em grande escala, basta ver o preço da energia produzida no mercado livre”, afirma.

Para o presidente da Ventos do Sul, por enquanto a tendência é que a energia fique mais cara no mundo todo por conta dos investimentos para ampliar a oferta. “No Brasil, o que encarece a energia é a alta carga tributária. Uma medida que poderia ser adotada com rapidez seria a redução do ICMS, reduzindo o custo da energia para o consumidor final”, diz Magadan. Segundo ele, o preço da eólica no último leilão foi de R$ 130,00 por MW, valor abaixo das demais fontes alternativas, perdendo apenas para as grandes hidrelétricas.

SEGURANÇA ENERGÉTICA

Telmo Magadan afirma que “precisamos pensar a energia como uma questão macro estratégica, global-humanidade-Brasil”. Segundo ele, o mundo tem um desafio que é ampliar a oferta de energia e reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa e garantir a eficiência da produção e do consumo, deixando de desperdiçar energia. “Temos que ampliar o fornecimento de energia sustentável e garantir o crescimento econômico. É preciso equilibrar isso no mundo,” afirma.

Ele comenta o fato de o Brasil ser uma dádiva da natureza. “Temos todas as fontes de energia, hidrelétrica, solar, eólica, biomassa, nuclear, carvão, petróleo. Hoje, 90% da energia que produzimos vêm de fontes renováveis, sendo 85% de hidrelétricas e 5% de fontes alternativas, com a eólica dando um grande salto nos últimos anos”. Em sua opinião, “para garantir a segurança energética, o país não pode excluir nenhuma fonte de geração de energia, buscando a redução da poluição, baixando as emissões de gases que provocam o efeito estufa. No Brasil a geração de energia eólica cresce em progressão geométrica”, afirma.

Segundo Magadan, desde a criação do Proinfra o preço da energia eólica tem caído continuamente. É bom lembrar, diz ele, que a energia eólica é complementar ao sistema. “Mesmo assim a tecnologia do sistema melhora a cada dia e, hoje, o fator de capacidade de gerar energia por ano aumenta em torno de 15 a 20%, conclui.





Incorporadora dos EUA chega ao Brasil com R$ 1 bi para investir

28 02 2012

(Veja) 28/02/2012

Related Brasil terá time brasileiro e irá concorrer com Cyrela e PDG Realty

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com o plano de investir 1 bilhão de dólares em três anos, a incorporadora Related Brasil anunciou sua chegada ao país com uma meta ambiciosa: estar entre as maiores empresas do setor neste mesmo prazo. Criada a partir das incorporadoras norte-americanas The Related Group e Related Companies, a nova empresa começa a dar os passos iniciais em território brasileiro com a estimativa de destinar 120 milhões de dólares aos primeiros projetos, que devem ser lançados em cerca de três meses.

“A intenção é estar entre as maiores empresas (incorporadoras) em três anos”, disse o presidente-executivo da Related Brasil, Daniel Citron, que foi presidente no Brasil da gestora de investimentos imobiliários de alto padrão Tishman Speyer. Entre as maiores construtoras e incorporadoras do país estão a PDG Realty e Cyrela Brazil Realty.

Segundo Citron, o aporte de 1 bilhão de dólares – formado por recursos próprios e de terceiros- deve se converter em Valor Geral de Vendas (VGV) entre três e quatro vezes maior até 2014. Este ano, a empresa deve ter de três a quatro projetos no país. “De todas as possibilidades que olhamos, o país com maior potencial de crescimento nas próximas duas ou três décadas é o Brasil”, afirmou o cubano Jorge Pérez, um dos sócios da Related Brasil.

O Related Group, fundado em Miami por Pérez, e a Related Companies, criada por Stephen Ross em Nova York, estão entre as maiores incorporadoras dos EUA, com portfólio combinado de cerca de 20 bilhões de dólares. Ross também é sócio da Related Brasil. “Vemos (no Brasil) muitas das características encontradas nos Estados Unidos anos atrás”, acrescentou. Para atingir a meta de alcançar o topo do setor, a Related considera parcerias e até mesmo aquisições.

Com posicionamento nos padrões de renda médio e alto, a nova empresa ainda não formou um banco de terrenos e está negociando áreas para empreendimentos nos segmentos residencial, comercial (venda e locação), hoteleiro e projetos de desenvolvimento urbano.

Time brasileiro – Os sócios da Related Brasil se apoiam no argumento dela ser a única incorporadora de origem totalmente norte-americana a investir no país por meio da criação de uma empresa nacional. Com escritório sediado na região da avenida Faria Lima, em São Paulo, Citron está cuidando atualmente de compor a diretoria da companhia, que será composta por brasileiros. “Não queremos saber mais que os brasileiros… vamos trazer conhecimento. Estamos falando com empresas aqui, queremos firmar parcerias e ser uma empresa brasileira, não apenas ter um ou dois projetos”, disse Pérez.

Ele acrescentou que o grupo vem negociando parcerias em projetos com “grandes empresas” no Brasil, principalmente parcerias regionais. A Related também recorrerá a parceiros por não ter construtora própria. Embora não descarte operar em cidades carentes de terrenos como São Paulo e Rio de Janeiro, o comando da companhia está de olho na região Nordeste. “É mais fácil entrar onde os preços não subiram tanto, onde existe mais área disponível… o Nordeste oferece mais possibilidades”, disse Citron.

Inicialmente, a Related Brasil deve ter participação pequena nas operações do grupo norte-americano, mas a fatia tende a aumentar gradualmente e se tornar parte relevante, segundo Pérez. Embora a companhia tenha projetos isolados em outros países da América Latina, como México, Colômbia e Uruguai, o executivo ressaltou que o Brasil será “foco de atenção” do grupo agora.

‘Bolha’ de preços – Sob a sombra da possibilidade de formação de uma bolha imobiliária no Brasil, Pérez disse estar sempre preocupado, sobretudo se considerados os preços em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, quando comparados a Miami, por exemplo.”A preocupação é se os preços estão altos porque a demanda é alta e se a demanda cair eles vão cair também”, afirmou, ponderando que o Brasil tem a seu favor o aumento de renda da população e a migração de classes.

“Diferentemente dos EUA e da Europa, a classe com maior poder de compra está crescendo de forma muito mais forte, suportando o mercado”, assinalou.





Construtores querem tempo para aplicar regras

15 02 2012

(Baranoski, Gazeta do Povo) 15/02/2012

Corpo de Bombeiros amplia exigências para projetos das construções. Normas estão valendo desde janeiro, mas as empresas dizem que precisam de prazo maior

Mudanças feitas pelo Corpo de Bombeiros no Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico, que devem ser seguidas em todas as edificações no Paraná com área igual ou superior a 100 metros quadrados – excluindo as residências unifamiliares –, geraram polêmica entre entidades do setor. As mu­­danças estão explicadas por meio de 40 normas técnicas, que determinam providências a serem tomadas em todas as etapas da construção para evitar incêndios e promover maior segurança.

Todo o tipo de obra, desde prédios comerciais, museus, túneis rodoviários e cozinhas industriais até condomínios e centros esportivos, deve seguir o código. A norma determina regras específicas para materiais resistentes ao fogo, chuveiros automáticos, pressurização de escadas, saída de emergência, isolamento de edificações e hidrantes urbanos, entre ou­tros.

Para o projetista Rubens Zeni, entre as alterações mais significativas está a necessidade de saídas de águas com acionamento automático em caso de incêndio em prédios comerciais, que é uma estrutura cara. A obrigação de viabilizar o acesso a viaturas dos bombeiros em todas as áreas de condomínios fechados também é considerada relevante. “Isso pode alterar o layout de vários projetos, pois as vias de acesso terão de ser maiores”, comenta.

A norma foi publicada em 8 de outubro do ano passado e os construtores tinham 90 dias para colocá-la em prática – o prazo, portanto, se encerrou na segunda semana de janeiro. No entanto, o setor de construção considerou o prazo curto. De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR) o limite é inviável para os construtores. O Corpo de Bombeiros, pelo contrário, defende que o prazo utilizado é padrão e que houve apenas um desencontro de informações.

“Para os processos em andamento ou que já estão em fase de projeto, que vão passar pelo aval da prefeitura, mantém-se a regra an­tiga”, explica o major Emerson Luiz Baranoski. “A aplicação é para processos de novas obras”, completa.

Liminar

Diante do impasse entre prazo para adequação às normas e validade do documento, o Sinduscon-PR e o Conselho Setorial da Construção Civil da Federação das Indústrias dos Estado do Paraná (Fiep), preferiram acionar o Judiciário para vetar a decisão. Foi ajuizada ação ordinária questionando a legitimidade do documento e uma liminar favorável a entidade vetou a obediência às regras por parte das empresas ligadas ao Sinduscon-PR e à Fiep. Para as que não estão ligadas as entidades, as normas continuam valendo.

Os representantes do setor de construção civil reclamam ainda que não houve um debate antes das mudanças. “Não houve conversa ou treinamento para quem trabalha no setor. Sabemos que há boas mudanças, mas elas foram impostas e não discutidas”, aponta Nor­­mando Baú, presidente do Sinduscon-PR.

“Eles nos deram 90 dias para estudar e aplicar mudanças que estão num calhamaço de 600 páginas, não há tempo hábil. Além disso, não foram normas discutidas e consensuais”, argumenta. Segundo ele, projetistas e construtores ainda não tem idéia do impacto nos custos que a norma pode gerar.

“Sabemos que a medida é positiva, mas queremos nos resguardar e ter mais tempo para ficar de acordo com ela, sem fi­­car à mercê de sanções ou multas”, diz. “Nós seguramos o processo para discutir a medida e poder colocá-la em prática”, completa.

Lei impõe regra à publicidade de lançamentos

Uma lei municipal de dezembro de 2011 mudou a norma para artigos de publicidade dos lançamentos imobiliários. Agora, construtoras e incorporadoras têm de veicular nomes e registros dos profissionais da arquitetura e engenharia que assinam a obra. A normatização n.º 13.915/2011 abrange os autores dos projetos arquitetônico, de interior, urbanístico e de paisagismo.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (AsBEA-PR), Gustavo Pinto, a lei pode diminuir as irregularidades no setor. “Muitas vezes, pessoas que não estão habilitadas para projetar estão fazendo esse serviço. Com a obrigação desse registro nos produtos de publicidade impresso e on-line, vamos ter um controle melhor sobre isso”, defende.

Segundo ele, quem compra tem de começar a se relacionar de forma mais intensa com o imóvel, verificar o histórico daquele profissional. “Assim, aos poucos, conseguiremos mostrar que um bom projeto depende de bons profissionais”, avalia. Gustavo Pinto conta que cidades como o Rio de Janeiro e Porto Alegre já têm legislação dessa natureza.

Quem descumprir a regra receberá notificação por escrito para regularização do material em até cinco dias. Uma segunda notificação significa multa de R$ 1 mil a obrigação de regularizar o material em 24 horas. Se a notificação não for cumprida, a lei prevê apreensão do material.

O que muda

Veja as algumas mudanças propostas no Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico.

• Compartimentação de edificações – indicação é usar materiais isolantes entre andares e cômodos, a fim de evitar a propagação de incêndios.

• Dutos selados – espaços como o vão do elevador ou tubulações devem estar protegidas para evitar que o fogo se espalhe.

• Saídas de emergência – saídas de emergência e áreas de acesso para o Corpo de Bombeiros foram redimensionadas em função do número de pessoas que transitam no local.

Mediação

Crea quer promover debate

Para amenizar o conflito entre construtores e bombeiros, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), promove, a partir desta semana, debates sobre as normas de segurança contra incêndio e pânico em várias cidades do estado. A primeira foi realizada na segunda-feira, em Curitiba. A intenção da entidade é promover o diálogo. “Queremos atuar como intermediadores nessa questão”, aponta o presidente do Crea-PR, Joel Kruger. Ele, que prefere não comentar a polêmica entre Corpo de Bombeiros e o setor de construção, e diz que o papel do conselho será fazer a divulgação das mudanças e promover um acordo entre as partes.

Medidas formalizam o que já existia

A questão dos cuidados de segurança ganhou mais atenção do público depois do desabamento de três edifícios no Rio de Janeiro, no mês passado. A questão não tem muito a ver com o que está sendo discutido agora no Paraná – lá, a questão está, provavelmente, relacionada a reformas irregulares, e não a incêndio. Nesse segmento, muitas das medidas adotadas agora já estavam em uso. Segundo o major Emerson Baranoski, o Corpo de Bombeiros apenas formalizou algumas ações já adotadas pela construção civil. “A própria tecnologia do setor da construção civil já adiantava algumas coisas. Por exemplo, a partir da portaria, é obrigatório que hotéis incluam no projeto chuveiros automáticos contra incêndio. Mas isso já acontecia, porque ninguém prepara um hotel, por exemplo, sem esse tipo de sistema”, argumenta.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a nova regulamentação trouxe benefícios porque atualizou as normas e definiu pontos que eram motivo de dúvida no código anterior, que foi publicado em 2001. “Desde então estávamos estudando as alterações que têm de ser feitas para deixá-lo mais completo”, assinala o major.

O projetista Rubens Zeni, que estudou o novo código, afirma que as cláusulas ligadas a prevenção estão mais técnicas e completas. “Antes, as orientações que tínhamos eram superficias e geravam dúvidas tanto para os bombeiros como para os construtores”, admite. Mas ele entende que o prazo dado para adequação às normas não foi suficiente. “Isso é que está gerando confusão, porque as normas técnicas são detalhadas”, afirma. De acordo com o projetista, não é possível afirmar que, com as mudanças, haverá aumentos em custos da obra. “Vai depender de cada caso e de cada construção”, aponta.

 





Política Nacional de Mobilidade Urbana prioriza transportes públicos e não motorizados

13 01 2012

(Nilbberth Silva, da revista AU) 13/01/2012

Lei 12587 estabelece que municípios com mais de 20 mil habitantes precisam ter planos de mobilidade urbana para receber recursos federais no setor

Passa a valer dia 12 de abril a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que estabelece princípios, diretrizes e instrumentos para os transportes nos municípios. A política, instituída dia 3 de janeiro pela lei 12587/2012 estabelece que todos os municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes precisam ter planos de mobilidade urbana para receber recursos do governo federal na área.

Os municípios têm até 2015 para elaborar os planos, que devem ter como princípios a acessibilidade e a sustentabilidade ambiental e socioeconômica. Os planos também devem priorizar transportes não motorizados e coletivos, além da mitigação dos custos ambientais, sociais e econômicos dos deslocamentos urbanos. Para cumprir os objetivos, a lei permite que as prefeituras dediquem espaços exclusivos nas vias públicas para transportes públicos coletivos e criem pedágios urbanos. Os administradores devem aplicar todo o valor arrecadado em infraestrutura de transporte público e transporte não-motorizado, além de subsídios às tarifas de transporte coletivo.





American Institute of Architects apresenta os 28 projetos vencedores de seu prêmio de honra

11 01 2012

(Ana Paula Rocha, Piniweb) 10/01/2012

Gehry Partners LLP ganha a principal categoria da premiação. Conheça os demais escolhidos em arquitetura, interiores e design urbano

O American Institute of Architects (AIA) divulgou no dia 9 de janeiro os vencedores do 2012 Twenty-Five Year e Honor Awards. O primeiro prêmio elege edifícios de 25 a 35 anos, que resistem ao tempo mantendo o funcionamento de seu programa original e de seus aspectos criativos. Já a premiação de honra seleciona obras que exemplificam a excelência na arquitetura, arquitetura de interiores e design urbano. Ao todo, mais de 700 projetos foram analisados. A cerimônia de entrega dos prêmios será realizada na convenção anual do AIA, que acontece em Washington, nos Estados Unidos. Confira os escolhidos:

Prêmio Projeto de 25 Anos

“Gehry Residence”, de Gehry Partners LLP, em Santa Monica, Califórnia (EUA)

Prêmio de Honra em Arquitetura

“8 House”, de Bjarke Ingels Group (BIG), em Copenhague (Dinamarca)

“41 Cooper Square”, de Morphosis Architects, em Nova Iorque (EUA)

“The Gates and Hillman Centers for Computer Science”, de Mack Scogin Merrill Elam Architects, em Pittsburgo, Pensilvânia (EUA)

“Ghost Architectural Laboratory”, de Mackay-Lyons Sweetapple Architects, em Upper Kingsburg, Nova Escócia (Canadá)

“LumenHAUS”, de Virginia Tech Solar Team

“Pittman Dowell Residence”, de Michael Maltzan Architecture, em La Crescenta, Califórnia (EUA)

“Poetry Foundation”, de John Ronan Architects, em Chicago (EUA)

“Ruth Lilly Visitors Pavilion”, de Marlon Blackwell Architect, em Indianápolis (EUA)

“The Standard New York”, de Ennead Architects, em Nova Iorque (EUA)

Prêmio de Honra para Arquitetura de Interiores

“ARTifacts”, de Randy Brown Architects, em Omaha, Nebraska (EUA)

“Children’s Institute”, de Koning Eizenberg Architecture, em Los Angeles (EUA)

“David Rubenstein Atrium at Lincoln Center”, de Tod Williams Billie Tsien Architects, em Nova Iorque (EUA)

“HyundaiCard Air Lounge”, de Gensler, em Incheon (Coreia do Sul)

“Integral House”, de Shim-Sutcliffe Architects, em Toronto (Canadá)

“Joukowsky Institute for Archaeology & the Ancient World”, de Anmahian Winton Architects, em Providence, Rhode Island (EUA)

“Memory Temple”, de Patrick Tighe Architecture, em Los Angeles (EUA)

“Prairie Management Group”, de Goettsch Partners, em Northbrook, Illinois (EUA)

“Record House Revisited”, de David Jameson Architect, em Owings Mills, Maryland (EUA)

“The Wright at the Guggenheim Museum”, de Andre Kikoski Architect, em Nova Iorque (EUA)

Prêmio de Honra em Desenho Urbano e Regional

“Fayetteville 2030: Transit City Scenario”, da University of Arkansas Community Design Center, em Fayetteville, Arkansas (EUA)

“Grangegorman Master Plan”, de Moore Ruble Yudell Architects & Planners e DMOD Architects, em Dublin (Irlanda)

“Jordan Dead Sea Development Zone Master Plan”, de Sasaki Associates, em Amã (Jordânia)

“Master Plan for the Central Delaware”, de Cooper, Robertson & Partners e KieranTimberlake, na Filadélfia (EUA)

“Miami Beach City Center Redevelopment Project”, de Gehry Partners, West 8 e Hines Interests Limited Partnership, em Miami Beach (EUA)

“Portland Mall Revitalization”, de ZGF Architects, em Portland, Oregon (EUA)

“Reinventing the Crescent: Riverfront Development Plan”, de Eskew + Dumez + Ripple, em Nova Orleans (EUA)

“SandRidge Energy Commons”, de Rogers Marvel Architects, em Oklahoma (EUA)





Starbucks inaugura loja feita com contêineres

10 01 2012

(Exame.com) 10/01/2012

A estrutura foi projetada utilizando basicamente quatro contêineres e seguindo os padrões de construções sustentáveis do Green Building Council

São Paulo – A Starbucks inaugurou uma loja sustentável feita a partir de contêineres reaproveitados, que anteriormente haviam servido para transportar os cafés da marca por diversos lugares do mundo. Através desta iniciativa a empresa pretende incentivar a construção verde.

A unidade está localizada em Tukwila, Washington, e foi aberta em dezembro de 2011. A estrutura foi projetada utilizando basicamente quatro contêineres e seguindo os padrões de construções sustentáveis do Green Building Council para a obtenção do selo LEED, que deve ser conquistado em breve.

A loja funciona como drive-thru, mas também disponibiliza algumas mesas e cadeiras na área externa. Esta é a primeira construção da rede feita com contêineres, mas o conceito idealizado pelo arquiteto Tony Gale pode servir como modelo para outras lojas da rede.

Para conseguir a certificação, Gale projetou uma estrutura com um sistema eficiente de irrigação e aproveitamento de água; otimização e performance de energia para reduzir o consumo e os gastos; uso de energia verde; gestão de resíduos de construção; utilização de materiais reciclados e baixa emissão de gases de efeito estufa. “Nós fomos capazes de abrir nossas mentes para o uso de elementos que são normalmente destinados aos aterros”, declarou o arquiteto em entrevista ao site norte-americano Inhabitat.

Além de todo o benefício ambiental que esta construção proporciona, por reutilizar materiais antigos invés de optar por matéria-prima nova, ela também tem benefícios econômicos. Os gastos também são reduzidos, por causa da diminuição do consumo energético e dos custos operacionais do edifício.





A tenda dos horrores da Gafisa

9 01 2012

(Naiana Oscar e Giuliana Napolitano, da Exame) 9/01/2012

Demissões, falta de pagamento, uma aquisição desastrada: por que a Gafisa se tornou a empresa mais problemática entre as grandes do setor


Obra da Gafisa em Pão Paulo: baque com a operação de baixa renda

São Paulo – Não é à toa que os investimentos do bilionário americano Sam Zell são acompanhados de perto. Em 2006, ele vendeu por 39 bilhões de dólares sua empresa de imóveis comerciais, a Equity Properties. Foi o maior negócio da história do mercado imobiliário dos Estados Unidos — que, como se sabe, entrou em colapso meses depois.

No Brasil, Zell também aprontou das suas. Em maio de 2010, ele começou a se desfazer de ações da Gafisa, quarta maior incorporadora do país, da qual era sócio desde 2005. Quando decidiu vender suas ações, executivos que trabalham para Zell repetiram que ele não estava vendo nada de errado com a incorporadora: a venda fazia parte do ciclo natural de investimentos.

É impossível saber se a razão foi mesmo essa — ou se Zell estava farejando problemas na operação da Gafisa. O fato é que o investidor americano, mais uma vez, pulou do barco na hora certa. Certíssima, aliás. Nos últimos dois anos, as ações da empresa perderam quase 70% de seu valor na Bovespa.

Somente nos últimos seis meses, a queda foi de 35%. Aquela que foi uma das mais brilhantes estrelas da onda de aberturas de capital iniciada em 2004 é, hoje, uma companhia vista com desconfiança pelos investidores.

Os números mostram por quê. A Gafisa tem, hoje, o pior desempenho entre as grandes do setor. Sua rentabilidade é 79% menor que a média das principais concorrentes — Brookfield, Cyrela, MRV, PDG e Rossi. O endividamento é quase 40% maior. Mas os problemas não param aí.

Numa reunião com investidores no fim de novembro, Alceu Duilio Calciolari, presidente da Gafisa há cerca de sete meses, deu uma declaração que surpreendeu os interlocutores: ele admitiu não ter a dimensão real dos problemas da empresa.

Os executivos da companhia estão analisando a situação financeira de milhares de clientes de baixa renda que podem não ter como pagar pelos imóveis. Também estão revisando obras com problemas, que podem ser canceladas. “Esse mapeamento é um processo longo, que só vai terminar em 2012”, disse Duilio, como é mais conhecido, a EXAME.

Medidas emergenciais

Até que a amplitude do problema seja inteiramente conhecida, a Gafisa vem tomando algumas medidas emergenciais para administrar o caixa. Uma delas é negociar o pagamento feito a fornecedores. Segundo EXAME apurou, as notas com valor superior a 100 000 reais que venceram em novembro e dezembro só serão pagas nos próximos meses.

“Essa informação logo se espalhou e deixou os fornecedores assustados. Desde 2004, a empresa não fazia uma renegociação desse porte”, diz um ex-diretor da Gafisa que trabalha, hoje, na concorrência. Companhias como Gerdau e Votorantim reduziram o limite de crédito da incorporadora (procuradas, as empresas não comentaram).

Duilio diz que esse tipo de prática é normal e faz parte da “correria para atingir as metas do ano”. Além disso, a Gafisa demitiu 200 pessoas do escritório central, 10% de seu quadro de funcionários, na última semana de novembro.

Como ninguém parece saber ao certo o que vem por aí, é natural que a desconfiança em torno da companhia cresça. Com dificuldade para obter crédito de longo prazo, a Gafisa recorreu recentemente ao financiamento mais caro do mercado de dívida corporativa, a nota promissória.

É como um cheque especial: fácil de usar, mas com um custo alto. No início de dezembro, a incorporadora fechou a captação de 230 milhões de reais, para ser pagos em um ano, com taxas de juro que variaram de 125% a 126% do CDI, ou algo como 14% ao ano — a média do setor, para financiamentos de prazos até mais longos, fica em torno de 115% do CDI.

“A taxa é muito alta”, diz Guilherme Rocha, analista do Credit Suisse. Foi a primeira vez que a Gafisa emitiu uma promissória— e a companhia foi a segunda empresa do setor que usou esse instrumento em 2011, de acordo com a Anbima, associação que elabora estatísticas sobre o mercado de capitais.

“Precisávamos levantar dinheiro rapidamente para colocar em curso uma decisão estratégica, mas ainda não posso dar detalhes do que é”, afirmou Duilio. Executivos do setor dizem que os recursos podem ser usados para pagar a última parcela da compra da empresa de loteamentos Alphaville, que vence no começo de 2012 (a aquisição da Alphaville foi feita em 2006).

Normalmente, esse tipo de pagamento é feito via troca de ações, para não haver desembolso de caixa, mas, como os papéis da Gafisa caíram mais de 50% ao longo do último ano, a alternativa ficou inviá­vel, já que a diluição dos atuais acionistas seria elevadíssima.

Nos últimos dois anos, faltaram de pedreiros a aço e cimento nas obras, e os custos explodiram. “A maioria das empresas não tinha estrutura para tanto crescimento. Quando elas perceberam os desvios, já era tarde”, diz João da Rocha Lima, pesquisador da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A Cyrela, por exemplo, teve um prejuízo de 533 milhões de reais com empreendimentos que custaram mais do que o previsto.

Só que a Gafisa tem uma enorme dificuldade a mais: a Tenda, incorporadora de baixa renda comprada em 2008 pelo que, na época, parecia uma pechincha — suas ações haviam desabado 60% semanas antes da aquisição. A aquisição da Tenda foi comemorada pelo mercado.

Mas até hoje a empresa não deu o retorno esperado — na verdade, não deu retorno algum e gerou problema atrás de problema. Segundo o próprio Duilio, a rentabilidade dos projetos da Tenda é próxima de zero, quando deveria estar entre 10% e 15% pelas projeções feitas no momento da compra.

“O foco da Tenda era volume, não execução. Eles lançavam, mas não tinham capacidade de entregar”, diz Luiz Maurício de Garcia, analista de construção da corretora do Bradesco e ex-gerente de relações com investidores da Gafisa. Os novos donos só perceberam isso após a aquisição, e hoje tentam calcular o tamanho dos problemas herdados.

Há casos de empreendimentos que custaram 50% mais do que se previa inicialmente e outros que foram construídos sem respeitar o projeto original. Além disso, constatou-se que a Tenda tinha um sistema de análise de crédito rudimentar. Dos 32 908 clientes que compraram seus imóveis, só 5 380, pouco mais de 16%, têm condições de pagar o que devem hoje.

Cerca de 5 000 não têm o perfil necessário para contratar um financiamento imobiliário e, por isso, a Gafisa vai devolver a eles o que já pagaram pelos imóveis e revendê-los. O restante está em análise.

A empresa também está revisando a situação de 81 canteiros de obra da Tenda. O objetivo é determinar quantas construções terão de ser canceladas por entraves ambientais ou erros de projeto. “Se essas obras forem canceladas, a empresa vai jogar no lixo o investimento já feito”, diz Alain Nicolau, colega de Garcia no Bradesco.

“É como se a Tenda fosse um tumor maligno dentro da Gafisa”, diz um executivo que deixou a empresa em 2011. “Os problemas trazidos por ela contaminam o grupo.” Quem era alocado para trabalhar com os empreendimentos da Tenda costumava ver isso como punição, já que sabia que a chance de conseguir cumprir metas e receber bônus era mínima.

Em janeiro, a Gafisa vai transferir os 250 funcionários que trabalham em projetos da Tenda (incluindo diretores) para outro prédio, na região central de São Paulo.

A explicação oficial é que, assim, eles poderão conhecer melhor o perfil dos clientes de baixa renda, porque o novo escritório fica no mesmo prédio em que funciona a loja mais movimentada da Tenda. Mas funcionários dizem que o objetivo real é separar as equipes da Tenda e da Gafisa para reduzir o mal-estar entre os profissionais.

Joia da coroa

A mudança faz parte de uma reestruturação mais ampla que a Gafisa anunciou há um mês. Daqui para a frente, só serão feitos lançamentos para clientes de baixa renda que tenham sido aprovados previamente pela Caixa Econômica Federal, com a garantia de que os compradores serão financiados pelo banco.

“Prefiro demorar mais para lançar a voltar a ter essas dificuldades. Há muita demanda na baixa renda, mas é fácil esses clientes perderem a capacidade de pagamento ao longo da construção”, diz Duilio. A maioria dos analistas aprovou a decisão da empresa de ser mais conservadora.

A Gafisa perdeu mais da metade de seu valor de mercado em 2011. É avaliada em pouco mais de 2 bilhões de reais, praticamente o mesmo que empresas menores, como Eztec e JHSF. Seu patrimônio é cerca de 75% maior que o valor em bolsa, um sinal de que suas ações estão extremamente baratas — e, por isso, a companhia foi procurada por fundos de private equity e outras incorporadoras.

“Todo mundo teve umas três reuniões nos últimos meses para falar de Gafisa”, diz o sócio de um fundo. O que mais interessa é a operação de Alphaville, o melhor negócio da Gafisa, com uma margem de lucro de cerca de 30%.

EXAME apurou que PDG e pelo menos dois fundos fizeram ofertas por Alphaville. “É a nossa joia da coroa. Não vamos vender”, diz Duilio. Vender Alphaville e ficar com a Tenda: eis uma troca que executivo nenhum gostaria de fazer.





A day made of glass

12 11 2011

 

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