Venda de Materiais de Construção cresce 20%

22 04 2010

(Gazeta do Povo) 21-04-2010

Depois de 12 meses de queda, março marcou o quinto mês consecutivo de alta nas vendas do setor de construção.

Crescimento é reflexo do bom momento do setor de construção civil e da base de comparação baixa

A indústria de materiais de construção apresentou crescimento de quase 20% no acumulado do primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado pelo apetite das grandes construtoras, estimuladas pelos incentivos governamentais no setor da construção civil, como a extensão do prazo de desoneração do IPI dos materiais de construção até o fim do ano, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o programa Minha Casa, Minha Vida.

O resultado superou as expectativas do setor, que esperava um resultado de 15% para os três primeiros meses do ano. Os números, no entanto, mostram um quadro de recuperação da indústria de materiais de construção, que chegou a acumular queda anualizada de 17% com a crise econômica – resultando em uma base de comparação baixa.

Março foi o quinto mês consecutivo com variação positiva do faturamento das vendas do setor na comparação com o mesmo período do ano anterior, após 12 meses consecutivos de quedas. Na comparação anual, março apresentou crescimento de 25,8%. Frente a fevereiro o avanço foi de 22,6%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, o índice ainda apresenta queda de 4,89%.

“O crescimento elevado foi observado tanto nos materiais básicos como nos de acabamento, refletindo a expansão da atividade do setor como um todo”, avalia a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat). A entidade aposta na continuidade do crescimento acelerado nos próximos meses.

Projeto quer reduzir a informalidade

Taiana Bubniak, especial para a Gazeta do Povo

Foi lançado ontem, em Curitiba, um projeto que busca promover a formalização de empregados por meio da articulação de redes locais. A iniciativa, chamada de “Redução da Informalidade por meio do Diálogo Social”, é do Departamento Instersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e conta com financiamento do Fundo Multilateral de Investimento (Fumin) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O valor estimado do investimento é de US$ 1,12 milhão.
Na capital, o setor da construção civil vai ser o foco do projeto. A meta é formalizar no mínimo 1.250 trabalhadores nos próximos 3 anos. De acordo com a coordenadora do programa, Rosane Maia, o segmento emprega cerca de 137 mil pessoas na região metropolitana de Curitiba, mas a taxa de informalidade chega a 47%.

“Nosso objetivo é fazer um trabalho coletivo para mobilizar a redução de trabalhadores desprotegidos dos direitos trabalhistas, dando visibilidade ao tema e construindo propostas e políticas que apontem para uma solução”, afirma o diretor técnico do Dieese, Clemente Gunz Lúcio.

Pesquisa
Setor prevê crescimento nos próximos seis meses

A indústria brasileira da construção civil está otimista, e aguarda um bom nível de atividade e de novos empreendimentos para os próximos seis meses. É o que revela a pesquisa Sondagem da Construção Civil, realizada mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No último levantamento, feito em março, o otimismo do setor se manteve estável em relação aos índices observados nos meses anteriores. A expectativa de atividade para os próximos seis meses caiu 1,1 ponto, para a marca de 67,3 pontos; mesmo assim, ficou bem acima da linha dos 50 pontos, que separa as tendências de otimismo e pessimismo. O mesmo ocorre com a expectativa em relação a novos empreendimentos, que caiu de 68,2 para 67,4 pontos.

Para o presidente da Fecomaco-PR, Adriano Montanari, o mercado aquecido não deve resultar na inflação dos preços para o consumidor. “[No varejo] os preços estão estáveis, e devem continuar assim nos próximos meses”, avalia.

Rogério Martini, da Acomac, avalia que a prorrogação da redução do IPI ajudou a estabilizar o mercado. A desoneração proporcionou uma queda média entre 3% e 5% no preço dos itens beneficiados. “[A prorrogação do IPI reduzido] evitou uma corrida às lojas, que poderia ter resultado na falta de alguns produtos e consequentemente no aumento dos preços”, avalia. (ACN)

“Basicamente, não é apenas a construção formal que anima o setor. Quando a economia está estável, as pessoas se encorajam e a tão sonhada reforma do imóvel acaba saindo do papel. Tudo isso alimenta a cadeia e tem reflexos na economia como um todo”, avalia o consultor do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Marcos Kahtalian.

Segundo o presidente da Federação das Associações dos Comerciantes de Materiais de Construção do Paraná (Fecomaco-PR), Adriano Montanari, apesar de aquecidas, as vendas do varejo não acompanham o mesmo ritmo apontado pela indústria. Isso porque cerca de 90% das vendas no varejo são formadas pelo chamado “consumidor formiguinha”, que compra materiais em pequenas quantidades para reformas e benfeitorias em imóveis próprios, com gasto médio de R$ 400 por compra.

Este é o caso do casal Juliana Silva Merege e Márcio Salmos, que desde novembro do ano passado vem tentando concluir a reforma da casa. “Compramos de acordo com o que precisamos no momento. Devido ao preço, achamos melhor ir gastando aos poucos, por isso a reforma está demorando para sair”, explica Salmos, que agora pretende terminar a rerorma do banheiro.

Já a professora Luciane de Albuquerque optou por comprar de uma só vez todo o material de acabamento para finalizar a construção de sua casa nos próximos dois meses. Como a compra ficou em R$ 10 mil, ela financiou o valor no cartão de crédito da própria loja, em dez vezes sem juros.

Segundo o vice-presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Curitiba (Acomac), Rogério Martini, o varejo da construção teve crescimento médio de 5% no ano passado, e espera um acréscimo de 8% em 2010.

“A melhoria do padrão de renda e a recuperação de empregos têm ajudado o mercado. Boa parte dos consumidores que migrou de uma classe social para outra está aproveitando os incentivos governamentais para recuperar o consumo reprimido”, avalia.

Martini aponta o financiamento através do Construcard, da Caixa Econômica Federal, como grande alavancador das vendas. “Seguramente, grande parte do crescimento está relacionado à essa forma de crédito. Isso vale para as pequenas, médias e grandes lojas.”





Dicas para comprar a casa própria e investir

22 04 2010

(Fabiane Ziolla Menezes – Gazeta do Povo)  21-04-2010

De linguagem fácil e direta, o livro Imóveis, seu guia para fazer da compra e venda um grande negócio acaba de ser lançado pela Editora Saraiva. A publicação é de autoria de Luiz Ca­­lado, economista, mestre em Ad­­mi­­nistração, vice-presidente do Ins­­tituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (IBEF) e gerente da área de educação da Associação Brasilei­ra de Entidades dos Mercados Fi­­nan­­ceiros e de Capitais (Anbima).

Com material vasto, mas tratado de forma objetiva, o livro auxilia o leitor na busca pelo primeiro imóvel da família, passando por como se preparar para o processo da documentação e do financiamento, e segue dando conselhos para quem pretende investir nessa área. À Gazeta do Povo, Calado respondeu algumas dúvidas cruciais de quem está na luta pela casa própria. Confira:

Sair para visitar alguns imóveis à venda é um bom caminho para procurar a casa própria?

Não. Se você procura um imóvel para morar, antes de iniciar as visitas precisa entender bem o quanto você pretende gastar, e quais as características do imóvel que deseja comprar, em termos de tamanho, número de quartos, dentre ou­­tros. O ideal é escrever o que pretende fazer num papel. Como o lado emocional conta muito na hora da compra, se você não tiver mapeado bem o que quer a chance de fazer um péssimo negócio é muito grande. O que mais ocorre é a compra de um imóvel acima do valor que se consegue pagar.

Quais os principais erros que as pessoas cometem ao comprar o primeiro imóvel?

É raro acertar na primeira vez, em tudo na vida. Apenas a experiência nos permite melhorar. Um grande erro que as pessoas cometem é não se preparar adequadamente para o desafio que é fazer um bom ne­­gócio com imóveis. É essencial ler muito a respeito, manter-se atualizado e conversar com pessoas que compraram imóveis. Sinto que o assunto ainda é tabu na nossa so­­ciedade, as pessoas não se sentem bem em falar sobre o financiamento que obtiveram, sobre a negociação para tentar obter um preço melhor, etc. Sem essa conversa franca e um estudo mais dedicado, é muito difícil aprender sobre o assunto.

No Brasil, a compra de um imóvel é, na maioria das vezes, um processo de endividamento, já que a maior parte dos brasileiros só consegue adquirir a casa própria por meio de financiamento. Qual a dica para deixar essa dívida a menor possível?

Economizar para dar uma entrada parruda. Assim se consegue uma parcela menor, ou ainda um prazo para quitação menor.

Os economistas e especialistas em Finanças Pessoais sempre recomendam que as parcelas do financiamento não devem ultrapassar 30% da renda da família. O que seria um exemplo prático de quanto uma família pode gastar sem correr o risco de ficar sem caixa?

Mais do que esse valor (30%), as fa­­­mílias têm até dificuldade em obter financiamento. Para uma família com renda de R$ 3 mil, uma parcela razoável seria R$ 900, considerando que eles pos­suam uma reserva para emergências.

Há uma hora certa para vender o imóvel?

Sim. As famílias vivem ciclos. Nos­­sos filhos nascem, o que nos motiva a morar em um lugar maior. Depois chega a hora dos filhos deixarem o lar, fazendo com que seu quarto fique sem utilização. A hora certa para vender o imóvel é bem antes desses acontecimentos. Só com tempo se consegue fazer um bom negócio. A pior coisa é uma família precisar, desesperadamente, vender um imóvel porque percebeu que está numa casa menor (ou maior) do que gostaria.

E para comprar o segundo imóvel?

O fato de já ter passado pela experiência de comprar um imóvel, pode fazer com que a aquisição do segundo, geralmente para investimento, torne-se equivocada. A dica é não comprar um imóvel pensando no que é bom para a sua família, mas sim pensar em algo que o mercado irá demandar. Por exemplo, algumas regiões têm falta de apartamentos pequenos, de um quarto. Aqueles que se anteciparam à demanda por essas residências, estão muito contentes, possuem algo com boa renda de aluguel e que se valorizou.





Quando vale a pena comprar um Imóvel?

17 03 2010

(Gazeta do Povo) – 14/03/10

Mercado nunca esteve tão favorável, com crédito em alta, juros baixos e aumento da oferta. Mas analistas alertam: a forte valorização dos últimos anos não se repetirá.

Com o crédito imobiliário batendo recorde e a perspectiva do aumento da oferta de lançamentos prevista para 2010, muita gente entrou o ano com a disposição de finalmente realizar o sonho da casa própria ou investir na compra de imóveis para revender ou alugar. Comprar um imóvel costuma ser a decisão financeira de maior impacto na vida de uma pessoa. Uma dívida que vai comprometer seu orçamento por até 30 anos e que depende de várias escolhas. Mas este é o melhor momento para essa decisão?

Não há dúvida, entre os especialistas, de que o mercado nunca esteve tão favorável para quem quer comprar. A Caixa Econômica bateu recorde de R$ 47 bilhões em financiamentos em todo o país em 2009 e promete repetir o feito em 2010. Somente em Curitiba, o banco deve financiar R$ 2 bilhões – 42% mais do que no ano passado e nove vezes mais do que há cinco anos. Os juros mais baixos e a retomada do crescimento da economia prevista para este ano trouxeram mais confiança para o investidor. O Programa Minha Casa, Minha Vida, lançado há quase um ano, por outro lado, promete cumprir a meta de construção de um 1 milhão de moradias para famílias com renda até dez salários mínimos.

Mas os especialistas dizem que, apesar do momento favorável, é importante ser o mais detalhista possível na hora de decidir se vale a pena comprar um imóvel.

Valorização
Em Curitiba, os imóveis vêm registrando uma trajetória de forte valorização. O preço do metro quadrado total de um apartamento usado de três quartos, por exemplo, se valorizou em média 23,2% ao ano entre 2005 e 2009, segundo dados do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar). O metro quadrado total passou de R$ 779 para R$ 1,8 mil.

Considerando-se uma inflação de 4,45% para o mesmo período, o retorno real por ano foi de 17,95%, calcula o consultor em finanças pessoais Raphael Cordeiro. “Trata-se de uma rentabilidade fantástica, mas que não se sustenta no longo prazo”, alerta. A tendência, nos próximos cinco ou dez anos é que o ganho acima da inflação caia para entre 6% e 7%. Tra­dicio­nalmente, o imóvel se encontra em um nível intermediário de lucro entre o mercado de ações e da renda fixa, mas tem a desvantagem de ter pouca liquidez, ou seja, não é negociado rapidamente.

“Os preços dos imóveis vão continuar a subir, mas não na mesma proporção da que se viu nos últimos anos. Curitiba era uma das capitais mais baratas do país e fez uma valorização rápida de preços nos últimos anos. A meu ver, a grande correção já foi feita”, diz André Paes, professor do FAE Centro Universitário e diretor da consultoria Infinity Asset Management.

Troca
Para quem pretende trocar o aluguel pela casa própria, o momento é “agora”, na avaliação de Marcos Kahtalian, consultor do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Paraná. Além da Caixa Eco­nômica Federal, que hoje representa 70% do mercado, os bancos privados vêm reforçando a aposta nesse segmento, inclusive com guerra de taxas para disputar o cliente. A má notícia, nesse caso, é que os preços estão salgados. Em alguns bairros, os preços de Curitiba já encostam nos praticados em São Paulo.

Longo prazo
A estratégia da casa própria também tem que estar casada com um planejamento de longo prazo. Para quem costuma mudar de cidade de tempos em tempos, como representantes comerciais, executivos de multinacionais ou gerentes de bancos, por exemplo, comprar um imóvel e comprometer a renda pode ser uma dor de cabeça. “É preciso levar em consideração que o imóvel não é vendido do dia para noite”, diz Raphael Cordeiro.

O ideal, segundo os especialistas, é que a entrada seja de 30% a 40% do valor do imóvel para, assim, deixar a prestação mensal a menor possível. O gerente regional de negócios para construção civil da Caixa Econômica, Gueber Roberto Laux, recomenda que o comprometimento da renda não supere 25% – embora o limite seja de 30% –, para manter uma folga no orçamento em caso de dificuldades. “É preferível a família comprar um imóvel menor, que absorva menos do orçamento, do que investir em algo maior e ter mais dificuldade para pagar. Se com o tempo ele ficar pequeno, é possível vender esse e comprar outro”.

Quem compra e quem vende também tem que levar em conta as taxas adicionais, como transferência de propriedade e tributos, que levam 3% do valor, além de gastos como instalações. Na venda, 6% ficam com a corretora, além da necessidade de pagamento, em alguns casos, do Imposto de Renda, que absorve até 15% do lucro da transação. Quem compra um imóvel usado, por outro lado, precisa considerar o custo eventual das reformas, que podem consumir o equivalente a até 10% do valor do imóvel.

Nova fase
Segundo o proprietário da Habitec Imóveis, Luis Fernando Koehler de Camargo, o mercado imobiliário de Curitiba entra agora em uma nova fase, com o aumento do número da oferta de imóveis prontos. “O comprador poderá pesquisar mais para achar a melhor opção”. Um fator que começa a pesar em Curitiba e que deve ser considerado é o tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho, segundo Gerson Carlos da Silva, diretor geral da Galvão Planejamento Imobiliário e Vendas. Por conta do tráfego, as pessoas estão demorando mais para se deslocar na cidade.

Para o investidor, os especialistas recomendam especial pesquisa sobre a localização e o potencial de valorização dos bairros nos próximos anos. Um levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Paraná revela que os bairros Mercês, Bigorrilho, Água Verde, Vila Izabel, Juvevê e Cristo Rei, Seminário e Campo Comprido são os mais procurados. Além disso, qualquer obra de grande impacto – como a Linha Verde, por exemplo – costuma gerar valorização dos imóveis no longo prazo.

Para os analistas, o mercado imobiliário deve seguir aquecido nos próximos anos, no embalo do crédito. Projeções de consultorias e instituições financeiras estimam que a proporção do crédito sobre o Produto Interno Bruto (PIB) deve alcançar 53% em 2010. O crédito imobiliário é o que mais tem potencial para crescer – representa hoje cerca de 3% do PIB brasileiro, bem inferior à proporção encontrada em países como Chile (11%), México (15%) e Espanha (60%). A previsão é que ele possa alcançar 10% em cinco anos.





Klabin Segall finaliza Reestruturação de dívida

15 07 2009

(Jornal O Valor) – 15/07/09

Após quatro meses de negociação, a construtora Klabin Segall concluiu a reestruturação da sua dívida e abriu caminho para a entrada de um novo sócio no capital: o espanhol Enrique Bañuelos, da Veremonte. O alongamento do passivo era condição para a concretização do ingresso do novo acionista e o recebimento de um aporte de capital.

“Conseguimos uma solução definitiva para o problema financeiro de curto prazo da empresa, e as novas características da dívida já foram aceitas pela Veremonte”, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da construtora, Carlos Eduardo Malagoni.

Ao fechar acordo com a Veremonte e a Agra para um aporte de capital de R$ 110 milhões, a Klabin Segall acertou prazo até 15 de julho para a renegociação da dívida, o que foi cumprido. “Agora, a entrada do sócio está condicionada apenas à aprovação dos acionistas da Klabin em assembleia, que será no dia 30 deste mês”, disse o executivo. No fim da operação, a empresa formada por Veremonte e Agra terá o controle da construtora.

A renegociação da dívida anunciada ontem envolve duas emissões de debêntures, no valor total de R$ 432,5 milhões. Com o preço corrigido, esses papéis correspondem a quase 70% da dívida bruta da empresa, de R$ 677,9 milhões em março.

Conforme antecipado pelo Valor, o pagamento dos juros das debêntures, previsto para este ano, foi em grande parte adiado. Dos R$ 63 milhões de 2009, apenas R$ 13 milhões serão desembolsados.

Em relação à primeira emissão de debêntures, de R$ 202,5 milhões, os juros deste ano serão pagos em duas partes: 20% no dia 15 do próximo mês e 80% em 15 de agosto de 2010. O vencimento final da colocação será em 2013.

Sobre a segunda emissão, de R$ 230 milhões, os juros deste ano serão quitados da seguinte forma: 20% em 5 de agosto e 1º de outubro de 2009 e 80% serão incorporados ao valor principal e pagos nas datas de amortização dos papéis (40% em 2011, outros 40% em 2012 e o restante em 2013).

Para obter a aprovação dos credores, a Klabin Segall elevou a remuneração das debêntures da segunda emissão, de CDI mais 2% para CDI mais 3% ao ano.

A remuneração da primeira emissão ficará praticamente como o previsto. A primeira série permanece com CDI mais 3% e a segunda, com IPCA mais 13,4%, sendo que em 2010 esta última passa a IPCA mais 12%. “Foi uma concessão feita pelos credores”, disse Malagoni.

Os credores da empresa são bancos, fundos de pensão, fundos de investimento e investidores institucionais, totalizando 20 agentes. Os maiores são Itaú, Caixa Econômica Federal, Funcef e UBS.

Esses credores também aceitaram a flexibilização de diversas cláusulas dos contratos das debêntures. “Tudo agora está adequado ao fluxo que deve ser gerado pela entrega dos empreendimentos da companhia”, afirmou o executivo.

Também neste ano, a Klabin Segall renegociou as condições de uma dívida com o Safra, de R$ 30 milhões, para capital de giro. O vencimento seria no dia 31 do próximo mês, mas, com a repactuação, a empresa ganhou carência de 12 meses para iniciar o pagamento, que será feito em 18 parcelas.

A construtora também tem uma linha de capital de giro com o Bradesco, cujas condições foram consideradas favoráveis e mantidas. Com isso, o desembolso total da companhia com dívida neste ano, contando juros e principal, deve somar R$ 38 milhões.





Mercado reaquece e companhias batem recorde de vendas até junho

15 07 2009

(Jornal o Valor) – 15/07/09

No primeiro semestre do ano passado, o setor imobiliário vivia uma de suas melhores fases. A bonança, porém, foi bruscamente interrompida pela crise global. Um ano mais tarde e o mercado surpreende-se com a reviravolta: as vendas não só se recuperaram, como superaram com folga um período aquecido. O programa habitacional popular do governo e a queda dos juros delineiam uma nova trajetória para o setor- de maneira mais evidente na baixa renda, mas também com recuperação significativa entre as classes média e média alta e em imóveis comerciais.

As prévias das vendas e lançamentos das empresas de capital aberto e a velocidade de vendas das companhias fechadas aponta um novo fôlego para o setor entre abril e junho. A mineira MRV, que atua no segmento de baixa renda há 30 anos, conseguiu o melhor desempenho de sua história, o que a coloca em um novo patamar de vendas. Sai de R$ 208 milhões de vendas em 2006 e as projeções é de que feche este ano entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,9 bilhões.

No segundo trimestre, a empresa vendeu R$ 850 milhões, com crescimento de 77% sobre igual trimestre de 2008, que já havia sido recorde. Sobre o primeiro trimestre deste ano, quando negociou R$ 430 milhões, a alta atinge 97,6%. “Devemos vender este ano de 25 mil a 30 mil unidades, depois de termos vendido 15 mil no ano passado”, afirma Rubens Menin, presidente da companhia. “Estamos mais perto das mexicanas Homex e Urbex e devemos passar este ano as americanas Lennar e Cetex”, acredita ele.

A MRV – que aumentou em 50% sua projeção de vendas – foi a primeira a voltar para a Bolsa depois que o mercado acionário melhorou. A empresa captou R$ 600 milhões na oferta pública ao preço de R$ 24,50, muito próximo dos R$ 25,00, preço da ação no dia anterior. Segundo Menin, o investidor estrangeiro está confiante no Brasil e no segmento de baixa renda, mas muito atento à qualidade e à trajetória de cada empresa.

Desde o anúncio do plano, o segundo trimestre foi considerado decisivo para mostrar o efeito do Minha Casa, Minha Vida sobre as empresas que atuam na baixa renda. Do total vendido pela MRV, pouco mais de 80% foi dentro do pacote. Segundo Menin, a MRV já vinha se preparando para crescer há cerca de três anos e agora, com produtos na prateleira, está conseguindo sair na frente. “Já fazemos o dever de casa, investindo em áreas como tecnologia e engenharia, há pelo menos três anos”, diz. Logo que o governo anunciou o pacote, a empresa já encaminhou à Caixa Econômica Federal os projetos e futuros lançamentos que poderiam se enquadrar no programa.

Ela não está só. Empresas fechadas com experiência na baixa renda também alcançam bons resultados. A Cury, joint venture com a Cyrela, havia feito um lançamento em São Miguel Paulista de preço médio de R$ 120 mil em fevereiro, que levou 45 dias para ser vendido. Há cerca de duas semanas, lançou a segunda fase, com imóveis na faixa de R$ 90 mil, e vendeu as 252 unidades em apenas dez dias. “Esse é o novo ritmo do mercado, por conta dos subsídios do governo”, afirma Fábio Cury. “Não vendemos mais, porque não tínhamos produtos aprovados”, afirma, acrescentando que o crescimento expressivo da companhia deve acontecer no segundo semestre, quando haverá cinco lançamentos.

De acordo com o presidente do Secovi, João Crestana, a Caixa Econômica Federal está com 600 empreendimentos em análise – que representam cerca de 100 mil unidades – e 100 aprovados dentro do pacote, o equivalente a 10 mil unidades. “Os cem primeiros dias do pacote mostram uma mudança importante no setor”, comenta Crestana.

Apesar do aumento das vendas sobre o ano passado, a atitude das empresas mudou muito em relação ao primeiro semestre de 2008. As empresas estão mais cautelosas nos lançamentos – que cresceram numa proporção menor que as vendas. O setor está mais racional na compra de terrenos e na hora de colocar novos produtos no mercado. Isso significa que as empresas estão conseguindo desovar estoques – um dos maiores problemas do final do ano passado.

Na Even, por exemplo, as vendas de estoque evoluíram de forma significativa no segundo trimestre, passando de R$ 29 milhões em abril para R$ 83,4 milhões em junho. No final do ano passado, a Cury tinha R$ 37 milhões em estoques e agora tem pouco menos de R$ 10 milhões.

Mas a recuperação não se limita aos imóveis para a baixa renda. O aumento do limite do SFH de R$ 350 mil para R$ 500 mil, medida inclusa no pacote, repercutiu nas vendas para a classe média. Do total dos estoques vendidos pela Even, 82% estão em imóveis no médio, médio alto e alto padrão.

A Eztec, que também atua nesse mercado e no de imóveis comerciais de pequeno porte, apresentou aumento expressivo de 70,6% sobre o desempenho do segundo trimestre de 2008. As vendas contratadas no trimestre encerrado em junho atingiram R$ 243,5 milhões. O montante comercializado até junho já representa 87,5% do total que foi vendido em todo o ano de 2008. “No mercado residencial houve um efeito psicológico fundamentado pelo Minha Casa, Minha Vida”, diz Emilio Fugazza, diretor de relações com investidores da Eztec. “E a queda dos juros favoreceu a venda de imóveis comerciais como alternativa de renda.” Dos R$ 243 milhões vendidos pela empresa, cerca de R$ 200 milhões foram de um empreendimento de salas comerciais.

A Brookfield, antiga Brascan, que atua nos segmentos comercial e residencial e que foi a primeira a revelar os números preliminares, vendeu R$ 568,5 milhões de abril a junho, alta de 77% comparado há um ano atrás. Outras empresas divulgarão prévia de resultado nos próximos dias e os números deverão vir na mesma direção.





Medidas do Governo Beneficiam Classe Média

6 07 2009

(O Valor) – 06/07/09

O foco e os subsídios mais generosos do programa Minha Casa, Minha Vida estão voltados para as famílias de baixa renda. Isso é fato. Mas a Medida Provisória 459, que criou o pacote habitacional – já passou pela Câmara e pelo Senado e está prevista para ser sancionada pelo presidente até quinta-feira – traz vantagens igualmente importantes para a classe média e até média alta. Com um empurrão providencial da queda das taxas de juros, a expectativa é que haja um avanço no mercado imobiliário como um todo. “A classe média vai pegar carona nos benefícios do plano habitacional do governo”, afirma Ubirajara Freitas, diretor-geral da Cyrela.

Pelo menos duas medidas começam a surtir efeito. As incorporadoras e construtoras já sentem um aumento nas vendas por conta da possibilidade do uso do FGTS para aquisição de imóveis de até R$ 500 mil – contra o teto anterior de R$ 350 mil. Outra medida incluída pelos parlamentares de última hora, a volta da Tabela Price (sistema de financiamento pré-fixado) teve aceitação quase unânime pelo setor.

A vantagem da Tabela Price, segundo os incorporadores, está no fato de o sistema começar com uma prestação menor do que a SAC (sistema de amortização constante). Como, no Brasil, a conta que se faz é se a prestação cabe no bolso, muita gente saía desencorajada ou simplesmente não conseguia se enquadrar nas tabelas SAC e Sacre (sistema de amortização crescente), cujas prestações diminuem com o tempo. (ver texto abaixo).

“A Price atinge um nível de comprometimento de renda menor, de quem antes não conseguia aprovação, e também viabiliza o financiamento de imóveis de maior valor”, afirma Ademar Larine, presidente da Credipronto, joint venture entre o Itaú e a imobiliária Lopes. A Credipronto não adota o sistema Price, mas tem intenção de incorporá-lo assim que a lei for sancionada. Para Freitas, da Cyrela, o sistema Price amplia o uso de potenciais compradores de forma expressiva. “É uma mudança importantíssima para o setor”, confirma o diretor do do Sinduscon, Sérgio Porto.

A Caixa Econômica Federal -principal agente financeiro do setor imobiliário – ainda não usa o sistema Price, modelo de financiamento adotado em vários países. Em 2008, a CEF respondeu por 72% das unidades habitacionais financiadas no país, mas este ano, após a crise, a carteira imobiliária do banco cresceu para 85% das unidades financiadas no país. Boa parte dos bancos privados dispõe desse modelo de cobrança, mas há os que preferem não adotá-lo por conta de possíveis questionamentos jurídicos.

Trata-se, porém, de um diferencial importante. A incorporadora Even deixou de fechar o financiamento com um banco que não tinha tabela Price por outro que trabalha com o sistema. “Preferimos a tabela Price, que vai no limite da renda e traz um público maior”, diz Dany Muskat, diretor de relações com investidores da Even. “Para nós, quanto mais oferta de financiamento imobiliário houver na prateleira, melhor”, diz Luiz Rogélio Tolosa, diretor de relações com investidores da Brookfield, antiga Brascan que adotou o nome da controladora canadense.

A classe média se financia, em grande parte, pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que destina 65% dos recursos da poupança para o financiamento habitacional. De um lado, com a queda das taxas de juros, a poupança deve receber mais recursos e drenar mais dinheiro para o setor. De outro, novas modalidades de crédito devem fomentar a trajetória ascendente do crédito imobiliário. A expectativa este ano é que o volume de contratações chegue perto de R$ 30 bilhões, ante R$ 23,3 bilhões no ano passado e R$ 15,2 bilhões em 2007.

A MP também prevê o fim da venda casada de seguro e financiamento imobiliário – um avanço importante para o setor. Os bancos estão obrigados a oferecer aos clientes apólices de mais de uma seguradora e caberá aos clientes escolher a alternativa mais vantajosa. O Conselho Monetário Nacional está para aprovar a nova regulamentação dos seguros vinculados a financiamentos. Na avaliação de João Crestana, presidente do Secovi, a medida é positiva principalmente porque o seguro chega a representar 30% do valor do financiamento, dependendo da idade. “Com a concorrência, certamente o preço vai cair”, diz.

A desburocratização da Caixa Econômica Federal – uma das promessas mais questionadas do plano habitacional – e dos cartórios deve chegar à classe média, mas a médio prazo. É consenso entre os profissionais do setor que a mudança não acontece em um espaço curto de tempo. Na opinião de Crestana, o efeito começa a ser sentido daqui a um ou dois anos.

“Se a Caixa não terceirizar ou procurar outras alternativas, vai se afogar”, diz Sérgio Porto, do Sinduscon. “Só quem precisa aprovar um projeto na Caixa sabe o quanto é moroso e complicado”, acrescenta Porto, dono de uma construtora em São José dos Campos. “Foi só dizer que o trabalho aumentaria que os funcionários entraram em greve”, diz um executivo do mercado, que também defende a terceirização ou o repasse aos bancos privados.

Essas medidas – sejam as mais imediatas ou mais demoradas – somadas à queda das taxas de juros e a retomada da confiança do comprador já repercutem nas vendas para a classe média. Mais otimistas, os incorporadores voltam a fazer lançamentos. Os imóveis acima da faixa mais alta do Minha Casa, MInha Vida (que vai até R$ 130 mil em São Paulo) – entre R$ 150 mil e R$ 300 mil – são os mais demandados. Quanto mais no “miolo” da classe média, melhor a resposta em vendas- aliás, há empreendimentos que já repetem os tempos de bonança do mercado.

Com isso, as empresas que não se enquadram no programa e não tiveram um reconhecimento rápido do mercado acionário por não estarem vinculadas à baixa renda, começam a ter bons resultados também. A Helbor lançou um residencial na região da Freguesia do Ó e do Bairro do Limão, na cidade de São Paulo, com 168 apartamentos de 2 e 3 dormitórios, com preço médio de R$ 180 mil. Vendeu tudo em uma semana. Lançou um segundo produto na Freguesia do Ó e está com 40% do empreendimento vendido.

“A queda das taxas de juros e o aumento do limite do SFH de R$ 350 mil para R$ 500 mil está impulsionando o setor”, afirma Henry Borenstein, vice-presidente executivo da Helbor.

A Even lançou um empreendimento na Vila Guilherme, com 155 unidades de aproximadamente R$ 190 mil. Segundo a empresa, o produto foi totalmente vendido em 12 horas. A empresa vendeu quase 100% de um prédio na Vila Ema, com preço de R$ 150 mil.





MRV aumenta em 50% projeção de vendas no ano

20 05 2009

João Marcos Rosa/Ag. Nitro, Daniela D’Ambrosio, (Jornal O Valor)

Menin, presidente da MRV, empresa hoje tem 9,1 mil pessoas nos canteiros de obras e deve encerrar o ano com 16,5 mil
O pacote habitacional do governo já coloca as empresas de construção especializadas na baixa renda em um novo patamar. Embora o plano tenha entrado em vigor no dia 13 de abril e, portanto, sem impacto nas vendas do primeiro trimestre, as companhias aproveitaram o momento de falar ao mercado para divulgar novas estimativas de lançamento e vendas.

Depois de a PDG Realty aumentar sua estimativa de lançamentos em 25% em média e de a Gafisa prever que a Tenda venderá mais do que ela própria – R$ 1,5 bilhão contra R$ 1,1 bilhão – a mineira MRV aumentou em 50% sua projeção de vendas diante da demanda adicional criada pelo “Minha Casa, Minha Vida”. A companhia, que sempre atuou no segmento econômico, estima vender este ano entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,9 bilhões, contra previsão anterior de vender entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2 bilhões. No ano passado, a MRV vendeu R$ 1,54 milhão. A meta é comercializar entre 25 mil e 30 mil unidades, contra 14,5 mil em 2008. “O ritmo da empresa mudou totalmente”, diz Rubens Menin, presidente da MRV. “Já temos 60 mil clientes cadastrados em nosso site interessados no programa.”

Além das projeções, os números de abril divulgados por algumas das companhias já dão o tom do novo cenário. A MRV vendeu, no mês de abril, R$ 270 milhões. O número representa quase 63% de tudo o que foi vendido no primeiro trimestre inteiro pela companhia – R$ 430 milhões. “Estamos otimistas porque o primeiro trimestre já havia sido muito bom para a companhia, apesar do ambiente econômico”, diz Menin. Na PDG Realty, as vendas aumentaram 36% em unidades em relação ao mesmo mês do ano passado e na Rodobens, as vendas de abril quase dobraram.

Embora as empresas não queiram aumentar suas despesas administrativas, o que impacta diretamente o resultado, estão contratando pessoal – mas em escalões mais baixos, onde os salários são menores. A equipe de vendas on-line da MRV saiu de 230 corretores para 330 corretores. A empresa mineira possui construtora própria e também deve aumentar os número de funcionários nos canteiros de obras. No primeiro trimestre de 2009, contava com 9,1 mil funcionários nas obras. Até dezembro, a meta é chegar a 16,5 mil empregados.

Mesmo quem já atuava no segmento econômico precisou se “enquadrar” melhor ao programa e está reduzindo os valores dos apartamentos – para aproveitar, principalmente, o universo de famílias entre três e seis salários mínimos, onde o subsídio do governo pode chegar a R$ 23 mil. O preço médio da MRV que era de R$ 110 mil no ano passado deve encerrar o ano em cerca de R$ 90 mil. A PDG aumentou de 14% para até 34% a estimativa de lançamentos entre R$ 70 mil e R$ 100 mil.

A receita líquida da MRV foi de R$ 272 milhões, 44% acima do mesmo período de 2008. O lucro líquido foi de R$ 49 milhões (com margem líquida de 18%), alta de 15% sobre o ano passado.








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