Construtores querem tempo para aplicar regras

15 02 2012

(Baranoski, Gazeta do Povo) 15/02/2012

Corpo de Bombeiros amplia exigências para projetos das construções. Normas estão valendo desde janeiro, mas as empresas dizem que precisam de prazo maior

Mudanças feitas pelo Corpo de Bombeiros no Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico, que devem ser seguidas em todas as edificações no Paraná com área igual ou superior a 100 metros quadrados – excluindo as residências unifamiliares –, geraram polêmica entre entidades do setor. As mu­­danças estão explicadas por meio de 40 normas técnicas, que determinam providências a serem tomadas em todas as etapas da construção para evitar incêndios e promover maior segurança.

Todo o tipo de obra, desde prédios comerciais, museus, túneis rodoviários e cozinhas industriais até condomínios e centros esportivos, deve seguir o código. A norma determina regras específicas para materiais resistentes ao fogo, chuveiros automáticos, pressurização de escadas, saída de emergência, isolamento de edificações e hidrantes urbanos, entre ou­tros.

Para o projetista Rubens Zeni, entre as alterações mais significativas está a necessidade de saídas de águas com acionamento automático em caso de incêndio em prédios comerciais, que é uma estrutura cara. A obrigação de viabilizar o acesso a viaturas dos bombeiros em todas as áreas de condomínios fechados também é considerada relevante. “Isso pode alterar o layout de vários projetos, pois as vias de acesso terão de ser maiores”, comenta.

A norma foi publicada em 8 de outubro do ano passado e os construtores tinham 90 dias para colocá-la em prática – o prazo, portanto, se encerrou na segunda semana de janeiro. No entanto, o setor de construção considerou o prazo curto. De acordo com o Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR) o limite é inviável para os construtores. O Corpo de Bombeiros, pelo contrário, defende que o prazo utilizado é padrão e que houve apenas um desencontro de informações.

“Para os processos em andamento ou que já estão em fase de projeto, que vão passar pelo aval da prefeitura, mantém-se a regra an­tiga”, explica o major Emerson Luiz Baranoski. “A aplicação é para processos de novas obras”, completa.

Liminar

Diante do impasse entre prazo para adequação às normas e validade do documento, o Sinduscon-PR e o Conselho Setorial da Construção Civil da Federação das Indústrias dos Estado do Paraná (Fiep), preferiram acionar o Judiciário para vetar a decisão. Foi ajuizada ação ordinária questionando a legitimidade do documento e uma liminar favorável a entidade vetou a obediência às regras por parte das empresas ligadas ao Sinduscon-PR e à Fiep. Para as que não estão ligadas as entidades, as normas continuam valendo.

Os representantes do setor de construção civil reclamam ainda que não houve um debate antes das mudanças. “Não houve conversa ou treinamento para quem trabalha no setor. Sabemos que há boas mudanças, mas elas foram impostas e não discutidas”, aponta Nor­­mando Baú, presidente do Sinduscon-PR.

“Eles nos deram 90 dias para estudar e aplicar mudanças que estão num calhamaço de 600 páginas, não há tempo hábil. Além disso, não foram normas discutidas e consensuais”, argumenta. Segundo ele, projetistas e construtores ainda não tem idéia do impacto nos custos que a norma pode gerar.

“Sabemos que a medida é positiva, mas queremos nos resguardar e ter mais tempo para ficar de acordo com ela, sem fi­­car à mercê de sanções ou multas”, diz. “Nós seguramos o processo para discutir a medida e poder colocá-la em prática”, completa.

Lei impõe regra à publicidade de lançamentos

Uma lei municipal de dezembro de 2011 mudou a norma para artigos de publicidade dos lançamentos imobiliários. Agora, construtoras e incorporadoras têm de veicular nomes e registros dos profissionais da arquitetura e engenharia que assinam a obra. A normatização n.º 13.915/2011 abrange os autores dos projetos arquitetônico, de interior, urbanístico e de paisagismo.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura no Paraná (AsBEA-PR), Gustavo Pinto, a lei pode diminuir as irregularidades no setor. “Muitas vezes, pessoas que não estão habilitadas para projetar estão fazendo esse serviço. Com a obrigação desse registro nos produtos de publicidade impresso e on-line, vamos ter um controle melhor sobre isso”, defende.

Segundo ele, quem compra tem de começar a se relacionar de forma mais intensa com o imóvel, verificar o histórico daquele profissional. “Assim, aos poucos, conseguiremos mostrar que um bom projeto depende de bons profissionais”, avalia. Gustavo Pinto conta que cidades como o Rio de Janeiro e Porto Alegre já têm legislação dessa natureza.

Quem descumprir a regra receberá notificação por escrito para regularização do material em até cinco dias. Uma segunda notificação significa multa de R$ 1 mil a obrigação de regularizar o material em 24 horas. Se a notificação não for cumprida, a lei prevê apreensão do material.

O que muda

Veja as algumas mudanças propostas no Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico.

• Compartimentação de edificações – indicação é usar materiais isolantes entre andares e cômodos, a fim de evitar a propagação de incêndios.

• Dutos selados – espaços como o vão do elevador ou tubulações devem estar protegidas para evitar que o fogo se espalhe.

• Saídas de emergência – saídas de emergência e áreas de acesso para o Corpo de Bombeiros foram redimensionadas em função do número de pessoas que transitam no local.

Mediação

Crea quer promover debate

Para amenizar o conflito entre construtores e bombeiros, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), promove, a partir desta semana, debates sobre as normas de segurança contra incêndio e pânico em várias cidades do estado. A primeira foi realizada na segunda-feira, em Curitiba. A intenção da entidade é promover o diálogo. “Queremos atuar como intermediadores nessa questão”, aponta o presidente do Crea-PR, Joel Kruger. Ele, que prefere não comentar a polêmica entre Corpo de Bombeiros e o setor de construção, e diz que o papel do conselho será fazer a divulgação das mudanças e promover um acordo entre as partes.

Medidas formalizam o que já existia

A questão dos cuidados de segurança ganhou mais atenção do público depois do desabamento de três edifícios no Rio de Janeiro, no mês passado. A questão não tem muito a ver com o que está sendo discutido agora no Paraná – lá, a questão está, provavelmente, relacionada a reformas irregulares, e não a incêndio. Nesse segmento, muitas das medidas adotadas agora já estavam em uso. Segundo o major Emerson Baranoski, o Corpo de Bombeiros apenas formalizou algumas ações já adotadas pela construção civil. “A própria tecnologia do setor da construção civil já adiantava algumas coisas. Por exemplo, a partir da portaria, é obrigatório que hotéis incluam no projeto chuveiros automáticos contra incêndio. Mas isso já acontecia, porque ninguém prepara um hotel, por exemplo, sem esse tipo de sistema”, argumenta.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a nova regulamentação trouxe benefícios porque atualizou as normas e definiu pontos que eram motivo de dúvida no código anterior, que foi publicado em 2001. “Desde então estávamos estudando as alterações que têm de ser feitas para deixá-lo mais completo”, assinala o major.

O projetista Rubens Zeni, que estudou o novo código, afirma que as cláusulas ligadas a prevenção estão mais técnicas e completas. “Antes, as orientações que tínhamos eram superficias e geravam dúvidas tanto para os bombeiros como para os construtores”, admite. Mas ele entende que o prazo dado para adequação às normas não foi suficiente. “Isso é que está gerando confusão, porque as normas técnicas são detalhadas”, afirma. De acordo com o projetista, não é possível afirmar que, com as mudanças, haverá aumentos em custos da obra. “Vai depender de cada caso e de cada construção”, aponta.

 





Prazo para a adequação de novos projetos de edificações à Norma de Desempenho será estendido

20 09 2010

(Pineweb) – 20/09/10

NBR 15.575 será revisada e projeto de emenda será publicado em dezembro de 2012.

Em reunião realizada hoje (20) pela manhã, o Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02), da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), decidiu submeter à consulta nacional a proposta de extensão do prazo para a adequação de novos projetos de edificações à Norma de Desempenho de Edificações. Até então, a data estipulada para a adaptação dos projetos à NBR 15.575 era 12 de novembro de 2010.

Como antecipado pelo portal PINIweb em 15 de julho , o CB-02 vai preparar um  projeto de emenda à norma. O trabalho de revisão se inicia na próxima semana e deve seguir até 12 de maio de 2011. A consulta pública sobre o novo texto da norma, as emendas e a consolidação de sua redação final acontecerão nos quatro meses seguintes. Desta forma, a norma com as alterações deverá ser publicada em 12 de setembro de 2011.

Depois da publicação, ainda haverá um prazo de seis meses para que o setor conheça as alterações feitas na norma. Dessa forma, o prazo para a adequação à norma deve ir até 12 de março de 2012.

O superintendente do CB-02, Carlos Borges, convocará para a próxima semana reunião a fim de formalizar a Comissão de Estudos que vai elaborar o projeto de emenda da norma.

Conflitos
A NBR 15.575 estabelece requisitos mínimos de desempenho, de vida útil e de garantia para os sistemas que compõem os edifícios, entre eles estrutura, pisos internos, fachadas e paredes internas, coberturas e sistemas hidrossanitários. Os critérios para definição desses requisitos são embasados nas necessidades do usuário de imóveis em quesitos como segurança, conforto, funcionalidade e durabilidade, entre outros.

A norma entrou em vigor no dia 12 de maio deste ano e estabelecia um prazo de seis meses para a adequação dos projetos. Em julho, entidades do setor, encabeçadas pela Câmara Brasileira da Construção Civil (CBIC), realizaram o workshop “Análise Compartilhada da NBR 15575 – Edifícios Habitacionais de até 5 pavimentos – Desempenho”, durante o qual decidiram que enviariam uma carta à ABNT, solicitando a revisão da NBR 15.575.

De acordo com comunicado enviado na época pela CBIC à reportagem, os participantes do evento reconhecem os avanços que a norma traz para o setor, no entanto, “o sentimento geral é de que o mercado não está preparado para atender imediatamente vários parâmetros exigidos na Norma. Por isso, ficou entendido que deve existir um prazo maior para a adaptação”.





Detalhamento de projeto de estruturas de aço – manutenção e vida útil

26 08 2010

(Revista Téchne) – ago/2010

A norma brasileira NBR 15575 – Desempenho de Edificações Habitacionais de Até Cinco Pavimentos, em vigor desde 12 de maio, estabelece requisitos e critérios de desempenho sob a ótica das necessidades do usuário. Essas exigências, antes subjetivas, tornaram-se requisitos técnicos, com parâmetros determinados. O prazo para adequação de projetos à norma é de seis meses. Assim, a partir de 12 de novembro, todos os projetos protocolados nas prefeituras devem estar de acordo com a Norma de Desempenho. A norma é dividida em seis partes. A primeira delas define as exigências dos usuários, que se transformam em requisitos tais como: segurança (contra incêndio, no uso e na operação), habitabilidade (estanqueidade, conforto térmico, conforto acústico etc.) e sustentabilidade (durabilidade, manutenibilidade e impacto ambiental). Cada requisito tem critérios mínimos definidos, ou, se for o caso, são indicadas as normas a serem consideradas.

A vida útil de projeto e a garantia
A norma define o que é a Vida Útil de Projeto (VUP), conceito que difere de prazo de garantia. A VUP é o tempo dentro do qual o edifício e seus sistemas devem atender aos requisitos de desempenho estabelecidos. Já o Prazo de Garantia é o pe­río­do de tempo no qual a ocorrência de defeitos não pode ser justificada por mau uso ou envelhecimento natural, garantido pelo construtor ou incorporador.

O projeto do edifício deve especificar a VUP para cada um dos sistemas que o compõe (estrutura, cobertura, vedação vertical externa etc.). Os sistemas do edifício devem ser adequadamente detalhados e especificados em projeto, de modo a possibilitar a avaliação da vida útil.

Os prazos mínimos de VUP para cada sistema da edificação são definidos conforme a tabela 1. Desse modo, as estruturas, independentemente de sua constituição, deverão apresentar uma vida útil de projeto de, no mínimo, 40 anos. A avaliação do critério de durabilidade é feita pela verificação do cumprimento das exigências estabelecidas em normas brasileiras que estejam relacionadas com a durabilidade dos sistemas do edifício. Exemplos de tais normas são a NBR 6118 (para as estruturas de concreto) e a NBR 8800 (para as estruturas de aço e estruturas mistas aço-concreto). A verificação pode ser feita, ainda, pela comprovação, por ensaios, da durabilidade dos elementos e componentes dos sistemas, ou, ainda, pela análise de campo, utilizando a inspeção de protótipos.

O atendimento à vida útil de projeto
A NBR 8800 trata do dimensionamento de edifícios habitacionais, comerciais, industriais, públicos e também das estruturas que compõem passarelas de pedestres e suportes de equipamentos. Vai, desse modo, além do escopo da NBR 15.575. O que diz essa norma a respeito da durabilidade? Onde a norma interage com a NBR 15.575 na avaliação da durabilidade? A norma, revisada em 20

08, inclui um anexo normativo – o Anexo N – que trata especificamente da durabilidade de componentes de aço frente à corrosão. Esse anexo é um poderoso auxiliar no atendimento da VUP mínima para as estruturas que pertencem ao escopo da NBR 8800.

Quais os pontos fundamentais no Anexo N?
Quando se considera a proteção frente à corrosão de uma estrutura de aço, uma distinção deve ser feita entre as medidas consideradas ativas e aquelas ditas passivas. As medidas passivas objetivam isolar a superfície metálica do ambiente agressivo – caso da pintura ou da galvanização. As medidas conhecidas como ativas, por outro lado, objetivam a prevenção da corrosão – ou sua minimização – pela interferência no processo de corrosão. Como exemplos, temos o controle da umidade relativa do ambiente, o uso de aços resistentes à corrosão atmosférica ou o emprego de boas práticas de detalhamento do projeto.

Escolha do sistema de proteção adequado
Uma estrutura localizada no cerrado brasileiro (por exemplo, Brasília) não necessita do mesmo sistema de proteção frente à corrosão empregado em um ambiente marinho ou industrial. Desse modo, a primeira etapa para uma correta especificação da proteção é a da qualificação da agressividade do ambiente. Esse enquadramento permite a obtenção do prazo determinado pela VUP a um custo mínimo. Mas como qualificar a agressividade de um ambiente?
A norma ISO 12944-2 pode ser utilizada para essa qualificação. Ela divide os ambientes atmosféricos em seis categorias de agressividade:

C1: Muito baixa agressividade
C2: Baixa agressividade
C3: Média agressividade
C4: Alta agressividade
C5-I: Muito alta agressividade, industrial
C5-M: Muito alta agressividade, marinho

A tabela 2 reproduz parte daquela existente na norma. Ela inclui exemplos típicos de enquadramento. Havendo dúvida na qualificação de um ambiente, a categoria de agressividade deve ser escolhida.

Métodos corriqueiros usados na proteção
A pintura e a galvanização dos componentes estruturais são meios comuns de proteção das estruturas. Mas como especificá-las corretamente? Existem várias fontes de consulta para uma correta especificação de um sistema de pintura. Uma das mais conceituadas é a norma ISO 12955-5. O manual intitulado “Projeto e Durabilidade”, do CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço), disponível gratuitamente para download no website do CBCA, traz alguns dos sistemas propostos por essa norma.Como especificar corretamente um sistema de pintura para uma estrutura (externa) localizada, por exemplo, na cidade de São Paulo? A tabela 2 permite enquadrar São Paulo na categoria de agressividade “C3″. Quais os sistemas que podemos escolher para a proteção da estrutura? A observação da norma – ou do manual – mostra várias possibilidades, desde sistemas de “baixa durabilidade”, que exigem manutenção a cada dois – cinco anos (por exemplo, um sistema alquídico com espessura seca de 120 micrômetros) até sistemas que necessitam de manutenção em prazos superiores a 15 anos (por exemplo, um sistema epoxídico com espessura seca de 200 micrômetros). É importante ressaltar que nenhum desses sistemas conseguirá vencer a VUP da estrutura sem intervenções para manutenção. Haverá, provavelmente, três grandes intervenções para repintura ao longo de, por exemplo, 40 anos.

Um sistema de pintura mais robusto – como o epoxídico citado acima – permite um menor número de intervenções ao longo dos anos. De modo geral, um sistema mais caro, aplicado ainda na confecção/montagem da estrutura, costuma ser muito mais econômico ao longo dos anos que um sistema de baixa durabilidade. Como especificar, por outro lado, a galvanização dos componentes? O período de proteção dado pela camada de zinco depende, fundamentalmente, para uma dada agressividade ambiental, da espessura da camada depositada. A norma ISO 12944-2 traz a perda de massa ou de espessura por unidade de área superficial para o zinco (e também para o aço) durante o primeiro ano de exposição, para ambientes de diferentes níveis de agressividade (C1, C2 etc.). A figura 1 traz esses dados em forma gráfica. Um ambiente C3 – como a cidade de São Paulo – é caracterizado, pela norma, por uma perda de zinco situa­da entre 0,7 e 2,1 micrômetros por ano, durante o primeiro ano. Assim, os 40 anos exigidos da VUP podem ser atingidos ou suplantados com uma espessura mínima de camada de zinco de 85 micrômetros (ou 610 g/m2) – um valor mínimo, a ser aplicado segundo a norma ISO 1461. A durabilidade do revestimento de zinco ficará situada entre (85/2,1) = 40,5 anos e (85/0,7) = 121 anos, isto é, nenhuma manutenção será necessária ao longo da VUP de 40 anos.

É importante ressaltar que cada caso é um caso. Existem situações em que a pintura é a forma mais econômica de proteção e situações em que a galvanização deve ser o caminho escolhido. Não tenha ideias pré-concebidas a respeito de um ou outro sistema. Não se deve esquecer que o zinco pode ser pintado, com vantagens. A soma dos tempos de proteção oferecidos pela galvanização e pela pintura é sempre maior do que as somas individuais – há sinergismo. Vamos, agora, abordar uma das mais importantes formas de se controlar o processo de corrosão. Trata-se da aplicação das boas práticas no detalhamento do projeto. É considerada uma medida ativa de controle da corrosão. O manual do CBCA e a norma ISO 12944-3 tratam desse tema com profundidade.

Figura 3 - Situação em que o acesso para inspeção e reparos é muito dificultado. Não existe espaço para o trabalho com o ferramental de manutenção. Trata-se da cobertura de uma piscina aquecida

Acessibilidade
Os componentes de aço devem ser projetados para a acessibilidade, com a finalidade da aplicação, inspeção e manutenção do sistema de proteção especificado. Espaços estreitos entre elementos devem ser evitados tanto quanto possível. Onde não seja possível evitar espaços restritos, por razões estruturais ou práticas, as recomendações descritas na figura 2 devem ser avaliadas. Algumas regras devem ser, sempre que possível, obedecidas, quando pensamos em acessibilidade:

- Todas as precauções de controle da corrosão incluídas no projeto devem ser inspecionáveis, repetitíveis e reparáveis com facilidade, para uma dada localização e ambiente. A figura 3 ilustra uma situação em que o acesso para inspeção e reparo é inexistente.
- A manutenção da pintura deve ser feita no menor tempo possível de execução, para a minimização de interferências, ou, então, deve ser tão espaçada (no tempo) quanto possível. Esta última opção é especialmente útil para estruturas, equipamentos e componentes localizados em pontos de difícil acesso.
- O projeto deve contemplar a redução do custo e do grau de dificuldade da manutenção subsequente a um mínimo, incluindo o desmonte e remonte eventual de componentes estruturais e equipamentos, limpeza, preparo de superfície etc.

Figura 4 - Menos, em geral, é mais. Simplifique as formas

Complexidade

A complexidade excessiva deve ser evitada. Dê preferência à simplicidade e praticidade. A figura 4 mostra como a complexidade pode dificultar – ou até impedir – a manutenção da estrutura. A retenção de água e sujeira deve ser evitada tanto quanto possível. As figuras 5 e 6 ilustram alguns exemplos de arranjos geométricos considerados bons e ruins.

Frestas
Frestas estreitas e juntas sobrepostas são pontos potenciais para o início da corrosão, devido à retenção de umidade e sujeira – incluindo a existência de qualquer abrasivo utilizado no preparo superficial. O problema potencial deve ser evitado selando-se a fresta. Pode-se utilizar um selante epoxídico, poliuretânico, ou mesmo um silicone que não libere ácido acético durante a polimerização. A figura 7 ilustra a promoção proposital, desnecessária, de frestas.

Figura 5 - Geometrias que facilitem o acúmulo de água devem ser evitadas: (a) uma simples pingadeira pode minimizar ou evitar o ingresso de água na alvenaria; (b) a disposição dos componentes pode promover ou não o acúmulo de água

Soldagem
O procedimento de soldagem é de grande importância no controle da corrosão. Evite cordões de solda intermitentes ou descontínuos. Eles podem reter pó, água etc. A água retida não será rapidamente eliminada, propiciando o ataque. A solda deve ser feita com qualidade e permitir a acessibilidade (figura 8). Os cordões de solda não devem possuir imperfeições (asperezas, espirros, furos etc.) que dificultem o recobrimento do sistema de pintura escolhido. Soldas feitas em campo muitas vezes são irregulares e tornam o recobrimento da tinta desuniforme. Haverá pouca tinta nos picos e muita tinta nos vales. O sistema de pintura, desse modo, não atingirá a durabilidade estimada pelo projetista. Outro problema trata da existência de escória, liberada pelo eletrodo, e não convenientemente retirada. As escórias são higroscópicas. Pelo fenômeno da osmose, o vapor de água migrará tinta adentro, até a interface metal/escória. O processo de corrosão, então, se instalará, e, mais uma vez, o sistema de pintura não atingirá a durabilidade estimada. A figura 9 ilustra o conceito.

Figura 6 - Geometrias que facilitem o acúmulo de água devem ser evitadas: (a) e (b) o detalhe do enrijecedor pode ou não promover o acúmulo de sujeira e água; (c) deve-se evitar utilizar cantoneiras costa a costa - como pintar o interior de cantoneiras com esta disposição?

Figura 7 - Frestas devem ser evitadas sempre que possível

Superfície
Contornos arredondados são preferíveis aos cantos vivos, pois permitem a uniformidade do sistema de proteção, caso a proteção seja dada pela pintura. Por conta da tensão superficial da tinta, as arestas receberão uma camada de tinta menos espessa do que aquela depositada sobre as superfícies planas. O revestimento aplicado sobre os cantos vivos apresentam, além disso, menor resistência aos danos mecânicos. Assim, recomenda-se que os cantos vivos sejam arredondados ou chanfrados (figura 10).

Figura 11 - Coloque os enrijecedores e assemelhados voltados às condições mais favoráveis (a), e não às menos favoráveis (b)

Onde e quando for possível, altere a localização dos enrijecedores e componentes semelhantes, do lado exposto às condições mais agressivas, para condições de exposição mais favoráveis (figura 11).

Componentes estruturais que serão decapados (por exemplo, aqueles destinados à galvanização) deverão possuir geometria (e também técnicas de fabricação) que promovam a continuidade da superfície, sem a criação de frestas, bolsões etc. Essa prática impedirá que o ácido utilizado na decapagem penetre e fique retido nas frestas, ocasionando um defeito que é costumeiramente conhecido como “choro” ácido. Caixas e tubos a serem galvanizados deverão possuir aberturas adequadas, permitindo a entrada e saída dos líquidos utilizados no processo (como, por exemplo, o ácido utilizado na decapagem).

LEIA MAIS
NBR 15575 – Edifícios Habitacionais de Até Cinco Pavimentos – Desempenho, Partes 1 a 6. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2008.
NBR 6118 – Projetos de Estruturas de Concreto – Procedimento.Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2007.
NBR 8800 – Projeto de Estruturas de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios. Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio de Janeiro, 2008.
ISO 12944-2 – Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 2 – Classification of environments. International Organization for Standardization, Genève, 1998.
ISO 12944-5 – Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 5 – Protective paint systems. International Organization for Standardization, Genève, 1998.
Projeto e Durabilidade. F. D. Pannoni. Instituto Aço Brasil/Centro Brasileiro da Construção em Aço. Rio de Janeiro, 2009. Disponível para download gratuito em
www.cbca-iabr.org.br.
ISO 1461 – Hot dip galvanized coatings on fabricated iron and steel articles – Specifications and test methods. International Organization for Standardization, Genéve, 2009.
ISO 12944-3 – “Paints and varnishes – Corrosion protection of steel structures by protective paint systems: Part 3 – Design considerations. International Organization for Standardization, Genève, 1998.





Área limpa (técnicas de descontaminação do solo)

1 04 2010

(Revista Téchne) – 03/10

Com técnicas corretas de remediação e rigoroso processo de aprovação, áreas contaminadas no passado podem receber empreendimentos

Numa época em que não havia legislação ambiental específica, a liberação de terrenos contaminados com elementos tóxicos e poluentes – alguns até voláteis e cancerígenos – era feita de maneira fácil e até irresponsável, o que permitia construir quase que de imediato no local.

Não faltam casos clássicos, que ainda hoje têm grande repercussão na mídia, como o do condomínio residencial Barão de Mauá, no município de Mauá (SP) – construído numa área de 160 mil m2, antes ocupado pela fábrica de amortecedores Cofap como um depósito clandestino de resíduos tóxicos da empresa (leia boxe Ecos do passado) -, e do condomínio residencial Recanto dos Pássaros, em Paulínia, interior de São Paulo, que tiveram os lençóis freáticos contaminados e obrigados a proibir os moradores de beberem água dos poços e ingerirem alimentos de produção doméstica.

Ainda hoje, após décadas de práticas de desenvolvimento sem qualquer responsabilidade social ou preocupações com a sustentabilidade do meio ambiente, restaram muitos terrenos onde foram desenvolvidas atividades potencialmente poluidoras do solo e das águas subterrâneas.

Na mira da lei
Até há pouco tempo não havia no País uma legislação específica que tratasse das responsabilidades pela remediação de áreas contaminadas. Ainda assim, o tema já era abordado em alguns artigos de leis ambientais federais e estaduais. A boa notícia é que algumas legislações específicas começam a ser aprovadas por aqui. No Estado de São Paulo, por exemplo, a lei 13.577, recentemente aprovada em julho de 2009, é pautada em diretrizes e procedimentos para proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas. Já no âmbito federal, uma Resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que trata das mesmas diretrizes, foi recentemente aprovada e entra em vigência agora no primeiro semestre de 2010.

A partir desse amparo legal e com as demandas urgentes para a preservação do meio ambiente, o Brasil tratou de se posicionar para resolver questões como essa. O tema descontaminação de solos passou a ser encarado de frente não só pelas autoridades ambientais, mas também pelas companhias especializadas em técnicas de saneamento e por empresas de consultoria jurídica. O novo cenário passou a despertar o interesse de construtoras em adquirir grandes terrenos antes considerados problemáticos (por terem sido ocupados por algum tipo de empresa poluente) em regiões de grande valor comercial.

“Entretanto, a empresa que adquirir um terreno contaminado e expuser pessoas aos riscos inerentes, sem adotar o devido procedimento de regularização do solo, para posteriormente obter a aprovação dos órgãos competentes, estará sujeita a assumir as consequências decorrentes da ação irresponsável”, alerta o engenheiro Alfredo Rocca, gerente da Divisão de Resíduos Sólidos e Áreas Contaminadas da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

Áreas contaminadas (SP) - evolução

Passado ainda presente
O relatório da Cetesb de 2008 (o mais recente) registrou um total de 2.514 áreas contaminadas no Estado. Nesses terrenos, os postos de combustíveis lideram a lista, com 78% do total, seguido das atividades industriais (13%), atividades comerciais (5%), instalações para destinação de resíduos (3%), além dos casos de acidentes e fonte de contaminação de origem desconhecida (1%).

A identificação de áreas contaminadas tem sido feita anualmente pela Cetesb desde o primeiro relatório da Companhia, em 2002, que apontava, na época, um total de 255 terrenos contaminados. De lá para cá, o número de áreas registradas e identificadas aumentou consideravelmente (veja gráfico).

Segundo a Companhia, a origem das áreas contaminadas se deve, em grande parte, ao desconhecimento, no passado, de procedimentos seguros para o manejo de substâncias perigosas, bem como ao desrespeito a esses procedimentos ou a ocorrência de acidentes ou vazamentos durante processos de produção, transporte ou armazenamento de matérias-primas.

Entre os diversos problemas decorrentes de terrenos como esses constam desde sérios danos à saúde humana até comprometimento da qualidade da água, restrições ao uso do solo e danos ao meio ambiente, só para citar alguns exemplos.

Respaldo técnico
Se cresce o interesse das construtoras – determinadas em transformar áreas antes consideradas problemáticas em terrenos mais verdes e potencialmente mais sustentáveis -, é importante entender como o processo deve, literalmente, se desenrolar. Sempre que um empreendedor tiver a intenção de adquirir um terreno, deve procurar se informar se ali foram desenvolvidas atividades poluidoras do solo e das águas subterrâneas. No caminho percorrido devem constar consultas à prefeitura local, junta comercial, além de órgãos ambientais. “Caso haja suspeita de contaminação, a empresa deverá procurar serviços especializados de avaliação preliminar e investigação. Confirmada a contaminação, a companhia responsável pelo meio ambiente no Estado [por exemplo, em são Paulo, a Cetesb], deve ser informada e aí se inicia um processo de investigação detalhada, diagnóstico e intervenção, com objetivo de reabilitar a área para um uso seguro”, aconselha o engenheiro Rocca. Essas atividades têm orientação específica, em São Paulo, no site da Cetesb (www.cetesb.sp.gov.br) e são avaliadas pela Companhia.

Identificada uma área contaminada, a companhia ambiental exige e avalia os resultados dos estudos de investigação e diagnóstico, realizados no terreno por empresas especializadas do mercado. Depois, participa no processo de decisão sobre as necessidades de intervenção para reabilitar a área para um uso seguro. Concluída a intervenção, emite uma declaração garantindo que o terreno foi reabilitado para o uso desejado.

O que vai determinar o tempo de aprovação, por exemplo, da Cetesb, é a extensão, a complexidade da contaminação e a qualidade dos trabalhos que a empresa de consultoria especializada realizou. Já o aval da Prefeitura normalmente é coordenado com o da Cetesb, ou seja, a Prefeitura só irá aprovar o empreendimento depois que a Companhia Ambiental definir quais medidas de intervenção são necessárias para reabilitar a área.

O caminho das pedras
A intervenção ou descontaminação de um terreno pode ser iniciada a qualquer momento, a partir da conclusão do diagnóstico e definição da intervenção. Vale lembrar que cabe à companhia ambiental avaliar os trabalhos e propor ajustes, complementações ou eventuais correções nos processos.

Uma empresa especializada em descontaminação e/ou regularização do solo deve atuar em todas as etapas do gerenciamento ambiental, desde a identificação do passivo e sua valoração, para só então definir as medidas de controle, sejam elas de remediação e/ou institucionais (como a restrição do uso de águas subterrâneas, por exemplo), além do monitoramento das obras e trabalhadores (com objetivo de protegê-los) durante a fase de implantação do projeto imobiliário. “Esse tipo de atuação é muito importante, pois permite que o empreendedor otimize os gastos, considerando que nem toda a área impactada deve ser remediada, sendo aplicáveis muitas vezes medidas de gerenciamento (as chamadas institucionais)”, lembra Daniel Cardoso, hidrogeólogo e gerente de projetos da Hidroplan, empresa especializada em hidrogeologia de contaminação e em avaliação de risco toxicológico de áreas contaminadas.

Uma empresa capacitada para a gestão e reabilitação de áreas contaminadas deve contar com uma equipe multidisciplinar, entre geólogos, hidrogeólogos, engenheiros civis e químicos, além de químicos e biólogos. “A atuação é, em geral, abrangente, passa pela avaliação e investigação das áreas impactadas, acompanhamento do desenvolvimento e a implantação de projetos de remediação, além de avaliação da eficiência da tecnologia empregada e fornecimento de suporte ao cliente final, junto às autoridades competentes”, complementa Gustavo Alves da Silva, gerente de projetos da Hidroplan e também hidrogeólogo.

Bom negócio x problema
Colocar na balança as vantagens e desvantagens de se negociar uma área poluída ou contaminada é uma questão a ser avaliada individualmente, caso a caso. Como ponto de partida, pressupõe-se que seja um terreno “problemático” inclusive sob o aspecto financeiro e de aprovação dos órgãos governamentais e ambientais. Somam-se aí os custos a serem destinados aos processos de remediação, “que muitas vezes podem ser superiores a milhões de reais”, observa o hidrogeólogo Gustavo Alves.

Mesmo sendo os danos de responsabilidade da empresa poluente – desde que a mesma seja proprietária do terreno -, os custos do passivo ambiental passam a ser de responsabilidade do novo proprietário, resguardadas as definições previstas no contrato de compra e venda do local.

Um terreno contaminado pode, sob o ponto de vista do investimento, na grande maioria das vezes, representar um grande negócio para o comprador e não um problema. O termômetro da balança que vai determinar isso aponta para como o processo de gerenciamento de áreas contaminadas e revitalização será conduzido. “O desenvolvimento adequado e sistemático das etapas de diagnóstico e avaliação de risco à saúde humana podem determinar, em alguns casos, a ausência da necessidade de remediação para um determinado uso pretendido. Estratégias de intervenção focadas em estabelecer restrições e intervenções de engenharia são amplamente utilizadas hoje em dia e amparadas legalmente”, pondera Alexandre Maximiano – coordenador técnico da Aesas (Associação Brasileira das Empresas de Consultoria e Engenharia Ambiental) e diretor-executivo da Tecnohidro Projetos Ambientais.

“Muitas vezes também a aquisição de um terreno contaminado é negociada por um valor menor. Se a construtora estiver respaldada por esse bom gerenciamento das atividades ambientais, é possível rentabilizar o projeto sem comprometer a integridade física dos trabalhadores e futuros moradores”, concorda o gerente de projetos Daniel Cardoso, da Hidroplan.

Caso bem-sucedido
Um terreno de 23 mil m², localizado na Marginal Pinheiros e adquirido pela WTorre Empreendimentos em 2007, para a construção de torres comerciais, abrigava uma indústria metalúrgica. No momento da aquisição as atividades foram descomissionadas – que é a desativação formal, junto à Cetesb. Para isso, houve a necessidade de se apresentar um relatório de avaliação ambiental, comprovando que a atividade exercida não teria provocado nenhum tipo de risco ao meio ambiente. Essa avaliação ambiental, que é realizada em fases, iniciou-se ainda em 2006, antes da aquisição. Os relatórios dessas fases foram encaminhados à Cetesb para análise e parecer técnico durante os anos de 2007 e 2008. A avaliação apontou contaminação do solo basicamente por PCB, que são derivados de petróleo.

Após a etapa de avaliação, foi contratada uma empresa especializada em regularização, para gerenciar as demais empresas envolvidas no processo. Entre as técnicas aplicadas, o trabalho pautou a remoção do solo contaminado, que foi acondicionado em tambores devidamente identificados e encaminhados a uma usina de incineração na Bahia. Foram realizados os trabalhos de escavação do solo, transporte e a incineração. “No local da escavação, foram realizados testes geoquímicos para assegurar que todo material tinha sido retirado. Ainda durante esses trabalhos, uma estação de tratamento de água foi instalada no local para tratar as águas de chuvas e de limpeza dos equipamentos que entraram em contato com o material contaminado. Concluídas as análises, iniciou-se o reaterro da área e em seguida a desmobilização da equipe de campo”, explica Fernando Freitas, gerente de aprovações da WTorre.

Nesse caso, o que fez toda a diferença foi a rápida identificação da contaminação, para que, a partir daí, se pudesse executar a remediação proposta, concluindo o processo de descomissionamento. “Esses custos são claramente da empresa poluente, o próprio rito processual para o descomissionamento exige providências do poluidor”, conta Freitas. “Nesse processo, acompanhamos os trabalhos passo a passo, com olhar de proprietário, porém a responsabilidade não era da WTorre. Ainda estamos trabalhando no desenvolvimento do produto que será lançado. As obras certamente irão aguardar as aprovações do município”, conclui.

Técnicas de remediação
As técnicas de remediação podem ser aplicadas para descontaminação de solo e de águas subterrâneas e podem ser divididas, basicamente, em dois tipos: técnicas in situ e técnicas ex situ. No primeiro grupo, a contaminação é tratada diretamente no meio impactado. No segundo grupo, os contaminantes são trazidos para a superfície por meio de métodos diferenciados – envolvendo sempre a remoção, com escavação (solos) ou bombeamento (águas) – e passam por rigoroso tratamento antes de serem dispostos novamente ao meio natural.

Cada técnica possui vantagens e desvantagens em relação à outra e os fatores a serem considerados na escolha de cada uma delas dependem das propriedades dos contaminantes e da extensão da contaminação, como também os condicionantes geológicos (tipos de solo: areia, argila ou silte; e ainda a profundidade do nível da água), além dos recursos financeiros a serem aplicados para implantação e monitoramento da remediação.

Descontaminação em praça pública
Considerada como uma referência de sustentabilidade no Brasil, a Praça Victor Civita, localizada no bairro de Pinheiros, zona Oeste de São Paulo, e vizinha ao prédio da editora Abril, surgiu como um projeto pioneiro de revitalização de uma área degradada, baseado em modelos internacionais.

A área, que até final da década de 80 abrigou um centro de processamento de resíduos domiciliares e hospitalares, depois passou a ser ocupada por três cooperativas que faziam a triagem de materiais recicláveis e recebia cerca de 200 t de resíduos diariamente. Por conta disso, muitos funcionários da editora passaram a questionar se haveria uma solução e a polêmica chegou à presidência da editora. Paralelamente, a SVMA (Secretaria do Verde e do Meio Ambiente) e a Cetesb já tinham interesse em desenvolver estudos na área, até mesmo porque também eram vizinhos do terreno com cerca de 13 mil m².

Em 2002 a Abril assinou um protocolo de intenções com a prefeitura da cidade, referente à realização de um projeto público na área. Logo depois, a Cetesb e a SVMA passaram a fazer investigações do solo e das águas do local e detectaram a contaminação do terreno. O projeto também teve apoio de outros órgãos técnicos e ambientais, como a GTZ, Agência Alemã de Cooperação Técnica.

As obras começaram pela descontaminação do prédio do antigo incinerador – onde hoje funciona o Museu da Sustentabilidade – e seguiram com as obras de contenção da contaminação do solo e construção da Praça, inaugurada no final de 2008.

O Termo de Cooperação assinado entre a Abril e a Prefeitura permitiu encontrar parceiros como a construtora Even, o banco Itaú e a Petrobras para viabilizar as obras, pois o custo foi relativamente alto (R$ 10,5 milhões, divididos em cotas diferentes para cada parceiro e mais da metade arcados pela Abril).

O projeto arquitetônico do escritório Levisky Arquitetos Associados conta com decks de concreto e de madeira, que servem de pista de caminhada e mais de 2.000 m² de canteiros suspensos sobre um sistema de captação de águas pluviais para irrigação de plantas.

Ecos do passado
O caso do condomínio Barão de Mauá, localizado no município de Mauá, e que reúne 1,7 mil apartamentos, distribuídos em diversas torres construídas num terreno de 160 mil m2, veio a público depois de uma explosão ocorrida em abril de 2000, quando estava sendo realizada a manutenção em uma bomba de uma das caixas d’água subterrâneas instaladas no condomínio: um operário morreu e outro teve 40% do corpo queimado. Um deles teria usado um isqueiro. A Cetesb atribuiu a explosão ao acúmulo de gás metano e, então, descobriu-se que o conjunto de 72 prédios foi construído num aterro industrial clandestino ocupado pela Cofap, o qual havia sido aterrado com resíduos sólidos industriais, com predominância de areias de fundição. Segundo laudos da Cetesb, a área foi contaminada por compostos orgânicos e inorgânicos, alguns deles voláteis, entre outras substâncias tóxicas, de origem desconhecida.

Na época, a Cetesb aplicou multa à empresa responsável pela construção dos edifícios e exigiu ações de monitoramento, identificação, caracterização e remediação do solo e das águas subterrâneas.

Apesar de nem todos os edifícios terem sido construídos sobre os resíduos – a maioria foi implantada em áreas que não sofreram contaminação – muitas exigências técnicas passaram a ser aplicadas no local. Entre elas, monitoramento dos índices de explosividade e também da qualidade do ar; ventilação forçada dos espaços fechados; proibição do uso das águas subterrâneas e monitoramento da qualidade da água de abastecimento público ali fornecida; adequação dos playgrounds, posicionando-os sobre uma camada de argila compactada; extração forçada de vapores e gases do subsolo; monitoramento do sistema de extração de gases do subsolo, cujos resultados indicam que a área afetada por gases reduziu-se bastante no período de operação do sistema, entre outras medidas emergenciais.

Além de todas essas iniciativas, em resposta às exigências da Cetesb, as secretarias estadual e municipal de Saúde e o Ministério da Saúde têm desenvolvido ações destinadas à caracterização dos eventuais danos à saúde da população exposta aos contaminantes existentes no local.

Requalificação de espaços urbanos
A busca por soluções mais verdes para o País começa a seguir exemplos de países como os Estados Unidos e outros do continente europeu. Na Alemanha, por exemplo, onde os terrenos são mais escassos do que no Brasil, já há legislações específicas para a recuperação de brownfields – termo urbanístico que designa não somente áreas contaminadas, mas qualquer terreno com suspeita ou percepção de contaminação. Nos Estados Unidos, projetos como esse recebem incentivos fiscais do governo, para que o empreendedor recupere áreas contaminadas. Revitalizar os brownfields contribui para a requalificação de espaços urbanos e para a conservação do patrimônio histórico, além de promover o desenvolvimento sustentável.

Conheça os métodos mais utilizados de remediação de solos

Bombeamento e tratamento
É das mais antigas e utilizadas técnicas de remediação físicas do mundo. Baseia-se na remoção de águas subterrâneas, por meio da utilização de bombas submersas ou emersas, que promovem a remoção dos contaminantes. A água bombeada é tratada por meio de filtros de carvão ativado ou colunas de stripper (um processo que transfere a massa dos contaminantes voláteis da água para o ar).

Oxidação química
A tecnologia é baseada na injeção de oxidantes químicos em áreas contaminadas (águas subterrâneas ou solo), com o objetivo de destruir o contaminante por meio de reações químicas e converter sua massa em compostos inertes encontrados na natureza.

Extração multifásica (multi phase extraction – MPE)
Outra técnica de remediação bastante empregada. Poços de bombeamento são distribuídos na área de interesse. O sistema utiliza a técnica de remoção de massa a vácuo, possibilitando a extração da fase livre.

A chamada Fase Livre é um tipo de fonte secundária de contaminação. Imagine a contaminação por combustíveis: um tanque de gasolina enterrado é uma fonte primária. Se a gasolina vazou e entrou em contato com o lençol freático, como é menos densa que a água e emissível, ou seja, não se mistura, caracteriza-se como uma fase separada, que pode ser classificada como fase livre (quando a substância tem mobilidade, pode vazar num ponto e se estender para outro) ou residual (que permanece na área fonte da origem do vazamento).

Aspersão de ar (air sparging)
Injeta-se ar pressurizado no lençol freático, com o objetivo de “expulsar” as substâncias voláteis dissolvidas na água. Essa técnica de remediação deve ser associada ao sistema de extração de vapores (SVE), para onde os contaminantes são carregados.

aspersão de ar

Biorremediação
Micro-organismos são inseridos na área a ser tratada para promover a oxidação biológica dos contaminantes. Esses micro-organismos absorvem substâncias orgânicas presentes no solo ou na água subterrânea, transformando-as, principalmente, em água e gases inofensivos, como o dióxido de carbono.

Biorremediação

Extração de vapores no solo (SVE)
É uma tecnologia de remediação física, aplicada para zonas não saturadas, na qual se aplica vácuo com o objetivo de induzir o fluxo controlado de ar e assim remover contaminantes voláteis e semivoláteis do solo. Utilizada para extração de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs).

Extração de vapores no solo

Revitalização passo a passo de uma área contaminada
Conheça as diferentes etapas que envolvem o processo de recuperação de um terreno contaminado

fases da descontaminação do solo1) Quando há suspeitas de que a área é contaminada – questionamento que pode ser feito tanto pela construtora quanto pela prefeitura municipal – o órgão ambiental exige que seja feita uma avaliação e uma investigação.

2) Para fazer essa investigação, a construtora contrata os serviços de uma empresa especializada, que deverá realizar os trabalhos seguindo os procedimentos estabelecidos pelo órgão ambiental.

3) Quando é confirmada a contaminação, a investigação prossegue até a delimitação da área de contaminação e a avaliação de risco à saúde humana, que tem como objetivo tornar a área segura para o uso.

4) Depois de delimitada a contaminação, a empresa especializada apresenta ao órgão ambiental um plano de intervenção. Devem constar todas as medidas necessárias à ocupação segura da área, inclusive as medidas de engenharia e de restrição de uso.

fases da descontaminação do solo5) O órgão ambiental aprova os níveis mínimos aceitáveis (definido na avaliação de risco à saúde humana) e o plano de intervenção para a área em questão, após a avaliação do material apresentado.

6) A empresa especializada dá início à implantação do plano de intervenção, que pode demandar a remediação de solo e/ou de águas subterrâneas. O tempo previsto pode ser de um mês até um ano.

7) Após a aplicação do plano de intervenção (com os níveis mínimos aceitáveis aprovados tendo sido atingidos), a empresa especializada inicia um plano de monitoramento nos solos e águas subterrâneas e encaminha as informações ao órgão ambiental.

8) O órgão emite um parecer que, se for positivo, é seguido de um termo de reabilitação para o uso pretendido. A empresa deve monitorar os resultados da intervenção. Esse processo é chamado de monitoramento para encerramento de caso e pode se estender por até dois anos.

9) A liberação do alvará poderá ser feita, em alguns casos, no momento da aprovação do plano de reabilitação, desde que os trabalhos possam ser feitos em paralelo à construção.

Pesquisa e tecnologia
O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) agora faz parte dos comitês gestor e técnico-científico do capítulo brasileiro da Relasc (Rede Latino Americana de Prevenção de Sítios Contaminados), lançada oficialmente em setembro de 2009. O objetivo da Rede é promover a troca de experiências entre países do continente nas pesquisas sobre remediação e revitalização de áreas contaminadas.

O grande problema apontado pela comunidade científica é a maneira como as legislações anteriores tratavam o assunto. Nessa época acreditava-se que bastava enterrar os resíduos para remediar um local. Hoje, além de todo o crivo técnico e legislação que regula o assunto, é preciso que haja acompanhamento mais extensivo.

“Um terreno é considerado descontaminado quando as concentrações de contaminantes atingem as metas de remediação desejadas, mas é preciso considerar que os níveis de contaminação podem voltar a crescer ao longo do tempo”, explica Scandar Gasperazzo Ignatius, pesquisador do IPT e especialista em engenharia de solos.

O tempo de remediação envolve muitas variáveis, mas em geral é longo. Num alerta, o pesquisador do IPT informa que, muitas vezes, alguns parâmetros necessários aos cálculos não são determinados experimentalmente, mas adotados os valores default dos softwares. “Os valores default podem não refletir as condições locais, conduzindo a erros ainda mais graves de previsão”, alerta Scandar.





Avaliação da Eficiência Organizacional e sua Influência nos Preços

3 03 2010

(Leandro Seffair Lins de Albuquerque e Claudio Tavares Alencar)

Artigo publicado na 9ª Conferência Internacional da LARES/ 2009

RESUMO

Este artigo busca reconhecer a influência existente entre os valores das ações das empresas de real estate focadas no mercado residencial com os resultados relativos ao índice de eficiência organizacional da empresa lido a partir de seus relatórios trimestrais. Tendo-se como objetivo central investigar a eficiência organizacional das empresas e o reflexo desta nos valores de mercado das mesmas. A análise é feita com base nos relatórios apresentados trimestralmente pelas empresas extraindo-se os valores gastos com despesas gerais e administrativas (DG&A) e com resultado operacional, lido como o EBITDA produzido por esta naquele período. Do outro lado se analisa o comportamento das ações nos períodos anteriores e posteriores a divulgação destes resultados, avaliando o impacto da divulgação, correlacionando-o com índices apresentados. Este artigo é parte integrante da pesquisa que analisa o desempenho organizacional, sendo esta parte que trata de dados quantitativos, referentes a eficiência dos sistemas de gestão da empresa.

1. INTRODUÇÃO

Atraídas pelo melhor momento do mercado de capitais brasileiro, mais de 25 empresas que atuam no setor de real estate, embarcaram na oportunidade de captar recursos via mercado de capitais e multiplicar sua capacidade de investimento. A idéia linear de que para se conseguir demonstrar ao final de cada ciclo trimestral resultados maiores diretamente proporcionais a sua estrutura, a priori, parecia comum a maioria das empresas. Logo, seria suficiente para que o mercado enxergasse a capacidade da empresa degerar de riqueza à medida que esta aumentava de tamanho e produzia mais. Passada a euforia, a grande maioria das empresas de real estate que abriu capital nos últimos dois anos, sentiram que havia um descolamento entre seu tamanho, sua eficiência e sua capacidade de entregar resultados. Muito se viu, enquanto capitalizadas, a estratégia de se contratar um grande volume de profissionais para justificar a nova necessidade da empresa. Além disso, a corrida na aquisição de terrenos utilizando os recursos captados nos IPOS para formação dos bancos de terrenos era a promessa de que os resultados a serem colhidos adiante seriam aqueles projetados pelas empresas que fizerem, a sua maneira, a valuation na abertura de capital. Porém a velocidade entre os ciclos de incorporação e construção também são, de certa forma, incompatíveis com necessidade de se mostrar resultados em uma S/A no novo mercado. No início do segundo semestre de 2008, foi perceptível que o preço da ação de várias empresas de real estate caiu vertiginosamente, criando um desconforto no ambiente interno das empresas e, externamente, uma sensação de necessidade de readequação das estruturas das empresas. Outro fato relevante é aquele referente de que apesar queda geral do valor das empresas, há de se notar que em alguns casos houve queda mais acentuada e outras se mantiveram acompanhando pelo menos não muito abaixo das variações gerais do índice da Bovespa (IBOVESPA).

É certo que há muitos critérios objetivos que contribuem para a divergência entre a desvalorização dos preços das ações das empresas do setor, diversas são as variáveis a serem analisadas pelo investidor ao se tomar a decisão em investir em uma ação de uma empresa no mercado de capitais, para as empresas do setor de real estate não seria diferente.

Dentro do Núcleo de Real Estate (NRE) muito já se discutiu sobre a precificação das ações das empresas de real estate e a maneira pela qual se foi feita a valuation dessas empresas, inicialmente em um cenário improvável pelo seu otimismo exagerado e, mais tarde, em um cenário igualmente pouco provável, por um pessimismo de mesmo nível. Um demonstrativo de resultado trimestral ou revisão de metas é também suficiente para alavancar ou derrubar o preço de uma ação, principalmente no curto prazo onde a pressão especulativa ordena esse preço pós IPO.

Não se pretende aqui discutir acerca da metodologia ou especificamente sobre valuation ou até mesmo sua importância, trata-se na verdade de uma análise de dados com o intuito de se buscar se há ou não relação entre os níveis de eficiência organizacional, destacado através do volume de resultado produzido em determinado período com o volume de despesa consumido pelas contas da administração, expressos pelas DG&A.

Este artigo é parte integrante de uma pesquisa que se pretende avaliar o reflexo do desempenho organizacional das empresas de real estate nos valores de mercado da mesma. Verificando as questões estruturais do corpo corporativo da empresa no que se refere à eficiência, eficácia e desempenho organizacional. Neste artigo, será tratado exclusivamente uma única variável das quais compõe o desempenho organizacional, segundo a técnica de avaliação proposta pela Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), adaptada para este artigo.

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Racionalização do transporte de materiais em edificações

13 02 2010

Fritz Gehbauer, engenheiro civil, Universidade de Karlsruhe/Universidade Federal do Paraná.
Alexandre Gutierrez, engenheiro civil, Universidade Federal do Paraná
Cláudio Aguiar, engenheiro civil, Universidade Federal do Paraná
Fabíola Azuma, engenheira civil, Universidade Federal do Paraná
Michelle Beber, arquiteta, Universidade Federal do Paraná
Nadine Bertele, engenheira civil, Universidade de Karlsruhe

Diferentes estratégias vêm sendo implementadas na busca de maior eficiência na atividade de produção de empreendimentos. Dentre essas estratégias podemos citar a racionalização, que é vista como um elemento de vital importância em todos os processos da construção civil (Franco, 1996).

Os resultados que a racionalização pode trazer em uma obra são vários, e podem contribuir de maneira direta e indireta em todos os processos ao longo do ciclo de vida de uma obra. Nesse contexto, define-se racionalização como o estudo desse sistema de produção formado com base na realidade e tendo como meta a definição de melhorias (Gehbauer, 2004). Conforme Gehbauer os próprios processos de planejamento, administração, execução do trabalho e manutenção de edificações escondem algumas oportunidades de racionalização. Ao planejar a execução de uma obra deve-se optar por algumas possibilidades quanto à realização de um serviço: uso de diferentes equipamentos, materiais ou técnicas (Souza e Franco, 1997).

Racionalização
A racionalização é um processo contínuo de otimização dos recursos e processos disponíveis para a execução de um empreendimento, seja ele a execução de uma parede ou de um edifício. Gehbauer (2004) divide a racionalização em R1, R2 e R3, sendo R1 a racionalização no canteiro de obra, R2 a racionalização dos processos da empresa e R3 a racionalização de toda a cadeia produtiva. O presente estudo teve como foco a R1, ou seja, a racionalização no canteiro de obra. Limmer (1997) apresenta a busca pela melhor disposição possível dos materiais, a boa integração dos elementos que compõem a cadeia produtiva no canteiro de obra, a minimização das distâncias e o uso adequado dos espaços como alguns dos princípios básicos do arranjo do canteiro de obras. Conforme Gehbauer (2004), na construção civil freqüentemente é evidenciada a opinião de que cada obra é diferente e, portanto, não é acessível a métodos formais de racionalização, prevalecendo ainda a improvisação. No entanto, segundo o mesmo autor, não é considerado que o processo de construção também é composto de muitos processos parciais repetitivos e cíclicos, sendo assim acessíveis a métodos de racionalização, mesmo sendo cada obra diferente uma da outra.

Transporte de materiais
O transporte de materiais é uma atividade que, embora não agregue valor na construção civil, corresponde a, segundo Gehbauer (2004), aproximadamente 80% das atividades de construção. O primeiro passo para o entendimento e estudo de um sistema de transportes é a percepção de que se pode subdividi-lo em “ciclos” que, embora interajam entre si, podem ser avaliados individualmente (Souza e Franco, 1997). Quanto mais contínuo for um sistema de transportes, tanto maior a sua produtividade. Entretanto, o tamanho e a forma do que será transportado influem na escolha do sistema – Limmer (1997). Conforme Barros (1998), o estudo dos sistemas de transporte pode ajudar na sua otimização, no desenvolvimento de novas soluções ou, finalmente, na quantificação de vantagens associadas à adoção de um novo equipamento frente a uma solução tradicional.

Método de pesquisa
Apresentação da obra estudada: o cenário de estudo de caso em uma construção de edificação multifamiliar, localizada na cidade de Curitiba. O edifício analisado prevê 11 apartamentos, distribuídos em garagem, térreo, apartamento-tipo, apartamento dúplex e cobertura. O apartamento-tipo possui um total de 178 m2 de área. A edificação estava em processo de construção, sendo a estrutura dos pilares e vigas em concreto armado moldado “in loco”, as lajes em concreto armado protendido moldadas “in loco”, a vedação externa em alvenaria de blocos de concreto não-estrutural e as divisórias internas utilizando drywall. Quanto à organização do canteiro de obras, o escritório e o almoxarifado estavam localizados no subsolo, assim como o depósito de materiais, à exceção dos blocos de concreto e da ferragem que se encontravam no primeiro piso. Estava sendo utilizado concreto usinado em central de dosagem terceirizada e bombeado na hora de seu uso na obra.

Estrutura da pesquisa: observando o cenário da pesquisa, o estudo de caso foi escolhido como método de pesquisa. Assim, foram utilizadas as seguintes estratégias: observar; medir; registrar; pensar; e corrigir focados em R1. Inicialmente foi realizada uma entrevista não-estruturada, seguida de consulta aos documentos da obra (projeto da obra). Na seqüência foram realizadas observações diretas no local com a verificação dos fluxos e medições de distâncias e tempos gastos. Ao mesmo tempo foram fotografadas as operações realizadas e o local de trabalho. A partir dessas informações foi gerada a proposta de racionalização.

Análise do estudo de caso
Análise da situação atual – Transporte de argamassa: o primeiro ciclo observado foi o transporte de argamassa ensacada. Para transportar a argamassa até o local de utilização são percorridos no total 42,00 m, assim subdivididos: 8,80 m a distância percorrida no primeiro andar (lugar de estocagem da argamassa até o elevador), 24,50 m a distância percorrida no segundo andar (do elevador ao local de aplicação da argamassa) e 8,70 m é o percurso vertical realizado pelo elevador de obras. As distâncias horizontais podem ser observadas nas figuras 1 e 2. Para cada ciclo, são transportados dez sacos de argamassa, exigindo o esforço de três homens.

Na tabela 1 é possível observar o esforço em homens-metro e máquina-metro em cada fase do transporte da argamassa e o respectivo tempo gasto em segundos. As unidades selecionadas para esse ciclo, em segundos, foram: homens-metro e máquina-metro.

Considerando dados do Sinduscon-PR (2006), foi elaborada a estimativa de custos da mão-de-obra necessária para um ciclo do transporte de argamassa. Portanto, considerando o custo do Sinduscon-PR homem-hora para operário de R$ 6,56 (faixa salarial de R$ 2,36/h acrescido de 178,05% de encargos), chega-se a um valor de R$ 1,38 de custo total de mão-de-obra, referente a um ciclo para o transporte de argamassa (0,07 h x 3 homens x R$ 6,56/hora).

Análise da situação atual – Transporte de blocos de concreto: o segundo ciclo observado foi o transporte de blocos de concreto. Os blocos de concreto chegam à obra em paletes, contendo 180 unidades cada. No entanto, como o elevador de obras não suporta o peso de um palete completo, optou-se em transportar os blocos, por partes, em giricas contendo 50 unidades por vez. Nessa atividade, um operário transporta o palete até próximo ao elevador, pois já existem paredes que impedem aproximação direta. Enquanto isso dois outros operários carregam duas giricas com 50 blocos de concreto cada e fazem o transporte até o local de aplicação. Nas figuras 3 e 4 observa-se o percurso realizado para o transporte do palete do estoque até o elevador e do elevador até o local de aplicação. O transporte vertical por meio do elevador tem percurso de 8,70 m. As unidades selecionadas para esse ciclo, em segundos, foram: homens-metro e máquina-metro. O trajeto é praticamente o mesmo que foi realizado para transportar a argamassa, no entanto, é um pouco mais longo porque os blocos estão estocados na laje do primeiro piso de forma desordenada, além de existir uma área já com paredes nesse piso, sendo necessário fazer um desvio para contornar esse local, conforme se observa nas figuras 3 e 4.

Na tabela 2 observam-se as distâncias percorridas em cada etapa do transporte e o respectivo esforço humano em homens-metro e o tempo gasto em segundos. Durante a observação e registro dos tempos gastos, verificou-se um excesso de tempo de espera. Enquanto os dois operários faziam o carregamento de blocos na girica, transportavam e descarregavam os blocos até o local de uso, o operário que transportava o palete até o elevador permanecia esperando até que se esvaziasse completamente o palete e ele pudesse buscar outro. Esse tempo de espera representou 95% do tempo total da atividade e indica uma grande oportunidade de racionalização.

Considerando o mesmo custo do operário por hora, conforme o Sinduscon-PR (2006), de R$ 6,56/h, foi elaborada uma estimativa para o custo de mão-de-obra de um ciclo para transporte de blocos de concreto com utilização de giricas, com capacidade de carga de 50 unidades de blocos, até concluir o esvaziamento de um palete de 180 unidades. Dessa maneira, o custo estimado foi de R$ 5,69 (0,289 h x 3 x 6,56).

Proposta
Situação racionalizada – Transporte de argamassa: a proposta de racionalização baseou-se no que poderia ser imediatamente implementado na obra. Embora existam vários fatores que podem ser racionalizados, para esse estudo foi escolhido somente o fator transporte, para aplicação do método de racionalização. Para o transporte de argamassa, sugere-se a retirada de uma mesa e alguns outros materiais que estavam obstruindo a passagem. Dessa maneira, consegue-se uma redução da distância percorrida e de esforço humano. A figura 5 apresenta esquematicamente essa alteração.

A tabela 3 expõe os ganhos, evidenciando as melhorias em relação ao tempo.

A redução da distância reflete nos custos da mão-de-obra. Usando o mesmo modelo de cálculo anterior, somente alterando a distância conforme proposta de racionalização que alterou o tempo de ciclo para 0,06 h. Assim, o novo custo ficou (0,06 h x 3 homens x 6,56/hora) R$ 1,18. Em relação ao custo anterior obteve-se um ganho de 14,49%.

Situação racionalizada – Transporte de blocos de concreto: de forma similar à argamassa, para essa atividade foi utilizado o método de racionalização somente para o fator transporte. Para a racionalização do transporte dos blocos de concreto, sugere-se também redução de distância, conseguida com a desobstrução da passagem, além da retirada do operário ocioso. Outra medida de racionalização adotada seria a desobstrução do caminho com a desconexão do tubo usado para bombeamento do concreto e o deslocamento das cordoalhas. Dessa maneira, o operário não precisaria contornar pelos fundos da construção, mas fazia um percurso direto até o elevador. A figura 6 apresenta esquematicamente essa alteração.

A tabela 4 demonstra os ganhos dessas alterações em relação à redução da distância, esforço humano e tempo.

Seguindo essas alterações, o tempo de ciclo foi reduzido para 0,275 h, sendo necessários dois operários em vez de três operários. Assim, o novo custo de mão-de-obra ficou (0,275 x 2 homens x 6,56) R$ 3,61. Em relação ao custo anterior obteve-se um ganho de 36,56%. Em relação aos tubos de concreto que estavam obstruindo a passagem, foi proposta sua desmontagem e montagem apenas nos dias programados para concretagem. Quanto às cordoalhas que também estavam obstruindo a passagem, foi proposto o seu deslocamento, de modo a permitir a passagem dos operários pela frente da obra.

Conclusão
Para ambos os casos os ganhos relativos são significantes; transporte de sacos de argamassa pronta 14,49% e transporte de blocos de concreto 36,56%. Por outro lado o ganho absoluto depende das quantidades que serão utilizadas na obra. No caso da argamassa não existe um serviço de apropriação na obra de modo que aponte a quantidade de argamassa usada por serviço. Dessa forma não foi possível apurar o valor absoluto desse ciclo. Em relação aos blocos de concreto, como somente se usará esse produto para as paredes externas, se tornou mais fácil identificar a quantidade utilizada para esse serviço, que é relativamente pequena, em torno de 36 mil unidades ou 200 paletes. Com a quantidade reduzida de blocos, apesar de um ganho relativo muito alto, o ganho absoluto será de (5,69-3,61) 200 = R$ 416,00. O valor absoluto é baixo, em função da pequena quantidade de blocos a ser usada, no entanto o que se quis demonstrar é que sempre existe oportunidade de se eliminar perdas. O efeito resultante de uma distância além da ideal é bastante significativo, pois o custo é oriundo do produto entre a distância morta e o custo unitário da mão-de-obra. A dimensão da perda é em “homem-hora vezes distância”. Essas grandezas são diretamente proporcionais, portanto considerando que o valor da grandeza homem-hora é fixa o objetivo é pesquisar para que o incremento da distância tenda para zero. Adequando-se o posicionamento dos estoques dos materiais e retirando-se obstáculos, de modo a reduzir a distância entre esses e sua aplicação, isso num processo dinâmico ao longo de todo desenrolar da execução da obra. Verificam-se possibilidades de redução de custo referente ao produto: “homem-hora vezes distância”. Diante do demonstrado sugere-se que cada atividade de uma obra seja bastante analisada e estudada de forma temporal na busca de encontrar a distância ótima para cada caso.





O mestre de obras-primas

17 10 2009

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Tipos de Shopping Center

29 09 2009

Arquivo do ICSC (International Council of Shopping Centers) com a definição dos tipos de shopping center em função das suas características (área construída, terreno, abrangência, ABL de âncoras em relação à total, etc.)

Tipos de shopping center





Estimando o custo de capital de companhias fechadas no Brasil

26 08 2009

IBMEC, SP – fevereiro/2005

Autores: Andrea Minardi, Antônio Zoratto Sanvicente, Carlos Mauro Gali Montenegro, Danielle Hatem Donatelli, Fernando Graciano Bignotto

Arquivo em pdf: Custo de capital -IBMEC-SP





Metodologia de cálculo do custo médio ponderado de capital

25 08 2009

Aplicável à atividade de transporte de gás natural no brasil

Agência Nacional do Petróleo, Superintendência de Comercialização e Movimentação de Petróleo, seus Derivados e Gás Natural – Novembro 2006

Arquivo em pdf: WACC-ANP








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