Temendo bolha, BC joga água fria na economia

4 12 2010

(Gazeta do Povo) – 04/12/10

Banco Central aumenta quantia que os bancos devem manter depositada na instituição, tirando dinheiro de circulação e freando oferta de empréstimos

Demorou um pouco, mas o Banco Central finalmente reconheceu o risco de uma bolha de crédito no Brasil. Por isso, medidas anunciadas ontem pela instituição devem colocar um freio em financiamentos a perder de vista, como os que vinham sendo oferecidos especialmente para a venda de automóveis. Para diminuir a liquidez da economia brasileira, a intervenção reduzirá o dinheiro disponível para empréstimo no mercado, onerando os consumidores.

O adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, quantia que os bancos são obrigados a manter no BC, será elevado de 8% para 12%. O compulsório efetivo sobre transações a prazo – que os bancos devem manter em carteira, mas sem liberdade para emprestar – aumentará de 15% para 20%. O BC estima que as medidas retirem R$ 61 bilhões de circulação.
Veículos

Financiamento sem entrada custará mais a bancos
O consumidor terá, a partir de agora, mais dificuldade para comprar veículos sem entrada. Pelas normas anunciadas pelo Banco Central, haverá restrições de recursos para financiamentos com prazo superior a 24 meses. Pela nova regra, para não cair na restrição, os bancos deverão exigir uma entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados.

Nos parcelamentos entre 36 e 48 meses, a entrada sobe para 30%. Entre 48 e 60 meses, para 40%. Todas as vendas de veículos com prazo superior a 60 meses terão restrição, independentemente da entrada.

Para restringir essas operações, o BC vai exigir que os bancos façam uma reserva de capital 50% maior para garantir esses empréstimos. Hoje, para cada R$ 100 emprestados, o banco precisa ter uma reserva de R$ 11. Nos financiamentos que o BC classificou como de “prazos muito longos ou garantias insuficientes”, o valor da reserva sobe para R$ 16,50. Isso significa que, se o banco fizer essas operações, terá menos recursos para emprestar.

Regra similar foi adotada para os empréstimos consignados acima de 36 meses e para o crédito pessoal ou aquisição de bens acima de 24 meses. Em todos os casos, os bancos poderão oferecer as operações se elevarem a reserva, mas isso encarece e desestimula o financiamento. A medida vale somente para novos empréstimos, concedidos a partir da próxima segunda-feira.

Como o BC quer restringir apenas o crédito ao consumo, não haverá restrição de prazo para crédito imobiliário, rural ou aquisição de veículos de carga com capacidade de transporte acima de duas toneladas, como caminhões. O crédito a pessoas jurídicas também não foi afetado.

A ação da autoridade monetária tem efeito direto no consumo e procura evitar os efeitos colaterais de uma economia muito aquecida. Com menos dinheiro à disposição dos bancos, as taxas de juros pagas pelas empresas e pessoas físicas devem ficar maiores. O encarecimento do crédito, por sua vez, reduz a demanda por financiamentos e empréstimos. Uma simulação feita pelo economista-chefe do Bradesco, Octavios de Barros, prevê que a medida do BC deve elevar os juros em um ponto porcentual.

Outra preocupação do Banco Central é conter a pressão inflacionária, que vem crescendo nos últimos meses. A inflação deve fechar o ano num patamar próximo ao máximo da meta estabelecida pelo governo. O centro da meta é um aumento geral nos preços de 4,5%, com oscilação de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, e a previsão do mercado é de que o índice feche 2010 em 5,72%.

“As medidas demonstram que já há uma preocupação do Banco Central com o retorno da inflação. Com a alta nos juros, os consumidores vão gastar menos, o que vai reduzir a demanda. Isso tem impacto direto no PIB [Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país]. A inflação ocorre por uma aceleração muito forte da economia, e essas medidas buscam frear um pouco esse crescimento”, afirma o economista Cláudio Considera, professor de Macroeconomia da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Selic
O instrumento utilizado pelo BC é uma alternativa a um aumento da taxa Selic, mas com a vantagem de não aumentar a atratividade do país para o capital estrangeiro. A alta na taxa básica de juros significa maior retorno para os investidores, que vêm encontrando nas economias emergentes, inclusive o Brasil, uma opção vantajosa a aplicações de dinheiro nos países ricos. Esse fluxo de dólares em direção ao país valoriza a taxa de câmbio e acaba gerando críticas dos exportadores, que alegam perda de competitividade de seus produtos no mercado externo.

Para analistas, a medida anunciada ontem praticamente elimina a possibilidade de uma alta na taxa Selic, hoje em 10,75% ao ano, na semana que vem, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para discutir o assunto. “Estas medidas ampliam as alternativas de caminhos para a condução da política monetária e poderão permitir que a Selic se mantenha no patamar atual, tanto na semana que vem como nos próximos meses, e que venha até a ser reduzida nos próximos anos”, diz o presidente da Associação Nacio­nal dos Executivos de Finanças, Administração e Conta­bilidade (Anefac), Andrew Frank Storfer.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que o aumento do compulsório é apenas um recuo nas políticas de incentivo criadas pelo governo durante a crise financeira mundial. Em 2008, no auge da crise, o BC reduziu essas mesmas alíquotas que aumentou ontem, liberando cerca de R$ 100 bilhões para os bancos. Uma primeira retirada nesses incentivos já havia sido feita em março e abril deste ano, quando a autoridade monetária “recuperou” cerca de R$ 70 bilhões. Somadas as últimas duas medidas, o recolhimento compulsório fica R$ 10 bilhões acima do nível pré-crise, o que de­­monstra que de fato há uma preocupação do BC com o surgimento de uma bolha de crédito.

Aperto
Objetivo das medidas anunciadas ontem é frear o aumento do crédito ao consumo, um dos principais responsáveis pelo ritmo de crescimento da economia e da inflação

Compulsório - O BC obriga os bancos a depositar em uma conta (no próprio BC) parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. O chamado “depósito compulsório’’ é um instrumentos do BC para controlar a quantidade de dinheiro que circula. Quando aumenta o compulsório, o BC “tira” dos bancos dinheiro que seria usado para emprestar aos clientes.

É o que o BC anunciou ontem: bancos terão de deixar depositados no BC R$ 61 bilhões a mais.

Garantia de prazos – O BC obriga os bancos a reservar um porcentual do seu patrimônio como garantia de empréstimo. Agora, ele irá pedir um porcentual maior para empréstimos mais longos (superiores a 24 meses no crédito ao consumo e 36 meses no crédito consignado). Como resultado, além de reduzir o dinheiro disponível para empréstimos, o BC encarece os financiamentos mais longos, estimulando prazos menores.

Operações que serão desestimuladas – No financiamento de veículos (crédito direto e leasing) de 24 a 36 meses, o BC recomenda que o banco exija entrada acima de 20%; se o empréstimo for de 36 a 48 meses, a entrada mínima recomendada é de 30%; de 48 a 60 meses, a entrada não pode ficar abaixo de 40%. Se o financiamento for de 60 meses ou mais, independentemente da entrada, o banco terá de fazer uma reserva maior para cobrir eventual calote. Também será desestimulado o consignado acima de 36 meses e o empréstimo direto ou para aquisição de bens acima de 24 meses. Ficam de fora o crédito rural, habitacional, aquisição de caminhões e ônibus e empréstimos com recursos de fundos ou programas do governo. O crédito para empresas também não será atingido.

Próximos passos – O BC já indicou que deve aumentar a taxa básica de juros a partir de dezembro ou janeiro, e membros da nova equipe econômica prometeram cortes de gastos em 2011 para ajudar a desaquecer a economia.

O que ainda pode ser feito – Aumento de impostos (especialmente IOF) e novas elevações dos compulsórios.

Quem tomou a decisão – A diretoria do Banco Central, o que inclui o atual diretor e futuro presidente da instituição, Alexandre Tombini; e o Conselho Monetário Nacional, presidido pelo ministro Guido Mantega, que continuará no comando da Fazenda.

Veículos

Financiamento sem entrada custará mais a bancos

O consumidor terá, a partir de agora, mais dificuldade para comprar veículos sem entrada. Pelas normas anunciadas pelo Banco Central, haverá restrições de recursos para financiamentos com prazo superior a 24 meses. Pela nova regra, para não cair na restrição, os bancos deverão exigir uma entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados.

Nos parcelamentos entre 36 e 48 meses, a entrada sobe para 30%. Entre 48 e 60 meses, para 40%. Todas as vendas de veículos com prazo superior a 60 meses terão restrição, independentemente da entrada.

Para restringir essas operações, o BC vai exigir que os bancos façam uma reserva de capital 50% maior para garantir esses empréstimos. Hoje, para cada R$ 100 emprestados, o banco precisa ter uma reserva de R$ 11. Nos financiamentos que o BC classificou como de “prazos muito longos ou garantias insuficientes”, o valor da reserva sobe para R$ 16,50. Isso significa que, se o banco fizer essas operações, terá menos recursos para emprestar.

Regra similar foi adotada para os empréstimos consignados acima de 36 meses e para o crédito pessoal ou aquisição de bens acima de 24 meses. Em todos os casos, os bancos poderão oferecer as operações se elevarem a reserva, mas isso encarece e desestimula o financiamento. A medida vale somente para novos empréstimos, concedidos a partir da próxima segunda-feira.

Como o BC quer restringir apenas o crédito ao consumo, não haverá restrição de prazo para crédito imobiliário, rural ou aquisição de veículos de carga com capacidade de transporte acima de duas toneladas, como caminhões. O crédito a pessoas jurídicas também não foi afetado.





Para ministro, aumento do crédito imobiliário não afeta economia negativamente

6 08 2010

(Infomoney) – 22/07/10

O aumento dos financiamentos imobiliários não afetará de forma negativa a economia do País. Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o crédito imobiliário não deve se transformar em uma “bolha”, como ocorreu nos Estados Unidos.

Segundo afirmou o ministro, o crédito imobiliário representa apenas 3% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiros. Já nos Estados Unidos, esse percentual alcança os 70%. “Temos um espaço para crescer 12% ou 15% sem qualquer problema”, afirmou Bernardo, de acordo com a Agência Brasil. “Não há nenhum risco”.

Boom do crédito
O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida foi um dos facilitadores que permitiram o aumento dos contratos de crédito imobiliário. Somente a Caixa Econômica Federal disponibilizou R$ 16,48 bilhões para financiamentos de imóveis do programa.

Ao todo, no primeiro semestre deste ano, o banco emprestou R$ 34,10 bilhões em crédito. O valor representa um aumento de 95% frente ao mesmo período do ano passado.

Para o vice-presidente da Caixa, Jorge Hereda, o aumento dos empréstimos imobiliários ainda pode ser maior. “No Brasil, o volume de crédito imobiliário é inexpressivo, se comparado ao PIB e, portanto, acredita-se que o atual ciclo virtuoso se sustentará ao longo dos próximos anos”, disse.

O banco espera que, até o final deste ano, cerca de R$ 60 bilhões devem ser disponibilizados para financiamentos imobiliários. Até o final de 2015, a Caixa espera que o crédito imobiliário alcance os 10% do PIB.





Financiamentos: crivo da Caixa

11 06 2010

(Construção Mercado) – maio/2010

Nova regra nacional estabelece requisitos mínimos de qualidade, por número de unidades, para ingresso de construtoras aos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida

“Até o final do ano que vem, multiplicaremos por quatro as obras em andamento.” Essa é a expectativa do administrador Jonathan Tavares, sócio de uma pequena construtora, criada no ano passado, com sede em Belo Horizonte, Minas Gerais. O nome escolhido para a empresa, aberta em sociedade com um engenheiro, não deixa dúvida sobre o mercado escolhido pelo empresário: construtora “Minha Casa” – uma clara menção ao programa governamental de incentivo à construção de habitações econômicas.

A chegada de novos agentes ao aquecido setor de edificação de moradias populares levanta a questão: como dar vazão à demanda por novas construções, com empresas recém-chegadas, mantendo a qualidade e a segurança dos empreendimentos? A resposta veio por meio de um acordo setorial que uniu a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades para aperfeiçoar o PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat).

O acordo prevê, como condição para contratação, uma correlação entre os níveis de certificação da empresa e o número de unidades que podem ser financiadas pelo Minha Casa, Minha Vida. Para participar desse mercado, uma série de novas empresas de construção está sendo obrigada a se formalizar e a comprovar padrões de qualidade à medida que crescem. O modelo de acompanhamento é o do SiAC (Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras), que substituiu em 2005 o antigo SiQ (Sistema de Qualificação de Empresas de Serviços e Obras), e tem por base as normas da ISO.

“Foi preciso modificar os critérios por causa do número enorme de empresas que passaram a participar desse segmento”, diz o vice-presidente do CBIC, José Carlos Martins. Ele explica que quando o mercado estava desaquecido, apenas as maiores e mais estruturadas construtoras disputavam os investimentos, e a certificação era regionalizada. Com o passar do tempo, o cronograma dos Estados foi evoluindo, e todos já estavam exigindo nível máximo de certificação. “Daquele jeito, com poucas empresas, o controle era mais simples, mas como estava, acabava impedindo outras empresas de entrar no mercado”, afirma Martins. A realidade mudou. Com o ingresso de novas construtoras de menor porte, foi preciso fazer alterações e a certificação passou a ser nacional, já que o Minha Casa, Minha Vida está em todo o Brasil.

Classificações
O nível mais baixo da classificação do PBQP-H, o “D”, prevê simplesmente o ingresso da construtora no sistema, mas já dá acesso aos financiamentos, o que não depende mais de decisões estaduais. A partir disso, a empresa tem 24 meses contando da primeira contratação para chegar ao nível “A”, mesmo sem passar pelas etapas intermediárias. O critério também leva em conta o número de unidades que a construtora tem permissão de fazer: no nível “D” o máximo é de 500 unidades. No “C”, até 750, e no nível “B” até mil. Daí para cima, apenas com a certificação de nível “A”. Para passar de um nível para outro, é preciso pedir uma auditoria a um OCC (Organismo de Certificação Credenciado). O PBQP-H aborda apenas os aspectos construtivos técnicos, sem entrar nas questões de riscos financeiros, que cabem aos bancos.

O vice-presidente de habitação do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Flávio Prando, acredita que o setor vai responder bem ao desafio da qualidade, mesmo com o grande índice de crescimento. “Quem está no mercado é consciente de que a qualidade é fundamental para permanecer”, afirma. “É simplesmente uma necessidade, e ninguém quer perder uma oportunidade como a que a gente está vivendo”, diz. Jorge Hereda, vice-presidente da Caixa Econômica Federal, também aposta no dinamismo privado para uma adequação rápida: “Muitas vezes o que a gente vê é que as empresas da área, que estão mais estruturadas, são muito adiantadas, trabalham com padrões internos até maiores do que aqueles que são cumpridos por exigência, e esta é a tendência do mercado”.

No canteiro
A construtora Tenda tem a certificação PBQP-H no nível máximo desde 2004; recentemente a empresa foi incorporada à Gafisa, que também tem nível “A”. A cada ano os auditores escolhem 10% dos canteiros para renovar a certificação. “Para estarem preparadas, a Gafisa e a Tenda unificaram os programas de controle interno”, diz Karine Monteiro, representante de direção da Tenda frente aos órgãos certificados. A empresa trabalha com dois programas próprios em paralelo: o PEO (Programa de Excelência em Obras) e o PEP (Programa de Excelência para o Parceiro). Este último tem a finalidade de garantir a qualidade de fornecedores de materiais e serviços terceirizados.

Para a Tenda, a padronização de 200 canteiros de obras espalhados pelo Brasil inteiro, num momento em que o ritmo de novas contratações de funcionários chega a 130 por mês, é desafiadora. A problemática é assimilar os trabalhadores que chegam aos canteiros num ritmo inédito. Para resolver a questão, assim que um novo funcionário é contratado, passa por um programa de integração que inclui capacitação técnica. “Além disso, foi feito um programa de parceria com os Senais regionais para qualificação no qual encarregados podem virar mestres ou especialistas”, completa Karine.

Na construtora Minha Casa, de Jonathan Tavares, uma consultoria foi contratada para acelerar o processo de evolução no PBQP-H. Atualmente a empresa está no nível “D”, ou seja, cumpriu apenas o processo de protocolo junto ao programa. No entanto, a expectativa é de que em janeiro de 2011 ela já esteja certificada no nível “B”, sem passar pela etapa “C”, intermediária.

Em paralelo à certificação do PBQP-H, a construtora pretende garantir também a ISO 9001, que tem vários itens correspondentes. “A partir disso vamos passar a fazer prédios”, diz o proprietário. Ele tem um plano de negócios para iniciar a construção de três prédios com 12 unidades cada no segundo semestre do ano que vem, mantendo ainda a construção de casas geminadas.

Com o novo sistema, a construtora de Tavares, como muitas outras pelo Brasil, tem condição de entrar no mercado com um prazo para regular a situação. De acordo com dados da CBIC, em todo o Brasil as empresas que estão no nível “A” são 1.357, e as que estão em alguma das duas etapas intermediárias, somadas, são 174. Já as que estão no nível “D”, são nada menos do que 620. Gente que está entrando no jogo, formalizando seus processos e melhorando a qualidade, e que espera crescer junto com o setor.

requisitos do SiAC

Quadro apresenta alguns requisitos do SiAC aplicáveis para os níveis C e D

Condições para contratações
Contratos de até 500 unidades: poderão ser contratadas empresas que atendam ao nível D do SiAC no mínimo. Mas as construtoras deverão atingir o nível A, inclusive sem passar pelos demais, no prazo máximo de 24 meses, a partir da primeira contratação.

Contratos entre 501 a 750 unidades: a empresa deverá estar certificada no mínimo no nível C do SiAC, devendo atingir o nível A, inclusive sem passar pelos demais, no prazo máximo de 18 meses, a partir da primeira contratação.

Contratos entre 751 e mil unidades: a empresa deverá estar certificada no mínimo no Nível B do SiAC, devendo atingir o nível A, no prazo máximo de 12 meses, a partir da primeira contratação.

Contratos acima de mil unidades: a empresa deverá estar certificada no nível A do SiAC, imediatamente a partir da primeira contratação.

Como ingressar no sistema
Preencher a declaração que pode ser obtida em http://www2.cidades.gov.br/pbqp-h

Encaminhar a Declaração de Adesão para: Secretaria Executiva da Comissão Nacional do SiAC (Saus), Quadra 01, lote 1/6 – Bloco H – 11o andar – PBQP-H – Edifício Telemundi II. CEP: 70070-010 – Brasília – DF. E-mail de contato: sen.cn-siac@cidades.gov.br. A/C – Sr. Jair Garcia ou Sr. José Alberto Naves Cocota Júnior.





A vez das pequenas

8 03 2010

(Mercado Construção, Pamela Reis) 8/03/2010

Construtoras de pequeno e médio portes recebem investimentos de fundos nacionais e estrangeiros e crescem a taxas expressivas. Conheça as vantagens e os riscos dessa fonte de capitalização.

As hoje chamadas “grandes incorporadoras” se consolidaram nesse posto depois de entrarem na bolsa de valores e receberem aportes vultosos de investidores institucionais. À época, dizia-se que a capitalização das companhias consolidaria o mercado em poucas mãos. Passados três anos, chegou a vez das pequenas. Contradizendo as expectativas e catapultadas por investimentos de fundos de private equity – ou FIPs (Fundos de Investimento em Participações), construtoras de pequeno e médio portes têm atingido taxas vertiginosas de crescimento, amparadas por volumes de capital que dificilmente seriam levantados de outra maneira.

A construtora e incorporadora Sabiá, com apenas três anos de mercado, está recebendo investimentos da ordem de R$ 50 milhões e planeja crescer 350% em VGV (Valor Geral de Vendas) só em 2010. Outra construtora de pequeno porte, a Altana, fechou um contrato de R$ 30 milhões para aumentar em 500% a média anual de lançamentos num período de dois anos. A maranhense Meta Construtora, de 2008 para cá, capitalizou-se com R$ 25 milhões, ampliou o faturamento do conjunto de seus empreendimentos em 10 vezes e quadruplicou seu caixa. Fica a pergunta: como elas conseguiram?

A resposta se explica pelo crescimento, a passos largos, dos investimentos de private equity, que compram participação societária geralmente em empresas de capital fechado, com o objetivo de viabilizar o desenvolvimento dessa empresa e de seus negócios para, posteriormente, vender com lucro e muito valor agregado a fatia adquirida. O foco, portanto, é em empresas em expansão, ou seja, pequenas e médias.

Entre 2005 e 2008, o capital comprometido para alocação no País passou de cerca de R$ 8 bilhões para R$ 27 bilhões, segundo dados do Panorama da Indústria Brasileira de Private Equity e Venture Capital, realizado em 2008 pelo GVcepe (Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da Fundação Getúlio Vargas).

Soma-se a isso o apetite crescente dos investidores estrangeiros pelo Brasil. Em 2009, de acordo com pesquisa realizada pela Empea (Emerging Markets Private Equity Association) em parceria com a Coller Capital, o Brasil atingiu o segundo lugar no ranking dos emergentes mais atrativos para investimentos de private equity, atrás apenas da China e uma posição à frente da Índia, que ocupava o segundo lugar até 2008.

Em meio à escalada dos investimentos, a construção civil se sobressai com participação de 17% no volume investido entre 2005 e 2008, a terceira maior segundo o panorama do GVcepe. A presença das empresas do setor no portfólio das organizações gestoras também decolou: de nove para 60 companhias entre 2004 e 2008, um aumento de 567%, o mais expressivo entre os 25 setores analisados pela pesquisa. Aparentemente, nem mesmo os solavancos da crise econômica abalaram o interesse dos investidores. Segundo estudo concluído em junho de 2009 pela consultoria PricewaterhouseCoopers, das 50 transações de private equity realizadas entre janeiro e maio daquele ano, nove foram destinadas ao setor da construção, o que o coloca em primeiro lugar no ranking do período (veja gráfico).

E mesmo com tantos avanços, os números provam que ainda há espaço para conquistar. Dados do GVcepe mostram que a indústria de private equity brasileira representa apenas 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto), menos da metade da média mundial de 3,7%. Especialmente na construção civil, profissionais da área argumentam que esta ainda é uma modalidade de investimento pouco difundida, mas que tende a se fortalecer, tanto pelo amadurecimento dos FIPs como alternativa de capitalização, quanto pelas perspectivas otimistas do setor para os próximos seis anos.

Sidney Chameh, vice-presidente da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital), arremata: “Haverá uma nova onda de construtoras com investimentos em participação e o volume de recursos estrangeiros tende a aumentar. Isso porque todos os fatores que vão impulsionar novas construções vão também impulsionar o interesse do investidor estrangeiro em vir ao Brasil”. Mas afinal, como funciona este mercado?

 O perfil do investimento

Os investimentos de private equity podem ser feitos por uma empresa de participações (holding) ou por um investidor direto, mas é na estrutura de fundos que o negócio vem se consolidando.

Para construtoras ou incorporadoras existem duas maneiras de receber estes recursos. Na primeira delas, assim como em outros mercados, o fundo compra uma parcela de participação societária e passa a interferir diretamente no planejamento estratégico da empresa. Em outra configuração, o fundo entra como sócio em uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) para desenvolver um projeto determinado.

De acordo com Pedro Klumb, diretor da empresa de finanças imobiliárias MSFI, “a maior parte dos novos fundos está voltada para projetos. O investimento direto na empresa é mais comum em companhias grandes, tradicionais, que já têm história e mostram resultados. As pequenas geralmente não têm a padronização e a organização que dão conforto aos investidores, logo, eles preferem entrar nos empreendimentos”.

A administradora de recursos Global Equity é uma das que investem apenas em SPEs. Segundo Frederico Dantas, diretor executivo da empresa, a segregação dos riscos do empreendimento, somada à interferência mais incisiva do fundo na gestão, permite reduzir a dependência dos processos gerenciais da construtora: “Dividimos a gestão administrativa e financeira com o parceiro e temos que dar conta do planejamento estratégico e da governança corporativa. Como optamos por fazer parcerias com empresas de pequeno e médio portes, sabíamos que algumas delas não atenderiam esse padrão e cuidamos disso internamente”.

Isso não significa, no entanto, que as aplicações diretas dos fundos sejam inviáveis às pequenas e médias empresas. Muitas vezes, a sociedade em um projeto específico funciona como degrau para uma união mais duradoura. “A SPE pode ser uma forma de o fundo avaliar o mercado, conhecer o setor ou mesmo testar uma parceria com o empreendedor”, garante Rodrigo Pasin, consultor da butique de fusões e aquisições V2 Finance.

Na outra ponta do processo, o tipo de investimento – em SPE ou na empresa – influencia também as estratégias de saída, ou seja, a forma como o fundo vai desinvestir o capital e receber os retornos ao final da operação. Se o aporte foi feito diretamente na empresa, a participação do fundo pode ser comprada de volta pelos sócios originais, ou vendida para outros fundos, empresas e novos sócios. É comum, em companhias maiores, a opção pela abertura do capital da empresa. Já nas parcerias em SPE, o retorno do investimento se dá pela comercialização das unidades. No caso de um imóvel comercial para locação, é possível securitizar os recebíveis do aluguel (convertendo os ativos em títulos mobiliários passíveis de negociação) ou vender o empreendimento para um FII (Fundo de Investimento Imobiliário), entre várias outras alternativas.


Fonte: PricewaterhouseCoopers

Quando optar pelo private equity

Não existe uma regra sobre o tamanho ou estágio ideal de uma empresa para que ela seja alvo de investimentos de private equity. “Em geral, a empresa deve ter experiência, conhecimento de mercado, controle de seus processos e enxergar uma oportunidade de crescimento”, afirma Pedro Klumb.

É essencial, no entanto, que o empresário saiba diferenciar o investimento em participações de outras formas de capitalização: não é só dinheiro chegando, é também divisão de poderes e compromisso com rentabilidade, em geral superior a 20% ao ano, num prazo que gira em torno de cinco anos. “As empresas têm que ter muito claro se elas querem o fundo de participação, se elas estão propensas a este tipo de apoio, melhoria ou mudança. É preciso cruzar a ponte entre ser o dono da empresa e ser um acionista”, alerta Sidney Chameh.

Mais do que parceiro, o fundo será um novo sócio, muitas vezes majoritário, e a empresa precisa estar preparada para o monitoramento que decorre da aliança. Segundo detalha Pedro Klumb, “geralmente em uma empresa média ou pequena os sócios trabalham juntos, um ao lado outro e não têm que prestar contas. Quando o fundo entra, é preciso fazer relatórios, ter disciplina, controle, burocracia. A rotina da empresa vai mudar e ela tem que estar disposta a isso. São as dores do crescimento. Se entrar sem pensar, corre o risco de se arrepender”.

Embora a perda da autonomia deixe alguns empresários ressabiados, o vice-presidente da ABVCAP argumenta que a prestação de contas pode ser saudável, pois aprimora os mecanismos de controle, estimula o amadurecimento e aumenta a eficiência da gestão. “A consequência disso é mais resultado para a empresa.”

O processo seletivo

Acessar o cofre dos fundos não é uma tarefa fácil. Para garantir retorno a seus cotistas, as gestoras fazem uma seleção criteriosa das empresas antes de fechar negócio. Segundo relata Rodrigo Abbud, diretor do braço de investimento imobiliário da Vision Brazil Investments, que administra atualmente um fundo de private equity, nos últimos três anos mais de 70 empreendimentos comerciais passaram pelo crivo do fundo. Destes, apenas três foram selecionados.

Para a pequena ou média construtora enfrentar a concorrência, o primeiro passo é traçar em linhas muito claras quais os objetivos projetados para o capital que será investido. “O empresário precisa ter uma visão do seu negócio: como ele vê a empresa crescendo nos próximos cinco anos? O que ele precisa corrigir para chegar aonde quer? Isso provavelmente vai exigir uma série de recursos que ele não tem”, afirma Pedro Klumb.

Sidney Chameh recomenda uma análise cuidadosa das forças e fraquezas da empresa, bem como das oportunidades e ameaças que se desenham no mercado. O estudo vai nortear a elaboração do plano de negócios que será avaliado pelo fundo e que deve esclarecer quem é a empresa, o que ela já realizou, aonde ela quer chegar, como pretende fazer isso e de que recursos necessita. Para auxiliar na reorganização dos processos internos é possível – e aconselhável – contratar uma consultoria especializada. Grandes bancos de investimento e butiques financeiras realizam este trabalho.

A iniciativa do contato com os fundos pode partir de qualquer uma das partes. Nesta etapa, networking é fundamental. “De mais de 20 empresas do segmento residencial que analisamos, a maioria vinha de relacionamentos prévios meus ou de pessoas que trabalham comigo. Muitos eu já conhecia do mercado, de negócios, de reuniões no Secovi (Sindicato da Habitação) e encontros do gênero”, exemplifica Rodrigo Abbud. Caso a empresa não esteja familiarizada com este mercado, a consultoria pode servir como ponte para a aproximação com os fundos.

Para Sidney Chameh, o melhor caminho é procurar um fundo que se adapte à construtora: “Por mais que a empresa esteja interessada no dinheiro, a escolha deve ser mútua, afinal, não é uma operação de curto prazo”. Os perfis dos fundos são diversos. A preferência por participações majoritárias ou minoritárias, o tipo de empresas que integram suas carteiras, a rentabilidade esperada, o nível de influência na gestão, tudo isso pode variar – e muito – conforme o regulamento do fundo. Ler um prospecto, perguntar por negócios feitos anteriormente e conversar com outras empresas que receberam investimentos são formas de se fazer uma pré-seleção. A própria negociação é reveladora da mecânica de trabalho da gestora do fundo.

Após o primeiro contato, as gestoras partem então para uma avaliação preliminar da empresa. Para Rodrigo Abbud, “a flexibilidade para uma política de governança um pouco mais estruturada é o principal ponto. A grande maioria das construtoras menores, centralizadas na figura dos sócios, não está aberta a isso. Mas se a empresa mostrar essa possibilidade de adequação, todo o resto se acerta”. Além dos aspectos gerenciais, os fundos avaliam o histórico e a performance da empresa, as perspectivas do mercado em que ela atua, a viabilidade dos empreendimentos planejados para o período de investimentos e, por fim, as estratégias de saída disponíveis.

Empresas pré-selecionadas passam então às rodadas de negociação com os fundos para definir os termos dos negócios – quanto será investido, qual será a participação de cada sócio, como serão feitos os aportes etc. – que, em seguida, são formalizados em uma carta de intenções, também conhecida por Term Sheet ou MOU (Memorandum of Understanding).

Confirmado o interesse e acertadas as arestas, inicia-se uma última etapa do processo: a due diligence, uma auditoria completa da empresa abrangendo as áreas técnica, ambiental, jurídica, financeira, comercial e de TI (tecnologia da informação). A inspeção é feita por profissionais terceirizados de diversos setores, contratados pelo fundo, e costuma durar em torno de três meses. Finalmente, com resultados satisfatórios nessa fase, fundo e construtora celebram o contrato de compra e venda da participação ou estruturam, em sociedade, a SPE. Mas o trabalho não acaba por aqui.

A fim de acompanhar a alocação dos recursos acordados, as gestoras de private equity, agora sócias do negócio, participam ativamente das decisões estratégicas da companhia, geralmente integrando o Conselho de Administração. Os investimentos na estrutura da empresa passam pela aprovação de comitês da gestora e os projetos são acompanhados via relatórios, fiscalização dos canteiros e reuniões periódicas. A liberação dos recursos é feita segundo o cronograma de obras e, muitas vezes, fica condicionada à comprovação dos gastos.

Tanta vigilância se justifica pelos resultados vigorosos registrados e pelo número crescente de empresas que buscam esta alternativa de capitalização. A julgar pela reação dos fundos, o modelo tende mesmo a se expandir. A Vision Brazil Investments está em fase de captação de seu segundo FIP imobiliário, que deve angariar US$ 500 milhões para investimentos no segmento comercial, residencial econômico e de shopping centers. A Global Equity, que já conta com R$ 360 milhões sob gestão em seu FIP para projetos comerciais e residenciais, tem a meta de atingir os R$ 500 milhões até 2011. A RB Capital, outra gestora de recursos, possui R$ 70 milhões investidos em 22 projetos residenciais de diversas regiões e está estruturando um novo FIP, de captação global e volume que a empresa classifica como “múltiplo em relação ao primeiro”.

Esses são apenas alguns exemplos do que vem por aí. Confira nas páginas seguintes a história – e os resultados – de algumas das empresas que já optaram pelo caminho dos fundos.

O que você pode ganhar e perder com investimentos de private equity

Benefícios

 

Capitalização

Com a venda de participação acionária para um fundo de participações, as empresas conseguem acessar um volume de capital que dificilmente seria igualado por outra fonte de recursos.

 

Foco no negócio

Com a garantia de capitalização por um tempo definido, não é preciso correr atrás de dinheiro para cada projeto desenvolvido. Os executivos ficam livres para concentrar esforços exclusivamente no desenvolvimento do negócio da empresa, que é a construção e não a captação de recursos.

 

Profissionalização

A reestruturação gerencial e a padronização dos processos impostas pelos fundos de participação colaboram para o amadurecimento da empresa e melhoram a eficiência da gestão. As práticas de governança instauradas preparam a companhia para um eventual IPO (oferta pública de ações), se este for um de seus objetivos.

 

Mudança de patamar

O compromisso com a entrega de resultados, somado aos investimentos na estrutura da empresa, resulta não apenas em crescimento, mas numa mudança de patamar. De pequena, para média. De média, para empresa de capital aberto. Segundo afirma o consultor financeiro Rodrigo Pasin, “é assumir divisão de poderes em troca de crescimento e geração de valor”.

Riscos

 

Não se iluda

É muito sedutor para uma empresa fazer uma operação desse porte. Falar não para um fundo é uma decisão difícil, principalmente se a empresa for pequena e o aporte, volumoso. Mas repense o seu negócio e analise friamente se você está preparado para as cobranças e o monitoramento que virão com o dinheiro.

 

Seja seletivo

Selecione o fundo que melhor se adapta à sua empresa, afinal, você vai travar um relacionamento de longo prazo com ele. Entenda os objetivos do fundo, pesquise investimentos feitos no passado e converse com outras empresas que receberam recursos. A própria negociação serve como termômetro da relação e permite que você sinta a mecânica de trabalho da gestora. Às vezes, o melhor a fazer é dar um passo atrás, ou você pode acabar casando com o fundo errado.





Fundos imobiliários, nova era

10 02 2010

(Valor Econômico) – 10/02/2010

Injeção de recursos de fundos de pensão e carteiras mais diversificadas, com mais de um imóvel ou com títulos do setor, vão impulsionar mercado em 2010.

O mercado de fundos imobiliários pode dobrar de tamanho em 2010. A grande expectativa gira em torno do dinheiro das fundações que deve ir para o setor – no mercado, estima-se entre R$ 3 bilhões e 4 bilhões os recursos disponíveis para a aplicação somente neste ano. Os 84 fundos imobiliários em operação hoje reúnem patrimônio líquido de R$ 5,2 bilhões. “As fundações serão os grandes fomentadores dessa indústria”, afirma uma fonte do setor.

Bom para o investidor pessoa física, que passará a contar com um senhor reforço para o desenvolvimento do mercado, que já mostra sinais de amadurecimento. Basta ver o movimento cada vez maior de lançamentos de fundos com mais de um ativo – de imóveis a títulos imobiliários -, gestão ativa e participação crescente de bancos de varejo na distribuição e estruturação. Citibank, Bradesco, Santander e Caixa voltaram a dar as caras.

Os números do mercado de fundos imobiliários.

Neste ano, a primeira oferta registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) vai nessa linha. Trata-se do fundo Max Retail, que definiu como foco a exploração de empreendimentos comerciais destinados à exploração do segmento varejista, mas não descarta a chance de investir em papéis como certificados de recebíveis imobiliários (CRIs), letras hipotecárias (LHs) e de crédito imobiliário (LCIs).

O setor de fundos imobiliários está mudando de cara, afirma o advogado Carlos Eduardo Ferrari, do escritório Lobo & de Rizzo. O ingresso de dinheiro novo de fundos de pensão vai criar um mercado com um tamanho mais atraente, aponta. “Uma indústria como a de hoje, de R$ 5 bilhões, é muito pequena para oferecer liquidez e crescer.” Apesar da demanda crescente de investidores, há escassez de ofertas, diz. Mas, com o comprometimento do investimento por parte de fundos de pensão, haverá estímulo para a estruturação de carteira maiores, de pelo menos R$ 100 milhões, porque parte já estará garantida para os institucionais. “O fundo de pensão vai acabar dando respaldo para o crescimento das ofertas.”

Quem ganha com isso é o mercado todo, inclusive a pessoa física, já que o problema da falta de liquidez poderá ser minimizado. Os fundos imobiliários são fechados. Para o investidor sair da aplicação, só vendendo as cotas no mercado secundário, para outro investidor. E, das 84 carteiras, apenas 31 estão listadas em bolsa. “A entrada de fundos de pensão cria uma porta de saída para a pessoa física”, diz Ferrari. Ele destaca ainda o ganho de qualidade com a participação crescente das fundações. Segundo ele, os grandes fundos de pensão têm um processo de análise de investimento muito criterioso, além de cobrarem mais responsabilidade do gestor e administrador.

Fora isso, o potencial de investimento em fundos imobiliários para os próximos anos é enorme. A flexibilização pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) das regras de aplicação das fundações, com a Resolução 3792 de setembro do ano passado, abriu espaço para a aplicação de até 10% do patrimônio para essas carteiras. Foi criada uma rubrica específica para esse tipo de investimento.

Isso equivaleria a quase R$ 50 bilhões – o patrimônio da fundações está perto de R$ 500 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Como não há mercado para absorver todo esse dinheiro, qualquer 1% já será significativo. Hoje, os fundos de pensão não têm nem 1% do patrimônio aplicado em fundos imobiliários, segundo uma fonte do mercado.

Esse interesse de investidores institucionais coincide com um mercado de fundos imobiliários em evolução. Não de tamanho, mas de estrutura e até de cultura dos participantes. “Hoje, o fundo imobiliário pode comprar tudo desde que o ativo seja imóvel ou tenha base imobiliária”, afirma a advogada Marina Procknor, do escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga.

A flexibilização veio no fim de 2008, com a publicação pela CVM da primeira revisão de regras do setor desde a origem, em 1994, e do ajuste no ano passado na legislação que estendeu a isenção de imposto de renda para pessoas físicas também para fundos que compram cotas de outras carteiras ou títulos isentos como o CRI e as letras. “Essa é uma mudança de conceito que vai impulsionar o mercado”, diz Marina.

O fundo imobiliário ficou com mais cara de mercado de capitais, afirma o diretor-executivo da RB Capital, Marcelo Michaluá. “Isso permitirá que mais pessoas acessem esse tipo de fundo, que tem o apelo da isenção para esse público, em ofertas pulverizadas.”

Culturalmente, o fundo imobiliário sempre foi de um imóvel só. Além de a antiga regra orientar o mercado para esse formato, o investidor precisava conhecer o empreendimento, entrar no imóvel, para se sentir confortável. Isso também já começa a mudar, destaca Marina. Além disso, a indústria criou um histórico que permite avançar para fundos diversificados e com gestão ativa.

O mercado, inclusive, coleciona experiências bem-sucedidas. Entre os destaques, estão fundos como o CSHG Brasil Shopping, que tem participação em cinco shoppings, o genérico CSHG Real Estate, com 62 imóveis comerciais na carteira, predominantemente lajes corporativas. No fim do ano passado, a Rio Bravo conseguiu a aprovação da maioria dos cotistas do Financial Center para alterar o regulamento do fundo, que só permitia investir no Edifício JK Financial Center, em São Paulo. O argumento apresentado para os cerca de 400 cotistas foi o de aproveitar as oportunidades no setor de lajes corporativas e escritórios nas regiões comerciais e, assim, diluir os riscos de vacância e até inadimplência de inquilinos.

Outro exemplo de sucesso foi a colocação da oferta, em dezembro, do fundo RB Capital Renda I. A demanda, que superou em 2,8 vezes a oferta de R$ 132 milhões em cotas, atraiu 1.172 pessoas físicas e um investidor institucional. A carteira já nasceu com um portfólio formado por sete imóveis, todos com contratos de locação de longo prazo fechados com grandes empresas, como AmBev, C&A, Magazine Luiza, entre outras. A oferta nova, liderada pelo Ourinvest, vai usar os recursos da primeira emissão, de R$ 70,15 milhões, para a compra de oito imóveis espalhados pelo país, já locados para a Lojas Americanas, Carrefour e Bom Preço.

Para Ferrari, fundos de um imóvel só serão cada vez mais raros. O mercado, acredita ele, caminha para carteiras setoriais. Os fundos de CRIs também terão papel relevante para o crescimento do setor, diz o advogado. E até podem liderar a evolução. Segundo fontes do mercado, há projetos de bancos e gestores como a RB Capital para lançar carteiras de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões de patrimônio. Quanto maior a escala, melhor tende a ser a liquidez.

O ambiente atual é propício para fundos imobiliários. Para a pessoa física, o grande atrativo é a possibilidade de capturar o ganho da atividade imobiliária, que anda pujante no país, com a possibilidade de isenção de imposto sobre rendimento. Também segundo Ferrari, as pessoas têm procurado esse tipo de fundo por ele ter se mostrado resistente a crises. “Com a volatilidade, o fundo imobiliário é uma opção intermediária entre a renda fixa tradicional e a renda variável, com ótimo retorno.”





BNDES anuncia R$ 1 bi para financiar hotéis até a Copa

4 02 2010

(Gazeta do Povo) – 02/02/10

Banco terá linhas especiais para hotéis eficientes e sustentáveis. Crédito será para reforma e construção de estabelecimentos

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério do Turismo divulgaram nesta terça (2) as novas condições para financiamento a hotéis voltadas para a Copa do Mundo, entre elas a destinação inicial de R$ 1 bilhão para o programa, chamado de BNDES ProCopa Turismo.

“A gente pode expandir se for necessário”, disse o diretor do BNDES Élvio Gaspar.

O valor é pequeno para a demanda do setor, que era de R$ 3 bilhões, afirmou o diretor financeiro da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Alexandre Sampaio de Abreu. De maneira geral, porém, Abreu considerou as condições boas.

“Estamos lançando no início de 2010 algo que é para 2014. Estimamos que é tempo suficiente para que a maioria dos projetos saia do papel”, disse o vice-presidente do BNDES, Armando Mariante.

Reforma e construção
O governo pretende estimular reformas e construções de hotéis para que sejam mais eficientes do ponto de vista energético e também de outros, como os ligados a água e tratamento de entulho e resíduos.

“Temos o desafio de não só dotar os hotéis de mais capacidade, mas de serviços mais modernos”, disse o diretor do BNDES. Por isso, além de manter os financiamentos a hotéis sem certificações, criou as categorias de hotel com “eficiência energética” e “sustentável”.

Os que tiverem eficiência energética poderão financiar até 80% do investimento em prazos para pagamento de até 15 anos para construção e até 10 anos para reformas. Os que tiverem certificação de sustentabilidade terão prazos de financiamento de até 18 anos para construção e até 12 anos para reformas. “Os prazos antes eram entre seis e oito anos. São de oito anos para hotéis sem certificações”, disse Gaspar.

Até 30 de junho deste ano, os investimentos dos hotéis em máquinas e equipamentos podem ser feitos pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que tem taxas de juros de 4,5% ao ano. Depois disso, as taxas de juro são de 6,9% para hotéis com sustentabilidade. No caso de hotéis com eficiência energética, a taxa de 6,9% é só para máquinas e equipamentos e os demais itens financiáveis terão taxa de 7,8%. As condições são válidas até dezembro de 2012.

Nas 12 cidades sede de Copa do Mundo, o BNDES receberá diretamente projetos de hotéis de a partir de R$ 3 milhões. Normalmente, o BNDES só trabalha diretamente com projetos a partir de R$ 10 milhões.

O ministro do Turismo, Luiz Barreto, observou que, com o aumento do poder de consumo dos brasileiros, atualmente a demanda nacional já sustenta projetos de investimento em hotéis que antes só se concretizariam pela demanda estrangeira.





Crédito habitacional superou R$ 45 bi em 2009, diz presidente da Caixa

12 01 2010

(Valor Online) -12/01/10

O crédito habitacional ofertado pela Caixa superou R$ 45 bilhões em 2009, segundo informou a presidente da instituição, Maria Fernanda Coelho. Em 2008, esse valor ficou em cerca de R$ 23 bilhões.

“Estamos fechando os números do crédito habitacional do ano passado, mas superamos a barreira dos R$ 45 bilhões. É um número muito significativo para a Caixa”, disse à Agência Brasil, depois de participar de cerimônia de comemoração dos 149 anos do banco, com funcionários da instituição.

Segundo ela, para este ano a expectativa de crescimento é principalmente para o crédito habitacional. Maria Fernanda acrescentou que também está nos planos do banco novas aquisições.

“A Caixa foi consolidada em 2009. Fizemos a aquisição no fim do ano do banco PanAmericano e continuamos a estudar outros setores importantes para a Caixa nos quais a empresa possa se consolidar”, disse. Ela acrescentou que esses “setores” ainda não estão definidos.

Em dezembro de 2009, a Caixa pagou R$ 739,2 milhões para adquirir parte do Banco PanAmericano. O banco estatal, por meio da Caixa Participações S.A. (Caixapar), adquiriu pouco mais de um terço do capital total da instituição financeira, mas compartilhará, em condições de igualdade, o poder com os administradores privados.





Crédito para compra e construção de imóveis aumenta 42% em um ano

30 09 2009

(Gazeta do Povo) – 29/09/09

Em agosto, o saldo do crédito habitacional chegou a R$ 79,852 bilhões, um aumento de 3,8% em relação a julho. Em 12 meses, a alta é de 42,1%

O crédito habitacional tem apresentado expansão, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta terça (27). Em agosto, o saldo do crédito habitacional chegou a R$ 79,852 bilhões, um aumento de 3,8% em relação a julho. Em 12 meses, a alta é de 42,1%.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esse crédito, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, era de 1,3% em dezembro de 2005 e chegou a 2,1% no final de 2008. No mês passado, esse percentual era de 2,7%. Ainda é baixo, mas está crescendo, disse.

Os dados do BC fazem parte da Nota de Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro e são referentes somente s operações com pessoas físicas, diretamente ou com interveniência de cooperativas habitacionais. De acordo com o BC não estão incluídas as informações referentes aos financiamentos para compra de imóveis por empresas e para construção e incorporação imobiliária, assim como operações de programas de habitação popular dos estados e municípios.

Pelo Relatório Trimestral de Inflação, divulgado na última sexta-feira (23) pelo BC, ao serem incluídas todas as modalidades desde a incorporação até a aquisição de imóveis as operações de crédito representaram 3,6% do PIB, em julho deste ano. De acordo com o relatório, o patamar ainda é baixo e indica a existência de potencial de expansão acentuado.

Os dados do relatório mostram, ainda, que o saldo das operações imobiliárias destinadas ao setor de incorporação e construção de edifícios atingiu R$ 27,9 bilhões em julho deste ano, com elevação de 236,2% em relação a igual período de 2006. No caso específico da incorporação, o aumento foi de 416,4%, para R$ 14 3 bilhões. O crédito para a construção de edifícios subiu 151,2% no período, totalizando R$ 11,1 bilhões. O BC fez comparações, no atual documento, com base nos dados do Relatório de Inflação divulgado em dezembro de 2006.

De acordo com o BC, a estabilidade da economia tem favorecido o desenvolvimento do segmento do mercado de crédito para operações de prazos mais longos, como financiamentos habitacionais. A demanda por essa modalidade de crédito está associada maior previsibilidade da economia, consistente com a continuidade do crescimento da renda e do emprego e com a trajetória de redução da inflação e, consequentemente, das taxas de juros.





Construtora agiliza burocracia atuando como correspondente bancário da CEF

25 09 2009

(Valor Econômico) -25/09/09

A palavra não ajuda, mas a operacionalização do programa, traduzida pela capacidade de atuação da Caixa Econômica Federal (CEF), é o fator que pode acelerar ou emperrar o Minha Casa, Minha Vida. Para tentar eliminar as barreiras burocráticas e agilizar o programa, foi criada a figura do correspondente bancário, adotada por praticamente todas as grandes construtoras. Entre 60% e 70% do processo burocrático é adiantado dentro das empresas, que deixam para a CEF somente a palavra final sobre a concessão do crédito.

Atualmente a instituição possui cerca de 12 mil correspondentes – batizados de Caixa Aqui – sendo cerca de 3 mil na recepção do crédito imobiliário. De acordo com a Caixa, podem atuar como correspondente estabelecimentos com produtos ou serviços que tenham relação com o banco, mas que não sejam concorrentes. A preferência, segundo a entidade, está nas áreas de construção e serviços relacionados à atividade imobiliária.

Toda a primeira fase do processo, que inclui a apresentação de documentos, análise do cadastro e até as primeiras entrevistas com clientes de renda comprovada são feitas pelos correspondentes imobiliários. No caso de mutuários sem comprovação de renda – que começaram a ser aceitos pela CEF há cerca de cinco anos – o processo de aprovação é mais complexo e fica nas mãos do banco.

A mineira MRV foi a primeira construtora a atuar como correspondente imobiliário da Caixa. O primeiro projeto piloto foi feito em 1997 e atualmente a empresa atua em 60 cidades. São cerca de 150 profissionais que fazem 1,6 mil processos mensais. “Essa parceria é fundamental para o sucesso do plano e sem ela não conseguiríamos atingir os números atuais”, afirma Rubens Menin, presidente da companhia, que já tem 14 mil unidades aprovadas pela Caixa dentro do Minha Casa, Minha Vida. “Quanto mais a Caixa puder delegar, melhor”, afirma.

No primeiro trimestre, a Tenda conseguiu suas primeiras quatro certificações em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal e agora também atua como correspondente no Rio Grande do Sul e na Baixada Santista. Juntas, essas regiões representam 80% das vendas contratadas durante o primeiro semestre de 2009. “Durante o primeiro semestre de 2009, transferimos 2.026 clientes para a Caixa, 150% superior ao número de clientes transferidos durante todo o ano de 2008″, afirmou a empresa em relatório de resultados do segundo trimestre. No começo do ano passado, a empresa teve problemas de repasse e cancelamento de vendas por conta da avaliação de crédito fora dos padrões da Caixa. “Agora, só vendemos para quem atende o perfil da Caixa.”

Outras empresas como Rodobens, PDG Realty e Cyrela também estão iniciando como correspondentes e devem ampliar sua atuação este ano.





Ações de construção sobem até 8% e lideram alta na bolsa

18 09 2009

(O Globo) – 08/09/09

O anúncio da aprovação pelo governo de uma nova aplicação do FGTS para socorrer as construtoras animou as ações do setor na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis de Cyrela, Rossi e Gafisa subiram 8,39%, 7,84% e 5,11%, respectivamente, liderando as altas entre as ações do Índice Bovespa (Ibovespa). Das outras 19 ações de empresas de construção listadas em Bolsa mas que não estão no Ibovespa, apenas três registraram quedas.A Bolsa também teve um dia de alta, com o Ibovespa registrando ganho de 1,70%, para 56.652 pontos, após a avaliação positiva dos dados do mercado de trabalho americano. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 1,82%. Depois das quedas no início da semana, ontem as ações da Petrobras subiram 0,99%, fechando a R$32,51, praticamente o mesmo preço da sexta-feira anterior (R$32,55). Diante do otimismo do dia, o dólar teve nova queda, de 1,39%, para R$1,840. Também influenciou no otimismo do mercado um resultado ligeiramente favorável do emprego nos EUA. O ritmo de fechamento de postos de trabalho em agosto caiu para 216 mil, contra 276 mil em julho. Porém, a taxa de desemprego americana chegou a 9,7%, a mais alta dos últimos 26 anos.

A chamada taxa de subemprego (trabalhadores em postos temporários em busca de emprego fixo) atingiu 16,8%, um recorde na história americana. Ainda assim, a queda no número de postos fechados animou os especialistas americanos, que acreditam que o pior da crise já passou e que as medidas de recuperação da economia começam, enfim, a fazer efeito nas estatísticas.

Desde o início da crise, EUA já perderam 6,9 milhões de vagas
Mas os números divulgados ontem pelo Departamento de Trabalho mostram que as melhoras no emprego andam mais devagar que no restante da economia, com muitos duvidando se a indústria e as empresas de serviços vão efetivamente repor os postos fechados.

Christina Romer, presidente do Conselho de Economia da Casa Branca e uma das mais próximas assessoras do presidente Barack Obama, afirmou ontem à TV Bloomberg que a taxa de desemprego de 9,7% é uma tragédia. Ela disse que ainda serão precisos alguns meses de recuperação até que a geração de emprego supere as demissões.

Desde o início da crise, em dezembro de 2007, a economia americana perdeu 6,9 milhões de vagas. Mas a trajetória desses postos mostra sinais positivos. Afinal, os 216 mil empregos perdidos em agosto foram bem menos que os 230 mil estimados pelos analistas. E é o menor número desde agosto de 2008, quando a crise se agravou. Com isso, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 1,03%.

Esta semana, o vice-presidente, Joe Biden, afirmou que o pacote de estímulo de US$787 bilhões foi a principal razão da virada recente na economia.

“Em vez de falarmos sobre o começo de uma depressão, estamos conversando sobre o fim de uma recessão”, disse.

A empresa de consultoria econômica IHS Global Insight estima que o pacote de estímulo seja responsável por um aumento de um ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB, a soma de bens e serviços produzidos pelo país) em 2009. E que as medidas salvaram, este ano e em 2010, dois milhões de empregos.








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