Centro em transformação

12 12 2011

(Gazeta do Povo) – 11/12/11

Uma exuberante “cidade nova” de vidro e alumínio está surgindo sobre os prédios antigos de até dois pavimentos entre o Centro Cívico e o Rebouças

Lifespace Estação, empreendimento da Invespark, ganha corpo por trás do esqueleto de um prédio antigo em frente à Praça Eufrásio Correia

Há algum tempo, quem circula pela região central de Curitiba testemunha uma transformação imobiliária como há muito não se via: junto aos sisudos edifícios de muitas décadas, nos últimos terrenos vagos ou em lugar de antigos prédios de um ou dois pavimentos, estão surgindo torres de trinta ou quarenta andares. Uma exuberante “cidade nova” de vidro, alumínio e rebuscados nomes em inglês, que atende – e, principalmente, alimenta – o desejo de morar ou trabalhar no Centro.

Nos últimos três anos, a região central de Curitiba (que além do Centro compreende também o São Francisco, Centro Cívico e Rebouças) foi redescoberta pelo mercado imobiliário, em especial no segmento habitacional. Os edifícios, em muitos casos complexos que somam apartamentos, conjuntos comerciais e estúdios (as antigas quitinetes), prometem oferecer aos seus ocupantes o que existe de mais moderno em comodidades, de redes wi-fi a serviços do tipo pay-per-use.

O processo se acelerou do início de 2010 para cá, segundo os dados da pesquisa Perfil Imobiliário. Construtoras e incorporadoras obtiveram a liberação para a construção de 4.181 unidades residenciais nos quatro bairros, uma média entre 2010 e os dez meses de 2011 de 2.090 unidades – 280% mais que na média anual de 2003 a 2009 (745 unidades).

A participação da região central no total de novas construções residenciais também saltou de um período para outro, de 5% para 14%. Apenas no Centro, a Prefeitura liberou a construção de 2.699 unidades entre janeiro de 2010 e outubro de 2011, o que equivale a mais de dois terços de todas as liberações para a região.

Em relação às obras concluídas, os números também são incríveis: entre janeiro de 2010 e outubro deste ano foram entregues 1.389 unidades residenciais na região central, contra um total de 2.075 nos sete anos anteriores. Em outras palavras: em 22 meses, o mercado recebeu o equivalente a dois terços do que havia recebido nos 84 meses anteriores.

Razões
“A situação começou a mudar há cerca de oito anos, quando as construtoras responderam aos incentivos oferecidos pela Prefeitura de Curitiba para empreendimentos habitacionais na região”, diz o presidente da imobiliária Cibraco e da Rede Imóveis (associação que reúne doze imobiliárias de Curitiba), Sidney Axelrud. Os incentivos dos quais Axelrud fala as são vantagens em relação ao potencial construtivo de quem investe na região. O potencial construtivo permite que uma empresa construa um prédio mais alto e com maior área em regiões determinadas pela Lei de Zoneamento e Uso do Solo Urbano em troca de um repasse em dinheiro a uma obra de interesse público, como a restauração de prédios históricos ou de valor cultural e social, a preservação de uma área verde ou o próprio investimento na reocupação residencial no Centro.

“Os novos projetos têm como foco estudantes, casais sem filhos, solteiros e pessoas mais idosas que querem trocar casas e apartamentos maiores por unidades compactas. E, também, investidores interessados em alugar ou revender os imóveis futuramente”, explica Eduardo Quiza, diretor de incorporação da Invespark. A empresa foi pioneira em apostar no Centro ao lançar, em 2006, o Central Park Residence, edifício de apartamentos compactos e lojas localizado na Praça Osório.

Na avaliação do economista e diretor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa Fábio Tadeu Araújo é possível que, em breve, os empreendedores ampliem o público-alvo de seus empreendimentos. “Por muito tempo, as construtoras e incorporadoras não lançaram apartamentos de dois ou três quartos na região, e existe uma boa demanda por imóveis novos desse padrão. De famílias, pessoas sozinhas ou casais interessados em ter mais espaço para, por exemplo, montar um escritório.” Como exemplo de sucesso no segmento, ele cita o Soul Batel Soho, empreendimento da construtora Laguna na Rua Brigadeiro Franco. Lançado em março deste ano e com entrega prevista para outubro de 2014, o edifício, de 34 pavimentos, apartamentos de três quartos e 120 metros quadrados de área privativa, já vendeu 70% de todas as unidades. Preço? Entre R$ 660 mil e R$ 750 mil.

O valor do metro quadrado privativo na região central é hoje um dos mais caros de Curitiba: R$ 5.093, 7% acima da média da cidade, de R$ 4.744. Os preços médios dos apartamentos de dois e três dormitórios também estão maiores que na média geral, 15,4% e 11,8%, respectivamente. Dos 562 apartamentos à venda hoje na região, 42% estão entre os padrões standard (de R$ 250 mil a R$ 400 mil) e médio (de R$ 400 mil a R$ 600 mil), e apenas 2% são padrão econômico (entre R$ 150 mil e R$ 200 mil).

Moradia e investimento
A arquiteta e consultora de imóveis Vanessa “Duda” Akemy Pereira comprou um apartamento de 34 metros quadrados no Lifespace Sete de Setembro, empreendimento da Invespark na esquina das avenidas Sete de Setembro e Marechal Floriano Peixoto. Segundo ela, os fatores que mais influenciaram a aquisição foram o conceito do imóvel e a localização. “Minha rotina exige que eu more em um lugar mais moderno, e o fato de ser um apartamento compacto ajuda muito. Além disso, eu preciso me locomover rapidamente, o que fica mais fácil a partir do Centro.” Para Vanessa, a configuração dos serviços oferecidos também é uma vantagem. “Para quem quase não para em casa os serviços de lavanderia e limpeza ajudam muito. Além disso, como funcionam no sistema pay-per-use, em que você paga pelos serviços que utiliza, acabam sendo acessíveis.” Ela calcula que, como o edifício terá muitas unidades residenciais – 262, entre apartamentos e estúdios, além de 17 conjuntos comerciais e quatro lojas –, o impacto das facilidades sobre o valor do condomínio não será tão grande. O Lifespace Sete de Setembro deve ser entregue em 2014. Preço das unidades residenciais: a partir de R$ 204.700.

A investidora Luciane Passos Soresini comprou três estúdios e uma garagem no mesmo empreendimento, além de quatro estúdios no Lifespace Estação, em frente à Praça Eufrásio Correia. “Gosto de investir na aquisição dos imóveis ainda na planta, pois é quando eles têm os preços mais atraentes. Eles devem reunir características que atraiam os compradores, como localização estratégica, funcionalidade e lazer. Além disso, procuro trabalhar com incorporadoras de credibilidade, para ter mais segurança.” Sua ideia, em um primeiro momento, é alugar os imóveis. Ela não descarta, contudo, a possibilidade de venda. “Tudo vai depender da evolução do mercado imobiliário na região.”

Luciane acredita que a região central deve se valorizar nos próximos anos. “Os investimentos na revitalização da área são visíveis. Também há a questão do perfil dos interessados, de estudantes, solteiros ou famílias de tamanho reduzido.”





Queda geral da demanda surpreende

7 12 2011

(Valor Econômico) – 07/12/11

As restrições à expansão doméstica e as expectativas negativas sobre a crise na Europa se disseminaram por toda a economia a ponto de paralisá-la no terceiro trimestre – o Produto Interno Bruto não cresceu nada em relação ao trimestre anterior.

Pela primeira vez desde o auge do impacto da crise financeira mundial, na virada de 2008 para 2009, houve retração em todos os componentes do consumo interno: famílias, governo e investimento. O consumo das famílias recuou 0,1%, os investimentos, 0,2% e os gastos do governo, 0,7%. A combinação desses números desfavoráveis torna bem mais difícil chegar a um crescimento de 3,5% em 2012 e improvável a possibilidade de uma expansão superior a 4%, como desejado pelo governo.

Dos componentes do PIB pela ótica da demanda só as exportações cresceram no trimestre passado, 1,8%. O Departamento Econômico do Bradesco, que calcula a série da demanda doméstica total, apontou queda de 0,2%, a primeira desde a virada de 2008 para 2009. Pelo lado da oferta, o setor de serviços foi coadjuvante da queda da indústria, com retração de 0,3%. Exceto pelo quarto trimestre de 2008, a última vez em que o setor de serviços teve queda foi no início de 2005. A exceção entre os três grandes componentes do PIB foi a alta de 3,2% da agropecuária.

As previsões para o PIB do último trimestre em relação ao terceiro variam de 0,2% a 0,8%, na série com ajuste sazonal. Grande parte dos economistas espera para o ano expansão inferior a 3%. E alcançar um PIB muito acima de 3% em 2012 será difícil, mesmo com atuação agressiva do governo. Para atingir o crescimento desejado pela presidente Dilma Rousseff – entre 4% e 5% – o PIB precisará crescer entre 1,4% e 1,8% a cada trimestre em relação ao anterior, um desempenho nada comum na última década.

A expectativa é que o governo adote mais ações para reaquecer a demanda, retirando os freios impostos pelas medidas macroprudenciais e derrubando a taxa de juros. A retração de 0,7% do consumo público surpreendeu o Planalto. Nos próximos dias, será acelerado o empenho de verbas federais vinculadas ao investimento para que esses recursos sejam alocados antes do fim do ano. Do total de R$ 69 bilhões em dotação específica para investimentos, apenas R$ 10,3 bilhões foram gastos de janeiro a outubro. A diferença é a margem que pode ser empenhada e também migrar para o próximo ano, na forma de restos a pagar. Com isso, evitará o desaquecimento sazonal do início do ano e a incerteza em relação à liberação de verbas.





Domicílios com apenas um morador passam de 8,6% para 12,1% em uma década

16 11 2011

(Gazeta do Povo) – 16/11/11

A elevação da expectativa de vida, a verticalização das cidades, a diminuição do tamanho das residências e o aumento das separações conjugais explicam esse aumento

As unidades domésticas com apenas um morador aumentaram de 8,6% para 12,1% na última década. Fenômeno característico dos grandes centros urbanos, ele tem sido observado com mais frequência em estados com índices mais altos de envelhecimento da população: Rio de Janeiro – onde esse tipo de unidade doméstica passou de 11,2% para 15,6% no mesmo período – e Rio Grande do Sul, que subiu de 10,9% para 15,2%.

De acordo com dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), vários motivos explicam esse aumento. Entre eles, a elevação da expectativa de vida – que leva muitos idosos a morarem sozinhos, uma vez que não dividem mais suas casas com parentes –, a verticalização das cidades e a diminuição do tamanho das residências e ainda o aumento das separações conjugais.

Segundo o levantamento, entre as capitais, Porto Alegre (RS) lidera o ranking de pessoas que moram sozinhas, respondendo por 21,6% das unidades domésticas unipessoais.

A gerente de Coordenação de População e Indicadores Sociais, Ana Lucia Sabóia, enfatizou que essa média se aproxima do patamar de cidades europeias. “Isso já é um percentual comparável ao de Barcelona e Lisboa, que são locais onde a proporção de unidades domiciliares unipessoais é bastante elevada”, destacou.

No outro extremo, aparecem os estados do Amazonas e do Maranhão, que mesmo com aumento na última década, ainda detêm os menores percentuais de pessoas que vivem sozinhas. No primeiro estado, a proporção de unidades domésticas unipessoais passou de 5,3% para 8% entre 2000 e 2010, no segundo, de 5,3% para 8,1%.

Além disso, sete em cada dez unidades domésticas no país têm apenas um responsável pelo domicílio. “Entre os municípios das capitais, Florianópolis tem a taxa mais baixa, com 59,9% das unidades com apenas um responsável, ou seja, lá a responsabilidade compartilhada é mais frequente do que nas demais capitais. Já em Salvador, por exemplo, 71,1% são desse tipo, o que indica que lá a noção de responsabilidade [pelo domicílio] está mais concentrada em uma só pessoa”, disse.

Ana Lucia Sabóia acrescentou que o levantamento mostra que existe uma tendência de que em domicílios ocupados por apenas dois indivíduos, a responsabilidade seja atribuída, com mais frequência, a ambos moradores.

Nesses casos, a responsabilidade compartilhada foi observada em 63,4% dos domicílios; em unidades em que também vivem outras pessoas, como filhos e outros parentes, a responsabilidade atribuída a mais de uma pessoa cai para 36,6%.





Novo índice de preços será medidor de eventual bolha no mercado [imobiliário]

2 10 2011

(Gazeta do Povo) – 21/09/11

Crescimento do crédito imobiliário foi ponto de partida para o governo federal criar o indicador

A expansão do crédito imobiliário, assim como o crescimento do segmento e discussões em torno de uma eventual formação de bolha no setor levou o governo federal a criar um índice de preços de imóveis. O decreto 7.565, que estabelece sua criação e ma­­nutenção, foi publicado na última sexta-feira no Diário Oficial da União. As definições de metodologia de cálculo, implementação, manutenção e aprimoramento, ficarão a cargo do Insti­tu­to Brasileiro de Geografia e Es­­tatística (IBGE). O cronograma ainda será definido e não há previsão sobre data de publicação das primeiras estatísticas.

Executivos do mercado imobiliário de Curitiba consultados pela reportagem aprovam a criação do índice, mas admitem certo receio. A expectativa é que o indicador retrate a situação do mercado corretamente. “É salutar, porque me parece que estamos vivendo uma descontextualização do mercado. As cidades têm um dinamismo muito diferente e o resultado de uma não pode ser transferido para a ou­­tra”, avalia o presidente da construtora Partilha, Antonio Carlos Marques Júnior.

Ele cita como exemplo a queda em 31% nas vendas de imóveis novos em São Paulo, divulgada na semana passada. “Deve­mos lembrar que o mercado vem de uma fase de crescimento que é histórica. Claro que a base estatística au­­mentou”, afirma. Marques Júnior compara o desempenho recente das vendas com um time de futebol. “A equipe que ganha de 10 a 0 de seus adversários durante várias partidas seguidas e, depois, passa a ganhar de 3 a 0 não está em crise. Também é assim com os imóveis.”

Brasil X EUA
A situação vivida no mercado brasileiro tem sido comparada ao que ocorre nos Estados Uni­dos de forma equivocada, avaliam os executivos. “Lá houve uma de­­formação do processo. O Brasil tem demanda, déficit habitacional.” Segundo o diretor comercial da VCG Empreen­dimentos, Alexandre Vianna, pesquisas no mercado curitibano traçam um longo caminho a percorrer. “A procura por crédito é uma tendência natural. Vem com a entrega de empreendimentos lançados há dois, três anos, cujo saldo final está sendo financiado agora.”

Confusão
Para o presidente da Redeimóveis –, que reúne 12 imobiliárias de Curitiba, Sidney Axelrud, uma das desvantagens é a interferência no valor de mercado. “Dará uma balizada”, diz. Ele afirma ainda que há o risco de confusão no caso de diferenças no cruzamento de dados com o que existe, como o mapeamento realizado pela Caixa Econômica Federal e as prefeituras.





Falta de indicadores ofusca rumos do setor imobiliário

5 09 2011

(Gazeta do Povo) – 05/09/11

Após quase duas décadas em que esteve subvalorizado, o setor imobiliário passa a ter agora a necessidade de consolidar dados estatísticos em nível nacional e contar com indicadores oficiais

Contrariando a robusta demanda por imóveis, escassez ainda é a palavra que rege o setor imobiliário no Brasil. Escassez não apenas de mão de obra e terrenos adequados para construção, mas carência de estatísticas sobre um mercado que, há cerca de cinco anos, apresenta crescimento constante.

Após quase duas décadas em que esteve subvalorizado, o setor imobiliário passa a ter agora a necessidade de consolidar dados estatísticos em nível nacional e contar com indicadores oficiais, tanto de vendas quanto de preços, capazes de permitir prever e avaliar movimentos de estabilização, queda ou alta.

O primeiro entrave para se chegar a dados oficiais, na visão de quem acompanha o setor, esbarra no fato do setor ser formado, em grande parte, por empresas familiares, de porte menor, dificultando a obtenção de números confiáveis.

“No Brasil é muito complexo obter dados com precisão. O processo de levantamento de dados exatos exige ronda nos cartórios – e ainda existe ilegalidade em registros -, além da composição de todos bancos que têm carteira hipotecária”, afirma o economista e professor de Finanças Ricardo Torres, da BBS Business School.

Diferentemente de muitos países desenvolvidos, que têm dados sobre a indústria imobiliária muitas vezes fornecidos pelo governo, no Brasil a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) vem buscando consolidar pesquisas dos principais mercados do país. Essas pesquisas, entretanto, são resultado de iniciativas isoladas de sindicatos e associações.

O Secovi-SP, por exemplo, sindicato que representa o setor na capital paulista, divulga mensalmente dados de vendas e lançamentos de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo. Os números, contudo, parecem conflitantes quando se comparam aos resultados das principais construtoras e incorporadoras do país, que têm forte atuação na cidade.

Para o analista Marcos Paulo Fernandes Pereira, da Votorantim, esse tipo de dado acaba por não refletir a realidade das empresas grandes. “São dados muito pulverizados, de associações. Por considerar empresas familiares e menores, representa uma base ruim de comparação para empresas listadas na bolsa e distorce a capacidade financeira das grandes”.

Segundo o Secovi, no primeiro semestre deste ano as vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo recuaram 31,3 por cento na comparação com igual intervalo de 2010.

Por outro lado, se considerados os dados divulgados pelas seis construtoras e incorporadoras que integram o Ibovespa, as vendas cresceram 13,6 por cento no mesmo período.

“As pesquisas têm margem de erro muito grande porque dependem de entrevistas com empresas, que podem ter interesses pessoais”, acrescenta Torres.

O levantamento do Secovi, que inclui tanto imóveis na planta quanto prontos, depende, de fato, da colaboração das empresas – de todos os portes – que não são obrigadas a fornecer os números regularmente.

“Imóvel não é um produto padronizado e uma série de fatores, como localização, área útil ou infraestrutura, dificultam as comparações”, diz o gerente de economia e estatística do Secovi-SP, Roberto Akazawa. “Não existe nenhuma regra ou lei que determine aos Estados fazer essa medição.”

Prova disso é que o Secovi no Rio de Janeiro, uma das capitais com mercado imobiliário mais aquecido, não contabiliza as vendas de moradias mensalmente, como ocorre em São Paulo.

Novos indicadores
A pedido do governo, institutos de pesquisa estão em fase de preparação de dois novos índices para acompanhar a valorização de imóveis residenciais.

Um deles está sendo desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto o outro vem sendo elaborado por Fundação Getulio Vargas (FGV) e Abecip, que representa as entidades de crédito imobiliário e poupança. Ambos não devem ser lançados antes de 2012.

“A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) também está em contato com o Secovi para analisar a viabilidade de um indicador nacional para imóveis novos, mas ainda em fase inicial, sem previsão (de lançamento)”, afirma Akazawa.

Atualmente, a Fipe divulga todos os meses um índice de preços de imóveis residenciais que considera apenas unidades anunciadas, na maioria usadas, em parceria com o Zap Imóveis. Já a FGV pesquisa a valorização dos imóveis comerciais trimestralmente.

“Essas instituições farão um bom trabalho, pela credibilidade que possuem, mas terão dificuldade em obter dados confiáveis”, afirma Torres, que não acredita no lançamento de um indicador nacional oficial para o setor no curto prazo.

“É urgente a necessidade de um índice confiável para nortear o rumo do setor, evitando visões distorcidas e infundadas. Mas isso só vai acontecer com o movimento consolidado das instituições do governo”, acrescenta ele.





Indicadores mostram que euforia está no fim

22 08 2011

(Gazeta do Povo) – 22/08/11

Setor deve bater recordes em 2011, mas o ritmo das vendas já é mais lento. Não há mais empreendimentos esgotados já no lançamento, como ocorria no ano passado

Após forte crescimento nos últimos anos, o setor imobiliário começa a dar os primeiros sinais de desaquecimento, influenciado pelos preços altos e pela desaceleração da demanda. O mercado deve bater mais um recorde em 2011, mas o valor dos imóveis já está subindo em um ritmo mais lento, e é cada vez mais difícil encontrar empreendimentos que são vendidos 100% na ocasião do lançamento, como ocorria no ano passado.

A grande oferta de lançamentos está fazendo com que o cliente pesquise e demore mais para fechar o negócio. “Vender 100% das unidades de um empreendimento novo em 90 dias não ocorre mais, como no ano passado. O mercado começa a entrar em um período de acomodação”, diz Normando Baú, presidente do Sinduscon-PR.

Os preços continuam a subir, mas em ritmo menos intenso do que o verificado no ano passado. O valor do metro quadrado em Curitiba, que chegou a valorizar 25% em 2010, hoje avança a taxas de 17%.

O volume de financiamentos com recursos da poupança, que cresceu 70% no ano passado no estado, ainda é forte, mas também começa a perder fôlego. Nos primeiros cinco meses do ano, o avanço caiu para 53%, para R$1,65 bilhão.

As construtoras já dão indicações de que pretendem colocar o pé no freio dos lançamentos nos próximos meses. O volume de unidades liberadas para construção futura entre empreendimentos verticais e horizontais (14.395 unidades) em Curitiba caiu 4% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, depois de avançar 20% em 2010, e atingir 33 mil unidades.

O movimento é puxado pelas grandes empresas do setor, com atuação nacional. A Cyrela e a MRV informaram que o ritmo de venda no segundo trimestre teve queda em relação ao mesmo período do ano passado. A PDG Realty anunciou que prevê que a velocidade de venda menor na segunda metade do ano e a Brookfield, por sua vez, revisou para baixo sua projeção de crescimento para 2011.

A previsão inicial das construtoras era quase dobrar o volume de apartamentos lançados em Curitiba em 2011 em relação ao ano passado, quando alcançou 10 mil unidades, mas Normando Baú diz que considera difícil atingir esse desempenho. “Tivemos um primeiro semestre muito forte, mas no ano acredito que o crescimento fique em 50%, mas será recorde”, afirma. Para ele, as boas condições de renda, emprego e crédito, que impulsionaram o boom do setor, se mantêm, mesmo com a crise internacional.

Segundo o Sinduscon, na média, a velocidade de venda em Curitiba está estável, mas o comportamento é desigual conforme o padrão do empreendimento. “Nos apartamentos de alto padrão, por exemplo, as vendas estão mais lentas, diz Baú.

A grande dúvida das empresas do setor é saber quando a demanda vai começar a saturar. “Nos últimos anos, o setor atendeu também a demanda reprimida. Curitiba ficou muitos anos lançando uma quantidade de imóveis menor do que a procura. Agora o setor está chegando a uma fase de maturidade, que começa no segundo semestre desse ano e deve ir até provavelmente o fim de 2013”, prevê Fábio Tadeu Araujo, economista da Brain, consultoria, especializada em mercado imobiliário. Nesse novo cenário, a tendência é que as empresas passem a fazer lançamentos de menor porte e o mercado registre velocidade de venda menor, principalmente em produtos mais saturados e bairros mais concentrados de empreendimentos novos.

Calote de investidor ‘descapitalizado’ preocupa o setor
Uma parte dos imóveis novos que começam a ser entregues agora estão nas mãos de investidores, que compraram na planta há dois, três anos, e que agora querem realizar suas vendas. Embora as entidades e construtoras evitem falar sobre esses compradores, sabe-se, nos bastidores do mercado, que há uma preocupação com aqueles investidores pouco capitalizados, que não têm dinheiro para quitar a dívida ou crédito para honrar o financiamento na entrega das chaves. São investidores que se empolgaram com a possibilidade de ganhos com o boom do setor, mas que não tinham capital e nem experiência de aplicação em imóveis, que são conhecidos pela pouca liquidez na hora da venda. Sem dinheiro, eles provavelmente vão precisar vender rapidamente os imóveis e, em um cenário de grande oferta, poderão começar a depreciar os preços. Estima-se que haja um volume pequeno de investidores nessas condições, mas é possível observar em Curitiba alguns empreendimentos em fase final de acabamento já com cinco, seis unidades com placas de venda. “Aquele que compra e não tem como honrar o financiamento não é investidor, é especulador. E isso não é saudável para o mercado. Conheço dois casos de construtoras que tiveram que retomar o imóvel de pessoas que não conseguiram pagar na entrega. Mas em geral quem atua como investidor nesse mercado está capitalizado”, afirma Gustavo Selig, presidente da Ademi. Para barrar o investidor depreparado, algumas construtoras têm aumentado os porcentuais das taxas de transferência de imóveis.

Imóveis menores têm valorização superior
Os apartamentos de um e quatro quartos são os que apresentaram uma redução maior no ritmo de alta de preços nesse ano, segundo dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imo­­biliário do Paraná (Ademi).

Depois de subirem 31,3% em 2010, as unidades de um quarto estavam com valorização de 9,3% até maio desse ano (último dado disponível). O preço médio do metro quadrado por área total desse tipo de imóvel ficou em R$ 3.277,32.

No caso dos apartamentos de quatro quartos, o aumento dos preços, que atingiu 34,3% em 2010, ficou em 10,8% nesse ano, para R$ 3.272.

Os preços dos apartamentos de três quartos também estão subindo menos – depois de uma alta de 20,6% em 2010, eles estão 15,1% mais caros e em maio o metro quadrado estava em R$ 2.554,99. A exceção ficou por conta dos apartamentos de dois dormitórios, que fizeram o movimento contrário: o aumento passou de 8,3% para 20,7% entre 2010 e 2011. Em maio, o preço médio do metro quadrado estava em R$ 2.483,75.

Para Gustavo Selig, presidente da Ademi, os preços não devem mais repetir as taxas de crescimento de anos anteriores – quando chegaram a aumentar entre 25% e 32% – mas a tendência, no médio prazo, ainda é de valorização: entre 15% e 18% ao ano.

Construção: oferta pode recuar até 35%
Nos próximos dois anos, o volume anual de unidades liberadas para construção em Curitiba deve recuar até 35% – dos atuais 33 mil para entre 17 mil e 23 mil unidades, segundo projeção da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, especializada em dados sobre o mercado imobiliário. “Desse total, acredito que entre 12 mil e 15 mil serão para o mercado vertical, que é mais ou menos o tamanho da demanda adicional por ano da cidade” afirma Fábio Tadeu Araújo, sócio consultor.





Indice FIPE ZAP

30 07 2011

(Eduardo Quiza) – 30/07/11

O Índice FIPE ZAP de Preços de Imóveis Anunciados é o indicador de preços de imóveis produzido em parceria entre a FIPE e o ZAP Imóveis

Segundo Eduardo Zylberstajn, Coordenador do Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados, o mercado imobiliário carecia de um indicador abrangente e confiável que acompanhasse a evolução dos preços de venda e o valor de locação dos imóveis – “No Brasil, esse desafio é ainda maior. Os registros e os cartórios de imóveis não têm um banco de dados público de fácil acesso; mesmo se tivessem, sabe-se que muitas das escrituras por vezes não refletem os valores de fato transacionados”.

“Para construir o índice a Fipe firmou uma parceria com o ZAP, um portal de classificados na internet. O Zap possui uma grande massa de anúncios; no caso dos imóveis, são quase 200.000 a cada mês. Além disso, em algumas cidades (São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo), os anúncios estão disponíveis desde dezembro de 2007. Isso permitiu construir um índice com 3 anos de cobertura”, afirma Eduardo Zylberstajn.

Com esses dados, a Fipe se responsabilizou pelo desenvolvimento da metodologia que resultou no Índice FipeZap de Preços de Imóveis Anunciados. Essa metodologia é descrita nas notas metodológicas (Índice FipeZAP – Notas Metodológicas v20110216).

No site do Fipe Zap é possível consulte as séries históricas do preço e do valor do aluguel dos imóveis, para o índice composto nacional ou, individualmente para os municípios de Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo e o Distrito Federal.

No site do Zap existe uma ferramenta que mostra a variação do FipeZap comparada a outros índices como INCC, Ibovespa e CDI.





Vendas de imóveis caíram em São Paulo

29 07 2011

(PINIweb) – 13/07/11

Cidade vendeu cerca de 34% unidades a menos no acumulado de janeiro a maio de 2011, mas mercado apresenta recuperação gradual

O mercado imobiliário paulistano fechou os cinco primeiros meses de 2011 com vendas acumuladas de 8.964 unidades residenciais, reduzindo para 34,3% a diferença em relação ao mesmo período de 2010, quando foram comercializados 13.646 imóveis. Os dados são do Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP.

Na região metropolitana da capital, foram vendidas 19.252 unidades, com variação negativa de 32,9% sobre as 28.674 unidades comercializadas entre janeiro e maio de 2010, de acordo com pesquisa mensal realizada pela entidade.

No mês de maio, no entanto, houve alta de 2,6%, com a comercialização de 2.380 unidades contra os 2.319 imóveis vendidos em abril. Cerca de 83,9% das vendas foram concretizadas na fase de lançamento do empreendimento.



O volume de venda de apartamentos de dois dormitórios cresceu 32,8%, com destaque para bairros tradicionais como Morumbi e Brooklin, além dos subdistritos Belém, Tucuruvi e São Miguel, com diversificação de produtos desde empreendimentos econômicos até os de classe média. Ao todo, as vendas de unidades com dois dormitórios representou 45,5% do total comercializado (1.085 unidades) e 26,7% corresponderam a unidades de três dormitórios (635 unidades).

Para o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, apesar de o resultado acumulado das vendas no ano estarem aquém do demonstrado em igual período de 2010, o mercado registra recuperação nos últimos dois meses. “O setor imobiliário deverá crescer nos próximos meses do segundo semestre, quando tradicionalmente o mercado melhora”, conclui.






Setor da construção vê acesso ao crédito difícil

28 07 2011

(Gazeta do Povo) – 28/07/11

As condições de acesso ao crédito continuaram difíceis no mês de junho, na avaliação das empresas da construção civil, segundo sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta manhã. O indicador se manteve em 48,8 pontos no segundo trimestre, abaixo da linha dos 50 pontos – que indica expectativa negativa. Essa percepção se deve principalmente às medidas adotadas pelo governo para controle da inflação, segundo o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.

Entre os principais problemas da indústria, o alto custo da mão de obra já ocupa a terceira posição na avaliação das empresas consultadas, perdendo apenas para a elevada carga tributária e a falta do trabalhador qualificado. “A falta de trabalhadores já está apresentando um impacto direto na alta nos custos. É uma simples questão de oferta e demanda”, aponta Fonseca.

Segundo ele, o setor mostra clara recuperação, mas não deve atingir os mesmos níveis vistos em 2010. “Temos a retomada das obras de infraestrutura, que foram praticamente paralisadas nos primeiros três meses do ano, mas não há uma conjunção de tantos fatores favoráveis como a que se observou no ano passado”.





Poli-USP avalia a contribuição dos arquitetos para a melhoria do desempenho dos empreendimentos de real estate

28 07 2011

(PINIweb) – 25/07/11

Poli-USP avalia a contribuição dos arquitetos para a melhoria do desempenho dos empreendimentos de real estate

Pesquisa inclui a participação do profissional desde os conceitos vinculados aos produtos, até a validação dos empreendimentos junto ao público-alvo. Confira documento na íntegra:

Nota da Reunião de 02 de junho de 2011 na qual foi debatido o tema:

A contribuição dos arquitetos para a melhoria do desempenho dos empreendimentos de real estate, desde os conceitos vinculados aos produtos, até a validação dos produtos junto ao público-alvo. Uma discussão tanto dos aspectos positivos da participação dos arquitetos no meio do real estate, até os negativos relacionados com a ausência de uma maior contribuição, ou da contribuição não ser percebida com a necessária profundidade por arquitetos e empreendedores.

Os principais pontos abordados nesta discussão foram: (i) a percepção do valor da Arquitetura no produto real estate, (ii) o que é um bom ou mau projeto arquitetônico de um produto de real estate, (iii) qual a importância do projeto arquitetônico na formação da paisagem urbana e (iv) a percepção do papel do arquiteto no projeto do produto de real estate.

Uma enquete prévia ao debate, entre os integrantes do Comitê de mercado, sob os tópicos enumerados nesta nota, apresentou o entendimento sintetizado nos gráficos. Os membros do Comitê responderam à enquete julgando como é a sua percepção sobre a forma como cada tema é visto no ambiente do mercado brasileiro e não como cada um lê o tema.

Para ler a matéria completa clique aqui.








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