Arquitetos precisam gerenciar, empreender e conhecer a concorrência

19 04 2011

(Gazeta do Povo) – 06/04/11

Fernanda Zannoni, consultora e especialista em gestão e marketing de empresas de prestação de serviços

O aquecimento do mercado imobiliário nos últimos anos respinga positivamente sobre os profissionais da arquitetura e design de interiores. Junto, vem a necessidade de profissionalizar os escritórios, sob o risco de ficarem fora do mercado. Com esta preocupação, 550 profissionais, entre arquitetos, designers de interiores e lojistas, acompanharam esta semana o workshop “Como Gerenciar Es­­critórios de Arquitetura e Design”, ministrado pela consultora Fer­­nanda Zannoni, especialista em gestão e marketing de empresas de prestação de serviços. Ela foi con­­vidada pelo Núcleo Paranaen­se de Decoração e pela Associação de Decoração Ponto de Apoio, em iniciativa inédita das duas entidades.

“No nosso país, somos preparados nas faculdades para ser um profissional empregado e não um empresário. Falta desenvolver em­­preendedorismo e gestão”, afir­­ma Fernanda, que é referência no mer­­cado de consultoria pa­­ra entidades nacionais de arquitetura e autora de artigos e roteiros de vídeos de treinamento em gestão. Em entrevista à Gazeta do Povo, a con­­sultora falou sobre as principais falhas encontradas no dia a dia desses profissionais e como con­­­­tornar as dificuldades e me­­lhorar os negócios, através de re­­cursos e processos simples. Con­­fira os principais trechos da entrevista.

O que falta aos arquitetos e designers para que se tornem empresas competitivas?
Eles são excelentes profissionais técnicos, mas muitos não fazem o gerenciamento do negócio e não conseguem ter o resultado que esperam. A faculdade não nos prepara para isso. A demanda é latente, vem de uns três, quatro anos, mas agora se intensificou. O mercado está superaquecido e é preciso se profissionalizar. Os contratantes estão exigindo uma formalização e uma profissionalização para poder competir e as empresas precisam agir.

Qual a maior falha detectada neste segmento?
A falta de controle e conhecimento dos resultados. A maioria não faz um mapa de controle do negócio, da gestão financeira. Não sabe o resultado do negócio, o que cada cliente ou cada projeto feito trazem. Acontece muito de os escritórios terem um conjunto de clientes no qual uns canibalizam o re­­sultado de outros, ou seja, clientes que são muito lucrativos e alguns que absorvem esse resultado positivo. Na medida em que o escritório começa a calcular o quanto cus­­ta prestar um serviço, ele consegue escolher os clientes que de­­ve manter e prospectar os clientes certos, ou fazer o preço adequado na hora da contratação.

Como colocar em prática este controle?
Quem não mede, não gerencia. Se a empresa consegue medir performance de resultado por cliente ou projeto, faturamento e despesa, co­­meça a perceber que o processo de trabalho pode ser otimizado pa­­ra que tenha menos custo ou produza melhor e mais rápido. Co­­me­ça a ver que há metas de faturamen­to a atingir; desenvolver marketing e canais de comunicação, para atingir o cliente certo; e se posicionar com o concorrente adequado e não com o equivocado. Há muito a mentalidade de que os concorrentes são todas as pessoas que estão no mercado. En­­quanto que con­cor­­rente é aquele que compete com o mesmo cliente e da mesma forma. E isso, por meio de um ma­­pa de controle, começa a aparecer: como vender e para quem; como aumentar as vendas e reduzir custos; como aumentar a lucratividade; que clientes demitir e quais buscar.

Esta profissionalização demanda muito investimento?
Não. São controles simples, feitos até em planilha de Excel. O importante é que as empresas entendam por que precisam controlar e saber interpretar o que os relatórios mos­­tram. O processo de aprendizado de gestão dos profissionais é que é importante. Perceberão onde há oportunidades de melhoria, onde vai bem e no que tem de investir. Mas somente a ferramenta não adianta. Há muitas empresas que têm softwares de controle de gastos, caixa, projetos, mas não sabem o que fazer com isso. Elas lançam, mas não olham os relatórios, ou olham de forma que não conseguem extrair muita informação qualificada. O mais importante o que será feito com essa informação.





Pesquisadores medem maturidade das empresas em gerenciamento de projetos

13 11 2010

(PINIweb) – 12/11/10

Estudo deve permitir ao empresário comparar seus resultados com outras empresas e aprimorar a qualidade de gestão

Método utilizado para medir a maturidade de empresas na área de gerenciamento de projeto, a Pesquisa de Maturidade em Gerenciamento de Projetos, permite que cada empresa, de diferentes segmentos, avalie a sua “maturidade” na área. Todo o estudo é conduzido pelos pesquisadores Darci Prado e Russel Archibald.

A ideia é que, a partir das pesquisas realizadas pelo site, o empresário possa comparar os seus resultados com outras empresas, traçar um plano de crescimento e aprimorar a qualidade de gestão de sua empresa.

A pesquisa referente a este ano já está em fase final e deve ser divulgada até dezembro. Os interessados ainda podem responder as perguntas até o fim do mês de novembro, pelo próprio site da pesquisa. Podem participar os responsáveis por setores da organização que tocam projetos.

O estudo aborda cinco grandes categorias de projetos usualmente executados pela indústria da construção: incorporação imobiliária, serviços (construção industrial, construção pesada) para clientes da iniciativa privada e obras públicas e de infraestrutura (inclusive construção pesada) para clientes do setor público.

A pesquisa permitirá uma radiografia do setor da construção quanto à sua capacidade de enfrentar grandes desafios, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O projeto conta com apoio de várias entidades, entre elas, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Associação Brasileira de Gerenciamento de Projetos (ABGP), a Fundação Dom Cabral (FDC) e o Instituto de Engenharia de São Paulo (IE-SP).

Na última edição, em 2008, 310 empresas responderam, e o índice de maturidade chegou, em média a 2,66, numa escala de 1 a 5, apresentando melhora em relação à pesquisa de 2006.





Gerenciamento do Projeto na Ótica do Gerenciamento da Comunicação: Manual para Escritórios de Arquitetura

3 03 2010

Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Construção Civil, Departamento de Construção Civil, Setor de Tecnologia da Universidade Federal do Paraná, como requisito parcial à obtenção de título de Mestre em Construção Civil, Área de Concentração em Gerenciamento.

Orientador: Silvio Aurélio de Castro Wille, PhD

Esta dissertação trata do gerenciamento da comunicação no desenvolvimento dos projetos em escritórios de arquitetura. O gerenciamento do projeto surgiu na década de 50 e sua disseminação foi sempre crescente perante as empresas, visto o impacto positivo que pode trazer em relação à redução de prazos, ao aumento da qualidade, ao aumento de lucratividade, entre outros benefícios que foram explanados neste trabalho. Para tanto, o objetivo principal desta pesquisa, foi propor um manual de diretrizes a fim de auxiliar os escritórios de arquitetura a efetuarem o gerenciamento da comunicação no desenvolvimento de seus projetos. A base teórica desta pesquisa apresenta temas relacionados com a comunicação, o gerenciamento de projetos, os instrumentos da comunicação do projeto e as ferramentas de tecnologia de informação. O método de pesquisa adotado foi o de estudo de casos múltiplos, através de três estudos em escritórios de arquitetura na cidade de Curitiba-PR/ Brasil. Na preparação dos estudos foi elaborado um protocolo de pesquisa com questões para a coleta de dados nos escritórios. A condução dos estudos de caso foi de ordem exploratória; através de documentos, entrevistas e observação direta nos escritórios. As etapas para a entrevista foram através dos dados da empresa (estrutura organizacional, atividades e serviços); dos dados do gerenciamento da comunicação (instrumentos da comunicação e gerenciamento das pessoas envolvidas no projeto); dos dados da tecnologia da informação (ferramentas e sistemas utilizados); dos dados do processo de projeto design (etapas do produto), dos dados dos instrumentos da comunicação do projeto e dos dados do processo de projeto (design). Após a validação foi realizada uma análise cruzada destas informações. Nesta análise ficou evidente a maturidade de nível inicial do gerenciamento de projetos nos três estudos de caso. O produto final desta pesquisa foi a criação de um manual, composto por diretrizes do gerenciamento da comunicação, através de instrumentos e ações para o desenvolvimento dos projetos nos escritórios de arquitetura.

Clique para baixar a dissertação.








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