Gafisa volta a disparar com rumores de oferta pela empresa

3 02 2012

(Valor Econômico) – 01/02/12

As ações ordinárias da Gafisa continuaram em forte alta hoje, com rumores no mercado de que um investidor prepara uma oferta pela empresa.

Os papéis encerraram o pregão com valorização de 5,87%, cotadas a R$ 5,05. Todo o setor de construção registrou ganhos na Bovespa. Rossi Residencial ON disparou 8,07% e PDG Realty ON subiu 7,52%. Foram as três maiores altas do Ibovespa no dia.

Entre os investidores circulam rumores de que o Equity International, do megainvestidor Sam Zell, e a GP, que já foram acionistas da companhia no passado, estariam interessados na empresa. Também há boatos de que o fundo Paladin, que tem participação na Viver, seria outro interessado.

Sam Zell saiu do investimento na Gafisa em duas operações, uma no fim de 2009 e outra em agosto de 2010 – ao deixar a companhia, a ação da empresa valia cerca de R$ 12 , três vezes mais do que a cotação atual.

Por essa razão, uma fonte de mercado observa que a volta de Sam Zell à companhia seria interessante para o investidor. No ano passado, GP e Paladin já conversaram com Gafisa. No entanto, alguns investidores questionam se esses fundos teriam recursos para fazer a operação.

Pela cotação de ontem, a Gafisa está avaliada em cerca de R$ 2 bilhões na bolsa, metade do seu valor patrimonial, que é de R$ 8,85 por ação. Por conta do preço baixo, alguns investidores acreditam que a empresa poderia tornar-se alvo de uma oferta por seu controle ou por uma participação relevante. A aposta aumenta por causa do capital pulverizado da companhia.

Nenhum acionista da Gafisa possui fatia superior a 5% do capital da empresa. O estatuto da companhia prevê que se um investidor tiver mais que 30% do capital da empresa deverá fazer uma oferta por 100%. Ou seja, antes de fazer uma oferta por toda a companhia, algum interessado teria espaço para fazer compras até atingir 29,9%.

Nos rumores de hoje, circularam até valores – estima-se que uma eventual oferta seria feita na casa dos R$ 6,00 a R$ 6,50, ou seja, entre os valores patrimonial e de mercado.

Procurados, GP informou que não comenta rumores de mercado. Equity International e Gafisa não retornaram. E o Paladin informou que não comenta sobre operações específicas, mas reforçou que está sempre atento a oportunidades de mercado.





O que esperar do preço dos imóveis?

10 09 2011

Por Eduardo Quiza*

Pesquisa recente divulgada pela Global Property Guide e pela Embraesp sinaliza que o preço dos imóveis no Brasil lidera o ranking mundial de valorização em 12 e 24 meses até setembro de 2010. Mesmo descontando a inflação do período, ainda assim o resultado permanece inalterado, mantendo os índices na frente do preço praticado em mercados com desempenho histórico invejável, tais como Hong Kong e Cingapura.

Uma das maneiras de responder a questão complexa acima é dividi-la em novas perguntas mais simples; se ainda assim não obtivermos a resposta, continuaremos com o processo até chegarmos juntos a perguntas simples o bastante para serem respondidas. Em caminho inverso, as respostas das perguntas mais simples irão formar a resposta da questão chave e penso, honestamente, que a questão merece a aplicação do método:

Existe uma “bolha” imobiliária?

Essa não é a primeira “pergunta mais simples” por acaso, até porque, se sua resposta fosse positiva teríamos que abandonar a ideia de projetar um cenário para a evolução dos preços tendo em vista que o comportamento de uma “bolha” não é apenas baseado em fundamentos econômicos e sendo assim, ela é imprevisível.

Em 1990 Stiglitz (1) definiu a bolha: se a razão pela qual o preço é alto hoje decorre apenas da crença dos investidores ou compradores de que o preço de venda será maior amanhã – quando os fundamentos não parecem justficar tal preço – então uma bolha existe.

A formação das bolhas está, portanto, diretamente atrelada ao fator comportamental, já que os indivíduos abandonam a análise racional para seguir aquilo que seus pares estão fazendo. Recente, a crise imobiliária norte americana está viva em nossa memória e deve ser tratada como de fato é: a bolha. É fundamental lembrar que o catalisador dessa bolha não foi o mercado imobiliário em si, e sim a avidez do sistema financeiro estadunidense por ativos de risco e como alternativa às baixas taxas de juros definidas pelo Fed(2) para combater a recessão em 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro. É notório o restante da história: empréstimos subprime, falta de critério na concessão do crédito, agências de risco atribuindo classificação AAA aos papéis, resultando em oferta de crédito abundante, sem regulação e com demanda não sustentável por ativos – especialmente imóveis.

A situação em nosso país não guarda semelhança alguma com o que ocorreu nos Estados Unidos. Nosso sistema financeiro é regulado e o Banco Central monitora os dados das instituições através da central de risco. Exemplo concreto são os depósitos compulsórios utilizados como instrumento para dar liquidez ao sistema em 2008. Enquanto nos Estados Unidos praticamente a totalidade do crédito imobiliário está baseado na securitização de recebíveis, no Brasil, essa participação representa pouco mais de 10%, sendo que a parte majoritária ainda é atendida por financiamento bancário.

O processo de concessão de crédito no Brasil evita financiar o imóvel em sua totalidade. Em 2010, por exemplo, apenas 2,5% dos mutuários apresentavam três ou mais parcelas em atraso. Tendo em vista que o crédito imobiliário representa apenas 3% do PIB, é possível considerar como mais provável a hipótese de que uma eventual crise no mercado imobiliário jamais contamine o sistema financeiro do país.

Sendo assim, devo pontuar que não há sinal de bolha imobiliária. Inicialmente porque falta o catalisador ideal que é a oferta ostensiva de crédito para turbinar a demanda. Além disso, a elevação do preço dos imóveis está relacionada diretamente ao aumento da demanda, tema explorado na questão a seguir:

Qual o comportamento esperado para a demanda por imóveis?

Existem dois fatores relevantes que apontam para um crescimento sustentável da demanda:

• A pirâmide etária da população brasileira revela que já estamos deixando a fase de expansão e iniciando, predominantemente, o processo de amadurecimento e envelhecimento da população. Tal deslocamento em direção ao topo da pirâmide irá contribuir para um crescimento contínuo do público consumidor de imóveis nos próximos quinze anos.

• O fator mais importante para avaliar a demanda por imóveis é o comportamento esperado para a renda. A expectativa para os próximos cinco anos é de que a renda das famílias cresça a taxas maiores do que as observadas nos cinco anos anteriores, consolidando a expectativa de um PIB mais elevado. A manutenção das taxas de desemprego em contínua desaceleração, acredito, reforça o cenário positivo.

Qual o comportamento esperado para a oferta?

Existe gap entre a demanda e a oferta, inerente ao nosso segmento, em função do longo ciclo de preparação de um produto imobiliário (da prospecção do terreno ao lançamento). O risco associado a esse gap é de haver instabilidade do cenário adotado para a demanda e/ou para a oferta em uma região e para a tomada de decisão na compra do terreno – oito meses depois, quando o produto for lançado, é possível encontrar um cenário consideravelmente diferente do inicial.

Uma característica que potencializa o efeito dessa leitura assíncrona entre a demanda e a oferta é o aumento da escala dos empreendimentos. Creio que a hipótese mais plausível para o comportamento da oferta é de que ela tende a suprir a demanda, mas com tendência à ocorrência de sobreoferta de produtos mais especificamente em algumas regiões.

E finalmente…

O movimento e o atual comportamento no preço dos imóveis definitivamente não podem ser classificados como bolha. Há fundamentos econômicos e mercadológicos sólidos que demonstram o crescimento atual da demanda e sua tendência a prosseguir evoluindo no longo prazo, impulsionada pelo aumento da renda dos brasileiros.

Ressalto que uma considerável parcela do aumento no preço dos imóveis está relacionada ao crescimento real e sucessivo do custo de insumos e mão de obra. Nos últimos vinte e quatro meses a variação acumulada de qualquer índice setorial da construção civil foi superior à variação do IPCA e o preço dos terrenos igualmente apresentou crescimento real.

Em 2011 e em 2012 o comportamento do preço dos imóveis deverá prosseguir com viés de alta, especialmente para empreendimentos voltados tanto ao segmento econômico quanto à classe média, e isso ocorre em função do crescimento mais expressivo na renda dessas classes em especial.

Poderemos observar também a ocorrência de equívocos no dimensionamento da oferta em algumas micro-regiões, que demandarão investimento adicional em estratégias de mercado, comunicação e uma política comercial notadamente mais agressiva, podendo resultar até mesmo em redução dos preços inicialmente estabelecidos.

O cenário em nosso setor prossegue sendo otimista e há pilares para acreditarmos que haverá espaço para crescimento real, fortalecido pela soma do crescimento da indústria e do setor de prestação de serviços. Juntos, os mais importantes segmentos da economia aos poucos nos revelam um país economicamente atraente e no qual valerá investir durante a próxima década.

(1)Joseph Eugene Stiglitz, economista norte americano. Foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos durante o governo Bill Clinton entre 1995 e 1997. Vice-presidente Sênior e economista chefe para políticas de desenvolvimento do Banco Mundial. Laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas, em 2001 “por criar os fundamentos da teoria dos mercados com informações assimétricas”.

(2)A Reserva Federal dos Estados Unidos da América (em inglês oficialmente Federal Reserve System), conhecido simplesmente como Federal Reserve ou informalmente como The Fed.

* Engenheiro civil e diretor de incorporações da Invespark.





Indicadores mostram que euforia está no fim

22 08 2011

(Gazeta do Povo) – 22/08/11

Setor deve bater recordes em 2011, mas o ritmo das vendas já é mais lento. Não há mais empreendimentos esgotados já no lançamento, como ocorria no ano passado

Após forte crescimento nos últimos anos, o setor imobiliário começa a dar os primeiros sinais de desaquecimento, influenciado pelos preços altos e pela desaceleração da demanda. O mercado deve bater mais um recorde em 2011, mas o valor dos imóveis já está subindo em um ritmo mais lento, e é cada vez mais difícil encontrar empreendimentos que são vendidos 100% na ocasião do lançamento, como ocorria no ano passado.

A grande oferta de lançamentos está fazendo com que o cliente pesquise e demore mais para fechar o negócio. “Vender 100% das unidades de um empreendimento novo em 90 dias não ocorre mais, como no ano passado. O mercado começa a entrar em um período de acomodação”, diz Normando Baú, presidente do Sinduscon-PR.

Os preços continuam a subir, mas em ritmo menos intenso do que o verificado no ano passado. O valor do metro quadrado em Curitiba, que chegou a valorizar 25% em 2010, hoje avança a taxas de 17%.

O volume de financiamentos com recursos da poupança, que cresceu 70% no ano passado no estado, ainda é forte, mas também começa a perder fôlego. Nos primeiros cinco meses do ano, o avanço caiu para 53%, para R$1,65 bilhão.

As construtoras já dão indicações de que pretendem colocar o pé no freio dos lançamentos nos próximos meses. O volume de unidades liberadas para construção futura entre empreendimentos verticais e horizontais (14.395 unidades) em Curitiba caiu 4% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, depois de avançar 20% em 2010, e atingir 33 mil unidades.

O movimento é puxado pelas grandes empresas do setor, com atuação nacional. A Cyrela e a MRV informaram que o ritmo de venda no segundo trimestre teve queda em relação ao mesmo período do ano passado. A PDG Realty anunciou que prevê que a velocidade de venda menor na segunda metade do ano e a Brookfield, por sua vez, revisou para baixo sua projeção de crescimento para 2011.

A previsão inicial das construtoras era quase dobrar o volume de apartamentos lançados em Curitiba em 2011 em relação ao ano passado, quando alcançou 10 mil unidades, mas Normando Baú diz que considera difícil atingir esse desempenho. “Tivemos um primeiro semestre muito forte, mas no ano acredito que o crescimento fique em 50%, mas será recorde”, afirma. Para ele, as boas condições de renda, emprego e crédito, que impulsionaram o boom do setor, se mantêm, mesmo com a crise internacional.

Segundo o Sinduscon, na média, a velocidade de venda em Curitiba está estável, mas o comportamento é desigual conforme o padrão do empreendimento. “Nos apartamentos de alto padrão, por exemplo, as vendas estão mais lentas, diz Baú.

A grande dúvida das empresas do setor é saber quando a demanda vai começar a saturar. “Nos últimos anos, o setor atendeu também a demanda reprimida. Curitiba ficou muitos anos lançando uma quantidade de imóveis menor do que a procura. Agora o setor está chegando a uma fase de maturidade, que começa no segundo semestre desse ano e deve ir até provavelmente o fim de 2013”, prevê Fábio Tadeu Araujo, economista da Brain, consultoria, especializada em mercado imobiliário. Nesse novo cenário, a tendência é que as empresas passem a fazer lançamentos de menor porte e o mercado registre velocidade de venda menor, principalmente em produtos mais saturados e bairros mais concentrados de empreendimentos novos.

Calote de investidor ‘descapitalizado’ preocupa o setor
Uma parte dos imóveis novos que começam a ser entregues agora estão nas mãos de investidores, que compraram na planta há dois, três anos, e que agora querem realizar suas vendas. Embora as entidades e construtoras evitem falar sobre esses compradores, sabe-se, nos bastidores do mercado, que há uma preocupação com aqueles investidores pouco capitalizados, que não têm dinheiro para quitar a dívida ou crédito para honrar o financiamento na entrega das chaves. São investidores que se empolgaram com a possibilidade de ganhos com o boom do setor, mas que não tinham capital e nem experiência de aplicação em imóveis, que são conhecidos pela pouca liquidez na hora da venda. Sem dinheiro, eles provavelmente vão precisar vender rapidamente os imóveis e, em um cenário de grande oferta, poderão começar a depreciar os preços. Estima-se que haja um volume pequeno de investidores nessas condições, mas é possível observar em Curitiba alguns empreendimentos em fase final de acabamento já com cinco, seis unidades com placas de venda. “Aquele que compra e não tem como honrar o financiamento não é investidor, é especulador. E isso não é saudável para o mercado. Conheço dois casos de construtoras que tiveram que retomar o imóvel de pessoas que não conseguiram pagar na entrega. Mas em geral quem atua como investidor nesse mercado está capitalizado”, afirma Gustavo Selig, presidente da Ademi. Para barrar o investidor depreparado, algumas construtoras têm aumentado os porcentuais das taxas de transferência de imóveis.

Imóveis menores têm valorização superior
Os apartamentos de um e quatro quartos são os que apresentaram uma redução maior no ritmo de alta de preços nesse ano, segundo dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imo­­biliário do Paraná (Ademi).

Depois de subirem 31,3% em 2010, as unidades de um quarto estavam com valorização de 9,3% até maio desse ano (último dado disponível). O preço médio do metro quadrado por área total desse tipo de imóvel ficou em R$ 3.277,32.

No caso dos apartamentos de quatro quartos, o aumento dos preços, que atingiu 34,3% em 2010, ficou em 10,8% nesse ano, para R$ 3.272.

Os preços dos apartamentos de três quartos também estão subindo menos – depois de uma alta de 20,6% em 2010, eles estão 15,1% mais caros e em maio o metro quadrado estava em R$ 2.554,99. A exceção ficou por conta dos apartamentos de dois dormitórios, que fizeram o movimento contrário: o aumento passou de 8,3% para 20,7% entre 2010 e 2011. Em maio, o preço médio do metro quadrado estava em R$ 2.483,75.

Para Gustavo Selig, presidente da Ademi, os preços não devem mais repetir as taxas de crescimento de anos anteriores – quando chegaram a aumentar entre 25% e 32% – mas a tendência, no médio prazo, ainda é de valorização: entre 15% e 18% ao ano.

Construção: oferta pode recuar até 35%
Nos próximos dois anos, o volume anual de unidades liberadas para construção em Curitiba deve recuar até 35% – dos atuais 33 mil para entre 17 mil e 23 mil unidades, segundo projeção da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, especializada em dados sobre o mercado imobiliário. “Desse total, acredito que entre 12 mil e 15 mil serão para o mercado vertical, que é mais ou menos o tamanho da demanda adicional por ano da cidade” afirma Fábio Tadeu Araújo, sócio consultor.





O que fazer quando a entrega do imóvel atrasa

15 08 2011

(Gazeta do Povo) – 15/08/11

As reportagens “O contrato demora, a construtora atrasa e o comprador paga a conta” e “Venda rápida, entrega atrasada”, publicadas recentemente pela Gazeta do Povo, trouxeram à tona situações e problemas vividos por dezenas de consumidores paranaenses que enfrentam situações semelhantes. Alguns deles encaminharam suas dúvidas ao jornal, pedindo orientações sobre como proceder. Escolhemos algumas cartas com as situações mais comuns e encaminhamos as perguntas ao Procon-PR. As respostas e orientações foram formuladas pela coordenadora do órgão, Claudia Silvano. Confira:

Negócio desfeito: Em outubro de 2009 assinei o contrato de compra e venda de um apartamento no valor de R$ 186 mil dividido da seguinte forma: um sinal de entrada, mais 21 parcelas fixas, ficando um saldo devedor de R$ 153 mil que eu quitaria com financiamento perante a Caixa Econômica Federal. Esse financiamento estava previsto para ocorrer em, no máximo, quatro meses. Mesmo depois de passar todas as documentações e pagar as taxas, minha entrevista com a Caixa Econômica Federal ocorreu um ano e dois meses depois. A correção pelo INCC no valor de R$ 14 mil inviabilizou minha compra, pois eu não tinha renda suficiente para financiar a diferença. Fui forçado a vender meu direito de compra, pois a MRV entrou com um pedido para destratar a negociação, e com isso ela iria me devolver somente 40% de tudo que eu havia pago de entrada. Resumindo a história: fui obrigado a vender o apartamento às pressas para um amigo, pois a MRV demorou mais de um ano para me encaminhar o financiamento, com isso dando uma diferença de R$ 14 mil de correção do INCC.[Cláudio Parralego]

Resposta: e acordo com o relato do consumidor, a demora na realização da entrevista pela CEF foi causada pela MRV, a mesma deve se responsabilizar por todos os prejuízos sofridos. Como o imóvel teve de ser vendido às pressas para terceiros, é certo que o consumidor deve ter perdido dinheiro, logo, é cabível uma ação indenizatória em que podem ser pedidos os danos materiais e morais sofridos. Orientamos que busque a Justiça comum.

Atraso no financiamento: Comprei, junto com minha noiva, um apartamento no mesmo Spazio Celtic. Fui chamado no dia 04/08 para realizar a entrevista e descobri que terei de arcar com esse reajuste. Para isso, teremos de usar o nosso FGTS, já que não temos esse valor. Adquirimos o imóvel em dezembro de 2010 e somente 8 meses depois fomos chamados, e tínhamos a promessa de que o financiamento sairia em quatro meses. [Emerson Cardinal]

Resposta: tendo em vista o atraso por parte da construtora, pode o consumidor pleitear o não pagamento da atualização pretendida. O consumidor deve formalizar processo administrativo no Procon-PR. Caso o pedido inclua danos morais, orientamos que busque a Justiça comum.

Descumprimento de contrato: Nosso imóvel, comprado por cerca de R$ 96 mil, foi avaliado pela Caixa em R$ 113 mil, o que também alterou o valor de financiamento, gerando um saldo devedor maior do que o previsto. No momento da venda também fomos enganados, pois demos uma entrada de R$ 5 mil, e apenas R$ 1 mil foi abatido no valor do imóvel. Essa prática é ilegal, e inclusive a construtora já foi multada em outros estados por isso, pois transfere aos compradores a obrigação de pagar a corretagem (R$ 4 mil). Além disso, o contrato de adesão possui cláusulas leoninas, beneficiando apenas a construtora, deixando o consumidor desamparado. A pior delas diz respeito ao prazo de construção do imóvel, que é alterado após assinatura com o banco, e ainda prevê uma margem de 180 dias úteis após o fim do mesmo para a entrega do imóvel. No nosso caso, a previsão de entrega já foi adiada em quatro meses. Vamos casar no início de novembro, e vamos morar aonde? [Gustavo Machado]

Resposta: quanto ao atraso e cobrança, vale a resposta anterior. Além disso, a construtora não pode alterar unilateralmente o contrato estabelecendo novos prazos de entrega, diferente daqueles contratados. O consumidor deve procurar o Procon-PR.

Imóvel com defeito: Recebi meu imóvel com nove meses de atraso. Desse período, seis meses estavam elencados em contrato, porém os três meses subsequentes estão fora do prazo. Configurando atraso na entrega. Assim, a construtora deveria restituir a nós proprietários a multa com a devida correção monetária. Procurei a MRV para que pagasse pelos meses em atrasos, mas a empresa se negou. Quando recebermos definitivamente as chaves do imóvel assinalamos uma série de incorreções no apartamento. Foram várias as vezes que estivemos no local para que a vistoria fossem realizadas de acordo com nossa solicitação. Novamente nesse aspecto a construtora demorou muito para atender a nossos pedidos, ora não realizando os reparos solicitados, ora adiando a data para efetivar os devidos reparos. [Pedro Lucas da Silva Maia]

Resposta: além dos prejuízos decorrentes do atraso, os consumidores que receberam o imóvel têm direito de reclamar também pelos vícios [defeitos] que o mesmo apresenta. Orientamos que procurem o Procon-PR para formalizar reclamação solicitando os reparos.

Sonhos adiados: Fiz a compra de um imóvel com meu noivo. Tivemos de adiar a data do nosso casamento porque as obras atrasaram. A entrega está atrasada há mais de um ano e toda vez que vou até lá fazer uma visita ninguém sabe dar uma informação coerente, cada um promete uma data. É muito frustrante, pois isso mexe com sonhos. Entramos em uma ação conjunta com outros dez moradores do condomínio por danos morais e financeiros, mas não tivemos resposta do advogado ainda para saber se isso andou. [Nicole Castoldi]

Resposta: orientamos que notifiquem o advogado, solicitando informações quanto ao andamento do processo, vara em que foi distribuído etc. É interessante estabelecer prazo para resposta e informar que se não houver manifestação dentro do prazo estabelecido, será constituído novo advogado.

Ação coletiva: Também comprei um apartamento neste empreendimento da MRV. Minha dívida já aumentou em R$ 4,7 mil e e não sei como vou fazer para pagar. Seria o caso de organizar uma associação e entrar na Justiça com uma ação coletiva para evitar que fiquemos no prejuízo? [Juliana de Souza Pacheco]

Resposta: é possível sim a reunião de várias pessoas para ingresso com demandas coletivas. Sugerimos que converse com outros compradores do mesmo empreendimento.

Mudança de prazo: Comprei um imóvel em janeiro de 2010 e até hoje ainda não assinei o contrato. O apartamento era para ser entregue em setembro, mas já fui informado de que só entregarão em dezembro. Acho que a única forma de se precaver sobre esses atrasos é perante a lei, pois na hora da compra se você exigir um monte de coisa, como os juros durante a obra e multas como eu exigi, você fica sem a compra, ou seja, eles preferem vender para outro consumidor que não o exigirá, e conseguem. [James Henning]

Resposta: tendo em vista o relatado, pode o consumidor exigir o cumprimento da oferta, conforme o contratado, bem como indenização pelos eventuais danos materiais e morais decorrentes do atraso.

Atraso na obra: Também sou mais uma vítima da construtora MRV. Comprei um apartamento no Portão, Spazio Castel di Bettega, cuja promessa de entrega era outubro de 2010. Mesmo estando com os documentos em dia e o financiamento acertado com a CEF, tenho pagado juros absurdos devido ao atraso na obra, totalizando até a data de hoje cerca de R$ 9 mil. O sonho de ter uma casa própria se tornou pesadelo. [Ademar Henrique da Silva Alexandrino]

Resposta: O consumidor pode pleitear o não pagamento da atualização pretendida. Orientamos que formalize um processo administrativo no Procon-PR.





O contrato demora, a construtora atrasa e o comprador paga a conta

10 08 2011

(Gazeta do Povo) – 04/08/11

Burocracia e lentidão nas obras fazem dono de imóvel bancar reajuste do preço final, inclusive no Minha Casa, Minha Vida

Imagine comprar um imóvel na planta, pagar todas as taxas necessárias, entregar toda a documentação exigida, esperar pela assinatura do financiamento imobiliário e, enquanto isso não acontece, ver o preço do imóvel subir pelo menos 5%, por um atraso que não é de sua responsabilidade. Esse é o pesadelo que alguns consumidores estão vivendo por causa de reajustes do saldo devedor pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Essa correção consta em contrato e é de conhecimento do comprador, mas a informação muitas vezes omitida é a de que atrasos no trâmite burocrático entre construtora e agente financiador serão debitados em sua conta. E tudo isso acontece até com imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

O empresário Michel Oliveira do Prado comprou no ano passado um apartamento na planta no Spazio Celtic, da MRV, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ele assinou o contrato de compra e venda com a construtora em dezembro do ano passado, com a promessa de que assinaria o financiamento imobiliário com a Caixa em quatro meses. O apartamento, de dois quartos, foi vendido a ele por R$ 101.021. De acordo com a avaliação de crédito feita pela construtora, Prado teria condições de financiar R$ 90.235 e a diferença seria paga em 22 parcelas mensais de R$ 490 – entretanto, devido à correção pelo INCC, hoje a parcela já chega a R$ 520.

O martírio do empresário começou quando o prazo prometido acabou e ele não foi chamado pela Caixa para assinar o financiamento. Sete meses após a compra, ainda não há previsão de contratar o financiamento. Além da dor de cabeça, Prado viu o saldo devedor aumentar em R$ 6.037: o valor inicial que o empresário vai financiar passou para R$ 96.272, por causa da correção pelo INCC. A diferença, que ainda não parou de crescer, corresponde a quase 6% do preço do imóvel. “Consta em contrato esse reajuste, mas em nenhum momento foi deixado claro pelo vendedor que o valor previsto no contrato seria maior. O pior é saber que entreguei toda a minha documentação em dia, paguei R$ 500 para o despachante da empresa fazer a análise, e, por razões que fogem da minha responsabilidade eu ainda não assinei com o banco”, afirma. “Não sei se na hora de assinar com a Caixa eu vou conseguir cobrir todo esse reajuste”, salienta.

A laboratorista Sabrine Nascimento da Silva e seu noivo, Lucas Banzato, vivem a mesma situação. Eles também compraram um apartamento no Spazio Celtic com a promessa de assinatura com a Caixa em no máximo quatro meses após o contrato de compra e venda, em novembro de 2010. Eles pretendem se casar quando o apartamento ficar pronto e, para realizar esse sonho, investiram R$ 100.180 – desse total, serão financiados R$ 88.259. Até agora, viram o saldo devedor aumentar R$ 5.905. “Eu tenho medo de não conseguir pegar um financiamento que cubra esse aumento. Segundo a MRV, com os nossos documentos conseguimos um financiamento de R$ 88.259. Se o valor que será financiado não aumentar, não sei o que vamos fazer. O que não acho justo é ter de pagar a diferença por um atraso que eu não provoquei”, desabafa Sabrine.

Explicações: MRV alega nova exigência de documento
Tanto Michel Prado quanto Sabrine Silva e Lucas Banzato procuraram a MRV para cobrar explicações sobre o atraso. A construtora informou a eles que a demora ocorreu por trâmites burocráticos da Caixa. Entretanto, segundo a assessoria de imprensa da Caixa, os consumidores ainda não foram chamados para realizar a assinatura do contrato de financiamento porque faltava à construtora entregar dois documentos necessários para dar prosseguimento ao processo. A assessoria informou ainda que 100% da documentação sobre o empreendimento precisa estar em poder do banco para que os compradores assinem o financiamento. O banco ressalta também que, no modelo de crédito associativo, no qual se enquadra o empreendimento, a Caixa exige como condição para a assinatura do contrato de financiamento que pelo menos 20% das unidades sejam comercializadas, quando o recurso que vai financiar a obra é oriundo do FGTS – caso do programa Minha Casa, Minha Vida. Quando o dinheiro vem da poupança, a exigência é de 30%.

A assessoria de imprensa da MRV informou, por meio de nota, que todos os documentos tinham sido apresentados à Caixa, mas admitiu que, após a avaliação, o banco apontou a necessidade de obter mais um documento. Segundo a construtora, toda a documentação foi protocolada na prefeitura, e a MRV aguarda a liberação nas próximas semanas para entrega à Caixa. “O processo de assinatura dos contratos de financiamento no Spazio Celtic terá início assim que ocorrer a liberação por parte da Caixa”, afirmou a empresa, em nota.

Apesar de reconhecer que houve a necessidade de entregar novos documentos ao banco, a MRV informou que o saldo devedor dos compradores continuará a ser reajustado, por estar previsto no contrato de promessa de compra e venda, e que os compradores terão de pagar a conta. “O saldo devedor será corrigido por este índice até que ocorra a assinatura junto ao agente financeiro e a quitação total do contrato”, completa a nota.

Quem causou o atraso paga por ele, diz Procon
Os órgãos de defesa do consumidor ressaltam que, mesmo a empresa afirmando que o reajuste está previsto em contrato, o consumidor não pode ser onerado sem ter responsabilidade sobre eventuais atrasos. “Quem causou o atraso precisa se responsabilizar por ele. Se a empresa não apresentou de maneira correta a documentação ao agente financiador e por essa razão houve demora na assinatura do financiamento imobiliário, ela vai ter de arcar com esse custo”, explica a coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano. Ela informa ainda que o consumidor pode fazer a reclamação no Procon e pleitear o pagamento apenas do valor contratado. “Quando o consumidor não tem culpa pelo atraso, pode questionar, inclusive na Justiça, a reposição do valor”, diz a supervisora da área de assuntos financeiros e habitação da Fundação Procon-SP, Renata Reis.

O consultor de finanças pessoais Altemir Farinhas dá uma dica para quem pensa em comprar um imóvel: é bom ter entre 5% e 10% do valor total como reserva. “Quando se assina o contrato há toda uma documentação que exige uma grande quantia. Além disso, há modalidades em que é necessário pagar algumas parcelas maiores no decorrer da obra, que podem pegar de surpresa quem não se planejar”, ressalta.

Enquanto chave não chega, casal gasta com juros
Outro tipo de atraso frequente acontece no prazo de entrega das chaves ao comprador. A técnica previdenciária Luciana de Oliveira Félix Borges e seu marido, Thiago Raulino Borges, também compraram um apartamento da MRV na planta, em 2009, no bairro Portão, em Curitiba. O contrato previa que o apartamento seria entregue em junho de 2010.

Com essa informação em mãos, eles marcaram o casamento para outubro daquele ano, já se precavendo de uma eventual demora. Luciana e Thiago se casaram e receberam os presentes, incluindo eletrodomésticos. Mas, na hora da mudança, o caminho foi outro: eles se mudaram para a casa dos pais de Thiago – já que o apartamento ainda não havia ficado pronto – e continuam lá até hoje. “O contrato dizia que tinha um prazo máximo de seis meses após o previsto em contrato para eles entregarem as chaves para a gente, mas até agora nada. Fizeram uma nova promessa, de que até 31 de julho o apartamento seria entregue, mas isso não aconteceu. É muito frustrante fazer planos e ter pela frente todos esses transtornos, ver todos os dias os presentes de casamento que ganhamos encaixotados. Não temos uma vida de casados, mas de namorados”, lamenta Luciana.

Além das incertezas, o casal tem sentido no bolso as implicações do atraso. A técnica previdenciária calcula que eles já tiveram de pagar cerca de R$ 3 mil em juros da obra para a Caixa – o valor é pago ao banco enquanto o apartamento não for 100% concluído, e não é amortizado do valor financiado. “O pior de tudo é não poder nem alugar uma casa, porque os contratos geralmente pedem o mínimo de seis meses. Mês a mês estamos vendo a data ser postergada”, reclama Luciana.

Abuso
A coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano, vê abuso na cláusula que prevê carência de seis meses na entrega do imóvel. “Além disso, mesmo depois da carência, há um atraso de outros oito meses. Dá para ver que eles não têm até hoje vida de casados e isso rende danos morais”, analisa Claudia. Além dos danos morais, a coordenadora do Procon-PR afirma que nesses casos é possível pedir ao órgão de defesa do consumidor ou à Justiça a entrega imediata do imóvel.

A assessoria de imprensa da MRV não explicou os atrasos na entrega da obra; limitou-se a informar, por meio de nota, que o término do Cosmopolitan está previsto para setembro e que alguns blocos já estão prontos, com as chaves entregues. Em relação ao bloco do casal, a empresa afirma que o apartamento será liberado em agosto.





A região mais cara será cada vez mais comercial

1 08 2011

(Gazeta do Povo) – 31/07/11

Restaurantes e lojas tradicionais do Batel darão lugar a uma série de condomínios verticais de escritórios

O mercado pressiona e o bairro Batel, em Curitiba, começa a dar sinais de que sua característica predominantemente residencial dará lugar a um perfil cada vez mais comercial em pouco tempo. Em uma projeção de cinco anos, a Avenida do Batel e sua continuação, no trecho de 1,3 quilômetro entre as ruas Desembargador Motta e Francisco Rocha, ganharão novos condomínios comerciais verticais, que abrigarão escritórios e lojas, além da inauguração de um shopping de luxo e da remodelação do Shopping Crystal, entre outros investimentos.

No terreno ocupado pela farmácia Droga Raia e pela Pizza Hut será construído um prédio de dez andares, com 15 mil metros quadrados de escritórios e lojas

Uma das áreas mais nobres da região, o terreno ocupado pela farmácia Droga Raia e pela Pizza Hut – restaurante instalado há 18 anos no número 711 da Rua Benja­min Lins, um prolongamento da Avenida do Batel –, dará lugar a um escritório comercial de dez andares. E vários outros espaços das proximidades, ocupados por restaurantes ou lojas, estão prestes a se tornar grandes edifícios.

O terreno da Pizza Hut foi negociado com a VCG Empreendimentos durante um período de um ano, em uma disputa que envolveu pelo menos 12 investidores do setor imobiliário. “É um terreno de valor importante e acreditei que seria o momento de abrir espaço para outro de maior valor no local”, afirma Augusto Ávila, franqueado das lojas da Pizza Hut em Curitiba e Santa Catarina.

O valor fechado pelo terreno de 3,3 mil metros quadrados é mantido em sigilo pelo empresário e pelo engenheiro civil Guilherme Vialle, proprietário da VCG Empreen­­dimentos. Eles confirmam apenas que houve permuta, comum nesse tipo de negociação. “Parte do valor será em área construída de escritórios e lojas. Em três anos, uma delas deverá ser utilizada para o retorno da Pizza Hut”, adianta Ávila. O empresário acredita que, em 15 dias, terá definido a escolha do novo local da pizzaria entre quatro pontos, dois deles no próprio bairro e outros dois no entorno. A pizzaria funcionará por mais um ano no local atual.

Valores
As apostas são de que o terreno teria custado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões – ou seja, algo entre R$ 6 mil e R$ 7,5 mil por metro quadrado. O valor é o dobro do mínimo estimado para a região, afirma o analista de mercado Rodrigo Barros. “O preço exato é difícil de saber, porque não é revelado. Mas, pelas características, o metro quadrado no Batel vale mais que R$ 3 mil e pode ir muito além, conforme o interesse de negociação”, avalia Barros. Mais seguro, diz o analista de mercado, é afirmar que, depois de pronto, cada metro quadrado de área privativa de um condomínio no local pode chegar a R$ 9,5 mil.

A justificativa para tamanha valorização está no fato de a Avenida do Batel estar situada no maior eixo de ligação comercial da cidade, cujo ponto de partida está no Centro, na Avenida Marechal Deodoro, a mais importante via comercial a partir da década de 1970. “A Marechal é nossa Avenida Paulista. Mas saturou, o comércio alcançou a Rua Emiliano Perneta, que também saturou rapidamente, e agora chega à Avenida do Batel, formando a espinha dorsal do comércio de Curitiba. São três ruas importantíssimas, que cortam as principais avenidas Norte-Sul da capital”, destaca.

O empreendimento
A estimativa de investimento para o novo prédio comercial a ser erguido pela VCG Empreendi­­mentos é de cerca de R$ 50 milhões, afirma Vialle. “A fase é de finalização do projeto, com consultores de diversas áreas. Que­remos o melhor edifício da cidade, no melhor local”, diz.

Vialle adianta que o prédio terá dez andares, sendo dois deles de potencial construtivo – a lei de zoneamento para a área permite o máximo de oito pavimentos. Com 15 mil metros quadrados, o prédio vai abrigar escritórios e lojas, além de 200 a 300 vagas de estacionamento. A obra deve começar no segundo trimestre de 2012 e ficar pronta em dois anos. “Terá uma arquitetura diferenciada, que tornará a região mais atrativa, uma referência”, aposta o empresário.

Resistência
O proprietário da casa onde fica o John Bull Café (foto), na esquina das ruas Comendador Araújo e Brigadeiro Franco, ainda não cedeu às investidas do mercado imobiliário. Quem revela é o empresário Gilberto Carvalho, que aluga o local há cinco anos. A resistência vem de longa data, desde a chegada do Hotel Pestana, há cerca de dez anos, e criou uma curiosa integração entre as edificações, pela mescla de estilos contemporâneo e antigo no mesmo plano de visão.

No lugar da Irimar, uma torre de 20 pisos
Por R$ 8 milhões a construtora Invespark Empreendimentos Imobiliários adquiriu à vista um terreno de 1,4 mil metros quadrados a 250 metros da Pizza Hut da Avenida do Batel. O local fica na esquina das ruas Emiliano Perneta e Brigadeiro Franco, onde funcionou por anos uma loja da rede catarinense de móveis Irimar. Após dois anos de negociações com o proprietário, a edificação foi comprada e demolida há pouco tempo. Para o lugar está prevista a construção de uma torre comercial de 20 pavimentos – altura permitida por lei por ainda estar dentro da zona central –, e 180 vagas de garagem, em uma área total de 19 mil metros quadrados.

Esta foi uma das negociações de maior valor na região, avalia o diretor de incorporações da Invespark, Eduardo Quiza. Ele afirma que pagou mais de 30% acima do preço médio do metro quadrado na região. “A qualidade do terreno justifica. Por ser de esquina, é também mais caro, e, quanto mais rara a localização, maior o preço”, diz. A previsão é de que a torre comercial esteja pronta em abril de 2014. A estimativa de custos com a obras é de R$ 30 milhões. Os proprietários da Irimar, que alugavam a casa, procuram um novo ponto na cidade. Enquanto isso, toda a venda fica concentrada em única unidade, em Santa Felicidade.

Rendição: Churrascaria Badida vai se mudar após 28 anos
A churrascaria Badida deve se despedir em breve da casa no número 1.486 da Avenida do Batel, que ocupa há 28 anos. O dono do restaurante, Joel Troib, que aluga a casa, não desmente, mas também não quer comentar o assunto. Apenas acredita que uma mudança do endereço tradicional para um local próximo não teria impacto negativo entre os frequentadores – são cerca de 6 mil clientes por mês.

A informação extraoficial é de que o terreno da churrascaria, mais as vizinhas Farmácia Nissei e churrascaria Dom Gabriel, estariam sendo negociados com a construtora Cyrela, que não quis se pronunciar. Para a grande área estaria previsto um condomínio comercial composto por quatro torres. Uma construção antiga na Rua Dom Pedro II, na mesma região, seria o novo destino da churrascaria, a partir de maio do ano que vem.

Moradores e urbanistas veem transformação como inevitável
Moradora do Batel, a empresária Maria Francisca Merlo teme pelo fim do silêncio e da tranquilidade da região. Há nove anos ela mora com o marido, três filhos e uma neta em uma casa alugada a poucos metros da Avenida do Batel, e ainda não perdeu a sensação de morar em um bairro residencial, mas percebe que isso deve durar pouco tempo.

“Ainda temos silêncio depois que o comércio fecha. Mas há alguns anos era raro o movimento de carros e pedestres nessa rua. Agora, virou ponto de disputa de vagas de estacionamento”, diz. A abertura do shopping Pátio Batel, em 2012, deverá intensificar o fluxo. “Não gostaria de mudar daqui, mas a previsão é essa. O horário vai se estender e vem a preocupação de estarmos mais expostos. Sentar na varanda não será mais um privilégio.”

O urbanista Paulo Rolando de Lima, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), lembra que várias residências da região sofreram grandes mudanças com a transformação de residências antigas em ambientes comerciais. “É uma área que está fadada a ser densa. É a transformação seguindo. A tendência é que agora se passe a utilizar os terrenos mais intensamente”, afirma Lima.

Uma mudança é inevitável, aponta o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), Gustavo Selig. Ele não acredita em uma completa descaracterização do bairro, mas em uma verticalização mais acelerada. “Como os terrenos estão cada vez mais escassos, a tendência é de que áreas com imóveis menores deem espaço para construções de maior porte”, diz.

Planejamento
A arquiteta e urbanista Yumi Yamawaki concorda que a verticalização é inevitável, mas alerta que o poder público terá de se planejar para lidar com ela. “A região do Batel abriga uma grande concentração de veículos, e isso contribuirá para um incremento ainda maior”, diz. O que pode ocorrer, destaca Yumi, é a “expulsão” dos moradores. “A excessiva especialização de áreas da cidade é prejudicial para a qualidade do espaço público. Se os moradores vão embora, nos horários em que as atividades não funcionam deixa de haver movimento, e a área se torna perigosa.”

A estrutura da região está pronta para atender às novas demandas, garante o supervisor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ricardo Bindo. Ele afirma que há tempos o Batel é visto pela administração pública como uma zona de tendência de crescimento, com serviços – como fornecimento de energia elétrica, telefonia e abastecimento de água – preparados. Em relação ao trânsito, explica, a Avenida do Batel possivelmente será transformada em via de mão única.





Alceu Duilio Calciolari é o novo diretor-presidente da Gafisa

9 07 2011

(PINIweb) – 05/07/11

Executivo atuava há onze anos como diretor financeiro da incorporadora e, há seis, também como diretor de relações com investidores

A Gafisa anunciou a efetivação de Alceu Duilio Calciolari como diretor-presidente da empresa. Calciolari, que já exercia o cargo interinamente há aproximadamente 45 dias, atuava na diretoria executiva da incorporadora há onze anos como diretor financeiro e, há seis, também como diretor de Relações com Investidores.

Antes de ingressar na companhia, o executivo atuou como diretor Financeiro da Tupy S/A e ALL (América Latina Logística). Calciolari é formado em Administração de Empresas e possui mestrado em Controladoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em seu lugar na diretoria financeira entrou Rodrigo Osmo, que acumulará a função de diretor superintendente da AlphaVille Urbanismo até o final do ano. O executivo, há cinco anos na companhia, está à frente do plano de negócios que irá fundamentar a compra dos 20% ainda pertencentes à Alphapar.





BR Properties levanta R$ 690,3 mi em oferta primária de ações

28 06 2011

(Folha.com) – 28/06/11

A ação da BR Properties saiu a R$ 17,15 em sua oferta primária subsequente, conforme informações disponíveis no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta terça-feira.

A empresa do setor imobiliário está emitindo 40,25 milhões de novas ações ordinárias. Assim, o giro financeiro da operação é de R$ 690,3 milhões.

O valor da ação na oferta (follow-on) se compara aos mesmos R$ 17,15 do preço do papel da BR Properties no fechamento desta terça-feira.

A oferta está sendo coordenada pelos bancos Itaú BBA (líder), Bradesco BBI, J.Safra e Santander Brasil.

Os recursos obtidos serão destinados a aquisições e incorporações de imóveis comerciais, inclusive por meio da compra de sociedade ou fundo de investimento, segundo prospecto preliminar da operação.





Rossi adquire 70% da construtora nordestina Norcon

10 06 2011

(PINIweb) – 18/05/11

Construtora Paulista deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela empresa negociada

A Rossi Residencial adquiriu 70% da construtora Norton, uma das maiores do setor na região Nordeste do País. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a nova empresa será chamada de Norcon Rossi. A IGC-Partners e o Banco BTG Pactual atuaram como assessores da Rossi na transação.

A partir de agora, a Rossi deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela Norcon, que ainda será responsável pela realização de novos empreendimentos imobiliários. Segundo Cassio Audi, diretor financeiro e de relações com investidores, o objetivo da nova empresa é lançar R$ 2,8 bilhões até 2013.

A Rossi será responsável pela gestão financeira e operacional da Norcon Rossi, enquanto a Norcon fornecerá os terrenos e a mão de obra. Além disso, ambas as empresas já operam com a tecnologia de construção em pré-fabricados. A parceria faz parte da estratégia da Rossi de diversificar suas atividades para novas regiões que apresentam alto potencial de desenvolvimento de negócios e continuar crescendo nos mercados onde já está presente.





Contabilidade do setor dificulta análise

20 05 2011

(Valor Econômico) – 18/05/11

Analisar o balanço de empresas de incorporação imobiliária não é uma tarefa trivial. Todas as companhias usam regime de competência para registrar receitas, custos e despesas. Mas no caso das construtoras, a distância entre o resultado contábil e o fluxo de caixa é ainda maior.

Se o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) não é recomendado como medida de geração operacional de caixa para nenhuma companhia, muito menos para as incorporadoras imobiliárias.

Seguindo a interpretação dos reguladores brasileiros para o IFRS, a receita das incorporadoras é reconhecida conforme o percentual de execução das obras, enquanto o mais comum é que a companhia receba em caixa cerca de 35% do valor do imóvel até a entrega das chaves.

É com base nessa receita, majoritariamente sem efeito de caixa, que se calcula o Ebitda.

Para solucionar esse problema, que não é exclusivo do setor imobiliário, a opção mais segura é usar a demonstração de fluxo de caixa, que tenta explicar em detalhes a variação do caixa em determinado período. A ideia é saber, por exemplo, se uma empresa engordou a conta bancária porque está melhor operacionalmente ou se o motivo é a venda de um ativo fixo ou um empréstimo bancário.

Essa demonstração é dividida em três partes principais, além da variação cambial.

Na primeira, aparece o caixa gerado nas operações da empresa com sua atividade fim. Na segunda, está o caixa gerado ou gasto com investimentos, o que inclui aquisição ou venda de ativos fixos e participações societárias. Na terceira parte entra o caixa que tem como origem as atividades de financiamento, que incluem emissões de ações ou de dívida, empréstimos bancários e pagamento de dividendos.

Na maioria das empresas, ao se olhar o fluxo de caixa operacional é possível saber se a companhia de fato está gerando dinheiro na sua atividade.

No caso das dez incorporadoras imobiliárias que integram o índice do setor na bolsa, a conta do caixa operacional ficou negativa em R$ 4,97 bilhões em 2008, em R$ 4,50 bilhões em 2009 e em R$ 4,17 bilhões no ano passado.

Trata-se do único da bolsa brasileira que apresenta sistematicamente resultados negativos nessa conta.

“É normal numa fase de crescimento, de aumento de lançamento e de projetos, as empresas deste setor terem fluxo de caixa negativo. Faz parte do ciclo de construção, que leva uns 30 meses”, afirma Fernanda Rezende, analista da Fitch Ratings.

De acordo com ela, a conta deve permanecer negativa em 2011 para a maioria das empresas, podendo ser positiva para uma ou duas companhias. “Depois que elas estabilizarem [o ritmo de crescimento], dali uns dois ou três anos deve ter resultado diferente”, afirma ela.

Ainda de acordo com Fernanda, as companhias brasileira do setor encerraram o ano passado, de forma geral, com uma posição mais forte de caixa em relação a 2009. “Elas estão com uma postura mais conservadora depois da crise e por isso mantém um colchão de liquidez”, afirma.

Mas no caso das construtoras, o caixa operacional não conta 100% da história. “Isso pode significar uma visão míope sobre o fluxo de caixa”, explica Octávio Zampirollo, sócio de auditoria da Grant Thornton.

Segundo ele, quando as incorporadoras vendem recebíveis para bancos ou investidores por meio de securitização, mas mantém responsabilidade em caso de inadimplência, o saldo de contas a receber não é baixado. Na prática, isso significa que o dinheiro da venda da carteira entra no caixa da incorporadora, mas aparece como caixa gerado por atividade de financiamento. Se a venda fosse definitiva, o que de acordo com Zampirollo é menos comum no mercado, o dinheiro entra como caixa operacional.

Pelos dados oficiais disponíveis, o buraco das geração operacional de caixa só é coberto por conta das captações via emissão de ações e empréstimos e financiamentos tomados com bancos ou no mercado de capitais.

Mas o espaço para novos financiamentos já não é tão grande depois de a dívida líquida ter subido 178% desde 2008, para R$ 13,7 bilhões, e com a relação entre a dívida e patrimônio saltando de 39% para 49%.








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