Atraso na entrega é maior reclamação contra construtoras, diz Procon/SP; veja lista

17 05 2012

(Folha.com) – 17/05/12

O Procon divulgou o ranking das construtoras que mais tiveram reclamações neste ano.

Até o dia 10 de maio, o órgão recebeu 3.017 queixas, pedidos de orientação e esclarecimento de dúvidas sobre compra de imóveis. Segundo o Procon, o ranking é feito com base em reclamações que precisaram de mediação para resolver o problema.

A empresa com mais reclamações foi a Gafisa/Tenda, seguida por PDG e MRV.

A principal queixa foi sobre atraso na entrega de imóveis. “As reclamações sobre atrasos na entrega estão aumentando e preocupam. Tentamos negociar solução do problema junto às construtoras, mas se isso não for possível as empresas são autuadas pelo abuso”, diz o diretor executivo do Procon-SP, Paulo Arthur Góes.

VEJA AS EMPRESAS MAIS RECLAMADAS (Fonte: Procon-SP)

CONSTRUTORA
RECLAMAÇÕES
GAFISA/TENDA
131
PDG
57
MRV
46
NOVA DELHI INCORPORADORA
25
ATUA
21
CAPRI INCORPORADORA
12
CURY CONSTRUTORA
12
LIVING
11
BROOKFIELD
9
TRISUL
8

PRINCIPAIS QUEIXAS
- Não cumprimento do contrato/proposta
- Dúvidas sobre cobranças (taxas etc.)
- Cobrança de taxa indevida (elaboração de contrato, aferição de idoneidade etc.)
- Qualidade da construção (vícios, defeitos, vazamentos, impermeabilização etc.)
- Devolução de sinal, valores pagos (negocio não concretizado)

OUTRO LADO
As construtoras que lideraram o ranking disseram que estão fazendo investimentos para reduzir os problemas gerados aos clientes. Dizem ainda que as reclamações representam uma fração dos projetos vendidos e entregues em São Paulo.

A MRV disse que as 46 reclamações que recebeu representam apenas 0,0046% do total de clientes. A PDG sustenta que apenas uma parte dos projetos está atrasada e que vai entregar 31 mil unidades até o fim do ano.

A Brookfield e Trisul informaram que estão investindo no atendimento às demandas de clientes.

A Atua e a Living alegaram desconhecimento do conteúdo de todas as reclamações que embasaram o ranking elaborado pelo Procon-SP.

A assessoria da Cury Construtora e Incorporadora, joint-venture entre a Cyrela e a Cury Empreendimentos, disse que não iria se pronunciar sobre a lista.

Procuradas, Gafisa e Tenda ainda não se pronunciaram. Executivos das construtoras Nova Delhi e Capri não foram localizados.





Sinal amarelo para as construtoras

7 05 2012

(Gazeta do Povo) 07/05/12

Freio na demanda e aumento dos custos apertam a margem de lucro das empresas. Tendência é de preços estáveis e menos lançamentos neste ano

Beneficiadas pelo crescimento excepcional do mercado imobiliário brasileiro nos últimos três anos, as grandes construtoras experimentam agora os efeitos da desaceleração da economia. O orçamento apertado e a margem de lucro menor dessas empresas refletem, além da diminuição da demanda e a mudança de perfil dos compradores, o aumento significativo dos custos com mão de obra e aquisição de terrenos.

Segundo dados do Sin­duscon-PR, o Custo Unitário Básico (CUB) da construção no Paraná, composto pela análise de preço de 29 itens, subiu 24,5% entre abril de 2009 e abril deste ano, passando de R$ 804,22 para R$ 1.001 por metro quadrado. No mesmo intervalo, a inflação medida pelo IPCA subiu 17,6%. O peso da mão de obra no CUB total cresceu, de 48,6% para 56,2% – seus custos, de R$ 390,71 por metro quadrado há três anos, chegaram a R$ 562,92.

As empresas de capital aberto que fizeram investimentos altos no Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, estão enfrentando problemas de fluxo de caixa por causa de questões burocráticas na liberação do dinheiro para os financiamentos, diz Lucas Dezordi, professor da Universidade Positivo e economista chefe da InvaCapital. “Ainda não é uma crise, mas, com as vendas caindo e os preços se estabilizando, temos um sinal amarelo se acendendo para as grandes construtoras, que vão precisar rever suas estratégias futuras e pisar no freio com relação a novos lançamentos”, afirma.

Apesar do cenário mais delicado, o consultor Flávio Ramalho Cone, do banco Banif, diz que não há razões para acreditar em crise. “As grandes incorporadoras de capital aberto continuam crescendo, porém num nível mais moderado”, diz Cone, que acompanha o desempenho das grandes construtoras que compõem o índice imobiliário (IMOB) da BM&F Bovespa.

O IMOB fechou em 864 pontos na última sexta-feira, 15% acima do nível do fim de 2011 (749 pontos). Ainda assim, está 11% abaixo da marca mais alta atingida em 2012, de 975 pontos, em 13 de março. No fim de 2010, o IMOB marcava 1.037 pontos, refletindo a percepção mais positiva que o mercado tinha do setor na época.

Segundo ele, nenhum setor da economia consegue manter um crescimento médio prolongado de 30%, como vinha sendo registrado. Os imóveis atingiram um preço razoavelmente alto e uma boa parte da demanda já foi preenchida pelo mercado. Com isso, se até 2010 as pessoas compravam com mais rapidez, os atuais compradores estão menos entusiasmados e mais sensíveis ao preço, explica.

Preço dos imóveis
A desaceleração do mercado imobiliário, no entanto, não deve provocar redução significativa nos preços dos imóveis. Segundo o analista do Banif, a tendência é de que haja uma estabilização dos preços, que passam a acompanhar o movimento da inflação a partir deste ano.

Resultados
Enquanto Cyrela, Eztec e Even conseguiram obter bons resultados, PDG e Gafisa divulgaram balanços abaixo do esperado. “Quem conseguiu aumentar os lucros e gerar caixa foi beneficiado. Não adiantou vender ações na bolsa em quantidade, foi preciso vender com rentabilidade satisfatória”, afirma Cone.

Companhias locais e de capital fechado mantêm otimismo
Na contramão do cenário de desaquecimento do mercado imobiliário, construtoras locais e de capital fechado comemoram os novos lançamentos e o aumento do volume de vendas. Em comum, essas empresas têm estratégias e nichos de atuação bem definidos, como é o caso da Plaenge e da Invespark, ambas paranaenses.

Segundo Fábio Tadeu Araújo, consultor da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, a Plaenge é uma das empresas que mais reforçou sua marca nos últimos anos. “A construtora não vende um Poème [empreendimento lançado recentemente], ela vende um Plaenge. A empresa conseguiu atrelar sua marca a um padrão de qualidade já reconhecido pelos compradores”, ilustra.

Araújo destaca também que a construtora de Londrina, no Norte do Paraná, ganhou força porque adotou um modelo de expansão por regiões, nas cidades onde atua, fato que ajudou a fortalecer ainda mais a marca.

Segundo o diretor regional da Plaenge, Fernando Fabian, a empresa tem conseguido realizar seus projetos de expansão e consolidação com capital próprio. Além de Londrina, Curitiba, Maringá, Ponta Grossa, Cuiabá, Campo Grande (MS), Dourados (MS) e Joinville (SC), a Plaenge está presente no Sul do Chile desde 2009. Voltada ao segmento “premium” e à classe B, a empresa fechou 2011 com faturamento de R$ 912 milhões.

Localização
Com foco nos empreendimentos compactos e comerciais, a Invespark apostou na localização como diferencial em um mercado bastante concorrido. “A seleção criteriosa dos terrenos é o nosso maior seguro para passar por períodos mais seletivos do mercado”, ressalta Eduardo Quiza, diretor de incorporações da Invespark.

Segundo ele, a localização e a proximidade de locais com boa oferta de serviços é o item que mais pesa na decisão do comprador, sobretudo nos nichos em que a empresa atua. “Mas até mesmo a atuação por segmentos tende a ser limitada com o passar do tempo”, ressalta Quiza, enfatizando a necessidade de buscar opções para oferecer ao mercado.

Em 2011 a empresa entregou mais de 700 unidades – mais que o dobro do número do ano anterior (300) – e lançou cerca de 1.180. “Para este ano projetamos um crescimento de 10% em relação ao ano passado”, afirmou.





Thá fecha venda de controle para Sam Zell

5 04 2012

(Valor Econômico) – 04/04/12

O presidente do grupo paranaense Thá, Sandro Westphal, estava caminhando no fim de 2010 no Rio de Janeiro quando o amigo que o acompanhava atendeu a ligação de um corretor americano que buscava oportunidades no Brasil e lhe entregou o telefone. A conversa durou dois minutos, continuou por e-mail e, um mês depois, em São Paulo, ele jantou com representantes da Equity International (EI), braço de private equity do investidor Sam Zell.

Foi assim, quase por acaso, que começou a negociação concluída na semana passada. A família Thá, que há 116 anos criou uma empresa que hoje atua em incorporação, engenharia e venda de imóveis, ficou com apenas 20% do grupo e repassou 80% ao novo sócio, por valor não revelado. Agora, Westphal, que foi mantido no cargo e também virou acionista minoritário, planeja ampliar o número de lançamentos de imóveis em 15% em 2012 e já conta com a entrada de recursos no grupo. “Com certeza vai ter aporte expressivo ao longo do ano”, diz. O montante, segundo ele, vai depender de oportunidades que serão apresentadas pela equipe aos sócios. “O capital deixa de ser um gargalo para nós e passa a ser alavanca para o crescimento.”

A reestruturação do grupo Thá começou antes, com a saída de membros da família dos principais cargos executivos, em 2006, mesmo ano em que foi firmada uma parceria com a incorporadora Rossi para atuação no Paraná. No começo do ano passado, foi fechada a venda de 60% da unidade imobiliária para a Lopes, mas os executivos continuavam trabalhando na possibilidade de venda do grupo. Antes, havia 45 acionistas, o que incluía primos de segundo e terceiro graus, que passaram a ser representados por 17 sócios em sete holdings familiares, o que facilitou o acordo final.

Westphal informa que foram feitos ensaios com outros quatro fundos antes de fechar com a Equity International, sendo dois em 2007 e 2008 e dois no ano passado. “Com os outros as negociações tinham diferentes formatos, mas não tinham o mesmo brilho da Equity International”, explica o executivo. Segundo Westphal, a família colocou algumas exigências. Queria uma parceria não predatória, de alguém que não fosse concorrente da Thá e que permitisse o crescimento futuro da companhia.

Dias atrás, logo após a confirmação da entrada do novo sócio, a Thá publicou anúncio para dizer que “virou internacional”. De acordo com o executivo, isso não quer dizer que haverá troca na gestão. Pelo contrário, a estrutura deverá ser mantida e, de novidade, há a contratação de um diretor financeiro e a criação de um conselho com três membros, sendo dois da Equity International e um dos agora minoritários.

Também não quer dizer que a companhia paranaense vá atuar em outros mercados, embora a possibilidade não seja descartada no médio prazo, em países vizinhos como Argentina e Paraguai. “Hoje o mercado convida para ficar no país”, diz Westphal, que tem como prioridade o Sul do Brasil na unidade de incorporação e, na área de engenharia, vai mais longe, para atender clientes como o Walmart.

O diretor de operações, Arsenio de Almeida Neto, conta que o fechamento do negócio com a Equity International foi prioridade nos últimos meses, mas encerrada essa etapa, os olhos estarão voltados para o crescimento. Segundo a direção do grupo, a bolsa de valores continua sendo alternativa de captação no futuro, mas existe a expectativa de que a Equity International fique alguns anos na sociedade e que haja troca de experiências com empresas nas quais o fundo tem participação em outros países.

Westphal afirma que o mercado de imóveis vai continuar a crescer no Brasil e que há oportunidades em todas as classes sociais. O executivo conta que em janeiro a Thá lançou um residencial com 150 apartamentos de um quarto em Curitiba e vendeu tudo em 15 dias.





Gafisa tem prejuízo de R$ 1,093 bilhão em 2011

2 04 2012

(Valor Econômico) – 02/04/12

A Gafisa registrou prejuízo líquido de R$ 1,093 bilhão em 2011, ante lucro líquido de R$ 416 milhões registrados no ano anterior. A receita líquida da companhia caiu 25% no ano passado, para R$ 2,789 bilhões. A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativa em R$ 489,5 milhões em 2011, ante os R$ 747,5 milhões positivos do exercício anterior. O prejuízo financeiro líquido da Gafisa cresceu 95%, para R$ 159,903 milhões.

Os dados, divulgados neste domingo, são preliminares, não foram auditados e não informam os dados referentes ao quarto trimestre de 2011. Segundo a companhia, sua auditoria, a Ernst & Young, vai demandar tempo adicional para completar os trabalhos. As demonstrações financeiras completas e o parecer da auditoria serão divulgados no dia 9 de abril, após o fechamento do mercado. Ainda estão sob revisão e análise uma possível realocação de custos e os montantes de impostos diferidos.

Os resultados de 2011 foram impactados por ajustes de R$ 889,532 milhões ocorridos no quarto trimestre, que levaram à reversão total de receita de R$ 1,2 bilhão. A Tenda respondeu por 69% dos ajustes e Gafisa, por 31%. Metade dos ajustes se referem a revisão de orçamentos de projetos. Os demais 50% decorrem de fatores resultantes da mudança de estratégia da companhia, como distratos de unidades da Tenda e reavaliação de terrenos de Gafisa e Tenda que não são mais considerados estratégicos.

Previsão de lançamentos
A Gafisa também divulgou previsão de lançamentos imobiliários de R$ 2,7 bilhões a R$ 3,3 bilhões em 2012. O ponto médio, de R$ 3 bilhões, é 14% menor que os R$ 3,5 bilhões lançados pela companhia no ano passado. Do total de lançamentos previstos, 50% são da marca Gafisa, 40% de Alphaville e 10% de Tenda. No primeiro trimestre, os lançamentos somaram R$ 450 milhões.

A previsão de entrega para 2012 é de 22 mil a 26 mil unidades – 50% de Tenda, 30% de Gafisa e 20% de Alphaville. A companhia prevê repassar de dez mil a 14 mil clientes para instituições financeiras em 2012.

A Gafisa projeta fluxo de caixa operacional positivo de R$ 500 milhões a R$ 700 milhões em 2012, começando no segundo trimestre, segundo o presidente da companhia, Duilio Calciolari.





Caetano Veloso vai à Justiça contra construtora que quer batizar condomínio de “Tropicália”

29 02 2012

(UOL) – 29/02/2012

Após tentativas frustradas de negociação amigável com a empresa Odebrecht, o cantor Caetano Veloso vai recorrer à Justiça com o intuito de impedir que a construtora utilize o termo “Tropicália” para dar nome a um condomínio de luxo em Patamares, no litoral de Salvador, na Bahia. Segundo a advogada do artista, Simone Kamenetz, uma ação com pedido de tutela antecipada será protocolada até a próxima semana.

Além de Caetano, outros artistas que participaram do movimento cultural surgido no fim da década de 60 – que valorizava a experiência estética como um instrumento social revolucionário–, tais como os cantores Gilberto Gil e Tom Zé, que já apoiaram publicamente a revolta de Caetano, devem fortalecer a movimentação judicial contra os planos da empreiteira.

De acordo com a Odebrecht Realizações Imobiliárias, o objetivo da empresa é o de “referendar um importante movimento artístico, de grande representatividade na Bahia e no Brasil”. Porém, Kamenetz afirma que a “homenagem” proposta pela Odebrecht é uma violação dos direitos de propriedade intelectual (referindo-se a Caetano Veloso), e argumenta que o objetivo do cantor não é o de cobrar retorno financeiro. “Ele não vai licenciar de jeito algum e não quer receber dinheiro da Odebrecht, que já sinalizou querer se apropriar na marra”, disse.

Segundo a advogada, o artista baiano não quer ver em hipótese alguma a sua obra associada a um empreendimento imobiliário –atividade que está em plena expansão na capital baiana e já foi constantemente criticada pelo próprio Caetano Veloso. O artista compreende que a construção desregrada de grandes imóveis está “desfigurando” a orla de Salvador.

“Salvador tem sido assaltada com esses empreendimentos gigantescos. A postura do Caetano é muito clara: não usem a minha obra. Ele nunca comercializou a sua obra para ganhar dinheiro com propaganda. Você nunca viu nenhuma música do Caetano associada a refrigerantes ou detergentes, por exemplo. A Odebrecht fala em homenageá-lo, mas a verdade é que os homenageados não querem essa homenagem. Há muitas outras pessoas por aí que ficariam felizes com essa homenagem. Não é o caso do Caetano”, explicou.

Kamenetz argumenta que a questão não se resume apenas ao batismo do novo condomínio de luxo – que se chamaria “Tropicália”. “Na verdade, os edifícios internos também receberiam nomes inspirados na obra do Caetano”, disse.

“Um dos prédios se chamaria ‘Alegria’ [em referência ao clássico 'Alegria Alegria', considerado o marco inicial do movimento tropicalista, em 1967]. Outro se chamaria ‘Divino, Maravilhoso’ [alusão a um dos grandes sucessos da dupla Caetano Veloso e Gilberto Gil]. Já há outdoors em Salvador que utilizam expressões como ‘Onde o divino encontra o maravilhoso’. Os princípios do Caetano estão sendo violados”, completou.

Outro lado
Em nota, a Odebrecht afirmou ao UOL que “foram feitas as devidas consultas prévias ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), órgão competente, e ficou constatado que não há impedimento para o uso do nome ‘Tropicália’ em um empreendimento imobiliário”.

No entanto, segundo a advogada de Caetano Veloso, Simone Kamenetz, o argumento da Odebrecht em relação à consulta no INPI é “fraco”, já que há clara intenção de se apropriar do ideário de um movimento artístico cuja expressão icônica se dá na imagem e na obra de músicos como Caetano, Gilberto Gil e Tom zé.

“Além da música, Caetano é um formador de opinião, que frequentemente expressa suas convições políticas e ideológicas. Eles querem se aproveitar disso”, afirmou a advogada.

A empreiteira destacou ainda que o termo “Tropicália” é ou já foi utilizado como nome de “vários produtos, serviços e estabelecimentos no país”. De acordo com a assessoria da construtora baiana, a empresa “não utilizou, tampouco sugeriu nem autorizou o uso dos nomes dos integrantes do movimento para promover o empreendimento”.

Outros artistas
A reportagem do UOL tentou entrar em contato com Gilberto Gil, porém o cantor estava gravando em seu estúdio no Rio de Janeiro. Foram enviadas perguntas para a assessoria de imprensa do artista, que deverá se pronunciar em breve sobre o caso.

Já o cantor Tom Zé, um dos ícones do movimento tropicalista, expôs as suas opiniões sobre o assunto por meio de uma carta formal enviada à diretoria da Odebrecht.

“Portanto, manifesto-me aqui, como membro do movimento tropicalista e artista da música brasileira, para requerer aos senhores que cessem o uso indevido dos nomes das obras artísticas que foram e são referência no cenário artístico nacional e internacional, posto que tal uso, além de não autorizado, vai contra toda a filosofia desse movimento, cujos participantes jamais autorizariam vincular sua obra a um empreendimento imobiliário desse porte”, escreveu.





Gafisa volta a disparar com rumores de oferta pela empresa

3 02 2012

(Valor Econômico) – 01/02/12

As ações ordinárias da Gafisa continuaram em forte alta hoje, com rumores no mercado de que um investidor prepara uma oferta pela empresa.

Os papéis encerraram o pregão com valorização de 5,87%, cotadas a R$ 5,05. Todo o setor de construção registrou ganhos na Bovespa. Rossi Residencial ON disparou 8,07% e PDG Realty ON subiu 7,52%. Foram as três maiores altas do Ibovespa no dia.

Entre os investidores circulam rumores de que o Equity International, do megainvestidor Sam Zell, e a GP, que já foram acionistas da companhia no passado, estariam interessados na empresa. Também há boatos de que o fundo Paladin, que tem participação na Viver, seria outro interessado.

Sam Zell saiu do investimento na Gafisa em duas operações, uma no fim de 2009 e outra em agosto de 2010 – ao deixar a companhia, a ação da empresa valia cerca de R$ 12 , três vezes mais do que a cotação atual.

Por essa razão, uma fonte de mercado observa que a volta de Sam Zell à companhia seria interessante para o investidor. No ano passado, GP e Paladin já conversaram com Gafisa. No entanto, alguns investidores questionam se esses fundos teriam recursos para fazer a operação.

Pela cotação de ontem, a Gafisa está avaliada em cerca de R$ 2 bilhões na bolsa, metade do seu valor patrimonial, que é de R$ 8,85 por ação. Por conta do preço baixo, alguns investidores acreditam que a empresa poderia tornar-se alvo de uma oferta por seu controle ou por uma participação relevante. A aposta aumenta por causa do capital pulverizado da companhia.

Nenhum acionista da Gafisa possui fatia superior a 5% do capital da empresa. O estatuto da companhia prevê que se um investidor tiver mais que 30% do capital da empresa deverá fazer uma oferta por 100%. Ou seja, antes de fazer uma oferta por toda a companhia, algum interessado teria espaço para fazer compras até atingir 29,9%.

Nos rumores de hoje, circularam até valores – estima-se que uma eventual oferta seria feita na casa dos R$ 6,00 a R$ 6,50, ou seja, entre os valores patrimonial e de mercado.

Procurados, GP informou que não comenta rumores de mercado. Equity International e Gafisa não retornaram. E o Paladin informou que não comenta sobre operações específicas, mas reforçou que está sempre atento a oportunidades de mercado.





O que esperar do preço dos imóveis?

10 09 2011

Por Eduardo Quiza*

Pesquisa recente divulgada pela Global Property Guide e pela Embraesp sinaliza que o preço dos imóveis no Brasil lidera o ranking mundial de valorização em 12 e 24 meses até setembro de 2010. Mesmo descontando a inflação do período, ainda assim o resultado permanece inalterado, mantendo os índices na frente do preço praticado em mercados com desempenho histórico invejável, tais como Hong Kong e Cingapura.

Uma das maneiras de responder a questão complexa acima é dividi-la em novas perguntas mais simples; se ainda assim não obtivermos a resposta, continuaremos com o processo até chegarmos juntos a perguntas simples o bastante para serem respondidas. Em caminho inverso, as respostas das perguntas mais simples irão formar a resposta da questão chave e penso, honestamente, que a questão merece a aplicação do método:

Existe uma “bolha” imobiliária?

Essa não é a primeira “pergunta mais simples” por acaso, até porque, se sua resposta fosse positiva teríamos que abandonar a ideia de projetar um cenário para a evolução dos preços tendo em vista que o comportamento de uma “bolha” não é apenas baseado em fundamentos econômicos e sendo assim, ela é imprevisível.

Em 1990 Stiglitz (1) definiu a bolha: se a razão pela qual o preço é alto hoje decorre apenas da crença dos investidores ou compradores de que o preço de venda será maior amanhã – quando os fundamentos não parecem justficar tal preço – então uma bolha existe.

A formação das bolhas está, portanto, diretamente atrelada ao fator comportamental, já que os indivíduos abandonam a análise racional para seguir aquilo que seus pares estão fazendo. Recente, a crise imobiliária norte americana está viva em nossa memória e deve ser tratada como de fato é: a bolha. É fundamental lembrar que o catalisador dessa bolha não foi o mercado imobiliário em si, e sim a avidez do sistema financeiro estadunidense por ativos de risco e como alternativa às baixas taxas de juros definidas pelo Fed(2) para combater a recessão em 2001, após os ataques terroristas de 11 de setembro. É notório o restante da história: empréstimos subprime, falta de critério na concessão do crédito, agências de risco atribuindo classificação AAA aos papéis, resultando em oferta de crédito abundante, sem regulação e com demanda não sustentável por ativos – especialmente imóveis.

A situação em nosso país não guarda semelhança alguma com o que ocorreu nos Estados Unidos. Nosso sistema financeiro é regulado e o Banco Central monitora os dados das instituições através da central de risco. Exemplo concreto são os depósitos compulsórios utilizados como instrumento para dar liquidez ao sistema em 2008. Enquanto nos Estados Unidos praticamente a totalidade do crédito imobiliário está baseado na securitização de recebíveis, no Brasil, essa participação representa pouco mais de 10%, sendo que a parte majoritária ainda é atendida por financiamento bancário.

O processo de concessão de crédito no Brasil evita financiar o imóvel em sua totalidade. Em 2010, por exemplo, apenas 2,5% dos mutuários apresentavam três ou mais parcelas em atraso. Tendo em vista que o crédito imobiliário representa apenas 3% do PIB, é possível considerar como mais provável a hipótese de que uma eventual crise no mercado imobiliário jamais contamine o sistema financeiro do país.

Sendo assim, devo pontuar que não há sinal de bolha imobiliária. Inicialmente porque falta o catalisador ideal que é a oferta ostensiva de crédito para turbinar a demanda. Além disso, a elevação do preço dos imóveis está relacionada diretamente ao aumento da demanda, tema explorado na questão a seguir:

Qual o comportamento esperado para a demanda por imóveis?

Existem dois fatores relevantes que apontam para um crescimento sustentável da demanda:

• A pirâmide etária da população brasileira revela que já estamos deixando a fase de expansão e iniciando, predominantemente, o processo de amadurecimento e envelhecimento da população. Tal deslocamento em direção ao topo da pirâmide irá contribuir para um crescimento contínuo do público consumidor de imóveis nos próximos quinze anos.

• O fator mais importante para avaliar a demanda por imóveis é o comportamento esperado para a renda. A expectativa para os próximos cinco anos é de que a renda das famílias cresça a taxas maiores do que as observadas nos cinco anos anteriores, consolidando a expectativa de um PIB mais elevado. A manutenção das taxas de desemprego em contínua desaceleração, acredito, reforça o cenário positivo.

Qual o comportamento esperado para a oferta?

Existe gap entre a demanda e a oferta, inerente ao nosso segmento, em função do longo ciclo de preparação de um produto imobiliário (da prospecção do terreno ao lançamento). O risco associado a esse gap é de haver instabilidade do cenário adotado para a demanda e/ou para a oferta em uma região e para a tomada de decisão na compra do terreno – oito meses depois, quando o produto for lançado, é possível encontrar um cenário consideravelmente diferente do inicial.

Uma característica que potencializa o efeito dessa leitura assíncrona entre a demanda e a oferta é o aumento da escala dos empreendimentos. Creio que a hipótese mais plausível para o comportamento da oferta é de que ela tende a suprir a demanda, mas com tendência à ocorrência de sobreoferta de produtos mais especificamente em algumas regiões.

E finalmente…

O movimento e o atual comportamento no preço dos imóveis definitivamente não podem ser classificados como bolha. Há fundamentos econômicos e mercadológicos sólidos que demonstram o crescimento atual da demanda e sua tendência a prosseguir evoluindo no longo prazo, impulsionada pelo aumento da renda dos brasileiros.

Ressalto que uma considerável parcela do aumento no preço dos imóveis está relacionada ao crescimento real e sucessivo do custo de insumos e mão de obra. Nos últimos vinte e quatro meses a variação acumulada de qualquer índice setorial da construção civil foi superior à variação do IPCA e o preço dos terrenos igualmente apresentou crescimento real.

Em 2011 e em 2012 o comportamento do preço dos imóveis deverá prosseguir com viés de alta, especialmente para empreendimentos voltados tanto ao segmento econômico quanto à classe média, e isso ocorre em função do crescimento mais expressivo na renda dessas classes em especial.

Poderemos observar também a ocorrência de equívocos no dimensionamento da oferta em algumas micro-regiões, que demandarão investimento adicional em estratégias de mercado, comunicação e uma política comercial notadamente mais agressiva, podendo resultar até mesmo em redução dos preços inicialmente estabelecidos.

O cenário em nosso setor prossegue sendo otimista e há pilares para acreditarmos que haverá espaço para crescimento real, fortalecido pela soma do crescimento da indústria e do setor de prestação de serviços. Juntos, os mais importantes segmentos da economia aos poucos nos revelam um país economicamente atraente e no qual valerá investir durante a próxima década.

(1)Joseph Eugene Stiglitz, economista norte americano. Foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos durante o governo Bill Clinton entre 1995 e 1997. Vice-presidente Sênior e economista chefe para políticas de desenvolvimento do Banco Mundial. Laureado com o Prêmio de Ciências Econômicas, em 2001 “por criar os fundamentos da teoria dos mercados com informações assimétricas”.

(2)A Reserva Federal dos Estados Unidos da América (em inglês oficialmente Federal Reserve System), conhecido simplesmente como Federal Reserve ou informalmente como The Fed.

* Engenheiro civil e diretor de incorporações da Invespark.





Indicadores mostram que euforia está no fim

22 08 2011

(Gazeta do Povo) – 22/08/11

Setor deve bater recordes em 2011, mas o ritmo das vendas já é mais lento. Não há mais empreendimentos esgotados já no lançamento, como ocorria no ano passado

Após forte crescimento nos últimos anos, o setor imobiliário começa a dar os primeiros sinais de desaquecimento, influenciado pelos preços altos e pela desaceleração da demanda. O mercado deve bater mais um recorde em 2011, mas o valor dos imóveis já está subindo em um ritmo mais lento, e é cada vez mais difícil encontrar empreendimentos que são vendidos 100% na ocasião do lançamento, como ocorria no ano passado.

A grande oferta de lançamentos está fazendo com que o cliente pesquise e demore mais para fechar o negócio. “Vender 100% das unidades de um empreendimento novo em 90 dias não ocorre mais, como no ano passado. O mercado começa a entrar em um período de acomodação”, diz Normando Baú, presidente do Sinduscon-PR.

Os preços continuam a subir, mas em ritmo menos intenso do que o verificado no ano passado. O valor do metro quadrado em Curitiba, que chegou a valorizar 25% em 2010, hoje avança a taxas de 17%.

O volume de financiamentos com recursos da poupança, que cresceu 70% no ano passado no estado, ainda é forte, mas também começa a perder fôlego. Nos primeiros cinco meses do ano, o avanço caiu para 53%, para R$1,65 bilhão.

As construtoras já dão indicações de que pretendem colocar o pé no freio dos lançamentos nos próximos meses. O volume de unidades liberadas para construção futura entre empreendimentos verticais e horizontais (14.395 unidades) em Curitiba caiu 4% no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, depois de avançar 20% em 2010, e atingir 33 mil unidades.

O movimento é puxado pelas grandes empresas do setor, com atuação nacional. A Cyrela e a MRV informaram que o ritmo de venda no segundo trimestre teve queda em relação ao mesmo período do ano passado. A PDG Realty anunciou que prevê que a velocidade de venda menor na segunda metade do ano e a Brookfield, por sua vez, revisou para baixo sua projeção de crescimento para 2011.

A previsão inicial das construtoras era quase dobrar o volume de apartamentos lançados em Curitiba em 2011 em relação ao ano passado, quando alcançou 10 mil unidades, mas Normando Baú diz que considera difícil atingir esse desempenho. “Tivemos um primeiro semestre muito forte, mas no ano acredito que o crescimento fique em 50%, mas será recorde”, afirma. Para ele, as boas condições de renda, emprego e crédito, que impulsionaram o boom do setor, se mantêm, mesmo com a crise internacional.

Segundo o Sinduscon, na média, a velocidade de venda em Curitiba está estável, mas o comportamento é desigual conforme o padrão do empreendimento. “Nos apartamentos de alto padrão, por exemplo, as vendas estão mais lentas, diz Baú.

A grande dúvida das empresas do setor é saber quando a demanda vai começar a saturar. “Nos últimos anos, o setor atendeu também a demanda reprimida. Curitiba ficou muitos anos lançando uma quantidade de imóveis menor do que a procura. Agora o setor está chegando a uma fase de maturidade, que começa no segundo semestre desse ano e deve ir até provavelmente o fim de 2013”, prevê Fábio Tadeu Araujo, economista da Brain, consultoria, especializada em mercado imobiliário. Nesse novo cenário, a tendência é que as empresas passem a fazer lançamentos de menor porte e o mercado registre velocidade de venda menor, principalmente em produtos mais saturados e bairros mais concentrados de empreendimentos novos.

Calote de investidor ‘descapitalizado’ preocupa o setor
Uma parte dos imóveis novos que começam a ser entregues agora estão nas mãos de investidores, que compraram na planta há dois, três anos, e que agora querem realizar suas vendas. Embora as entidades e construtoras evitem falar sobre esses compradores, sabe-se, nos bastidores do mercado, que há uma preocupação com aqueles investidores pouco capitalizados, que não têm dinheiro para quitar a dívida ou crédito para honrar o financiamento na entrega das chaves. São investidores que se empolgaram com a possibilidade de ganhos com o boom do setor, mas que não tinham capital e nem experiência de aplicação em imóveis, que são conhecidos pela pouca liquidez na hora da venda. Sem dinheiro, eles provavelmente vão precisar vender rapidamente os imóveis e, em um cenário de grande oferta, poderão começar a depreciar os preços. Estima-se que haja um volume pequeno de investidores nessas condições, mas é possível observar em Curitiba alguns empreendimentos em fase final de acabamento já com cinco, seis unidades com placas de venda. “Aquele que compra e não tem como honrar o financiamento não é investidor, é especulador. E isso não é saudável para o mercado. Conheço dois casos de construtoras que tiveram que retomar o imóvel de pessoas que não conseguiram pagar na entrega. Mas em geral quem atua como investidor nesse mercado está capitalizado”, afirma Gustavo Selig, presidente da Ademi. Para barrar o investidor depreparado, algumas construtoras têm aumentado os porcentuais das taxas de transferência de imóveis.

Imóveis menores têm valorização superior
Os apartamentos de um e quatro quartos são os que apresentaram uma redução maior no ritmo de alta de preços nesse ano, segundo dados da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imo­­biliário do Paraná (Ademi).

Depois de subirem 31,3% em 2010, as unidades de um quarto estavam com valorização de 9,3% até maio desse ano (último dado disponível). O preço médio do metro quadrado por área total desse tipo de imóvel ficou em R$ 3.277,32.

No caso dos apartamentos de quatro quartos, o aumento dos preços, que atingiu 34,3% em 2010, ficou em 10,8% nesse ano, para R$ 3.272.

Os preços dos apartamentos de três quartos também estão subindo menos – depois de uma alta de 20,6% em 2010, eles estão 15,1% mais caros e em maio o metro quadrado estava em R$ 2.554,99. A exceção ficou por conta dos apartamentos de dois dormitórios, que fizeram o movimento contrário: o aumento passou de 8,3% para 20,7% entre 2010 e 2011. Em maio, o preço médio do metro quadrado estava em R$ 2.483,75.

Para Gustavo Selig, presidente da Ademi, os preços não devem mais repetir as taxas de crescimento de anos anteriores – quando chegaram a aumentar entre 25% e 32% – mas a tendência, no médio prazo, ainda é de valorização: entre 15% e 18% ao ano.

Construção: oferta pode recuar até 35%
Nos próximos dois anos, o volume anual de unidades liberadas para construção em Curitiba deve recuar até 35% – dos atuais 33 mil para entre 17 mil e 23 mil unidades, segundo projeção da Brain Bureau de Inteligência Corporativa, especializada em dados sobre o mercado imobiliário. “Desse total, acredito que entre 12 mil e 15 mil serão para o mercado vertical, que é mais ou menos o tamanho da demanda adicional por ano da cidade” afirma Fábio Tadeu Araújo, sócio consultor.





O que fazer quando a entrega do imóvel atrasa

15 08 2011

(Gazeta do Povo) – 15/08/11

As reportagens “O contrato demora, a construtora atrasa e o comprador paga a conta” e “Venda rápida, entrega atrasada”, publicadas recentemente pela Gazeta do Povo, trouxeram à tona situações e problemas vividos por dezenas de consumidores paranaenses que enfrentam situações semelhantes. Alguns deles encaminharam suas dúvidas ao jornal, pedindo orientações sobre como proceder. Escolhemos algumas cartas com as situações mais comuns e encaminhamos as perguntas ao Procon-PR. As respostas e orientações foram formuladas pela coordenadora do órgão, Claudia Silvano. Confira:

Negócio desfeito: Em outubro de 2009 assinei o contrato de compra e venda de um apartamento no valor de R$ 186 mil dividido da seguinte forma: um sinal de entrada, mais 21 parcelas fixas, ficando um saldo devedor de R$ 153 mil que eu quitaria com financiamento perante a Caixa Econômica Federal. Esse financiamento estava previsto para ocorrer em, no máximo, quatro meses. Mesmo depois de passar todas as documentações e pagar as taxas, minha entrevista com a Caixa Econômica Federal ocorreu um ano e dois meses depois. A correção pelo INCC no valor de R$ 14 mil inviabilizou minha compra, pois eu não tinha renda suficiente para financiar a diferença. Fui forçado a vender meu direito de compra, pois a MRV entrou com um pedido para destratar a negociação, e com isso ela iria me devolver somente 40% de tudo que eu havia pago de entrada. Resumindo a história: fui obrigado a vender o apartamento às pressas para um amigo, pois a MRV demorou mais de um ano para me encaminhar o financiamento, com isso dando uma diferença de R$ 14 mil de correção do INCC.[Cláudio Parralego]

Resposta: e acordo com o relato do consumidor, a demora na realização da entrevista pela CEF foi causada pela MRV, a mesma deve se responsabilizar por todos os prejuízos sofridos. Como o imóvel teve de ser vendido às pressas para terceiros, é certo que o consumidor deve ter perdido dinheiro, logo, é cabível uma ação indenizatória em que podem ser pedidos os danos materiais e morais sofridos. Orientamos que busque a Justiça comum.

Atraso no financiamento: Comprei, junto com minha noiva, um apartamento no mesmo Spazio Celtic. Fui chamado no dia 04/08 para realizar a entrevista e descobri que terei de arcar com esse reajuste. Para isso, teremos de usar o nosso FGTS, já que não temos esse valor. Adquirimos o imóvel em dezembro de 2010 e somente 8 meses depois fomos chamados, e tínhamos a promessa de que o financiamento sairia em quatro meses. [Emerson Cardinal]

Resposta: tendo em vista o atraso por parte da construtora, pode o consumidor pleitear o não pagamento da atualização pretendida. O consumidor deve formalizar processo administrativo no Procon-PR. Caso o pedido inclua danos morais, orientamos que busque a Justiça comum.

Descumprimento de contrato: Nosso imóvel, comprado por cerca de R$ 96 mil, foi avaliado pela Caixa em R$ 113 mil, o que também alterou o valor de financiamento, gerando um saldo devedor maior do que o previsto. No momento da venda também fomos enganados, pois demos uma entrada de R$ 5 mil, e apenas R$ 1 mil foi abatido no valor do imóvel. Essa prática é ilegal, e inclusive a construtora já foi multada em outros estados por isso, pois transfere aos compradores a obrigação de pagar a corretagem (R$ 4 mil). Além disso, o contrato de adesão possui cláusulas leoninas, beneficiando apenas a construtora, deixando o consumidor desamparado. A pior delas diz respeito ao prazo de construção do imóvel, que é alterado após assinatura com o banco, e ainda prevê uma margem de 180 dias úteis após o fim do mesmo para a entrega do imóvel. No nosso caso, a previsão de entrega já foi adiada em quatro meses. Vamos casar no início de novembro, e vamos morar aonde? [Gustavo Machado]

Resposta: quanto ao atraso e cobrança, vale a resposta anterior. Além disso, a construtora não pode alterar unilateralmente o contrato estabelecendo novos prazos de entrega, diferente daqueles contratados. O consumidor deve procurar o Procon-PR.

Imóvel com defeito: Recebi meu imóvel com nove meses de atraso. Desse período, seis meses estavam elencados em contrato, porém os três meses subsequentes estão fora do prazo. Configurando atraso na entrega. Assim, a construtora deveria restituir a nós proprietários a multa com a devida correção monetária. Procurei a MRV para que pagasse pelos meses em atrasos, mas a empresa se negou. Quando recebermos definitivamente as chaves do imóvel assinalamos uma série de incorreções no apartamento. Foram várias as vezes que estivemos no local para que a vistoria fossem realizadas de acordo com nossa solicitação. Novamente nesse aspecto a construtora demorou muito para atender a nossos pedidos, ora não realizando os reparos solicitados, ora adiando a data para efetivar os devidos reparos. [Pedro Lucas da Silva Maia]

Resposta: além dos prejuízos decorrentes do atraso, os consumidores que receberam o imóvel têm direito de reclamar também pelos vícios [defeitos] que o mesmo apresenta. Orientamos que procurem o Procon-PR para formalizar reclamação solicitando os reparos.

Sonhos adiados: Fiz a compra de um imóvel com meu noivo. Tivemos de adiar a data do nosso casamento porque as obras atrasaram. A entrega está atrasada há mais de um ano e toda vez que vou até lá fazer uma visita ninguém sabe dar uma informação coerente, cada um promete uma data. É muito frustrante, pois isso mexe com sonhos. Entramos em uma ação conjunta com outros dez moradores do condomínio por danos morais e financeiros, mas não tivemos resposta do advogado ainda para saber se isso andou. [Nicole Castoldi]

Resposta: orientamos que notifiquem o advogado, solicitando informações quanto ao andamento do processo, vara em que foi distribuído etc. É interessante estabelecer prazo para resposta e informar que se não houver manifestação dentro do prazo estabelecido, será constituído novo advogado.

Ação coletiva: Também comprei um apartamento neste empreendimento da MRV. Minha dívida já aumentou em R$ 4,7 mil e e não sei como vou fazer para pagar. Seria o caso de organizar uma associação e entrar na Justiça com uma ação coletiva para evitar que fiquemos no prejuízo? [Juliana de Souza Pacheco]

Resposta: é possível sim a reunião de várias pessoas para ingresso com demandas coletivas. Sugerimos que converse com outros compradores do mesmo empreendimento.

Mudança de prazo: Comprei um imóvel em janeiro de 2010 e até hoje ainda não assinei o contrato. O apartamento era para ser entregue em setembro, mas já fui informado de que só entregarão em dezembro. Acho que a única forma de se precaver sobre esses atrasos é perante a lei, pois na hora da compra se você exigir um monte de coisa, como os juros durante a obra e multas como eu exigi, você fica sem a compra, ou seja, eles preferem vender para outro consumidor que não o exigirá, e conseguem. [James Henning]

Resposta: tendo em vista o relatado, pode o consumidor exigir o cumprimento da oferta, conforme o contratado, bem como indenização pelos eventuais danos materiais e morais decorrentes do atraso.

Atraso na obra: Também sou mais uma vítima da construtora MRV. Comprei um apartamento no Portão, Spazio Castel di Bettega, cuja promessa de entrega era outubro de 2010. Mesmo estando com os documentos em dia e o financiamento acertado com a CEF, tenho pagado juros absurdos devido ao atraso na obra, totalizando até a data de hoje cerca de R$ 9 mil. O sonho de ter uma casa própria se tornou pesadelo. [Ademar Henrique da Silva Alexandrino]

Resposta: O consumidor pode pleitear o não pagamento da atualização pretendida. Orientamos que formalize um processo administrativo no Procon-PR.





O contrato demora, a construtora atrasa e o comprador paga a conta

10 08 2011

(Gazeta do Povo) – 04/08/11

Burocracia e lentidão nas obras fazem dono de imóvel bancar reajuste do preço final, inclusive no Minha Casa, Minha Vida

Imagine comprar um imóvel na planta, pagar todas as taxas necessárias, entregar toda a documentação exigida, esperar pela assinatura do financiamento imobiliário e, enquanto isso não acontece, ver o preço do imóvel subir pelo menos 5%, por um atraso que não é de sua responsabilidade. Esse é o pesadelo que alguns consumidores estão vivendo por causa de reajustes do saldo devedor pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Essa correção consta em contrato e é de conhecimento do comprador, mas a informação muitas vezes omitida é a de que atrasos no trâmite burocrático entre construtora e agente financiador serão debitados em sua conta. E tudo isso acontece até com imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.

O empresário Michel Oliveira do Prado comprou no ano passado um apartamento na planta no Spazio Celtic, da MRV, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ele assinou o contrato de compra e venda com a construtora em dezembro do ano passado, com a promessa de que assinaria o financiamento imobiliário com a Caixa em quatro meses. O apartamento, de dois quartos, foi vendido a ele por R$ 101.021. De acordo com a avaliação de crédito feita pela construtora, Prado teria condições de financiar R$ 90.235 e a diferença seria paga em 22 parcelas mensais de R$ 490 – entretanto, devido à correção pelo INCC, hoje a parcela já chega a R$ 520.

O martírio do empresário começou quando o prazo prometido acabou e ele não foi chamado pela Caixa para assinar o financiamento. Sete meses após a compra, ainda não há previsão de contratar o financiamento. Além da dor de cabeça, Prado viu o saldo devedor aumentar em R$ 6.037: o valor inicial que o empresário vai financiar passou para R$ 96.272, por causa da correção pelo INCC. A diferença, que ainda não parou de crescer, corresponde a quase 6% do preço do imóvel. “Consta em contrato esse reajuste, mas em nenhum momento foi deixado claro pelo vendedor que o valor previsto no contrato seria maior. O pior é saber que entreguei toda a minha documentação em dia, paguei R$ 500 para o despachante da empresa fazer a análise, e, por razões que fogem da minha responsabilidade eu ainda não assinei com o banco”, afirma. “Não sei se na hora de assinar com a Caixa eu vou conseguir cobrir todo esse reajuste”, salienta.

A laboratorista Sabrine Nascimento da Silva e seu noivo, Lucas Banzato, vivem a mesma situação. Eles também compraram um apartamento no Spazio Celtic com a promessa de assinatura com a Caixa em no máximo quatro meses após o contrato de compra e venda, em novembro de 2010. Eles pretendem se casar quando o apartamento ficar pronto e, para realizar esse sonho, investiram R$ 100.180 – desse total, serão financiados R$ 88.259. Até agora, viram o saldo devedor aumentar R$ 5.905. “Eu tenho medo de não conseguir pegar um financiamento que cubra esse aumento. Segundo a MRV, com os nossos documentos conseguimos um financiamento de R$ 88.259. Se o valor que será financiado não aumentar, não sei o que vamos fazer. O que não acho justo é ter de pagar a diferença por um atraso que eu não provoquei”, desabafa Sabrine.

Explicações: MRV alega nova exigência de documento
Tanto Michel Prado quanto Sabrine Silva e Lucas Banzato procuraram a MRV para cobrar explicações sobre o atraso. A construtora informou a eles que a demora ocorreu por trâmites burocráticos da Caixa. Entretanto, segundo a assessoria de imprensa da Caixa, os consumidores ainda não foram chamados para realizar a assinatura do contrato de financiamento porque faltava à construtora entregar dois documentos necessários para dar prosseguimento ao processo. A assessoria informou ainda que 100% da documentação sobre o empreendimento precisa estar em poder do banco para que os compradores assinem o financiamento. O banco ressalta também que, no modelo de crédito associativo, no qual se enquadra o empreendimento, a Caixa exige como condição para a assinatura do contrato de financiamento que pelo menos 20% das unidades sejam comercializadas, quando o recurso que vai financiar a obra é oriundo do FGTS – caso do programa Minha Casa, Minha Vida. Quando o dinheiro vem da poupança, a exigência é de 30%.

A assessoria de imprensa da MRV informou, por meio de nota, que todos os documentos tinham sido apresentados à Caixa, mas admitiu que, após a avaliação, o banco apontou a necessidade de obter mais um documento. Segundo a construtora, toda a documentação foi protocolada na prefeitura, e a MRV aguarda a liberação nas próximas semanas para entrega à Caixa. “O processo de assinatura dos contratos de financiamento no Spazio Celtic terá início assim que ocorrer a liberação por parte da Caixa”, afirmou a empresa, em nota.

Apesar de reconhecer que houve a necessidade de entregar novos documentos ao banco, a MRV informou que o saldo devedor dos compradores continuará a ser reajustado, por estar previsto no contrato de promessa de compra e venda, e que os compradores terão de pagar a conta. “O saldo devedor será corrigido por este índice até que ocorra a assinatura junto ao agente financeiro e a quitação total do contrato”, completa a nota.

Quem causou o atraso paga por ele, diz Procon
Os órgãos de defesa do consumidor ressaltam que, mesmo a empresa afirmando que o reajuste está previsto em contrato, o consumidor não pode ser onerado sem ter responsabilidade sobre eventuais atrasos. “Quem causou o atraso precisa se responsabilizar por ele. Se a empresa não apresentou de maneira correta a documentação ao agente financiador e por essa razão houve demora na assinatura do financiamento imobiliário, ela vai ter de arcar com esse custo”, explica a coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano. Ela informa ainda que o consumidor pode fazer a reclamação no Procon e pleitear o pagamento apenas do valor contratado. “Quando o consumidor não tem culpa pelo atraso, pode questionar, inclusive na Justiça, a reposição do valor”, diz a supervisora da área de assuntos financeiros e habitação da Fundação Procon-SP, Renata Reis.

O consultor de finanças pessoais Altemir Farinhas dá uma dica para quem pensa em comprar um imóvel: é bom ter entre 5% e 10% do valor total como reserva. “Quando se assina o contrato há toda uma documentação que exige uma grande quantia. Além disso, há modalidades em que é necessário pagar algumas parcelas maiores no decorrer da obra, que podem pegar de surpresa quem não se planejar”, ressalta.

Enquanto chave não chega, casal gasta com juros
Outro tipo de atraso frequente acontece no prazo de entrega das chaves ao comprador. A técnica previdenciária Luciana de Oliveira Félix Borges e seu marido, Thiago Raulino Borges, também compraram um apartamento da MRV na planta, em 2009, no bairro Portão, em Curitiba. O contrato previa que o apartamento seria entregue em junho de 2010.

Com essa informação em mãos, eles marcaram o casamento para outubro daquele ano, já se precavendo de uma eventual demora. Luciana e Thiago se casaram e receberam os presentes, incluindo eletrodomésticos. Mas, na hora da mudança, o caminho foi outro: eles se mudaram para a casa dos pais de Thiago – já que o apartamento ainda não havia ficado pronto – e continuam lá até hoje. “O contrato dizia que tinha um prazo máximo de seis meses após o previsto em contrato para eles entregarem as chaves para a gente, mas até agora nada. Fizeram uma nova promessa, de que até 31 de julho o apartamento seria entregue, mas isso não aconteceu. É muito frustrante fazer planos e ter pela frente todos esses transtornos, ver todos os dias os presentes de casamento que ganhamos encaixotados. Não temos uma vida de casados, mas de namorados”, lamenta Luciana.

Além das incertezas, o casal tem sentido no bolso as implicações do atraso. A técnica previdenciária calcula que eles já tiveram de pagar cerca de R$ 3 mil em juros da obra para a Caixa – o valor é pago ao banco enquanto o apartamento não for 100% concluído, e não é amortizado do valor financiado. “O pior de tudo é não poder nem alugar uma casa, porque os contratos geralmente pedem o mínimo de seis meses. Mês a mês estamos vendo a data ser postergada”, reclama Luciana.

Abuso
A coordenadora do Procon-PR, Claudia Silvano, vê abuso na cláusula que prevê carência de seis meses na entrega do imóvel. “Além disso, mesmo depois da carência, há um atraso de outros oito meses. Dá para ver que eles não têm até hoje vida de casados e isso rende danos morais”, analisa Claudia. Além dos danos morais, a coordenadora do Procon-PR afirma que nesses casos é possível pedir ao órgão de defesa do consumidor ou à Justiça a entrega imediata do imóvel.

A assessoria de imprensa da MRV não explicou os atrasos na entrega da obra; limitou-se a informar, por meio de nota, que o término do Cosmopolitan está previsto para setembro e que alguns blocos já estão prontos, com as chaves entregues. Em relação ao bloco do casal, a empresa afirma que o apartamento será liberado em agosto.








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