A região mais cara será cada vez mais comercial

1 08 2011

(Gazeta do Povo) – 31/07/11

Restaurantes e lojas tradicionais do Batel darão lugar a uma série de condomínios verticais de escritórios

O mercado pressiona e o bairro Batel, em Curitiba, começa a dar sinais de que sua característica predominantemente residencial dará lugar a um perfil cada vez mais comercial em pouco tempo. Em uma projeção de cinco anos, a Avenida do Batel e sua continuação, no trecho de 1,3 quilômetro entre as ruas Desembargador Motta e Francisco Rocha, ganharão novos condomínios comerciais verticais, que abrigarão escritórios e lojas, além da inauguração de um shopping de luxo e da remodelação do Shopping Crystal, entre outros investimentos.

No terreno ocupado pela farmácia Droga Raia e pela Pizza Hut será construído um prédio de dez andares, com 15 mil metros quadrados de escritórios e lojas

Uma das áreas mais nobres da região, o terreno ocupado pela farmácia Droga Raia e pela Pizza Hut – restaurante instalado há 18 anos no número 711 da Rua Benja­min Lins, um prolongamento da Avenida do Batel –, dará lugar a um escritório comercial de dez andares. E vários outros espaços das proximidades, ocupados por restaurantes ou lojas, estão prestes a se tornar grandes edifícios.

O terreno da Pizza Hut foi negociado com a VCG Empreendimentos durante um período de um ano, em uma disputa que envolveu pelo menos 12 investidores do setor imobiliário. “É um terreno de valor importante e acreditei que seria o momento de abrir espaço para outro de maior valor no local”, afirma Augusto Ávila, franqueado das lojas da Pizza Hut em Curitiba e Santa Catarina.

O valor fechado pelo terreno de 3,3 mil metros quadrados é mantido em sigilo pelo empresário e pelo engenheiro civil Guilherme Vialle, proprietário da VCG Empreen­­dimentos. Eles confirmam apenas que houve permuta, comum nesse tipo de negociação. “Parte do valor será em área construída de escritórios e lojas. Em três anos, uma delas deverá ser utilizada para o retorno da Pizza Hut”, adianta Ávila. O empresário acredita que, em 15 dias, terá definido a escolha do novo local da pizzaria entre quatro pontos, dois deles no próprio bairro e outros dois no entorno. A pizzaria funcionará por mais um ano no local atual.

Valores
As apostas são de que o terreno teria custado entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões – ou seja, algo entre R$ 6 mil e R$ 7,5 mil por metro quadrado. O valor é o dobro do mínimo estimado para a região, afirma o analista de mercado Rodrigo Barros. “O preço exato é difícil de saber, porque não é revelado. Mas, pelas características, o metro quadrado no Batel vale mais que R$ 3 mil e pode ir muito além, conforme o interesse de negociação”, avalia Barros. Mais seguro, diz o analista de mercado, é afirmar que, depois de pronto, cada metro quadrado de área privativa de um condomínio no local pode chegar a R$ 9,5 mil.

A justificativa para tamanha valorização está no fato de a Avenida do Batel estar situada no maior eixo de ligação comercial da cidade, cujo ponto de partida está no Centro, na Avenida Marechal Deodoro, a mais importante via comercial a partir da década de 1970. “A Marechal é nossa Avenida Paulista. Mas saturou, o comércio alcançou a Rua Emiliano Perneta, que também saturou rapidamente, e agora chega à Avenida do Batel, formando a espinha dorsal do comércio de Curitiba. São três ruas importantíssimas, que cortam as principais avenidas Norte-Sul da capital”, destaca.

O empreendimento
A estimativa de investimento para o novo prédio comercial a ser erguido pela VCG Empreendi­­mentos é de cerca de R$ 50 milhões, afirma Vialle. “A fase é de finalização do projeto, com consultores de diversas áreas. Que­remos o melhor edifício da cidade, no melhor local”, diz.

Vialle adianta que o prédio terá dez andares, sendo dois deles de potencial construtivo – a lei de zoneamento para a área permite o máximo de oito pavimentos. Com 15 mil metros quadrados, o prédio vai abrigar escritórios e lojas, além de 200 a 300 vagas de estacionamento. A obra deve começar no segundo trimestre de 2012 e ficar pronta em dois anos. “Terá uma arquitetura diferenciada, que tornará a região mais atrativa, uma referência”, aposta o empresário.

Resistência
O proprietário da casa onde fica o John Bull Café (foto), na esquina das ruas Comendador Araújo e Brigadeiro Franco, ainda não cedeu às investidas do mercado imobiliário. Quem revela é o empresário Gilberto Carvalho, que aluga o local há cinco anos. A resistência vem de longa data, desde a chegada do Hotel Pestana, há cerca de dez anos, e criou uma curiosa integração entre as edificações, pela mescla de estilos contemporâneo e antigo no mesmo plano de visão.

No lugar da Irimar, uma torre de 20 pisos
Por R$ 8 milhões a construtora Invespark Empreendimentos Imobiliários adquiriu à vista um terreno de 1,4 mil metros quadrados a 250 metros da Pizza Hut da Avenida do Batel. O local fica na esquina das ruas Emiliano Perneta e Brigadeiro Franco, onde funcionou por anos uma loja da rede catarinense de móveis Irimar. Após dois anos de negociações com o proprietário, a edificação foi comprada e demolida há pouco tempo. Para o lugar está prevista a construção de uma torre comercial de 20 pavimentos – altura permitida por lei por ainda estar dentro da zona central –, e 180 vagas de garagem, em uma área total de 19 mil metros quadrados.

Esta foi uma das negociações de maior valor na região, avalia o diretor de incorporações da Invespark, Eduardo Quiza. Ele afirma que pagou mais de 30% acima do preço médio do metro quadrado na região. “A qualidade do terreno justifica. Por ser de esquina, é também mais caro, e, quanto mais rara a localização, maior o preço”, diz. A previsão é de que a torre comercial esteja pronta em abril de 2014. A estimativa de custos com a obras é de R$ 30 milhões. Os proprietários da Irimar, que alugavam a casa, procuram um novo ponto na cidade. Enquanto isso, toda a venda fica concentrada em única unidade, em Santa Felicidade.

Rendição: Churrascaria Badida vai se mudar após 28 anos
A churrascaria Badida deve se despedir em breve da casa no número 1.486 da Avenida do Batel, que ocupa há 28 anos. O dono do restaurante, Joel Troib, que aluga a casa, não desmente, mas também não quer comentar o assunto. Apenas acredita que uma mudança do endereço tradicional para um local próximo não teria impacto negativo entre os frequentadores – são cerca de 6 mil clientes por mês.

A informação extraoficial é de que o terreno da churrascaria, mais as vizinhas Farmácia Nissei e churrascaria Dom Gabriel, estariam sendo negociados com a construtora Cyrela, que não quis se pronunciar. Para a grande área estaria previsto um condomínio comercial composto por quatro torres. Uma construção antiga na Rua Dom Pedro II, na mesma região, seria o novo destino da churrascaria, a partir de maio do ano que vem.

Moradores e urbanistas veem transformação como inevitável
Moradora do Batel, a empresária Maria Francisca Merlo teme pelo fim do silêncio e da tranquilidade da região. Há nove anos ela mora com o marido, três filhos e uma neta em uma casa alugada a poucos metros da Avenida do Batel, e ainda não perdeu a sensação de morar em um bairro residencial, mas percebe que isso deve durar pouco tempo.

“Ainda temos silêncio depois que o comércio fecha. Mas há alguns anos era raro o movimento de carros e pedestres nessa rua. Agora, virou ponto de disputa de vagas de estacionamento”, diz. A abertura do shopping Pátio Batel, em 2012, deverá intensificar o fluxo. “Não gostaria de mudar daqui, mas a previsão é essa. O horário vai se estender e vem a preocupação de estarmos mais expostos. Sentar na varanda não será mais um privilégio.”

O urbanista Paulo Rolando de Lima, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), lembra que várias residências da região sofreram grandes mudanças com a transformação de residências antigas em ambientes comerciais. “É uma área que está fadada a ser densa. É a transformação seguindo. A tendência é que agora se passe a utilizar os terrenos mais intensamente”, afirma Lima.

Uma mudança é inevitável, aponta o presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), Gustavo Selig. Ele não acredita em uma completa descaracterização do bairro, mas em uma verticalização mais acelerada. “Como os terrenos estão cada vez mais escassos, a tendência é de que áreas com imóveis menores deem espaço para construções de maior porte”, diz.

Planejamento
A arquiteta e urbanista Yumi Yamawaki concorda que a verticalização é inevitável, mas alerta que o poder público terá de se planejar para lidar com ela. “A região do Batel abriga uma grande concentração de veículos, e isso contribuirá para um incremento ainda maior”, diz. O que pode ocorrer, destaca Yumi, é a “expulsão” dos moradores. “A excessiva especialização de áreas da cidade é prejudicial para a qualidade do espaço público. Se os moradores vão embora, nos horários em que as atividades não funcionam deixa de haver movimento, e a área se torna perigosa.”

A estrutura da região está pronta para atender às novas demandas, garante o supervisor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Ricardo Bindo. Ele afirma que há tempos o Batel é visto pela administração pública como uma zona de tendência de crescimento, com serviços – como fornecimento de energia elétrica, telefonia e abastecimento de água – preparados. Em relação ao trânsito, explica, a Avenida do Batel possivelmente será transformada em via de mão única.





Alceu Duilio Calciolari é o novo diretor-presidente da Gafisa

9 07 2011

(PINIweb) – 05/07/11

Executivo atuava há onze anos como diretor financeiro da incorporadora e, há seis, também como diretor de relações com investidores

A Gafisa anunciou a efetivação de Alceu Duilio Calciolari como diretor-presidente da empresa. Calciolari, que já exercia o cargo interinamente há aproximadamente 45 dias, atuava na diretoria executiva da incorporadora há onze anos como diretor financeiro e, há seis, também como diretor de Relações com Investidores.

Antes de ingressar na companhia, o executivo atuou como diretor Financeiro da Tupy S/A e ALL (América Latina Logística). Calciolari é formado em Administração de Empresas e possui mestrado em Controladoria pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Em seu lugar na diretoria financeira entrou Rodrigo Osmo, que acumulará a função de diretor superintendente da AlphaVille Urbanismo até o final do ano. O executivo, há cinco anos na companhia, está à frente do plano de negócios que irá fundamentar a compra dos 20% ainda pertencentes à Alphapar.





BR Properties levanta R$ 690,3 mi em oferta primária de ações

28 06 2011

(Folha.com) – 28/06/11

A ação da BR Properties saiu a R$ 17,15 em sua oferta primária subsequente, conforme informações disponíveis no site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta terça-feira.

A empresa do setor imobiliário está emitindo 40,25 milhões de novas ações ordinárias. Assim, o giro financeiro da operação é de R$ 690,3 milhões.

O valor da ação na oferta (follow-on) se compara aos mesmos R$ 17,15 do preço do papel da BR Properties no fechamento desta terça-feira.

A oferta está sendo coordenada pelos bancos Itaú BBA (líder), Bradesco BBI, J.Safra e Santander Brasil.

Os recursos obtidos serão destinados a aquisições e incorporações de imóveis comerciais, inclusive por meio da compra de sociedade ou fundo de investimento, segundo prospecto preliminar da operação.





Rossi adquire 70% da construtora nordestina Norcon

10 06 2011

(PINIweb) – 18/05/11

Construtora Paulista deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela empresa negociada

A Rossi Residencial adquiriu 70% da construtora Norton, uma das maiores do setor na região Nordeste do País. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a nova empresa será chamada de Norcon Rossi. A IGC-Partners e o Banco BTG Pactual atuaram como assessores da Rossi na transação.

A partir de agora, a Rossi deterá 80% de participação nos empreendimentos já lançados e parcialmente vendidos pela Norcon, que ainda será responsável pela realização de novos empreendimentos imobiliários. Segundo Cassio Audi, diretor financeiro e de relações com investidores, o objetivo da nova empresa é lançar R$ 2,8 bilhões até 2013.

A Rossi será responsável pela gestão financeira e operacional da Norcon Rossi, enquanto a Norcon fornecerá os terrenos e a mão de obra. Além disso, ambas as empresas já operam com a tecnologia de construção em pré-fabricados. A parceria faz parte da estratégia da Rossi de diversificar suas atividades para novas regiões que apresentam alto potencial de desenvolvimento de negócios e continuar crescendo nos mercados onde já está presente.





Contabilidade do setor dificulta análise

20 05 2011

(Valor Econômico) – 18/05/11

Analisar o balanço de empresas de incorporação imobiliária não é uma tarefa trivial. Todas as companhias usam regime de competência para registrar receitas, custos e despesas. Mas no caso das construtoras, a distância entre o resultado contábil e o fluxo de caixa é ainda maior.

Se o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) não é recomendado como medida de geração operacional de caixa para nenhuma companhia, muito menos para as incorporadoras imobiliárias.

Seguindo a interpretação dos reguladores brasileiros para o IFRS, a receita das incorporadoras é reconhecida conforme o percentual de execução das obras, enquanto o mais comum é que a companhia receba em caixa cerca de 35% do valor do imóvel até a entrega das chaves.

É com base nessa receita, majoritariamente sem efeito de caixa, que se calcula o Ebitda.

Para solucionar esse problema, que não é exclusivo do setor imobiliário, a opção mais segura é usar a demonstração de fluxo de caixa, que tenta explicar em detalhes a variação do caixa em determinado período. A ideia é saber, por exemplo, se uma empresa engordou a conta bancária porque está melhor operacionalmente ou se o motivo é a venda de um ativo fixo ou um empréstimo bancário.

Essa demonstração é dividida em três partes principais, além da variação cambial.

Na primeira, aparece o caixa gerado nas operações da empresa com sua atividade fim. Na segunda, está o caixa gerado ou gasto com investimentos, o que inclui aquisição ou venda de ativos fixos e participações societárias. Na terceira parte entra o caixa que tem como origem as atividades de financiamento, que incluem emissões de ações ou de dívida, empréstimos bancários e pagamento de dividendos.

Na maioria das empresas, ao se olhar o fluxo de caixa operacional é possível saber se a companhia de fato está gerando dinheiro na sua atividade.

No caso das dez incorporadoras imobiliárias que integram o índice do setor na bolsa, a conta do caixa operacional ficou negativa em R$ 4,97 bilhões em 2008, em R$ 4,50 bilhões em 2009 e em R$ 4,17 bilhões no ano passado.

Trata-se do único da bolsa brasileira que apresenta sistematicamente resultados negativos nessa conta.

“É normal numa fase de crescimento, de aumento de lançamento e de projetos, as empresas deste setor terem fluxo de caixa negativo. Faz parte do ciclo de construção, que leva uns 30 meses”, afirma Fernanda Rezende, analista da Fitch Ratings.

De acordo com ela, a conta deve permanecer negativa em 2011 para a maioria das empresas, podendo ser positiva para uma ou duas companhias. “Depois que elas estabilizarem [o ritmo de crescimento], dali uns dois ou três anos deve ter resultado diferente”, afirma ela.

Ainda de acordo com Fernanda, as companhias brasileira do setor encerraram o ano passado, de forma geral, com uma posição mais forte de caixa em relação a 2009. “Elas estão com uma postura mais conservadora depois da crise e por isso mantém um colchão de liquidez”, afirma.

Mas no caso das construtoras, o caixa operacional não conta 100% da história. “Isso pode significar uma visão míope sobre o fluxo de caixa”, explica Octávio Zampirollo, sócio de auditoria da Grant Thornton.

Segundo ele, quando as incorporadoras vendem recebíveis para bancos ou investidores por meio de securitização, mas mantém responsabilidade em caso de inadimplência, o saldo de contas a receber não é baixado. Na prática, isso significa que o dinheiro da venda da carteira entra no caixa da incorporadora, mas aparece como caixa gerado por atividade de financiamento. Se a venda fosse definitiva, o que de acordo com Zampirollo é menos comum no mercado, o dinheiro entra como caixa operacional.

Pelos dados oficiais disponíveis, o buraco das geração operacional de caixa só é coberto por conta das captações via emissão de ações e empréstimos e financiamentos tomados com bancos ou no mercado de capitais.

Mas o espaço para novos financiamentos já não é tão grande depois de a dívida líquida ter subido 178% desde 2008, para R$ 13,7 bilhões, e com a relação entre a dívida e patrimônio saltando de 39% para 49%.





Entrada em vigor das novas normas contábeis para incorporadoras e construtoras

29 11 2010

(Buildings) – 26/11/10

Construtoras preparam-se para o pior cenário

Enquanto auditores, empresas e órgão regulador não chegam a um consenso sobre como deve ser preparado o balanço das incorporadoras imobiliárias a partir deste ano, com as novas regras de contabilidade, as companhias de capital aberto do setor – embora oficialmente prefiram e defendam a manutenção do método atual – se prepararam para o pior cenário, que é o de mudança no sistema de reconhecimento da receita de venda dos imóveis.

Segundo o Valor apurou, todas contrataram uma segunda auditoria para auxiliá-las a entender como mudam os processos de contabilidade interna, caso passe a valer o novo sistema. Querem saber se estão fazendo as transformações de maneira correta.

As discussões poderiam ter sido encerradas no início deste mês, com um posicionamento oficial do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), mas não houve consenso prévio entre os participantes do grupo de trabalho que acompanha o assunto e que envolve a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon) e a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

A próxima reunião do CPC que vai tratar do assunto deve ocorrer no dia 3 de dezembro e a expectativa é que haja alguma decisão oficial até lá. Se o veredito for simples, determinando o uso de um modelo ou de outro de forma generalizada, é possível que o órgão não emita uma orientação formal, mas apenas um comunicado, para que haja conforto por parte de auditores e empresas sobre qual foi a decisão tomada.

Caso seja necessária uma explicação adicional sobre a aplicação das normas internacionais aos contratos de compra e venda de imóveis na planta no Brasil, pode haver a emissão de uma orientação formal do CPC.

Se não houver consenso, que ainda é a primeira opção, a CVM deve entrar em ação e arbitrar o caso, para que não haja tratamento distinto dos mesmos lançamentos nos balanços de empresas diferentes.

A Abrasca, entidade que representa as companhias nessa discussão, encomendou um estudo para justificar a manutenção do sistema atual de reconhecimento de receita, pelo percentual de execução da obra. Mas nem todas as empresas se sentiram confortáveis em ratificar o documento.

Há também uma percepção no setor de que, por conta do caso de fraude no Panamericano – que, de certa forma, colocou em xeque a atuação das auditorias – seja mais difícil não seguir a primeira interpretação sobre a nova regra, que era a de mudar o reconhecimento da receita para o momento da entrega das chaves.

Na mais recente safra de balanços trimestrais, a WTorre Properties foi a primeira empresa com registro de companhia aberta do segmento imobiliário a adotar as novas normas contábeis de forma completa. No seu balanço, a companhia optou por ajustar os demonstrativos que tinham sido publicados e reconhecer a receita de venda da Torre JK ao Santander apenas no momento da entrega. A KPMG, auditoria responsável pela avaliação do balanço da WTorre, emitiu parecer sem ressalva, atestando que o procedimento foi correto.

A publicação do balanço dessa forma, no entanto, não significa que esse é o entendimento da KPMG sobre a regra a ser seguida pelas incorporadoras de imóveis residenciais que vendem casas e apartamentos na planta.

Segundo o sócio de auditoria da área de indústria da KPMG Ricardo Anhesini, no caso específico desse balanço, a empresa analisou o contrato, verificou que a transferência de riscos e benefícios ocorreu num único momento e foi feito um ajuste. “Isso não reflete, necessariamente, uma conclusão nossa sobre esse debate”, disse ele, para quem a discussão neste momento está mais no campo legal do que no contábil.





Construção civil enfrenta incertezas de investidores

16 11 2010

(Buildings News) – 12/11/10

Os investidores estrangeiros estão interessados em investir no Brasil. Mas a rápida reação do mercado imobiliário pós-crise trouxe pelo menos duas consequências antagônicas. De um lado, um crescimento inconteste e uma vastidão de oportunidades. De outro, uma série de dúvidas sobre a vulnerabilidade do setor.

Apesar do franco interesse e até da cobrança de vir para o Brasil ou aumentar os investimentos aqui – para os que já estão – os investidores começam a se questionar se o país ainda pode garantir os retornos desejados, depois da forte alta dos preços. Outras duas grandes preocupações: como ficará a fonte de recursos para abastecer o mercado imobiliário após o esgotamento da poupança e como serão resolvidas as questões operacionais: o nível de atividade vai acompanhar o volume de investimentos?

Ontem, um grupo de investidores, representantes de empresas do setor e bancos estiveram reunidos na Conferência do Global Real Estate Institute, que organiza debates em diferentes partes do mundo. O mercado mudou e todos envolvidos estão cientes disso. Antes se falava em retornos anuais de 20% a 25%. Hoje já se fala em 15%, exagerando 18%. O volume de empresas interessadas em investir está quase empatando com os que desenvolvem os negócios.

Uma constatação clara: a maior parte dos nós passa pelo governo. É ele quem vai ter de resolver que alternativa dará quando acabar os recursos da poupança. Trata-se de uma questão regulatória. É também o governo, no nível das prefeituras, quem tem que agilizar, através de uma estrutura maior, a aprovação dos projetos, que hoje levam mais tempo para ser aprovados. A falta de infraestrutura – outra grande preocupação, principalmente de quem quer colocar recursos em projetos de baixa renda – também depende da esfera governamental. “A demora na aprovação de projetos já tem implicação no custo de carregamento e nas taxas de retorno”, diz Bruno Laskowisky, presidente da WTorre Properties.

Outro consenso. Não existe bolha imobiliária, apesar da elevação dos preços. O neologismo para traduzir o que acontece hoje no mercado imobiliário: reprecificação dos ativos. Os imóveis atingiram novo patamar de preços, mais próximos de outros países. “Não é bolha porque no mercado residencial, as pessoas compram para morar”, diz Axel Chaves, diretor do fundo Paladin, há 12 anos no Brasil. “A oferta é muito menor que a demanda porque não se consegue dar fluxo na aprovação dos projetos e por isso os preços sobem”, diz Walter Cardoso, presidente da consultoria Richard Ellis.

Mas o atual nível de preços preocupa, é fato. Ramsey Tadros, da Westfields Consultoria Empresarial, que representa o fundo Carlyle no Brasil (que desistiu de investir no mercado imobiliário brasileiro no auge da crise e não voltou mais) é conservador e cauteloso. Na sua opinião, o mercado imobiliário está muito aquecido e é preciso tomar cuidado antes de investir aqui. “Há uma onda de excesso de valor, é preciso pagar certo pelo projeto certo.” Para Tadros, no momento atual do mercado imobiliário, o investidor estrangeiro precisa avaliar que não se trata da gestão de ativos, mas da gestão de risco.

A questão do fim os recursos da poupança também permeou vários debates. Luiz França, diretor de Real Estate do Itaú Unibanco disse que, nos próximos dois anos, os recursos da poupança não serão suficientes. “É uma bomba relógio prestes a estourar.” Trata-se de um dinheiro subsidiado, referenciado em TR, que traz prestação muito baixa, que dá acesso ao comprador de baixa renda – que é a mola propulsora do setor. Uma mudança importante: o negócio imobiliário era familiar e agora não só teve acesso ao mercado de capitais, como também ao assédio direto dos investidores estrangeiros. Se as empresas precisam do capital dos investidores para crescer – já que há poucos recursos disponíveis para as menores e fechadas, principalmente – esses, por sua vez, mostram uma preocupação enorme em acertar nas parcerias. Querem selecionar o parceiro certo, que traga as melhores oportunidades e saiba resolver as questões burocráticas da melhor forma possível. “Quando vamos para fora, o ponto-chave são as pessoas, perdemos mais tempo procurando as pessoas certas do que analisando números”, disse James Rehlaender, da European Investors, que não tem negócio no Brasil.

A importância de fazer o “casamento” ideal é tanto de quem ainda está namorando, quanto de quem já achou o parceiro. Axel Chaves, diretor do fundo Paladin que está há 12 anos no Brasil, tem participação na construtora Even, You, Inc e é majoritário na Inpar, acredita que para ter sucesso no mercado brasileiro, a melhor forma de atuação são as parcerias, de preferência nos projetos. “Nosso trabalho está em identificar um parceiro que seja capaz de identificar os melhores negócios”, diz.

Os fundamentos brasileiros ainda falam mais alto que os problemas na hora de investir. “Não há uma resposta científica para saber o prêmio de rentabilidade no Brasil, mas há fundamentos sólidos, como o déficit habitacional e a questão demográfica, e se tiver o crescimento suficiente, como mostra que está tendo, o dinheiro volta “, afirmou Scott Koenig, diretor da RREEF, braço do Deutsch Bank para a área imobiliária, responsável pela gestão de US$ 15 bilhões em ativos. A empresa não tem investimentos no Brasil, mas está analisando oportunidades. “Não queremos entrar tarde demais no jogo, mas queremos investir no Brasil de maneira correta, com um parceiro adequado.”





Estratégia recompensada: Eztec é eleita a incorporadora do ano

11 11 2010

(Construção Mercado) – nov/10

Com filosofia que prioriza margem líquida dos produtos em vez da quantidade de lançamentos, Eztec é a vencedora geral do I Prêmio PINI Incorporadora no Ano

A Eztec, mesmo após entrada na Bovespa, manteve um volume conservador de lançamentos; hoje são apenas 22 empreendimentos administrados ao mesmo tempo

Podem chamar de conservadora à vontade: aplicada à paulistana Eztec, a alcunha vincula-se, muito distintamente, a uma postura empresarial ponderada e altamente eficiente. Afinal, trata-se de uma companhia com uma das maiores lucratividades entre as incorporadoras de capital aberto do Brasil. Os números comprovam: enquanto a margem líquida das grandes do setor (o que sobra, descontados os custos das empresas) foi de cerca de 14% no primeiro semestre deste ano, na Eztec o índice atingiu destacados 34% no período. Longe de representar uma excepcionalidade, o resultado tem se mantido nesse patamar ao longo dos últimos anos – alcançando inclusive um pico de 45% de margem líquida, em 2006. Há vários outros dados que refletem a solidez financeira da empresa, como a baixa alavancagem (recursos de terceiros presentes no capital da companhia) e o endividamento reduzido (do R$ 1,15 bilhão de patrimônio líquido, somente R$ 70 milhões são de financiamento imobiliário).

No entanto, tão relevante quanto os indicadores econômicos positivos é saber se, além de estratégias de mercado acertadas, os números se ergueram, em paralelo, no rastro de boas práticas empresariais. Reside nesse aspecto o diferencial da láurea conquistada pela Eztec: extrapolando o desempenho financeiro, o Prêmio PINI Incorporadora do Ano leva em conta também o relacionamento da empresa com clientes, funcionários, fornecedores e sua preocupação com a sociedade e o meio ambiente.

Lucro na classe média
Fundada em 1979 pelo empresário Ernesto Zarzur e seus filhos Flávio e Silvio Zarzur, a Eztec atua de forma concentrada na Região Metropolitana de São Paulo, com empreendimentos residenciais e comerciais. Sempre manteve os pés no chão em suas operações, evitando as já referidas alavancagens excessivas, endividamentos e outras medidas que pusessem em risco os pilares de sua estrutura financeira. Com esse histórico conservador, a empresa ingressou na Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) em 2007, captando o montante de R$ 542 milhões. “Abrir o capital não foi um processo complicado. A companhia vislumbrou a possibilidade de fazer mais daquilo que já vinha fazendo, dando uma rentabilidade acima da média”, explica o diretor financeiro e de RI (Relações com Investidores), Antônio Emílio Fugazza. É nesse quesito, rentabilidade, que a Eztec concentra suas energias. “Nosso foco é a margem, não o volume de produtos”, resume o diretor de engenharia, Marcelo Zarzur.

De fato, em comparação com muitas das incorporadoras que fizeram IPO (oferta pública de ações, em inglês), o número de lançamentos manteve-se relativamente sob controle. De cinco obras simultâneas antes da venda dos papéis, em 2006, a empresa passou a tocar dez obras, em 2008 – já com o caixa reforçado em mais de meio bilhão. No ano seguinte, o volume passou para 15 obras, e hoje são apenas 22 empreendimentos administrados ao mesmo tempo pela companhia – e emprega-se aqui o termo “apenas” lembrando-se do boom que acometeu várias incorporadoras, cuja atuação passou de cinco obras para 50, de uma só vez, após a captação em bolsa. A menor quantidade de obras, porém, não significa uma produção percentual menor de resultados.

Foi sustentando essa filosofia histórica de trabalho que, em 2009, a companhia seguiu na contramão do mercado e evitou entrar a fundo no segmento da baixa renda (definido, como se sabe, pela baixa rentabilidade individual dos produtos), para o qual a maioria dos concorrentes se voltou com grande euforia, animada pelo anúncio do programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. “Costumamos dizer que a baixa renda não é o setor, é mais um setor de oportunidades”, define Fugazza. Embora a empresa realize alguns projetos pontuais para esse público, o diretor financeiro e de RI reconhece: “O DNA da Eztec está voltado para o trabalho na classe média, seja média-baixa, média-média ou média-alta”.

Êxitos na crise
Mesmo nas companhias com baixa vocação para riscos, certa dose de arrojo sempre se faz presente, em alguma fase de suas trajetórias, para que alcancem um patamar de destaque no mercado. Na Eztec, algumas manobras ousadas foram postas em prática justamente no momento em que o setor da construção, de modo geral, mais se resguardava: durante o estopim e o ápice da crise mundial, em 2008. “Estávamos próximos da queda do [banco de investimentos americano] Lehman Brothers, em setembro daquele ano, quando optamos por lançar um empreendimento de quase 50 unidades na Chácara Klabin, com apartamentos de R$ 800 mil”, relata Antônio Emílio Fugazza. Numa conjuntura de crescente insegurança nos mercados e retenção de investimentos, o projeto tinha tudo para malograr. “Vendemos 70% das unidades no dia do lançamento”, exalta Fugazza. No lastro do sucesso, em pouco tempo veio uma segunda empreitada sensivelmente audaciosa:

“Quando a crise estava pegando fogo, em novembro, lançamos 170 apartamentos em Santana, na faixa de R$ 1 milhão cada: também vendemos 70% logo na abertura do plantão”, garante o dirigente. Lances de pura sorte? Evidentemente não. É em situações críticas como a que o mercado viveu em 2008 que o rigor na manutenção do caixa líquido faz a diferença. “Como a companhia tem um balanço público, consegue mostrar que sua estrutura de capital permite a superação de qualquer adversidade sem solavancos”, salienta Fugazza.

Erros a acertos
Além de garantir a execução de empreendimentos com recursos próprios, blindando-os de oscilações externas, o êxito nos projetos da Eztec está ligado a um intenso trabalho prévio de identificação de demandas de mercado. Grande parte desse trabalho é atribuída aos mais de 300 corretores espalhados por 38 pontos de venda da empresa na cidade de São Paulo: são eles que, em constante contato com clientes e potenciais compradores, identificam o tipo de produto que mais se ajusta às necessidades de um determinado público, nas diversas regiões.

Foi por meio dessa atividade de reconhecimento de demandas que a companhia colheu outro de seus bons sucessos, dessa vez no bairro do Campo Belo. “Estava havendo uma seqüência muito forte de lançamentos de três e quatro dormitórios, e o bairro mostrava vendas estagnadas”, relata Antônio Emílio Fugazza. “Depois de identificarmos que o potencial daquela região era para apartamentos duplex da ordem de 70 m², projetamos um empreendimento com essas características, com mais de 320 unidades, e lançamos em um terreno extremamente bem localizado: vendemos em torno de 60% no lançamento.”

Os exemplos de identificação de tendências são diversos: passam também pela incorporação de certas benfeitorias aos imóveis, como o espaço gourmet (sacada que integra sala e cozinha, implantada pela primeira vez num empreendimento na zona Leste e difundida a praticamente todos os lançamentos da empresa) e o acréscimo de sacada a salas comerciais (experiência bem-sucedida num empreendimento em Moema, lançado também no auge da crise, em 2008). A solidez da companhia, entretanto, não se formou ao longo dos anos com base unicamente em lances certeiros e triunfos imediatos. “Não temos medo de mudanças, de voltar atrás quando é preciso”, diz Marcelo Zarzur. O diretor de engenharia conta que há casos de empreendimentos abortados pouco tempo antes do lançamento, quando se é detectado algum tipo de inadequação, seja de projeto ou de natureza comercial. “Começamos tudo de novo, e o mercado nem toma conhecimento.”

Em outras situações, se necessária, a correção de rumos é feita mesmo depois do lançamento. Foi o que aconteceu, em 2009, com um empreendimento na Vila Mascote, região cujo mercado imobiliário encontra-se em franca ascensão. Eram 60 unidades com preço médio de R$ 800 mil cada uma. Aberto o plantão de vendas, apareceu um único comprador. “Depois de um mês, devolvemos o dinheiro ao cliente e dissemos: vamos reavaliar.” Marcelo conta que o projeto foi totalmente refeito, e os apartamentos de luxo deram lugar a 270 unidades de médio padrão, com preços entre R$ 270 e 370 mil. No começo deste ano, oito meses depois, o plantão abriu as portas novamente – e o cenário foi complemente outro: mais de 70% das unidades foram vendidas direto no lançamento.

Serviço de Atendimento ao Cliente
Essas vendas efetuadas com grande rapidez abastecem uma carteira composta atualmente por cerca de seis mil clientes. Eles permanecem vinculados diretamente à Eztec por um período de 30 a 36 meses, e dispõem de uma estrutura de atendimento que assegura resposta a qualquer solicitação num prazo de 24 a 48 horas. Os chamados costumam se concentrar em dois campos: questões financeiras diversas (dúvidas sobre reajuste de parcelas, antecipação de pagamentos, saldos devedores, entre outras) e questões relacionadas à assistência técnica de áreas comuns e privativas. Para os atendimentos em geral, a companhia possui três funcionárias, disponíveis em tempo integral, além de uma gerente encarregada do departamento. Nos casos em que é necessário algum tipo de reparo ou manutenção nos edifícios, são enviados técnicos em veículos personalizados da empresa.

“Atendemos a esses chamados, mesmo que o problema tenha sido causado, por exemplo, por prestadores de serviço e, dessa forma, não seja responsabilidade da construtora”, afirma o diretor de marketing da Eztec, Marcos Zarzur. A mesma política de ir além das obrigações legais é seguida no esforço para que equipamentos e áreas coletivas funcionem adequadamente. “Um exemplo clássico é o do cabeleireiro, muito importante na criação de um ambiente familiar entre os condôminos: nós entregamos funcionando, mas depois de um mês, para. Entramos em contato com as administradoras e procuramos corrigir isso”, diz Marcos.

Funcionários e Sustentabilidade
A origem familiar da Eztec, somada à integração e à proximidade entre os diversos departamentos, favorece o bom ambiente de trabalho e o crescimento de funcionários dentro da companhia. Os benefícios financeiros diretos também são um atrativo. “Nossa PLR (Participação nos Lucros e Resultados) é concedida em cima dos resultados individuais de cada um, evitando a competição entre os funcionários”, explica Marcelo Zarzur. Ainda na lista dos benefícios aos colaboradores, vale mencionar o Programa Bolsa de Estudos, pelo qual a empresa concede auxílio de 50% no pagamento de cursos de ensino médio, graduação e pós-graduação.

Para os funcionários de canteiro, a Eztec mantém também o projeto Leitura na Obra, que disponibiliza bibliotecas com livros, jornais e revistas. “Temos uma história de um mestre de obras que, tomando gosto pela leitura no canteiro, continuou a estudar, formou-se e hoje é nosso engenheiro”, conta Marcelo. O número de funcionários próprios de obra oscila entre 900 e mil trabalhadores. “Eles já têm a cultura da Eztec e a disseminam para os funcionários terceirizados de empreiteiras, que são outros dois mil nas nossas obras”, explica o diretor de engenharia. A preservação do meio ambiente também é foco de projetos na empresa.

Uma das principais iniciativas é o Programa de Gestão de Resíduos, que reaproveita materiais descartados para composição de outros itens de obra – como é o caso de pedaços quebrados de azulejo, usados para fazer talisca. O projeto também promove a reciclagem tradicional nos recipientes correspondentes (plástico, papel, vidro, alumínio), além de medidas como a disponibilização de restos de madeira para uso nos fornos da indústria cerâmica. Em complemento a essas ações, a Eztec especifica, nos projetos executivos, tecnologias de cunho sustentável, entre as quais bacias sanitárias com dois fluxos de descarga e reatores de alto fator de potência, que reduzem o consumo de energia elétrica.





Condomínios Logísticos – galpão de fazer renda

8 11 2010

(Construção Mercado) – nov/10

Incorporação de condomínios logísticos cresce em todo o País e oferece rentabilidade superior a outros segmentos da construção. Conheça as principais regiões demandantes; as taxas de valorização e de vacância; os custos médios de implantação e os parâmetros de viabilidade do negócio

Condomínio logístico da MRV Log
Condomínio da MRV Log, em Contagem (MG). A empresa, braço da construtora MRV, investiu R$ 26 milhões na aquisição de terrenos no segundo trimestre de 2010.

Os condomínios logísticos estão deixando a puberdade para trás. De­­sen­volvidos no final da década de 90 no Brasil, eles amadureceram junto com a economia. Resistiram à crise de 2008. Ficaram mais lucrativos e ganharam itens de ecoeficiência. Nos últimos anos, cresceram – e em todo o País, com destaque para a região Sudeste e, mais recentemente, Nordeste. Só no Estado de São Paulo, o estoque disponível aumentou 21,6% em 2009, índice que deve ser batido em 2010 e em 2011, quando a área disponível vai ultrapassar a casa dos 600 mil m², segundo indicadores da Herzog Imóveis, empresa que atua na comercialização e administração de galpões industriais. No mesmo período, a taxa de vacância desse tipo de empreendimento girou em torno dos 10%, o que mostra a forte demanda por essas construções. O tônico que alimenta essa expansão está em fatores já conhecidos da economia: o efeito renda e o efeito crédito, que aumentam o consumo e, conseqüentemente, as operações de armazenamento e distribuição de produtos. Para atender às demandas do mercado interno aquecido, empresas de diversos setores vêm buscando novos centros logísticos onde possam operar mais perto dos consumidores, com mais segurança e com divisão dos custos prediais – justamente o que propõem os condomínios. “Esse é um mercado pouco explorado. Com a carência de logística no Brasil, existe a tendência de novos empreendimentos para atenderem a todos os segmentos produtivos, do setor metalúrgico a fabricantes de iogurte a celulares”, afirma Marino Mário da Silva, diretor comercial da Retha Imóveis.

Na década de 90, os principais inquilinos dos condomínios logísticos eram da área de logística e industrial. Hoje, é impossível definir perfis restritos. No Logical Center de Cotia (SP), administrado pela Retha, por exemplo, a vizinhança abriga uma fábrica de móveis corporativos de alto padrão, uma empresa que conserta caixas eletrônicos, outra que organiza e guarda documentos, e por aí vai. Todas com contrato de pelo menos três anos e valor de locação em torno dos R$ 19 a R$ 22 por metro quadrado. “Um galpão é mais rentável que um escritório comercial AAA na Avenida Paulista ou na Faria Lima. Ele tem a vantagem de não se desvalorizar fácil com o passar dos anos”, garante Mário.

Investimentos

Condomínio Centeranel

Condomínio Centeranel, da Racional, localizado no encontro do Rodoanel com a rodovia Raposo Tavares, em São Paulo

Implantar um condomínio logístico requer uma faixa média de investimentos em torno de R$ 50 milhões ao longo de até 24 meses, desde a aquisição do terreno até a locação dos galpões. Em seguida, vem a parte boa: o aluguel. A taxa de rendimento verificada no mercado é de 13% ao ano, o que caracteriza um retorno de médio a longo prazo. Os empreendimentos mais procurados são aqueles próximos de rodovias. De fato, como os usuários/locatários de galpões logísticos têm como necessidade comum o acesso aos grandes polos de consumo, a localização estratégica que facilite a distribuição de produtos está entre os principais diferenciais de um condomínio. (Veja, na página a seguir, um mapa com as regiões que mais têm abrigado galpões logísticos). Ainda assim, não é fácil pontificar os locais mais procurados. “No interior de São Paulo, falaria que as áreas demandantes têm sido Ribeirão Preto, Campinas, Sumaré, Americana, Piracicaba; na Grande Curitiba, destacaria São José dos Pinhais e em Santa Catarina, Joinville, Navegantes e Porto de Itajaí; no Rio

Grande do Sul, Santa Maria e Canoas; em Minas Gerais, Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia e Betim; no Nordeste, a bola da vez é Recife por conta do entorno do Porto do Suape”, aponta Mário, da Retha. Em São Paulo, a expansão do Rodoanel e a restrição ao tráfego de caminhões dentro da cidade causaram uma supervalorização do preço dos terrenos para esses projetos. Empresas ouvidas por Construção Mercado falam em aumento de quatro, sete e até dez vezes no preço nos últimos dois anos. As rodovias Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares e Dutra se destacam entre os polos de investimento e valorização.

“Houve uma valorização geral de terrenos em todo o Brasil”, avalia Sérgio Fischer, diretor da MRV Log. A subsidiária da construtora mineira MRV foi criada em 2008 e teve as operações retomadas neste ano, com a ambição de se tornar a primeira no mercado de condomínios logísticos. Entre janeiro e agosto de 2010, a empresa investiu R$ 130 milhões na aquisição de terrenos. Um empreendimento já foi parcialmente entregue em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, e outros 15 estão em planejamento, a princípio com foco em Minas Gerais e São Paulo. Mesmo com a supervalorização vista no preço dos terrenos, os negócios não são fechados, necessariamente, pelo preço pedido. O teto é determinado pelo estudo de viabilidade, que analisa também os custos de construção e as premissas de mercado, como potencial de inquilinos e valor de locação. Se a conta não fechar, nada feito. A avaliação de viabilidade do terreno também deve levar em conta a topografia da gleba (quanto maior o aclive ou declive, maior o custo com terraplanagem), as restrições rodoviárias da concessionária para onde o terreno dá acesso (estradas de alta velocidade talvez demandem investimentos na construção de vias marginais para facilitar as entradas e saídas do condomínio), o zoneamento, além, é claro, de todo histórico e documentação do lote.

Investidores

A característica térrea (ou no máximo de dois pavimentos) dos galpões logísticos, atrelada ao uso de pré-moldados, faz da construção uma atividade de baixo risco

Os principais investidores de condomínios logísticos são grupos familiares (interessados emaplicar seus rendimentos em ativos), fundos de pensão e imobiliários (que remuneram seus acionistas com a rentabilidade do aluguel), e as próprias incorporadoras (como CCP – o braço comercial da Cyrela; WTorre, Bracor, Método, Racional, Hines, entre outras); todos são atraídos por índices favoráveis do setor, como a baixa taxa de vacância dos galpões e a carência de estoque, frutos da economia brasileira aquecida. Com a valorização dos terrenos e a boa perspectiva para o mercado de condomínios nos próximos quatro ou cinco anos, alguns proprietários de terras também optaram por entrar no negócio. Nessa circunstância, ocorre a permuta do terreno por uma parte do empreendimento, geralmente, alguns galpões. “Este caso pode ser interessante, porque diminui o valor desembolsado na compra do terreno”, observa Simone Santos, diretora de serviços corporativos da Herzog Imóveis.

Por ser considerado um investimento estratégico, o condomínio logístico também é uma chance de diversificação do portfólio de ativos imobiliários, mesmo que o mercado de imóveis residenciais e comerciais não esteja saturado. Esse foi o caso da Racional Engenharia, que se viu “cercada” pelo avanço do Rodoanel às margens da rodovia Raposo Tavares, na Grande São Paulo. A empresa já era proprietária de um terreno de 180 mil m2 nesse entroncamento antes da conclusão das obras do anel viário. “A Racional já tinha um volume de negócios crescente e sentimos a necessidade de ampliar os ativos para garantir performance. Aí, com um terreno nessas condições e o mercado favorável, foi natural escolher algo relacionado à logística”, conta a gerente-executiva da construtora, Erika Matsumoto, ao justificar o investimento no projeto de R$ 250 milhões do Centeranel, um condomínio de 107 mil m2 de área útil, cuja primeira etapa será entregue neste mês de outubro e que já fechou os primeiros contratos de locação. Segundo Erika, os recursos foram obtidos por alavancagem financeira e por recursos de equity. “A priori, não teremos um sócio. Nosso objetivo com o condomínio é de longo prazo, para constituir uma renda acessória”, disse.

Modelos de negócios

De 2009 para cá, houve um aumento de 70% no número de investidores interessados em condomínios logísticos em São Paulo, segundo dados da Herzog. A empresa também constatou predominância do modelo Build to Suit (BTS) – em que o condomínio é construído sob encomenda do futuro inquilino. “Esse modelo não mostra risco. Já tem contrato assinado e garantia de um comprador ou inquilino por dez ou 15 anos. O investidor com perfil mais conservador olha mais para esse modelo”, afirma Simone. No entanto, o modelo especulativo – com comercialização posterior ao projeto – vem ganhando adeptos. Por um lado, existe o risco de amargar galpões vazios devido a um projeto malfeito ou a mudanças no rumo da economia. Por outro, existe a chance de rentabilidade superior ao do BTS, uma vez que é o dono do condomínio quem define o preço de comercialização. Também entra nessa equação de incentivos a taxa de vacância baixa, sinal de que os estoques que entram no mercado têm sido absorvidos. “A oferta do especulativo ainda é pequena dentro do mercado. O risco está na demanda, que não é óbvia, requer estudo do mercado e sensibilidade,” conta Guilherme Rossi, sócio-fundador da GR Properties, empresa que desde o final de 2007 trabalha na captação de recursos de investidores para aplicação em empreendimentos imobiliários geradores de renda. No caso dos condomínios, a GR Properties tem foco no modelo especulativo.

Em ambos os modelos, a construção é relativamente simples e de baixo risco (com utilização de elementos pré-moldados e edificação de apenas um ou, no máximo, dois pavimentos). O desafio, porém, está no desenvolvimento de um projeto eficiente. O BTS deve atender rigorosamente as exigências contratuais, e, no caso do modelo especulativo, é essencial que o produto seja flexível, com capacidade de atender as necessidades de diferentes potenciais inquilinos. É altamente recomendável, por exemplo, garantir espaço para criar ou ampliar um eventual mezanino, estacionamento com condições para manobras e uma cabine primária de energia, entre outros itens que dependem do perfil dos potenciais usuários. Já o tema da sustentabilidade, que antes era apenas um diferencial, vem ganhando espaço na lista das exigências dos inquilinos. Estações de tratamento de esgoto, aproveitamento da energia solar e reúso da água para banheiros e irrigação são práticas recorrentes nos condomínios mais modernos. Mas isso pode não ser o bastante. “Grandes inquilinos, como boa parte das multinacionais, nem entram em condomínios sem o certificado de Green Bulding”, que atesta a adequação ambiental das instalações, afirma Sérgio Fischer. Empresas em processo de crescimento no mercado de condomínios, como a MRV Log, estão cogitando a obtenção do certificado, cujo nível básico custa em torno de 5% do empreendimento. O resultado das adaptações é uma economia de cerca de 20% nas despesas com água e energia, além de agregar valor ao empreendimento, de acordo com Guilherme Rossi, que garantiu essa certificação ao condomínio GR Jundiaí, no interior paulista.

Rota dos Condomínios

Referências para projeto básico
As dimensões e características abaixo mostram referências para um projeto básico de condomínio logístico competitivo, além de alguns itens que agregam valor ao empreendimento, segundo as empresas ouvidas pela reportagem.

Localização: fácil acesso pelas rodovias mais importantes do País.
Área do terreno: a partir de 30 mil m².
Área dos galpões: a partir de 1.000 m²; há empreendedores que apostam em módulos a partir de 700 m².
Número de módulos: variável em função do total de inquilinos e suas necessidades.
Área administrativa: entre 10% e 15% do galpão.
Pé-direito: em geral, de 8 m a 12 m. Já se fala em 15 m a até 20 m.
Capacidade do piso: de alta resistência (a partir de 5t/m².)
Itens comuns: sistema de segurança, serviços (manutenção, limpeza e jardinagem), pátio para manobra de caminhões, bolsões para estacionamento; restaurante, lanchonete e/ou cafeteria, vestiário e ambulatório. Diferenciais: cabine primária de energia, oficina, posto de gasolina e boxes de serviços, como agência bancária, lotérica e lojas, de acordo com as necessidades locais.
Itens de segurança: condomínio cercado, alarme, portaria blindada e sala de segurança com monitoramento. Diferenciais: sistema de eclusa para caminhões (gaiola) e lombada antifurto (piso dilacerador).
Itens de sustentabilidade: estação de tratamento de esgoto; reúso da água para banheiros e/ou irrigação, aproveitamento da luz do dia. Diferenciais: sistema de energia solar; área verde para manter a permeabilidade do solo e, principalmente, o certificado de Green Building.
Tempo de implantação: média de 18 a 24 meses, desde a prospecção do terreno até a entrega.
Custo da construção: cerca de R$ 1.000 a R$ 1.300/m².
Custo do condomínio:de R$ 1,5 a R$ 3,5/m² por mês. Inclui segurança, manutenção, equipamentos e folha de pagamento. Não inclui IPTU (imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana).
Usuários mais freqüentes: empresas de logística, serviços e indústrias leves em geral.





Porta a porta na casa própria

7 10 2010

(Terra on line, por Cristiane Campos) 7/10/2010

Clientes fiéis da DeMillus poderão realizar também o sonho da casa própria. Em uma ação inédita no País, a Rossi Residencial e a empresa líder na venda lingeries se uniram para facilitar ainda mais a compra do imóvel. A clientela das revendedoras da DeMillus, que é visitada porta a porta, receberá um catálogo de ofertas de empreendimentos da construtora no Rio, que totalizam 1 mil unidades. A ideia da empresa levar a ação para todo o País.

Segundo o diretor de Vendas da Rossi, Klaus Monteiro, a revendedora que indicar um cliente e levá-lo até a loja da construtora no Calçadão de Campo Grande vai receber um vale de R$ 10 para trocar por mercadorias. “Se a venda se concretizar, a profissional vai receber mais R$ 500 em produtos. Temos empreendimentos para todas as faixas de renda. O nosso foco são os imóveis do segmento econômico, que variam de R$ 130 mil a R$ 250 mil”, explica.

O exército de revendedoras da DeMillus tem 400 mil mulheres no País. No Rio, são 135 mil revendedoras, sendo 40 mil ativas.

EQUIPE NÃO PODE VENDER

A equipe não pode vender o imóvel porque não são corretoras, como prevê a lei. Por isso, elas apenas vão apresentar o catálogo para suas clientes e encaminhá-las a Rossi Vendas — braço imobiliário da construtora.

Para a vice-presidente da DeMillus, Eva Goldman, as próprias revendedoras podem ser potenciais clientes para compra do imóvel. Se isso acontecer,elas também vão ganhar desconto especial para a aquisição da moradia.








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