Construção é setor com maior expansão de pessoas ocupadas (Pnad 2008, IBGE)

18 09 2009

(IBGE) – set/09

Quanto à distribuição das pessoas ocupadas segundo os grupamentos de atividade, as maiores participações foram as dos grupamentos agrícola (17,4%), do comércio e reparação (17,4%) e da indústria (15,1%).

Na comparação com 2007, o grupamento da construção teve o maior crescimento em termos de pessoal ocupado (14,1%), com destaque para as regiões Norte (19,9%) e Nordeste (19,6%). Por outro lado, o grupamento agrícola, apresentou redução de 2,6% no seu contingente, de 2007 para 2008. As regiões Norte (-7,7%), Sul (-5,5%) e o Centro-Oeste (-5,1%) registraram quedas. O Sudeste foi a única região a apresentar crescimento de pessoas ocupadas no grupamento agrícola (2,6%) entre 2007 e 2008.





Famílias ficam menores, número de domicílios cresce e problemas habitacionais mudam

18 09 2009

(UOL Notícias) – 18/09/09

De 2007 para 2008, o número de domicílios no país cresceu mais rapidamente do que o número de famílias. Os dados divulgados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, também mostram que as famílias ficaram menores, com maior presença de unidades com uma ou duas pessoas.

O levantamento da pesquisa indica um total de 60,9 milhões de famílias vivendo em domicílios particulares em 2008, 1,4 milhão a mais do que no ano anterior. No mesmo período, o número total de domicílios subiu de 55,770 milhões para 57,557 milhões.

Proporcionalmente, o número de domicílios cresceu mais rapidamente que o de famílias. O crescimento do número de famílias foi da ordem de 2,4%, enquanto o do número de domicílios foi de 3,2%.

A essa tendência se soma a da redução do número de habitantes por domicílio. A média nacional ficou em 3,1 habitantes por domicílio, menor que a registrada na Pnad 2007: 3,2. Como se trata de uma média, a redução é significativa. Na região Sul, a “família média” é de 2,9 pessoas por domicílio, ou seja, menor do que a família nuclear formada por pai, mãe e um filho.

Evolução dos habitantes/domicílio (2007-2008)

Evolução dos habitantes/domicílio (2007-2008)

A redução no número de pessoas se verifica em algumas faixas: cresceu o número de domicílios com duas pessoas, praticamente se manteve estável o de três e, a partir de quatro pessoas por domicílio, há uma queda generalizada.

Essas mudanças no perfil domiciliar brasileiro levam a um aumento na pressão por habitação e serviços como fornecimento de água e coleta de esgoto e lixo, além de colocar desafios para as políticas públicas de habitação e de planejamento urbano. “Em alguns bairros, a pessoa pode ter até alguns metros quadrados a mais, mas ela vive em condições de ‘enterrado’”, diz a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-secretária executiva do Ministério das Cidades, Ermínia Maricato.

“Boa parte das pessoas que moram sozinhas, por exemplo, é formada por mulheres idosas, não necessariamente de baixa renda”, explica o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, uma organização não governamental que atua no setor de planejamento urbano. Nakano também é doutorando do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O desafio, para ele, é pensar não só a habitação, mas a cidade, para esse novo contexto. Com menos pessoas por domicílio, é possível imaginar casas e apartamentos menores, mas isso não é suficiente. “As unidades podem ser menores, desde que as áreas de convivências da cidade sejam maiores”, explica.

Outra questão é a da “acessibilidade universal”. Nesse sentido, Nakano vê de forma positiva experiências da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) na adaptação de unidades para idosos e deficientes físicos.

Tendência
A redução no número de pessoas por domicílios é uma tendência que já vinha sendo indicada pelos levantamentos anteriores da Pnad.

De 1997 a 2007, a proporção de domicílios com uma pessoa cresceu, na participação total, de 8,6% para 11,5%, para chegar a 12% em 2008.

“Proporcionalmente, há uma tendência de redução da proporção da típica família nuclear, a do casal com filhos”, explica Elisa Hijino de Oliveira, que defende na próxima segunda-feira uma dissertação de mestrado na Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas), ligada ao IBGE, justamente sobre o que os demógrafos chamam de “arranjos unipessoais” no Brasil na última década.

A redução do número de pessoas em cada família faz parte de uma grande mudança no perfil demográfico do país que inclui a redução da taxa de fecundidade, o envelhecimento populacional, o aumento da escolarização feminina e a entrada no mercado de trabalho, aumento das separações e divórcios, o adiamento dos casamentos e uniões e a transferência do foco da criança para os adultos na vida familiar.

Como conseqüência disto, os pesquisadores do Censo 2010, que será realizado no ano que vem, vão, pela primeira vez, perguntar se há cônjuges do mesmo sexo nos domicílios, buscando captar os novos tipos de família e as novas formas de morar.

Para Ermínia Maricato, outros dados sobre as famílias e os domicílios revelados pela Pnad 2008 são preocupantes. Ela cita, por exemplo, o crescimento do número de mulheres que são referência familiar. O número chegou a quase 35%.

“Esse é um dado de precarização. Especialmente quando a mãe é chefe de família e trabalha fora”, diz ela. Há outras famílias, que não a tradicional, que também enfrentam dificuldades: é o caso, por exemplo, daquelas formadas por uma avó e seu neto ou neta.

A precarização, aliás, pode estar também no aparentemente positivo crescimento no número de domicílios. Para Maricato, esse dado pode estar ligado a um adensamento de favelas nas “franjas” das grandes cidades.

“São necessárias pesquisas empíricas para verificar o que está ocorrendo, mas, se não foi interrompida a tendência dos anos 1980 e 1990, as condições podem estar piorando. As favelas mais antigas estão na quarta laje”, diz ela.

De acordo com Maricato, a retomada dos investimentos no setor de habitação e saneamento ainda não devem ter surtido um efeito que possa ser captado pela Pnad de 2008. “O impacto disso leva em torno de sete anos para ser sentido”, diz.

Além disto, o setor privado, embora esteja se voltando para a classe média, ainda não alcança o setor em que o déficit habitacional é mais significativo: o das pessoas que têm renda familiar média de até três salários. Há uma carência de 4,616 milhões de domicílios nesta faixa, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro encomendado pelo Ministério das Cidades.

Maricato acredita que o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, deve levar a uma melhora nas condições de saneamento, mas não interrompe o processo de expansão horizontal das cidades.

Outra questão é a qualidade dos serviços: embora a Pnad aponte para mais casas com acesso a coleta de esgoto e lixo, a pesquisa não consegue medir a qualidade desse serviço. Segundo a Pnad, 83,9% dos domicílios têm acesso a rede de água, 52,5% a coleta de esgoto e 87,9% a coleta de lixo.

“Tenho dúvidas sobre esse número do lixo. Se a coleta chegasse regularmente a quase 88% dos domicílios, não haveria tanto lixo nos córregos e na beira das estradas do país, quando você sai das regiões metropolitanas”, afirma Maricato.

Nakano, por sua vez, diz que o dado sobre coleta de esgoto não é o melhor. “O morador que responde à Pnad não vê para onde vai o esgoto. Ele pode achar que está indo para a rede coletora e, na verdade, ele está indo para a galeria pluvial”, diz. Na sua opinião, os dados mais confiáveis sobre o setor deveriam vir do cadastro das empresas de saneamento. “Mas eles são uma bagunça.”

Déficit habitacional
Uma pesquisa recentemente divulgada da Fundação João Pinheiro, com sede em Minas Gerais, baseada em dados da Pnad 2007, aponta que o déficit habitacional do país é de 6,273 milhões de domicílios, dos quais 82,6%, ou quase 5,2 milhões, estão nas áreas urbanas.





Did You Know?

31 07 2009

Link para vídeo muito interessante sobre tecnologia, redes sociais e outros temas: Did you Know?

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Chuveiro elétrico é mais econômico

28 05 2009

(Gazeta do Povo) – 24/05/09

Resultado parcial de um estudo feito pela USP mostra qual o tipo de banho tem menor custo

O chuveiro elétrico, ao lado do sistema híbrido de aquecimento de água (que utiliza coletores solares de baixo custo e o chuveiro elétrico) são as opções mais econômicas para o banho. A constatação foi feita por uma pesquisa do Centro Internacional em Reuso da Água (Cirra), entidade vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), quando levado em consideração o gasto com energia elétrica, água ou gás.

Resultados dos primeiros três meses da pesquisa, que será concluída em um ano, mostram que um banho de oito minutos com chuveiro elétrico custa R$ 0,22 contra R$ 0,35 do sistema solar, R$ 0,58 do sistema a gás e R$ 0,78 do aquecedor de acumulação elétrico (boiler). O sistema híbrido foi o único sistema que teve custo de insumo igual ao do chuveiro elétrico.

O coordenador do Cirra, Ivanildo Hespanhol, professor titular da USP responsável pela pesquisa, explica que os resultados dependem de condições atmosféricas. “A pesquisa termina só em janeiro de 2010. Temos outras metologias para ser colocadas em prática daqui para a frente. Acredito que o sistema híbrido possa dar uma diferença significativa por conta dos meses de inverno”, diz.

Comparativo do custo de sistemas de aquecimento de água

Comparativo do custo de sistemas de aquecimento de água

Para a realização do estudo um banheiro antigo foi reformado na sede da Escola Politécnica da USP, onde foram instalados cinco tipos de sistema de aquecimento de água. Durante um ano 30 voluntários tomarão banho no local e serão monitorados por sistemas digitais para a verificação de qual é o sistema mais econômico.

Por enquanto, se além dos insumos for considerado o custo de capital e de instalação, o chuveiro elétrico simples é a opção mais barata, com custo total de R$ 31, contra R$ 4.045 do solar, R$ 945 do sistema de aquecimento a gás, R$ 888 do híbrido e R$ 1.855 do boiler. “Não tinha muita esperança que o chuveiro elétrico fosse resultar na opção mais econômica. Sempre foi considerado vilão por conta do consumo de energia”, afirma Hespanhol.

Mas a profissional de educação física Renata Perucci, 29 anos, observou que os gastos mensais com insumos na casa da família de seu namorado eram menores do que em sua casa. O motivo, na opinião dela, seria o chuveiro a gás, que havia sido substituído por um elétrico na outra família. A observação levou Renata a propor um desafio para a sua mãe, a secretária Rosemary, 53 anos. A família decidiu instalar um chuveiro elétrico em casa. Durante um mês, todos na casa só tomavam banho no chuveiro elétrico e depois o mesmo foi feito no chuveiro a gás.

O resultado da experiência ainda é contestado por mãe e filha. Renata, que é responsável pelo pagamento da conta do condomínio, onde entra o consumo mensal de gás, diz que a conta diminuiu quando houve a troca pelo chuveiro elétrico. “O chuveiro a gás é um luxo da minha mãe. Eu e minha irmã continuamos tomando banho no chuveiro elétrico, que fica no banheiro social da casa”, diz. Já a mãe Rosemary ainda acha que o gasto com o chuveiro a gás é menor. “Temos de considerar não só o chuveiro, mas torneiras e outras instalações em casa”, afirma.

Outro dado que está sendo avaliado pela pesquisa é a perda de água que se dá entre o aquecedor e o ponto de uso quando o chuveiro está parado. Nesse caso a perda do chuveiro elétrico é zero, enquanto os demais sistemas perdem até 5 litros de água por banho, o que pode gerar um desperdício de 20 litros de água por dia, se for considerada uma família com quatro pessoas. “O uso e reuso da água têm de ser valorizado pela sociedade”, diz o professor.





Vendas de imóveis em São Paulo tiveram leve recuperação no primeiro trimestre

23 05 2009

(Construção Mercado) – 20/05/2009

Segundo balanço do Secovi-SP, foram comercializados 4,8 mil unidades no período. Com lançamento do “Minha Casa, Minha Vida”, vendas de moradias devem chegar a 29 mil

O primeiro trimestre de 2009 registrou uma leve recuperação no número de unidades habitacionais lançadas e vendidas em São Paulo. No total, a cidade teve o lançamento de 3,2 mil moradias e a comercialização de 4,8 mil imóveis. Isso é o que mostra o balanço do mercado imobiliário divulgado pelo Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo) nesta quarta-feira (20).

O maior número de unidades vendidas em relação às lançadas indica a diminuição dos estoques de remanescentes das construtoras. “A velocidade de vendas sobre oferta dos últimos meses de 2008 foi muito baixa, o que criou os estoques de imóveis. Mas, o que se vê agora, é que está havendo um escoamento muito grande dessas unidades”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe e diretor executivo do sindicato.

Para a entidade, parte do aumento no número de vendas e lançamentos de imóveis se deve ao programa “Minha Casa, Minha Vida” que, mesmo anunciado no dia 25 de março, já era divulgado pela mídia desde o começo do ano, motivando e aquecendo a procura da população por imóveis. “A exposição gratuita do programa levou ao aumento do movimento nos plantões de vendas em todos os segmentos”, avalia Petrucci.

Apesar dos bons resultados, as 3,2 mil moradias lançadas nos primeiros três meses do ano ainda são poucas em comparação às 7 mil registradas no mesmo período de 2008. O ritmo de vendas, que atingiu média de 8% nos três primeiros meses de 2009, também é menor em relação aos 16,2% de 2007 e os 13,8% de 2008. No entanto, o Secovi-SP prefere comparar os dados de 2009 com o ano de 2006, já que, para a entidade, o ano passado e 2007 foram atípicos para a construção civil. “No primeiro trimestre de 2006, o volume de lançamentos residenciais foi de 2,7 mil unidades, 13% abaixo do resultado dos três primeiros meses de 2009″, ressalta Petrucci.

Segundo sondagem do Secovi-SP realizada no início de maio com empresas do setor, a expectativa é que aumente o número de vendas entre 20 e 25% em abril com relação a março. Já para o ano, a entidade acredita que serão lançadas 28 mil unidades e comercializadas 29 mil moradias na cidade de São Paulo.

Unidades vendidas x lançadas - município de São Paulo

Unidades vendidas x lançadas - município de São Paulo

Lançamentos Residenciais (trimestre) - município de São Paulo

Lançamentos Residenciais (trimestre) - município de São Paulo





Geomarketing

14 03 2009

(Construção Mercado, AlineAlves 08/06)

Construtores e incorporadores descobrem as vantagens do geoprocessamento, que ajuda a formatar empreendimentos, conhecer melhor o público-alvo de uma região e criar estratégias de marketing.

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Região do Parque do Ibirapuera, em São Paulo

O mercado imobiliário começa a descobrir o potencial das ferramentas do geoprocessamento. Esse recurso, já bastante utilizado por setores como varejo, serviços e financeiro, reúne tecnologias e metodologias voltadas à coleta e tratamento de informações geográficas que podem ter as mais diversas aplicações de mapeamento e diagnóstico da produção imobiliária. O processamento informatizado de dados referenciados geograficamente permite que as construtoras e incorporadoras conheçam profundamente aspectos importantes para a tomada de decisão, como público-alvo e região, diminuindo os riscos e aumentando o sucesso do empreendimento.

Em todo o País ainda são poucas as empresas que oferecem soluções de geoprocessamento voltadas ao mercado imobiliário. A maioria está concentrada em São Paulo, mas boa parte atua em todas as regiões do Brasil, principalmente nas capitais. Isso reflete a demanda ainda um pouco tímida por esses serviços.

“Talvez o baixo número de interessados no desenvolvimento de estudos para o mercado da construção civil seja o reflexo da ainda inexpressiva utilização do geoprocessamento pelos empresários desse setor. Isso acontece porque o próprio setor ainda não percebeu e se utilizou das vantagens dessa tecnologia, geoprocessamento e mais especificamente do geomarketing”, explica a professora Lisana Kátia Schmitz Santos, coordenadora do Cieg (Centro Integrado de Estudos de Geoprocessamento) da Universidade Federal do Paraná.

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Semanalmente o site da Geoimóvel é atualizado com cerca de 300 informações sobre todos os lançamentos imobiliários da Grande São Paulo.

O feeling dos incorporadores e construtores, muitas vezes um dos principais argumentos para definições dos empreendimentos, começa a perder espaço para tecnologias do geoprocessamento com a forte competitividade do setor. “Historicamente o setor não tem know-how em estudos de mercado porque sempre caminhou na percepção e no faro de seus empreendedores. Isso dava certo porque havia abundância de terrenos e de demanda. Na medida em que cresce o número de competidores, o marketing se torna mais agressivo, os terrenos se escasseiam e os preços sobem, as empresas passam a ter mais cuidado com a sua prospecção e sua definição de localização e produto”, afirma Milton Fontoura, diretor da Gismarket Estudos de Mercado.

Fundada em 1993, a empresa inicialmente atendia apenas ao mercado varejista, mas há cerca de seis anos passou a desenvolver metodologias para o setor imobiliário, com atuação nacional. Entre seus clientes estão Brascan Imobiliária, Cyrela, Cipasa, Schahin e Gafisa.

Tecnologias

A tecnologia principal do geoprocessamento, utilizada pelas empresas especializadas, é o sistema GIS, ao qual estão associados mapas digitalizados – boa parte vem do acervo da Multispectral, pioneira no setor no Brasil. Além de um software específico, esse sistema é composto por outros elementos: hardware, dados (primários, obtidos por meio de levantamentos de campo e analistas; e secundários, IBGE, pesquisas diversas de fontes públicas e privadas), usuários e metodologias de análise. As técnicas do GIS coletam, integram e armazenam, nos mapas, diversos dados, variáveis de acordo com sua aplicação.

Para o mercado imobiliário, algumas das informações mais recorrentes são dados demográficos, rede viária, serviços (como bancos, escolas, supermercados), lançamentos imobiliários, entre outros. O sistema GIS é uma das bases de sustentação da grande gama de ferramentas, análises e estudos possíveis a partir do geoprocessamento. Uma delas, mais especializada, é o geomarketing, cujas características se encaixam nas demandas das análises para o mercado imobiliário, já que são voltadas a identificar o potencial de mercado de uma região, por meio do estudo da população e estrutura urbana.
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A Gisplan, do Rio de Janeiro, possui um dos maiores bancos de imagens de satélite de todo o território brasileiro, para mapeamento geográfico, georreferenciamento
e geomarketing. As imagens, como a da capa desta edição, tirada da Praia de Copacabana (RJ), são feitas pelo satélite comercial Ikonos, com aproximação de até 1 m.
www.gisplan.com.br

Ferramentas

Cada empresa desenvolve metodologias, ferramentas e serviços próprios, fazendo, entre outros estudos, diagnósticos de vocação imobiliária, tendências de desenvolvimento urbano, formatação imobiliária e análise de demanda da região. As incorporadoras e construtoras podem utilizar esses serviços em diversos momentos, que podem ajudar na procura pelo terreno até a definição de acabamentos do imóvel e sensibilidade a preços.

A vocação imobiliária está entre os estudos mais comuns para o setor. Por meio dessa análise, são apontadas as melhores alternativas imobiliárias para um local. A metodologia inclui a identificação da população da região (residentes, trabalhadores, estudantes), características urbanas (vias primárias, rodovias, fluxos de tráfego de pessoas e automóveis), a oferta de serviços, concorrência e zoneamento.

A primeira vez que a incorporadora Klabin Segall recorreu ao geoprocessamento foi no ano de 2000, para realizar estudo de vocação imobiliária no bairro da Barra Funda, em São Paulo. Com o resultado da análise, a incorporadora criou o Cores da Barra, um empreendimento de sucesso que revitalizou a região. Em 2005, a empresa repetiu a experiência com uma profunda análise do antes rejeitado bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, para o lançamento do Cores da Lapa. Na opinião de Marcela Carvalhal, gerente de marketing da Klabin Segall, o mercado competitivo obriga as empresas a serem cada vez mais profissionalizadas, sem margens para o erro. “O geoprocessamento é fundamental para o sucesso de um empreendimento por trazer vantagens como uma leitura real do mercado, posicionamento adequado do produto, dos preços e da demanda”, ressalta.

Didáticos, os mapas do Geosecovi são gratuitos e permitem a visualização de várias informações ao mesmo tempo como lançamentos imobiliários, vias, serviços e até favelas de São Paulo

Entre as empresas que já prestaram serviços para a Klabin Segall está a Itcon. Com sede em São Paulo e há sete anos no mercado, a empresa especializada em serviços de consultoria no segmento imobiliário também atua por meio de escritórios regionais em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, Porto Alegre, Goiânia, Curitiba e Salvador.

Recentemente, a Tecnisa contratou a Itcon para formatar melhor seus produtos. Até então, a construtora e incorporadora utilizava métodos próprios, como pesquisas em estandes de vendas, para identificar as demandas dos clientes. Para Douglas Duarte, diretor comercial da Tecnisa, as ferramentas de geoprocessamento permitem uma ampliação na visualização e abrangência do público consumidor. “Hoje a tendência é de o cliente visitar menos os estandes de vendas, então por meio de pesquisas mais aprofundadas e específicas podemos detectar o público ideal para ter melhores resultados”, afirma.

Durante os oito anos nos quais ocupou o cargo de diretor de marketing da Método Engenharia, Thomaz Assumpção conviveu com a escassez de informações para a tomada de decisão para o desenvolvimento de produtos. Em 1999, fundou a Urban Systems com o objetivo de “levar ao setor visão de informação semelhante às análises de risco do mercado financeiro, aliando pesquisas de mercado e geoprocessamento”. Criou metodologias próprias e conceitos, como o de “cidade mental” – espaços geográficos onde uma determinada população trabalha, estuda, faz compras, diverte-se e/ou mora.

Alguns estudos realizados pela empresa, que tem filial em Porto Alegre e Goiânia, exemplificam outras soluções que o mercado oferece ao setor imobiliário. “O diagnóstico de potenciais faz uma análise sobre as chances reais para o sucesso de um empreendimento, com o cruzamento de dados, pesquisas de campo e mercadológicas. Há também a gestão de marketing e vendas de empreendimentos. O acompanhamento envolve pesquisas e análises de mercado com relação ao projeto, vendas e prazos”, explica Assumpção.

Outro produto bastante comum para o mercado imobiliário são os mapas temáticos. “É possível visualizar mapas temáticos sobre ofertas de varejo e serviços, distribuição de renda, acessos locais, dispersão de clientes e área de influência de um empreendimento, por exemplo”, afirma Milton Fontoura, da Gismarket.

Mapas temáticos, como o da área de influência, mostram as regiões que o empreendimento abrange comercialmente

Soluções práticas e simplificadas

Analisar a concorrência e o mercado também é possível por meio do geoprocessamento. Algumas empresas criaram soluções específicas para esses fins. A Geoimóvel é fruto da união dos bancos de dados e informações georreferenciadas de três empresas – Amaral D Avila Engenharia de Avaliações, a Dexter Engenharia e a Multispectral. Por meio da internet, é possível pesquisar mais de 300 informações sobre todos os lançamentos imobiliários da Grande São Paulo. Esses dados ficam disponíveis, para assinantes, no site da empresa, que oferece um ranking do market-share das construtoras e incorporadoras da região e uma grande variedade de dados do mercado.

Esse tipo de ferramenta, na qual o próprio cliente gera os dados de geoprocessamento conforme a demanda, é a próxima aposta da Cognatis. Especializada em geomarketing e modelos estatísticos, a empresa deve lançar nos próximos meses uma ferramenta que poderá ser utilizada via internet ou intranet. Batizada de Webtool, a solução já é utilizada no mercado financeiro e está sendo adaptada às necessidades das construtoras e incorporadoras. Todas as bases de dados geodemográficos e de mapas da Cognatis ficarão disponíveis, por meio de um contrato de locação, para que o cliente gere suas próprias análises. A ferramenta é indicada para as grandes empresas, que necessitam de estudos de geoprocessamento com mais freqüência.

“A Webtool tem funcionalidades de criação de relatórios, variáveis, cálculos, expressões, mapas temáticos. Tudo pode ser customizado e o programa também se integra às bases de dado do cliente, como os lançamentos da incorporadora. Outro recurso será análise da velocidade de vendas”, explica Reinaldo Gregori, diretor da Gognatis, empresa que atua há três anos no mercado.

Os estudos de geoprocessamento, como o da Cognatis, permitem conhecer o grau de verticalização das cidades e bairros, informação que pode determinar a realização ou não de um empreendimento em determinado local

Já o Secovi-SP criou, ainda de maneira experimental, um site gratuito de geoprocessamento, o Geosecovi. “Nosso objetivo é prestar um serviço ao associado, democratizando diversas informações às vezes restritas”, afirma Eduardo Della Mana, um dos coordenadores do projeto que está no ar há cerca de um ano e meio.

O Geosecovi gera mapas com informações como lançamentos imobiliários desde dezembro de 1997, bancos, supermercados, escolas, favelas, relevo, dados censitários, vias principais, rede viária, valor venal e o antigo zoneamento. Totalmente voltado ao mercado imobiliário, o banco de dados do site é atualizado por meio de pesquisas e informações levantadas pelo departamento de economia e estatística do sindicato e por um convênio com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio). Ainda sem previsão de lançamento, a versão definitiva do serviço terá a nova lei de zoneamento e cálculo automático de outorga onerosa, e deverá ser de acesso restrito aos associados ao sindicato ou pago.

Apesar de desempenharem um papel importante na elaboração e desenvolvimento de um empreendimento, os estudos de geoprocessamento não devem ser considerados definitivos para a tomada de decisão na opinião das empresas especializadas. “Existem variáveis que são incontroláveis no mercado e independentes de nossas análises, como a alta do dólar e a variação de preços. Organizamos todas as informações que já existem e as interpretamos, tentando ter uma antevisão das tendências”, afirma Milton Fontoura, da Gismarket.

“No começo os clientes queriam garantias absolutas do sucesso do empreendimento, mas o mercado está percebendo que nenhum estudo pretende ser milagroso. O estudo é mais um instrumento no arsenal do tomador de decisão para reduzir riscos”, conclui Reinaldo Gregori, da Cognatis.

ENTREVISTA – Lisana Kátia Schmitz Santos

Tendências socioeconômicas

Quais são as vantagens e benefícios para construtoras e incorporadoras que utilizam ferramentas de geoprocessamento e geomarketing?

As empresas têm a possibilidade de avaliar as tendências socioeconômicas da população por bairros detectando as áreas de maior potencial para expansão e incremento das vendas. Outra vantagem é a possibilidade de mapear pontos de interesse urbano como parques, praças, shoppings, centros comerciais de bairros e outros, os quais funcionam como atrativos de vizinhança, alguns para a venda ou locação comercial, outros para venda ou locação residencial e, assim, locais dentro da malha urbana que funcionariam como incentivo para venda.

É possível avaliar também o perfil?

Com a utilização do geomarketing, o empresário também pode avaliar o perfil socioeconômico da população, detectar seu segmento-alvo do mercado, planejar a expansão da atividade imobiliária e direcionar as vendas para segmentos específicos da população. Além disso, os estudos permitem avaliar a atuação da concorrência, fazer o prognóstico das tendências do mercado imobiliário tanto no que diz respeito aos nichos inexplorados como no que tange às futuras oportunidades.

Por que essas ferramentas ainda não foram amplamente difundidas no mercado imobiliário?

Porque talvez os empresários desse mercado ainda não tenham percebido que a utilização do geoprocessamento pode sistematizar e otimizar as suas atividades operacionais cotidianas e também apoiar na tomada de decisão quanto aos futuros investimentos e na prospecção do segmento de mercado mais adequado para a sua atuação.

Lisana Kátia Schmitz Santos – Professora e coordenadora do Cieg (Centro Integrado de Estudos de Geoprocessamento) da Universidade Federal do Paraná

Aplicações no mercado imobiliário

Busca de imóveis distribuídos pela malha urbana considerando variáveis geográficas, tais como: a inserção do imóvel em bairros específicos, proximidade do imóvel de parques ou praças, a proximidade de ruas e setores especificamente valorizados por comércio ou lazer, dentre outros; aplicações de investigação da oferta de imóveis por bairros ou setores de bairros comparados à distribuição da população e seu perfil socioeconômico

  • Estudo de valorização dos imóveis por bairros ou regiões, bem como a valorização de determinados imóveis em face da proximidade de pontos de interesse turístico, cultural, áreas verdes ou outras áreas valorizadas dentro da cidade
  • Avaliação de potencial de vendas e de expansão da atividade imobiliária em função de dados socioeconômicos, ou avaliando a variação do perfil econômico da população de um bairro ou região em comparação com o estoque de imóveis disponíveis para aluguel ou venda
  • Avaliação das tendências de expansão da atividade imobiliária em função do zoneamento e parâmetros de uso do solo da prefeitura do municípioFonte: Cieg (Centro Integrado de Estudos de Geoprocessamento) da UFPR

    Como funciona

    Etapas do geoprocessamento no estudo

    Uma das análises mais amplas do geoprocessamento é o estudo de mercado, cujos objetivos variam de acordo com as características de cada empreendimento. Para exemplificar, a Gismarket, empresa de estudos de mercado, elencou para a revista Construção Mercado as principais informações a serem obtidas no estudo de um empreendimento hipotético de uma torre de 22 andares, 88 unidades, com área útil total de 104 m2, quatro dormitórios, duas vagas na garagem e um preço estimado de R$ 200 mil, tendo como público-alvo as classes A1, A2 e B1.

    Nesse estudo a meta é obter os seguintes dados: traçado da área de influência (para estudo da concorrência), avaliação do cenário imobiliário residencial geral na região no público-alvo, dimensionamento da oferta (concorrência direta), estudo de demanda residente e flutuante, diagnóstico do potencial de mercado da região e diagnóstico para o sucesso do produto proposto.

    A metodologia da análise tem três etapas. A primeira identifica em mapas, por meio do sistema GIS, o local do empreendimento e sua área de influência. Nessa fase do estudo são avaliados a localização, acessos e aspectos da atratividade natural do local. São feitos dois tipos de levantamentos e mapeamentos, um da infra-estrutura e dos equipamentos urbanos da região, e outro da oferta de comércios e serviços no entorno. Além disso, é traçado o perfil da população da região, segmentando-a em sete níveis sociais, e apurando os índices de verticalização e domicílios próprios, bem como a renda média familiar. A concorrência também é mapeada com a identificação e análise das principais características dos condomínios residenciais da região.

    A segunda fase da metodologia é qualitativa e consiste em um estudo aprofundado do conceito do empreendimento, que é fundamentado por meio de entrevistas de profundidade (amostra de 15) com profissionais do mercado imobiliário da região. Entre os principais assuntos abordados estão localização e acessos (pontos positivos e negativos), padrões preferidos de construção (interno e externo), modelos esperados de arquitetura, equipamentos mais solicitados e necessários, pontos fortes e fracos do projeto, preços ideais e condição de pagamento desejável.

    A última etapa do estudo consiste em entrevistas qualitativas por meio de um questionário. São realizadas cerca de 60 entrevistas com famílias que se enquadram no público-alvo. Os entrevistados dão informações sobre motivações de compra, aspectos mais valorizados dos produtos, fatores associados à escolha, seleção do melhor produto possível (oito alternativas), área útil ideal (m2), entre diversos outros aspectos. Juntamente com o questionário, são utilizados alguns materiais como lista detalhada com todos os benefícios propostos ao condomínio, localização precisa da área no contexto da região e desenhos em perspectiva.





  • Os bairros mais cobiçados de Curitiba

    26 02 2009

    (Gazeta do Povo) – 22/02/09

    Água Verde, Batel e Portão lideram lista de endereços dos sonhos dos moradores da cidade

    Ruas arborizadas, proximidade do centro e serviços de alto padrão. Esses são alguns dos atributos que fazem com que os bairros Água Verde e Batel sejam o endereço dos sonhos de muitos moradores de Curitiba. Os dois, seguidos do vizinho Portão, foram apontados como os bairros mais cobiçados da cidade, em levantamento encomendado pela Gazeta do Povo ao Instituto Paraná Pesquisas.

    O estudo mostrou que mais de um quarto dos curitibanos gostaria de viver nesses bairros ou no Centro (veja infográfico). O líder na preferência é o Água Verde, que foi a opção de 9,08% dos entrevistados. Logo atrás, aparecem o Batel e o Portão, bairros que ficam a menos de seis quilômetros do Centro – quarto colocado na pesquisa.

    Os dados levantados pelo Paraná Pesquisas são confirmados pela Associação de Corretores de Imóveis de Curitiba e Região Metropolitana. Segundo o diretor da entidade, Alexandre Reif Junior, há alguns anos, o Água Verde tornou-se o bairro número um em vendas.

    Ele explica que os imóveis da região atendem às exigências de um novo perfil de comprador: têm bom padrão, são próximos ao centro e não custam tão caro. Hoje, o preço médio de um apartamento no Água Verde fica na faixa de R$ 100 mil a R$ 140 mil. “A maioria das consultas às imobiliárias, por internet ou telefone, é sobre imóveis nessa área.”

    Um desses novos compradores é a jornalista Thaís Vargas. Depois de viver em Curitiba durante 22 anos, ela se mudou para Florianópolis, onde cursou a universidade. Assim que concluiu os estudos, decidiu voltar para a capital paranaense, por causa das melhores oportunidades de trabalho. Na cabeça, Thaís já tinha definido o lugar em que moraria na volta a Curitiba: o Água Verde. “Além de ser um bairro muito bonito, tem uma excelente qualidade de vida”, diz. “E também é perto do centro, do coração da cidade.” Por todos esses motivos, a jornalista não pretende se mudar tão cedo. “Com certeza, vou ficar aqui por muito tempo.”

    No Água Verde, Thaís será uma novata perto de moradores antigos e tradicionais, como o aposentado Ivan Rigotti. Catarinense de Concórdia, ele vive na região há quase 46 anos. Quando chegou a Curitiba, na década de 60, o bairro era repleto de vacas e parreiras de uva cultivadas por famílias italianas como a dele. A casa de madeira construída pelos pais na chácara que compraram na época continua em pé até hoje e ainda é a residência do aposentado. “Perto de casa, tem o mesmo armazém de 62 anos atrás, que vende de linguiça a pinico”, conta. “É por coisas assim que quase a família toda continua vivendo aqui.”

    Apesar da proximidade com o centro, a rua de Ivan Rigotti é tranquila e arborizada. Na frente da casa do aposentado, um banco ao pé da árvore – semelhante aqueles que enfeitam as praças da cidade – é o ponto de encontro da família e dos vizinhos. Ali, eles se reúnem com frequência para fazer churrascos e tocar violão até de madrugada. “Em outros bairros, dificilmente você vai ver esse tipo de coisa”, afirma. Com os dois filhos ainda por perto – um já casado e também morador do bairro – Ivan não pensa em sair do Água Verde. “Essa hipótese nunca passou pela minha cabeça.”

    A algumas quadras dali, vive um morador ainda mais antigo. O artista plástico Diniz Bonilauri nasceu no bairro em 1933 e, 75 anos depois, continua morando ao lado da Arena da Baixada, estádio do Atlético. Ele conta que, quando era criança, havia pouco mais de 15 casas na região. As ruas não eram asfaltadas e, em dia de chuva, tudo virava um grande mar de lama. “Ia descalço até a Avenida Iguaçu e, então, lavava os pés numa bica d’água pra embarcar no bonde”, relata. Mesmo com o crescimento do bairro, o artista plástico não reclama da vida cada vez mais agitada do local. Nem os dias de jogos de futebol tiram o sossego desse torcedor paranista. “Hoje em dia, é muito difícil a pessoa morar a vida toda no mesmo lugar”, diz. “Mas como eu vou sair de um bairro limpo, tranquilo e arborizado?”

    Só para quem procura alto padrão
    Após 22 anos morando no Água Verde, o bioquímico Milton Saliba decidiu se mudar para o Batel dois meses atrás. Apesar de reconhecer que o antigo bairro mereceu o primeiro lugar na pesquisa, a mudança já vinha sendo planejada há dois anos. Pesou na decisão a proximidade do Clube Curitibano, as ruas limpas e arborizadas e a oferta de serviços de alto padrão, como shoppings, restaurantes e supermercados. “Você se sente bem ao caminhar por aqui”, revela.

    Há 30 anos, a aposentada Bonina Barbosa tomou a mesma decisão. Assim que o centro de Curitiba começou a ficar confuso e tumultuado, ela escolheu o Batel como novo lar. A qualidade de vida no bairro e o fato de os serviços básicos estarem todos muito próximos de casa foram determinantes para a mudança.

    A tranquilidade elogiada por Milton e Bonina é quebrada nos fins de semana pelos bares e casas noturnas do Batel. E é justamente por meio desse agito que Bruno Salomão ganha a vida e se diverte. Músico profissional, ele vive no bairro há 35 anos.

    A líder comunitária Araci Leal de Jesus saiu de Castro, no interior do estado, quando se casou com um curitibano, 30 anos atrás. Como a família do ex-marido vivia no Portão há mais de sete décadas, ela também se mudou para o bairro. “Hoje me sinto uma verdadeira curitibana. Afinal, meus seis filhos nasceram aqui.”

    O desejo de tornar o bairro um lugar cada vez melhor para se viver levou Araci à presidência da Associação de Moradores do Portão. Por isso mesmo, ela é só elogios à região. “Temos toda a infraestrutura necessária, com bancos, supermercados, shoppings”, destaca.

    Acesso a serviços e qualidade de vida explicam o resultado
    Na avaliação do sociólogo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Lindomar Wessler Boneti, o fato de os bairros da região central ocuparem as primeiras posições na pesquisa mostra a vontade das pessoas em estar mais próximas a tudo o que desejam. O resultado do levantamento refletiria o desejo de viver em melhores condições de vida, justamente nos locais onde a presença do Estado é mais forte. “A abrangência do governo é como uma esfera: vai do centro para a periferia”, afirma. “Lá na ponta, os recursos chegam mais escassos e o poder de barganha da população é menor.”

    Isso explicaria porque 18,99% dos entrevistados disseram que a segurança é o fator determinante na escolha do local ideal para morar. Mais da metade dos curitibanos ouvidos pelo Paraná Pesquisas – 54,47% – afirmaram que a falta de segurança é o principal problema do bairro onde vivem atualmente. Nessas regiões, segundo Boneti, os extremos são mais acentuados e imperam o medo e a ansiedade. “Já no Água Verde e no Batel, esse cenário é completamente diferente”, compara.

    Para o geógrafo e doutor em Planejamento Urbano Francisco Mendonça, os dados da pesquisa podem ser explicados por três aspectos. O primeiro é a facilidade de acesso aos serviços de comércio, saúde, educação e transporte na área central. Em segundo lugar, o planejamento maior desses bairros, com ruas amplas e arborizadas, reforça a imagem de Curitiba como capital ecológica – organizada e limpa. Por fim, pesaria na escolha o apego que as pessoas desenvolvem por lugares mais antigos e históricos para a cidade. “Os primeiros bairros apontados no levantamento agregam essas características mais que os outros”, diz Mendonça.

    De acordo com o arquiteto e professor da PUC Salvador Gnoato, é indiscutível a presença do Batel nas primeiras posições, por se tratar de um bairro com uma imagem forte junto à população – uma espécie de Copacabana de Curitiba. Já o Água Verde, na visão dele, é tão acessível e equipado quanto o Batel, mas a liderança na pesquisa teria ligação com os valores mais baixos dos imóveis.

    Em relação ao Portão, o professor acredita que o levantamento apenas reforça a autonomia do bairro. “Trata-se de bairros muito próximos, sendo difícil estabelecer a fronteira entre eles”, afirma. “Até por isso, os curitibanos têm essa região como a melhor da cidade.”





    Se o PIB crescer menos de 4%, desemprego aumenta em 2009

    30 01 2009

    (Revista Construção Mercado) – 29/01/09

    O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgou algumas projeções para a abertura de novos postos de trabalho e distribuição de renda em 2009. O estudo se baseou em três perspectivas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto): 4%, 2,5% e 1%, e levou em consideração também o universo estimado de 92,6 milhões de trabalhadores ocupados em 2008.

    Se o PIB crescer 4% no ano, seriam criados, de acordo com o IPEA, quase 1,3 milhão de novos postos de trabalho no País, o que corresponde a 1,4% da ocupação total de trabalhadores. Se crescer 2,5%, seriam aproximadamente 800 mil novas oportunidades, ou seja, 0,9% da ocupação total. Por fim, com o crescimento do PIB de 1%, seriam criados apenas 320 mil novos postos de trabalho, o que representa 0,35% da ocupação total.

    No entanto, mesmo na melhor perspectiva, como é estimado que a População Economicamente Ativa agregue 1.450 mil novas pessoas em 2009, esses novos postos de trabalho vão ser insuficientes para atender ao aumento estimado dos novos ingressantes no mercado. Consequentemente, o IPEA aponta que 154 mil pessoas ficarão sem trabalho caso o PIB cresça 4%, 644 mil com o aumento do PIB de 2,5% e 1.126 mil na simulação de 1%.

    Isso significa que a taxa de desemprego no Brasil só vai estabilizar em 2009 caso o PIB cresça, no mínimo, 4%, já que, assim, fecharia o ano com um aumento de 7,7%, equiparando-se aos 7,6% registrados no ano passado.

    Renda do trabalhador
    Segundo o IPEA, a participação da renda do trabalho na renda nacional também só vai expandir em 2009 caso o PIB brasileiro seja maior ou igual a 4%. Neste caso, o rendimento aumentaria 0,2% no ano.

    Já os resultados para a simulação do crescimento do PIB de 2,5% e 1%, indicam que a parcela salarial poderia ser reduzida em 0,6% e 3%, respectivamente,  ontrariando o aumento da participação dos rendimentos do trabalho no PIB que acontece desde 2004 no Brasil.

    Crescimento do PIB

    Desemprego em função do crescimento do PIB.

    Renda em função do crescimento do PIB.





    O Futuro da Aposentadoria

    26 03 2008

    Prospecto desenvolvido pelo HSBC sobre aposentadoria. Apresenta uma pesquisa, muito interessante, realizada em diversos países (inclusive o Brasil) sobre a visão das pessoas a respeito de aposentadoria.

    É interessante para análise de tendências globais (e divergências) de comportamento.

    No final apresenta também dados comparativos entre os países e seus sistemas previdenciários.

    Download do prospecto





    Balanço e Perspectivas da Indústria Imobiliária em Curitiba

    16 02 2008

    Normando Antônio Baú
    Vice-presidente do Sinduscon-PR
    Março 2007

    Apresentação de dados do mercado imobiliário de Curitiba em 2006:

    a) alvarás concedidos, concessão de CVCOs (Habite-se) por categoria de imóvel e bairro.

    b) evolução do preço de venda dos imóveis.

    c) velocidade de vendas de imóveis.

    d) evolução do custo de construção.

    e) emprego no setor.

    f) concessão de crédito imobiliário (mutuário final e produção).

    Apresentação completa








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