QuintoAndar levanta mais US$ 120 mi e ultrapassa avaliação de US$ 5 bi


(Estadão) – 18/08/21

Engordando a rodada de US$ 300 milhões anunciada em maio, a startup imobiliária QuintoAndar revelou com exclusividade ao Estadão que levantou um aporte adicional de US$ 120 milhões, liderado pelo fundo americano GreenOaks e pelo grupo chinês Tencent, que procuraram a startup para participar do cheque. Com isso, o valor de mercado da “proptech” saltou de US$ 4 bilhões para US$ 5,1 bilhões — cinco vezes o valor de um unicórnio.

Apesar do “chorinho”, que eleva a rodada a US$ 420 milhões, os planos do QuintoAndar continuam os mesmos: expandir a interiorização pelo Brasil, que teve pontapé em sete cidades do interior paulista em junho, e começar a internacionalização pela Cidade do México, ainda sem data revelada. A empresa, que ganhou mercado com serviço de aluguel, também está investindo na área de compra e venda de imóveis.

Ao Estadão, o presidente executivo do QuintoAndar, Gabriel Braga, afirma que é importante manter esses dois eixos de crescimento para continuar o ritmo de expansão da empresa – nos últimos anos, o QuintoAndar esteve focado apenas em amadurecer a operação em capitais brasileiras, principalmente São Paulo.

“É como se fossem diferentes safras, em que alguns municípios estão em estágio de desenvolvimento mais avançado que outros”, explica. “Estamos plantando agora para colher daqui a cinco anos e nos tornarmos líderes nessas novas regiões.”

Para Pedro Waengertner, cofundador da empresa de inovação Ace, o movimento de interiorização da startup trará desafios: por funcionar como um marketplace, a empresa terá de achar um ponto de equilíbrio entre oferta de imóveis e demanda de clientes em municípios com menos oportunidades do que as grandes capitais. “Equacionar essas duas pontas é um trabalho que não acaba. Quantas cidades no interior serão relevantes para o QuintoAndar? É um trabalho grande de execução”, explica. Atualmente, a startup opera em mais de 40 cidades no Brasil.

Além da interiorização, a aterrissagem no México será um passo crucial para validar a expansão do QuintoAndar, afirma o professor de inovação Gilberto Sarfati, da Fundação Getúlio Vargas — o novo mercado pode ser uma porta de entrada para a startup ganhar reconhecimento como uma empresa internacional. “Se tiverem sucesso, eles vão sinalizar confiança para investidores e podem entrar no mercado público de ações com um belo IPO.”

A startup não descarta esse caminho. “Entrar na Bolsa é parte do desenvolvimento da empresa, mas é um marco, e não o objetivo final. Nossa visão é fazer a diferença na vida das pessoas. O IPO seria somente um mecanismo para chegar lá”, afirma Braga.

Competição

O QuintoAndar reforça sua capitalização em um momento de alta concorrência no setor de startups imobiliárias. A Loft, especializada em compra e venda de imóveis, fechou uma rodada de investimento de US$ 525 milhões em abril, atingindo avaliação de US$ 2,9 bilhões. Em julho, a também proptech EmCasa levantou outros R$ 110 milhões.

O novo aporte deixa um recado claro, diz Waengertner: “É uma forma de fazer frente à concorrência. Se estivessem operando sozinhos, não haveria tanta pressa em levantar mais dinheiro”.

Para Gabriel Braga, no entanto, ao contrário das rivais, o QuintoAndar possui a vantagem de ter a “polinização cruzada”, em que o mesmo cliente pode optar por colocar o apartamento para alugar ou ser comprado na plataforma, coisa que os concorrentes, focados apenas em compra e venda, não têm.

“Se você é inquilino, comprador ou locatário, você quer ir para a plataforma em que todos os imóveis estejam e em que há maior liquidez e com mais clientes. E isso beneficia o nosso modelo de negócio”, comenta.

Sarfati aponta, porém, que é cedo para ter concentração no mercado imobiliário do Brasil, que ainda é muito grande — algo diferente do ramo de mobilidade, por exemplo, que se divide entre Uber e 99. “Até pode caminhar para esse cenário de duopólio, mas ainda não dá para afirmar isso porque todas essas empresas atuam sob áreas diferentes”, explica.

Além de QuintoAndar e Loft, novos nomes de “proptechs” estão se fortalecendo, como a Yuca (que aposta no modelo de “pensão digital”, com aluguel de cômodos), a Rooftop (que foca em imóveis em leilão após serem retomados por bancos) e a própria EmCasa, que mescla atendimento de corretores humanizados com uso de plataforma.

Frente às novatas, o QuintoAndar não se sente ameaçado. “Há uma relação de humildade em saber que não somos os únicos que terão ideias boas e que o mercado vai continuar se desenvolvendo e nos provocando nesse sentido. Mas pode ter certeza de que estamos correndo e mantendo o músculo da inovação afiado”, observa Braga.

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