Cristiano Viana
O diretor-presidente da PDG Realty, José Antonio Grabowsky, acredita as operações de fusão e aquisições entre empresas que já estão listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) enfrentarão obstáculos financeiros e gerenciais. Em teleconferência, o executivo disse que atualmente, “o dever de casa (da companhia) é entender e estudar a fundo todas as oportunidades”, mas acrescentou que os negócios com empresas fechadas são mais prováveis de acontecer. Embora algumas empresas pareçam oferecer preços atrativos aos olhos do mercado, devido ao valor de seus papéis, os recursos necessários para fazer com que o projeto se torne lucrativo exigem volume de capital muito elevado, de acordo com o executivo. “No mercado aberto, tem empresa que parece barata, mas não dá para fazer negócio. Além de comprar as ações, é preciso ter muito capital de giro para tocar o crescimento e gerar resultados. A conta é difícil de fechar”, disse, destacando que muitas empresas parecem ter contado com um mercado de capitais disposto a financiar as necessidades de caixa. Grabowsky ressalta que além da questão financeira, há o problema gerencial, uma vez que grande parte das empresas que tiveram IPOs nos últimos anos é familiar. Segundo ele, isso gera um conflito de “ego” entre acionistas controladores – que relutariam em compartilhar o poder – e outros executivos. “Estamos lidando ainda com o problema do “dono”, do ego das pessoas. Mesmo empresas com tamanhos próximos, é difícil resolver de quem será o comando. O mercado mudou de tamanho, é mais profissional, mas muitas pessoas ainda estão relutantes”, afirmou. Em 2007, a PDG Realty adquiriu participações na Goldfarb (80%, com opção de compra dos 20% adicionais), incorporadora com foco no segmento econômico, e na CLH Desenvolvimento Imobiliário (70%, com opção de compra dos 30% adicionais). Além disso, realizou uma parceira com a Terrano Empreendimentos Imobiliários. Expansão O guidance da PDG Realty de Valor Geral de Vendas (VGV) para este ano, saltou do intervalo entre R$ 2 e R$ 2,1 bilhões (divulgado no terceiro trimestre de 2007) para um valor entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,6 bilhões. No ano passado a empresa promoveu três revisões de guidance de VGV. A companhia alcançou o VGV pro rata (parte da companhia, sem contar parcerias) de R$ 1,233 bilhão, superando o estabelecido (entre R$ 1,050 bilhão e R$ 1,2 bilhão). “Mantemos nossa filosofia de prometer menos e entregar mais. À medida que nos sentirmos confortáveis, vamos ajustar o guidance para cima ao longo do ano”, afirmou Grabowsky. A empresa pretende elevar a participação do segmento econômico em seu VGV. Do total obtido em 2007, R$ 828,1 milhões foram destinados ao ramo. Só no quarto trimestre de 2007, o segmento “baixa renda” representou 96% do VGV pro rata somando R$ 454,7 milhões. Crédito imobiliário O landbank atual da PDG é de R$ 5,7 bilhões e, de acordo com a empresa, 74% do VGV do landbank, R$ 4,2 bilhões, está concentrado no segmento econômico. Segundo, diretor vice-presidente Financeiro e de Relações com Investidores, Michel Wurman, a expansão do crédito imobiliário, com queda das taxas de juros, deve impulsionar o segmento. O executivo dá como exemplo, uma família cuja renda mensal é de cinco salários mínimos, com financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), pode contratar crédito de até R$ 70 mil por 30 anos, pagando uma prestação de cerca de R$ 600. “Além da Caixa, outros bancos já oferecem financiamento com prazo de 30 anos e comprometimento da renda familiar em 30% para produtos de até 120 mil. No geral, estamos super entusiasmados com o mercado para 2008. A maior parte dos nossos resultados deve vir do segmento econômico”, afirmou Wurman. A PDG Realty trabalha com um guidance de margem Ebitda entre 25% e 27% em 2008. A afirmação de Wurman vem acompanhada de queda na margem, que no ano passado era de 29,2%. No quarto trimestre de 2007, foi de 31,7%. Nos três meses, a receita bruta ficou em 34,4%, e 35,6% no ano. Segundo o executivo, a margem bruta na média e alta renda está por volta de 37%. Para média e baixa rendas (unidades abaixo de R$ 250 mil), a margem bruta está entre 30% e 32%. “A companhia está entrando na classe média baixa, o que em nosso business plan de 2007 puxava o número muito para baixo, embora a gente esteja conseguindo aumentar a margem na média e baixa renda”, afirmou Wurman, acrescentando que “Não é de se esperar muita queda na margem. O natural para a margem bruta da Goldfarb (subsidiária concentrada na baixa renda) seria cair para 32%, mas estamos buscando alguma coisa acima de 35%”.