Ramo imobiliário de self storage em foco

Adamy Empreendimentos

DIANTE DO DESAQUECIMENTO NAS VENDAS E LANÇAMENTOS DE IMÓVEIS RESIDENCIAIS E COMERCIAIS, MUITOS INVESTIDORES ESTÃO ATENTOS À ATIVIDADE DE SELF STORAGE. CARACTERIZADA PELA LOCAÇÃO DE ESPAÇOS PARA QUE TERCEIROS ARMAZENEM PERTENCES EM BOXES, O NEGÓCIO É REGULAMENTADO COMO IMOBILIÁRIO E SE ENQUADRA NA SUBCLASSE DE ALUGUEL DE IMÓVEIS PRÓPRIOS.

Diante do desaquecimento nas vendas e lançamentos de imóveis residenciais e comerciais, muitos investidores estão atentos à atividade de self storage. Caracterizada pela locação de espaços para que terceiros armazenem pertences em boxes, o negócio é regulamentado como imobiliário e se enquadra na subclasse de aluguel de imóveis próprios.

De acordo com o diretor de Self Storage do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e presidente da Associação Brasileira de Self Storage (Asbrass), Flavio Del Soldato, a função do self storage é oferecer uma área complementar para se guardar qualquer tipo de bem. Segundo ele, com a diminuição na metragem dos apartamentos, a…

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Caso PDG é alerta para quem pensa em comprar imóvel na planta

(Info Money) – 21/07/16

A PDG Realty, que há alguns anos chegou a ser a maior incorporadora de imóveis do Brasil, foi obrigada a diminuir o seu ritmo de trabalho, afundada em dívidas que no primeiro trimestre deste ano chegavam a R$ 5,4 bilhões.

Algumas obras estão há dois meses paralisadas – entre elas, o centro empresarial The City, um dos maiores empreendimentos já feitos pela companhia. O projeto tinha previsão de entrega para o final de 2016, mas agora só deve estar pronto em meados de 2017.

No site ReclameAqui, boa parte das 1.262 entradas realizadas por clientes insatisfeitos da PDG têm relação com atrasos na entrega, mas a situação da companhia também gera problemas em outras áreas, como cobranças e reparos. Nenhuma dessas reclamações mais recentes teve resposta na página.

No ano passado, de acordo com um levantamento realizado pela Tapai Advogados, a PDG foi campeã em número de processos abertos na justiça, contabilizando 7.686, contra 5.361 em 2014. Mas a companhia não foi a única a ter problemas em entregas: os 12 meses até dezembro de 2015 viram um aumento de 45% neste tipo de ação legal em relação ao período anterior.

Sem conseguir entregar, a incorporadora também não embolsa os recebíveis relacionados aos imóveis entregues, o que aprofunda a crise da empresa.

A PDG diz, via assessoria de imprensa, que “o ajuste do cronograma de trabalho se fez necessário dentro do processo de reestruturação das dívidas da companhia” e que “mantém os clientes destes empreendimentos informados [com atrasos em obras] por meio de comunicações e reuniões periódicas”.

Como proceder
Para Luis Antonio de Melo Guerreiro, sócio do Guerreiro e Andrade Sociedade de Advogados especialista em Direito Imobiliário pela Escola Paulista de Direito, o atraso na entrega é um risco que o consumidor sempre corre quando fechar um negócio desse tipo. “A gente acaba eventualmente cruzando com situações como esta [da PDG]. É por isso que o consumidor deve tomar alguns cuidados e ter alguém que entenda do negócio ao seu lado”, diz o especialista.

O primeiro cuidado é pesquisar como está a situação financeira da incorporadora antes de comprar imóvel na planta. O caso da PDG é grave, com chances de ela ter de renegociar suas dívidas com os bancos credores para reequilibrar suas finanças. Mas é importante lembrar que a PDG não é a única incorporadora brasileira em crise. Na verdade, diversas empresas passam por um momento de aperto de liquidez. Então o mais prudente seria comprar imóveis na planta apenas de incorporadoras em melhor situação financeira ou imóveis com previsão de entrega para daqui no máximo 6 meses. Assim o risco de comprar um imóvel na planta, pagar prestações e depois a incorporadora não ter condições de concluir a obra diminui bastante.

Esse tipo de situação já aconteceu no Brasil na década de 1990, quando a Encol quebrou. Dezenas de milhares de famílias que já estavam pagando as prestações de seus imóveis ficaram na mão. Desde então a legislação mudou, com a introdução do chamado “patrimônio de afetação”. Agora se uma incorporadora quebra, a obra pode ser transferida para outra incorporadora porque cada empreendimento tem um balanço específico que pode ser incoporado por outra empresa. De qualquer forma essa é uma dor de cabeça que todos deveriam tentar evitar.

Guerreiro afirma que este tipo de investimento em imóvel na planta também não é o ideal para quem visa ter o bem em uma data específica, já que o atraso de até 180 dias na entrega está previsto em lei. Além disso, embora o consumidor esteja protegido contra demoras mais longas com pena de multa à incorporadora, elas podem acabar acontecendo em casos de dificuldades da empresa, nem sempre previsíveis.

Antes de pensar em comprar, diz, é necessário ter em mente que os valores desembolsados, embora “suaves” inicialmente, poderão pesar depois da entrega, ainda mais em situação de crise econômica do país. “A pessoa compra na planta e começa a pagar prestações bem suaves. Mas quando o bem é entregue, ela tem que partir para o financiamento”, alerta. “Ela [cliente] muitas vezes não consegue esse financiamento com o banco, outras vezes os valores desprendidos mensalmente para pagar o banco saem fora do orçamento e é aí que acontecem as devoluções”, alerta.

Tendo isso em vista, ele comenta alguns cuidados que devem ser tomados antes de fechar um contrato com incorporadoras. “É importante, antes mesmo de visitar o estande da obra, fazer alguns levantamentos a respeito da empresa”, alerta o advogado. “Entre eles, uma consulta de processos judiciais e se a mesma está entregando as obras em dia, para que fique claro também como anda o aporte financeiro dessa empresa”, explica.

Outro documento essencial a ser observado é a matrícula do empreendimento, cuja checagem garante que toda a obra esteja ocorrendo dentro da legalidade. “A primeira coisa a ser feita ao chegar no estande é pedir o número da matricula, para consultar as formas como o dinheiro investido naquele empreendimento está protegido”, analisa Luis Antonio.

Caso de fato ocorra algum problema, o comprador também deve lembrar que está protegido pelo Código de Defesa do consumidor. Em devoluções, por exemplo, a legislação prevê a devolução de até 90% do valor já pago, dependendo do caso, e os compradores podem buscar condições melhores do que as pré-estabelecidas no contrato com a ajuda de advogados.

“Toda e qualquer cláusula abusiva é passiva de nulidade. Se a empresa pré-estabelece que só reembolsará 20% em caso de desistência, é possível entrar com uma ação para tentar melhorar essa situação. O problema é que se a pessoa precisa muito do dinheiro, ela acaba aceitando os 20%”, lamenta o especialista.

Câmara aprova uso do saldo do FGTS para crédito consignado

(G1) – 12/07/16

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (12) medida provisória que permite que o trabalhador do setor privado ofereça até 10% do saldo de seu Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia em um empréstimo consignado – com desconto na folha de pagamento. O texto agora segue para votação no Senado.

Pela MP, o empregado também poderá dar como garantia nas operações até 100% do valor da multa paga pelo empregador, em caso de demissão sem justa causa. A finalidade da medida é facilitar o acesso ao crédito consignado pelo trabalhador privado.

Essa modalidade de empréstimo, com desconto na folha de pagamento, é mais facilmente concedida, e a juros mais módicos, a funcionários públicos, por terem estabilidade no emprego. Na ocasião em que foi editada a MP, em março, o Ministério da Fazenda, então comandado por Nelson Barbosa, ministro de Dilma Rousseff, estimou a possibilidade de a MP viabilizar reduções nas taxas de juros cobradas de trabalhadores privados na tomada dos financiamentos.

“A medida reduz o risco de inadimplência associado à alta rotatividade de forma significativa, melhora o perfil de risco das operações de crédito e permite a ampliação dos empréstimos, em linha com o que ocorreu nos outros segmentos. Ademais, possibilita a convergência, no médio prazo, das taxas médias de juros às praticadas para trabalhadores do setor público e para aposentados e pensionistas do INSS”, disse o ministério, em nota, quando a MP foi publicada no “Diário Oficial da União”.

De acordo com a MP, caberá ao agente operador do FGTS, ou seja, a Caixa Econômica Federal, definir os “procedimentos operacionais” para que as novas regras sejam aplicadas.

“O Conselho Curador do FGTS poderá definir o número máximo de parcelas e a taxa máxima mensal de juros a ser cobrada pelas instituições consignatárias nas operações de crédito consignado de que trata este artigo”, diz a proposta.

Construindo a quarta maior ponte suspensa do mundo

Engenharia Estrutural e Construção Civil

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A construtora turca Otoyol produziu um filme, em time-lapse, de todo o processo construtivo da Ponte Osman Gazi, desde o arranque das obras até à finalização da estrutura do tabuleiro. Localizada no Golfo de İzmit, na Turquia, esta obra de arte é a quarta mais longa ponte suspensa do mundo.

O filme da Otoyol acompanha o processo de execução das gigantescas fundações da ponte de aço, transporte e montagem das secções dos pilares principais e avanço do tabuleiro de suspensão, até à conclusão da construção da estrutura.

O empreendimento de 410 milhões de euros foi levado a cabo por um consórcio de seis grandes empresas construtoras turcas e italianas, tendo a execução sido concluída no final do mês passado.
A ponte encontra-se integrada num megaprojeto rodoviário de PPP, de 3400 milhões de euros, com 421 quilómetros de comprimento, que ligará Istanbul a Izmir. O projeto de estruturas teve autoria da…

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General Shopping aprova oferta de troca de bônus perpétuos

(Reuters) – 06/07/16

O Conselho de Administração da General Shopping aprovou uma oferta de troca de bônus perpétuos subordinados por novos títulos com vencimento em 2026 e certificados de ações.

A empresa está ofertando troca da totalidade de 150 milhões de dólares em bônus perpétuos a 12 por cento por até 30 milhões de dólares em títulos de 10 a 12 por cento com vencimento em 2026 e com garantia.

Além dos novos títulos a empresa vai emitir até 150 mil certificados de depósito de ações na proporção de 55 ações ordinárias para cada certificado, assumindo que 100 por cento dos detentores dos bônus perpétuos aceitem a oferta.

Fontes: Log Commercial Properties, da MRV, busca investidores para garantir IPO ainda em 2016

(Estadão) – 04/07/16

A Log Commercial Properties, empresa da MRV Engenharia voltada para o segmento de galpões logísticos, planeja realizar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ainda neste ano, conforme apurou o Broadcast. A subsidiária tem um valor de mercado estimado em cerca de R$ 2 bilhões, de acordo com fontes.

No início de junho, a Log encaminhou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pedido de conversão de registro de companhia aberta de categoria “B” para categoria “A”, bem como a submissão de pedido de listagem de ações de sua emissão no segmento básico de listagem da BM&FBovespa, com possibilidade de migração para o segmento Novo Mercado. O deferimento da CVM deve sair até agosto.

Enquanto isso, executivos da subsidiária e da controladora se preparam para um roadshow por Estados Unidos e Europa à procura de investidores institucionais, como fundos de pensão, fundos de private equity e family offices. O objetivo é confirmar a entrada de alguns investidores grandes que sirvam como âncoras do IPO, deixando uma fatia menor para distribuição no varejo. Com esse plano, os executivos esperam garantir o sucesso da captação, blindando a iniciativa contra o cenário de crise e de baixa liquidez do mercado brasileiro.

Atualmente, o capital social da Log pertence à MRV (37,9%) e aos executivos e fundadores (22,2%). A companhia também conta com dois investidores institucionais cujos aportes foram realizados há pelo menos três anos: a gestora norte-americana Starwood Capital (30,0%) e o banco Bradesco BBI (9,9%).

Conforme apuração do Broadcast, os recursos oriundos do IPO serão utilizados, prioritariamente, para aliviar o endividamento da Log, além de contribuir para expandir as operações. A subsidiária encerrou o primeiro trimestre com alavancagem (medida pela relação entre dívida e patrimônio líquidos) de 65%. A dívida líquida chegou a R$ 972,6 milhões, e o cronograma de vencimento incluía R$ 172,2 milhões em 2016 e R$ 183,0 milhões em 2017, enquanto as disponibilidades de caixa estavam em R$ 25,5 milhões.

O endividamento é fruto dos aportes nos últimos anos para aumentar o número de galpões. O portfólio de imóveis logísticos da empresa praticamente dobrou de tamanho nos últimos três anos, com área bruta locável de 362,3 mil metros quadrados no fim de 2012 para 665,1 mil metros quadrados no fim de 2015.

Construindo pavimentos de estradas com esterco de porco

Engenharia Estrutural e Construção Civil

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Uma equipa de investigadores da Universidade Estatal Agrícola Técnica da Califórnia do Norte (NCAT), com o apoio da Fundação Científica Nacional (NSF), está a estudar a possibilidade da utilização de dejetos de porco no fabrico de ligantes para pavimentos rodoviários.

As fezes de porco são vastamente utilizadas, na forma de estrume, no setor agrícola devido às suas excelentes propriedades adubantes.
O uso sistemático deste abundante subproduto da indústria pecuária pode, no entanto, levar à contaminação dos solos e águas subterrâneas, especialmente se o mesmo não for sujeito a tratamento adequado.

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Este resíduo, do qual são anualmente produzidos 160 mil milhões de litros a nível mundial, é também rico em óleos, muito similares ao petróleo, pelo que o seu uso como substituto, potencialmente mais sustentável, do betume poderá fazer sentido.

Os engenheiros da Universidade Estatal Agrícola Técnica da Califórnia do Norte conseguiram fabricar, através da destilação de óleos provenientes de fezes…

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Cyrela vê geração de caixa em risco por cancelamentos

(Exame) – 01/07/16

A Cyrela Brazil Realty, maior incorporadora do Brasil, pode não gerar fluxo de caixa livre este ano, enquanto luta contra o impacto de cancelamentos de vendas e o pior mercado para o setor imobiliário em décadas, disse à Reuters o diretor financeiro, Eric Alencar.

Até o momento no ano, a Cyrela registrou fluxo de caixa negativo, afirmou Alencar, referindo-se ao dinheiro direcionado aos acionistas e detentores de bônus após a empresa pagar todas as suas despesas operacionais e financeiras. A companhia estima distratos (cancelamentos de vendas) de 25 por cento das vendas totais, o maior nível desde pelo menos 1982.

A companhia, controlada pelo bilionário Elie Horn, teve uma geração de caixa de cerca de 900 milhões de reais no ano passado, com mais da metade vindo no final do ano. “A companhia pode não gerar caixa em 2016”, disse Alencar à Reuters esta semana, explicando que os distratos estão afetando sua habilidade de produzir fluxo de caixa livre.

A previsão para geração de caixa em 2017 parece menos desafiadora, acrescentou o executivo, com a volta dos financiamentos bancários e melhora da confiança dos consumidores.

No primeiro trimestre, a Cyrela teve queima de caixa de 13 milhões de reais, de acordo com os relatório do período. A companhia está programada para divulgar os dados do segundo trimestre em 9 de agosto.

Os comentários foram feitos em meio a crescentes preocupações de investidores de que a Cyrela poderia priorizar as aquisições em detrimento do caixa, em um momento em que o Brasil vive a pior recessão em décadas.

Em junho, a Cyrela anunciou um plano de colocar até 100 milhões de reais na rival Tecnisa, uma decisão que analistas da JPMorgan Securities disseram que colocaria em risco a política de geração de caixa.

No entanto, Alencar disse que a Tecnisa foi uma boa oportunidade de investimento já que consumiria apenas uma fração da posição de caixa da companhia, de 2 bilhões de reais.

O negócio ainda necessita de aprovação regulatória. As ações da Cyrela subiram cerca de 3,5 por cento desde o anúncio sobre a Tecnisa em 26 de junho. Nesta sexta-feira, o papel recuava cerca de 1 por cento na bolsa paulista, ante alta de quase 1 por cento do Ibovespa.

Quando a Cyrela começar a gerar caixa livre novamente, a direção da empresa vai preferencialmente recomprar ações ou distribuir dividendos, disse Alencar. Ele mencionou compras de terrenos ou pagamento potencial de dívidas como opções adicionais.

As perdas devido ao cancelamento de vendas obrigaram a companhia a provisionar 21 milhões de reais no primeiro trimestre. A companhia realizou a provisão para perdas por sugestão de auditores, disse Alencar.

Prefeitura de Belo Horizonte lança programa que garante alvará de construção em sete dias

Adamy Empreendimentos

A Prefeitura de Belo Horizonte apresentou na última terça-feira (5) o programa Alvará na Hora. A iniciativa tem como objetivo a ampliação e modernização do conceito de licenciamento de edificações, agilizando a emissão de alvará de construção.

A medida, coordenada pela Secretaria Municipal Adjunta de Regulação Urbana (SMARU), será instituída em duas etapas. A primeira permitirá que o alvará possa ser emitido em até sete dias. Sem o programa, o tempo médio para a emissão do documento é de 130 dias.

A segunda etapa funcionará de acordo com o projeto de lei enviado à Câmara Municipal na ocasião, para apreciação. Caso aprovado, a emissão do alvará será imediata. Para a sua emissão, o projeto de construção precisa ter passado pelos licenciamentos ambiental e urbanístico.

O Alvará na Hora poderá ser solicitado no BH Resolve e pela internet. Os projetos antigos que aguardam o processo podem, também, fazer novo requerimento…

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Cyrela/Alencar: Aporte readequará fluxo de caixa e tornará Tecnisa interessante

(Estadão) – 24/06/16

O investimento da Cyrela em sua concorrente Tecnisa foi uma decisão baseada na relação de cordialidade entre as empresas e na avaliação de uma boa oportunidade de negócio, afirmou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cyrela, Eric Alencar, em entrevista ao Broadcast.

“As companhias mantêm cordialidade e uma relação grande entre seus controladores. A Tecnisa nos informou que gostaria de readequar o seu fluxo de caixa e nos convidou a avaliar. Nós entendemos que, com a readequação, seria interessante”, explicou Alencar. “Gostamos das pessoas que trabalham lá e suas competências, olhamos os números e enxergamos um bom valuation. É puramente uma operação de oportunidade”, complementa.

O aumento de capital anunciado pela Tecnisa será no montante de R$ 200 milhões, com emissão de 100 milhões de ações. Pelo acordo, a Cyrela se comprometeu com um aporte mínimo de R$ 73,3 milhões e máximo de R$ 100 milhões, ou seja, entre 36,6% e 50% do total. A Cyrela não detém, hoje, participação na concorrente. Após o aporte, terá uma fatia na faixa de 13% a 19%, tornando-se a segunda maior acionista, e passará a ter direito à indicação de um membro para o Conselho de Administração.

Alencar projeta um aporte próximo do piso anunciado, em R$ 73,3 milhões, mas ressaltou que há disposição em atingir o teto de R$ 100 milhões caso os demais acionistas não acompanhem a subscrição. No entanto, a compra de ações da Tecnisa vai parar por aí, disse o diretor. O estatuto da concorrente tem uma cláusula (poison pill) que obriga os acionistas que chegarem a uma participação de 20% a fazer uma oferta pelo controle da companhia, a um preço diferenciado.

O executivo ponderou que o aporte não representa uma iniciativa para consolidação do setor. “Não é uma aquisição, não é uma consolidação. Seremos minoritários com assento no conselho. O papel será de ajudar, e não mudar a agenda da Tecnisa”, disse Alencar.

A formalização do negócio ainda dependerá de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Por se tratar de um segmento altamente pulverizado, não são esperadas restrições por parte do poder público.

A Tecnisa é uma das empresas de construção listadas na bolsa mais endividadas. Sua alavancagem (relação entre dívida e patrimônio líquido) estava em 77,5% ao fim do primeiro trimestre. No período, a companhia contava com R$ 188 milhões no caixa. A incorporadora tem pela frente neste ano R$ 205 milhões em vencimento de dívidas corporativas e R$ 433 milhões de recebíveis de clientes.

AUMENTO DE CAPITAL FOI ALTERNATIVA MAIS PRUDENTE PARA ALIVIAR O CAIXA
A decisão da Tecnisa pelo aumento de capital foi uma alternativa de prudência para aliviar o fluxo de caixa pressionado pelo mau momento da economia brasileira e do mercado imobiliário, afirmou o diretor-presidente da companhia, Meyer Joseph Nigri, em entrevista ao Broadcast.

“Infelizmente, a empresa não está bem devido aos distratos de 5 mil unidades ao longo dos últimos três anos, que deram um furo grande no caixa. Estávamos entrando em um momento delicado. Então, foi mais prudente buscar uma solução”, disse o executivo. “Devido ao cenário brasileiro com juros altos, preferimos fazer um aumento de capital em vez de buscar dívida corporativa”, completou.

Segundo o executivo, os recursos serão usados para reduzir o endividamento da companhia. Analistas consultados pelo Broadcast mais cedo estimaram que a alavancagem da Tecnisa deverá baixar do atual patamar de 70% para 50% após a injeção de recursos. No fim do primeiro trimestre, a incorporadora contava com R$ 188 milhões no caixa e tinha pela frente no ano R$ 205 milhões em vencimento de dívidas corporativas e R$ 433 milhões de recebíveis de clientes. “Com o aporte, a dívida corporativa praticamente zera”, observou Nigri.

A Tecnisa anunciou ao mercado um acordo de subscrição pelo qual fará um aumento de capital de R$ 200 milhões, com emissão de 100 milhões de ações. Pelo acordo, Nigri fará um aporte mínimo de R$ 51,3 milhões e máximo R$ 70,0 milhões, o equivalente a 25,6% a 35,0% do total. O executivo tem participação de 62,5% na incorporadora como acionista direto e por meio da sociedade JAR Participações.

A outra parte ficará por conta da incorporadora concorrente Cyrela, que se comprometeu com um aporte mínimo de R$ 73,3 milhões e máximo de R$ 100,0 milhões, ou seja, entre 36,6% e 50% do total. O restante será subscrito pelos acionistas minoritários. Em caso de sobras, o controlador e o novo acionista consideram complementar.

Nigri acrescentou que o plano de monetização da Tecnisa continua, mas sem urgência. “Agora teremos mais condições de negociar uma venda melhor. Uma eventual alienação de ativo seria uma decisão estratégica, menos baseada em necessidade de caixa”, explicou.

A incorporadora vem encerrando suas operações em praças consideradas menos rentáveis, como Manaus, Salvador, Brasília e Curitiba. Como não há plano de novos lançamentos nessas regiões, os terrenos nessas capitais foram colocados à venda. Em contrapartida, a Tecnisa tem concentrado suas atividades na cidade de São Paulo e na região metropolitana, onde passará a trabalhar mais com imóveis na faixa de R$ 250 mil e R$ 350 mil, financiados com recursos oriundos do FGTS. A companhia planeja lançar um empreendimento nesse nicho já no segundo semestre.

TENHO VONTADE PESSOAL DE REMOVER ‘POISON PILL’ DO ESTATUTO
O diretor-presidente e acionista controlador da Tecnisa, Meyer Joseph Nigri, comentou em entrevista ao Broadcast que tem uma vontade pessoal de remover do estatuto da empresa uma cláusula conhecida no mercado pelo jargão “pílula de veneno” (poison pill). O mecanismo determina que um acionista que chegar a 20% de participação na companhia está obrigado a fazer uma oferta pública de ações (OPA) pelo controle.

Segundo Nigri, o assunto chegou a ser conversado durante negociação com a Cyrela em torno do aumento de capital, que será protagonizado pela concorrente. No entanto, ele frisou que não houve “absolutamente” nenhum acerto sobre isso. A remoção da cláusula, por enquanto, é um desejo particular seu.

“Não vou negar que eu teria vontade de remover a poison pill”, comentou o executivo após ser questionado pela reportagem. Questionado também se avaliaria uma participação maior da Cyrela a partir de uma eventual supressão da cláusula, ele afirmou que “vê com bons olhos”. Nigri acrescentou que cogita levar o tema da revisão da cláusula para discussão na próxima reunião do conselho de administração da Tecnisa – mas não confirmou se fará isso, de fato.

O executivo explicou que a gestão da Tecnisa não mudará com a entrada da Cyrela. A participação da concorrente ficará na faixa de 13% a 19%, dependendo do montante subscrito. Além disso, terá direito a um assento no conselho de administração. “A Cyrela é uma parceira e entendeu que está fazendo um bom negócio com o aporte. Nesse momento, não há caráter de fusão. É meramente um aumento de capital”, disse.

Nigri acrescentou que a presença da Cyrela, controlada pelo empresário Ellie Horn, representa um sinal positivo para a Tecnisa. “O nome Cyrela e o nome Ellie Horn são fortes tanto no Brasil quanto no exterior. A Tecnisa vai ficar mais saudável pelo aporte. E também porque a Cyrela enxerga valor na empresa, o que é uma sinalização de credibilidade”, completou Nigri.