(Nanci Corbioli- Arco Web. Projet Design: 2002)
| No início dos anos 90, a construção metálica brasileira começou a reverter a fase de estagnação vivida na década anterior. Desde então vem tendo crescimento moderado, mas capaz de manter o otimismo dos fornecedores. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), em 1990 a indústria da construção consumiu 28,4% da produção total de aço no Brasil; em 2000, esse índice aumentou para 31,2%. Segundo dados da Abcem-Associação Brasileira da Construção Metálica, cerca de 5% dos quase 140 milhões de m2 construídos no país em 2000 têm estrutura metálica. Há um dados importante: um quilo de aço custava seis dólares em 1980; hoje está em pouco mais de um dólar. Mas, para o arquiteto Pedrosvaldo Caram Santos, gerente de Construções Metálicas da Usiminas, o interesse de profissionais e investidores deve ser atribuído principalmente às vantagens dos sistemas industrializados de construção e a sua relação custo/benefício.
(1)Estrutura metálica na loja de 500m2 em três pavimentos (2) Vista aérea das obras do Shopping Frei Caneca:estrutura metálica, steel deck e vedação com painéis pré-fabricados |
| “Prever o uso de estrutura metálica desde a fase de projeto pode proporcionar economia entre 10% e 15%, em comparação com a construção convencional. Empregado junto com outros sistemas industrializados, o ganho pode até ultrapassar 15%”, afirma Pedrosvaldo Caram. O consultor de estruturas Ernesto Tarnoczy Júnior concorda com esses números, mas ressalva: “Eles são possíveis desde que haja arquitetura adequada, em que a estrutura e os acabamentos dancem uma valsa perfeita, com concepção coerente e sem improvisações”. Quando se usa a estrutura de aço, deve-se pensar em seu próprio peso, no transporte e na montagem para cada projeto especificamente. “São essas três variáveis que podem viabilizar ou não a estrutura metálica em um edifício.” O raciocínio conduz diretamente à importância da qualidade do projeto. “Com a idéia do menor preço, predomina a crença de que o computador resolve tudo de uma hora para outra, sem influência do fator humano no resultado. É um grande engano. Há estruturas superdimensionadas, muitas vezes em mais de 35%, excesso que pretende garantir a capacidade estrutural, em projetos pouco trabalhados. Isso eleva muito e desnecessariamente o custo da obra, e só acontece porque no Brasil falta a cultura que privilegie o trabalho do calculista”, critica. Inaugurado no primeiro semestre deste ano, o Shopping Frei Caneca imediatamente se tornou referência no uso de estruturas metálicas e na proteção contra incêndios. A obra tem 73 mil m2 estruturados em aço e fechamento com pré-fabricados de concreto. “Até as caixas de escadas e de elevadores são feitas com aço e contraventadas”, detalha o coordenador do projeto e da construção, Newton Duarte Barros, sócio da Construtora Zeeni Reis Barros, responsável pela obra. A obra também empregou o sistema steel deck de laje, uma espécie de fôrma metálica para o concreto que fica na estrutura, trabalhando como armadura positiva. Além de dispensar escoramentos e servir No Frei Caneca, o steel deck foi fixado às vigas mistas por conectores de cisalhamento (pinos metálicos eletrossoldados). Outro bom exemplo: o complexo dos hotéis Caesar Park, construído nas imediações do Aeroporto Internacional de São Paulo, na cidade de Guarulhos. Projetados pelo arquiteto Roberto Candusso e construídos pela Inpar, os hotéis ocupam uma construção única dividida em três asas, de 14 pavimentos cada, somando 23 mil m2 erguidos em 11 meses. Esse prazo foi possível pela adoção de sistemas construtivos industrializados, incluindo estrutura metálica (com perfis ASTM A36 e proteção passiva contra incêndio com argamassa projetada, à base de fibras minerais), laje do tipo steel deck, fechamentos externos com painéis de concreto pré-fabricados, paredes-divisórias de gesso acartonado e banheiros prontos. Segundo Candusso, a principal dificuldade na obra foi a falta de hábito de se construir edifícios não-comerciais em aço. “No início, senti falta de diálogo com as empresas que executam os serviços, pois elas não estão acostumadas com a linguagem arquitetônica. Assim, surgiram vigas de contraventamento onde deveria ter uma porta. Coberturas metálicas As telhas metálicas termoacústicas são fabricadas com os mesmos tipos de chapa, mas apresentam entre as folhas uma camada intermediária de material termoacústico, como poliuretano ou poliestireno, formando uma espécie de sanduíche leve e resistente que não causa grande sobrecarga às estruturas do telhado. A aplicação de qualquer um dos tipos de telha deve observar atentamente as recomendações do fabricante, que fornece tabelas com as especificações próprias para cada forma de uso, considerando as dimensões da telha, as distâncias entre os apoios e as cargas por kgf/m2. |
Quando projeto e arquitetura estão bem resolvidos, a estrutura metálica proporciona diversas vantagens. Algumas delas são enumeradas pelo arquiteto Pedrosvaldo Caram Santos e pelo engenheiro Ernesto Tarnoczy Júnior:
Criatividade – O aço possibilita design criativo, que pode ser explorado de múltiplas formas. “O único limite é o bolso”, garante Tarnoczy.
Logística – Detalhes e interfaces planejados evitam improvisações, assegurando uma obra limpa e seca. “Como todos os ajustes necessários são realizados ainda na etapa de detalhamento dos projetos, é possível prever exatamente o quanto de cada material será utilizado na obra”, destaca Caram.
Leveza – Segundo Tarnoczy, quanto mais alto o edifício com estrutura de aço, maior será a economia com as fundações. “A espessura média do concreto usado nas edificações atualmente é de 20 cm, o que equivale a 500 kg/m2; com os acabamentos, supera-se os 1000 kg/m2. Com estrutura metálica, o mesmo edifício terá carga total correspondente a algo entre um terço e metade desse valor, dependendo de sua altura e dos demais materiais adotados. O prédio com estrutura metálica fica até 53% mais leve”, afirma.
Redução de perdas – A precisão milimétrica do sistema reduz sensivelmente o desperdício de material em comparação com as obras artesanais.
Rapidez da montagem – O uso de estruturas metálicas e de sistemas industrializados em geral acelera o ritmo das obras, lembra Caram. Essa característica é fundamental para empreendimentos como hotéis, shoppings, cinemas e supermercados.
Facilidade de manuseio – O aço é especialmente vantajoso para obras em terrenos acidentados ou onde não há espaço para canteiro. Basta planejar a montagem da peça tão logo ela chegue ao local, sem a necessidade de espaço para armazenagem. Como o aço é mais leve que o concreto, pode-se trabalhar com guindastes menores.
Desempenho testado – Caram destaca a importância da pré-montagem da estrutura na própria fábrica para a correção de processos industriais. Além disso, os milhares de componentes são numerados, de modo a assegurar a montagem correta no canteiro.
Transporte – Normas técnicas para o transporte de componentes industrializados asseguram boas condições do material na chegada ao canteiro. A modulação das peças proporciona melhor aproveitamento do espaço de caminhões/contêineres, diminuindo gastos com transporte.

