Acentua-se o declínio das operações de crédito


(Estadão) – 29/11/15

Os indicadores da oferta de crédito pioraram muito em outubro, com a diminuição tanto das operações de empréstimo, em queda de 3,8% relativamente a setembro, quanto do estoque de crédito, de 0,1%. Os saldos caíram R$ 3,4 bilhões no mês, de R$ 3,160 trilhões para R$ 3,157 trilhões – e, como incluem juros, a queda é um sinal inequívoco de fragilidade do crédito, com repercussão negativa sobre tomadores, bancos e a atividade econômica que depende de crédito para crescer. Pela segunda vez no ano, a relação entre o crédito e o Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu (de 55,1% em setembro para 54,7% em outubro). A primeira vez foi em abril, de 54,6% para 54,4%.

Os bancos agem com mais rigor nas concessões de crédito e os tomadores, com mais cautela. As pessoas físicas evitam endividamento, juros elevados e riscos de perda de atividade e atrasos. Entre junho e outubro, aumentou 0,5 ponto porcentual, de 5,3% para 5,8%, a inadimplência das pessoas físicas nas operações com recursos livres. Até as concessões de crédito direcionado caíram acentuadamente (-11,2% no mês).

A situação do crédito para as pessoas jurídicas também é ruim: as concessões caíram 6,3%, com mais intensidade no crédito direcionado (-11,3%). As concessões totais diminuíram R$ 11,7 bilhões entre setembro e outubro, de R$ 305,8 bilhões para R$ 294,1 bilhões, segundo pior resultado desde janeiro de 2014.

A deterioração do crédito se deve à elevação dos juros e dos spreads bancários (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação) e à recessão. Sem vender, as empresas têm menos duplicatas ou cheques para descontar ou faturas de cartão para antecipar recursos. Em casos extremos, valem-se do cheque especial para sobreviver.

Quanto às pessoas físicas, os saldos de operações de crédito imobiliário ainda aumentam, mas as concessões com recursos direcionados já diminuem rapidamente: queda de 3,7% no mês e de 11,5% no trimestre, nas operações a taxas de mercado; e de 13,1% no mês e de 10,8% no trimestre, nas operações com taxas reguladas.

Os números refletem a diminuição do ritmo de crescimento da oferta de crédito subsidiado pelos bancos públicos, caso do BNDES.

Até as taxas das operações direcionadas, com juros inferiores aos de mercado, foram elevadas. Para pessoas físicas, saíram de 9,8% ao ano para 10,5% ao ano. Nas operações livres, foi pior: o juro médio pago pelas pessoas físicas atingiu 38,7% ao ano e, pelas jurídicas, 21,5% ao ano.

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