As tendências para o mercado imobiliário no futuro pós-covid


(Época) – 29/06/20

A transformação digital acelerada pela pandemia de coronavírus deve criar novas oportunidades para o setor de imóveis, impulsionando o surgimento de novas proptechs, as startups do mercado imobiliário. De acordo Hernan Kazah, cofundador da Kaszek Ventures, fundo de venture capital argentino, será cada vez mais comum o uso da internet para realizar vendas, alcançar clientes e facilitar transações. “Com a flexibilização do home office, a tendência é que a tecnologia torne tudo mais eficiente. Muitas pessoas vão optar por não usar um carro próprio e utilizar aplicativos de transporte ou viagens compartilhadas.”

Kazah falou durante uma conferência anual realizada BayBrazil, instituição dedicada a conectar ecossistemas de profissionais e negócios do Brasil e do Vale do Silício. O evento online também contou com Mate Pencz, fundador da Loft; Jonathan McNulty, CEO da startup americana de financiamento imobiliário Haus; e Brian Requarth, cofundador do VivaReal e chairman do Grupo ZAP.

Segundo Kazah, o mercado de investimentos imobiliários também deve passar por disrupções. “Nós nunca investimos em empresas do setor apenas com base em projeções de cenários para o futuro, mas sabemos que existirão muitas oportunidades depois da pandemia, seja para hotéis, edifícios e outros tipos de moradia”, afirma o executivo. “A tendência é que as empresas aumentem cada vez mais sua presença online e a tecnologia será fundamental nesse processo.”

Para os executivos, o trabalho remoto imposto pelo isolamento social também deve impactar o setor. Segundo Brian Requarth, do VivaReal, a escolha por moradias mais distantes dos centros urbanos será uma tendência crescente no futuro pós-covid. “Nas últimas décadas, vimos uma grande transição de pessoas migrando para as grandes cidades. “Eu acredito que esse será o começo de uma nova era, com muitas pessoas voltando para o interior.”

Mate Pencz, da Loft, destacou o acesso à educação e saúde de qualidade como um desafio para que essa tendência cresça no Brasil. “Com a pandemia, as pessoas passaram a valorizar mais os espaços onde que vivem, mas isso não será suficiente para que elas deixem os grandes centros”, pontua Pencz.

Jonathan McNulty, no entanto, acredita que a adoção crescente do trabalho remoto pelas organizações pode afetar negativamente a cultura de inovação. “Muitas empresas acabam olhando para o home office como uma redução de custos, e isso pode fazer com que elas percam sua cultura e a oportunidade de reunir talentos inteligentes em um mesmo escritório.”

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