Estacionamento vira artigo de luxo em São Paulo

15 09 2009

(Jornal Nacional) – 15/09/09

Nos últimos dez anos, a cidade ganhou quase um 1,7 milhão de carros. Mas só foram construídas 560 mil vagas, segundo um levantamento de consultores imobiliários.

O Jornal Nacional mostrou na segunda-feira (14/09/09) a dificuldade monstruosa que é encontrar vagas na maior cidade brasileira. Nesta terça-feira, o repórter César Menezes apresenta o custo da segurança dos veículos (clique aqui para vídeo).

Como é bom chegar em casa e parar o carro na garagem. E como está difícil fazer isso em São Paulo. Fábio só consegue estacionar o segundo carro da família porque aluga uma vaga do vizinho. Paga R$ 150 para seu Antônio, na camaradagem.

“A última oferta foi R$ 200 que me ofereceram. A nossa amizade é muito grande”, disse o aposentado Antonio Zuchini.

Fábio nem pensa em oferecer mais, porque já gasta muito para deixar os carros parados.

“Entre aluguel aqui, aluguel no escritório e na faculdade da minha filha, são R$ 390 por mês”, contou o administrador de empresas Fábio Machado.

Nos últimos dez anos a cidade ganhou quase um 1,7 milhão de veículos. Mas nas garagens dos apartamentos e escritórios só foram construídas 560 mil vagas, segundo um levantamento de consultores imobiliários.

No Centro da cidade é mais difícil ainda ter um lugar para estacionar o carro. O movimento é maior e as construções são antigas, da poça em que cada família tinha no máximo um carro. Vaga na garagem de alguns edifícios é artigo de luxo.

Edifício Copam, 1.160 apartamentos, 5 mil moradores, 221 vagas. Nesse prédio, uma quitinete vale R$ 80 mil. Uma vaga, R$ 55 mil. “É muita gente querendo comprar, e pouca gente querendo vender. Quando aparece um vendedor, na hora ele vende”, contou o síndico Affonso de Oliveira.

O problema é tão crítico, que na Avenida Paulista, um dos metros quadrados mais valorizados de São Paulo, terrenos muito bem localizados funcionam há anos como estacionamentos. E dão lucro. Uma hora parado custa R$ 8, R$ 10, R$ 17.

“Fiquei 2 horas parado e paguei R$ 18. Eu acho muito caro. Mas não tem onde parar”, disse o vendedor César Assay.

Ione paga por mês: R$ 220. Diz que não tem outra opção. “Como eu saio muito tarde do escritório, e o prédio é aqui do lado, é uma questão de segurança”, acredita ela.





Mesmo com queda nas vendas até julho, setor imobiliário em São Paulo espera recuperação

15 09 2009

(Gazeta do Povo) – 15/09/09

Baixo desempenho é atribuído ao período de férias e até mesmo à pandemia causada pelo vírus Influenza H1N1- gripe suína

As vendas de imóveis residenciais novos na cidade de São Paulo caíram 24,4% no período de janeiro a julho deste ano, comparado aos sete primeiros meses de 2008. Foram comercializadas 16,5 mil unidades.

Em julho, houve uma queda de 41,5% sobre igual mês do ano passado. De um total de 12,9 mil ofertas, 2,1 mil unidades foram vendidas.

Segundo o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), João Crestana, essa falta de dinamismo do setor, no entanto, não evidencia que os negócios vão mal.

Ele atribuiu o baixo desempenho de julho ao período de férias e até mesmo à pandemia causada pelo vírus Influenza H1N1- gripe suína. “As famílias ficaram mais retraídas e muitas interromperam as atividades com as férias prolongadas”, observou o executivo para quem a comercialização “segue forte” e deve ter mais visibilidade no fechamento do segundo semestre.

Crestana lembrou que o setor não escapou dos efeitos da crise financeira internacional. Muitos projetos e lançamentos acabaram adiados e só foram retomados no começo deste ano. Diante disso, confirme explicou, diminuíram as ofertas, embora já se note uma reação. “Os efeitos da crise já estão muito mitigados e, desde novembro do ano passado, já tivemos de volta o interesse de compradores”.

Ele informou que uma novidade que sinaliza negócios em alta é o crescimento pela procura de imóveis comerciais e o índice de velocidade de vendas, que alcançou 14,4% em julho. Isto significa que de cada 100 imóveis ofertados 14,4 foram vendidos.

Na projeção de Crestana, o programa Minha Casa, Minha Vida, em fase de maturação, deve resultar em 600 mil a 700 mil ofertas de imóveis para a população de baixa renda no ano que vem. “Já temos cerca de 40 mil aprovações [financiamentos] na Caixa Econômica Federal e mais outros 300 planos em análise”, disse.

Para o presidente do Secovi, o país não pode mais conviver com o deficit habitacional de 8 milhões de unidades. “Estima-se existirem cerca de 35 milhões de pessoas morando em locais inadequados”, observou.

A estimativa do Secovi é que, na quarta edição da Semana Imobiliária em São Paulo, a ser realizada de 24 a 27 de setembro, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, sejam oferecidos cerca de 100 mil imóveis. Os interessados poderão encontrar desde pequenas habitações com apenas um dormitório até as que têm acima de três dormitórios.








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