Construção é setor com maior expansão de pessoas ocupadas (Pnad 2008, IBGE)

18 09 2009

(IBGE) – set/09

Quanto à distribuição das pessoas ocupadas segundo os grupamentos de atividade, as maiores participações foram as dos grupamentos agrícola (17,4%), do comércio e reparação (17,4%) e da indústria (15,1%).

Na comparação com 2007, o grupamento da construção teve o maior crescimento em termos de pessoal ocupado (14,1%), com destaque para as regiões Norte (19,9%) e Nordeste (19,6%). Por outro lado, o grupamento agrícola, apresentou redução de 2,6% no seu contingente, de 2007 para 2008. As regiões Norte (-7,7%), Sul (-5,5%) e o Centro-Oeste (-5,1%) registraram quedas. O Sudeste foi a única região a apresentar crescimento de pessoas ocupadas no grupamento agrícola (2,6%) entre 2007 e 2008.





Ações de construção sobem até 8% e lideram alta na bolsa

18 09 2009

(O Globo) – 08/09/09

O anúncio da aprovação pelo governo de uma nova aplicação do FGTS para socorrer as construtoras animou as ações do setor na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Os papéis de Cyrela, Rossi e Gafisa subiram 8,39%, 7,84% e 5,11%, respectivamente, liderando as altas entre as ações do Índice Bovespa (Ibovespa). Das outras 19 ações de empresas de construção listadas em Bolsa mas que não estão no Ibovespa, apenas três registraram quedas.A Bolsa também teve um dia de alta, com o Ibovespa registrando ganho de 1,70%, para 56.652 pontos, após a avaliação positiva dos dados do mercado de trabalho americano. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 1,82%. Depois das quedas no início da semana, ontem as ações da Petrobras subiram 0,99%, fechando a R$32,51, praticamente o mesmo preço da sexta-feira anterior (R$32,55). Diante do otimismo do dia, o dólar teve nova queda, de 1,39%, para R$1,840. Também influenciou no otimismo do mercado um resultado ligeiramente favorável do emprego nos EUA. O ritmo de fechamento de postos de trabalho em agosto caiu para 216 mil, contra 276 mil em julho. Porém, a taxa de desemprego americana chegou a 9,7%, a mais alta dos últimos 26 anos.

A chamada taxa de subemprego (trabalhadores em postos temporários em busca de emprego fixo) atingiu 16,8%, um recorde na história americana. Ainda assim, a queda no número de postos fechados animou os especialistas americanos, que acreditam que o pior da crise já passou e que as medidas de recuperação da economia começam, enfim, a fazer efeito nas estatísticas.

Desde o início da crise, EUA já perderam 6,9 milhões de vagas
Mas os números divulgados ontem pelo Departamento de Trabalho mostram que as melhoras no emprego andam mais devagar que no restante da economia, com muitos duvidando se a indústria e as empresas de serviços vão efetivamente repor os postos fechados.

Christina Romer, presidente do Conselho de Economia da Casa Branca e uma das mais próximas assessoras do presidente Barack Obama, afirmou ontem à TV Bloomberg que a taxa de desemprego de 9,7% é uma tragédia. Ela disse que ainda serão precisos alguns meses de recuperação até que a geração de emprego supere as demissões.

Desde o início da crise, em dezembro de 2007, a economia americana perdeu 6,9 milhões de vagas. Mas a trajetória desses postos mostra sinais positivos. Afinal, os 216 mil empregos perdidos em agosto foram bem menos que os 230 mil estimados pelos analistas. E é o menor número desde agosto de 2008, quando a crise se agravou. Com isso, o índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, subiu 1,03%.

Esta semana, o vice-presidente, Joe Biden, afirmou que o pacote de estímulo de US$787 bilhões foi a principal razão da virada recente na economia.

“Em vez de falarmos sobre o começo de uma depressão, estamos conversando sobre o fim de uma recessão”, disse.

A empresa de consultoria econômica IHS Global Insight estima que o pacote de estímulo seja responsável por um aumento de um ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB, a soma de bens e serviços produzidos pelo país) em 2009. E que as medidas salvaram, este ano e em 2010, dois milhões de empregos.





Brasil é destaque na recuperação do mercado imobiliário mundial

18 09 2009

(Valor Econômico) – 16/09/09

De um lado, sete palestrantes apresentam números e informações sobre os fundamentos da economia brasileira e os diferentes segmentos do mercado imobiliário. De outro, cerca de 150 pessoas sentadas em uma plateia atenta assistem, interessadas, a cada um dos detalhes expostos. “Vender” o Brasil está mais fácil. O país que primeiro emergiu da crise é capaz de impressionar olhos e ouvidos acostumados a más notícias. Investidores estrangeiros machucados pela crise ainda estão se refazendo das fortes perdas que tiveram, mas conseguem ver no Brasil a luz que continua apagada em praticamente todo o resto do mundo.

“O humor aqui nos Estados Unidos continua muito ruim, se os investidores não vem a um lugar onde todo mundo fala a mesma coisa fica até difícil acreditar que o cenário seja tão positivo no Brasil”, afirma José Paim, presidente da Max Cap Real Estate Investment Advisors, um dos palestrantes brasileiros do Brazil Real Estate Conference. Pela primeira vez, o governo brasileiro participa de um evento como esse. Maria Fernanda Coelho, presidente da Caixa Econômica Federal, veio apresentar o programa Minha Casa, Minha Vida, que apesar do nome em português, já faz parte do vocabulário dos investidores interessados no Brasil e no tão festejado mercado de baixa renda.

O Brasil está na moda, é o que se diz por aqui. E as empresas brasileiras do setor imobiliário aproveitam a conjunção de fatores positivos para atrair investimentos ao país. A favor do Brasil existem fatores externos, como a concorrência mais fraca de outros países emergentes. Dos BRIC, segundo os investidores, apenas a China disputa com o Brasil, apesar das grandes diferenças entre os dois países.

Internamente, uma soma de fatores faz com que o timing seja muito favorável ao Brasil. Fundamentos macroeconômicos sólidos, como a queda das taxas de juros, o crescimento da classe média e da renda per capita e um crescimento estimado de cerca de 4,8% do PIB em 2010, chamam a atenção. Ao lado de fatores específicos do setor que foram resolvidos ao longo dos anos – como alienação fiduciária, patrimônio de afetação, securitização de ativos e uma sólida evolução do mercado de capitais. “Juntos, esses fatores formam um cenário único e inédito para o setor”, afirma David Lawant, analista do setor imobiliário da Itaú Corretora. “O Brasil se recuperou mais rápido do que se imaginava, principalmente no setor imobiliário.”

Por fim, o programa habitacional do governo do alinhavou os últimos fatores que faltavam para completar um cenário de demanda aquecida. Por conta do Minha Casa, Minha Vida, a baixa renda ganha destaque entre os diferentes segmentos do mercado imobiliário brasileiro. “Se não fosse a crise não teríamos o programa do governo”, afirma Carlos Trostli, presidente da Tenda, que teve um aumento de 45% das vendas no segundo trimestre. A empresa, comprada pela Gafisa no ano passado, é uma das que mais se encaixa no programa. No primeiro semestre, 88% das vendas de R$ 620 milhões foram consequência do Minha Casa, Minha Vida. “Os investidores tem nos procurado para saber detalhes do programa e como a Tenda se beneficia.”

O nível de dúvida dos investidores presentes ao evento mostra que muita gente está fazendo a lição de casa. Há poucas dúvidas superficiais e a maioria já mostra conhecimento sobre o mercado. Entre os questionamentos, há desde as diferenças entre os programas do Brasil e do México, a capacidade de operacionalização do plano do governo, a possível falta de mão-de-obra e insumos, o quanto o Bolsa Família ajuda a movimentar o segmento de baixa renda, se faltará terra para os novos empreendimentos e até se o Brasil corre o risco de ter um sub-prime.

Heidi Thompson, da Daiwa Asset Management, empresa de gestão de recursos japonês, já investiu US$ 215 milhões em ações de empresas brasileiras (Gafisa, Cyrela, Rossi, PDG, MRV, Agra e BR Malls), entoa o coro de que o segmento econômico é um dos mais atrativos no mercado imobiliário, pelo potencial de crescimento. Mas teme pelo risco político no próximo ano.

Outro fundo que já tem investimentos no Brasil, mas ainda procura novas oportunidades, é o Janus Capital Group, com ações da MRV, Cyrela, Rossi, PDG e Rodobens. Matthew Hochstetler, da Janus, vê uma transformação inédita no mercado imobiliário brasileiro. “Estamos muito otimistas com o Brasil, são vários fatores positivos, que não existiam nas últimas décadas”, diz. O belga Reginald Neirynck, da Saivest Strategic Alternative Investments, acaba de montar um escritório no Brasil para investir em projetos de imóveis comerciais e logística. “Só me interessa investir no Brasil agora”.





Famílias ficam menores, número de domicílios cresce e problemas habitacionais mudam

18 09 2009

(UOL Notícias) – 18/09/09

De 2007 para 2008, o número de domicílios no país cresceu mais rapidamente do que o número de famílias. Os dados divulgados pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, também mostram que as famílias ficaram menores, com maior presença de unidades com uma ou duas pessoas.

O levantamento da pesquisa indica um total de 60,9 milhões de famílias vivendo em domicílios particulares em 2008, 1,4 milhão a mais do que no ano anterior. No mesmo período, o número total de domicílios subiu de 55,770 milhões para 57,557 milhões.

Proporcionalmente, o número de domicílios cresceu mais rapidamente que o de famílias. O crescimento do número de famílias foi da ordem de 2,4%, enquanto o do número de domicílios foi de 3,2%.

A essa tendência se soma a da redução do número de habitantes por domicílio. A média nacional ficou em 3,1 habitantes por domicílio, menor que a registrada na Pnad 2007: 3,2. Como se trata de uma média, a redução é significativa. Na região Sul, a “família média” é de 2,9 pessoas por domicílio, ou seja, menor do que a família nuclear formada por pai, mãe e um filho.

Evolução dos habitantes/domicílio (2007-2008)

Evolução dos habitantes/domicílio (2007-2008)

A redução no número de pessoas se verifica em algumas faixas: cresceu o número de domicílios com duas pessoas, praticamente se manteve estável o de três e, a partir de quatro pessoas por domicílio, há uma queda generalizada.

Essas mudanças no perfil domiciliar brasileiro levam a um aumento na pressão por habitação e serviços como fornecimento de água e coleta de esgoto e lixo, além de colocar desafios para as políticas públicas de habitação e de planejamento urbano. “Em alguns bairros, a pessoa pode ter até alguns metros quadrados a mais, mas ela vive em condições de ‘enterrado’”, diz a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-secretária executiva do Ministério das Cidades, Ermínia Maricato.

“Boa parte das pessoas que moram sozinhas, por exemplo, é formada por mulheres idosas, não necessariamente de baixa renda”, explica o arquiteto e urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, uma organização não governamental que atua no setor de planejamento urbano. Nakano também é doutorando do Núcleo de Estudos Populacionais da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

O desafio, para ele, é pensar não só a habitação, mas a cidade, para esse novo contexto. Com menos pessoas por domicílio, é possível imaginar casas e apartamentos menores, mas isso não é suficiente. “As unidades podem ser menores, desde que as áreas de convivências da cidade sejam maiores”, explica.

Outra questão é a da “acessibilidade universal”. Nesse sentido, Nakano vê de forma positiva experiências da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) na adaptação de unidades para idosos e deficientes físicos.

Tendência
A redução no número de pessoas por domicílios é uma tendência que já vinha sendo indicada pelos levantamentos anteriores da Pnad.

De 1997 a 2007, a proporção de domicílios com uma pessoa cresceu, na participação total, de 8,6% para 11,5%, para chegar a 12% em 2008.

“Proporcionalmente, há uma tendência de redução da proporção da típica família nuclear, a do casal com filhos”, explica Elisa Hijino de Oliveira, que defende na próxima segunda-feira uma dissertação de mestrado na Ence (Escola Nacional de Ciências Estatísticas), ligada ao IBGE, justamente sobre o que os demógrafos chamam de “arranjos unipessoais” no Brasil na última década.

A redução do número de pessoas em cada família faz parte de uma grande mudança no perfil demográfico do país que inclui a redução da taxa de fecundidade, o envelhecimento populacional, o aumento da escolarização feminina e a entrada no mercado de trabalho, aumento das separações e divórcios, o adiamento dos casamentos e uniões e a transferência do foco da criança para os adultos na vida familiar.

Como conseqüência disto, os pesquisadores do Censo 2010, que será realizado no ano que vem, vão, pela primeira vez, perguntar se há cônjuges do mesmo sexo nos domicílios, buscando captar os novos tipos de família e as novas formas de morar.

Para Ermínia Maricato, outros dados sobre as famílias e os domicílios revelados pela Pnad 2008 são preocupantes. Ela cita, por exemplo, o crescimento do número de mulheres que são referência familiar. O número chegou a quase 35%.

“Esse é um dado de precarização. Especialmente quando a mãe é chefe de família e trabalha fora”, diz ela. Há outras famílias, que não a tradicional, que também enfrentam dificuldades: é o caso, por exemplo, daquelas formadas por uma avó e seu neto ou neta.

A precarização, aliás, pode estar também no aparentemente positivo crescimento no número de domicílios. Para Maricato, esse dado pode estar ligado a um adensamento de favelas nas “franjas” das grandes cidades.

“São necessárias pesquisas empíricas para verificar o que está ocorrendo, mas, se não foi interrompida a tendência dos anos 1980 e 1990, as condições podem estar piorando. As favelas mais antigas estão na quarta laje”, diz ela.

De acordo com Maricato, a retomada dos investimentos no setor de habitação e saneamento ainda não devem ter surtido um efeito que possa ser captado pela Pnad de 2008. “O impacto disso leva em torno de sete anos para ser sentido”, diz.

Além disto, o setor privado, embora esteja se voltando para a classe média, ainda não alcança o setor em que o déficit habitacional é mais significativo: o das pessoas que têm renda familiar média de até três salários. Há uma carência de 4,616 milhões de domicílios nesta faixa, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro encomendado pelo Ministério das Cidades.

Maricato acredita que o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, deve levar a uma melhora nas condições de saneamento, mas não interrompe o processo de expansão horizontal das cidades.

Outra questão é a qualidade dos serviços: embora a Pnad aponte para mais casas com acesso a coleta de esgoto e lixo, a pesquisa não consegue medir a qualidade desse serviço. Segundo a Pnad, 83,9% dos domicílios têm acesso a rede de água, 52,5% a coleta de esgoto e 87,9% a coleta de lixo.

“Tenho dúvidas sobre esse número do lixo. Se a coleta chegasse regularmente a quase 88% dos domicílios, não haveria tanto lixo nos córregos e na beira das estradas do país, quando você sai das regiões metropolitanas”, afirma Maricato.

Nakano, por sua vez, diz que o dado sobre coleta de esgoto não é o melhor. “O morador que responde à Pnad não vê para onde vai o esgoto. Ele pode achar que está indo para a rede coletora e, na verdade, ele está indo para a galeria pluvial”, diz. Na sua opinião, os dados mais confiáveis sobre o setor deveriam vir do cadastro das empresas de saneamento. “Mas eles são uma bagunça.”

Déficit habitacional
Uma pesquisa recentemente divulgada da Fundação João Pinheiro, com sede em Minas Gerais, baseada em dados da Pnad 2007, aponta que o déficit habitacional do país é de 6,273 milhões de domicílios, dos quais 82,6%, ou quase 5,2 milhões, estão nas áreas urbanas.








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