Entrevista: Germán Quiroga, diretor de TI da Cyrela


Cristiano Viana

A convergência permite que Germán Quiroga, diretor de TI e marketing da incorporadora Cyrela, coloque todas as suas paixões no bolso – tecnologia, música, cinema, fotografia, viagens e leitura. “Você já viu esse brinquedinho aqui?”, pergunta ao sacar do bolso o iPhone que trouxe dos EUA.

Enquanto mostra os recursos preferidos do telefone da Apple, o executivo revela que prefere consultar a web a comprar livros quando se trata de conteúdo técnico. “Quando saem, os livros já estão desatualizados. As novidades estão nos fóruns de discussão, nas comunidades.” A cultura de internet de Quiroga não é à toa.

Ele foi um dos mentores da operação das Americanas.com, uma das sobreviventes da bolha da internet, que, em novembro de 2006, se fundiu com seu principal concorrente, o Submarino. Com a experiência acumulada, Quiroga foi convidado para integrar a área de vendas pela internet no setor de construção. O que era visto com um pouco de ceticismo pelo mercado deu certo e tornou-se um importante canal. Hoje, 30% do faturamento da Cyrela (R$ 1,5 bilhão, em 2007) é resultado das iniciativas no mundo digital.

IWB – O setor de construção civil está aquecido e, de acordo com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a expectativa é de que o segmento impulsione o crescimento do Brasil.

German Quiroga – Existe toda uma conjuntura das políticas econômicas do Brasil nos últimos dez anos, com mérito para o governo anterior e para o atual. Estas políticas levaram o País para uma linha de maior estabilidade, princípios de governança, tudo isto tem contribuído para uma melhora na taxa de juros. Dessa maneira, as prestações dos imóveis caíram de valor.

IWB – Existe uma dúvida sobre a concessão de linhas de crédito pelo governo, por medo da inflação. Qual é a posição do setor a respeito disso?

Quiroga – O mercado se auto-regula. Os bancos perceberam oportunidades e o público que atendemos (classes alta e média) utiliza mais os serviços de crédito dos bancos privados do que os dispositivos públicos.

IWB – Por conta do crescimento da indústria de construção, existem empresas que enfrentam dois anos na fila por insumos. Como a Cyrela lida com essa questão?

Quiroga – Retomando a pergunta anterior, que citava a ministra, este é um segmento que vai aquecer a economia, segundo todos os estudos que temos consultado. Mais de 20 empresas lançaram seus papéis na bolsa de valores e estão capitalizadas, o que gera uma pressão forte por serviços e insumos. Mas quem trabalha com visão de longo prazo e planejamento já tem os principais insumos e a mão-de-obra mapeados em contratos que já estão fechados.

IWB – A Cyrela online saltou de R$ 36 milhões para R$ 450 milhões em faturamento em dois anos. Que tipo de cliente procura os serviços online?

Quiroga – Em 2004, quando começamos esse processo, algumas empresas estavam tateando esse mercado, mas mantinham atendentes de call center que encaminhavam o cliente para um corretor. Percebemos que quem chega à Cyrela via web é uma pessoa ansiosa e sem tempo, que quer informações precisas e rapidamente. Passamos a fazer o atendimento via chat, diretamente com os corretores. Instalamos conteúdo e ferramentas para que os profissionais pudessem acessar informações rapidamente e fornecê-las aos clientes.

IWB – A web representa 30% das vendas da empresa. A idéia é manter essa proporção ou aumentar?

Quiroga – Acreditamos que existe a possibilidade de ampliar esse porcentual. Vamos deixar o mercado regular esse valor, não estamos com uma pressão muito grande.

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