Financiamento mais fácil


(Gazeta do Povo) – 06/07/2008

Bancos privados, de olho no crescimento do mercado da construção, passaram a oferecer mais vantagens para quem quer financiar a compra da casa própria

Canteiro de obras
Canteiro de obras: aumento no número de construções impulsionou volume de financiamentos.

Um campo ainda dominado pela Caixa Econômica Federal, os financiamentos imobiliários vêm atraindo maior interesse das instituições bancárias privadas. Elas estão de olho no volume bilionário de recursos disponíveis neste ano – a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário (Abecip) estima que o brasileiro vai emprestar dos bancos R$ 25 bilhões para a compra da casa própria -, volume captado do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), principal fonte de dinheiro para financiamento imobiliário no país.

Até maio já foram emprestados em todo o país R$ 9 bilhões para financiamentos imobiliários. A CEF continua na liderança e responde por mais de 50% (quase R$ 5 bilhões) deste volume, porém com uma hegemonia menor que em anos anteriores, quando chegava a 80%. “Os bancos privados estão emprestando mais e tomando espaço neste bolo”, diz Osvaldo Correa Fonseca, diretor da Abecip. A instituição calcula que estas empresas (entre elas, HSBC, Itaú, Santander, Banco Real e Bradesco) duplicaram o seu número de financiamentos no último ano.O aumento começou só a partir de 2004, quando o Banco Central (BC) passou a editar regras regulamentando o uso dos recursos do SBPE. Antes só a Caixa seguia as normas mais rígidas, e por isso, oferecia as melhores condições. Como o foco desta modalidade são classes baixa e média, o BC estabelece valor máximo de R$ 350 mil para os imóveis a serem financiados (com exceção da Caixa e Banco do Brasil). Além disso, o contratante não pode ter outro imóvel e os bancos devem cobrar juros inferiores a 12% – regras que formam o chamado Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Vantagens

Tanto para Abecip quanto para profissionais que trabalham diretamente com a venda de imóveis, o resultado do maior interesse dos bancos privados pelos financiamentos é uma concorrência benéfica para o comprador. É o que resume o corretor imobiliário Daniel Galiano, diretor de vendas da Apolar Imóveis: “Quanto maior a competitividade, melhor para o consumidor”, diz. “O resultado já aparece nas taxas de juros cobradas. Os bancos estão mantendo médias compatíveis com as alíquotas da Caixa”, afirma outro corretor, Gilberto Lyra, da LS Assessoria Imobiliária. Antes a alíquota variava de 12% a 16%. Além das taxas reais de juros os bancos cobram as de administração do financiamento. “Com esta disputa, a tendência é que este valor (que gira em torno de 1% ao ano) caia para atrair os clientes”, completa Lyra.

Estratégias

As taxas mais competitivas não são a única estratégia dos bancos. Muitas instituições buscam soluções ainda mais ousadas. O HSBC permite que se parcele, junto com o financiamento, documentos para regularização do imóvel, como registro, escritura e Imposto por Transmissão de Bens (ITBI). Já o Santander, oferece planos com opção de o cliente ficar um mês por ano (a escolher) sem precisar pagar a parcela.

O administrador Octávio Siqueira Osternack encontrou em um banco privado o que precisava: rapidez no processo. “Pesquisei e optei por um banco onde tudo (análise e aprovação do crédito) foi resolvido em poucos dias”, conta Osternack, que praticamente não precisou sair de seu escritório para conseguir o financiamento do apartamento que mora atualmente. “Uma agente do banco vinha até aqui resolver tudo”, diz.

Outras fontes de recursos

Além dos recursos do SBPE, a Caixa Econômica, o Banco do Brasil (BB) e as instituições privadas de crédito imobiliário usam ainda recursos próprios para dar financiamento. Os contratos deste tipo seguem as normas do chamado Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI). Nesta modalidade os bancos são livres para estipular a taxa de juros que quiserem. Em compensação, não há limite de valor do imóvel. O modelo é voltado principalmente para quem quer adquirir um segundo imóvel.

Além disso, a Caixa e o BB também tem linhas de financiamento usando dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) – dentro das normas do SFH. Os bancos Itaú, Bradesco e Real ABN-Amro já anunciaram que, ainda este ano pretendem criar linhas de financiamento com utilização do Fundo. A expectativa do Banco Central, que abriu a possibilidade, é que esta medida beneficie pessoas com renda até R$ 1,8 mil.

Dicas

Com juros e condições muito parecidas, confira as sugestões do consultor Mauro Halfeld para escolher o seu financiamento:

Taxas reais: além dos juros nominais, os bancos cobram serviços, como administração do financiamento e seguros, que compõem a chamada taxa efetiva. Escolha o banco que cobrar menos.

Prazo longo: optar por um prazo longo de pagamento pode ser melhor. Isso porque as parcelas irão pesar menos no orçamento. Quando possível, adiante as parcelas.

Orçamento: se for possível, opte por um imóvel cujas parcelas afetem pouco o orçamento. Caso contrário, vale a velha dica de comprometer apenas 30% da renda mensal.

Comparativo das condições praticas pelos bancos.
Comparativo das condições praticas pelos bancos.

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