A banda pede passagem


O uso de fibra óptica na construção de condomínios de alto padrão começa a ganhar espaço no Brasil. O Paraná deverá ter ainda em 2009 o lançamento de um empreendimento com a novidade

Um dos desafios de arquitetos, engenheiros e outros profissionais ligados ao espaço urbano é projetar e reestruturar as edificações levando em conta o avanço da tecnologia das comunicações. A convergência das mídias faz com que os usuários procurem por serviços que reúnam telefonia, internet ultra-rápida e tevê. Nessa onda, algumas construtoras e incorporadoras passam a considerar o uso de modernas tecnologias de infraestrutura que atendam a essa necessidade.

Uma das formas de utilizar essa tecnologia é prevendo no projeto o uso de cabos estruturados de fibra óptica que permitem a transmissão de dados em alta velocidade. “A fibra óptica é utilizada no Brasil desde 1995, mas apenas até as centrais das companhias de telefonia. Os cabos que levam o serviço até a casa dos usuários é de cobre”, diz o gerente de desenvolvimento de novos clientes da Furukawa, Edmond Ayvazian.

A empresa, que detém 50% do mercado de cabos estruturados de fibra óptica, tenta popularizar o uso da fibra, aculturando o mercado da construção civil para a adoção de tecnologias avançadas de infraestrutura de redes de comunicação em novos empreendimentos, especialmente os de alto padrão.

Para Ayvazian, as construtoras que não pensarem em soluções modernas ficarão para trás. “Há um crescimento vertiginoso na adesão da banda larga no Brasil e a indústria do entretenimento se mobiliza para ofertar novos serviços digitalizados. O Brasil precisa se antecipar para prover infraestrutura adequada e atender aos desejos e necessidades da população”, alerta.

A empresa pretende distribuir tecnologia triple-play, que reúne tevê, internet de banda ultra-larga (algo em torno de 100 mega bites de velocidade) e telefonia no ambiente residencial. “A ausência de soluções para as necessidades presentes e futuras dos moradores resultará em insatisfação, porque uma comunicação rápida e eficaz tornou-se parte inseparável do conceito de condomínio inteligente”, diz o executivo.

A implantação de redes compostas por fibra óptica é chamada de fiber to the home (FTTH) e leva o cabeamento óptico até uma central dentro da casa do assinante. Dessa central é feita a distribuição de dados. Todas as aplicações (tevê, internet, etc) são providas através dessa rede óptica.

Ayvazian comenta que no Japão o FTTH está em 35% dos domicílios, com 100 mega bites de velocidade por um custo de US$ 40 por mês. “Essa realidade ainda é distante do Brasil, mas na próxima década com certeza teremos um uso extensivo desse tipo de serviço”, analisa. A Furukawa não revela valores precisos, mas reconhece que por enquanto o custo elevado limita o uso apenas para os condomínios de alto padrão.

No Paraná não há nenhum empreendimento com FTTH. “O perfil das construtoras paranaenses é conservador. Mas estamos em negociação no interior do estado. Provavelmente em 2009 haverá o anúncio de um lançamento em Londrina com essa tecnologia agregada”, garante sem revelar o nome da construtora.

Em outros estados a empresa promoveu a instalação de sistemas ópticos em três condomínios residenciais de alto padrão, um em São Paulo e dois na Bahia. A diferença de valores da rede óptica para a metálica chegou a 30%.

Existem mais três condomínios no nordeste em construção e outros projetos de pequeno porte, cujos custos variam de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, de acordo com a empresa. “Esses condomínios no nordeste são destinados a estrangeiros que estão acostumados com qualidade de acesso a internet, por exemplo. Para as construtoras de lá o investimento é obrigatório para garantir o sucesso de venda”, ressalta o Ayvazian que defende que a tecnologia agregada deve se tornar um argumento de venda.

Um dos empreendimentos baianos com a tecnologia é o Casas de Sauípe, na Costa do Sauípe, com 113 residências. A concepção do projeto é da construtora Odebrecht. O gerente de obra da construtora, Moacyr Cardoso, diz que os resultados obtidos no projeto são inéditos no Brasil. “Os moradores têm uma solução de infraestrutura de comunicação muito avançada e pronta para qualquer evolução tecnológica que venha a ocorrer, com qualidade de sinal, durabilidade das instalações e capacidade de expansão.”

De acordo com a Furukawa, as construtoras Odebrecht e Record, ambas com ampla atuação no nordeste, utilizam em seus empreendimentos as redes de comunicação para viabilizar também itens de segurança, como o controle de acesso de pessoas e veículos com o uso de cartões magnéticos, elevadores e escadas rolantes com gerenciamento informatizado e detecção e alarme de incêndio automatizados.

O que é fibra óptica?

A fibra óptica é um excelente meio de transmissão utilizado em sistemas que exigem alta largura de banda, tais como: o sistema telefônico e redes locais (LANs). Há basicamente duas vantagens das fibras ópticas em relação aos cabos metálicos: a fibra óptica é imune a interferências eletromagnéticas, o que significa que os dados não serão corrompidos durante a transmissão.

Outra vantagem é que a fibra óptica não conduz corrente elétrica não sofrendo interferência quando há problemas com raios, por exemplo. O princípio que rege o funcionamento das fibras ópticas é a reflexão total da luz.

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