Fundos que investem em florestas têm R$ 4,5 bi para novos projetos


(Valor Econômico) – 25/06/10

Madeira: Com o crescente interesse, BRWoods e Brazil Timber devem lançar novas carteiras

Os fundos de investimento em florestas estão se multiplicando no Brasil. Fundos nacionais e estrangeiros têm comprometidos cerca de R$ 4,5 bilhões de investimentos em projetos de produção de madeira no mercado brasileiro. O número tende a aumentar pois estão surgindo novos empreendimentos capitaneados por gestoras da área florestal. É o caso da BRWoods e da Brazil Timber, que preparam o lançamento de dois novos fundos de investimento no setor.

A BRWoods negocia a constituição de um fundo de investimento em participações (FIP) em uma possível parceria com a Caixa Econômica Federal (CEF). Já a Brazil Timber pretende formar um fundo offshore para investimento exclusivo em florestas no Brasil. “Em termos de equity (ações), vai ser o maior fundo de florestas do Brasil”, diz Henrique Aretz, diretor de investimentos da Brazil Timber Investment Management, gestora de investimentos do grupo Brazil Timber. Ele não fala em números, mas até hoje um dos maiores fundos florestais do país, o FIP Florestal Brasil, teve comprometido em equity (ações) R$ 1,1 bilhão.

A iniciativa da Brazil Timber reforça a posição do Brasil como um bom lugar para se investir na produção de madeira. A lógica dos fundos é formar florestas e fechar contratos de venda com consumidores de madeira, como indústrias de papel e celulose, móveis e ferro-gusa. Esse é um negócio novo no país, que tem atraído investidores estrangeiros e também brasileiros, como fundos de pensão, em uma visão de longo prazo. Em geral, os fundos florestais trabalham com um retorno, em reais, entre 8% e 14% ao ano.

Nesse cenário, as chamadas “Timos” (sigla em inglês de Timberland Investment Management Organization), fundos de investimento florestais internacionais, desembarcaram no Brasil para concorrer com fundos de investimento nacionais. Aretz diz que a Brasil Timber tem hoje US$ 250 milhões em ativos florestais exclusivos. São fundos pertencentes a pessoas físicas e jurídicas. Segundo ele, a empresa está se associando a um gestor financeiro e até o primeiro trimestre de 2011 deve ser concluída a captação de recursos do fundo offshore.

Eduardo Barreto, diretor da BRWoods, disse que o FIP que a empresa está constituindo deve ser administrado pela CEF. Procurada, a Caixa não confirmou nem desmentiu a informação. Barreto afirmou que a empresa está prospectando investidores e trabalha no desenvolvimento da carteira de projetos. Ele revelou qual deve ser o capital inicial do FIP.

As negociações da BRWoods surgem na esteira de outros fundos do gênero surgidos no Brasil. Em maio, Vale e os fundos de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da Petrobras (Petros), mais Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), juntaram-se para lançar o Vale Florestar, um FIP com aporte inicial de R$ 605 milhões. Os recursos serão investidos na empresa Vale Florestar S.A. e a estruturação financeira será realizada pela Global Equity Administradora de Recursos, que ficará responsável pela identificação de novas oportunidades de investimento. Otávio Lobão Vianna, chefe do departamento de operações de meio ambiente do BNDES, disse que o Vale Florestar é o primeiro fundo florestal do BNDES. Segundo ele, o fundo poderá fazer investimentos em outros projetos de reflorestamento.

Funcef e Petros também entraram como investidores financeiros no FIP Florestal Brasil, constituído em 2009. O fundo também tem como cotistas a holding J&F, que controla a JBS (do setor de alimentos), e a MCL, cada uma com 25% de participação. Os fundos de pensão têm outros 25% cada um. Carlos Rosa, diretor financeiro da Florestal Brasil, disse que o projeto da empresa, cujo acionista é o FIP homônimo, tem prazo de implantação de sete anos e uma necessidade de capital para o período de R$ 1,6 bilhão. A meta é a formação de 210 mil hectares de florestas plantadas.

Do investimento total previsto, um terço corresponde ao aporte de propriedades, viveiros e florestas da Florestal Brasil, formada em 2007 por J&F e MCL; outros 33% ao aporte de Funcef e Petros; e a parcela restante a financiamentos. “O Florestal Brasil é o primeiro fundo do setor formado por investidores institucionais brasileiros”, disse Rosa.

Antes dele já havia fundos florestais formados com participação de investidores estrangeiros. Em 2008, foi constituído o Brookfield Brazil Timber Fund, administrado localmente pela Brookfield Asset Management. O fundo, com aporte inicial de R$ 700 milhões, tem participação majoritária da Brookfield. Outros cotistas são fundos de pensão da Europa, Estados Unidos e Canadá. Do aporte inicial, 42% estão investidos em florestas em quatro Estados do país, disse Silvio Teixeira, presidente da área florestal da Brookfield.

Outro fundo com participação de estrangeiros foi constituído pela RMS (Resource Management Service), um dos maiores “Timos” do mundo, que investiu em florestas no Brasil em benefício do fundo de pensão dos professores de Ontário, no Canadá, o OTPP. Fábio Brun, diretor para América do Sul da RMS, disse que a empresa está criando um fundo global com um grupo de investidores para investimento em florestas no Brasil, China, Austrália e Nova Zelândia.

A gestora Claritas também analisa fazer novos investimentos. Marcelo Sales, co-gestor dos fundos florestais da Claritas, disse que o FIP Florestas do Brasil foi constituído em janeiro de 2009 com aporte inicial de R$ 102 milhões.

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