Estruturas antigas ganham cara nova


(Gazeta do Povo) – 10/07/11

Técnica de retrofit adequa a edificação antiga às necessidades modernas e valoriza todo o seu entorno

Apesar de ainda pouco co­­nhecido do público geral, o segmento da construção ganhou um novo termo – o retrofit. A técnica é uma espécie de revitalização e atualização de antigos imóveis, sem modificar as estruturas originais, buscando aumentar a vida útil do empreendimento. O procedimento é bastante conhecido no exterior e, aos poucos, ganha espaço no mercado brasileiro.

Para o arquiteto Rodrigo Freire, sócio do escritório PROA Arqui­tetura & Planejamento, o retrofit é muito mais que uma simples re­­forma. Para ele, “retrofitar” o imóvel – o verbo não existe no dicionário, mas é largamente utilizado entre os profissionais – é dar um novo uso ao local. “É usar o mesmo corpo da construção, atualizar e dar uma nova finalidade, sempre preservando as propostas iniciais. É devolver para a cidade o imóvel, com outro uso”, explica.

O professor Orlando Ribeiro, coordenador do curso de Arquite­tura e Urbanismo da Universidade Positivo, destaca que os imóveis, após a implantação do retrofit, podem ganhar mais 25 anos de vida, por meio do uso de materiais contemporâneos. “O procedimento reconquista a valorização da unidade”, diz Ribeiro, responsável por um projeto de retrofit em um prédio no Centro de Curitiba.

Desafio
Um dos maiores desafios é a adaptação das instalações elétricas, destaca a arquiteta Juliana Cararo, professora do curso técnico em Design de Interiores do Centro de Educação Profissional de Design, Artes e Profissões (Cepdap). Escri­tórios atuais exigem uma maior distribuição de energia por conta da quantidade de equipamentos, como computadores, impressoras e ar-condicionado. “A distribuição de cargas de prédios construídos há 25 anos, por exemplo, costuma ser para dois, três andares ao mesmo tempo e são poucas as entradas de tomada. Se é mantido o projeto antigo, dependendo do negócio da empresa, volta e meia haverá corte de luz.”

A arquiteta aponta, ainda, o pé direito das construções, considerando que construções antigas não tiveram previsão de piso elevado para passar fiação. “O ideal é que o pé direito seja o mais alto possível, pelo menos três metros de altura. Com as instalações, perde-se cerca de 30 centímetros, mas mantém-se o pé direito com altura razoável”, avalia Juliana.

Na capital
Segundo os profissionais, o retrofit ainda é incipiente nos imóveis de Curitiba, mas a tendência é que aumente. “A técnica virá ao passo em que as localizações ficarem mais caras, além de ser um processo cultural que precisa de tempo”, diz Freire. “No momento, é bastante utilizado por restaurantes da cidade”, ressalta Ribeiro.

De acordo com Freire, o procedimento poderia ser utilizado em áreas degradadas ou abandonadas das cidades, para retomar a utilidade e incentivar a circulação das pessoas. Um bom exemplo internacional, segundo ele, é o bairro de Puerto Madero, em Buenos Aires, capital da Argentina. Lá, os edifícios industriais foram adaptados pelo governo local para outro uso. “Aqui isso poderia ser feito no bairro Rebouças, uma verdadeira jóia rara para esse processo.”

O retrofit oferece ganhos ao entorno. Além de um “novo” imóvel no cenário, o processo desperta obrigação dos vizinhos em preservar suas unidades. “Cria uma sinergia no local e a tendência é que a vizinhança invista em uma apresentação melhor”, destaca Ribeiro.

Conheça as diferenças entre os principais técnicas de revitalização:

Retrofit: Técnica de revitalizar antigos imóveis, sem modificar as estruturas original, buscando aumentar a vida útil e dar novo uso.

Reforma: Procedimento onde um novo projeto é implantado sem a obrigatoriedade de conservar as estruturas originais.

Restauração: Técnica que previne as deteriorações através da adaptação das condições externas – temperatura, umidade, iluminação, qualidade do ar – de forma a favorecer os materiais constitutivos do imóvel.

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