A ferrovia que deixa o Paraná sem destino


(Gazeta do Povo) – 28/06/12

O governo estadual precisa vencer a letargia e correr para evitar que o Porto de Paranaguá deixe de ser o destino das exportações agrícolas do Paraná e do Mato Grosso do Sul, que tenderão a ser despachadas pelo Porto de Rio Grande (RS). É o que vai acontecer se mantido o projeto de extensão e construção de ramais da Ferrovia Norte-Sul, cujo edital acaba de ser lançado pela Valec, a estatal federal responsável pelos projetos ferroviários do país. Os envelopes com as propostas serão abertos dia 7 de agosto.

Pelo edital, o trecho da ferrovia que interessa ao Paraná parte da localidade de Panorama, no interior de São Paulo, liga-se a um ramal procedente de Maracaju, no Mato Grosso do Sul, e desce em direção ao Rio Grande do Sul atravessando no sentido vertical as regiões Norte, Noroeste e Oeste do Paraná – as principais produtoras agropecuárias do estado. O destino final da ferrovia é o porto riograndense.

Há um detalhe importantíssimo: a Ferrovia Norte-Sul prevê o uso de “bitola larga” (distância entre os trilhos), incompatível com bitola estreia das ferrovias paranaenses que se dirigem para Paranaguá. Para que as cargas transportadas pela Norte-Sul se destinem a Paranaguá, o mínimo que se deve fazer é uma custosa (e economicamente inviável) operação de transbordo para as composições que trafegam pelas ferrovias Central do Paraná, Ferroeste e Curitiba-Paranaguá.

A tendência será uma só: as cargas seguirão direto para o Rio Grande, com enormes perdas para a economia do Paraná (porém com lucros de produtividade e eficiência para os exportadores, que serão melhor servidos pela nova ferrovia). Até pelo fato de que, como o destino de grande parte das exportações é a Ásia, a localização do Porto de Rio Grande oferece acesso mais rápido para o Pacífico.

O edital da Valec prevê a contratação de empresas para a elaboração de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental de acordo com o pré-projeto de traçado já definido pela estatal contemplando três lotes. Um dos lotes corresponde à ligação entre Panorama (SP) e Chapecó (SC), passando em território paranaense a quilômetros de distância de Campo Mourão e Cascavel, os principais centros produtores agropecuários do estado.

A produção do Mato Grosso do Sul também pode tomar destino oposto, seguindo a partir de Maracaju em direção ao Pará para atender às demandas da Europa e da América do Norte.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s