O que as startups estão fazendo para melhorar a logística brasileira


(Pequenas Empresas Grandes Negócios -G1: Juliana Murano) 4/06/2018

Setor precisa de inovação e o que não falta são problemas para startups solucionarem.

Havia sinal de que a chance da paralisação dos caminhoneiros acontecer era grande. É o que diz o consultor Paulo Oliveira, especialista em logística e pesquisador do FGVcelog, Centro de Excelência em Logística e Supply Chain, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Segundo ele, desde o ano passado, caminhoneiros e associações se mostravam insatisfeitos com o governo, junte isso ao aumento rotineiro dos preços dos combustíveis dos dias que antecederam a greve e está montado o cenário.

Com a greve ficaram ainda mais evidentes os problemas que o país enfrenta com logística, principalmente no item transportes. Não é à toa que a todo tempo surgem startups para melhorar a produtividade na área. Muitas procuram facilitar a distribuição de mercadorias nos centros urbanos, inclusive diversificando a modalidade de transporte, fazendo entregas de bicicleta, por exemplo. Essas empresas viram a procura aumentar com a paralisação.

Victor Castello Branco, fundador da Courieiros, startup que faz entregas de bike em São Paulo e Rio de Janeiro, conta que nessa semana viu a demanda multiplicar por cinco. Não só porque os clientes passaram a solicitar mais as entregas com ciclistas, mas também porque novos clientes passaram a procurá-los.

Oliveira explica que logística é um setor que tem muita cautela com inovação. Por conta das grandes dificuldades, quando encontra um modelo minimamente viável, a empresa se apega a ele. Diante da situação atual, as empresas, que até então estavam acomodadas com um único modelo e com o preço reduzido do frete, foram forçadas a testar novas alternativas, o que é um passo para as mudanças.

Para Oliveira, é importante pensar em diversificar a modalidade de transporte, usando não apenas veículos motorizados, mas também bicicletas e até entregas a pé, e também na possibilidade de compartilhamento. “Muitas empresas têm medo de arriscar o nível de qualidade da empresa e até informações da empresa, mas criar colaboração é fundamental”, completa.

O problema da logística está longe de ser apenas dentro das cidades. A queda na circulação de mercadorias na cidade de São Paulo, utilizando meios de transportes tradicionais ficou clara para o Aurélio De Pádua, diretor geral no Brasil da Foxtrot Systems. A empresa oferece otimização de rotas para motoristas utilizando inteligência artificial. Ele conta que nos primeiros dias de greve dos caminhoneiros não houve grande alteração, já que os centros de distribuição dentro e próximos da cidade estavam abastecidos. “Nas cidades, a gente entrega mercadoria de carro, de moto, bicicleta e até a pé”, explica. O que obviamente não é possível nas entregas de grandes volumes, fora das cidades e em distâncias mais longas.

A queda no tráfego de dados da plataforma começou a ser percebido no quinto dia de paralização, quando não foi possível dar vazão a produção por conta de bloqueios nas estradas.

Oliveira explica que nesse caso não existe muita alternativa. Ou seja, na logística primária, no transporte da mercadoria dos polos produtores até os centros consumidores, dificilmente é possível abrir mão dos caminhões. Porém, isso não quer dizer que não existam alternativas para otimizar esse serviço.

O especialista cita uma startup que conecta cadeias de abastecimento com rotas complementares. Por exemplo, uma empresa precisa enviar produtos para o Rio de Janeiro, mas não tem produto a oferecer para o mesmo caminhão retornar lotado. Ao mesmo tempo, uma empresa do Rio pode precisa levar mercadoria para Minas Gerais.  A startup coloca as duas em contato e o processo é otimizado. A empresa ganha por que o frete fica mais em conta e o motorista do caminhão ou transportadora podem faturar mais.

É um ganha-ganha, mas Oliveira alerta que essa otimização pode diminuir o número de caminhões necessários para transportar a mesma quantidade de mercadoria, o que geraria mão de obra ociosa.

Outra discussão importante que foi intensificada com a greve é a dependência de uma única fonte de energia. Primeiro, porque qualquer aumento de preço nos combustíveis fósseis pesa no cálculo dos fretes, o que foi o estopim para a paralisação. Segundo, porque faltou combustível nos postos e boa parte dos serviços de transporte ficou prejudicada. E já existem alternativas, veículos a gás e elétricos, por exemplo.

As atividades começam agora a entrar nos eixos, mas especialistas falam em até 15 dias para que entregas sejam regularizadas. Nesse momento, mais do que balanços sobre o que passou, o importante é colocar em prática lições apreendidas na crise. Ideias que ficam: diversificação, compartilhamento e colaboração.

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