Os novos nomes da construção no Paraná


(Gazeta do Povo) – 16/12/07

Capitalizadas, grandes empresas do Rio e São Paulo assumem investimentos pesados no mercado local

Com uma verdadeira fortuna em caixa e obrigação de colocar este dinheiro para girar, grandes construtoras e incorporadoras brasileiras estão girando os olhos para fora do eixo Rio-São Paulo. O movimento é nacional, mas pode ser observado com bastante força em Curitiba, o mais novo alvo do ataque das grandes companhias. Recentemente, elas anunciaram parcerias, fusões e joint ventures com empresas locais – que conhecem o mercado curitibano mas não têm, nem de perto, seu poder de fogo. E agora vêm com tudo.

As parcerias firmadas entre Rossi e Thá, PDG Realty e LN e, mais recentemente, a Goldsztein Cyrela e o Grupo Dória vão culminar no lançamento, no ano que vem, de empreendimentos que devem somar R$ 1 bilhão no chamado Valor Global de Venda (VGV).

Entraram sozinhas (em parceria com imobiliárias) a Gafisa e a Abyara, de São Paulo. Esta última acaba de lançar um mega-empreendimento de 500 unidades no Cristo Rei, cujo investimento não divulga, com uma tática pouco usual no mercado curitibano. Tática de guerrilha, frise-se.

“Estas empresas não conseguiriam, só em São Paulo e Rio de Janeiro, abastecer uma demanda por resultados que elas mesmas criaram. Elas tiveram que entrar em regiões inóspitas por meio de parcerias”, avalia Sandro Westphal, diretor financeiro do grupo paranaense Thá, que há dois anos firmou joint venture com a Rossi, uma das três maiores incorporadoras do Brasil.

Esta demanda por resultados de que fala Westphal refere-se à abertura de capital das incorporadoras. Só este ano, 18 empresas lançaram ações em bolsa, e captaram cerca de R$ 11,5 bilhões. Em 2006, foram 9 companhias, e captação de quase R$ 6 bilhões. Com tanto dinheiro no bolso, chegou a hora de investir para dar retorno aos acionistas.

“Elas viriam de qualquer maneira. Não tem como impedir uma Cyrela ou uma Rossi de vir para Curitiba. Se não investem, elas perdem valor e não sobrevivem”, afirma Marlus Cesar Dória, diretor comercial do grupo Dória. O grupo acaba de se juntar à Goldsztein Cyrela para investir R$ 150 milhões no ano que vem em Curitiba e região. A própria Goldsztein Cyrela é resultado de outra parceria, entre o grupo gaúcho Goldsztein e a gigante Cyrela, maior empresa do setor no país, com valor de mercado que ultrapassa os R$ 10 bilhões. A Cyrela captou R$ 838 milhões em seu IPO (oferta pública inicial de ações) no ano passado.

Na tentativa de “abrir o mercado a foice”, o caminho mais fácil para as grandes foi a união com empresas locais – o que parece ser bom negócio para ambas. “Elas precisam rapidamente de inteligência local”, diz Sandro Westphal, da Thá. “Não adianta chegar simplesmente com recursos financeiros em Curitiba sem fazer um bom trabalho”, completa Marlus Dória. Ele desconfia da viabilidade em Curitiba de empreendimentos no estilo “condomínio-clube”, que são sucesso em São Paulo. “Curitiba é um mercado muito diferente. A idéia é que a gente não caia no exagero.”

Michel Wurman, vice-presidente da PDG Realty – que acaba de se unir à paranaense LN – reforça que o mercado imobiliário é cheio de peculiaridades, e chegar a uma praça sem um parceiro que conheça bem a realidade pode não ser bom negócio. A PDG captou, este ano, quase R$ 1,5 bilhão com lançamento de ações e debêntures, e planeja lançar com a LN entre dois e cinco empreendimentos por ano em Curitiba, continuamente. “No Brasil inteiro o mercado imobiliário está pronto para decolar, principalmente pelo financiamento de longo prazo.”

Amaryllis Romano, da consultoria Tendências, lembra que o assédio das grandes empresas sobre outras menores tem ocorrido em nível nacional. “Não é um movimento diferenciado em Curitiba. As empresas estão diversificando de maneira geral. É diversificação de renda.” Ela frisa que os grandes centros imobiliários, como São Paulo e Rio de Janeiro, continuam bastante aquecidos. A corrida para novos mercados encontra explicação principalmente no bom momento econômico vivido pelo Brasil, com estabilidade, aumento da massa real de salários, crédito abundante e queda na taxa de juros. “O futuro morador vê horizonte para colocar um imóvel no orçamento dele.”

O diretor comercial do grupo Dória também não vê saturação no eixo Rio-São Paulo. “Há bastante concorrência. Mas o mercado lá pra cima tem muito espaço para crescer. Se compararmos o Brasil com México e Chile, dá para ver que nosso mercado ficou muito tempo parado.”

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