Cristiano Viana
A Cyrela Brazil Realty está prestes a se tornar uma companhia que faz “barba, cabelo e bigode”, como já se brinca no mercado imobiliário. Na liderança da incorporação residencial e disputando o topo da incorporação e administração comercial (edifícios corporativos, shoppings e imóveis industriais), a empresa pode finalizar dentro de dois meses a aquisição da imobiliária Abyara.
Incorporadores concorrentes e analistas do mercado já vinham acenando uma posição da imobiliária em busca de bons parceiros para fusão ou mesmo de um bom comprador. “A Abyara está se oferecendo”, afirma um executivo à frente de incorporadora carioca. Criada em 1995 para consultoria e corretagem, a Abyara passou a atuar também em incorporação para incrementar receita e tornar o negócio mais dinâmico. Em abril, atraiu o fundo do Morgan Stanley, que detém 22,1% da empresa.A entrada em incorporação lhe rendeu críticas de concorrentes como Lopes – que por isso mesmo não estaria interessada na compra, além de ter feito um alto desembolso recente, de R$ 210 milhões, pela carioca Patrimóvel. Outra que desponta nesse segmento é a Brasil Brokers, que tem nas aquisições a principal estratégia de crescimento. A empresa tem feito consecutivas mas econômicas compras desde que abriu capital, com a Frema, na quarta-feira . No terceiro trimestre de 2007, somou vendas de R$ 887 milhões, contra R$ 635 milhões da Abyara no período.
Em fevereiro, a empresa comunicou a desistência da oferta de ações pelo momento desfavorável do mercado, mas precisa de uma nova forma de capitalização.
A briga entre imobiliárias esquentaria e muito com a Cyrela entrando de vez no páreo da corretagem. A Cyrela mantém um braço próprio de vendas, a Seller, mas que não é gerador de receita. É focada na comercialização de estoque remanescente – o que não é vendido no esforço comercial do lançamento. “Algumas vezes dá prejuízo porque a empresa atrái corretores com comissões maiores, enquanto o valor de venda encolhe”, diz um incorporador concorrente que optou por não ter corretora interna.
Dentro da Cyrela, a compra da Abyara não é confirmada nem negada. “Pode acontecer”, desconversa um executivo da empresa. A posição oficial é que a Cyrela não vai se pronunciar sobre o assunto. Está em período de silêncio por conta da divulgação de resultado anual agendada para a próxima semana.
Já a Abyara negou estar realizando qualquer negociação de venda de controle. “A Abyara reforça que, em razão de seu excelente resultado em 2007, tem sido procurada por grupos de investidores interessados em adquirir participação acionária”, disse em comunicado. A discussão nos bastidores é como a Cyrela driblaria a apreensão de concorrentes de colocar seus lançamentos nas mãos de uma rival. “A Cyrela passou anos sem divulgar a Seller justamente porque não era estratégico criar uma competição com parceiras de vendas”, diz um concorrente.
É o segundo avanço (ou tentativa) da empresa às compras este ano. Em fevereiro, o mercado aguardava o anúncio de absorção da Company, que também se daria por troca de ações, como no caso da Abyara. “Mas na ”hora H” a Cyrela apareceu com um contrato diferente e a empresa deu para trás”, diz uma fonte interna da Company.