Steel frame – Como Especificar


(Revista Arquitetura e Urbanismo) – ago/09

Quando o assunto é o sistema construtivo light steel frame, em perfis de aço galvanizado, o que se costuma lembrar é da rapidez de execução da obra, de como o sistema permite calcular precisamente a quantidade de material utilizado, e da limpeza da obra e do canteiro, por ser um sistema seco. Mas, na hora de projetar pensando em construir neste sistema, o arquiteto precisa tomar alguns cuidados para que o resultado seja satisfatório.

O primeiro é saber que se trata de um sistema industrializado e que, por isso, é formado por materiais com medidas específicas. Se o arquiteto trabalhar as medidas conforme a modulação desses materiais, conseguirá melhor aproveitamento, evitando cortes e emendas que significariam desperdício de dinheiro e de tempo. E também evitam futuras patologias.

“O projeto ideal em steel frame é aquele que trabalha em cima da modulação do sistema”, afirma o arquiteto Luciano Andrades, do escritório gaúcho Studio Paralelo. As placas cimentícias usadas para revestimento, por exemplo, possuem 1,20 m de largura x 2,40 m de altura. Por isso é possível trabalhá-lhas em conjunto com as placas de gesso acartonado de 40 a 60 cm que, multiplicadas, atingem a medida de 1,20 m.

Andrades afirma que somente as placas OSB fogem um pouco ao padrão por serem medidas em polegadas e ficam um pouco maiores que as cimentícias (1,44 m x 2,44 m), o que não chega a ser um problema. “Seguindo a modulação é possível estimar o número exato de material que será utilizado, sem sobras ou desperdício”, confirma o arquiteto que está realizando o segundo projeto em steel frame do Studio Paralelo. O primeiro foi bem-sucedido, resultando em uma casa industrializada na Mata Atlântica, em São Francisco de Paula, a 100 km de Porto Alegre (AU 177). “Essa primeira experiência foi suficiente para conhecermos todos os componentes do sistema e fornecedores. Agora estamos projetando uma residência que será toda em steel frame. A laje será totalmente seca, ao contrário da casa anterior que tinha laje de concreto”, confirma.


Implantação em meio à mata

A casa industrializada na serra próxima a Porto Alegre (AU 177) foi modulada em 1,20 m x 1,20 m. A construção foi rápida e com mínima agressão ao entorno: desconsiderando o tempo para cura da laje de concreto, a obra foi executada em pouco mais de dois meses.

fotos Eduardo Aigner

FICHA TÉCNICA
ARQUITETURA Studio Paralelo
ANO
2006/2007
EXECUÇÃO
Sull Frame
STEEL FRAME
Formac Brasil
GESSO ACARTONADO E LÃ DE ROCHA
Placo Center
OSB
Masisa
MEMBRANA IMPERMEABILIZANTE Tyvec/DuPont

Mas se o projeto não foi pensado inicialmente para o steel frame, isso não significa que seja impossível executá-lo nessa técnica. Tudo depende do tamanho da obra. “Para uma única edificação não faz grande diferença projetar com medidas padrão para steel frame, porque se perde pouco material nas adaptações. A diferença será considerável em um conjunto habitacional ou condomínio com muitas casas, por exemplo”, afirma o arquiteto Alexandre Kokke Santiago, da empresa Flasan, especializada em sistemas construtivos de aço.

Essa característica foi comprovada pelo arquiteto Rodrigo Marcondes Ferraz, do escritório FGMF, que está desenvolvendo um conjunto de cerca de mil casas com a tecnologia steel frame no interior do Estado de São Paulo. “Neste caso, não basta fazer um projeto qualquer e depois construí-lo em steel frame. As questões da modulação, da estrutura dos fechamentos e das aberturas devem ser levadas em conta para se obter um projeto coeso e com um custo de construção viável”, explica, frisando que optaram pelo sistema pela grande quantidade de casas e pela repetição de modelos e de tipologias, que variam de 50 a 100 m². “Por ser um sistema industrializado, permite-se que todas as casas sejam construídas em um curto espaço de tempo, com pouca mão de obra e, consequentemente, menor custo”, enumera.

O steel frame, mesmo sendo um sistema com seus próprios materiais de fechamento, piso e cobertura, permite a utilização de acabamentos comuns em outros sistemas construtivos. “Os acabamentos podem ser os mesmos da obra de alvenaria, como o mármore, texturas, pastilhas de vidro e cerâmica, desde que o cálculo esteja correto”, afirma o arquiteto Alexandre Santiago. Dessa forma, o resultado pode ser mais familiar ao gosto nacional. O que não pode faltar é a estrutura, em perfis de aço galvanizado, colocadas com espaçamento definido em cálculos estruturais e seguindo normas bem específicas quanto ao dimensionamento de perfis e forma de construção. Aliás, como em todo projeto, os cálculos devem ser seguidos à risca e refeitos em caso de quaisquer mudanças como troca de paredes e de materiais.

A instalação de tubulações de água, energia e gás utilizam materiais comuns no mercado, mas são mais fáceis e rápidas de executar no sistema steel frame. “Os profissionais de elétrica e hidráulica que conhecem a construção em frames costumam cobrar menos pelo serviço, pois sabem que terão menos trabalho em instalar”, explica Santiago.

Outra facilidade está no uso de mantas de isolamento acústico. Pode-se colocar maior quantidade de mantas de lã de rocha para isolar melhor uma sala que será um estúdio musical, por exemplo, sem precisar reforçar a estrutura das paredes. E, com o aumento do uso do steel frame no País, alguns erros do passado não acontecem mais. “No início soubemos de obras em que vizinhos que dividiam a mesma parede ouviam todas as conversas um do outro, porque as paredes estavam ocas, por falha da obra que foi feita sem o devido isolamento acústico”, conta Andrades.

Aos poucos a construção em steel frame está se popularizando e cada vez mais os profissionais têm acesso a informações sobre o sistema. “Existem diversos manuais sobre como projetar com esta tecnologia, disponíveis na internet ou em publicações do setor. Além disso, as empresas siderúrgicas dão suporte a este tipo de construção, tecnologia ainda pouco utilizada no Brasil. No nosso caso, por exemplo, os fornecedores dão total suporte”, confirma Rodrigo Marcondes Ferraz.

Também existem poucas limitações para projetar em steel frame. Segundo Alexandre Santiago, uma delas é a altura: uma obra pode ter até cinco pavimentos, seguindo cálculos rigorosos, lembrando que mesmo em andares múltiplos as paredes continuam sendo autoportantes.

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Um comentário sobre “Steel frame – Como Especificar

  1. Visto que se fala sobre o Light Steel Frame (Framing) neste blog, aproveito para informar que existe um site em português com centenas de páginas sobre este sistema construtivo. É desenvolvido por um gabinete de engenharia de Portugal e assim pretende ser uma enciclopédia onde se tiram dúvidas de técnicos e do público em geral.

    Aqui estão os endereços:

    http://futureng.wikidot.com
    http://www.facebook.com/pages/FUTURENG/123938944285624

    Espero que seja útil para responder a questões existentes. Também podem ser colocadas dúvidas que serão respondidas sempre que possível.

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