Com Agre, PDG vende um ano em um semestre


(valor Econômico) – 13/07/10

Egressos do mercado financeiro, os gestores da PDG Realty costumam ter pressa. Para vender, para gerar resultado, para crescer. A compra da Agre adiantou – e muito – o crescimento da empresa. Em um semestre de resultado consolidado, a incorporadora que nasceu como braço imobiliário do Pactual, já vendeu R$ 2,91 bilhões a mais do que no ano passado inteiro. Agora, a pressa está em integrar as operações e apresentar ao mercado uma companhia sem a herança de dívidas caras e de atraso de obras – que veio no mesmo pacote que garantiu à PDG a liderança do setor.

A compra da Agre alçou a PDG Realty a um novo patamar, como já era esperado. No acumulado do primeiro semestre, os dados consolidados indicam vendas de R$ 2,91 bilhões, mais do que a PDG vendeu em 2009 inteiro (R$ 2,7 bilhões). Os lançamentos da “nova” PDG somaram R$ 2,8 bilhões no semestre, abaixo, mas perto dos R$ 3 bilhões que a empresa lançou sozinha em 2009.

No segundo trimestre, a PDG lançou R$ 1,8 bilhão, praticamente o dobro dos resultados de PDG e Agre entre abril e junho do ano passado. As vendas atingiram R$ 1,56 bilhão, 54% acima do R$ 1 bilhão vendido pelas duas companhias. “Atingimos 41% da previsão de lançamentos do ano, de R$ 7 bilhões”, diz Michel Wurman, diretor financeiro da PDG.

A pressa dos gestores da PDG em reestruturar as dívidas é grande. “Até o fim de agosto e começo de setembro teremos terminado de reestruturar as dívidas”, afirma Zeca Grabowsky, presidente da PDG. Segundo o executivo, a empresa usou o nome PDG para conseguir recursos do Sistema Financeiro de habitação (SFH) para as obras elegíveis ao sistema. Com dificuldade de acesso ao crédito, a Agre tocava boa parte das obras com recursos próprios. A PDG também está securitizando os recebíveis que a Agre tinha em carteira e emitiu notas promissórias no valor de R$ 300 milhões para compor suas necessidades de caixa de médio prazo.

Paralelamente, a PDG analisou onde poderia haver sobreposição geográfica e fez mudanças relevantes. Em vez de vender 70% da Asa – braço da Agre de baixa renda – como anunciou na ocasião da aquisição da Agre, comprou os 30% dos minoritários. De acordo com Grabowsky, a Asa irá atuar em Minas Gerais, Belém, Manaus e Natal. “Esses são os mercados onde achamos que a operação pode crescer bem”, afirma o presidente da PDG. Nos outros mercados, o banco de terrenos da companhia foi redirecionado para CHL e Goldfarb, duas outras controladas da PDG. “Nesse caso, a Agre entra como parceira e permutante, mas cada grupo de executivos cuida de um local”, diz Grabowsky.

Assim que a Agre foi comprada, 35 pessoas foram demitidas. “Com crescimento do mercado, não precisaremos cortar mais ninguém”, diz. Os fundadores de Agre, Goldfarb e CHL continuam tomando conta de cada área – sob a gestão financeira e estratégica da PDG – mas a empresa decidiu acabar com as marcas, cada uma com forte presença em seu mercado.

Depois de uma pesquisa sobre marcas, a PDG decidiu adotar o nome da marca mãe – familiar para os investidores, mas desconhecida do público final – em todos os empreendimentos. Não vai fazer uma campanha institucional, como fez a Agre antes de ser comprada pela PDG, para comunicar a mudança. “Usaremos a mesma verba que teríamos em cada lançamento, sempre com a nova linguagem”, diz Wurman. “Como anunciamos muitos os empreendimentos em jornais, acreditamos que haverá uma assimilação por repetição”, afirma.

Quanto às obras em atraso, principalmente de Klabin Segall e Abyara (compradas pela Agre), os canteiros foram retomados e os clientes chamados, segundo Wurman. “De 12 a 18 meses, vamos zerar os problemas de atraso.”

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