Diretores de obra e consultores destacam a importância do planejamento para contornar gargalos atuais da construção


(Piniweb, Mauricio Lima) 2/03/2011

Em seminário realizado pela PINI, especialistas defendem industrialização das obras, sistemas de gestão mais eficazes e uso de ferramentas como BIM para aprimorar o planejamento.

Durante o seminário “Gerenciamento de Obras: Tecnologia, Planejamento e Coordenação de Projetos”, realizado nesta terça-feira pela PINI em São Paulo, o diretor técnico da Tecnisa, Fabio Villas Boas, destacou que, mesmo com um bom planejamento, interferências e imprevistos, como indisponibilidade de fornecedores e falta de mão de obra, devem acender a luz amarela nas construtoras. Por isso, “as construtoras precisam ter um Plano B, C, D…”, alertou o engenheiro.

Segundo Villas Boas, o planejamento é um processo dinâmico, que precisa ser realizado de forma global, e não em etapas. Ele citou o exemplo de um empreendimento da construtora em Santos, no litoral de São Paulo, onde, devido ao tamanho e à dificuldade de transporte do material, foi necessário firmar parceria com o fornecedor de blocos de concreto para a construção de uma nova fábrica em Itanhaém, também no litoral, e assim suprir a necessidade da construtora. Para o engenheiro, as construtoras não devem descartar alternativas que às vezes parecem fora do alcance. “Quem pensaria em ajudar um fornecedor a construir uma fábrica? Mas esta era a solução”, destaca.

Para falar sobre aspectos de orçamento, a PINI levou ao seminário o engenheiro Pedro Antonio Badra, diretor do SBD (Sistema Badra de Dados Associados). Para ele, há cinco fatores indispensáveis em um bom orçamento e devem ser observados à risca: Memória de cálculo, um Quadro de Distribuição de Quantidades (QDQ), uma planilha orçamentária, planejamento e acompanhamento da obra.

Badra orientou boa parte de sua exposição ao uso da modelagem de informação, o BIM, aplicada aos orçamentos. “Podemos falar que 95% do orçamento de projetos pode ser feito pelo BIM”, disse Badra. Ele enalteceu a capacidade desta plataforma para se obter maior precisão nos quantitativos e, assim, chegar a custos mais próximos da realidade de obra. Segundo o consultor, o maior problema das empresas continua sendo a incapacidade de medir produtividade, seja por causa da diferença de perfil das obras ou falta de uma cultura de padronização de serviços.
Segundo o engenheiro civil Silvio Melhado, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) e autor de vários livros sobre sistemas de gestão, o bom planejamento não é aquele que apenas prevê os problemas mas que ajuda a contorná-los mais cedo. Melhado mencionou um levantamento informal que aponta o mau planejamento como causa de 46% das patologias encontradas em edifícios.

O professor chamou a atenção para a diferença de concepções do projeto sob o ponto de vista de cada um dos agentes. Com uma charge humorada, ilustrou como projetistas, investidores e o construtor podem “distorcer” a realidade das obras. Por isso, lembrou o papel do sistema de gestão na integração das ideias para construção do empreendimento.

A falta de mão de obra qualificada foi apontada pelo diretor de operações da Cyrela, Antonio Carlos Zorzi, como o principal desafio do setor. Segundo ele, a empresa trabalha atualmente para a retenção de mão de obra qualificada em áreas específicas para a construção, como carpintaria e instalações hidráulicas e elétricas.

Segundo Zorzi, há também a preocupação com o gerenciamento da obra. Na cyrela, quando qualquer mudança é necessária, o responsável dever aprovar e formalizar uma ação em um sistema online, para que seja feito, se necessário, um novo planejamento para as ações futuras no empreendimento.

Para falar do atual estágio tecnológico, a PINI convidou o pesquisador do Cetac-Centro Tecnológico do Ambiente Construído, do IPT, Ercio Thomaz, especialista em patologias da construção. Segundo o pesquisador, nunca houve uma gama tão vasta de alternativas tecnológicas, mas que os sistemas à base de concreto, como a alvenaria estrutural e os painéis pré-moldados, devem continuar, junto com as estruturas reticuladas e alvenaria comum, a dominar o segmento de construções residenciais. Ercio alertou para o papel dos engenheiros de impor limites aos economistas, investidores e administradores, em alusão ao conflito entre área técnica e área financeira. Por exemplo, os riscos exacerbados com desforma muito rápida de lajes, a falta de cuidados com a segurança e de controle de qualidade. “As construtoras devem capacitar seus funcionários para uso de novas tecnologias mas também racionalizar o que já é feito com tecnologias tradicionais, ou seja, levar mais engenharia para as obras”, disse.

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