“Schrebergarten” é moda nas grandes cidades alemãs


(www.dw.de/dw) – 20/08/09

O “Schrebergarten”, jardinzinho urbano, foi inventado no país e é comum de norte a sul. Sua má fama de caretice, contudo, é coisa do passado. Adotado por artistas e designers jovens, ele está mais na moda do que nunca.

O número de jovens que resolvem arrendar um Schrebergarten na Alemanha aumenta a cada dia, entre outros em Berlim, já que a capital do país é um verdadeiro paraíso dessas pequenas propriedades.

Tais jardins com suas pequenas casas são construídos em terrenos que pertencem ao Estado, normalmente administrados por associações, podendo ser arrendados por interessados em geral. Os custos são baixos e a lista de espera, dependendo da localização, longa.

Entre as famílias com crianças em bairros como Prenzlauer Berg e Kreuzberg, em Berlim, tornou-se uma verdadeira moda a procura por essa faixa verde no meio da selva de pedra. Um de seus adeptos convencidos é o escritor russo radicado na cidade Wladimir Kaminer, autor de um livro sobre o assunto – Mein Leben im Schrebergarten. Ein Roman (Minha vida no Schrebergarten. Um romance).

Extravantes e coloridas
Frank Schönert observa há anos o fenômeno. Cofundador do escritório de arquitetura Hütten & Paläste, ele vem projetando jardins extravagantes, coloridos e modernos, que em quase nada lembram os clichês de um Schrebergarten tradicional.

Mas elas ainda existem, as casas que Schönert tanto detesta. “Aquela casinha clássica do jardim, que achamos tão horrorosa, de madeira escura, com pé-direito baixo, muitos cômodos apertados, excessivamente cheios de móveis, com três sofás, quatro geladeiras e nenhum acesso ao jardim. Esse é o tipo de casa de que não gostamos”, explica.

A maioria dos jovens arrendatários urbanos desses jardins tem até vergonha de gastar dinheiro com a casa. Eles tiram, primeiro de tudo, aquelas folhagens horríveis, substituindo por flores ou legumes. E só quando sobra algum dinheiro é que vão possivelmente investir na construção de uma casa.

Jovens, urbanos e com crianças
“Em nossos projetos, as casas têm grandes passagens para o jardim, muita luz e, em sua maioria, um único espaço grande e claro. Não há tetos baixos ou coisas do tipo”, diz Schönert. Com projetos deste tipo, os jovens arquitetos visam clientes em busca de algo diferente e que por isso procuram um Schrebergarten. São jovens urbanos com crianças, que optam conscientemente pela vida nas grandes cidades.

É o caso de Thekla Fery, que arrendou há quatro anos um Schrebergarten e para quem o estilo dos proprietários dessas casinhas e jardins mudou muito nos últimos tempos. “Quanto mais natural e diversificado, melhor. Se alguém reclamar da grama, não importa. O importante é que as cercas vivas estejam aparadas e os caminhos, limpos. E que a pausa de almoço seja respeitada”, observa Fery, que é paisagista e investiu muito em seu jardim.

Os resultados, diz ela, são ótimos. E o mesmo vale para os terrenos vizinhos na “colônia” de jardins no bairro de Schöneberg, em Berlim. “Aqui tem jardins superbonitos, fabulosos, com casas lindas. E cada vez mais famílias. Já mantenho o jardim há quatro anos. De lá pra cá, a maioria dos que vão sendo desocupados é arrendada por pessoas com crianças pequenas”, conta Fery.

Desordem: trauma alemão
Essa é também a impressão do escritor Kaminer, que costuma frequentar a lista de best-sellers do país. “Entre nós está havendo, com certeza, uma troca de geração. Muitos amigos meus já têm um jardim”, conta ele. De início, Kaminer teve suas dificuldades com a meticulosidade alemã e com as proibições e ordens nessas “colônias” de jardins.

Mas o escritor não se deixou abalar, mantendo o bom humor em seu pequeno paraíso verde. Pois por trás de todas as histórias hilárias em torno de um Schrebergarten, há mais o que descobrir, diz ele. “Esse é o lugar onde o urbano encontra a natureza, onde ele se integra na comunidade e onde há uma relação com o passado. Pois essa tradição de Schrebergarten também carrega muito de sua própria história”, comenta Kaminer.

Integrar-se completamente num desses jardins é uma tarefa difícil até mesmo para boa parte dos alemães. Kaminer conseguiu essa proeza e mantém seu olhar russo sobre esse fenômeno tipicamente alemão: “Esse é um trauma alemão. Se há algo que o alemão não consegue suportar é a desordem, ela destrói as pessoas neste país. Nesses jardins, elas têm a possibilidade, de fato, de viver essa utopia da ordem absoluta, mesmo que isso pareça exagerado”, analisa o escritor.

Caras viradas
Enquanto Kaminer traz um pouco da cultura russa ao Schrebergarten alemão, o escritório de arquitetura Hütten & Paläste aposta em novas cores e formas. Quando seu proprietário Frank Schönert começou a projetar as primeiras casinhas coloridas, apareceram as primeiras caras viradas e olhares tortos. Entre outros, por causa de uma de nome Mila.

“Ela é listrada de branco e amarelo. De início, ficaram todos chocados, exceto a mulher que tinha encomendado o projeto. Ela ficou felicíssima. A casa passou a ser chamada, dentro de pouco tempo, de ‘leite com limão’. E todo mundo ficou feliz. Ou seja, as pessoas precisam, antes de tudo, se acostumar com o fato de que uma casinha num jardim desses também pode ser supercolorida”, afirma Schönert.

E de uma coisa pelo menos ele está certo: “Mesmo que a moda dos pequenos jardins nas cidades não seja um fenômeno de massa, ela é pelo menos uma sementinha”.

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