Volume de lançamentos despenca


(Gazeta do Povo) – 21/07/12

Depois da fartura de novidades nos últimos dois anos, o número de alvarás liberados para novas construções em Curitiba recuou 31% de janeiro a maio

A demanda mais fraca e a grande oferta de imóveis no mercado fez despencar a quantidade de lançamentos imobiliários nos últimos meses. Depois da fartura de novidades nos últimos dois anos, o volume de novos empreendimentos caiu até 80% em relação ao ano passado entre as grandes construtoras e incorporadoras do país. Em Curitiba, o volume de alvarás liberados recuou 31% de janeiro a maio em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), para 8 mil unidades.

Recentemente, a PDG Realty, maior incorporadora do país, surpreendeu o mercado e reduziu pela metade a previsão para 2012 – de entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões para entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões. No segundo semestre, a empresa já havia reduzido em 80,3% o volume de lançamentos em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 404 milhões.

O caso da PDG não é isolado. A Gafisa diminuiu em 60% o volume de lançamentos no segundo trimestre, para R$ 546,5 milhões, pressionada pelos altos custos e pela demanda mais fraca. A Cyrela reduziu o ritmo de lançamentos no primeiro trimestre em 22,8% em relação ao mesmo período do ano passado – foram dez empreendimentos no Brasil, com valor de R$ 889,9 milhões. A Rossi, na mesma base de comparação, reduziu em 12% (de R$ 764 milhões para R$ 673 milhões).

Em Curitiba, o mercado deve lançar 18% menos em 2012, segundo projeção da Brain Consultoria, especializada no setor. O volume, que chegou a 16 mil no ano passado, deve cair para algo entre 12 mil e 13 mil unidades, segundo Fábio Tadeu Araújo, sócio da consultoria. O montante de alvarás liberados para novas construções deve recuar 28%, para cerca de 18 mil. “Não dá para pensar que o mercado vai crescer todo os anos. O imóvel é um ativo, não um bem de reposição. O mercado imobiliário de Curitiba passa agora a se aproximar do tamanho real. Havia uma demanda reprimida muito grande, que já foi atendida. Daqui para frente o setor vai atender a demanda natural”, afirma.

O presidente do Sinduscon no Paraná, Normando Baú, aposta em um recuo de até 10% neste ano, para perto de 9 mil unidades (a entidade considera apenas os empreendimentos com mais de quatro pavimentos). “As empresas locais sempre foram mais comedidas e olharam muito mais o mercado imobiliário que o mercado financeiro. Mas é evidente que a velocidade de venda está menor e algumas regiões de Curitiba ainda têm uma oferta grande imóveis, como é o caso da região Sul”, diz.

De janeiro a maio, a velocidade de venda sobre a oferta de imóveis novos ficou em 9,55%, contra 10,54% no mesmo período do ano passado. Além disso, entre 2012 e 2013 o mercado deve receber uma enxurrada de entregas de imóveis que foram lançados há dois ou três anos – serão cerca de 18 mil unidades, o que ajuda a pressionar a oferta.

Para o Sandro Wesphal, CEO da Thá, no entanto, a conjuntura continua favorável para a aquisição do imóvel. Além da queda dos juros e da ampliação dos prazos de financiamento de 30 anos para 35 anos, o chamado bônus demográfico deve garantir demanda para o mercado. Mas o endividamento da população pode adiar a compra da casa própria. A Thá vai lançar sete empreendimentos em 2012, com Valor Geral de Venda (VGV) de cerca de R$ 500 milhões. Apesar de manter o mesmo padrão do ano passado, a empresa reavaliou alguns mercados. “Decidimos, por exemplo, não lançar mais nada em Itajaí (SC) e nos concentrarmos em Curitiba, Londrina e Balneário Camboriú”, diz.

Curitiba tem 12 mil “apês” em estoque
A capital paranaense conta hoje com um estoque estimado em 12 mil unidades novas no mercado, o que tem levado muitas incorporadoras a promover descontos e feirões, para desovar seus volumes, estratégia semelhante a que já é adotada pelo setor automotivo.

As empresas do setor consideram que parte desse estoque foi engordado pela grande quantidade de lançamentos com perfis semelhantes, muitas vezes em regiões e pontos da cidade semelhantes também, o que ajudou a sobrecarregar a oferta em determinados mercados. “Houve lançamento desmedido em lugar errado. E há empresas com produtos encalhados, que estão vendendo com prejuízo”, diz Luiz Gustavo Salvático, gerente regional da Plaenge em Curitiba.

Para o CEO da Thá, Sandro Westphal, esse é um dos sinais de imaturidade do setor no Brasil. “Houve uma oferta abusiva, o que pressiona resultados principalmente das companhias de capital aberto, que agora fazem o caminho de volta para casa”, diz.

O mercado está mais difícil também porque o comprador dá sinais de que não está mais disposto a suportar um novo ciclo de alta de preços – que chegaram a subir 46% desde 2009 – e, com a grande oferta de unidades no mercado, vem avaliando melhor a compra, inclusive aquela na planta.

Financiamentos perdem fôlego
O ritmo de financiamentos imobiliários também refletiu a demanda mais fraca. De janeiro a maio, os empréstimos do setor com recursos da poupança atingiram R$ 29,6 bilhões, um aumento de 1,4% ante ao mesmo período de 2011. Em maio, eles somaram R$ 6,3 bilhões, o que representou uma queda de 11% na comparação com o igual período de 2011, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Nos primeiros cinco meses do ano foram financiadas 172,5 mil unidades em todo o Brasil, 9% menos que no mesmo período de 2011.

No ano passado, os financiamentos imobiliários haviam alcançado R$ 79,9 bilhões, recorde histórico no país, com crescimento de 42% sobre o ano anterior.

A previsão é que a redução da taxa de juros e o anúncio em maio da Caixa Econômica Federal (CEF) de ampliação do prazo de financiamento de 30 anos para 35 anos façam com que os empréstimos voltem a crescer a partir do segundo semestre. Segundo o economista Fábio Tadeu Araújo, sócio da Brain Consultoria, o aumento do prazo de pagamento da casa própria corresponde a uma redução, em média, de 12% no valor da parcela. Além disso, a mudança permite financiar valores maiores.

No caso de uma pessoa com renda familiar de R$ 10 mil, independentemente do relacionamento com o banco, pelas regras anteriores poderia financiar até R$ 267 mil. Com as novas taxas e prazo de 420 meses, poderá financiar até R$ 280 mil, segundo a Caixa Econômica.

Números
46% mais caros desde 2009. É até quanto aumentou o preço dos imóveis novos em Curitiba. A tendência é de desaceleração agora.

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