Minicasas, para quem valoriza o que é essencial


(Publicado em 08/01/2014, Renata Sguissardi Rosa, especial para a Gazeta do Povo)

Movimento mundial Tiny Houses ainda é tímido no Brasil: viver em pequenas habitações, com soluções inovadoras de construção e armazenamento, é opção de poucos

Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / Casa-contêiner em Balsa Nova: com 30 m², chegou para a proprietária pronta e mobiliada

 

Elas são bem pequenas, caprichadas e chamam atenção. Com menos de 40 m² , quase passam por casa de bonecas – mas as mini-habitações não têm nada de brincadeira. No mundo inteiro, o movimento chamado de Tiny Houses só cresce. Muita gente está aderindo à filosofia de viver em casas bem pequenas, somente com o mínimo necessário, dentro da cultura que mescla desapego, sustentabilidade, menor geração de resíduos e um freio no consumismo exacerbado. As mini-habitações são, também, opção para o segundo imóvel, como casas de campo e praia.

Uma pesquisa rápida pela web revela dezenas de sites e blogs sobre Tiny Houses. Além dos usuários, há fabricantes, arquitetos e designers criando produtos e materiais adequados para as habitações supercompactas. No planeta das minicasas, as pessoas compartilham ideias e soluções de moradia, armazenamento, geração de energia e até de transporte das pequenas residências, que têm essa vantagem sobre a construção convencional: em geral, uma Tiny House pode ser colocada sobre quatro rodas e se mudar junto com o dono.

O movimento Tiny Houses revela projetos inovadores, cheios de charme e com muita praticidade. “A casa pequena, além de simplificar sua vida, valoriza aquilo que a pessoa tem. Costumo dizer que o mundo vira o seu quintal”, conta o editor de mídias sociais Alessandro Martins, que criou o blog Casas Pequenas em agosto do ano passado e já recebe mais de quatro mil visitas por mês.

Conforto sem luxo

A Tiny House leva ao exercício do desapego. “É um estilo de vida mais simples, sem a necessidade de tantas coisas. A pessoa permanece com aquilo que realmente tem significado para ela”, pondera Martins. É o caso da instrutora de pilates Domicela Stanczyk. Ela passa metade do ano em uma casa-contêiner em Balsa Nova, na região metropolitana de Curitiba, e concorda: o conceito é viver sem luxo, mas com muito conforto e praticidade.

“Meu espaço é extremamente funcional. Tenho tudo o que eu preciso”, conta Domicela. A casa-contêiner tem um quarto com cama de casal e de solteiro, banheiro, sala e cozinha.

Para fazer sua Tiny House, ela contratou uma empresa de Curitiba, a Delta, especializada em restauração de contêineres para fins residenciais ou comerciais. A casa de Domicela foi feita em um único módulo. Com 30 m², ele chegou para a proprietária pronto e mobiliado, sem causar impacto ambiental nem sujeira com construção.

Instalado em um terreno arborizado, o módulo é complementado por uma construção simples em alvenaria, onde Domicela fez uma churrasqueira. “O contêiner é seguro contra ladrões e intempéries da natureza”, elogia a instrutora.

Barreira cultural ainda dificulta popularização do movimento no Brasil

Mesmo com tantas vantagens, as Tiny Houses estão longe de se tornar uma tendência no Brasil. Para a arquiteta Sharise Gulin, o motivo é cultural. Há grande oferta de espaço – o país tem muita disponibilidade de terra – e de mão de obra para limpeza e manutenção de casas e apartamentos. Além disso, para os brasileiros, é questão de status ter imóveis de grande metragem.

“As pessoas esquecem que um bom design, aplicado adequadamente em espaços pequenos, pode ser um luxo”, afirma Sharise, que morou durante um ano na Inglaterra em um pequeno apartamento e gostou da praticidade que ele proporcionava.

Inovação

Para que o lado prático se torne realidade no dia a dia do morador da casa pequena – e que a baixa metragem não seja motivo de estresse e desconforto para os habitantes –, a orientação profissional no projeto do imóvel é fundamental para que a minicasa caia nas graças do morador. Deve-se levar em conta itens como escolha de materiais, composição de ambientes, circulação de ar, conforto térmico, mobiliário e utensílios – para espaços pequenos, as soluções são diferentes, incluindo técnicas construtivas inovadoras.

Preço

Confira o valor de contêineres prontos:

• A Delta Containers fornece contêineres para uso residencial. A empresa informa que os materiais utilizados para pintura, revestimento, pisos e mobiliário são de alta qualidade. Contêiner sem móveis, pronto para uso, com porcelanato, revestimento e piso laminado custa a partir de R$ 39 mil. Já contêiner com móveis sob medida custa a partir de R$ 59 mil.

Serviço:

• Sharise Gulin: Tel (41) 3335-8001 ; (41 ) 9997-2238; sharisearquitetura@terra.com.br

• Delta Containers: Tel (41) 3302-0702 ; www.deltacontainers.com.br; Blog: http://casaspequenas.com

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