Bloco de sustentação do viaduto que caiu em Belo Horizonte tinha somente 10% do aço necessário


(Infraestrutura Urbana) – 23/07/14

Segundo laudo solicitado pela construtora Cowan, erro no projeto executivo da obra causou o acidente no início do mês. Peritos recomendam demolição imediata da alça que se manteve intacta

O bloco de sustentação do Viaduto Guararapes, que desabou no início do mês em Belo Horizonte, matando duas pessoas, foi construído com apenas 10% da estrutura de aço necessária. No projeto executivo da obra, o aço especificado para os esforços à flexão do bloco foi de 50,3 cm², enquanto o necessário seria 685 cm². As informações são do laudo da empresa Enescil Engenharia, contratada pela construtora Cowan para analisar as causas do acidente.

O projeto também não considerava o aço para esforços ao cisalhamento e à torção, que deveriam ser de 184,1 cm² e 10,2 cm², respectivamente. Outro erro apontado pelos estudos está na carga de trabalho adotada nas 10 estacas do bloco, que tinham 80 cm de diâmetro e 20 metros de profundidade. O projeto apontava carga de trabalho de 250 toneladas, no entanto, o necessário para suportar o peso seria 467 toneladas, o que exigia mais estacas ou peças mais profundas, ou com diâmetros maiores.

A partir desses erros de projeto, segundo o laudo, o pilar do viaduto sobrecarregava somente as duas estacas centrais, que tinham capacidade para suportar até 500 toneladas, mas acabaram sustentando três mil toneladas. Assim, o bloco teria afundado e, 18 dias após a retirada das escoras, causado o acidente.

O parecer técnico da Enescil Engenharia diz ainda que a alça norte do viaduto, que permaneceu intacta após o acidente, também corre risco de desabamento pelos mesmos erros de projeto, e sugere sua demolição imediata. Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que já solicitou à Cowan a apresentação do projeto de demolição para análise.

Outros lados
O projeto executivo da obra foi elaborado pela Consol Engenheiros Consultores e aprovado pela Prefeitura de Belo Horizonte. Em nota, a empresa contestou o laudo da Cowan. “Através de informações preliminares, é possível observar divergências entre o projeto e a construção da obra”, afirmou o diretor-presidente da Consol, Maurício de Lana, em nota. A empresa afirma que aguarda a perícia oficial para identificar “os reais fatores que contribuíram para o acidente”.

Por meio da Superintendência de Desenvolvimento de Belo Horizonte (Sudecap), a Secretaria Municipal de Obras analisou o relatório apresentado pela Cowan para que sejam tomadas as providências necessárias, incluindo medidas de proteção para os moradores do entorno da obra.

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