SR Rating mantém nota soberana do Brasil em BB+, com perspectiva estável


(Agência Estado) – 26/06/15

A agência de classificação de risco brasileira SR Rating manteve a nota soberana do Brasil em BB+, com perspectiva estável. Segundo a empresa, a decisão confirma sua análise de longo prazo de que o País nunca mereceu o grau de investimento (rating de BBB para cima).

A SR Rating afirma que a perspectiva fiscal cronicamente problemática para o Brasil no restante desta década e a resposta incompleta do atual governo a essa situação, assim como o fraco crescimento do PIB que resulta desse cenário, são os principais riscos para o rating do Brasil.

“O recente crescimento da dívida pública interna como proporção do PIB não é uma surpresa, tendo em vista a fragilidade crônica da gestão e composição da dívida no Brasil. A carga da dívida interna, como expressada pelas taxas de juros reais espantosas, ano após ano, por mais de duas décadas, é um testemunho vívido de tal fragilidade”, diz o relatório da SR Rating.

A agência afirma que a perspectiva estável para a nota soberana reflete alguns pontos fortes da economia brasileira, como o bônus demográfico, os recursos naturais abundantes e alguns segmentos muito competitivos, como a agricultura, mineração e aviação civil, além de um setor bancário bastante sólido.

A SR Rating reconhece que a economia se tornou mais diversificada e sofisticada nos últimos anos, o que contribui para melhorar a resiliência a choques externos. “O nível adequado das reservas internacionais, de quase US$ 375 bilhões, também exerce um papel essencial na presente confirmação do rating”, diz a empresa, citando, contudo, o grande volume de swaps cambiais na carteira do Banco Central.

Quatro problemas
A SR Rating resume os problemas da economia brasileira em quatro pilares. O primeiro deles é a elevada carga tributária que incide sobre o setor privado, que assim se torna incapaz de responder adequadamente a demandas de crescimento. “A economia brasileira desacelerou de maneira significativa nos últimos anos, sem recorrer a nenhuma reforma estrutural que poderia melhorar o desempenho do crescimento do PIB potencial”, diz o relatório.

O segundo pilar problemático é o volume muito grande dos gastos correntes do governo, tido como o principal motivo da estagnação da produtividade total dos fatores no Brasil. Este tópico está relacionado com o terceiro pilar, que é o alto custo da dívida pública, que em 2014 foi o equivalente a 6,7% do PIB.

O último pilar é o empobrecimento da pauta exportadora, que depende cada vez mais das commodities agrícolas e minerais, e o simultâneo desempenho pífio da indústria. Para a SR Rating, o fim do superciclo das commodities vai criar um desafio adicional para que o País consiga manter os ganhos de renda acumulados pela nova classe média. “Isso, por sua vez, gera alguma preocupação sobre a estabilidade social do Brasil no curto prazo”.

Projeções
No âmbito da política fiscal, a SR Rating lembra que a presidente Dilma Rousseff mudou radicalmente de curso neste início do seu segundo mandato e agora tenta consertar os erros do passado. A agência aponta que a equipe econômica, capitaneada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, promoveu fortes cortes nos gastos discricionários e aumentos de impostos, além de permitir um grande ajuste nos preços administrados, reduzindo assim os subsídios anteriores.

Em relação à inflação, a SR Rating diz que o IPCA pode convergir para o centro da meta em 2017, tendo em vista a combinação da política monetária bastante apertada, que reprime a demanda agregada privada, e a postura fiscal restritiva.

“Entretanto, mesmo que Levy conclua suas mudanças fiscais no prazo adequado e a inflação de fato convirja para a meta, continua a dúvida se esse conjunto de melhorias será potente o bastante para estimular de novo a confiança dos investidores e impulsionar um novo ciclo de crescimento”, comenta o relatório.

A SR Rating estima que o PIB brasileiro deve cair 1,2% este ano, se recuperando para crescimento de 0,8% em 2016, 1,5% em 2017, 1,6% em 2018, 1,7% em 2019 e 1,8% em 2020.

No caso dos investimentos, a estimativa é de novas quedas, também influenciadas pelo escândalo de corrupção na Petrobras. “O nível atual de investimento mal dá para cobrir a depreciação do capital”. De 19,8% do PIB em 2014, a taxa de investimento deve recuar para 18,7% este ano e 18,6% em 2016, subindo para 18,8% em 2017 e 19,0% em 2018.

Para a dívida pública, a SR Rating prevê que este ano deve haver alta para 63,5% do PIB, passando para 66,5% em 2016, 68,4% em 2017, 69,9% em 2018, 71,2% em 2019 e 72,2% em 2020.

Exterior
Entre os riscos externos, a SR Rating menciona o processo de normalização da política monetária por parte do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Para a agência, mesmo que o Fed não comece a elevar os juros este ano, o dólar vai continuar se apreciando. A empresa diz que, em uma base ponderada pelo comércio, o dólar está subindo atualmente no ritmo mais rápido dos últimos 40 anos.

Outro risco vem da desaceleração da China, que poderia crescer a um ritmo de 6% ao ano no médio prazo, vindo de uma taxa de 10,4% em 2010. A SR Rating lembra que os chineses são hoje os maiores parceiros comercias do Brasil. “A projetada desaceleração da China vai prejudicar diretamente as perspectivas de crescimento do Brasil”, aponta o texto, citando que os preços da soja e do minério de ferro, por exemplo, dependem fortemente da demanda chinesa.

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