Queda do volume da poupança levará à expansão o mercado de recebíveis


(DCI) – 03/09/15

A queda do volume de recursos depositados em caderneta de poupança poderá incentivar o mercado de certificados de recebíveis no médio prazo, mas o elevado patamar de juros reais (mais de 7% ao ano) no curto prazo atrapalha esse processo de expansão.

Na avaliação do diretor de relações com investidores (RI) da Barigui Securitizadora, Paulo de Paula Abreu, para voltar a crescer, o mercado de certificados de recebíveis terá que encontrar um equilíbrio nas taxas, entre a pretensão do investidor do mercado de capitais em receber, e o quanto o tomador dos recursos estará disposto a pagar. “Na medida em que esse funding [recurso para financiamento] vinculado à caderneta de poupança diminui, a tendência é que se vá buscar outras fontes de financiamento, entre os quais, o segmento de recebíveis”, aponta.

De acordo com dados do relatório do Banco Central, desde o início do ano, o saldo em cadernetas de poupança recuou mais de R$ 21 bilhões, do montante de R$ 662,72 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 641,63 bilhões em 26 de agosto de 2015.

Ao mesmo tempo, o estoque em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) aumentou cerca de R$ 3,04 bilhões, do volume de R$ 55,7 bilhões em dezembro para R$ 58,74 bilhões em 26 de agosto último.

Na mesma base de comparação, o volume de certificados de recebíveis do agronegócio (CRAs) evoluiu R$ 1,68 bilhão para o estoque de R$ 3,72 bilhões ao final de agosto, ante R$ 2,04 bilhões em dezembro.

Em resumo, enquanto o funding da poupança caiu mais de R$ 21 bilhões até o momento, o mercado de recebíveis (CRIs e CRAs) mostrou um avanço de mais de R$ 4,7 bilhões.

Mas segundo Abreu, o ano de 2015 – em particular – será um período de transição para o mercado de securitização. “Até 2014, esse mercado estava muito calcado em operações corporativas, ou seja, eram estruturas de financiamento corporativo, ou voltadas para grandes grupos, ou para shoppings ou para centros logísticos”, lembrou o diretor.

Mas agora, ele diz que o sistema financeiro de habitação (SFH), basicamente movido com recursos da caderneta de poupança está num processo de constrangimento e de redução de volume muito forte. “Isso reduz a oferta de crédito imobiliário no mercado”, diz.

Por outro ângulo, Abreu constata que o mercado de recebíveis hoje está fazendo muito menos operações corporativas do que fazia antes. “Seja por uma mudança na legislação, seja porque o apetite de investimento das empresas é muito menor do que no ano passado”, observa o diretor.

Quanto ao horizonte de médio prazo, ele vê potencial no mercado de recebíveis pulverizados. ” O financiamento de aquisições imobiliárias tende a crescer na medida que o funding prioritário para essas transações, que é o dinheiro vindo a caderneta de poupança está passando um processo de redução”, afirma.

O diretor admite que o problema atual para a estruturação de operações de recebíveis são os juros altos. “Dos mais de R$ 600 bilhões na poupança, se tem alocado em financiamento imobiliário entre R$ 350 bilhões a R$ 400 bilhões. A origem desse recurso é a aplicação em poupança que rende 6,17% ao ano mais a TR [taxa referencial, calculada com base na diferença de rentabilidade dos 20 principais CDBs]. É uma taxa muito baixa, e esse funding sai na forma de financiamento imobiliário com taxas entre 8% ao ano a 12% ao ano, mais TR, que está em torno de 1%”, compara.

Já o mercado de certificados de recebíveis (CRIs e CRAs) reúne recursos de R$ 62,46 bilhões, ou seja, tem uma menor participação no financiamento imobiliário e do agronegócio. “Para o investidor que irá aportar em CRI, o custo de oportunidade dele é outro. Ele vê uma aplicação de longo prazo como a NTN-B [Tesouro Inflação], um título público indexado ao IPCA, que hoje paga a inflação mais 7% ao ano, e pedirá uma remuneração maior no CRI”, conta.

Na argumentação dele, enquanto essa oferta de poupança era abundante, ninguém ia para o mercado de CRI, pois o dinheiro da caderneta era mais barato. “Mas como a oferta de funding de poupança está restrita, quem precisa de dinheiro, vai pagar o preço que o mercado pedir, e irá buscar o investidor de CRI, assumindo que terá que pagar uma taxa maior de juros”, observa.

Ofertas em análise – Na Comissão de Valores Imobiliários (CVM) há oito ofertas públicas de certificados de recebíveis em análise pelo regulador no montante de R$ 1,33 bilhão, sendo 5 ofertas de CRIs (Octante Securitizadora, RB Capital Securitizadora, Acrux Securitizadora e Brazilian Securities) e 3 de CRAs, da Eco Secutizadora de Direitos Creditórios do Agronegócio.

No ano até o final de julho último, a Anbima registra 64 operações de certificados de recebíveis, ante 66 realizadas em igual período de 2014. Em volume emitido, no entanto, houve uma queda de 35,4% para R$ 5,638 bilhões frente ao valor de R$ 8,738 bilhões em igual período do ano passado.

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