O momento mais difícil da construção civil


(Estadão) – 06/09/15

A construção civil foi a área de atividade que mais caiu no segundo trimestre: a consultoria LCA estima que o setor contribuiu com 0,4 ponto porcentual para a queda de 1,9% do PIB em relação ao primeiro trimestre. Mas, se são muitos os sinais de que a construção enfrenta uma fase de grandes apuros, as duas principais sondagens mensais sobre a atividade da construção – da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) – dão indícios de que o setor se aproxima do fundo do poço.

Não faltam, a rigor, fatos negativos sobre o segmento. O programa Minha Casa está atrasado. Além do corte de 40% dos investimentos públicos, terminou o boom da construção residencial e comercial. E, como notou o economista Bráulio Borges, da LCA, “o resultado da construção civil sugere que o impacto da Operação Lava Jato talvez seja mais forte do que se esperava”.

Segundo o IBGE, a queda do setor em relação ao segundo trimestre de 2014 foi de 8,2% – e os números só são um pouco menos ruins com ajuste sazonal, segundo a FGV.

Os contratos de muitas empreiteiras com os governos federal, estaduais e municipais são rompidos ou renegociados, mostrou reportagem do Estado. Em alguns casos, isso se deve à falta de pagamentos pelo setor público.

Mas a Sondagem da Construção da FGV mostrou que o Índice de Confiança da Construção (ICST) de agosto ficou estável em relação a julho, depois de ter caído durante três meses consecutivos. As expectativas, que haviam caído muito até julho, melhoraram ligeiramente em agosto (+0,7%). O grau de satisfação das empresas com a situação atual dos negócios é o menor da série, iniciada em 2010, porém as perspectivas para os próximos seis meses são melhores.

A Sondagem Indústria da Construção da CNI mostra um cenário pior do que o da FGV, pois o índice do nível de atividade em relação ao usual caiu 13,8 pontos entre julho de 2014 e julho de 2015 e chegou a 28,5 pontos, muito abaixo dos 50 pontos que separam os campos positivo e negativo.

Mas as empresas médias têm expectativas menos ruins. De fato, muitas esperam ocupar mais espaço em obras públicas, área onde as grandes foram mais atingidas.

Com a economia em recessão, os investimentos em construção são muito afetados. Mas, perto de chegar ao fundo do poço, oportunidades começam a aparecer.

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