Governo estuda liberar mais dinheiro para financiar imóveis


(O Globo) – 27/09/15

O governo estuda mexer novamente nos depósitos compulsórios — dinheiro dos bancos que fica depositado no Banco Central (BC) — para liberar mais recursos para o crédito imobiliário, como alternativa emergencial à sangria da poupança. O propósito principal é dar fôlego à Caixa Econômica Federal, que responde por 70% do mercado da habitação e tem cada vez menos recursos da poupança para emprestar. No fim de maio, o Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou as regras dos compulsórios que incidem sobre as captações da caderneta e liberou R$ 22,5 bilhões para o financiamento habitacional. A ideia é fazer alterações que assegurem a liberação de novos recursos nesse mesmo montante.

JURO ALTO REDUZ ALTERNATIVAS
Do total de recursos captados pela poupança, 65% devem ser aplicados em crédito imobiliário; 5% podem ser emprestados livremente e o restante fica retido no BC. Dos 30% que ficam no Banco Central, 24,5 % são remunerados pela rendimento da poupança e 5,5% pela taxa Selic (juros básicos da economia que estão atualmente em 14,25% ao ano). Uma das propostas em estudo é reduzir ou até eliminar a parcela remunerada pela Selic, para forçar os bancos a conceder mais empréstimos pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que financia imóveis de até R$ 750 mil nas grandes capitais.

Do total liberado ao setor, a partir de junho, a Caixa ficou com R$ 10 bilhões. Mas o dinheiro já está acabando, segundo informou o vice-presidente de Habitação da instituição, Nelson de Souza, no Encontro Nacional da Indústria da Construção Civil, em Salvador na semana passada. Ele disse que a equipe econômica e a Casa Civil estão estudando uma solução para o problema:
— Estamos estudando opções com a Fazenda e a Casa Civil. Posso assegurar que a Caixa não vai deixar de emprestar.

A fuga de recursos da poupança, cujos saques superaram os depósitos em R$ 48,5 bilhões até agosto, preocupa o governo e há um consenso na equipe econômica que é preciso buscar alternativas para o financiamento habitacional. Há, no entanto, o cuidado de evitar que a liberação do crédito tenha impacto na inflação. Integrantes do setor produtivo calculam que, se a parcela que fica retida no BC e é remunerada pela Selic for zerada, mais de R$ 22 bilhões poderão ser liberados para o crédito habitacional.

— Alguma coisa precisará ser feita e é necessário um valor relevante para dar um ânimo ao setor — disse uma fonte da equipe econômica.

O vice-presidente da Caixa destacou que com a Selic a 14,25% ao ano, a captação de recursos no mercado e o uso de alternativas como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Recebíveis de Certificados Imobiliários (CRI) ficam inviáveis para a concessão do financiamento para casa própria. Ele informou que a situação ficou mais complicada após o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s.

— Com Selic a 14,25% não roda nada disso (LCI, CRI). Temos que ir para o mercado internacional, mas, depois que o Brasil perdeu o grau de investimento, os investidores repassam (para o custo de captação), não tem jeito — afirmou.
Segundo Souza, apesar da crise, há demanda de famílias por empréstimos habitacionais. O simulador de financiamentos no site do banco recebe 200 mil consultas por dia. Só no primeiro semestre, foram registrados 40 milhões de acessos.

TAXAS AUMENTARAM 50,6%
Diante da escassez de recursos da poupança, a Caixa só está financiando a metade do valor de imóveis usados e baixou a cota de financiamento dos novos, de 90% para 80%. Também já fez três elevações nos juros do crédito habitacional este ano.

O diretor de crédito imobiliário do Banco do Brasil, Hamilton Rodrigues da Silva, disse que a instituição tem procurado construir um mix de recursos (poupança e captações no mercado) para atuar no setor. O custo mais elevado tem sido repassado aos clientes. De acordo com dados do Secovi-SP, entre 2012 e 2015, a taxa média dos financiamentos habitacionais subiu 50,6%, de 7,17% para 10,8% ao ano.

Os recursos adicionais beneficiarão todo o sistema financeiro. Bancos como Itaú e Bradesco, segundo fontes do mercado, ainda têm margem para até 2016.

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