Bancos privados querem vender CRI ao FGTS


(Valor Econômico) – 25/02/16

Assim como a Caixa Econômica Federal, os bancos privados querem vender Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compensar o aumento dos saques na caderneta de poupança, principal funding para o financiamento à habitação no país.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anunciou recentemente que o FGTS compraria R$ 10 bilhões em CRI, que tem lastro em imóveis residenciais que obedeçam os limites das normas do fundo. A medida visa dar fôlego para a retomada da economia brasileira, mas a regulamentação ainda depende de aprovação do conselho curador do FGTS.

O temor dos bancos privados, no entanto, é que os recursos sejam integralmente repassados para a Caixa. Para evitar que isso aconteça, os representantes das instituições privadas estão solicitando ao grupo de apoio permanente ao conselho curador que seja estabelecido limite individual para venda de CRI ao FGTS.

Nesse grupo de apoio normalmente é discutido como implementar alguma medida com o recursos do fundo. Somente após esse debate é que a decisão é tomada pelo conselho curador do FGTS, fórum em que o governo tem maioria.

Segundo uma fonte ouvida pelo Valor, ainda não havia um consenso sobre qual o limite que seria definido por banco. Mas os integrantes do grupo consideraram a medida interessante para garantir que outras instituições financeiras, se houver interesse, pudessem ter acesso a esse recurso. O tema será discutido em reunião extraordinária do conselho curador do FGTS, que se reúne na sexta-feira.

Para garantir rentabilidade ao FGTS, segundo proposta que vem sendo debatida, o banco que vender CRI ao fundo terá que pagar uma remuneração correspondente à Selic, atualmente de 14,25% ao ano, até que ocorra a contratação da operação imobiliária. Depois disso, o custo pós-contrato deverá ser de 7,5% ao ano. Inicialmente foi proposta uma taxa pós-contrato de 6%.

Quando a medida foi anunciada pelo ministro Barbosa no fim de janeiro, conselheiros do FGTS criticaram a iniciativa por considerarem que a operação tinha como objetivo uma “capitalização” da Caixa. Um executivo do banco público explicou que a medida daria mais funding para o banco operar, porém, não se tratava de uma capitalização.

A avaliação dele é que o governo quer estimular setores, como o da habitação, que emprega muitos trabalhadores e dá uma resposta rápida do ponto de vista de retomada da economia. No caso da habitação, haveria demanda por empréstimos, mas as instituições financeiras sofrem com a falta de funding barato e, portanto, é preciso buscar alternativas como é o caso da venda de CRI para o FGTS.

Além da possibilidade de vender CRI para o FGTS, Barbosa anunciou no fim de janeiro a possibilidade de utilização de 10% do saldo das conta e a multa como garantia para empréstimos consignados para trabalhadores da iniciativa privada. O governo vai enviar uma medida provisória sobre o assunto ao Congresso Nacional, que também será debatido em reunião do conselho curador prevista para amanhã.

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s