Anúncios de novos projetos na construção recuam 72%


(Valor Econômico) – 02/05/16

O volume de obras anunciadas no país ao longo do primeiro trimestre deste ano encolheu 72% em relação a igual período de 2015, devido principalmente à incerteza econômica. Levantamento da corretora de seguros e consultoria de risco JLT estima que até o fim de março haviam sido divulgados projetos de construção no valor de US$ 1,1 bilhão enquanto nos primeiros três meses do ano passado o total acumulado foi de US$ 3,9 bilhões.

Os segmentos de construção mais afetados em 2016 foram os de infraestrutura, residencial e institucional (hospitais, universidades e centros de pesquisa, entre outros projetos). Nessas três áreas, nenhum novo projeto foi anunciado entre janeiro e março – o estudo da JLT inclui apenas investimentos acima de US$ 25 milhões.

Nos últimos 12 meses, foram cancelados 69 projetos, equivalentes a investimentos de US$ 76,6 bilhões no país. “O risco político é bem expressivo no país, mas permanece estável”, diz Enzo Ferracini, diretor da área de infraestrutura da JLT, comparando o cenário dos primeiros três meses deste ano com o do quarto trimestre de 2016.

Em seu relatório mais recente sobre o Brasil, a companhia indica que riscos econômicos superam os políticos no momento.

A avaliação está diretamente conectada ao rebaixamento da nota de crédito do país pelas principais agências internacionais de classificação de risco. E, também à instabilidade na cotação do real frente às moedas fortes nos primeiros três meses do ano.

“O Brasil está como um shopping center, com vitrines atraentes e lojas em liquidação”, compara Marta Schuh, gerente comercial da JLT. “Os preços podem estar mais atraentes [em dólar ou euro], mas está todo mundo se questionando se não vai aparecer uma barganha melhor.”

Além do rebaixamento do país, a falta de recursos no caixa dos governos federais, estaduais e municipais também contribui decisivamente para a percepção de risco econômico. A escassez de recursos nesses três níveis de governo está levando algumas construtoras – Ferracini não cita quais – a mudarem seu foco do setor público para o privado.

A retração do mercado de construção é tão intensa que o setor de energia, no qual investimentos de R$ 5,36 bilhões foram reportados em 2015, contava com apenas US$ 80 milhões em projetos até o fim de março.

No ano passado, o volume total de obras anunciadas somou US$ 18,2 bilhões, menos da metade do montante reportado em 2014 (US$ 39,86 bilhões) e dez vezes menos do que o divulgado em 2011 (US$ 183,17 bilhões), segundo dados da consultoria.

“O início do ano está muito fraco. O que vai dar um pouco de suporte à área de construção é a PPP (parceria público-privada). Temos licitantes entrando e não há necessidade de aporte público. Fora isso, só coisas muito pontuais”, diz o executivo.

Para Ferracini, o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff pode contribuir para uma melhoria do risco político. “A situação da presidente é insustentável, pelo fato dela não ter mais apoio político”, afirma. A JLT está presente em 130 países, a companhia baseada em Londres é parte de uma holding avaliada em US$ 65 bilhões.

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